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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mediunidade nobre

Mediunidade nobre

Ignotus

Imagem gerada por IA

Tratava-se de uma sessão de clarividência e psicometria em respeitável Sociedade Espiritualista parisiense.

Sobre a mesa, diante da médium, respeitável senhora em cujo rosto sereno havia uma moldura de nobreza moral, encontravam-se fotografias, objetos de uso pessoal e pequenas bijuterias com o fim de facultar-lhe a percepção paranormal.

Havia uma expectativa compreensível, na sala repleta, onde minutos antes, outro médium, de procedência estrangeira, proferira palpitante conferência espírita que sensibilizara o auditório, ainda comovido, que o fora ouvir.

A médium, igualmente tocada, referiu-se à favorável psicosfera que pairava no ambiente, como decorrência das imagens mentais produzidas pelo orador que, reiteradas vezes, exaltara a vida e a obra de Allan Kardec, o missionário de Jesus, encarregado de Codificar o Espiritismo, trazendo de volta o Cristianismo sem jaça, liberado dos artifícios com que a ortodoxia religiosa o obumbrara através dos séculos.

Após agradecer a contribuição espiritual e doutrinária que o orador trouxera à assistência, deu início à sua tarefa.

Visivelmente inspirada, em transe parcial, no qual transparecia a interferência dos Espíritos sérios, a intermediária identificou e transmitiu mensagens de desencarnados aos seus familiares sob emoção crescente do público.

Passando à psicometria, tomou de vários pequenos objetos, descreveu os seus possuidores, referiu-se a problemas de saúde de alguns, deu conselhos morais.

Quando tocou um chaveiro, corou, subitamente, dilataram-se-lhe as pupilas e ela, com alguma veemência, invectivou o seu dono para que não levasse adiante o plano que ora arquitetava e dera início à sua execução. Convidou-o a mudança de comportamento em relação à pessoa, sua vítima em potencial, orientou-o.

Irritado, o consulente reagiu, fazendo-se agressivo.

A dama, porém, segura do dever que lhe dizia respeito, não se desequilibrou.

Na primeira oportunidade, no entanto, esclareceu:

— Dedico-me à mediunidade há muitos anos, por amor ao meu semelhante, sem dela fazer negócio de qualquer natureza. Trabalhei, na minha profissão anterior, por árduos anos, até aposentar-me, de modo a não necessitar de vender as minhas faculdades psíquicas. Por isso, sempre adotei o sistema de dizer o que é justo e não só o que agrada. Não brinco neste ministério, que considero grave e digno, nele investindo os meus melhores recursos, minhas reservas de energia e de abnegação.

Fez uma pausa, concatenando as ideias e concluiu, igualmente inspirada:

— O orador referiu-se que Allan Kardec nos convidou à razão, ao livre exame, à procura honesta, elucidando que “seria melhor desprezar nove entre dez verdades, a aceitar uma só mentira”. Porque não cobro dinheiro, com a obrigação de elogiar os pagantes, não temo orientá-los com os recursos da verdade, que logro constatar.

O público, anuindo, aplaudiu-a, enquanto ela prosseguiu, tranquila, no seu mister até a hora do encerramento.

Em qualquer lugar a verdade tem o seu lugar.

A verdade liberta e nunca se submete.

Para ser verdadeira, a mediunidade deve ser exercida com gratuidade, coerência e dignidade, sem o que se corrompe e se envilece.

A fim de alcançar esse desiderato, o conhecimento da Doutrina Espírita se lhe faz indispensável.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Seara do Bem

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quinta-feira, 2 de março de 2023

Vitória do Espiritismo

Vitória do Espiritismo

Léon Denis


A seu tempo, a revelação dos Espíritos aos homens, a respeito da imortalidade da alma, do destino e da divina justiça, da finalidade da vida na Terra e de como ser feliz, preparando o futuro transcendental, se fez mediante símbolos e rituais, nos quais as cerimônias e complexidades da forma preservavam dos exotéricos a intromissão e a vulgaridade, para ser interpretada pelos iniciados que lhe estudavam o conteúdo superior, apresentado-a conforme a mentalidade de então e a capacidade de se poder vivê-la.

Foi o período do Ocultismo, da Cabala, do Hermetismo, do Esoterismo que vitalizaram a alma das civilizações da antiguidade oriental, da chinesa, da indo-europeia, da greco-romana e, guardadas as proporções, dos povos primitivos e silvícolas de todo o Orbe.

Com o surgimento da Filosofia, a partir de Sócrates ou mesmo dos pré-socráticos, o debate franco do pensamento zombou, em muitos casos, das doutrinas ancestrais, procurando libertar-se de quaisquer coerções e limites, em tentativas de fazer o homem melhor identificar-se com a vida, sem a necessidade de gurus ou pítons, de mestres, de hierofantes, de feiticeiros, tornando-se os filósofos, novos guias, semelhantes àqueles que pretendiam combater.

O Espiritualismo, no entanto, resistiu-lhes ao sarcasmo proposital e preservou os métodos antigos, nas suas práticas rigorosas vedadas aos curiosos e não filiados.

O intercâmbio entre os habitantes das duas esferas vibratórias da vida — a dos mortos e a dos vivos — prosseguiu sem solução de continuidade, enriquecendo de esperança e sabedoria aqueles que se lhe dedicavam.

Dos Espíritos que exigiam vítimas e sacrifícios humanos, por serem tão primitivos como o próprio homem — almas dos homens despojadas da matéria, que eles são —, a comunhão se fez mais profunda com as Entidades sábias que se encarregavam de inspirar e promover o progresso, levando a criatura a galgar os degraus da evolução, despojando-se das paixões mais vis mediante o aprimoramento das tendências e o cultivo das aptidões superiores.

Foi um largo peso a ser vencido, no qual estiveram investidos os melhores valores dos ideais e da abnegação, para o que, missionários do amor e da sabedoria mergulharam na densa névoa carnal sob o amparo de companheiros iluminados que permaneceram no Além, de modo a facultar entre ambos uma perfeita identificação de pensamento e experiência. Tornaram-se, deste modo, os aceleradores do progresso moral e intelectual, envergando a indumentária de sacerdotes e sábios, investigadores e filósofos, apóstolos e mártires...

Sua passagem pela Terra deixava uma esteira luminosa que esbatia as trevas, indicando rumos e tomando-se instrutores seguros e pacíficos, construtores do bem e da verdade.

Opunham-se à Violência e ao totalitarismo, ao poder arbitrário e à agressividade, preferindo a morte ao crime, o cárcere à anuência com os prepotentes...

Inspirados pelos seus pares não desfaleciam ante as ásperas batalhas que defrontavam, mantendo a paz e fomentando-a em toda parte.

Quando as condições se fizeram propícias veio Jesus estabelecer as bases da Era do amor, modificando as estruturas éticas do comportamento humano, embora, submetendo-Se, Ele próprio, às injunções da lei antiga pautada nas diretrizes da força e da truculência.

Consolidou o mecanismo do intercâmbio espiritual, desvestido de todo e qualquer formalismo, anunciando um Deus de amor e justiça que se manifestava em tudo e todos, movimentando-se com absoluta facilidade entre o mundo físico e o espiritual.

A Sua é uma saga de extraordinária espiritualidade, que O coloca na legítima condição “de Senhor dos Espíritos”, tal a superioridade que O reveste e a forma como todos se Lhe submetem.

Demonstrando a improcedência dos atavios e artifícios para a comunicação espiritual, transfigurou-Se no Tabor, ante Moisés e Elias, os grandes profetas que O homenagearam após a morte, redivivos, ante o deslumbramento dos discípulos que participaram da cena inesquecível.

Estabeleceu o primado da verdade em qualquer conjuntura e exaltou o valor intrínseco do ser acima da aparência e das condições exteriores.

Ensinou e viveu os postulados do amor, de forma simples e clara, retirando os favoritismos e concitando as criaturas, em igualdade de condições, a assumirem as tarefas que lhes cabe desenvolver e cumprir.

Preferiu o holocausto da própria vida, mas voltou para confirmar a imortalidade triunfante, consolidando, nos que ficaram, a certeza da sobrevivência e a sua excelente realidade, além das dores e sombras...

Trabalhando mentes e corações, a Sua doutrina dominou vidas, que, sucumbindo sob infamantes perseguições que duraram 249 anos, arrebatando e desorientando quase um milhão de seguidores, experimentou o seu primeiro e grave conflito no dia 13 de junho de 313 quando o Edito de Milão reconheceu o direito e a licitude de ser cristão, que Nero retirara desde o ano de 64, ora amenizado, ora severamente punido, conforme a “Lex romana”, a critério e paixão de cada Imperador ou diante da situação geográfica em relação a Roma, num total de 129 anos de perseguições impiedosas.

Lentamente os catecúmenos passaram a exercer o seu culto à luz solar, transferindo-se, sem dar-se conta, da condição de perseguidos a perseguidores.

- Os grandes “pais da Igreja primitiva” logo lamentaram a ocorrência, ao constatarem a queda da fé e a consequente mundanização da doutrina com a ritualística e os cerimoniais herdados do politeísmo romano, que se foram incorporando à conduta religiosa, antes natural, sem retoques nem adornos...

Paulo afirmara que “a liberdade na morte é liberdade maldita”, invectivando contra a atitude de adesão ao “status” por covardia de ser livre na vida espiritual através do testemunho.

Introduziram-se reformas e hábitos que iriam distanciando a mensagem, do seu Autor, e a pureza original começou a desaparecer...

...Em 320 introduziu-se o uso das velas no culto; em 375 iniciou-se a devoção aos santos; em 394 a missa foi instituída; em 528 surgiu a extrema-unção e, logo depois, em 555 a reencarnação era considerada heresia, no Concílio de Constantinopla...

...Em 660 Bonifácio III se declarou Bispo Universal — Papa; em 763 surgiu o impositivo da adoração às imagens e relíquias; em 993 começou-se a canonização dos santos; em 1076 fez-se imposta a “infalibilidade da Igreja” que culminou com a infalibilidade do papa em 1870...

...Em 1184 se criou a “Santa Inquisição” e logo depois, em 1190 a “venda das indulgências”...

No dia 31.10.1517 surgiu a Reforma, com Martinho Lutero que, aos 18 anos, se tomou aluno da Universidade de Erfurt, em cuja biblioteca encontrou uma bíblia latina, graças à qual pôde ver melhor o grande desvio das bases primitivas por que passara a fé.

Posteriormente, os discípulos e seguidores de Lutero se separaram, criando correntes e Igrejas, apresentando interpretações e textos variados, cujo número é surpreendente.

As revelações espirituais foram perseguidas e tentou-se, com a morte nas fogueiras, nos esquartejamentos e na impiedade, silenciar as vozes do mais além.

A ciência esteve amordaçada e os inovadores pagaram, no cárcere ou na morte, a audácia de pensar, por discordar do clero...

Morreram Joana d'Arc, João Huss, Nicolau Copérnico, por adesão à verdade, em ângulos diferentes, mas que o dogma condenava.

Dolorosamente, o homem recomeçou a marcha do progresso.

Os horizontes da Terra se alargaram graças aos descobrimentos marítimos; os missionários do saber volveram ao corpo; ampliou-se o conhecimento, e a revolução francesa estabeleceu os “direitos do homem”, libertando-o da opressão política e religiosa.

Com a chegada de Allan Kardec e com o Espiritismo, renasceu o Cristianismo primitivo, restabeleceram-se as comunicações espirituais e a revelação estuou no mundo das letras, das artes, da filosofia, da ciência e da fé.

As paisagens do além-túmulo foçam desveladas, o conceito de justiça divina readquiriu seu lugar através das reencamações, e o homem deixou de ser vítima do destino para tomar-se-lhe o autor, seu próprio arquiteto.

O excesso de cepticismo decorrente da reação contra o abuso dogmatista enregelou a alma das criaturas, que aderiram à indiferença total pelo Espiritualismo, entregando-se à vivência do prazer dos sentidos.

O materialismo, porém, as decepcionou e, em face dos tormentos íntimos que padecem, procuram agora recuperar a fé, repetindo as experiências ocultistas, orientalistas, que ora as atrai, arrancando-as da difícil situação e preparando-as, de certo modo, para um retomo a Deus e a sobrevivência, em “espírito e verdade”.

O Espiritismo, no atual conceito da sociedade, dispõe de todos os elementos para repetir o Cristianismo, ao mesmo tempo avançar com a Ciência e a Tecnologia, numa extraordinária aliança da fé com a razão, com o conhecimento e a experiência de laboratório.

Simples, sem ser fácil, acessível, mas não pueril, o seu corpo doutrinário é constituído de sólida argumentação decorrente do ensino dos Espíritos e da lógica de aço do Codificador, podendo resistir ao avanço das conquistas científicas, seguindo-lhes ao lado e iluminando-lhes as sombras ante os naturais enigmas que estas defrontem.

Perfeitamente atual, o Espiritismo consola, instrui e liberta o homem, projetando-o, renovado, no rumo de uma vida sem angústia nem sofrimentos, consciente e ditoso por fim.

Tours, França, 05.11.1983.

Léon Denis por Divaldo Franco do livro:
Seara do Bem

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Efeitos do materialismo

Efeitos do materialismo

Vianna de Carvalho

Pode-se creditar ao materialismo a crescente estatística de suicídio, aborto, eutanásia e homicídio, quando estes não decorrem da loucura que se manifesta como epidemia nas várias partes do mundo hodierno.

Estes atos são filhos espúrios do egoísmo que encharca os sentimentos humanos com soberba e prepotência, quando o mesmo tem, ou supõe ter contrariados os seus interesses imediatistas, porque lhe faltam os objetivos superiores da vida, colocados apenas nas manifestações do corpo transitório, assim arrojando aqueles que lhes sofrem as constrições aos abismos de difícil curso liberativo.

Acreditando na vida somente do ponto de vista material, preconiza a morte como solução de quaisquer penosas situações que não se resolve por enfrentar.

Os problemas mais ásperos das ocorrências humanas são também transitórios e, quando o homem não se intimida, estabelecendo métodos de superação, adquire experiência que o credencia a tentames mais complexos cujos desafios vence.

O suicida, pelo cultivo da indiferença aos valores espirituais, supõe que morto o corpo, cessada a vida, tomando uma resolução simplista, de cujas consequências só através da dor e do arrependimento que o humilham e despertam, se prepara para recomeços mais penosos do que a situação que desfrutava e não soube aproveitar.

Tentam-se métodos para o suicídio sem dor, como se a manifestação dos sentidos fosse apenas causa e não efeito das agressões praticadas contra o espírito imortal.

A autodestruição do corpo não resolve as contingências da vida, que prossegue em outra dimensão, sendo, aliás, a física um símile imperfeito da espiritual.

A amargura que hoje propele à loucura, amanhã terá passado.

A desgraça de agora será mais tarde superada.

A solidão e o abandono ora sofridos estarão depois olvidados.

É necessário esperar, permanecer no campo de batalha, sem deserção, até a hora da vitória, da paz.

Quem aborta, buscando livrar-se de uma situação incômoda, mas que foi procurada — à exceção do estupro violento, quando a mulher esteve submetida a imperiosa provação — complica a sua e a oportunidade do reencarnante, incidindo em grave conjuntura que depois arrastará, penosamente.

O aborto provocado, que não objetiva salvar a vida da gestante, é sempre crime contra a humanidade, considerando-se que o feto não se pode defender da ação covarde de quem ergue a clava, em desespero ou frieza, para interromper-lhe o renascimento.

Nascem nesse ato infame, ou prosseguem, obsessões perigosas em que os ódios se sustentam mediante intercâmbio psíquico demorado e vampirismo alucinante.

O respeito pela vida em todas as suas expressões conduz a mente à manutenção do equilíbrio ante as leis do Cosmo.

Só o homem, dito civilizado, provoca o aborto objetivando a própria comodidade, apoiando-se em esquemas de conveniência pessoal, econômica e social, disfarce de que se utiliza para sustentar o próprio egoísmo que o atormenta e vence.

A eutanásia é a medida cruel para abreviar o sofrimento de quem dele necessita para equilibrar-se. perante a consciência divina.

Não sendo a dor um castigo de Deus, porém uma forma de recomposição de atitudes e dignificação de valores morais, cada período de sofrimento propicia elevação íntima a quem expunge, especialmente se preservando a serenidade e a resignação.

O sofrimento são as mãos modeladoras do progresso trabalhando quantos se fazem recalcitrantes ao amor.

As enfermidades de demorado período, as limitações confrangedoras, as patologias irreversíveis, são fenômenos propiciatórios da evolução, que não podem ser interrompidos em nome da piedade e do afeto, que escondem o egoísmo que se deseja desonerar das lutas e dos problemas que outrem, sofrendo, impõe.

Quando luz o amor no sentimento e a razão é lúcida, há um convite ao carinho e à assistência ao paciente, o devotamento e a solidariedade que se fazem processos de crescimento moral e espiritual daquele que se propõe ajudar e servir.

Outrossim, as conquistas da ciência cada dia debelam doenças antes incuráveis, resolvem situações que eram inconciliáveis, minoram dificuldades variadas, sendo, portanto, válido aguardar e confiar.

Como a vida é pujante em tudo e todos, tentar interrompê-la é ignorância da sua realidade, que não passa impunemente.

O homicídio remanesce do barbarismo, que acreditava na extinção do inimigo para acabar-lhe com a resistência.

Predominando o mais forte, muitas vezes, o homicida é um fraco que tomou a dianteira no gesto alucinado ou um covarde que, à traição, realizou o crime, ou o maníaco que surpreendeu a vítima desprevenida, sem que, em caso algum, consiga a destruição do ser em face da morte do corpo.

Morto o invólucro material ressumam e se agigantam as realidades íntimas que, negativas, se voltam contra o agente da sua desdita, em antagonismo feroz que toma vulto com o tempo em processo de torpe vingança.

Se alcançado pela justiça terrena, pode o delinquente ressarcir parte do crime perante a sociedade. nem sempre, porém, ante a própria consciência e a vítima que o espreita e aguarda.

Não há justificativa para matar jamais.

O ciclo biológico deve prosseguir inalterado até a sua natural interrupção, quando os agentes mantenedores do corpo cessam de guardar o equilíbrio e preservar as células.

Antepondo-se ao materialismo, o conhecimento espiritual dignifica a vida, dá-lhe direção e sentido, robustecendo o homem e elevando-o incessantemente.

Igualmente, é a grande terapia contra a loucura, impositivo dos resgates de vidas pretéritas que a criatura não conseguiu superar.

Na raiz dos casos de suicídio, aborto delituoso, eutanásia e homicídio há sempre uma psicopatologia que aturde o homem, levando-o à ruína descabida.

O Espiritismo, que é o lídimo equacionador dos problemas gerados pelo materialismo, significa, neste momento, a força intelecto-moral mais condicente com as necessidades humanas, enfrentando os graves conflitos geradores dos sofrimentos e pondo-lhes termo, em definitivo, por meio do esclarecimento e da experiência imortalista de que se faz portador para todos os homens.

Barcelona, Espanha, 26.10.1983.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

A restauração

A restauração

Victor Hugo


Victor Hugo

Toda uma era de agressividade e descalabros se aproxima do seu fim inexorável.

As sementes da discórdia, atiradas a esmo na terra dos corações, germinam com abundantes crises que fazem o estertor das modernas estruturas, cujas aparentes bases de segurança se permitem pulverizar sob os camartelos da insatisfação geral.

A falência inevitável dos valores éticos se apresenta imediata, em face das buscas do prazer alucinado, que entenebrece os sentimentos, enquanto a indiferença pela criatura humana, em si mesma, e pelos povos em geral, atesta a fúria bestial de indivíduos e governos desarvorados sob o estridor das forças desconcertadas decorrentes das emoções e instintos asselvajados.

Estabelece-se a paz sob a mira de ogivas de mísseis intercontinentais e de médio alcance, com ilimitado poder destrutivo, enquanto a diplomacia dos sorrisos mal oculta a sanha armamentista dos que desejam submeter o mundo aos pés, sem dar-se conta das sombras do sepulcro que já lhes cobrem a simulada vitalidade orgânica de que se fazem possuidores.

A fome que grassa no mundo ceifando milhões de vidas por ano, e as enfermidades que zombam das conquistas médicas, porque não debeladas, são estudadas e discutidas em busca de soluções não desejadas, em hotéis de superluxo, e banquetes, nos quais o supérfluo excede entre sorrisos de representantes das nações que jamais examinaram de perto os problemas, informados somente por estatísticas elaboradas em setores especializados para onde convergem os dados a serem computados.

A loucura de todo porte domina as ruas da Terra, por transbordarem dos lares onde os conflitos explodem em intensidade, e dos lugares de trabalho, nos quais o equilíbrio se torna impossível, como decorrência das circunstâncias e fatores desumanizantes. Surgem e se generalizam conflitos psicológicos individuais, que afetam os grupos sociais e os dissociam, fermentando as massas que externam recalques, necessidades e frustrações em forma de saques e violências de toda espécie, porque padecem a infamante pressão do poder que os oprime e os ignora.

Em contrapartida, os poderosos, porque colimaram as metas que almejaram, desmotivam-se e a insânia neles se estabelece, promovendo espetáculos que açulam as paixões primitivas e os tornam humilhados em si mesmos, sem qualquer respeito pela própria, e pela vida alheia.

Multiplicam-se os paradoxos num contexto histórico de transição.

Os líderes dos povos estertoram, jugulados a outros senhores que os comandam, conduzindo e sendo conduzidos.

Materialistas trabalham pela paz, e religiosos fomentam as revoluções; pesquisadores exaurem-se na busca de equações para os problemas humanos, enquanto as multidões ensurdecem-se diante das propostas positivas para o seu bem-estar; missionários da ciência promovem a esperança e o povo agita-se na rebeldia; astrofísicos buscam vida fora da Terra, na medida em que os seus governos aplicam fortunas que venceriam a maioria dos males que a destroem no planeta; atuam governos e povos trabalhando pelos “direitos humanos”, que espoliam com agressões a minorias raciais e a pequenos países onde atuam os seus serviços de inteligência...

Ironicamente dão-se as mãos a miséria e a abundância, misturando-se lágrimas de dor, esgares de ódio, risos de prazer...

A inteligência que busca as estrelas, desdenha do astro onde se radica.

Negando a fé, a ciência foi conduzida pela razão filosófica a encontrar o nada e afirmá-lo, defrontando, por fim, a energia como fonte única de tudo, na qual o espírito se individualiza sob o comando da divina presença que lhe é independente, causal, pensante e atuante.

No báratro das desconexas situações são reformulados, apressadamente, os conceitos sob a origem dos seres, da vida e suas finalidades, sem modelos adredemente estabelecidos nem fórmulas simplistas de aplicação imediata.

Havendo falhado a tecnologia e a presunção científica em geral para tornar o homem feliz, ei-lo que se volta para Deus, a Fonte Inexaurível, e para o amor, Seu investimento maior, numa excelente proposta de autorrealização e de paz.

Começa a restauração da criatura, que se ergue do caos de uma civilização aturdida, sob esforços de superação imediata dos atavismos ante os acenos da felicidade.

Uma cultura trabalhada sobre o respeito à vida substituirá o estereótipo tradicional que fez do homem a cobaia para todos os experimentos.

Uma fé no futuro espiritual, numa religião comum a todos os homens, fundamentada nas experiências do intercâmbio dos Espíritos e da reencarnação como demonstra o Espiritismo, centralizada nos pontos essenciais de todas: Deus, imortalidade da alma, justiça divina, a oração e a caridade como expressão do amor aplicado na ação do bem.

Uma filosofia otimista, porque conhecedora do equilíbrio das leis que regem a vida e favorecem um comportamento ideal.

Evidentemente, há muito por fazer entre os escombros sociais e políticos, éticos, econômicos e humanos.

Os pioneiros da restauração, que testemunham a inabordável hecatombe moral da Era que passa, não poderão mensurar os recursos a serem aplicados na grande luta que já se trava em toda parte, conscientes de que iniciam a obra, mas os resultados pertencem ao futuro. Abrem espaços, preparam as mentes, despertam os indivíduos e atuam sem cansaço, ignorando sacrifícios e renúncias, bandeirantes do novo ciclo.

Não importem os investimentos que parecem não render valores creditáveis, que somente serão considerados mais tarde.

A semente jaz esquecida até o momento em que germina e responde com vida ao chamado da Vida.

Uma fímbria de tênue claridade na noite é vitória da luz sobre a treva.

Logo mais, na restauração, uma bandeira tremulará em toda parte, ao lado de todas: a da paz; um idioma se falará junto aos demais: o da fraternidade; um ideal se fará presente no meio dos outros: o do progresso; e uma religião única estabelecerá a ponte de união entre o homem e Deus: a do amor universal.

Paris, França, 01.11.1983.

Victor Hugo por Divaldo Franco do livro:
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Jesus e Kardec sempre

Jesus e Kardec sempre

Bezerra de Menezes


O precioso legado com que Allan Kardec brindou a Humanidade em nome de Jesus, preparando um futuro melhor, deve ser preservado mesmo que sob o sacrifício dos verdadeiros espíritas.

Não que ele fosse um homem indene a defecções e a sua Obra estivesse livre de equívocos.

Missionário, porém, desde cedo manteve uma reta conduta e uma vida inatacável, fazendo-se caracterizar pela correção de atitudes em todos os cometimentos, trabalhando com afinco e estudando incessantemente.

Sem os arrebatamentos juvenis ou as instabilidades neuróticas, fez-se conhecido pela lógica defluente da razão e pelo bom senso no exame das questões que lhe eram apresentadas.

A doutrina, por sua vez, ditada pelos Espíritos, foi cotejada com a cultura vigente, superando o conhecimento de então, por estar programada para o porvir, sendo oportuna em sua época.

Reexaminada várias vezes, foram corrigidos ou melhor formulados os ensinos recebidos dos Mensageiros Espirituais, ficando definida conforme as suas próprias palavras, na 3ª edição que sucedeu ao lançamento de “O Livro dos Espíritos”.

Não ficava, entretanto, concluída, porque “marchando com a ciência aceita todas as informações que aquela comprova”, estando aberta a retificações, se for o caso, e a desdobramentos, como se faz indispensável, quando ocorrerem novas revelações confirmadas pelo critério da “universalidade do ensino” compatível com a cultura científica da ocasião...

Por isso, estudar Kardec para conhecer e divulgar o Espiritismo, é o compromisso de hoje, que nos devemos impor os encarnados e os desencarnados.

Como toda revelação é gradativa, as lições kardequianas quanto mais estudadas melhor se fazem compreendidas em face do maior entendimento de quem as examina.

Ainda perduram, em muitos arraiais espiritualistas, a injustificável confusão entre mediunismo e Espiritismo, que Allan Kardec definiu com admirável brilhantismo, situando cada coisa no seu devido lugar.

Igualmente, se insiste em confundir desequilíbrios nervosos, distonias emocionais, com fenômenos mediúnicos que carecem de legitimidade, bem dissociados por Allan Kardec, quando aprofundou a análise deles, no capítulo da obsessão e da loucura.

Permanecem intencionais propostas de que espetáculos de charlatanismo e exibição de mediunidade, que chamam a atenção, sejam da responsabilidade do Espiritismo, quando, no entanto, Allan Kardec ofereceu uma doutrina de equilíbrio, discrição, objetivando, sobretudo, a transformação moral do indivíduo.

Doutrina espírita, na visão de Allan Kardec, é compromisso superior para com a vida, mediante o respeito à vida, numa conduta viva e atuante quanto exemplar.

Eis por que Espiritismo e Cristianismo são termos da mesma equação da vida.

A investigação da imortalidade sem a filosofia estruturada na moral cristã, não vai além de quesito parapsicológico, destituído de ética, qual ocorreu com a pesquisa metapsíquica ora relegada a plano secundário.

Por sua vez, a filosofia sem o apoio do fato mediúnico toma-se expressão espírita sem Espíritos, corpo sem alma...

À religião espírita coube a tarefa de unir a fé à ciência e esta à filosofia numa tríade perfeita e inseparável.

Assim considerando, Kardec cumpriu Jesus, conforme o Mestre vitalizou a Obra de Moisés, na Lei antiga e dos profetas que O anteciparam.

As três revelações: a Lei, o Amor e a Reencarnação confirmada pelos Espíritos, ou, Moisés, Jesus e Kardec, se tornam as mais importantes da Humanidade, respeitando, simultaneamente todas as outras que se lhe fazem subsidiárias, confirmando a paternal assistência de Deus às Suas criaturas em todas as épocas.

Conhecer, portanto, Allan Kardec para melhor se compreender Jesus.

Viver conforme a diretriz de Allan Kardec mais facilmente se sentirá Jesus.

Ensinar com a metodologia de Allan Kardec a fim de se seguir com Jesus.

Trabalhar com a fidelidade e persistência de Allan Kardec para mais viver Jesus.

Em qualquer circunstância a opinião de Allan Kardec é seta apontando rumo seguro para a chegada em triunfo à meta anelada.

Jesus e Kardec, ontem, hoje e amanhã.

Lyon, França, 06.11.1983.

Bezerra de Menezes por Divaldo Franco do livro:
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Opção iluminativa

 Opção iluminativa

Francisco do Monte Alverne



O caminho da iluminação interior é fácil de ser encontrado, estando ao alcance de quem o deseje percorrer.

A opção individual por lograr a realização profunda é de cada consciência cujo livre-arbítrio individual constitui patrimônio de que o Espírito é detentor e por cuja utilização responderá.

Nunca faltam os convites da vida para a renovação, o equilíbrio, a conquista dos valores perduráveis, que se incorporam à conduta, propiciando a estabilidade do ser, embora as lutas renhidas que lhe cumpre travar, igualmente significativo meio de superação dos limites pessoais e das dívidas que lhe pesam na economia moral.

Ninguém vive infenso aos exemplos, aos comportamentos do meio social onde se movimenta, sabendo-se discernir quais aqueles que propelem para o progresso e os outros que retêm nas dependências perniciosas.

A adesão a tal ou qual grupo reflete a posição do atavismo ancestral, numa acomodação ao que agrada aos sentidos mais primitivos, quando de referência ao estacionamento, ou representa a saturação desse estado e a ânsia pela libertação, aspirando a um estágio superior, que se manifesta como uma forma de receptividade e assimilação tropista para mais amplos horizontes.

Muito jovem, Teresa de Lisieux sentiu o apelo de Jesus e mergulhou o pensamento na fonte inexaurível da Sua mercê.

Superando imensos conflitos da sua época, Francisco de Sales entregou-se à solidariedade e ouviu, incessantemente, a dor dos seus paroquianos de Annecy, aos quais consolou e amparou.

Os que se tornaram mártires da fé superaram as hostilidades do meio no qual se encontravam, mais estimulando-se ao prosseguimento das lides abraçadas até o momento da autodoação.

André Folleraux, fugindo à sanha nazista na França ocupada, iniciou uma extraordinária cruzada de amor em benefício dos hansenianos do mundo inteiro, sensibilizando milhares de pessoas.

Eles e outros tantos não hibernaram intoxicados pelos vapores deletérios do ambiente, não obstante, modificaram-no com o exemplo de que se fizeram modelos, inspirando e alterando substancialmente inúmeras vidas que os seguiram empós.

No sentido inverso, não são ignorados os casos que dizem respeito a indivíduos que nasceram e viveram em clima emocional èefamiliar sadio, numa comunidade ordeira, e preferiram aderir ao crime, à ambição desmedida, à violência, superando outros que revelaram tais atitudes vitimados pela convivência com pessoas arbitrárias, revoltadas e agressivas que enxameiam nos recintos da miséria...

Revelando patologias que os classificam nos esquemas da criminalidade e da psiquiatria são, antes de tudo, vítimas do passado espiritual, quando se acumpliciaram com a loucura, assumindo infelizes compromissos de que ainda não se liberaram, graças aos esquemas obsessivos a que se encontram submetidos em intercurso contínuo com os comparsas dantanho ou as vítimas que lhes tombaram sob o guante e ora volvem em pugnas vingativas, deles se utilizando ao talante do ódio... Todavia, salvadas as exceções das psicopatologias profundas e coercitivas, em todo homem luz o apelo do bem, centelha divina que somos todos, portanto, portadores da excelsa transcendência do Pai.

Nesse imenso campo de duelos opcionais, há um número grande de indecisos que aspiram a luz e se comprazem na treva, buscam as estrelas e amam as baixadas, querem a liberdade, mas se permitem aprisionar.

Os seus impulsos de ascensão ainda não se fizeram suficientemente fortes para que rompam com os ergástulos que os retêm, necessitando de emulação para a arrancada inicial que arrebenta as algemas, e apoio, assistência moral, para o prosseguimento na auspiciosa decisão, a fim de que não desfaleçam ante as primeiras inevitáveis dificuldades que devem superar.

Assim considerando, o real conhecimento do Cristo e da Sua doutrina, produz no homem renovado o desejo de favorecer quem ainda não logrou o encontro, oferecendo-lhe a oportunidade de o realizar.

Suas ações e suas palavras chamam a atenção, orientam, apontam os rumos, todavia o caminho da iluminação somente é percorrido por quem o deseja, optando segui-lo e plenificar-se.

Genebra, Suíça, 07.11.1983.

Francisco do Monte Alverne por Divaldo Franco
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Ensino permanente

Ensino permanente

Joanna de Ângelis



Ensina e serve bem, aplicando os recursos do conhecimento e da emoção com equilíbrio, fazendo-te sentir por aqueles que te observam e buscam.

Nem a palavra burilada e profunda enunciada sem sentimento, tampouco o verbo lamurioso e comovido no qual falte a sabedoria.

O ensino que se faz conhecido pela forma e conteúdo cuidadoso, a par de uma participação de quem o transmite, é melhor recebido e mais convence.

Não te importe que seja uma multidão a ouvir-te ou uma única pessoa atenta ao teu lado.

Valhe-te da consideração pela pessoa, despreocupado com a quantidade daqueles que devem receber a mensagem.

A obra do amor não é apressada, embora a urgência de que se reveste.

Sê coloquial quando conversando, evitando o discurso inoportuno que deve ser utilizado diante da multidão.

O respeito de que te revistas e o qual tenhas para com aqueles que te escutem, torna-se de relevante importância, porquanto ele dará a medida moral da tua pessoa. Nem por isso, assumas postura artificial, estudada, que facilmente se percebe, minimizando a tua e a autenticidade do que apresentas.

Ensina com amor e serve com paciência.

*

Jesus manteve convivência íntima somente com doze discípulos, conquanto falasse sempre à multidão.

No testemunho, entretanto, esteve a sós.

Convocando Paulo, enviou-o como mensagem viva e o “apóstolo dos gentios” saiu pelo mundo eurasiano apresentando-O com afinco.

Jerusalém, porém, recusou Jesus, e Atenas ridicularizou Paulo...

Não obstante, ao largo do tempo, o amor e as lições de que se fizeram portadores arrebataram as multidões, tomando-se conhecidos em quase todo o mundo.

Porque ainda não são vividos os ensinos que nos legaram, estás convocado a atualizá-los e oferecê-los às criaturas.

Não te descoroçoem a indiferença de uns ou a zombaria de outros.

Eles não podem valorizar o que desconhecem e por isso continuam desatentos, enquanto que o teu conhecimento dá-lhes responsabilidade e compreensão da vida.

Convencido do valor das ideias superiores que te iluminam a consciência, não te afastes do dever para o qual foste chamado.

Consolando alguém, orientando outrem, amando a todos, expondo a indivíduos em grupos ou a multidões, segue adiante.

A semente, no solo, aguarda pelo momento da germinação.

O combustível preservado espera o instante de transformar-se em energia e força.

A água da fonte permanece até ser retirada.

O diamante dorme no carvão bruto, enquanto não chega a lapidação.

Assim também a tua realização desabrochará mais tarde em bênçãos pelo caminho que hoje percorres com sacrifícios e sofrimentos.

Talvez não vejas, da Terra, o resultado desse esforço, mas isso não é importante.

O indispensável é ensinar e servir hoje para ser feliz agora e manhã.

Paris, França, 04.11.1983.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
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