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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Atenda ao serviço

Atenda ao serviço

Marco Prisco

Imagem gerada por IA.
"578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão? Sim, se não for um Espírito superior." (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
Embora as dificuldades que obstaculizam a caminhada, confie e coopere com o bem.

Em toda parte você será constrangido à luta, se deseja seguir adiante.

Medite em suas dores e recolha o fruto do sacrifício, continuando o compromisso com o Senhor.

Não deixe, assim, que o desânimo caminhe com você porque o auxílio dos outros não se ofereça a ajudá-lo.
Falam dos seus atos? Renove-se e prossiga.
Duvidam da sua honra? Aprimore-se e avance.
Dilapidam o seu caráter? Trabalhe e continue.
Perturbam a sua paz? Insista no bem e ajude.
Trabalham contra as suas intenções? Silencie e ore.
Combatem os seus esforços superiores? Porfie e siga.
No solo humilde e produtivo, filetes de água, procurando vitalizar a vegetação, muitas vezes embebedam as raízes; vermes encarregados de facilitar a aeração das camadas subterrâneas devoram o sustentáculo das plantas.

Sobre a terra, insetos que conduzem o pólen fecundante, não raro estiolam a flor; a luz solar, que vivifica constantemente, também mata; e a chuva que alimenta é a mesma que aniquila...

No entanto, apesar de tudo, a plantinha débil não se atemoriza. Quanto pode, insiste no seu mister de crescer até se transformar em vigoroso arvoredo, vencedor das tempestades, a fim de oferecer amparo, flor e fruto.

Faça o mesmo, seguindo-lhe o exemplo.

A dificuldade é clima de todo lugar onde o trabalho se desenvolve.

A ignorância é adubo fecundante à espera de assistência e movimentação para o sagrado objetivo da evolução.

Não se detenha quando a maldade dos outros seguir ao seu lado.

Lembre-se do Mestre Incorruptível.

Aproveite o ensejo e deixe brilhar a luz das suas intenções em tarefas de bem servir.

O campo imenso dos corações humanos aguarda as suas mãos para a obra da felicidade geral.

Sirva, passe e, confiando, una-se à caravana dos servidores anônimos que o Céu tem na Terra e a Terra colocou no Céu; alargue os horizontes da alma e renove o mundo com a renovação da sua própria vida.

Estará, assim, atendendo ao serviço que, em última instância, é sempre do Senhor, sem falir, candidatando-se à abençoada posição de "um Espírito superior".

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Legado Kardequiano

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Fragilidade humana

Fragilidade humana

Joanna de Ângelis



Interrogas, surpreso, como foi possível a Judas, que conviveu com o Mestre em doce enternecimento, participando do banquete festivo da Boa-nova, advertido e orientado, traí-lO, entregando-O aos Seus inimigos, seja qual for a justificativa que se apresente?

Certamente, Judas O amava, a seu modo, porquanto renunciara aos compromissos anteriores, a fim de segui-lO, e, apesar disso, não suportou as pressões de Entidades perversas que o assediaram, levando-o à ruína.

Ainda fustigado pela fraqueza de caráter, quando se deu conta da hediondez praticada, ao invés de enfrentar as consequências do ato ignóbil, optou pela fuga covarde do suicídio cruel.

Inquires, com desalento, como Pedro, que havia recebido a responsabilidade de apascentar as Suas ovelhas, que com Ele convivera em intimidade, acompanhando os Seus momentos de sublimação no Tabor e de abnegação em toda parte, embora avisado com clareza, pôde negá-lO três vezes consecutivas?

Nas praias e no mar da Galileia, que lhe eram o berço e a vida social, comercial, humana, participou de todas as Suas elevadas propostas sobre o Reino dos Céus, cujos alicerces estavam sendo construídos no solo dos corações, acompanhou os fenômenos incomparáveis da Sua condição de Filho de Deus, apesar disso, fez-se vítima da fraqueza moral que não pôde superar.

Deu-se conta, logo depois, todavia, que fracassara no momento mais relevante da sua existência.

Indagas, aturdido, como todos aqueles amigos que foram eleitos como membros do Seu colégio de amor e de misericórdia, que ouviram a sinfonia esplêndida das Bem-aventuranças, que foram testemunhas das curas repentinas dos portadores de diferentes enfermidades com a Sua intervenção, que O viram repreender os ventos e as ondas durante a tempestade no mar, puderam abandoná-lO a partir do momento da traição, com exceção, apenas, de João?

Haviam sido convidados com infinito amor, aceitaram o desafio, apresentaram-Lhe todas as dúvidas, solicitaram as orientações necessárias para a entrega das existências, renunciaram às comodidades e convivência no lar, na família, no grupo social, entrementes, no momento máximo, tombaram na pusilanimidade, relegando-O à própria sorte.

Todos estavam esclarecidos e conscientes de que a jornada com Ele era feita de aflições e de soledade. Em momento algum Ele os encorajou à esperança de felicidade no mundo, de glórias terrenas, de júbilos no poder. Foi-lhes sempre sincero e claro, algumas vezes mesmo se fez enérgico e vigoroso, a fim de fortalecê-los para a grande luta; confidenciou-lhes, em intimidade, esperanças e alegrias inefáveis depois da existência corporal, e, apesar de tudo, não tiveram valor moral para segui-lO.

Sucede que o mundo físico é também sinônimo de ilusão, de sonho, de incerteza.

Mesmo eles, que deveriam estar estruturados na coragem imbatível pelo de que se encontravam conhecedores, não tiveram condições de merecer a palma da vitória sobre a inferioridade moral, pelo menos, no momento do grande testemunho.

Mais tarde, sim, todos se entregaram ao amor e à glória de servi-lO, redimindo-se da fraqueza humana.

*

Convidado, como te encontras, para a restauração dos postulados sublimes de Jesus, na atualidade de valores controvertidos e insanos, não esperes entendimento nem fidelidade dos amigos que compartem os ideais que te fascinam.

Provavelmente, todos gostariam de entregar-se ao ministério de iluminação de consciências, oferecendo os seus melhores recursos e mais honesta dedicação para que se tornem realidade os objetivos anelados.

Cada pessoa, no entanto, tem o seu próprio programa de evolução, em razão das conquistas e prejuízos anteriores, que lhe assinalam a trajetória terrestre.

Alguns, embora encantados com o Evangelho desvestido de fantasias e de superstições, conforme o desvela o Espiritismo, ainda se encontram vinculados a interesses imediatistas de prazer, de fama, de poder, e não estão dispostos a renunciar a tudo quanto os fascina.

Diversos, igualmente despertos para o banquete da Era Nova, encontram-se comprometidos com deveres familiares, sem coragem para libertar-se das exigências do lar, refugiando-se nesse mecanismo desculpista para ficarem acomodados.

Muitos, herdeiros de situações lamentáveis de outras existências, sentindo-se fracassados nos setores sociais a que se entregaram, veem na programação libertadora oportunidade de manter o poder, destacar-se a qualquer preço, disputar lugares e privilégios, vencer os demais, que passam a ter em conta de adversários...

Vários, ainda vinculados às paixões dissolventes em que se comprazem, invejam os lutadores, têm mágoa dos trabalhadores dedicados, entregando-se a sistemáticas campanhas de desmoralização das suas existências, assim torpedeando as suas nobres realizações.

São as fraquezas humanas que neles predominam.

Não conseguem superar as tendências inferiores que os mantêm em situação deplorável.

Talvez gostassem de estar ao teu lado, de ser como tu, de lutar com a tua coragem, entretanto, não se esforçam por consegui-lo, optando pela permanência no estágio que os amesquinha.

Se lhes sofres o abandono, o combate sistemático, a perseguição insana, a antipatia gratuita, o ódio devorador, não te perturbes, sintonizando na faixa da sua pusilanimidade.

Mantém-te coerente com a tua crença e fiel ao teu ideal.

Já que eles desejam ficar onde se encontram, não insistas, não os lamentes, não te detenhas.

Segue adiante!

Deves realizar a tarefa que aceitaste do Mestre, sem discussão, e que tem sido fator de alegria na tua atual existência, não constrangendo ninguém a seguir contigo, nem a te auxiliar no desiderato.

*

Se, em algum momento, estiveres para desfalecer ante as difíceis conjunturas, as perseguições e a solidão, envolve-te nas dúlcidas vibrações da prece, recuperando as energias e o desejo de avançar sem detença.

Recorda-te, de imediato, de Jesus com o madeiro sobre o ombro dilacerado, caindo várias vezes e levantando-se, sem os censurar, sem os procurar no meio da multidão que uma semana antes O aplaudiu, quando da entrada em Jerusalém, e agora O malsinava.

Constituído do mesmo material humano das demais pessoas, transforma tuas fraquezas em valor moral e sê fiel Aquele que te ama desde o início dos tempos e prossegue contigo, esperando a tua decisão de entrega total a Ele.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Ascensão e queda

Ascensão e queda

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

A HISTORIA É, SEM DUVIDA, UM REPOSITÓRIO complexo e rico dos acontecimentos que dizem respeito à humanidade.

As suas narrações luminosas e trágicas dão-nos notícias da transitoriedade do fasto e da desgraça, sucedendo-se, quase sempre, um ao outro, nem sempre nessa mesma ordem, demonstrando que a árvore que o Pai não plantou é sempre arrancada.

Pela memória guardada em seus registros, acompanhamos a ascensão de impérios grandiosos, quase indestrutíveis, que o tempo derruiu e as guerras de extermínio aniquilaram, de nações que surgiram do pó dos desertos ou da lama dos pântanos e submeteram outras ao seu talante belicoso, que brilharam por um tempo e foram devastadas logo depois, ficando somente pedras calcinadas e muralhas gastas, ou das páginas eloquentes dos seus pensadores, assim como das calamidades execrandas praticadas pelos seus governantes insensíveis...

A Babilônia gloriosa de Nabucodonosor e os jardins suspensos que edificou em homenagem à sua mulher estão hoje reduzidos a pó, os colossos de pedra como templos monumentais e pirâmides guardadoras de segredos ainda indecifrados no Egito dos faraós apresentam-se corroídos pelos ventos e submersos em areais inclementes, a Índia dos marajás opulentos e dos párias desprezados com as cidades abandonadas por falta de água umas e outras destruídas pelas guerras contínuas entre as diferentes etnias, carregando o fardo de misérias inomináveis, o poder de Esparta desaparecido e ignorado nas ruínas calcinadas, a beleza de Atenas e sua filosofia transferidas para Roma dominadora e, mais tarde, destruída...

Nos tempos modernos, também se levantaram impérios quase invencíveis, como o otomano, o austro-húngaro, o britânico, o nazista, o soviético e outros de não menor importância, hoje apresentando-se devorados pela alucinação dos seus construtores ambiciosos, sofrendo o efeito dos crimes hediondos perpetrados contra os povos que submeteram e os mártires que assassinaram cruelmente...

Todas as glórias do poder terreno convertem-se em lembranças amargas, que deveriam ensinar às novas gerações de governantes as superiores lições de edificação do bem e da justiça, da equanimidade e da fraternidade, mediante as quais podem tornar-se inexpugnáveis, permanentemente vivos no conjunto que deve preparar o mundo melhor, mais digno de ser considerado e com mais elevados conteúdos morais e espirituais.

Mesmo o cristianismo, que transformou a humilde manjedoura em templo adornado de ouro e de púrpura, saindo da singeleza das praias gentis da Galileia e alcançando os tronos reais, segurando o cetro do poder nas mãos vigorosas da prepotência e da presunção, vem tombando no descrédito e no desrespeito dos seus príncipes e nobres representantes, por haver perdido a inspiração divina do Cristo, por ter adulterado as Suas lições, transformando-se em organização político-religiosa arbitrária e falaciosa em total declínio...

Na voragem do tempo, tudo passa, permanecendo somente as lembranças dolorosas ou sublimes daqueles que então viveram, legando as imorredouras páginas das vidas que se permitiram.

A simbólica Esfinge tudo devora, menos as construções do bem, do amor, da verdade de que se fez instrumento Jesus Cristo, cuja vida e obra inscrevem-se como os mais ditosos momentos da humanidade.

*

A sublime proposta do Mestre Galileu, exarada em ternura e em compaixão, exteriorizada com mansidão e misericórdia em nome do amor, tem atravessado os dois milênios últimos como sendo a mais bela página de vida de todas as vidas.

Trazendo ao mundo das ilusões o definitivo reino de Deus, fincou as suas bases no sentimento das pessoas, colocando a criatura humana no mais elevado nível de dignidade e beleza, enriquecendo-a de saúde e de harmonia.

Todos aqueles que são convidados a participar desse incomparável império de monumental grandeza devem despir-se das indumentárias pesadas em que se encarceram nos tecidos asfixiantes dos vícios e despautérios, compreendendo que se faz indispensável a veste nupcial para o permanente banquete da fraternidade e da compaixão em relação aos infelizes que ainda não despertaram para a cidadania espiritual.

Enquanto as nações do mundo se celebrizam pelo exterior, pela opulência e extravagância que se permitem, sugando o sangue e a vida de todos aqueles que se lhes submetem, roubando-lhes a alegria e o encantamento, o reino dos céus não vem com aparência exterior, libertando os aprisionados nos desejos servis e ajudando-os na aquisição da autoconsciência que os trabalha para a conquista da lídima harmonia.

A traição, a infâmia, a perseguição, o dolo, a subserviência, a hipocrisia, o medo e outros títeres dos sentimentos humanos são as moedas do comércio social e político dos grandes povos que se levantam no cenário internacional, combatendo a guerra e vendendo armas de alta destruição aos belicosos, pregando justiça social e progresso com o seu povo tornado cravo da sua tecnologia e indústria do terror, para alcançarem o pódio dos aplausos por pouco tempo, logo tombando vencidas pelos desastres da natureza ou das próprias desordenadas ambições.

A misericórdia, a caridade, a ternura, a compreensão e a solidariedade são os extraordinários recursos disponíveis para a instalação e a convivência em o novo reino, onde não existem separatismos nem exclusivismo de classes e de governantes, cada qual sendo responsável pelos próprios atos ante a consciência lúcida em relação ao dever e à vivência pessoal.

Desconhecendo preconceitos e exaltações egóicas, as leis que nele vigem decorrem da responsabilidade pessoal, são estabelecidas pelos soberanos códigos de equilíbrio universal, todas derivadas do amor de Deus em relação aos Seus filhos.

Das ruínas que ficaram das obras grandiosas do passado, nascidas no orgulho e na ostentação de homens e mulheres atormentados, levantam-se na atualidade novas construções de tolerância e solidariedade para albergar todos os indivíduos, sem nenhuma distinção, sob o estrelado céu da complacência do Seu Engenheiro Sideral...

Certamente, ainda transcorrerão muitos dias de lutas cruentas entre os mantenedores da opressão, que detestam a liberdade, dos caprichosos dominadores de outras vidas, que permanecerão investindo contra as novas realizações, dos atormentados morais que se comprazem na vilania e nos desvios morais, criando embaraços, assim como daqueles que se transformam em inimigos do bem acionados pelas mentes enfermas da espiritualidade inferior, afligindo os novos obreiros do Senhor, perseguindo-os com instintos destrutivos, sem se dar conta que a morte igualmente os arrebatará, conduzindo-os ao país de origem, onde se encontrarão com a consciência desestruturada...

Seja a tua ascensão moral o resultado do esforço para tornar-te cada dia melhor do que na véspera, ambicionando e lutando por aprimorar-te mais no dia seguinte, já que anelas pelo reino de Deus que te cumpre edificar dentro de ti mesmo, sem desprezo pelos impérios transitórios da Terra, nos quais exercitas a fraternidade e o bem.

Talvez não sejas galardoado pelas simpatias e enriquecimentos convencionais, convidado mesmo a testemunhos silenciosos como sói acontecer quando se está no mundo de paixões infamantes, mas mantém a tranquilidade que deve caracterizar todos quantos se vinculam ao Divino Construtor da Terra, servindo com empenho da maneira mais eficaz e duradoura possível.

Constatarás amanhã o significado da ascensão e da queda no mundo das convenções que, no entanto, é a abençoada escola de aprimoramento moral dos Espíritos no seu processo de crescimento e de autoiluminação.

***
SEJA A TUA ASCENSÃO MORAL O RESULTADO DO ESFORÇO PARA TORNAR-TE CADA DIA MELHOR DO QUE NA VÉSPERA, AMBICIONANDO E LUTANDO POR APRIMORAR-TE MAIS NO DIA SEGUINTE, JÁ QUE-ANELAS PELO REINO DE DEUS QUE TE CUMPRE EDIFICAR DENTRO DE TI MESMO, SEM DESPREZO PELOS IMPÉRIOS TRANSITÓRIOS DA TERRA, NOS QUAIS EXERCITAS A FRATERNIDADE E O BEM.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Ilumina-te
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domingo, 19 de julho de 2026

As Bênçãos de Deus

As Bênçãos de Deus

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por AI

Narra uma antiga história popular que um modesto trabalhador braçal encontrava-se no seu trato de terra lavrando-o, em um amanhecer de beleza arrebatadora, quando se lhe acercou um indivíduo citadino muito bem vestido, materialista confesso, que, impossibilitado de conter a emoção e a arrogância diante do festival de cor, som e magia que a natureza lhe apresentava, perguntou-lhe: 

— Camponês, tu crês em Deus? 

— Sim, senhor, eu creio em Deus! – respondeu-lhe o homem simples.

 — Então, nesta manhã maravilhosa, mostra-me um lugar onde Deus se encontra – e sorriu, sarcástico. 

O homem humilde olhou em volta, enquanto se apoiava ao cabo da enxada, e depois, com naturalidade, respondeu:

— Senhor, eu não sou capaz de mostrar um lugar onde Deus se encontra nesta paisagem iluminada. No entanto, eu peço ao senhor para mostrar-me um lugar onde Deus não está.

Tomado de espanto, o soberbo afastou-se desconsertado.

Deus se encontra em toda parte, onde quer que se apresente a Sua obra. Desde a sinfonia galáctica, nos espaços infinitos, até o acelerado ritmo das micropartículas em suas órbitas.

Quando os geneticistas conseguiram realizar o milagre da decodificação do genoma humano, surpreenderam-se com os bilhões de informações contidas em cada DNA, narrando toda a sua história do passado e guardando as marcas dos acontecimentos orgânicos para o futuro...

Até este momento, por mais aprofundem as reflexões e pesquisas, ainda não conseguiram detectar os fatores que levam alguns genes a mutações que irão responder por diversos processos degenerativos no organismo, e por que numa sequência familiar mantendo o padrão em determinado grupo, logo, subitamente, sem causa lógica, rompe a cadeia e apresenta uma significativa alteração…

De igual maneira, é perturbadora a formação das novas galáxias assim como o desaparecimento de outras nos buracos negros

Por mais penetre a investigação científica e tecnológica nos milagres da vida, mais lhes constata a anterioridade, a harmonia, a grandiosidade.

Nas tentativas de interpretar o cosmo, têm sido elaboradas teses contínuas, algumas frutos dos resultados adquiridos com os instrumentos de pesquisa, especialmente depois dos estudos geométricos de Kepler, no fim do século XVI, a respeito da localização dos planetas em volta do Sol, que abriram as perspectivas para melhor entender-se a Criação.

Da mesma forma, desde o modesto telescópio construído por Galileu até o avançado Hubble, novas informações são registradas a cada momento, dando lugar às variadas teorias como as dos universos paralelos, das supercordas, da unificação, da final ou de tudo e, mais recente, da desordem ou do caos… 

… E enquanto as mentes mais audaciosas analisam a ocorrência do big bang, especialmente nos seus três primeiros minutos, não poucos tentam impor a ideia da autocriação dispensando a presença de Deus, conforme ocorreu com Laplace ao ser interrogado pelo imperador Napoleão Bonaparte, quando, após ler o seu livro, encontrando-o no palácio do Louvre, informou-o que não havia encontrado nenhuma referência a Deus na sua obra: — Não necessitei dessa hipótese, senhor! – respondendo com sarcasmo, como se ele houvesse elaborado todas as respostas para explicar a Criação. E, nada obstante, encontra-se hoje quase que totalmente superada, apesar da presunção do seu autor. 

*

Tudo são bênçãos em a natureza.

O Espírito imortal, na sua saga formosa de desenvolvimento dos tesouros inabordáveis que lhe jazem em germe, etapa após etapa acumula experiências e conhecimentos que o levam a louvar, a agradecer e a pedir a Deus ajuda para melhor integrar-se na harmonia da Criação. 

Penetrando, pouco a pouco, a sua sonda perquiridora do raciocínio no organismo da vida exuberante, vai encontrando as respostas que o engrandecem e lhe facilitam o entendimento em torno dos objetivos essenciais da pequena existência terrena, ambicionando a grandeza estelar. 

Observa a ordem em todas as coisas e o equilíbrio das leis universais e morais, sentindo-se compelido a contínuas alterações de entendimento, conforme os resultados obtidos no seu empenho de crescimento intelecto-moral.

É perfeitamente natural que, em cada época, conforme o desenvolvimento dos valores intelectivos, o ser humano, em sua ânsia de decifrar as incógnitas que encontrava em toda a parte, procurasse entender Deus e submetê-Lo ao crivo da sua dimensão ridícula.

O esforço redundou nas conceituações primárias em torno do Criador, limitando-O à sua capacidade de compreensão, estabelecendo normas que O diminuíssem aos limites das condições precárias da razão em desenvolvimento, facultando o surgimento dos deuses, como verdadeiros inevitáveis arquétipos defluentes do seu avanço pela escala evolutiva.

Do Deus bárbaro e vingativo, imprevidente e humanoide, lentamente passou com Jesus Cristo à condição de Sublime Pai, num conceito afetuoso e ainda humano, porém compatível com a humana capacidade de vivenciá-Lo no seu dia a dia. 

Com o advento da ciência, com o desdobramento da filosofia, rompendo as barreiras do passado e facultando a libertação de conceitos que foram deixados porque portadores de rebeldia e de pessimismo, nova compreensão da Sua magnitude tomou lugar na esfera das reflexões e o materialismo surgiu como sendo a fórmula mágica para tranquilizar as mentes incapazes de penetrar nas abstratas concepções em torno Dele.

Na atualidade, ainda vestido de mitos e de absurdos, dominado por paixões nacionais e políticas, crendices e ritualismos, permanece vitorioso em cultos externos que não resistem às profundas análises da lógica nem da razão, servindo de ópio para as massas, que o autoritarismo religioso de algumas doutrinas ortodoxas ou ingênuas ainda submetem.

Essa Inteligência criadora que precede ao big bang permanecerá por tempo indeterminado não entendida em todos os seus aspectos, pois que, se o fosse, já não seria a Causalidade, cedendo seu lugar ao ainda mesquinho ser humano que ensaia os seus primeiros passos na compreensão da sua própria realidade.

Vivendo mais por automatismo e acreditando por condicionamentos como bem viver e melhor ser feliz, o ser humano em evolução não dispõe da capacidade de abarcar a Natureza da natureza, somente para satisfazer a sua ambição intelectual.

Desse modo, mesmo quando não entende Deus, sente a Realidade em tudo e percebe-se mergulhado nesse Oceano de harmonia que o comove e não lhe permite estabelecer se Deus está nele ou se apenas é…

*

 Quando alguém perguntou ao eminente cientista Jung se ele acreditava em Deus, ele teria respondido com simplicidade:

Eu não acredito. Eu sei… 

Saber é para sempre enquanto crer é transitório.

As bênçãos de Deus inclusive se encontram na capacidade fantástica de o ser humano poder pensar, entender e aprofundar reflexões, conseguindo conquistar a gloriosa oportunidade de saber e transformar em utilidade pelos instrumentos de que se utiliza para penetrar no macro e no microcosmo, mas acima de tudo no Psiquismo gerador do universo e da vida.

Vive de tal forma que te encontres perfeitamente em sintonia com as bênçãos de Deus onde te encontres e diante do que faças, até poderes afirmar um dia, conforme Jesus elucidou: 

— Eu e o Pai somos um…

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Entrega-te a Deus

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mediunidade nobre

Mediunidade nobre

Ignotus

Imagem gerada por IA

Tratava-se de uma sessão de clarividência e psicometria em respeitável Sociedade Espiritualista parisiense.

Sobre a mesa, diante da médium, respeitável senhora em cujo rosto sereno havia uma moldura de nobreza moral, encontravam-se fotografias, objetos de uso pessoal e pequenas bijuterias com o fim de facultar-lhe a percepção paranormal.

Havia uma expectativa compreensível, na sala repleta, onde minutos antes, outro médium, de procedência estrangeira, proferira palpitante conferência espírita que sensibilizara o auditório, ainda comovido, que o fora ouvir.

A médium, igualmente tocada, referiu-se à favorável psicosfera que pairava no ambiente, como decorrência das imagens mentais produzidas pelo orador que, reiteradas vezes, exaltara a vida e a obra de Allan Kardec, o missionário de Jesus, encarregado de Codificar o Espiritismo, trazendo de volta o Cristianismo sem jaça, liberado dos artifícios com que a ortodoxia religiosa o obumbrara através dos séculos.

Após agradecer a contribuição espiritual e doutrinária que o orador trouxera à assistência, deu início à sua tarefa.

Visivelmente inspirada, em transe parcial, no qual transparecia a interferência dos Espíritos sérios, a intermediária identificou e transmitiu mensagens de desencarnados aos seus familiares sob emoção crescente do público.

Passando à psicometria, tomou de vários pequenos objetos, descreveu os seus possuidores, referiu-se a problemas de saúde de alguns, deu conselhos morais.

Quando tocou um chaveiro, corou, subitamente, dilataram-se-lhe as pupilas e ela, com alguma veemência, invectivou o seu dono para que não levasse adiante o plano que ora arquitetava e dera início à sua execução. Convidou-o a mudança de comportamento em relação à pessoa, sua vítima em potencial, orientou-o.

Irritado, o consulente reagiu, fazendo-se agressivo.

A dama, porém, segura do dever que lhe dizia respeito, não se desequilibrou.

Na primeira oportunidade, no entanto, esclareceu:

— Dedico-me à mediunidade há muitos anos, por amor ao meu semelhante, sem dela fazer negócio de qualquer natureza. Trabalhei, na minha profissão anterior, por árduos anos, até aposentar-me, de modo a não necessitar de vender as minhas faculdades psíquicas. Por isso, sempre adotei o sistema de dizer o que é justo e não só o que agrada. Não brinco neste ministério, que considero grave e digno, nele investindo os meus melhores recursos, minhas reservas de energia e de abnegação.

Fez uma pausa, concatenando as ideias e concluiu, igualmente inspirada:

— O orador referiu-se que Allan Kardec nos convidou à razão, ao livre exame, à procura honesta, elucidando que “seria melhor desprezar nove entre dez verdades, a aceitar uma só mentira”. Porque não cobro dinheiro, com a obrigação de elogiar os pagantes, não temo orientá-los com os recursos da verdade, que logro constatar.

O público, anuindo, aplaudiu-a, enquanto ela prosseguiu, tranquila, no seu mister até a hora do encerramento.

Em qualquer lugar a verdade tem o seu lugar.

A verdade liberta e nunca se submete.

Para ser verdadeira, a mediunidade deve ser exercida com gratuidade, coerência e dignidade, sem o que se corrompe e se envilece.

A fim de alcançar esse desiderato, o conhecimento da Doutrina Espírita se lhe faz indispensável.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Seara do Bem

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

A porta de entrada

A porta de entrada

Joanna de Ângelis



O processo da reencarnação tem, no berço, a sua porta de entrada, aureolada pelas bênçãos do amor de Deus.

Aí prosseguem os compromissos e cuidados de todo um projeto que teve início antes da fecundação e que não se acabará quando ocorrer a morte do corpo.

Através desse admirável mecanismo - o do renascimento — o berço passa a ensejar aos recomeçantes da experiência carnal: crescimento intelecto-moral; reparação de faltas que lhes pesam na economia espiritual; refazimento do caminho, antes percorrido com insensatez; edificação de propósitos superiores no mundo íntimo; esquecimento do mal, a fim de adaptar-se ao bem; aprendizagem das leis de amor que lhe vigem no imo, ainda desconsideradas; aproximação de adversários para a ampliação da comunidade fraternal; conquista da família-provação ou missão, de acordo com os títulos de enobrecimento ou de débito que se possuam; testes de paciência, de modo a compreender-se a grandeza do tempo sem limite; desdobramento de recursos que jazem adormecidos, e que, diante dos ensinamentos humanos, desatam ramos carregados com os tesouros de sabedoria e de luz...

A porta de entrada é a resposta da Vida, em misericórdia aos náufragos da vida.

O Espírito foi criado pelo Amor para a glória estelar.

O trânsito pelas vias do progresso enseja-lhe a explosão de todos os germes que lhe dormem, inatos, aguardando o momento para a fecundação.

Cabe ao homem inteligente investir no berço os seus mais valiosos esforços, de maneira a formar uma família equilibrada e sábia.

Esta representa a célula fundamental do organismo social, que se torna a consequência natural desse conglomerado de unidades que se necessitam...

Em tal cometimento, o amor, o conhecimento das suas finalidades, a responsabilidade e o respeito entre os seus membros tornam-se de vital importância para que sejam logrados os objetivos para os quais é constituída.

Mais do que o lugar para a permuta de hormônios e prazeres, de ternuras e afetos dos cônjuges, é o reduto-santuário-escola para os filhos, que devem tornar-se a meta primeira da união conjugal.

Quando o lar se engrandece com a presença de filhos, a família educada no bem, e esclarecida, programa, por automatismo, a sociedade e o futuro melhor da Humanidade...

Para que se consigam os resultados opimos, a educação desempenha papel de primacial importância, conscientizando os indivíduos sobre as razões pelas quais se encontram na Terra e preparando-os para as realizações do lar, da família, seu pequeno mundo, preparatório do Mundo Maior.

*

Em uma manjedoura, que soube honrar, Jesus encontrou a porta de entrada para conquistar os corações e cantar as glórias do Pai, ensinando o inconfundível poema do amor que liberta e felicita.

Santifica, deste modo, essa porta, a fim de que esplenda, rica de luz, mimetizando, com a majestade da sua realização, todos quantos por ela passem em direção à vida física.

Enobrece o berço hoje, para que, antes do túmulo, amanhã, a criatura em jornada te bendiga.

Recorda, por fim, que, se o berço é a excelente porta de entrada
para a reencarnação, o túmulo é a porta de saída, pela desencarnação, após o que a tua consciência e a Divina Justiça te chamarão a contas.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Momentos de Coragem

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Guias Espirituais

Guias Espirituais

Joanna de Ângelis



Nunca se cansam de inspirar e socorrer.

Jamais abandonam os seus pupilos ou desistem da ação de beneficência ao lado deles.

Sempre se utilizam das menores ensanchas para incutir as ideias felizes e o bem operante.

Vigilantes, são o apoio no desfalecimento, a coragem no receio e a força no momento do desânimo.

Não estimulam à insensatez, nem emulam à vaidade ou ao orgulho venenoso.

Discretos, passam, às vezes, despercebidos, porém, estão sempre presentes.

Generosos, não descuram a disciplina ou a energia.

Gentis, invectivam contra o erro, admoestando com carinho, todavia, com decisão.

Caridosos, perseveram até a exaustão que não atingem, porque
se renovam no amor de Deus, que nunca lhes falta.

*

Assumem o compromisso de apoiar, antes que se inicie a experiência carnal do tutelado, e não o encerram, nem sequer quando se rompem os liames corporais.

Alteram as técnicas de socorro, conforme a ocasião e as necessidades.

Repetem o discurso de amor e de proteção mil vezes, apresentando entonação nova e cordial.

Não se exasperam, tampouco mantêm-se em conivência.

(...) São os Guias Espirituais da criatura humana.

Ninguém, na Terra, que se encontre sem a proteção deles em nome de Deus.

São anjos guardiães, operosos e nobres, que intercedem, respaldam e guardam os homens, protegendo-os das imperfeições que lhes afeiam o caráter e para cuja purificação retornaram à reencarnação.

Haja o que houver, mesmo que repelidos e maltratados, não desprezam os protegidos rebeldes, que mais amam, propiciando-lhes, em diversas ocasiões, o benefício do sofrimento que os desperta para as realidades maiores.

Sabendo que a dor é o método mais eficaz além do amor, propiciam-na, confiando que o buril lapidador realizará o milagre de limar as arestas e liberar a gema preciosa, que é o Espírito adormecido na ganga da ignorância e da perversidade.

*

Se pretendes alcançar as estrelas, voar livre na amplidão, sonhar e viver o amor sem limite, faze silêncio interior e ouvirás os teus abnegados Guias Espirituais, que vêm aguardando a tua decisão de felicidade, desde há muito, e estão prontos a distender-te as mãos angélicas e salvadoras.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Momentos de Coragem

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