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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Reencarnação e Espiritismo

Reencarnação e Espiritismo

Martins Peralva



Necessário vos é nascer de novo.

Não foram os espíritas que inventaram a Reencarnação — palavra que grafamos com inicial maiúscula, em homenagem de nossa Alma agradecida à lei sábia e misericordiosa que projetou luz sobre o até então incompreendido problema do Ser, do Destino e da Dor.

O ensino reencarnacionista vem de muito longe, de povos antigos e remotíssimas doutrinas.

Ao Espiritismo couberam, apenas, a honra e a glória de estudá-lo, sistematizando-o, para convertê-lo, afinal, num dos principais, senão no principal fundamento de sua granítica estrutura doutrinária.

Grandes vultos do passado, no campo da Religião, da Filosofia e da Ciência, aceitaram e difundiram a Reencarnação.

Orígenes (nascido em 185 e falecido em 254), considerado por São Jerônimo como a maior autoridade da Igreja de Roma, afirma, no livro “Dos Princípios”, em abono da tese básica do Espiritismo: “As causas das variedades de condições humanas são devidas às existências anteriores. São, ainda, do eminente e consagrado teólogo as seguintes palavras: “A maneira por que cada um de nós põe os pés na Terra, quando aqui aportamos, é a consequência fatal de como agiu anteriormente no Universo.”

Ainda de Orígenes: “Elevando-se pouco a pouco, os Espíritos chegaram a este mundo e à ciência dele. Daí subirão a melhor mundo e chegarão a um estado tal que nada mais terão de ajuntar.”

Krishna, no Bhagavad-Guitá (o Evangelho da Índia), predica, com absoluta e inegável clareza: “Eu e vós tivemos vários nascimentos. Os meus, só são conhecidos de mim; vós não conheceis os vossos.”

Os Vedas, milhares de anos antes de Jesus Cristo, difundiam, largamente, a ideia reencarnacionista.

Buda aceitava e pregava a Reencarnação.

Os sacerdotes egípcios ensinavam que “as almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, e que as almas virtuosas sobem, voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas”.

Na Grécia, berço admirável de legítimos condores do Pensamento e da Cultura, encontramos Sócrates, Platão e Pitágoras como fervorosos paladinos das vidas sucessivas.

Sócrates ensinava que “as almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos”.

O ensino pitagórico era, como é notório, essencialmente reencarnacionista, dele advindo, por falsa interpretação de mentes pouco evoluídas, a errônea teoria da metempsicose.

Entre os romanos, Virgílio e Ovídio disseminavam os princípios reencarnacionistas.

Ovídio chegava a dizer: “quando minha alma for pura, irá habitar os astros que povoam o firmamento”, admitindo, assim, semelhantemente aos espíritas, a sucessividade das vidas em outros planetas.

São Jerônimo afirmava, por sua vez, “que a transmigração das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados”.

Deixemos, contudo, esses consagrados vultos, cuja opinião, embora respeitável e acatada, empalidece ante a opinião da figura máxima da Humanidade — Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Sublime Embaixador pregou a Reencarnação. Algumas vezes, de forma velada; outras, com objetividade e clareza.

Falando a respeito de Elias, o profeta falecido alguns séculos antes, diz o Mestre: — “Elias já veio e não o conhecestes”, compreendendo então os discípulos que se referia a João Batista (Elias reencarnado).

No famoso diálogo com Nicodemos, afirma que ninguém alcançará o Reino de Deus “se não nascer de novo. Nascer da água e do Espírito — o que completa a intenção, o pensamento reencarnacionista de Jesus.

Em outra oportunidade, externando por meio de simples alegoria sobre a Lei de Causa e Efeito — ou Carma —, sentencia: — “Ninguém sairá da Terra sem que pague até o último ceitil”, isto é: até a completa remissão das faltas.

Como Se vê, o Espiritismo não criou, não inventou a Reencarnação.

Aceitando-a como herança de eminentes filósofos e de respeitáveis doutrinas, de Jesus e de Seus discípulos, e confirmada, a seu tempo, pelos Espíritos do Senhor, o Espiritismo promoveu o seu estudo, a sua difusão, a sua exegese.

Ela é, contudo, antiquíssima, conhecida e professada antes do Cristo, na época do Cristo e em nossos dias.

Há mais de um século o Espiritismo apresenta-a por único meio de crermos num Pai Justo e Bom, que dá a cada um “segundo as suas obras” e como elemento explicativo da promessa de Jesus, de que “nenhuma de suas ovelhas se perderia”.

A Reencarnação é a chave, a fórmula filosófica que explica, sem fugir ao bom senso nem à lógica, as conhecidas desigualdades humanas — sociais, econômicas, raciais, físicas, morais e intelectuais.

Sem o esclarecimento palingenésico, tais diversidades deixariam um doloroso “ponto de interrogação” em nossa consciência, no que diz respeito à Justiça Divina.

Sem as suas claridades, seria a Justiça de Deus bem inferior à dos homens.

Teríamos um Deus parcial, injusto, caprichoso, cruel, impiedoso mesmo.

Um Deus que beneficiaria a uns e infelicitaria à maioria.

Com a Reencarnação, temos Justiça Incorruptível, equânime, refletindo a ilimitada Bondade do Criador.

Um Deus que perdoa sem tirar ao culpado a glória da remissão de seus próprios erros.

Um Deus que perdoa, concedendo ao culpado tantas oportunidades quantas ele necessite para reparar os males que praticou.

Com a Palingenesia, temos um Deus que se apresenta, no Altar de nossa consciência e no Templo do nosso coração, como Pai Misericordioso e Justo, um Pai carinhoso e Magnânimo, que oferece a todos os Seus filhos os mesmos ensejos de redenção, através das vidas sucessivas — neste e noutros mundos, mundos que são as “outras moradas” a que se refere Jesus no Evangelho.

Tantas vidas quantas forem necessárias, porque o essencial e o justo é que “nenhuma das ovelhas se perca”...

Martins Peralva do livro:
Estudando o Evangelho (FEB)

José Martins Peralva

Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Livre Arbítrio

Livre Arbítrio

Martins Peralva


Conhecereis a Verdade e a Verdade vos tornará livre.
O livre arbítrio é a faculdade que permite ao homem edificar, conscientemente, o seu próprio destino, possibilitando-lhe a escolha, na sua trajetória ascensional, do caminho que desejar.

Limitado a princípio, vai-se expandindo à medida que o homem cresce em espiritualidade.

Quanto mais evoluído o ser, mais amplo o seu livre arbítrio, maior o seu direito de fazer certas escolhas, no campo da vida, assumindo assim, a pouco e pouco, o comando definitivo de sua ascensão.

Livre arbítrio e responsabilidade individual desenvolvem-se, simultaneamente, no aprendizado humano.

O homem de evolução primária tem o livre arbítrio limitado, restrito.

Equivale ao sentenciado que a lei pune, sem transigências, submetendo-o à reclusão onde melhor convenha aos interesses da lei e da sociedade.

A sociedade e a lei não confiam nele.

O homem de evolução mediana tem sua esfera deliberativa menos restrita.

Corresponde ao recluso que, submetido à disciplina dos códigos, recebe dos códigos certas concessões, geralmente atribuídas aos que, no cumprimento de suas penas, demonstram boa vontade e obediência, respeito e compreensão.

O homem evolvido é o ex-sentenciado, o que já se libertou e corrigiu.

Provas e expiações, disciplinações e corretivos foram-lhe o caminho para a libertação definitiva.

Nada mais deve à lei e colabora, na sociedade, para que se restaurem a justiça e a fraternidade, a harmonia e o progresso.

É livre para agir, porque discerne o bem do mal, a verdade da mentira, a luz da sombra.

Conhecendo a Verdade, a Verdade o fez livre. De sua atuação resultam o trabalho e a prosperidade, o fortalecimento e a segurança das peças que constituem, que formam o maquinismo das coletividades.

Um dia, no curso dos milênios, o nosso livre arbítrio se harmonizará plenamente com a Verdade Total, com as deliberações superiores.

Nesse dia saberemos executar, com fidelidade, o pensamento do Cristo, Mestre e Senhor Nosso.

* * *

Nesse dia, do qual ainda distamos muito, diremos como o apóstolo da gentilidade: “Não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim.”

Tal se dará quando tivermos superado as imperfeições.

Quando nos integrarmos, em definitivo, pelo coração e pela inteligência, nos preceitos morais e fraternistas do Evangelho.

Sem aquisições elevadas, com base nos ensinos do Celeste Enviado, a liberdade nos leva a quedas e fracassos, que redundam, geralmente, em clamorosos débitos e amargas expiações.

Abusando da força — esmagamos os fracos.

Exorbitando do poder, através da liberdade mal dirigida — oprimimos os humildes.

Utilizando mal a inteligência — confundimos os menos esclarecidos.

Se o livre arbítrio é faculdade que se origina, em princípio, de aquisições intelectivas, o coração bem formado contribuirá, sem dúvida, para que seja ele exercido segundo os padrões da moral e da fraternidade, garantindo, no Grande Porvir, o triunfo do Espírito Imortal.

O livre arbítrio do homem não evoluído é como um espelho que o lodo das imperfeições desnatura, por algum tempo.

O livre arbítrio do homem de evolução mediana é como uma madrugada que espera o beijo do Sol.

O livre arbítrio do homem evolvido — do que se libertou da ignorância — é como a face tranquila de um lago, onde se refletem, no esplendor de sua radiosidade, os luminosos raios do astro-rei.
Martins Peralva do livro:
Estudando o Evangelho (FEB)

José Martins Peralva

Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)

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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Estudo e Trabalho

Estudo e Trabalho

Martins Peralva


Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instrui-vos, este o segundo.
A Espiritualidade Superior vem insistindo, através de consecutivas mensagens, pela necessidade do estudo e do trabalho nas fileiras renovadoras do Espiritismo.

Amor e Instrução têm sido, em verdade, a palavra de ordem dos Mensageiros do Cristo.

Os trabalhadores encarnados, identificando-se com o pensamento e a orientação dos que acompanham, de Mais Alto, a surpreendente e irresistível marcha da Doutrina, sentem-se, naturalmente, no dever de secundá-los na recomendação.

Aliás, não é de agora que os Espíritos exortam os homens ao estudo, à instrução, à cultura — cultura, no entanto, que não envaideça o homem, mas o torne humilde, sinceramente humilde.

Humilde de dentro para fora.

Quando se lançavam na França os fundamentos do Espiritismo, iluminadas entidades que organizavam a Codificação, utilizando-se da personalidade missionária de Allan Kardec, já despertavam os obreiros da primeira hora para o imperativo da instrução.

O Espírito de Verdade, cujas palavras deixam indiscutivelmente entrever uma transcendente autoridade, comunicando-se em Paris, em 1860, exortava, incisivo:
“Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”
O Amor é o Trabalho, a Ação, o Serviço.

A Instrução é a leitura, o Estudo, o Conhecimento.

Amor e Instrução constituem, por conseguinte, duas alavancas, duas ferramentas que devem estar, noite e dia, nas mãos dos Espíritas.

Através do Amor, exerceremos a solidariedade. Identificar-nos-emos com o sofrimento do próximo. Visitaremos o enfermo e o encarcerado.

Despertaremos, enfim, no âmago de nossa individualidade eterna, a centelha de bondade que existe, potencialmente, em cada ser.

Através do estudo, aprenderemos a discernir o erro da verdade; a claridade, da sombra, e a sinceridade, da hipocrisia.

O Espiritismo, como acentua Allan Kardec, não é uma Doutrina que induza os seus adeptos a estranhas, esdrúxulas singularidades.

Nem estudo, sem amor; nem amor, sem estudo. Em suma: nem bondade desprovida de conhecimento, nem conhecimento com ausência de bondade.

Amor sem estudo é comportamento unilateral, favorecendo, apenas, o coração, o sentimento, mas retardando a ascensão para Deus.

Estudo sem amor constitui, quase sempre, experiência simplesmente intelectual, podendo levar à presunção e à vaidade, ameaçando o aprendiz de queda ou fracasso.

É que, via de regra, consoante adverte Paulo de Tarso, “o saber ensoberbece, mas o amor edifica”.

Emmanuel, falando-nos ao coração, exorta, também:
“Recorda que, em Doutrina Espírita, é preciso estudar e aprender, entender e explicar.”
Aconselha, outrossim, a divulgação do “estudo nobre”.

Todavia, reconhecendo a fragilidade humana, destaca a necessidade de o Espírita, pelo amor, “alicerçar as palavras no exemplo”.

Observando o empenho dos Instrutores Espirituais na incessante recomendação ao estudo, não devemos esquecer que Léon Denis, preocupado, decerto, com o problema da ignorância, que leva ao fanatismo, asseverava, no seu tempo:

“O Espiritismo será aquilo que dele os homens fizerem.”

Que rumo tomaria a Doutrina Espírita, se nos encastelássemos na preguiça mental, desprezando os livros, alheando-nos das mensagens que descem dos céus, em catadupas intérminas, infindáveis?...

Aonde iríamos parar, se os livros permanecessem fechados nas prateleiras das editoras e livrarias?...

Que seria do Espiritismo que é Ciência, Filosofia e Religião — dentro de mais algumas dezenas de anos?

A Doutrina Espírita é, sobretudo e essencialmente, a Doutrina do meio termo, do bom-senso: Amor e Sabedoria, constituindo as asas de que se utilizará o Espírito humano em seu voo para o Infinito.

Trabalho e Instrução — a fim de que o equilíbrio seja uma constante na vida do aprendiz e na expansão doutrinária.

Devemos, por isso mesmo, também perguntar:

Que rumo tomaria o nosso abençoado movimento, se, apenas estudando, olvidássemos os necessitados do caminho?

Aonde iríamos parar, se, apenas manuseando livros e devorando mensagens, nos alheássemos da fome do pobrezinho, da nudez do órfão, da dificuldade da viúva, da Solidão do encarcerado, do desespero do enfermo incurável?

Que seria do Espiritismo — Consolador Prometido por Jesus — se, estimulando a cultura, lastimavelmente esquecêssemos a sublime legenda adotada pelo insigne Missionário Lionês: Trabalho, Solidariedade e Tolerância?

Há, portanto, como se observa, uma dupla, inseparável e indissolúvel necessidade: Amor e Instrução.

Não poderia, evidentemente, enganar-se o Espírito de Verdade: “Venho, como outrora, aos transviados filhos de Israel, trazer a Verdade e dissipar as trevas. Escutai-me” — ao preceituar, nos primórdios do Espiritismo, o imperativo do Amor e da Sabedoria.
“Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instrui-vos, este o segundo.”
Martins Peralva do livro:
Estudando o Evangelho (FEB)

José Martins Peralva

Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Razão e Fé

Razão e Fé

Martins Peralva


E disse-lhe: Sai da tua terra e da tua parentela, e vem para a terra que eu te mostrarei.

Merece consideração a passagem em epígrafe, relembrada pelo jovem Estevão — primeiro Mártir do Cristianismo — ao comparecer ante o Sinédrio, o poderoso tribunal israelita.

Sublinhemos as palavras tua terra — tua parentela e, por fim, a terra que eu te mostrarei.

Meditemos, pois.

O patriarca Abraão vivia, na terra dos Caldeus, atento às atividades normais e rotineiras do campo, cuidando de seus rebanhos de ovelhas, bois e jumentos.

Vivia preso à sua terra, vinculado à sua parentela. Era, por conseguinte, um homem circunscrito, limitado em seus objetivos, confinado em suas aspirações.

O Senhor, pela voz de Poderosas Entidades que se comunicavam pela voz direta — pneumatofonia, retira-o da Mesopotâmia para cumprimento, junto ao heroico povo hebreu, de elevada missão fraternista.

Retira-o de sua terra, de sua parentela, de sua família, para confiar-lhe uma família maior, numerosa descendência, incontável como as estrelas: “Olha para o céu, e conta, se podes, as estrelas.” Depois, acrescentou: 

“Assim será a tua descendência.”

Nenhuma força transformará o Cristianismo em “uma religião” formalista, convencional, subordinada a rituais, desvitalizada.

Ninguém lhe alterará a substância, a feição universalista, abrangente, eterna, divina.

O Cristianismo não cabe numa redoma.

Sendo a Religião do Amor, é, por conseguinte, a Religião Cósmica — eis que o Amor é a força que rege o Universo em todas as suas manifestações visíveis e invisíveis, objetivas e subjetivas.

Universo físico.

Universo moral.

Universo mental.

O Cristianismo nunca foi, não é, nem será, jamais, um movimento condicionado — familiar, grupal, racial.

Nem mesmo planetário.

A sua essência oloriza não só a Terra — mundo onde a Divina Bondade nos situou, presentemente.

Não exerce sua influência, apenas, nos orbes que gravitam em torno do Sol.

O Cristianismo — Filosofia do Amor Universal — aromatiza e vivifica os bilhões de planetas que rolam no Infinito de Deus.

* * *

O Pai Celestial, pela voz de Seus iluminados Servidores, do plano extrafísico principalmente, vem, com ternura, desde os primórdios das humanidades, procurando dilatar o nosso entendimento.

Ampliar a nossa capacidade efetiva.

Despertar-nos para o altruísmo.

Libertar-nos, enfim, dos acanhados preconceitos de família, grupo, crença, raça.

À maneira do velho Abraão, o homem terrestre precisa deixar a sua terra, a sua parentela, e integrar-se na grande família universal.

Tão grande, tão numerosa quanto as estrelas que refulgem nas constelações distantes, que não podem ser contadas.

O homem que deixa, subjetivamente, filosoficamente, mentalmente, a sua terra, a sua parentela, não as repudia, como pode parecer.

Longe disso.

Estima-as com a mesma intensidade com que estima outras terras e outras gentes, porque sabe que o menor pedaço de terra e a criatura que nasceu no ponto mais distante do Globo pertencem — terra e criatura — a Deus, que é também o seu Criador.

Ama-as com a mesma pureza, o mesmo carinho com que ama a terra onde nasceu e seus compatriotas.

Ama-as sem quaisquer laivos de egoísmo.

Sabe que o povo mais humilde, como o mais civilizado, é filho de Deus quanto ele próprio aqui e em qualquer recanto do Universo.

Sabe, outrossim, que o habitante de Marte ou de Júpiter também é seu irmão, membro da grande família universal.

Assim como Deus indicou a Abraão outra terra, que seria o santuário da Primeira Revelação, o Templo da Segunda também nos mostra o abençoado rumo da fraternidade, preparando-nos a Inteligência para a Sabedoria.

O Coração — para o Amor.

A Alma Eterna — para a Luz que se não extingue.

* * *

Estevão é bem o símbolo do homem realizado, do homem que encontrou outra terra.

“... cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.”

“E não podiam sobrepor-se à sabedoria e ao espírito com que ele falava.”

“Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse de anjo.”

Abraão simboliza o ontem da Humanidade, arrancada de sua terra e de sua parentela.

Estevão, inundado de amor evangélico, simboliza O amanhã da Humanidade, vivendo já noutra terra.

Abraão, numa demonstração de fé — da fé que não encara a razão face a face — ergue o cutelo contra Isaac, seu amado filho, para entregá-lo em holocausto.

É sem dúvida, o homem de ontem.

Estevão, sentenciado à morte, apedrejado, vertendo sangue por todo o corpo, o semblante esfacelado, confia-se, ele mesmo, sereno, imperturbável, ao sacrifício. É, sem dúvida, o homem de amanhã.

O primeiro, preserva a sua vida e entrega a do próprio filho; o segundo, entrega a própria vida para salvar a de muitos.

Estevão, fitando a Jesus, cujos olhos pousavam com amargura em Saulo, roga compreensão para seu implacável verdugo: “Senhor, não lhe imputes este pecado.”

E quando sua extremosa irmã Abigail lhe apresenta o algoz por noivo, por depositário de suas juvenis esperanças, tem forças ainda para dizer: “Cristo os abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um irmão... Saulo deve ser bom e generoso; defendeu Moisés até o fim... Quando conhecer a Jesus, servi-lo-á com o mesmo fervor... Sê para ele a companheira amorosa e fiel.”

Estevão simboliza, indubitavelmente, o homem do amanhã.

Guarda no peito a fé iluminada pela razão.

Possui no cérebro a razão sublimada pela fé.
“ ...viram o seu rosto como se fosse de anjo.”
Martins Peralva do livro:
Estudando o Evangelho (FEB)

José Martins Peralva

Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)
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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Estranha obsessão

Estranha obsessão

Martins Peralva


Via de regra, quando se fala em obsessão, ocorre-nos logo o seguinte conceito: Espírito ou Espíritos menos esclarecidos influenciando, prejudicialmente, a vida dos encarnados.

Quase ninguém, ou melhor, ninguém admite o lado inverso da realidade, isto é, o encarnado influenciando, prejudicialmente, o desencarnado.

Ninguém se lembra desse estranho e aparentemente paradoxal tipo de obsessão, em que os “vivos” do mundo envolvem os “mortos” na teia dos seus pensamentos desequilibrados e enfermiços, exercendo sobre os que já partiram para o Além terrível e complexa obsessão.

Pois esse tipo de obsessão não é tão insólito, como erroneamente pensamos.

Há muitos Espíritos sofrendo a influenciação dos encarnados e lutando, tenazmente, para se livrarem dessa influenciação.

Quem se familiariza com trabalhos práticos, sem dúvida já presenciou desesperadas reclamações de Espíritos, de que Fulano ou Beltrano (encarnado) não lhe dá trégua, não deixa, um instante sequer, de atraí-lo para junto de si.

Um caso típico em que o encarnado obsidia o desencarnado, identificamo-lo no capítulo “Em serviço espiritual”.

Transcrevamos, inicialmente, a convocação dos trabalhadores para o Serviço assistencial ao caso em apreço, para melhor acompanharmos o seu desenvolvimento.

Tem a palavra Abelardo, cooperador de boa vontade do plano espiritual, que se dirige ao Assistente Áulus:

— Meu caro Assistente — continuou, inquieto —, venho rogar-lhe auxílio em favor de Libório. O socorro do grupo mediúnico melhorou-lhe as disposições, mas agora é a mulher que piorou, perseguindo-o...

Qualquer um de nós, ante esse apelo, faria logo o seguinte raciocínio: Libório é o encarnado amparado pelo grupo mediúnico, e a mulher que piorou é a entidade que o persegue.

Tal entretanto não se dá, Libório é o Espírito perseguido por Sara, criatura ainda encarnada e a quem se ligou, no mundo, por descontrolada paixão.

Sintonizados na mesma faixa vibracional deprimente, estão ligados um ao outro, acusando dolorosa e complexa simbiose obsessional.

Atendendo ao apelo de Abelardo, Áulus e os demais excursionistas do Além demandaram ao local onde Libório fora recolhido, depois de ter sido amparado, horas antes, pelo grupo terrestre.

"Findos alguns minutos de marcha, atingimos uma construção mal iluminada, em que vários enfermos se demoravam, sob a assistência de enfermeiros atenciosos.

Entramos.

Áulus explicou que estávamos ali diante de um hospital de emergência, dos muitos que se estendem nas regiões purgatoriais."

Mais adiante, continua a descrição de André Luiz:

Alcançáramos o leito simples em que Libório, de olhar esgazeado, se mostrava distante de qualquer interesse pela nossa presença.

Um dos guardas veio até nós e comunicou a Abelardo que o doente trazido à internação denotava crescente angústia.

Áulus auscultou-o, paternalmente, e, em seguida, informou:

— O pensamento da irmã encarnada que o nosso irmão vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca.

O caso em estudo é um dos muitos interessantes que o livro "Nos Domínios da Mediunidade" nos trouxe.

A moça enferma — Sara — apesar de socorrida fraternalmente no grupo mediúnico, insiste em não destruir a corrente mental que a vincula ao Espírito em viciosa imantação, nutrindo-se, reciprocamente, das emanações e desejos que lhes são próprios.

Dependendo a cura das obsessões, em grande parte, da conduta dos encarnados, não dá a moça a menor colaboração ao esforço dos componentes e dos supervisores espirituais do grupo.

Os amigos trabalham, por um lado, objetivando o desligamento, e, por fim, a libertação ante o jugo incômodo do Espírito; todavia, a irmã encarnada dificulta a tarefa e fortalece os laços que a prendem ao ex-companheiro da Terra, atormentando-o com as suas reiteradas solicitações, através do pensamento.

Caso difícil, esse, a reclamar dos companheiros do grupo terrestre muita paciência e dedicação, muita tolerância e amor, a fim de que, educando-a, possam levá-la à modificação dos centros de vida mental.

Retirando-se da sessão, horas antes, dirigiu-se Sara para a sua casa, de onde passou a irradiar pensamentos descontrolados na direção do antigo companheiro, provocando no pobre irmão, apesar de recolhido ao hospital de emergência, inquietação e angústia.

Vencida pelo cansaço, vai ela confiar-se ao sono.

Que sucederá?

Aproveitará a bênção do repouso físico ou continuará a sequência de pensamentos enfermiços e deprimentes?

Temos a resposta nas transcrições que a seguir fazemos, iniciadas com a justa observação de Áulus quanto ao estado de angústia de Libório:

“Tudo indica a vizinhança da irmã que se lhe apoderou da mente.

Nosso companheiro se revela mais dominado, mais aflito...

Mal acabara o orientador de formular o seu prognóstico e a pobre mulher, desligada do corpo físico pela ação do sono, apareceu à nossa frente, reclamando, feroz:

— Libório, Libório! Porque te ausentaste? Não me abandones!

Regressemos para nossa casa! Atende! atende!..."

Diante dessa ocorrência, poderá sobre-existir qualquer dúvida, de nossa parte, quanto à obsessão produzida pelos encarnados?

Evidentemente não cabe nenhuma dúvida. Consoante o parecer de Áulus, "isso acontece na maioria dos fenômenos de obsessão, quando encarnados e desencarnados se prendem uns aos outros, sob vigorosa fascinação."

Casos dessa ordem fortalecem a nossa convicção de que, cuidar de um obsidiado, não significa, apenas, o esforço de afastamento do perseguidor, a qualquer preço, como se o serviço assistencial da mediunidade com Jesus se resumisse a simples operação de "saca-rolhas" comum, mas, sobretudo, possibilitar ao enfermo meios de esclarecimento, a fim de que, reajustado mentalmente, coopere, também, no esclarecimento do irmão necessitado.

Os centros espíritas não devem, simplesmente, conduzir aos gabinetes mediúnicos os enfermos, para livrá-los da companhia das entidades desajustadas.

Devem, num trabalho simultâneo, conduzi-los às salas de leitura e estudo do Evangelho e da Doutrina, com o objetivo não só de evidenciar a parcela de cooperação que lhes é atribuída, no serviço desobsessivo, como, especialmente, de convencê-los de que são eles, os obsidiados, as principais peças no serviço de cura.

A leitura e o estudo, bem orientados, conduzem a resultados satisfatórios nos serviços de desobsessão.

Conjugados à meditação, levam a criatura a renovar os centros de vida mental, possibilitando-lhes recursos para realizar, com êxito e de forma definitiva, a sua libertação espiritual.

É por isso que no "Evangelho segundo o Espiritismo" encontramos sábia e generosa advertência de categorizado Espírito, no sentido de que, além do mandamento primitivo, "amai-vos uns aos outros", um outro existe, também de fundamental importância: "instrui-vos"...

Martins Peralva do livro:
Estudando a Mediunidade (FEB)

Nota: O livro de André Luiz citado no texto é:
Nos domínios da mediunidade por Chico Xavier

José Martins Peralva


Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)
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