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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Diagnose e tratamento

Diagnose e tratamento

Vianna de Carvalho



A simples diagnose dos males sociais que afligem o homem tecnológico de forma alguma contribui para a modificação das paisagens morais, vigentes no mundo hodierno.

Sem dúvida a identificação das causas matrizes dos problemas significa um passo algo valioso na identificação consciente do sofrimento. Sem embargo, as discussões demoradas, para se aplicarem os métodos sanadores das dificuldades, permitem que se agravem as ulcerações que se generalizam, em avalanche epidêmica a fazer-se calamitosa.

Na solução de tais dramas têm falhado as técnicas mais diversas, na razão direta em que o homem social se recusa entregar-se com afã à tarefa da solidariedade fraternal.

Nas suas bases e aplicações, o Cristianismo é a Doutrina social por excelência, porque toda estatuída nas leis do amor a Deus e ao próximo, como condição precípua para a identificação do discípulo com as lições do Mestre Insuperável.

Transformado pelos homens em arma de poder pessoal e de governança temporal, falhou na meta de libertar a criatura das conjunturas da sordidez, porque os religiosos se olvidaram da iluminação legítima do ser, em si mesmo candidato natural ao reino de Deus.

Preocupados com as massas que ficaram mantidas na ignorância dos nobres postulados do Cristo, deixaram o homem marginalizado, engendrando, pelo desequilíbrio e rebeldia os fatores causais das misérias de vário porte que ressurgiram à sua frente, como ocorreu, em função depuradora...

A aquisição tecnológica fez do homem uma máquina de utilização imediata, dominado pela ciclópica aventura de poder e de gozo em que ora se estertora, desiludido, perturbado...

As conquistas externas auxiliaram no entendimento do mundo exterior, no entanto, de forma alguma conseguiram clarificá-lo na decifração dos enigmas íntimos, alçaram-no, é certo, à grandeza transitória, mas sem as seguras bases das realizações interiores.

Afeiçoando-se à Ciência, num desforço consciente ou não contra a Fé, de que no passado padeceu a conjuntura afligente, desconsiderou a necessidade de uma filosofia comportamental em estatuto de ética relevante, derrapando no utilitarismo epicurista do passado em formulações novas...

A Ciência, porém, é descobridora de leis; detecta-as e interpreta-lhes o mecanismo, extraindo da sua complexidade estrutural o que pode ser convertido em prazer e comodidade.

É respeitável esse contributo, apesar de não ser o mais importante, que não consiga tornar a criatura que identifica a gama dessas mesmas leis mais humilde, mais humana. Antes, a percepção objetiva se encarregava de traduzir o em que se se devia acreditar. No entanto, a própria Ciência armou os débeis e parcos sentidos humanos com instrumentos de precisão a fim de que o homem pudesse penetrar com maior eficiência no micro e no macrocosmo, preparando-o pelas matemáticas concepcionistas, a Astronomia, a Biologia e a Física Nuclear a aventurar-se em mais audaciosos voos.

Certamente que reconhece a sua pequenez diante da majestade da vida, porém, desatento, ensoberbece-se com a mente fascinada pelas grandezas, enquanto tem os pés agrilhoados ao paul pestilento das dores em que jaz ao lado dos irmãos ali fossilizantes...

*

Indispensável uma Filosofia de estrutura espiritualista, já que as conceituações negativistas e dialéticas do século passado e da primeira metade deste traíram aqueles que nelas se apoiavam.

Lentamente se esboça uma reação da inteligência, em face da constatação da falência da matéria e graças ao conhecimento mais profundo da energia em relação às construções do mundo, em que ondas e mentes, ideias e raios constituem as legítimas realidades que, no entanto, passam despercebidas dos menos aquinhoados pela cultura e pela lucidez intelectual.

No passado, Lavoisier foi levado à guilhotina pela intolerância da política arbitrária e apaixonada; Bernardo Palissy foi encarcerado até a morte pela intolerância da Religião e recentemente, no entanto, Botsmann, pai da Mecânica Estatística, foi levado ao suicídio em face do repúdio sofrido pela decorrência da vaidade dos seus colegas de pesquisa... Receando que nada resultara dos seus incessantes esforços como contribuição à Ciência, incompreendido e malsinado, fracassou, preferindo a covarde solução autocida...

Possuía ciência mas não dispunha de uma filosofia existencial que pudesse resistir aos fracassos aparentes...

Posteriormente, Lavoisier foi reabilitado, Palissy reconsiderado e na estátua de Botsmann, como homenagem ao seu gênio, foi colocada a fórmula que abriu horizontes novos à Ciência atômica, à própria Física Nuclear...

*

O Cristianismo em sua estrutura atual ressuscitado pelo Espiritismo em feição de ciência, filosofia e religião é a terapêutica eficaz para os males sórdidos que anatematizam o homem, conclamando todos a uma tomada de posição urgente e a uma ação eficiente em prol da Humanidade, iniciando-se o movimento de urgência com o próximo que se encontre mais próximo.

Não amanhã a tarefa ou mais tarde, e sim, hoje, agora, imediatamente.

Se os recursos morais não facultam o tentame, não há como alguém se escusar, porque a transformação do mundo tem início no eu de quem se candidata a tal empresa.

Cuidar de apaziguar-se, minimizando as dificuldades e esforçando-se honestamente pela vivência dos códigos do amor, já é uma atitude comportamental renovadora que estimulará outros menos corajosos e formará uma corrente de identificação com o bem que jaz em germe em todas as criaturas, emulando cada um a experiência junto a outrem.

Qualquer esforço nesse sentido sob a meridiana luz do Cristo é de salutar e excelente resultado.

Enquanto muitos enumeram as aflições, estudam suas causas, discutem a metodologia do combate, o cristão autêntico age em nome do amor, diminuindo os efeitos maus e dando início às causas favoráveis, de que resultarão mais ditosos os dias de amanhã.

Não somente a diagnose dos males sócioeconônicomorais da Humanidade, mas ação útil, imediata em si mesma, em favor do homem-irmão que se movimenta ao lado.

Essa campanha de otimismo e ação operante é a que está faltando em favor do mundo feliz do porvir.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Triunfo e túmulo

Triunfo e túmulo

Vianna de Carvalho



Antes dele, conquistadores e príncipes passaram em carros doirados, coroados de triunfo, fulgurando por um momento para, logo mais, descerem ao vale sombrio do túmulo, entre desenganos e aflições.

Júlio César, triunfador em todas as latitudes, espalha o Império Romano e domina o mundo, caminhando para a sepultura sob a arma traiçoeira de Brutus, que passava por seu filho.

Marco Antônio avança poderoso sobre o Egito, retoma as rédeas do poder para Roma, sendo vítima, mais tarde, da própria negligência e impetuosidade, para atravessar o Estige, na barca do suicídio covarde, quando as tropas de Otávio derrubam as portas da cidade de Alexandria onde se refugiou.

Depois dele, Tibério, recebendo o mundo como herança de Augusto, banqueteia-se na volúpia do prazer e da posse, foge torturado para Capri, entre tormentos e divagações, após a morte de Sejano, que o traíra, sendo assassinado sob travesseiro de plumas, que o asfixia lentamente.

Calígula, alçado ao poder, confere um consulado ao seu cavalo de estimação - Incitatus - e, tomado de hedionda loucura, malbarata os tesouros que Tibério acumulou, tornando-se um monstro de crueldade, para sucumbir depois ao fardo de crimes inenarráveis, assassinado por Quéreas, em pleno circo.

Cláudio, cansado e obeso, filósofo e devasso, dominando o mundo, não escapa ao veneno de Locusta, habilmente servido por Agripina, em suntuoso banquete privado no palácio deslumbrante, onde vivia.

Domício Nero, ainda moço, na ambição do poder, experimenta o horror do matricídio e do uxoricídio, tentando preservar os triunfos que lhe adornam a cabeça, assinalando sua passagem no mundo com os sinais do crime e da degradação. No entanto, não pode fugir, após tão hediondas glórias, às visões da mãe vingadora, libertada do reino das Parcas, atravessando, igualmente, as portas do sepulcro quando Epafródito "lhe facilita" a morte...

Novos tronos e impérios se erigem e sucumbem. Heróis e triunfadores brilham e passam. O túmulo aguarda-os, recebe-os e devora-os.

Em toda a História a sombra do crime atormenta e envolve o criminoso. A traição, que favorece o acesso ao poder, ergue também a taça de letal veneno aos lábios dos vitoriosos embriagados de ventura, matando-os depois.

De Semíramis, a babilônia, a Maria Antonieta, a austríaca, a sedução e a beleza ergueram impérios e destruíram civilizações na embriaguez do crime. Após os fastígios do poder, o cárcere e a morte.

Sêneca triunfa em Roma ao preço da bajulação e da conivência com o crime, e ensina estoicismo sobre confortáveis coxins de veludos e sedas, transferidos da Domus Áurea, cercado de escravos e admiradores, empreendendo a grande marcha para o túmulo sob as ordens do seu imperial discípulo.

Petrônio, cognominado arbiter elegantiarum, não foge, após tantas glórias, à jornada final do túmulo, por ser considerado traidor, suicidando-se por imposição do Imperador.

Savonarola, o dominicano, arrebatado pelo fastígio da eloquência, tenta moralizar a Igreja a que serve, sendo por ela queimado, após ruidoso processo inquisitorial.

Schumann compõe arrebatadoras páginas musicais, arrancando-as da inspiração atormentada, entre idas e voltas ao hospício, sendo arrastado ao suicídio pelas sombras vingadoras do Além-Túmulo.

Edgar Allan Poe, de espírito atribulado, celebriza-se descrevendo viagens tenebrosas nos labirintos da alma obsidiada, sem conseguir libertar-se da carne, em tranquilidade. 

Mesmo Dante, o florentino, fugindo aos conflitos alarmantes, descreve com pena desesperada os transes mediúnicos que experimenta, rumando para o túmulo com os transtornos do espírito inquieto.

-"A História se repete" - afirma a sabedoria popular.

Só o amor vence o mal e ilumina a vida; o ódio gera fel e destrói o ser, conduzindo à morte.

Por essa razão o Cordeiro de Deus, depois de pregar e viver o amor à Humanidade, deixou-se conduzir ao assassínio tornado legal pelos usurpadores do poder, doando aos homens o atestado da sepultura abandonada e vazia. Não tendo triunfado no mundo, venceu o mundo e o túmulo através da ressurreição gloriosa e inesquecível.

Todos passaram... A História guardou o nome de alguns e esqueceu a vida de outros. A malta criminosa do Calvário é lembrada somente como exemplo cruel de barbaria. O Justo, entretanto, da manjedoura humilde à cruz humilhante, ofereceu o legado do amor vitorioso sobre todas as coisas como abençoado roteiro das almas para o matrimônio com a felicidade imperecível.

Quando escute a doce voz do Triunfador não vencido, murmurando-lhe amorosamente no altar da alma o convite para honrar o dever com o sacrifício, exulte, meu irmão, e celebre o Natal diferente que se opera em sua vida. Escute essa mensagem libertadora, suporte-lhe o fardo e avance, sem cansaço, ascendendo em busca do triunfo sobre o túmulo onde se sepultam as ilusões.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
À Luz do Espiritismo

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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

A tarefa de Allan Kardec

A tarefa de Allan Kardec

Vianna de Carvalho

Revista Reformador Dez. 1977


Allan Kardec (03/10/1804 - 31/03/1869)

Gigantesca pela sua complexidade e difícil, graças aos muitos problemas, a tarefa de Allan Kardec, em plena metade do século XIX.

Exatamente no momento em que as mentes mais esclarecidas se libertavam da imposição dogmática, dando início à era da investigação racional com as armas frias da pesquisa científica, quando os postulados religiosos padeciam a pública desmoralização cultural dos seus aranzéis metafísicos, ele se permitiu adentrar pelos dédalos das dúvidas, a fim de aplicar os recursos da época na constatação da experiência imortalista.

Munido de uma inteligência invulgar e profunda acuidade racional, caracterizado por um senso de observação pouco comum, agiu com isenção emocional no exame dos fenômenos mediúnicos, deles retirando a vasta documentação filosófica que integra o Espiritismo.

Atuando sem pressa, e meticulosamente, não se permitiu influenciar por pessoas, ideias preconcebidas ou fatos isolados.

Em todos os momentos, esteve sempre munido de vigilância estoica, a fim de permanecer indene às agressões de adversários e aos encômios de amigos.

Trabalhando sistemática e ordeiramente, a poucо e pouco, do fenômeno mediúnico puro e simples arrancou a Doutrina Espírita, formulando questões momentosas, genéricas e específicas, sobre as várias e incontáveis inquietações em que se aturdia o espírito humano, recebendo significativas e sábias respostas, que transcorridos mais de cento e vinte anos permanecem atuais, nada se lhes podendo retirar ou acrescer. (Data referente à data desta publicação em Dez. 1977 - nota RDB)

Como é certo que os abençoados Mensageiros do Mundo Espiritual sempre deram esclarecimentos pouco comuns, face à estrutura e profundidade dos conceitos emitidos, não menos notáveis são os assuntos propostos que fomentaram e inspiraram os diálogos que permanecem insuperáveis.

Respondendo à crítica honesta com a lógica dos fatos, Kardec desmitificou a mediunidade, estabelecendo uma perfeita metodologia para o seu exercício, oferecendo instruções de segurança, ao mesmo tempo em que analisava os seus problemas e dificuldades com um critério absolutamente justo e seguro.

Situou muito bem, e distintas, as posições do médium e dos Espíritos, as diferenças entre opiniões isoladas e a universalidade do ensinamento espírita, não se arrogando quaisquer situações de relevo ou chefia, antes pautando a conduta em plano de nobreza invulgar, especialmente se considerarmos a época em que a presunção, a fatuidade e o orgulho descabido mais se exaltavam.

Cordial e acessível, não se fez vulgar nem comum a pretexto de uma popularidade que, afinal, nunca lhe interessou.

Sabendo, exatamente, qual a missão que lhe cumpria desempenhar, ateve-se ao ministério com reta austeridade, envidando todos os esforços até a consunção das forças para o seu desempenho.

Soube repelir com elevação de propósitos a mordacidade dos frívolos e a perseguição gratuita da ignorância, sem deixar-se espezinhar pela mesquinhez de combates e balbúrdias dos precipitados.

Manteve-se sóbrio no opinar e meditativo no exame das ruidosas ocorrências do campo das afirmações sem base. Tudo caldeou, confrontou e aferiu até que brilhasse no diamante da verdade o enfoque puro, em forma de lição libertadora de consciências.

Sem jactância, não se arreceava corrigir o que fosse necessário, e embora não se fizesse portador da última palavra, denunciava o erro onde este se encontrasse, mantendo-se digno, sem descer, porém, à disputa injustificável ou ao palavrório insensato.

Não era fácil o empreendimento!

Num campo eivado de superstições, crendices e lendas, qual o que se referia aos Espíritos desencarnados - por uns considerados deuses, anjos, demônios; por outros temidos ou envoltos nas confusas práticas da magia e do absurdo, e ainda desacreditados e sempre confundidos por certa estirpe de pensadores presunçosos que se tinham em tal posição cultural que lhes parecia humilhação qualquer envolvimento com eles -, Allan Kardec demonstrou por processo claro e científico tratar-se simplesmente das almas dos homens que viveram na Terra, cada um prosseguindo conforme suas aquisições morais.

Desmitificou a morte, fechada em enigmas e cercada pelo conceito do sobrenatural, perdida no fantasioso e no absurdo, provando que morrer é somente mudar a forma de viver sem transformação intrínsecа por parte daquele que se transfere de um para outro plano vibratório.

Provou à saciedade a paranormalidade dos fenômenos, retirando das fantasias e do medo quanto dizia respeito à Vida Espiritual, comprovando que o inabitual é normal, jamais sobrenatural ou fantástico...

Corrigiu o conceito em torno do "culto aos mortos", cercado que vivia esse culto por excentricidades e liturgias totalmente vãs, fundamentando as instruções libertadoras na informação correta dos próprios mortos, sempre vivos além da cortina carnal...

Antecipou, através do exame dos fatos e das informações, incontáveis labores da Ciência, que os vem confirmando no suceder das décadas, havendo oferecido Doutrina Espírita uma estrutura firme, científica, no contexto das suas afirmações. à Quando a fenomenologia medianímica, exuberante e farta, atraiu a atenção de sábios outros de várias especialidades científicas, estes, após demorados e respeitáveis trabalhos, apresentaram os seus relatórios sem nada acrescentar aos resultados publicados pelo gênio de Lyon, cuja probidade intelectual e científicа o guindou à condição de verdadeiro criador da técnicа metapsíquica de investigação, a princípio, e parapsicológica, depois.

Por essas e outras considerações o Espiritismo veio e ficou, dirimindo dúvidas e tornando-se guia seguro no báratro da vida hodierna, em favor de uma existência sadia e útil entre os homens, livre e ditosa no além-túmulo.

Ainda permanece incompreendido e sofre combate o insigne Codificador. Isto, porém, em nada o diminui ou desmerece. Pelo contrário, só o agiganta...

No momento em que variam as técnicas das "Ciências da alma", no estudo da personalidade humana e dos problemas que lhe são correlatos, o Espiritismo, conforme a Codificação Kardequiana, é a resposta clara e insofismável para as aflições que se abatem sobre o homem, dando cumprimento à promessa de Jesus, quanto ao Consolador, de que este, em vindo à Terra, não somente Lhe recordaria as lições, como também esclareceria, confortaria e conduziria o ser através dos tempos... 

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco
Revista Reformador - Dez. 1977 
(Página psicografada em 04/06/1977, em Paris, França.) 

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Revista Reformador - Dezembro 1977.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Espiritismo e vida futura

Espiritismo e vida futura

Vianna de Carvalho



Platão, fascinado pela doutrina de Sócrates, através do método dialético, revela o mestre nos "Diálogos" e no "Fédon", ampliando os horizontes filosóficos da Humanidade, à base da mais augusta moral.

Demócrito, interpretando Leucipo, concebe, no estudo da "partícula indivisível", a teoria atomista do Universo, favorecendo um racionalismo materialista, 2.300 anos antes da doutrina de Hegel.

Outros pensadores, criando escolas filosóficas diversas, padronizaram conceitos sobre a vida futura, dentro de um imediatismo absorvente, confundindo-a com os postulados políticos, econômicos e sociais, sugerindo o aniquilamento do ser concomitantemente à desagregação celular.

No entanto, homens igualmente preocupados com o fenômeno imortalista, tais como Agostinho que, fascinado pelas pregações de Ambrósio, sente em Jesus Cristo o vanguardeiro da Imortalidade, criaram inumeráveis Escolas que abrem perspectivas novas para o pensamento filosófico, sugerindo o além-túmulo como o grande fanal da vida terrena.

Tomás de Aquino, desejando traçar diretrizes seguras sobre o problema espiritual, apresenta a Teologia, padronizando o ensino evangélico em bases novas capazes de resistir ao sofisma grego e à negação materialista.

E enquanto o fenômeno da imortalidade toma corpo, o abuso da intolerância arma guerras e conflitos, procurando impor uma ideologia através do vandalismo e do crime.

E assim que a História se tinge de sangue com as Cruzadas, a Inquisição e o Santo Ofício, pregando, embora, o amor postulado por Jesus Cristo.

A literatura, pontificando a divulgação do patrimônio cultural dos povos, procurou igualmente asfixiar o ideal da vida futura, disseminando o pessimismo e inquietação.

Flaubert, através de "Madame Bovary", oferece uma concepção anarquista do matrimônio, encontrando no suicídio sentimental a fórmula ideal para fugir ao desassossego emotivo. E graças à sua pena prodigiosa, o inesquecível epiléptico, que revolucionou a arte de escrever nos dias de Sainte-Beuve, foi alçado às culminâncias do pensamento, oferecendo novo colorido à literatura.

No entanto, enquanto se debatem as correntes do pensamento nas águas turvas da negação e da dúvida, a Doutrina Espírita, pregando a vida futura, não se detém na mística dos santos nem na pesquisa dos materialistas; não se demora na aceitação dos informes teológicos nem nas referências dos extáticos, mas revive os ensinamentos de Jesus Cristo e comprova-os através do crivo experimental, dando nascimento a uma filosofia religiosa e a uma religião científica preparada para enfrentar as sutilezas dos sofistas e a irreverência dos cépticos.

O Espiritismo, em nome da vida futura, postula que o trabalho honesto, a moral sadia, a dignidade austera, ou a criminalidade, o erro, o abuso e desrespeito às leis não cessam em seus efeitos quando ocorre a destruição dos tecidos celulares.

Para o ocioso, a vida futura decorre da negligência, oferecendo-lhe o pantanal aniquilador em que se deterá por tempo indeterminado, até o retorno à carne...

Para o sensualista, a vida futura surgirá em formas escorregadias, apresentando as imagens do prazer que, mesmo experimentado, nunca atenderá à incoercível sede de gozo...

Para o criminoso de qualquer procedência, a vida futura retratará as contingências do erro, em tormentos continuados...

Na mesma ordem, para o homem de reta consciência, a vida futura surgirá como um Éden abençoado, onde o trabalho edificante, carreador de bênçãos, desdobrará a consciência do dever aureolado de paz e felicidade indizível.

Não podemos negar a inadiável consequência dos atos de hoje, na vida de além-túmulo, como natural decorrência das construções emocionais que nos alimentam na jornada humana. Por isso mesmo, o Espiritismo preconiza a transformação moral do homem à luz da verdade, dirigindo o pensamento aos cumes do dever puro c simples como normativa natural de libertação.

Ninguém fugirá crente ou céptico, aos efeitos dos atos do caminho comum, na jornada terrena.

Procuremos, portanto, no dever da justiça reta e do trabalho honrado, preservar a vida que, agora estuante, se desdobrará pelo futuro, no além-túmulo, em manifestação de uma felicidade que, "não sendo deste mundo", é patrimônio do mundo por onde seguem todos os homens.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
À Luz do Espiritismo

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domingo, 10 de agosto de 2025

Ciência e Espiritismo

Ciência e Espiritismo

Vianna de Carvalho



A Ciência, vencendo os tabus e os atavismos da ignorância, vem desvendando os mistérios da Natureza e desvelando as leis que engrandecem a vida.

O Espiritismo, rompendo os véus do preconceito e das superstições, penetra no âmago das questões intrincadas do existir, revelando o mundo causal e invisível de onde procede e para onde retoma a vida real.

A Ciência, colocando as suas sondas e lâminas no macro como no microcosmo, interpreta os enigmas da criação e explica os fenômenos da vida organizada na Terra.

O Espiritismo, trabalhando com as forças parafísicas do ser, desdobra para o homem a ética-moral de comportamento que o conduz à felicidade mediante a correta utilização dos recursos que lhe estão à disposição.

A Ciência prolongou a vida humana, modificou a paisagem do planeta, propiciou comodidades, facultou altos voos para a inteligência e para a imaginação.

O Espiritismo demonstrou que a longevidade física, por mais larga, é sempre breve ante a eternidade do ser espiritual, trabalhando o homem para usar as conquistas da tecnologia sem perder ou menosprezar os títulos da dignidade e do amor.

No auge das incursões da Ciência no embelezamento da vida e explicação das leis universais, Chalemel Lacour exclamou: — “ Ciência e razão, eis os meus deuses”, provocando, na Academia de Letras de Paris, vivos aplausos por parte dos utopistas e gozadores. 

Logo depois, no mesmo recinto, Francis Chalmers, após reflexões profundas, afirmou: — “Não conheço um só exemplo que comprove o êxito da ciência enxugando as lágrimas que nascem no coração.”

A Ciência, sem o suporte da fé religiosa, que se estriba no fato e na razão, perde-se em devaneios, detectando os efeitos que não bastam para explicar a realidade dos fenômenos.

Negando a Deus, a Causa Fundamental, não logra preencher o vazio da emoção, nem enxugar as lágrimas do coração.

Certamente que anestesia a dor, corrige imperfeições, elucida problemas, no entanto não consola o amor que se sente frustrado ante a ingratidão, o crime, a saudade de quem se transferiu do corpo para a Vida... Nem consegue equacionar os dramas do sentimento, da afetividade, as aptidões e tendências dos destinos humanos...

O Espiritismo é o elo de segurança entre a ciência e a religião, a fé e a razão, a virtude e a ação.

Aprofundando-se nas origens da própria vida, o Espiritismo demonstra a lógica de existir, no processo de evolução e interpreta todos os problemas que se demoram como incógnitas, sem fugir à razão nem ao bom-senso, antes baseando-se nestes, erigindo o edifício do saber com os alicerces do conhecimento e a argamassa da fé.

Eis por que a Ciência, sem a Religião, frustra os altos ideais do homem e a Religião, sem a Ciência como suporte, não passa de pretexto para o fanatismo, que não se justifica e sequer suporta as experiências dolorosas da própria vida.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
Reflexões Espíritas

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Declaração de Origem

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terça-feira, 5 de agosto de 2025

A falência do materialismo

A falência do materialismo

Vianna de Carvalho



A Europa, culta e supercivilizada, ressalvadas as naturais exceções, tentando preservar os valores do materialismo, graças ao qual reúne o conforto às utopias físicas, entroniza o “bezerro de ouro”, numa volúpia assustadora.

Os valores éticos cederam lugar à prepotência, de um lado, e ao anarquismo, de outro, por falta de estruturas morais para auxiliar o homem nos seus compreensíveis momentos de angústia.

As crises que nesta hora assolam a Terra são exatamente de reais valores, que se fazem escassos, substituídos que vêm sendo, por aparentes prevalências de dominações externas, que sobrevivem mediante pressões de vária ordem, quer de natureza política, econômica, social ou de força, mudando as estruturas do comportamento da criatura, que ora tresvaria.

As coletividades, cansadas das colocações espiritualistas incapazes de enfrentar o utilitarismo, e que se apresentam falidas nas bases, em face dos comportamentos de que dão mostras os que se encontram vinculados a tais doutrinas, deram as costas a quaisquer possibilidades de um exame imparcial sobre a realidade imortal do ser, temendo a repetição dos erros calamitosos de que se fizeram vítimas, quer no passado mais remoto, quanto no mais próximo.

Exaltando as necessidades de uma vida descomprometida, breve, pela sua maneira de considerar, apenas, a vestidura biológica, subverteram a ordem das coisas, entregando-se ao egoísmo com exacerbação das sensações mais grosseiras, em que se exaurem e desconcertam.

Como consequência primeira, a dissolução da família atinge estado jamais igualado, em que pais se apresentam como impedimentos e desagrados para filhos irresponsáveis, ávidos de prazeres; e em que os filhos constituem carga pesada e desconcertante para pais atormentados e sequiosos de aproveitamento do tempo, tendo em vista as próprias dissipações...

A indiferença pela educação, no lar, gera o abismo entre genitores e prole, que aguardam com ansiedade o momento de libertarem-se uns dos outros, vivendo cada um a sua própria vida, até que a dor, silenciosa e pertinaz, fale-lhes ao coração empedernido sobre a excelência da afetividade e a bênção do amor, que malbarataram e de que ora sofrem inqualificável carência.

Em tal comportamento humano e social, a criatura destrói os sentimentos mais profundos e os substitui por infelizes jogos de interesses, nos quais o próximo significa o que vale em prazer, o que oferece como lucro.

As uniões são rápidas e frustrantes; as amizades fugazes e inconsequentes; as ambições utópicas e materiais.

Como efeito seguinte, cada qual faz-se mais exigente e áspero para com o outro, e mais tolerante para consigo mesmo, dando origem a comportamentos agressivos, violentos, com ou sem pretexto, atribuindo-se merecimentos e direitos que a ninguém outorga.

As atitudes tornam-se extravagantes, e o exibicionismo de toda ordem substitui a discrição, a autoridade moral, o equilíbrio; o escândalo assume proporções de cidadania até o ponto de não mais chocar, e o desinteresse pela vida, como patrimônio de que todos se fazem beneficiários e de que terão que dar conta, transforma-se em manifestação de superioridade de quem assim age.

Por fim, indivíduos e comunidades neurotizam-se, resolvendo pela violência tudo quanto os incomoda, sem se preocuparem, ao menos, por tentativas de diálogo e de entendimento.

Traições, sequestros, chantagens, roubos, suicídios e homicídios cruéis dão-se as mãos e tomam conta das megalópolis terrenas, ganhando manchetes sensacionalistas, que os promovem, adentrando-se pelos lares, através das comunicações de toda classe, atemorizando a uns, enquanto a outros exaltando.

Bandidos tomam-se heróis, imitados por longa faixa da juventude aturdida, e crimes aparvalhantes são comemorados por chefes de Estados, igualmente alucinados, vítimas, em potencial, de grupos outros que lhes são contrários...

...A guerra, então, parece inevitável, desde que, belicoso, o homem está guerreando a si mesmo e ao seu irmão, no lar, no trabalho, na rua, e as comunidades mais fortes, na larga exploração das mais fracas, perdem o pudor e justificam os seus atos, que são defendidos por outros tantos semelhantes.

São os frutos, amargos uns e podres outros, do materialismo ateu, da falência da verdadeira cultura, que se desviou da rota da sabedoria, para transformar-se em intelectualismo vaidoso e tecnicismo utilitarista, mercantilizado.

O homem moderno tem medo. Porque teme, agride, enclausurado no “eu”. Cansado das utopias que elege, procura evasões que o levam a corredores escuros e sem saídas.

Apesar de tudo isto, nas sombras que se adensam sobre a Humanidade luz a compassiva promessa de Jesus a respeito do futuro, fulgurando na imortalidade em triunfo, de que ninguém se exime, e que, a pouco e pouco, fortalece os pilotis da crença espiritual cambaleante, soerguendo o edifício da civilização e lançando as seguras diretrizes para o reequilíbrio da criatura ante si mesma, o seu próximo, a vida e Deus.

Essa ingente e colossal tarefa, quase não percebida pelos que estão anestesiados na ilusão do momento, cabe ao Espiritismo, que apresenta as características do Consolador e cumpre as determinações sancionadas por Jesus.

Pouco importa a dimensão da faina que todos devemos desenvolver. Desde a mais modesta à mais expressiva, a tarefa de esclarecer os homens e orientá-los, sem medo nem tergiversações, é emergente, dando prosseguimento ao ministério iniciado, por Allan Kardec, que se propagará como centelha crepitante em combustível que a aguarda, para dar-se o grande amanhecer moral e espiritual para onde marchamos, nosso futuro próximo e libertador.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
Reflexões Espíritas

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Metapsíquica e Mediunidade

Metapsíquica e Mediunidade

Vianna de Carvalho



Durante vários anos cuidou-se de confundir a Metapsíquica com a Mediunidade, numa oposição sistemática, organizada pela vaidade das academias contra a série de fenômenos que Allan Kardec estudou, catalogou e difundiu defendidos mais tarde por sábios não menos eminentes do que os reacionários.

O insigne professor Charles Richet, talvez o maior adversário da Mediunidade, criou o termo Metapsíquica como ramo da Psicologia Experimental, que definiu como a "ciência que tem por objeto os fenômenos mecânicos ou psicológicos devidos a forças que parecem inteligentes ou a potências desconhecidas, latentes na inteligência humana", para com ela provar a fragilidade do fenômeno mediúnico.

Entretanto, o fenômeno mediúnico não é novo. Em todas as épocas da história do pensamento surgiram homens dotados de poderes extraordinários que contribuíram com valiosos recursos para o auxílio moral da sociedade em crescimento, dando origem às crenças e práticas religiosas dos povos.

Fenômenos que foram a glória de Civilizações já mortas, sepultadas nos lençóis das águas ou sob areais ardentes, renasceram no Egito, na índia, na Hebreia, florescendo entre os mistérios templários, cercados de símbolos complicados e rituais severos. Grécia, Roma, Gálias, no esplendor dos seus dias, ouviram deslumbradas as mensagens das Vozes Soberanas pelas bocas de seus Pitons, Sibilas e Pítias em "divinas convulsões", traçando diretrizes e fazendo revelações que o tempo confirmava inexoravelmente.

Akhenaton, o sábio rei egípcio, ouve vozes e concebe o monoteísmo.

Abraão é chamado por Mensageiros Espirituais em Ur, na Caldéia, e conduzido pelo deserto ao país de Canaã, "onde manam leite e mel."

Moisés, guiado pelos Espíritos do Senhor, liberta os hebreus e anota, no Sinai, o Ditado Celeste como Lei indefectível.

Isaías conversa com os Imortais e anuncia o advento de Jesus Cristo.

Zoroastro, aos 30 anos, contempla "visão divina" e revoluciona a Pérsia.

O príncipe Sidhartha, tomado de súbita angústia, abandona a Corte, refugia-se na floresta e, em meditação, aos 35 anos, "encontra a verdade", mantendo contato com o Além-Túmulo.

Sócrates, em pleno apogeu filosófico, deixa-se orientar pelo seu "daimon."

Saulo de Tarso recebe a visita de Jesus, às portas de Damasco, e perde, temporariamente, a visão.

Constantino conduz seus exércitos ao triunfo, orientado por uma visão.

Francisco Bernardone é chamado pelo Senhor às margens de um regato, em Espoleto, e reanima a Igreja cambaleante de Roma, reemprestando-lhe o suave odor do Cristo.

Joana D'Arc é guiada por visões de desencarnados e escuta diretrizes verbais dos seus Guias.

Pela boca de Swedenborg "falam os anjos", desde a infância.

As convulsões demoníacas e angelicais atestadas pela Igreja, na grande noite medieval, eram devidas à faculdade medianímica dos supostos possessos.

A ignorância - causa de tantos males - cercou esses fenômenos naturais com o maravilhoso e o divino, vestindo-os de fantasiosas imaginações que muito lhes desfiguraram a realidade.

Foi com o advento do Espiritismo que teve início a fase do estudo científico da Mediunidade ou, mais precisamente, depois de Allan Kardec. O eminente naturalista Prof. Alfred Russell Wallace foi, na Inglaterra, o primeiro a proceder a investigações de ordem científica, atestando a realidade dos fenômenos através de um inquérito mandado realizar pela Sociedade Dialética de Londres.

Já então, a Doutrina Espírita, que explicava a Mediunidade como sendo uma faculdade que permite ao homem sentir "num grau qualquer a influência dos Espíritos", passou a ser motivo de observação, estudo, confirmação e combate.

Teorias absurdas foram concebidas para negar o fenômeno, já que os sábios e eruditos se negavam a aceitar a explicação das suas causas, ou mesmo admitir a existência dos agentes que o provocavam.

Hipóteses respeitáveis foram apresentadas. Entre as mais eminentes destacam-se a do subconsciente, introduzida na Fisiopsicologia pelo ilustre Prof. Pierre Janet, e a do Animismo, que mereceram do filósofo russo Alexandre Aksakof acurado estudo apresentado em 1890 na sua obra monumental: ANIMISMO E ESPIRITISMO, hoje clássico da Doutrina Espírita pela valiosa documentação selecionada e sistematizada.

Médiuns famosos, de comprovada idoneidade moral, deixaram-se submeter ao mais rigoroso controle científico, produzindo, apesar de todas as precauções contra a fraude, fenômenos físicos e psíquicos, ante exigentes e vigilantes comissões de homens célebres de todo o Globo.

Se é verdade que o subconsciente do Prof. Janet e a "Força ódica" de Reichenbach são responsáveis por alguns fenômenos tidos por mediúnicos, não explicam várias ocorrências de fenômenos de mediunidade catalogados entre as ordens intelectuais ou parapsíquicos e físicos. Podemos destacar, na primeira classe, a clarividência, a xenoglossia e a glossolalia na mediunidade poliglota, e a premonição; na segunda classe, as materializações luminosas, levitações, etc. E para citar alguns fenômenos à distância como escrita direta, voz direta e telecinesia, apresentando apenas alguns que mereceram de todos os pesquisadores continuado estudo e positiva comprovação.

No entanto, a teoria do subconsciente apresentada pelo insigne psicologista já fora estudada por Allan Kardec em O LIVRO DOS MÉDIUNS, quando expõe as modalidades, mecânica e causas do automatismo psicológico. Também os Espíritos que norteavam o Codificador advertiram-no a respeito das comunicações ditadas por Espíritos irreverentes, ou pelo próprio médium em estado de exaltação patológica.

A Mediunidade foi estudada pelo Apóstolo Paulo, que a experimentava e, escrevendo aos Coríntios, refere-se na primeira Epístola, versículo 4 do capítulo 12, à diversidade de dons.

Mesmo Jesus, o Excelso Mestre, sofreu a dúvida dos sábios do Seu tempo, que interrogavam: - "Que sinal fazes tu para que o vejamos e creiamos em ti?", consoante as anotações de João no capítulo 6.

A Mediunidade é a faculdade que nos traz a consolação prometida pelo Senhor e de que todos se fazem intermediários.

Hoje, em Doutrina Espírita, o fenômeno mediúnico mais importante é o da moral do homem.

As Vozes falam e os Espíritos voltam.

Trombeteando a verdade, conclamam os homens para a verdadeira vida espírita.

Atendamos, assim, aos deveres de mediunidade, desenvolvendo-a nas tarefas do bem, em serviço incessante de aprimoramento interior.

E, consoante o ensino de Erasto, em O Evangelho Segundo o Espiritismo: "O arado está pronto, a terra espera; arai!", prossigamos na lavoura do amor, gerando simpatia e entendimento, há dois mil anos começada por Jesus, o Sublime Médium de Deus.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
À Luz do Espiritismo

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