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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Emergências

Emergências

Eros


Imagem gerada por IA.
Alma em prece.
Mãos no trabalho.
Atividade contínua.
Emergências de amor.

Sorriso de esperança.
Gentileza perseverante.
Palavra sempre generosa.
Emergências de caridade.

Luz nas trevas.
Dreno em feridas.
Fertilidade no deserto.
Emergências da sabedoria.

Viver em clima de emergência, usando o algodão do silêncio nos lábios da acusação; o bálsamo da saúde na gênese das doenças; o pão distendido à carência alimentar; a oração intercessória espraiada em todas as direções.

A emergência do amor fomenta a caridade que é a sabedoria da vida, em nome da vigilância paternal de Deus, cuidando de toda a criação.

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Enquanto há paz

Enquanto há paz

Eros


 

Enriquece-te de amor.
Sai a semear a luz da esperança,
Onde se adensa
A sombra
E se demora o desespero...

Abre valas na terra áspera dos corações
E sulca o leito dos córregos
Para que estes espraiem a vida
Rica de flores, e colorida.
Em luxuriante verdor das margens...

Acompanha com os olhos irisados de luz
As verdes e belas campinas 
Salpicadas de cores.
Abençoados por miosótis azuis,
Respingadas por amores-perfeitos.
Sem defeitos.
Adornadas de boninas...
 
Esquece as dores,
Deixa de lado a amargura.
Volve à candura.
Refreia a revolta 
Enquanto há paz...

A guerra está de férias;
Os instrumentos de destruição
Permanecem nos museus, no chão.
Longe dos destroços que produzem.
Segue, então, o pássaro ligeiro.
Prossegue alvissareiro.
Dominado pelo amor.
Atende ao cordeiro que pasta ao lado do chacal
E à rebelião que, morrendo, ao bem distende a mão... 
 
Não te afadigues pensando no mal.
Conserva o encanto
Do serviço — o teu fanal —
Junto ao teu irmão.
Está decretado
Que o bem é vida
E a caridade bem vivida
É alma da fé... 
 
Enquanto há paz.
Dilata a ação da bondade 
Não relaciones desfavores,
Nem engodo,
Nem malogro,
Nem doto,
Nem desamores... 
 
Abre-te em festa
E canta a ligeira lição do serviço
Que renova a erma paisagem
Do continente das almas ressequidas.
Renovando as vidas
Cansadas de esperar... 
 
Enquanto há paz.
Sustenta a confiança.
Promove a abastança.
Transforma pântano em jardim.
Impõe à enfermidade seu fim 
Como tragédia...
Acende estrelas na noite sombria,
Diminui a angústia em cada alma
Todo dia,
E, desdobrando bênçãos e calma.
Evitarás futuras guerras.
Enquanto há paz. 
 
Um dia, o amor
Vestiu-se de homem.
Dignificou singelas sementes.
Honrou as redes do mar,
Cantou o valor de uma dracma,
Entreteceu considerações felizes
Nos rubros entardeceres
E pálidos amanheceres,
E dando-se.
Pereceu numa Cruz
Que se faria sublime ponte de luz...
No entanto, para que permanecesse a paz
Volveu aos homens,
Numa linda madrugada,
A fim de que jamais
Desaparecesse do humano coração
A suave e doce presença da paz. 
 
Em paz,
Esquece a destroçada guerra
No repouso permanente do museu.
Abominada, olvidada,
Para que, abandonada e vencida
Não volva nunca mais.

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Novos dias

Novos dias

Eros



“Doravante, disse Jesus,
fica proibido amar
com ansiedade de ser amado
e servir com a disposição
de receber pagamento.

"Os roseirais se debruçarão
sobre as janelas das casas
sorrindo pétalas exuberantes
em participação da felicidade doméstica.
E os girassóis darão as costas às ruas
e campos onde florescem,
esgueirando-se pelas frestas
dos lares em festas,
porque haverá tanta claridade
no reduto doméstico
que a estrela Solar
será confundida
com as constelações luminíferas,
que explodirão, irisadas,
no ninho familiar.
"Ficará proibido, também,
que o bolo da amizade,
servido às pessoas,
receba o fermento da suspeita.
"A partir de então,
já não será necessário
que se fale de justiça
com as palavras frias dos Códigos humanos.
Cada um usufruirá do discernimento
com o qual respeitará
todos os direitos alheios
entregando-se aos deveres que
lhe cumpre realizar.

"Não mais haverá sofrimento.
E quem sofrer
não se envergonhará disso,
porque entenderá
que toda dor recupera
e somente padece quem é devedor.

"A piedade fraternal
será transformada em flor de solidariedade
que converge em dever
sem a necessidade dos estímulos fortes.

"Vicejará a liberdade sem punição.
O revel fruirá da bênção de ser livre
E lutará, ele próprio, pela reabilitação.
Os animais e as aves não permanecerão em jaulas ou gaiolas.
O homem estará subordinado
às leis do amor,
respeitando o seu irmão
e todos os irmãos menores do bosque,
do deserto e das planuras.
E dar-se-á ao bem
doravante...
"Os órfãos,
os anciãos,
os fracos,
os enfermos
constituirão oportunidade para os
aquinhoados com pais,
os amparados pelos filhos,
os sustentados pela fortaleza,
os resguardados pela saúde,
o que impedirá a miséria,
a vergonha,
o abandono,
o sofrimento desnecessário.
"O lobo e o cordeiro
pastarão juntos",
quanto a borboleta
e a abelha na mesma flor
ou o regato e a fonte
misturando as águas,
sem guerra nem extermínio.

"Os homens se fitarão nos olhos
como as estrelas
que se espiam no velário da noite transparente,
e o ar
balouçando a haste delicada da flor.

"Os sorrisos dos pobres
cantarão na melodia
da bondade dos ricos, 
quais palmeiras farfalhantes nos braços da brisa.

"Ninguém a sós...
A solidão descerá ao auxílio alheio
e a atividade festiva correrá na direção da soledade.

"Ninguém mais chorará os seus mortos,
nem lamentará os seus vivos,
nem se amargurará com as tristezas...
Irromperá uma orquestração de vozes
no silêncio da saudade dos que ficaram,
encorajando os debilitados.
Essas melodias levantarão os enfraquecidos
e todos cantarão...

"Doravante,
ninguém engane ninguém,
pois que se estará enganando a si mesmo,
nem minta,
nem ultraje,
nem persiga mais.
Todos se deem as mãos
e confraternizem com as rosas,
com os girassóis,
com as tardes coloridas,
com os dias de cinza,
com as noites estreladas,
com as aves
e os animais,
e os regatos,
e as árvores, compondo um quadro de amor perene,
que se faça
um perene feriado para o mal.

"Doravante,
disse o Senhor,
e assim se fará
nesses vindouros novos dias. "

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Construção de Paz

Construção de Paz

Eros


O rei devotado, que se dedicava a construir templos, cada qual mais suntuoso, a fim de homenagear Buda, aproximou-se de um nobre Mestre e indagou-lhe:

- Face à minha devoção ao iluminado, as edificações que realizo para homenageado, contribuirão para a minha felicidade?

Ante o silêncio do sábio, mergulhado em meditação, instou:

- Os monumentos albergam devotos que se comovem e se transformam em círios votivos homenageando o Senhor. Terei merecimento ante ele, em razão de minha abnegação?

Quebrando o recolhimento silencioso, redarguiu-lhe o iniciado:

- As edificações de pedra serão corroídas pelo tempo ou destruídas nas guerras, ou pelos fenômenos sísmicos... Somente aquelas que se estruturam nos insondáveis alicerces da alma, permanecerão inamovíveis para sempre.

Nunca faltarão os discípulos que transformam pães em pedras ante a miséria que domina o mundo. O Mestre, no entanto, está procurando conviver com aqueles que aprenderam a construir santuários de amor, transformando pedras em pães.

Além disso, o Mestre ensinou em contato direto com a Natureza, sem encarcerar-se ou limitar a mensagem a espaços exíguos, porque ela é infinita como o Amor.

*

O rei, entristecido, subitamente conduzido à reflexão profunda, bateu em retirada, e deixou o velho hábito de erguer monumentos de pedras, quando havia tanta miséria em derredor.

Eros por Divaldo Franco do livro:
A busca da perfeição

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quarta-feira, 5 de março de 2025

Sublimes Cantos

Sublimes Cantos

Eros



O dúlcido Rabi preparava os Seus cantores para que levassem a sinfonia excelsa do Amor por onde transitassem.

Os caminhos ásperos do mundo, assinalados pelos vícios e prerrogativas infelizes de alguns parvos, não viam passar andarilhos de alparcas capazes de deixar sinais de luz, mas sempre permaneciam as marcas da destruição pela guerra, os contornos soezes dos dominadores, as manchas do crime e da imundície moral, os obstáculos gerados pela inveja, pela soberba, pela crueldade...

Naqueles dias, novos sinais abririam veredas macias e campos verdejantes. Mas era necessário que os novos semeadores enfrentassem as cruezas existentes, imolando-se, a fim de que o seu sangue e o seu suor fertilizassem o solo sáfaro até então.

Assim, pensando, Ele abriu a Sua boca em mirífica luz e estabeleceu o Estatuto da Nova Era:

- Ide primeiramente às ovelhas tresmalhadas de Israel. Pelo caminho proclamai que o reino de Deus está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, daí de graça. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre em vossos cintos; nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o trabalhador merece o seu sustento...

... Ao entrardes em uma casa saudai-a: Paz a esta casa. Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés...

... O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor...

... Não os temais (aos maus), portanto, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto, que não venha ser conhecido, 0 que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.

Dando prosseguimento, em gloriosa exaltação da verdade, expôs o que deveriam aguardar no futuro:

- Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, também me declararei por ele diante de Meu Pai que está nos Céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, negá-lo-ei também diante de meu Pai que está nos Céus.

E numa frase musical em que se misturavam a elegia e a patética, declarou:

- Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do pai, a filha da sua mãe e a nora da sogra, de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares que não me aceitarem ou criarem impedimentos contra mim.

Em harpejos finais, a melodia alcançou o seu majestoso:

- Quem não tomar a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim. Aquele que tenta conservar para si a vida, perdê-la-á.

Quem vos recebe, a mim me recebe, e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou... E quem der de beber (da fonte inexaurível do amor) a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo com água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.

O silêncio irrompeu nas paisagens mentais dos ouvintes, que se impregnaram da Lei que os deveria acompanhar para todo o sempre. Os ouvidos do futuro aguardá-los-iam, os corações aflitos esperá-los-iam, as esperanças jamais desapareceriam, por piores fossem as circunstâncias e mais cruéis as situações.

O tempo, que transcorreu desde então, as civilizações que se ergueram sobre os pedestais do orgulho e do poder ruíram; os templos faustosos e as bibliotecas soberbas, ricas de informações e sabedoria, não conseguiram, no entanto, ultrapassar a beleza e a profunda lição de renúncia pelo próximo e de amor que aquelas palavras inscreveram na memória da Humanidade para sempre.

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A busca da perfeição

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O amor

O amor

Eros



A jovem plebeia aguardava o amor e se debruçava no retângulo da janela, olhando os transeuntes passarem e as carruagens que levantavam nuvens de pó. Não possuía nada, exceto a beleza de que era dotada.

- Tenho certeza que o meu príncipe um dia virá buscar-me, libertar-me da pobreza - afirmava, sorrindo, e preparava-se, todos os dias, adornando a cabeleira negra que lhe escorria da cabeça com coroas de flores de laranjeira brancas e perfumadas.

Na aldeia humilde, jovens rapazes sonhadores lhe propunham núpcias, dispensando mesmo qualquer tipo de dote, e ela os recusava sorrindo, informando:

- Casarei com um príncipe, rico e bom, doce como o mel e poderoso como o Sol.

Passaram os anos e as épocas, enquanto ela aguardava, sem mudar de ideia.

As pessoas, na aldeia singela, acreditavam que ela houvesse enlouquecido.

No entanto, continuava lúcida e sonhadora, debruçada ao peitoril da janela, adornada de flores, agora porém, olhando o zimbório estrelado, sem preocupar-se com o pó que se levantava da estrada ou a zombaria dos passantes irônicos.

Numa noite de incomparável beleza, uma carruagem iluminada e decorada com guirlandas de rosas e mirtos, puxada por ginetes alvos e reluzentes, parou à sua porta e, de dentro, saltou um príncipe ajaezado de joias, ostentando na cabeça fulgurante coroa, e, tomando-lhe a mão, convidou-a a entrar no veículo resplandecente, dizendo-lhe com sorriso e musicalidade na voz:

- Eu sou o teu príncipe. Venho buscar-te.

- E como de chamas?

- Amor.

Ao amanhecer, encontraram-na morta, encostada à madeira da janela, fitando o firmamento, e sorridente.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Companhia

Companhia

Eros


- Sempre estive ao teu lado - declarou a Morte ao homem rico - e te negaste a ver-me e ouvir-me. Enquanto respiravas, eu te advertia que estavas morrendo desde o momento do teu berço, porque eu recolhia os fragmentos de ti, que perdiam a vitalidade e sucumbiam. Como eras criança, mais tarde jovem e tinhas forças, renovavam-se as tuas células e a vida substituía tudo aquilo que terminava o seu ciclo.

Tua companheira incessante, pacientemente chamei-te a atenção, vezes sem conta, e não te permitiste um momento para compreender-me.

Algumas vezes, quando as doenças e o infortúnio te acometeram, consegui que me ouvisses por um pouco, mas ficaste transtornado, pedindo-me nova ocasião, que eu cedi, generosa.

Agora, infelizmente, deixarei de te acompanhar.

O homem, tomado de uma grande surpresa e de alegria, sentindo-se livre, inquiriu.

- Queres dizer-me que te irás, deixando-me seguir adiante a sós?

- Não - redarguiu-lhe, sorridente, a Morte - Agora trocaremos de posição. Antes, aonde quer que fosses, eu ia contigo, te acompanhava. A partir deste momento, tu me acompanharás ao país para onde rumaremos...

... E o arrebatou, sem mais delongas.

Eros por Divaldo Franco do livro:
A busca da perfeição

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Diálogo

Diálogo

Eros



- Este é o maior diamante do mundo - esclarecia, comovido, o rei. - Homens e mulheres de diferentes países morreram e mataram-se através dos milênios, a fim de tê-lo. Hoje ele repousa no meu cetro de conquistador invencível e brilha mais do que uma estrela.

- Nada eu tenho que valha qualquer coisa terrestre - respondeu o Sábio. - Acostumei-me a ser feliz sem ter qualquer coisa, trabalhando apenas para conseguir o essencial, que para mim, é a paz.

- Como podes anelar por algo que dispensa joias, dinheiro e poder? Seguro o meu cetro com mãos de ferro e o vigio com olhos de águia. Os meus servos e subordinados sabem que ninguém pode aproximar-se dele, sem incorrer no risco de perder a própria vida. Todos temem.

- A minha paz, pelo contrário, atrai as pessoas que se acercam de mim, repousam na minha comunhão e experimentam felicidade ao meu lado.

- Pois eu, cioso do meu poder e do valor das minhas gemas, conhecendo a miséria moral das pessoas, não permito que ninguém se acerque desse tesouro valioso para roubá-lo. É meu, e o levarei comigo mesmo na viagem da morte.

O Sábio sorriu triste, meditou, e exclamou, por fim: - Pobre rei! Nada tens, e tudo que pensas possuir, não te pertence, porque fica na Terra, nem sequer o corpo pelo qual transitas é de tua propriedade, porque te escapa ao controle e segurança. E a joia, que pensas ficará na sepultura, é verdade, se demorará ali até que algum ladrão a transfira para outras mãos.

A minha paz, no entanto, seguirá comigo, embora fique também na Terra, sem nunca ser roubada por quem quer que seja.

Eros por Divaldo Franco do livro:
A busca da perfeição

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