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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mediunidade nobre

Mediunidade nobre

Ignotus

Imagem gerada por IA

Tratava-se de uma sessão de clarividência e psicometria em respeitável Sociedade Espiritualista parisiense.

Sobre a mesa, diante da médium, respeitável senhora em cujo rosto sereno havia uma moldura de nobreza moral, encontravam-se fotografias, objetos de uso pessoal e pequenas bijuterias com o fim de facultar-lhe a percepção paranormal.

Havia uma expectativa compreensível, na sala repleta, onde minutos antes, outro médium, de procedência estrangeira, proferira palpitante conferência espírita que sensibilizara o auditório, ainda comovido, que o fora ouvir.

A médium, igualmente tocada, referiu-se à favorável psicosfera que pairava no ambiente, como decorrência das imagens mentais produzidas pelo orador que, reiteradas vezes, exaltara a vida e a obra de Allan Kardec, o missionário de Jesus, encarregado de Codificar o Espiritismo, trazendo de volta o Cristianismo sem jaça, liberado dos artifícios com que a ortodoxia religiosa o obumbrara através dos séculos.

Após agradecer a contribuição espiritual e doutrinária que o orador trouxera à assistência, deu início à sua tarefa.

Visivelmente inspirada, em transe parcial, no qual transparecia a interferência dos Espíritos sérios, a intermediária identificou e transmitiu mensagens de desencarnados aos seus familiares sob emoção crescente do público.

Passando à psicometria, tomou de vários pequenos objetos, descreveu os seus possuidores, referiu-se a problemas de saúde de alguns, deu conselhos morais.

Quando tocou um chaveiro, corou, subitamente, dilataram-se-lhe as pupilas e ela, com alguma veemência, invectivou o seu dono para que não levasse adiante o plano que ora arquitetava e dera início à sua execução. Convidou-o a mudança de comportamento em relação à pessoa, sua vítima em potencial, orientou-o.

Irritado, o consulente reagiu, fazendo-se agressivo.

A dama, porém, segura do dever que lhe dizia respeito, não se desequilibrou.

Na primeira oportunidade, no entanto, esclareceu:

— Dedico-me à mediunidade há muitos anos, por amor ao meu semelhante, sem dela fazer negócio de qualquer natureza. Trabalhei, na minha profissão anterior, por árduos anos, até aposentar-me, de modo a não necessitar de vender as minhas faculdades psíquicas. Por isso, sempre adotei o sistema de dizer o que é justo e não só o que agrada. Não brinco neste ministério, que considero grave e digno, nele investindo os meus melhores recursos, minhas reservas de energia e de abnegação.

Fez uma pausa, concatenando as ideias e concluiu, igualmente inspirada:

— O orador referiu-se que Allan Kardec nos convidou à razão, ao livre exame, à procura honesta, elucidando que “seria melhor desprezar nove entre dez verdades, a aceitar uma só mentira”. Porque não cobro dinheiro, com a obrigação de elogiar os pagantes, não temo orientá-los com os recursos da verdade, que logro constatar.

O público, anuindo, aplaudiu-a, enquanto ela prosseguiu, tranquila, no seu mister até a hora do encerramento.

Em qualquer lugar a verdade tem o seu lugar.

A verdade liberta e nunca se submete.

Para ser verdadeira, a mediunidade deve ser exercida com gratuidade, coerência e dignidade, sem o que se corrompe e se envilece.

A fim de alcançar esse desiderato, o conhecimento da Doutrina Espírita se lhe faz indispensável.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Seara do Bem

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Insucesso aparente

Insucesso aparente

Ignotus


A viagem aérea transcorria tranquila.

Os dois passageiros iniciaram a conversação sem maior profundidade.

- As viagens aéreas fazem-me mal. Elucidou um, sinto-me nervoso, muito tenso.

- Não lhe dê maior importância. Isto ocorre, certamente, porque você vive inquieto.

- Sem dúvida. Agora mesmo estou vivendo momentos cruciais...

- Não só agora. Sua vida tem sido áspera. Suas conquistas se dão após imenso esforço e você vem atingindo as metas a penates de sacrifício...

- Como sabe? Em verdade penso insistentemente em suicidar-me. Sou um engenheiro químico fracassado. Perdi o meu primeiro emprego e não consigo outro. Retorno à casa com mais um insucesso... A ideia de autodestruição me atormenta e é - me a única saída. Tenho esposa e um filhinho...

- E crê que solucionará o seu caso? Não será uma crueldade deixá-los à mercê de si mesmos, eles que contam com você? Além disso, não se engane: A morte abre as portas da vida e você continuará a viver, certo que em condição pior...

O estranho falou-lhe, infundiu-lhe ânimo.

- Como o senhor pode ter tanta paz e conhecimento da pessoa humana?

- Sou espírita militante e compreendo que a felicidade depende de como cada criatura se comporta em relação à vida.

Detalhou-lhe as bases da crença, as experiências, os estudos espiritistas.

- Que deverei fazer, a fim de livrar-me destes problemas?

- Primeiro, recorde-se de que os insucessos externos são sempre aparentes e graves aqueles de natureza interior, as atitudes que mantemos contra o próximo e nós mesmos: vícios, erros, compromissos morais negativos. Depois, tome contato com a Doutrina Espírita. Formule um programa de renovação interior e viva-o.

- Por exemplo?

- Estabeleça: eu sou forte em Jesus e n’Ele tudo posso.

Hoje faz sol eu sempre tenho sol em mim.

Quem aceita o desânimo já se encontra a caminho do fracasso.

O otimismo deve ser-me uma atitude interior.

Confio no bem, porque o bem é sempre bom.

Por enquanto estou colhendo. Não cessarei de semear. Assim fazendo recolherei bênçãos mais tarde.

Não temerei nada. O receio em coisa alguma ajuda.

Sou um homem de valor. Assim lograrei minhas metas.

O insucesso é experiência, lição que ensina o que não deverei fazer.

Em qualquer circunstância distribuirei alegria e esperança.

Como vê são pequenas regras, cheias de simplicidade e estímulo.

Aplique-as na vida diária. Não espere o êxito agora ou amanhã, porém mais tarde.

- Como agradecer-lhe? Estamos chegando. O senhor colocou vida e sol em minha existência. Bendigo a Deus esta viagem.

- Certamente. Ante este êxito você constata que o seu aparente insucesso enseja-lhe experiência nova. Felicidades!

*

Você possui algo com que pode ajudar.

Não se escuse fazê-lo.

Ao seu lado, desconhecido, há alguém necessitando de sua cooperação. Tente doá-la.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Espelho Dalma

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Desespero

Desespero

Ignotus


Imagem gerada por IA

Pisoteada, involuntariamente, no transporte coletivo, por invigilância de um passageiro, a dama religiosa feria com a lâmina da língua.

Xingava.

Reclamava.

Chorava.

Não se vendo repelida, desabafou:

- Covarde! Nem sequer se desculpa. Se eu fosse um homem...

Mas, fitando, encolerizada, o agressor inconsciente que se demorava silencioso, percebeu que o seu antagonista era surdo-mudo.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Panoramas da Vida

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sábado, 4 de abril de 2026

Jesus e o observador

Jesus e o observador

Ignotus



Quem o visse cercado pela multidão, em cuja face estavam as marcas iniludíveis do desconforto, das aflições e das ansiedades, talvez ficasse à distância, sem ter a menor ideia do que Ele pudesse fazer àquelas gentes.

Quem o visse exprobrando a conduta reprochável dos maus sacerdotes infelizes governantes, certamente recearia, afastando-se do círculo em que Ele estava.

Quem O acompanhasse pelas longas viagens, sempre cercado pelas dores do povo, sem agasalhos nem alforjes, sob a canícula ou as chuvas, suporia estar ao lado de um visionário, um sonhador.

Quem se detivesse no exame das Suas palavras renovadoras, em dias de rapina e crueldade, entoando Salmos de amor e esperança, evitaria a participação no grupo que Ele compunha, receando consequências.

Quem penetrasse no círculo mais íntimo dos que O seguiriam, dominados pelo magnetismo dEle, suporia estar entre fanáticos que pretendesse lutar contra tudo, afervorados pela implantação de um Reino impossível.

Quem, todavia resolvesse mergulhar na Sua Aura, reflexionando demoradamente os conceitos que Ele emitia, sentindo as angústias das multidões que Ele saciava com o verbo divino, seguindo-O pelas trilhas da compaixão e da misericórdia, vivendo as esperanças que Ele acenava em relação aos dias do futuro e se facultasse senti-Lo no imo do coração, amá-Lo-ia por certo, entregasse totalmente ao mistério da fraternidade até a imolação, como parte essencial da Era Nova que Ele iniciava, mas que somente se concretizaria nos confins dos tempos futuros.

Jesus não é uma mensagem de uma época, um tempo uma Civilização.

É o pão de sustento do século, a água refrescante das eras e a esperança modelar de todos os povos. Segurança do mundo moderno, é o Luzeiro em cuja claridade solar todas as trevas se dissipam, a aquecer por todo o sempre sofrido coração do espírito humano desejoso de felicidade, de plenitude da paz.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Espelho Dalma

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sábado, 28 de março de 2026

A coisa mais importante

A coisa mais importante

Ignotus



A prisão feminina recebia o orador espírita por primeira vez.

As mulheres condenadas a períodos diversos e nunca inferiores a seis anos encontravam-se desagradadas, face ao impositivo compulsório de estarem presentes a palestras.

Rostos contraídos, lábios em ríctus, enfado ...

O orador foi apresentado pela Diretora em considerações breves.

Concedida a palavra, ele propôs uma pequena “estória com interferência”, a fim de motivar as assistentes.

Logrou o intento.

Modificou-se o ambiente.

O tema era a felicidade.

Argumentos leves e significativos, assuntos do dia a dia chamados para dar melhor ênfase ao tema, quando, perguntou:

- “Qual a coisa mais importante na vida?”

A indagação tomou as espectadoras de surpresa. Silêncio geral.

Uma voz acanhada respondeu do fundo da sala: - “O amor”.

Outra disse: - “A liberdade”.

Alguém afirmou: - “O dinheiro”.

Outrem postulou: - “A saúde”.

As opiniões se multiplicaram e ele as ouviu sem comentar.

Quando se fez novo silêncio, ele considerou:

- “Para mim a coisa mais importante na vida é a paz de espírito”.

“O amor vem e vai, quando não se tem paz”.

“Se a liberdade fosse importante, ninguém estaria aqui, pois que tudo faria a fim de não a perder. Aliás, a verdadeira liberdade é interior. Pode-se estar no cárcere, sendo inocente, permanecendo-se livre e estar-se na rua preso aos vícios e paixões...”

“O dinheiro compra muita coisa menos a paz. A saúde pode ser perdida pela nossa negligência e aí estão os exemplos dos que derrapam nos excessos, nas dissipações e a malbaratam...”

Uma grande expectativa pairava no ar.

Depois de um momento de reflexão, ele prosseguiu:

- A verdadeira paz dá felicidade, porque decorre de uma conduta reta - sem erros a ressarcir -, de um coração pacífico - sem mágoas nem paixões -, de uma consciência tranquila - que é o resultado das outras aquisições.

“Jesus nos ensinou a usar as coisas, as posses, sem depender delas; a viver o amor sem o corromper; a resguardar a saúde, a fim de preservá-la... A paz, porém, Ele nos deu, afirmando ser uma paz que o mundo não podia dar - essa que amolenta e degrada o homem -, mas só Ele poderia conceder - a que resultar do sacrifício da abnegação e da dedicação ao bem do próximo - então, enobrecedora, permanente. Essa paz proporciona a felicidade”.

Alongou os argumentos, propôs considerações, enquanto uma paz de felicidade espiritual impregnava o ambiente e os corações, face à música sublime dos comentários espíritas.

*

Não se afadigue pela posse das coisas. Quase sempre quem possui fica possuído pelas coisas que o atormentam.

Seja libre de amarras terrenas inundando-se da paz que o Cristo oferece aos que O servem e você desfrutará do mais importante bem da vida.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
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quinta-feira, 19 de março de 2026

Questão de prova

Questão de prova

Ignotus



- Senhor – disse o fátuo negador -, dê-me uma prova da imortalidade da alma.

O conferencista, paciente, fez um levantamento histórico do processo antropológico do homem, dos fatos e das experiências probantes da indestrutibilidade do Espírito.

A palavra erudita apresentava larga documentação científica de ontem como de hoje, quando o apressado descrente o interrompeu, informando, irônico:

- Não creio em nada disso.

- É um direito que lhe assiste – aludiu o outro – desculpe-me, porém, indagar-lhe: O senhor crê na imortalidade da alma?

- Não!

- Então, por favor, dê-me uma prova de que a alma não é imortal.

- Não posso!

- Se não o senhor não me pode provar que o espírito NÃO é imortal, deduzo que não faz, porque ele o É. Verdade? Então não lhe necessito provar a imortalidade, já que o senhor não me pode documentar o contrário.

E calaram-se.

*
É muito cômodo arremeter com duas simples palavras, contra um fato, dizendo, apenas: “Não creio”.

Difícil é documentar a negação.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Espelho Dalma

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Panoramas da Vida

Panoramas da Vida

Joanna de Ângelis


A cada instante da vida somos defrontados pelas realidades íntimas, vitalizadas demoradamente, que surgem e ressurgem denunciando nossas aparências e convidando-nos a longas reflexões.

Toda atitude mental produz um condicionamento que hoje ou depois se revela, desnudando-nos.

Escrevemos, assim, a história dos nossos dias através do comportamento físico, mental ou moral que nos permitimos. Em todas as circunstâncias a vida sempre nos surpreende com as lições de que temos necessidade, abrindo trilhas para os nossos pés, em panoramas compatíveis, na direção do futuro.

Cumpre desse modo, não desconsiderarmos as responsabilidades que assumimos perante a consciência, no sentido de elaborar a felicidade que almejamos, evitando delinquir, por mais propícias nos pareçam as ocasiões de compactuar, promover ou ser instrumentos de erros.

Caminhamos pelas rotas que nós mesmos abrimos.

O hoje reflete o ontem, e o amanhã será sempre resultado do hoje.

Pensar e agir com retidão são normas de segurança.

Dentro da vida somos o que pensamos, traduzindo na atualidade as realizações das existências pregressas.

Ignotus, o Amigo Espiritual que escreve o presente opúsculo, recolheu da experiência de infatigáveis lidadores da Seara Espírita, no Brasil, e de outras vidas alguns lances expressivos e trasladou-os para o papel com o salutar objetivo de advertir e elucidar, contribuindo cristãmente com o seu "grão de mostarda " depositado no fértil solo da Era Nova do Espírito Imortal.

São experiências que se transformam em lições, edificando outras vidas.

Instantâneos de vidas.

Vidas que retratam sabedoria.

Vidas que promovem e libertam o homem.

Vidas em outras vidas.

Vidas inspiradas na Vida de Jesus.

Meditemos nas suas lições simples e desataviadas, vazadas em conceitos formosos à luz do Espiritismo, e aprendamos com ele a fixar no recesso da alma a lição viva e atuante do bem sem limite e do amor incessante, a benefício da nossa tranquilidade.

Salvador, 2 de julho de 1970. 

Joanna de Angelis por Divaldo Franco, prefacio do livro Panorama da Vida de Ignotus.

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sábado, 7 de março de 2026

A proposta

A proposta

Ignotus



- Venho consultá-lo - falou com desmedida aflição - e, ao mesmo tempo, pedir-lhe socorro. Como você sabe, sou profundamente infeliz na minha vida conjugal, que me parece um fardo insuportável. Temo cometer um crime.

- Pense em Jesus. A claridade da fé se destina à iluminação dos caminhos absconsos do Espírito. Quase todo enlace matrimonial significa compromisso do passado, em reajustamento do presente...

- Eu sei, eu sei. No entanto, a minha taça transborda... Encontrei alguém por cujo amor seria capaz de oferecer a própria existência. Alma querida de outra vida, reencontrei-a agora. Só agora... Todavia estou disposto a qualquer sacrifício, mesmo que seja o preço da deserção do lar, e, se necessário, o abandono dos filhos... Contudo, também amo a minha esposa. Amo-a de forma diferente...

- Se a ama, ajude-a. O verdadeiro amor conjugal é aquele que surge após as chamas do desejo, quando acalmado. O reencontro com a alma querida, tardiamente, significa necessidade de adiar a comunhão que agora não poderá lobrigar. Não se podem hoje unir, por enquanto, porque não se merecem... Tudo quanto não temos é o que merecemos. Na complique mais o seu futuro, agindo na maturidade, com a precipitação da adolescência.

- Sim, eu sei. Mas me ajude.

- Como poderei fazê-lo?

- Rogue aos Espíritos, você que os vê, para que eles, que me disseram sobre a minha missão a realizar na Terra, desencarnem com a minha esposa, permitindo-me um matrimônio feliz com a outra e trazendo-m’a de volta na condição de filha amada, para os meus braços afetuosos.

- Meu irmão!... Recomponha o ciso. A sua missão, referida pelos Espíritos, deve ser aquela que a vida lhe impõe no momento: superar-se, amando o dever e renunciar à paixão física disfarçada de amor. Se você ama a jovem como diz, permita que ela seja feliz mais adiante e se felicite através da felicidade dela.

Se fora o mesmo caso com a sua esposa... Reflita!

- É pena você não me poder ajudar, é uma pena!

Este diálogo entre um jovem pregador da Doutrina Espírita e ambicioso militante dos próprios interesses, disfarçado em fervoroso profitente do Espiritismo, ocorrido após excelente exposição elucidativa do Evangelho de Jesus, traduz o estado de verdor de muitos Espíritos, na Terra.

Creem-se missionários, no entanto, não tergiversam em propor negociatas ignóbeis ao Criador.

Acreditam na Imortalidade e na Reencarnação e desejam benefícios imediatos.

Acautela-te da própria sandice e vigia as nascentes do coração donde procedem muitos males.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Panoramas da Vida

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Vinte anos depois...

Vinte anos depois...

Ignotus



O local não era dos mais apropriados. Salão de bailes acolhia habitualmente homens e mulheres sedentos de fruir sensações mais fortes. Aquela, porém, era uma noite especial. A frequência denotava outro tipo de necessidade. Era uma festa, todavia, espiritual. Ela o percebera à entrada. O movimento diversificava do habitual. Em tribuna improvisada, junto a ampla mesa, na qual se encontravam personalidades do lugar, assomou um moço, que explanou, por mais de uma hora, conceitos e lições que não estava acostumada. Sentiu-se atônita. Buscava o prazer abrasador e sentia-se atendida por aragens refazentes. Não compreendera tudo, e, todavia, percebia-se invadida por desconhecida alegria... Seguir a fila de pessoas que se congratulavam com o jovem. Entregou-se automaticamente. No curto momento, no diálogo ligeiro, desnudou-se, emocionada.

- Sou vendedora de ilusões – falou sem retoques, - Ouvindo a história da companheira de equívocos, tema central desta noite, sinto uma revelação diferente... Gostaria de conversar com o senhor, rogo-lhe ajuda, orientação...

- Conte com os nossos parcos recursos.

- Quando poderemos fazê-lo?

- Hoje... Logo mais, porquanto amanhã já não me encontrarei aqui.

- A esta hora?

- Por que não?

- Onde?

- Na residência em que me hospedo.

- Não serei recebida ali... Todos sabem quem sou...

- Se ali não houver lugar para você, positivamente, também, não haverá pra mim.

- Mas, eu sou...

- ... Uma irmã em busca da paz...

A conversa alongou-se, passando aquele momento, até a Alva, no lar fraterno que os recebeu. Concluída a entrevista, o evangelizador, orando, rogou ajuda para ela. Vinte anos depois, em outro Salão, agora, num Educandário na mesma cidade, o expositor espírita encerrava outra conferência.

- O senhor não se recordará de mim!

- Realmente.

- Eu sou a “vendedora de ilusões”, que há vinte anos atrás o escutou nesta cidade... “Encontrei Jesus naquela noite”... E após reflexionar:

- No dia imediato abandonei o local em que me hospedava e transferi residência para uma rua modesta, dando novo rumo à existência.

- Louvado seja Deus!

- Não é tudo. Antigo Companheiro informado da minha renovação buscou-me. Asseverou-se amar-me. Visitou-me com nobreza reiteradas vezes. Propôs-me matrimônio...

- Não lhe exijo amor – expôs -, rogo-lhe respeito e consideração.

Amar-me-á depois. Enxugou a face lavada pelo pranto.

- Consorciamo-nos – prosseguiu. – Face a impossibilidade de tornar-se mãe, resolvemos adotar uma criança cada dois anos, qual fosse nosso próprio filho. Já temos oito criaturas admiráveis em nosso lar... Venho agradecer-lhe a luz que acendeu no velador da minha alma.

- Agradeçamos ambos a Deus. Apresentou o esposo e os dois “filhos” mais velhos entre sorrisos e partiu. Orando em lágrimas, naquela noite o expositor, reconheceu ao Pai, o primeiro encontro há vinte anos atrás...

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Espelho Dalma

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- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.