quinta-feira, 2 de julho de 2026

O segredo da juventude

O segredo da juventude

Irmão X.


Formoso Anjo da Justiça, na Balança do Tempo, recebia pequena multidão de Espíritos recém-desencarnados na Terra.

Eram todos eles pessoas maduras, em torno das quais o Ministro da Lei deveria emitir um juízo rápido, como introdução a mais ampla análise, assim como um magistrado terreno que, na fase inicial de um processo, pode formular um despacho saneador.

Velhos gotosos e dementados, abatidos e caquéticos, demonstrando evidentes sinais de angústia, congregavam-se ali, guardando os característicos das enfermidades que lhes haviam marcado o corpo.

Muitos choravam à feição de crianças medrosas, outros comprimiam o coração com a destra enrijecida, ao passo que outros muitos se erguiam com imensa dificuldade, arrastando-se, trêmulos...

As sensações da carne ferreteavam-lhes o íntimo, detendo-lhes o ser nas amargas recordações que traziam do mundo.

Conduzidos a exame, sob a custódia de benfeitores abnegados, acusavam essa ou aquela diferença para melhor, recebendo uma folha explicativa para o início das novas tarefas que os aguardavam no plano Espiritual.

Agora, era um psicopata recobrando a lucidez; depois, era um hemiplégico retomando o equilíbrio...

Entretanto, os traços da velhice corpórea perseveravam quase intactos, decerto, longo tempo na vida nova para serem devidamente desintegrados.

Em derradeiro lugar, no entanto, aproximou-se do Anjo pobre velhinha, humilde e triste.

Os cabelos de prata e as rugas que lhe desfiguravam o rosto denunciavam-lhe aproximadamente oitenta anos de luta física.

Trazida, contudo, à grande balança, oh! divina surpresa!... De anotação em anotação, fazia-se mais jovem, até que, abençoada pelo sorriso do Aferidor Angélico, a estranha anciã converteu-se em bela menina e moça, nos vinte anos primaveris.

Toda a assembleia vibrou de felicidade, ante o quadro inesquecível.

Intrigado, abeirei-me de antigo orientador e perguntei pela razão da inesperada metamorfose.

O esclarecido mentor pediu a ficha da celestial criatura, para socorro de minha ignorância, e, na folha branca e leve, pude ler, admirado:

Nome - Leocádia Silva

Profissão – Educadora

Existência Terrestre – 701.280 horas

Aplicação das Horas:

Serviço de autoassistência para a justa garantia no campo da evolução:

1) Mocidade Laboriosa                                                  175.200
2) Magistério digno                                                         65.700
3) Alimentação e higiene                                               43.800
4) Estudo proveitoso e atividades religiosas              41.900
5) Repouso necessário ao refazimento                      109.500
Serviço extra, completamente gratuito, em favor do próximo:
1) Devotamento aos necessitados                                  85.100
2) Movimentação fraterna em missões de auxíli0     32.840
3) Noites de vigília em solidariedade aos enfermos  33.000
4) Conversação sadia no amparo moral genuíno       54.750
5) Variadas tarefas de caridade                                      59.490

Total – Horas                           701.280

- Compreendeu? – disse-me o orientador, sorridente.

E, ante o meu insopitável assombro, concluiu:

- Quem dá o seu próprio tempo, a benefício dos outros, não conta tempo na própria, idade no sentido de envelhecer. Leocádia cedeu todas as suas horas disponíveis no socorro aos irmãos do mundo. Os dias não lhe pesam, assim, sobre os ombros da alma...

Meu interlocutor afastou-se, lépido, para felicitar a heroína, e, contemplando, enlevado, o semblante radioso do Mensageiro Sublime que presidia à Grande reunião, compreendi o motivo pelo qual os Anjos do Amor Divino revelam em si a suprema beleza da juventude eterna.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Enquanto há paz

Enquanto há paz

Eros


 
Enriquece-te de amor.
Sai a semear a luz da esperança,
Onde se adensa A sombra
E se demora o desespero...

Abre valas na terra áspera dos corações
E sulca o leito dos córregos
Para que estes espraiem a vida
Rica de flores, e colorida.
Em luxuriante verdor das margens...

Acompanha com os olhos irisados de luz
As verdes e belas campinas Salpicadas de cores.
Abençoados por miosótis azuis,
Respingadas por amores-perfeitos.
Sem defeitos.
Adornadas de boninas...

Esquece as dores,
Deixa de lado a amargura.
Volve à candura.
Refreia a revolta
Enquanto há paz...

A guerra está de férias;
Os instrumentos de destruição
Permanecem nos museus, no chão.
Longe dos destroços que produzem.

Segue, então, o pássaro ligeiro.
Prossegue alvissareiro.
Dominado pelo amor.
Atende ao cordeiro que pasta ao lado do chacal
E à rebelião que, morrendo, ao bem distende a mão...

Não te afadigues pensando no mal.
Conserva o encanto
Do serviço — o teu fanal —
Junto ao teu irmão.

Está decretado
Que o bem é vida
E a caridade bem vivida
É alma da fé...
Enquanto há paz.

Dilata a ação da bondade Não relaciones desfavores,
Nem engodo,
Nem malogro,
Nem doto,
Nem desamores...

Abre-te em festa
E canta a ligeira lição do serviço
Que renova a erma paisagem
Do continente das almas ressequidas.
Renovando as vidas
Cansadas de esperar...
Enquanto há paz.

Sustenta a confiança.
Promove a abastança.
Transforma pântano em jardim.
Impõe à enfermidade seu fim 
Como tragédia...

Acende estrelas na noite sombria,
Diminui a angústia em cada alma
Todo dia,
E, desdobrando bênçãos e calma.
Evitarás futuras guerras.
Enquanto há paz.

Um dia, o amor
Vestiu-se de homem.
Dignificou singelas sementes.
Honrou as redes do mar,
Cantou o valor de uma dracma,
Entreteceu considerações felizes
Nos rubros entardeceres
E pálidos amanheceres,
E dando-se.
Pereceu numa Cruz
Que se faria sublime ponte de luz...

No entanto, para que permanecesse a paz
Volveu aos homens,
Numa linda madrugada,
A fim de que jamais
Desaparecesse do humano coração
A suave e doce presença da paz.

Em paz,
Esquece a destroçada guerra
No repouso permanente do museu.
Abominada, olvidada,
Para que, abandonada e vencida
Não volva nunca mais.

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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terça-feira, 30 de junho de 2026

A negação do impossível

A negação do impossível

Augusto Silva



O Excelso Criador consubstancia a Possibilidade Infinita para todas as direções, em qualquer setor de trabalho.

Toda edificação aparentemente inexequível aos nossos olhos é obra viável desde que atenda às normas das Leis que nos garantem a liberdade no rumo do Bem Eterno.

Daí o imperativo justo de nos conservarmos fiéis aos compromissos e deveres identificados em nosso passo, confiantes na Sabedoria infalível que nos concede isso ou aquilo conforme a intenção que nos guia impulsos e a perseverança que demonstremos no serviço a fazer.

Não nos cabe indagar quanto ao futuro sem abraçar as tarefas que o presente nos descortina.

Imperioso permanecer em ação, preservando a consciência à luz da esperança, sempre que dificuldades e empecilhos nos enriqueçam o aprendizado, ampliando nos o entendimento da Vontade Superior para executar-lhe os desígnios.

Somos chamados à irremovível certeza na vitória da Providência, que nos brinda incessantemente com o melhor para as nossas almas, segundo o melhor que oferecemos aos semelhantes.

Sintonizados com a Direção da Vida, nossas fronteiras do possível alcançam os continentes do Ilimitado.

Deus é a negação do impossível, por isso, disse Jesus:

- “As coisas que são impossíveis aos homens, são possíveis a Deus”.

Resta-nos, assim, agir com serenidade, relegando ao esquecimento os pruridos de inconformidade que nos despontem no coração, buscando elastecer o rendimento dos próprios atos, na sementeira do bem, porquanto o Pai de Justiça e de Amor, vela por todas as criaturas na onisciência perfeita e na infinita bondade.

Antes a doença, confia.

Frente ao fogo da provação, acalma-te e pensa.

Ante o transe difícil, pondera.

O auxílio superior surge sempre.

Estuda a razoabilidade dos teus temores, à face das próprias atividades e reconhecerás, a breve tempo, que bastas vezes, onde julgamos estar o infortúnio suscetível de trazer-nos desespero e falências, situam-se-nos a incompreensão ou a teimosia que nos impelem simplesmente a fugir do bem que nos procura do Alto.

Augusto Silva do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bem e mal

Bem e mal

Marco Prisco


Imagem gerada por IA.

O bem propõe. O mal impõe.

O bem é luz. O mal é treva.

O bem é saúde. O mal é enfermidade.

O bem é esperança. O mal é punição.

O bem produz. O mal destrói.

O bem ama. O mal odeia.

O bem facilita. O mal dificulta.

O bem inspira. O mal conspira.

O bem ampara. O mal expulsa.

O bem vive. O mal passa.

O bem é vida e a vida permanece.

O mal é morte e, assim sendo, passa, porquanto o mal resulta da ausência do bem, que ainda não logrou domar o instinto nem santificar a razão. O mal, portanto, maior, é sempre para quem o faz, por torná-lo mau. O bem, que é de Deus, também é sempre melhor para quem o faz, porquanto liberta e alça quem o pratica à vida sem fim, sem limite.

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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domingo, 28 de junho de 2026

Podia ser pior

Podia ser pior

Hilário Silva


Imagem gerada por IA

O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.

Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.

Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espírita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces...

Inquirido por Filgueiras, começou a explicar-se:

– Imagine você que minha infelicidade começou quando o meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre...

– Mas podia ser pior! – falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.

– Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me...

– Podia ser pior... – atalhou Filgueiras.

– O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recurso, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis...

– Podia ser pior...

– Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me com amargas palavras...

– Podia ser pior...

– Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.

– Mas podia ser pior... – acentuou Filgueiras, calmo.

O outro sorriu, mal-humorado, e objetou:

– Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão... Que podia ser pior, Filgueiras?

O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente :

– Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho em que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa...

O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.

Hilário Silva do livro: 
A Vida Escreve por Chico Xavier / Waldo Vieira

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sábado, 27 de junho de 2026

Doentes

Doentes

Scheilla


Doentes, sim, os há da mais vária espécie, que portam enfermidades pelo prazer de as carregar.

Senão, vejamos:

o invejoso é doente contumaz do coração;

o maledicente é doente pertinaz da língua;

o caluniador é doente do espírito;

o despeitado é doente do sentimento;

o malicioso é doente da virtude;

o negligente é doente do dever;

o avaro é doente da bondade;

o déspota é doente da afeição;

o mentiroso é doente do equilíbrio.

Existem, igualmente, os doentes cujos achaques estão sempre ao alcance a qualquer hora.

Há o achaque do estômago, ante a mesa farta;

há o achaque do coração ante recursos de médicos vários;

há o achaque dos rins, ante trabalhos a executar;

há o achaque das vias respiratórias, ante conforto e casa de campo;

há o achaque da insônia, sobre colchões de suave espuma;

há o achaque das carnes flácidas ante cosméticos e massagens;

há o achaque do fígado ante ociosidade e repouso;

há o achaque da cabeça ante despreocupação e comodidade;

há o achaque das alegrias, ante exames e testes, tratamentos e orientações médicas;

há o achaque do cansaço ante serviçais e comandados...

Muitos carregam doenças por prazer de serem infelizes e outros são infelizes porque se não querem libertar das doenças.

Alguns possuem achaques e dores, porque dispõem de horas vazias e possibilidades mal aplicadas, e todos, reunidos, constituem a grande legião que bate à porta do Evangelho a pedir, mas não abrem a porta do coração para o Evangelho entrar.

Aquele que em Jesus encontrou a porta, penetra-a; quem O encontrou, guarde-O e siga-O, e "nenhum mal lhe acontecerá".

Scheilla  por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

A guerra (Em torno da guerra)

A guerra (Em torno da guerra)

Emmanuel


Imagem gerada por IA

A guerra será um desequilíbrio determinado por Deus?

Em hipótese alguma. Deus poderia ser considerado como autor de desequilíbrios, quando constitui para nós outros a Harmonia Suprema?

O flagelo da destruição representa o mais alto desequilíbrio dos homens. Constituem seus instintos ferozes desencadeados, sua criminosa indiferença para com os poderes Eternos, a resultante da tirania de suas leis.

Busquemos figurar a solução para entendimento mais vasto. 

O planeta é uma grande escola onde o espírito humano efetua um curso de aperfeiçoamento. O Senhor do Universo permite que os alunos organizem os regulamentos do enorme educandário, à sombra de Suas Leis inelutáveis. Eis que os discípulos se revoltam, disputam hegemonias injustificáveis, encarceram-se em suas concepções absurdas no capítulo da política, da filosofia, da religião. Surgem os atritos imensos. Depois do império da ambição, é o império da morte.

Quem poderia atribuir a Deus a desarmonia destruidora?

Contra os que ousassem afirmá-lo, teremos a visão permanente das Leis Eternas, junto às quais Deus não permitiu a intervenção dos filhos inquietos. Por mais que as nações se empenhem os embates sangrentos, o sol continuará prestando benefícios a todos, indistintamente; o frio e a chuva chegarão a seu tempo, flores e frutos surgirão ao lado das batalhas. Ainda que todos os milhões de alunos da grande escola marchassem uns contra os outros, ela continuaria equilibrada para todos, oferecendo a sagrada oportunidade que os discípulos ainda não chegaram a compreender. Vede, pois, a grande leviandade dos que ousam atribuir a Deus o movimento de incompreensão e ignorância das criaturas.

Poderíamos saber qual a nação que sairá vencedora do atual conflito europeu?

Nenhum amigo ponderado dos homens, dos círculos de nossa Esfera espiritual, poderia opinar numa interrogação como essa.

Entretanto, como todo ensejo deve ser aproveitado para o bem, perguntamos de nossa parte: Onde encontraríamos o vencedor entre tantas desolações e ruínas?

Terminado o movimento, deveria haver na Terra um grande silêncio. O único triunfador seria Jesus Cristo, sem cujo fundamento de vida e verdade todos os protestos dos homens são inúteis.

O espetáculo é por demais doloroso para que se reflita em cânticos de vitória. Há corações maternos despedaçados, famílias dispersas, crianças que choram de fome, lares que se destroem sob tempestades de fogo. Nas cidades bombardeadas, a dor se sobrepõe às esperanças. O sangue é uma ironia para o despotismo, a morte vagueia sobre a miséria das ruínas fumegantes e pergunta onde se encontra o espaço vital.

Os homens podem invocar o caráter sagrado dos princípios. Mas todos os princípios generosos do mundo vieram do Cristo. A criatura não poderá se gloriar de si própria. Por descuidarem da defesa desses patrimônios que Jesus lhes outorgou, eis que os homens movimentam a carreira das batalhas sangrentas, mobilizam canhões homicidas e semeiam carnificina e destruição.

Quando cair o último soldado, Jesus contemplará o campo ensopado de lágrimas e sangue, e chamando os contendores perguntará, com justiça: 
“Onde se encontra o vencedor?”
Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Brilhantes no Caminho / Revista Reformador Ago. 1978.
Consta do original que a mensagem trata de questões respondidas por Emmanuel, publicadas em 1942 na revista O Revelador, de São Paulo, capital.
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A lição do essencial

A lição do essencial

Neio Lúcio


Imagem gera por IA

Discorriam os discípulos, entre si, quanto às coisas essenciais ao bem-estar, quando o Senhor, assumindo a direção dos pensamentos em dissonância, acrescentou:

— É indispensável que a criatura entenda a própria felicidade para que se não transforme, ao perdê-la, em triste fantasma da lamentação. Longe das verdades mais simples da Natureza, mergulha-se o homem na onda pesada de fantasiosos artifícios, exterminando o tempo e a vida, através de inquietações desnecessárias.

E como quem recordava incidente adequado ao assunto, interrompeu-se por alguns instantes e retomou a palavra, comentando:

— Ilustre dama romana, em companhia dum filhinho de cinco anos, dirigia-se da cidade dos Césares para Esmirna, em luxuosa galera de sua pátria. Ao penetrar na embarcação, fizera-se acompanhar de dois escravos, carregados de volumosa bagagem de joias diferentes: colares e camafeus, braceletes e redes de ouro, adornados com pedrarias, revelavam-lhe a predileção pelos enfeites raros. Todo o pessoal de serviço inclinou-se, com respeito, ao vê-la passar, tão elevada era a expressão do tesouro que trazia para bordo.

Tão logo se fez o barco ao mar alto, a distinta senhora converteu-se no centro das atenções gerais. Nas festas de cordialidade era o objetivo de todos os interesses pelos adornos brilhantes com que se apresentava.

A excursão prosseguia tranquila, quando, em certa manhã ensolarada, apareceu o imprevisto.

O choque em traiçoeiro recife abre extensa brecha na galera e as águas a invadem. Longas horas de luta surgem com a expectativa de refazimento; entretanto, um abalo mais forte leva o navio a posição irremediável e alguns botes descidos são colocados à disposição dos viajantes para os trabalhos de salvamento possível.

A ilustre patrícia é chamada à pressa.

O comandante calcula a chegada a porto próximo em dois dias de viagem arriscada, na hipótese de ventos favoráveis.

A jovem matrona abraça o filhinho, esperançosa e aflita.

Dentro em pouco ela atinge o pequeno barco de socorro, sustentando a criança e pequeno pacote em que os companheiros julgaram trouxesse as joias mais valiosas. Todavia, apresentando o conteúdo aos poucos irmãos de infortúnio que seguiriam junto dela, exclamou:

— “Meu filho é o que possuo de mais precioso e aqui tenho o que considero de mais útil”.

O insignificante volume continha dois pães e dez figos maduros, com os quais se alimentou a reduzida comunidade de náufragos, durante as horas aflitivas que os separavam da terra firme.

O Mestre repousou, por alguns segundos, e acrescentou:

— A felicidade real não se fundamenta em riquezas transitórias, porque, um dia sempre chega em que o homem é constrangido a separar-se dos bens exteriores mais queridos ao coração.

Os loucos se apegam a terras e moinhos, moedas e honras, vinhos e prazeres, como se nunca devessem acertar contas com a morte. O espírito prudente, porém, não desconhece que todos os patrimônios do mundo devem ser usados para nosso enriquecimento na virtude e que as bênçãos mais simples da Natureza são as bases de nossa tranquilidade essencial. Procuremos, pois, o Reino de Deus e sua justiça, tomando à Terra o estritamente necessário à manutenção da vida física e todas as alegrias ser-nos-ão acrescentadas.

Neio Lúcio por Chico Xavier do livro:
Jesus no Lar

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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.