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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Coração e cérebro

Coração e cérebro

Meimei


Imagem gerada por IA.

No encerramento das nossas atividades, na reunião da noite de 2 de outubro de 1954, foi Meimei quem tomou as faculdades psicofônicas do médium, alertando-nos para a cultura do coração.

Imaginemos um castelo de prodigiosa beleza, no cimo da montanha, talhado em ouro maciço, ostentando torres de cristal, ameias incrustadas de pérolas e pátios pavimentados de brilhantes, entre ogivas refulgentes, mas sem água que lhe garanta a habitabilidade e alegria.

Ao clarão diurno, faísca de cintilações e, à noite, assemelha-se a santuário sublime vestido de prateada luz.

Entretanto, na aridez em que se encrava, reduz-se a solitário retiro, no qual somente as aranhas e as serpes da sombra se amontoam, rebeldes e envenenadas.

Eis, porém, que surge um dia em que de fonte oculta aflora no palácio um fio d'água humilde.

E onde havia abandono aparece o pouso agasalhante, cercado de jardins, substituindo a secura que se enfeitava de pó.

Escorpiões e víboras fogem apressados, ante os hinos do trabalho e as vozes das crianças.

Temos nesses símbolos o cérebro supermentalizado e o coração regenerador.

O raciocínio erguido às culminâncias da cultura, mas sem a compreensão e sem a bondade que fluem do entendimento fraterno, pode ser um espetáculo de grandeza, mas estará distante do progresso e povoado pelos monstros das indagações esterilizantes ou inúteis.

Enriqueçamo-lo, porém, com o manancial do sentimento puro e a inteligência converter-se-á, para nós e para os outros, num templo de sublimação e paz, consolo e esperança.

Cultivemos o cérebro sem olvidar o coração.

Sentir, para saber com amor; e saber, para sentir com sabedoria, porque o amor e a sabedoria são as asas dos anjos que já comungam a glória de Deus.

Meimei por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Ante a reencarnação

Ante a reencarnação

Emmanuel e Cornélio Mylward


Imagem gerada por IA.

Nas tarefas da noite de 27 de maio de 1954, consoante as informações dos nossos Benfeitores Espirituais, e, segundo deduzimos das diversas comunicações obtidas de entidades sofredoras, nosso Grupo achava-se repleto de companheiros desencarnados, sequiosos de reencarnação, muitos deles implorando a volta à carne como único recurso de solução aos problemas que lhes torturavam a alma.

Primeiramente Emmanuel, o nosso instrutor de sempre, incorporou-se ao médium e transmitiu-nos o apontamento que passamos a transcrever:

Meus amigos, a paz do Senhor seja conosco.

Enquanto a Escola Espiritual na Terra prepara as criaturas reencarnadas para o fenômeno da morte, em nosso plano de ação essa mesma Escola prepara as criaturas desencarnadas para o aprendizado da existência no corpo físico.

Atento a este programa, nosso irmão Cornélio tomará hoje o equipamento mediúnico a fim de dirigir-se, por alguns momentos, à grande assembleia de companheiros que se achegam ao nosso recinto, suspirando pelo retorno ao templo de luta na matéria mais densa.

Passemos, desse modo, a palavra ao nosso amigo e que Jesus nos abençoe.

Emmanuel

Logo após, o irmão Cornélio Mylward, que foi generoso médico em Minas Gerais e que frequentemente nos assiste com a sua dedicação fraterna, tomou o campo mediúnico e, em voz grave e pausada, dirigiu aos desencarnados presentes o apelo a seguir:

Sim, disputais novos recursos de esclarecimento e redenção no precioso santuário da carne...

Muitos de vós aguardais para breve essa dádiva, através de petições que não nos é lícito examinar.

Indubitavelmente, na maioria das vezes, nosso regresso ao trabalho no mundo físico exprime verdadeiro prêmio de luz...

Para que obtenhamos tal concessão, porém, é indispensável nosso concurso com a Lei Divina, obedecendo-lhe aos regulamentos que definem o Bem Infinito, em todas as suas manifestações.

É preciso modificar os nossos "clichês" mentais para que a nossa volta à escola terrestre signifique recomposição e refazimento. Essa transformação, contudo, não será levada a efeito apenas à força de preces, meditações e conclusões em torno do passado.

Faz-se imprescindível a dinâmica da ação.

O serviço será sempre o grande renovador de nossa vida consciencial, habilitando-nos à experiência reconstrutiva, sob a inspiração de nosso Divino Mestre e Senhor.

Não conquistaremos o vestuário carnal entre os homens sem aquisição de simpatia entre eles.

É necessário gerar no espírito daqueles nossos associados do pretérito, que se encontram no educandário humano, a atitude favorável à solução dos nossos problemas.

Templos religiosos, estabelecimentos hospitalares, círculos de assistência moral, domicílios angustiados, cárceres de sofrimento, palcos de tortura expiatória... eis nosso vasto setor de concurso fraterno!

Nessas esferas de regeneração e corrigenda, companheiros encarnados e desencarnados, padecentes e aflitos, expressam o material de nossa preparação. A fim de esquecer velhas provas, aliviemos as provas alheias.

Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem próvidos braços da Vida Superior.

Pacifiquemos o espírito, oferecendo mãos amigas aos que peregrinam conosco, e construiremos o trilho de acesso à preciosa luta de que carecemos na própria reabilitação.

Somente a atividade em socorro ao próximo conseguirá renovar-nos a fonte do pensamento, traçando-nos seguras diretrizes, pois sob o guante de nossas lembranças constringentes o esforço da reencarnação redundará impraticável, de vez que nossas reminiscências infelizes são fatores desequilibrantes de nosso mundo vibratório, impedindo-nos a formação de novo instrumento fisiológico suscetível de conduzir-nos à reorganização do próprio destino.

Expurguemos a mente, apagando recordações indesejáveis e elevando o nível de nossas esperanças, porque, na realidade, somos arquitetos de nossa ascensão.

Somente ao preço de uma vontade vigorosa e pertinaz, situada no bem comum, é que lograremos conquistar o interesse dos Grandes Instrutores em prol da concretização de nossas aspirações mais nobres.

Regenerando a química de nossos sentimentos, o que decerto nos custará renunciação e sacrifício, atingiremos mais clara visão para reencontrar os laços de nosso pretérito, e, então, segundo os dispositivos da hereditariedade, que traduz parentesco de inclinações e compromissos, seremos requisitados pelas criaturas que se afinam conosco, tanto quanto, desde agora, estão elas sendo requisitadas por nossos anseios.

Reaproximar-nos-emos, desse modo, de quantos se harmonizam com a experiência em que nos demoramos, e, aderindo-lhes à existência, seremos defrontados pelas provas condizentes com a nossa natureza inferior, comungando-lhes o pão de luta, indispensável à recuperação de nossa felicidade.

Mas, se nos abeiramos de nossos futuros pais e de nossos futuros lares, envoltos na tempestade da incompreensão e da indisciplina, apenas espalharemos, ao redor de nós, desarmonia e frustração, porquanto, em verdade, o nosso caminho na vida será sempre a projeção de nós mesmos.

Purifiquemo-nos por dentro quanto seja possível, olvidando todo o mal!

Lançar sobre os elementos genésicos a energia viciada dos lamentáveis enganos que nos precipitaram à sombra, será prejudicar o corpo que a herança terrena nos reserva, reduzindo-nos as possibilidades de vitória no combate de amanhã.

Só existe, portanto, para nós um remédio eficaz: 

— O trabalho digno com que possamos erguer o espírito ao plano superior que presentemente buscamos.

Trabalho que nos corrija e nos aproxime de Deus.

Cornélio Mylward

Emmanuel e Cornélio Mylward por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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sábado, 12 de setembro de 2026

Fixação Mental

Fixação Mental

Dias da Cruz


Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.

Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação.

Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada.

Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinquência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão eletromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: 

"Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo." (João 12:35.)

Francisco de Menezes Dias da Cruz por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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sábado, 15 de agosto de 2026

Um coração renovado

Um coração renovado

Jésus Gonçalves


A noite de 7 de abril de 1955 integrou a semana com que a Cristandade rememorou a flagelação de Jesus. Em nosso Grupo foi mais Intensa a movimentação socorrista em favor dos sofredores desencarnados, dentre Os quais sobressaíram diversos irmãos hansenianos que, mesmo além da morte, revelavam dolorosas fixações mentais de revolta e amargura. Vários dos médiuns presentes foram veículos deles, convocando-nos ao argumento evangélico e à oração para o alívio que reclamavam.

Concluindo as nossas tarefas, no horário dedicado aos Instrutores Espirituais, os recursos psicofônicos do médium Xavier foram ocupados pelo poeta Jésus Gonçalves, desencarnado em Pirapitinguí, que também passou pela provação da lepra, cuja palavra nos trouxe amoroso esclarecimento.

Amigos.

Sou o vosso irmão Jésus Gonçalves, o leproso de Pirapitinguí, a quem o Espiritismo ofereceu nova visão da vida.

Agradeço-vos o concurso fraterno, em socorro dos irmãos hansenianos desencarnados.

Vieram conosco, entre a lamentação e a revolta, perturbados e oprimidos...

No mundo, receberam a chaga física por maldição, quando poderiam utilizá-la como porta salvadora, e, no mundo espiritual, experimentam os efeitos da rebeldia.

Trazem, ainda, na organização perispirítica, os remanescentes da enfermidade que os acabrunhava e, no íntimo, sofrem a indisciplina e a inconformação.

Graças a Jesus, porém, recolheram o benefício da calma, pelas sementes de renovação evangélica espalhadas em vossos estudos de hoje e esperamos possam imprimir, desde agora, novos rumos à própria transformação.

E, agora, peço permissão para orar convosco.

Nesta noite, em que toda a Cristandade se volta, reconhecida, para a memória do Mestre, sentimo-lo igualmente em seu derradeiro sacrifício e, mentalizando-O no madeiro, de alma genuflexa, trazemos a Ele, nosso Eterno Amigo e Divino Benfeitor, a nossa prece de leproso diante da cruz.

Em seguida a leve pausa, o Espírito Jésus Gonçalves modificou a inflexão de voz e, erguendo-se para o Alto, orou, em lágrimas, comovedoramente:

Senhor, eu que vivia em vãos clamores,
Vinha de longe em ânsias aguerridas,
Sob a trama infernal de horrendas lidas,
Entre largos caminhos tentadores.

Tronos, glórias, tiaras, esplendores
E cidades famélicas vencidas...
Tudo isso alcancei, de mãos erguidas
Aos gênios tenebrosos e opressores.

Mas, fatigado, enfim, de ser verdugo,
Roguei, chorando, a graça de teu jugo
E enviaste-me a lepra e a solidão.

E, confinado às dores que me deste,
Abriu-se-me a visão à luz celeste,
E achei-te, excelso, no meu coração.

*

Hoje, Mestre, ante a cruz em que te apagas,
Na compaixão que ajuda e renuncia,
Não te peço o banquete da alegria,
Embora o doce olhar com que me afagas.

Venho rogar-te a túnica das chagas
Para que eu volte à estrada escura e fria,
Em que os filhos da noite e da agonia
Sofrem ulcerações, bramindo pragas...

Dá-me, de novo, a lepra que redime,
Conservando-me a fé por dom sublime,
Agora que, contente, me prosterno!...

E que eu possa exaltar, por muitas vidas,
Sobre o lenho de angústias e feridas,
O teu reino de amor divino e eterno.

Jésus Gonçalves por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Boa vontade

Boa vontade

Meimei


Imagem gerada por IA.

Finalizando as nossas tarefas da noite de 20 de janeiro de 1955, foi Meimei quem nos trouxe o reconforto de sua palavra. Expressando-se com o carinho que lhe assinala as manifestações, falou-nos sobre os méritos da boa vontade.

O Sol é a força que nutre a vida na Terra.

A boa vontade é a luz que alimenta a harmonia entre as criaturas.

Acendamo-la no coração para caminhar com segurança e valor.

No lar, é chama atraente e doce.

Em sociedade, é fonte de concórdia e alegria. Onde falha o dinheiro e onde o poder humano é insignificante, realiza milagres.

Ao alcance de todos, não a desprezemos.

Em todos os lugares, há chagas que pedem bálsamo, complicações que rogam silêncio, desventuras que esperam socorro e obstáculos que imploram concurso amigo.

Muitos aguardam lances públicos de notabilidade e inteligência, no cultivo da caridade, acabando vencidos pelo tempo, entre a insatisfação e o desencanto.

Sejamos nós soldados diligentes no exército do bem, anônimos e humildes, atravessando os dias no culto fiel à fraternidade.

O ódio e a ignorância guerreiam com ímpeto, conquistando no mundo o salário da miséria e da morte.

O amor e o serviço lutam sem alarde, construindo o progresso e enaltecendo a vida.

Com a boa vontade, aprendemos a encontrar o irmão que chora, o companheiro em dificuldade, o doente infeliz, a criança desamparada, o animal ferido, a árvore sem proteção e a terra seca, prestando-lhes cooperação desinteressada, e é por ela que podemos exercitar o dom de servir, através das pequeninas obrigações de cada dia, estendendo mãos fraternas, silenciando a acusação descabida, sofreando a agressividade e calando a palavra imprudente.

Situemo-la no princípio de todas as nossas atividades, a fim de que as nossas iniciativas e anseios, conversações e entendimentos não se desviem da luz.

Lembremo-nos de que a paz e a boa vontade devem brilhar em nossos triunfos maiores ou menores com o nosso Divino Mestre.

É por isso que o Evangelho no berço de Jesus começa com a exaltação inesquecível das milícias celestiais:

"— Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens."

Meimei por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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sábado, 25 de julho de 2026

Pensamento

Pensamento

Lourenço Prado


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Em nossa reunião de 25 de novembro de 1954, felicitou-se nosso Grupo com a presença do Espírito Lourenço Prado que, pelos canais psicofônicos, nos ofertou expressiva palestra, acerca do pensamento. Escritor largamente conhecido nos arraiais do Espiritualismo em nosso País e autor de vários livros de grande mérito, sua palavra, na alocução que transcrevemos, versa sobre sintonia, equilíbrio e colaboração em nossa vida mental.
Depois da morte física, empolgante é o quadro de surpresas que se nos descortina à visão, contudo, para nós, cultores do Espiritualismo, uma das maiores dentre todas é a confirmação do poder mental como força criadora e renovadora, em todas as linhas do Universo.

O Céu, como domicilio espacial da beleza, existe realmente, porque não podemos imaginar o Paraíso erguido sobre um pântano, todavia, acima de tudo, o Céu é a faixa de pensamentos glorificados a que nos ajustamos, com todas as criaturas de nosso degrau evolutivo.

O Inferno, como sítio de sofrimento expiatório, igualmente não pode ser contestado, porque não será justo idear a existência do charco num templo vivo, mas, acima de qualquer noção de lugar, o Inferno é a rede de pensamentos torturados, em que nos deixamos prender, com todos aqueles que nos comungam os problemas ou as aflições de baixo nível.

É preciso acordar para as realidades do mentalismo, a fim de nos desembaraçarmos dos grilhões do pretérito, criando um amanhã que não seja reflexo condicionado de ontem.

A Lei concede-nos, em nome de Deus, na atualidade, o patrimônio de revelações do moderno Espiritualismo para aprendermos a pensar, ajudando a mente do mundo nesse mesmo sentido.

O pensamento reside na base de todas as nossas manifestações.

Evoluímos no curso das correntes mentais, assim como os peixes se desenvolvem nas correntes marinhas.

Refletimos, por isso, todas as inteligências que se afinam conosco no mesmo tom.

Na alegria ou na dor, no equilíbrio ou no desequilíbrio, agimos com todos os espíritos, encarnados ou desencarnados, que, em nossa vizinhança, se nos agregam ao modo de sentir e de ser.

Saúde é o pensamento em harmonia com a lei de Deus. Doença é o processo de retificá-lo, corrigindo erros e abusos perpetrados por nós mesmos, ontem ou hoje, diante dela.

Obsessão é a ideia fixa em situações deprimentes, provocando, em nosso desfavor, os eflúvios enfermiços das almas que se fixaram nas mesmas situações.

Tentação é a força viciada que exteriorizamos, atraindo a escura influência que nos inclina aos desfiladeiros do mal, porque toda sintonia com a ignorância, ou com a perversidade, começa invariavelmente da perversidade ou da ignorância que acalentamos conosco.

Um prato de brilhantes não estimulará a fome natural de um cavalo, mas excitará a cobiça do homem, cujos pensamentos estejam desvairados até o crime.

Lembremo-nos, assim, da necessidade de pensar irrepreensivelmente, educando-nos, de maneira a avançarmos para diante, errando menos.

A matéria, que nos obedece ao impulso mental, éo conjunto das vidas inferiores que vibram e sentem, a serviço das vidas superiores que vibram, sentem e pensam.

O pensamento raciocinado é a maior conquista que já alcançamos na Terra.

Procuremos, desse modo, aperfeiçoar nossa mente e sublimá-la, através do estudo e do trabalho que nos enobreçam a vida.

Felicidade, pois, é o pensamento correto.

Infortúnio é o pensamento deformado.

Um santuário terrestre é o fruto mental do arquiteto que o idealizou, com a cooperação dos servidores que lhe assimilaram as ideias.

O mundo novo que estamos aguardando é construção divina, mentalizada por Cristo, na exaltação da Humanidade.

Trabalhadores que somos, contratados por nosso Divino Mestre, saibamos pensar com ele para com ele vencermos.

Lourenço Prado por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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domingo, 26 de novembro de 2023

A melodia do silêncio

A melodia do silêncio

Meimei



Na fase terminal de nossas tarefas na noite de 10 de junho de 1954, tivemos a afetuosa visita de Meimei, a nossa companheira de sempre, que, utilizando os recursos psicofônicos do médium, falou-nos sobre os méritos do silêncio, em nossa construção espiritual.
Repara a melodia do silêncio nas criações divinas.

No Céu, tudo é harmonia sem ostentação de força.

O Sol brilhando sem ruído...

Os mundos em movimento sem desordem...

As constelações refulgindo sem ofuscar-nos...

E, na Terra, tudo assinala a música do silêncio, exaltando o amor infinito de Deus.

A semente germinando sem bulício...

A árvore ferida preparando sem revolta o fruto que te alimenta...

A água que hoje se oculta no coração da fonte, para dessedentar-te amanhã...

O metal que se deixa plasmar no fogo vivo, para ser-te mais útil.

O vaso que te obedece sem refutar-te as ordens...

Que palavras articuladas lhes definiriam a grandeza?

É por isso que o Senhor também nos socorre, através das circunstâncias que não falam, por intermédio do tempo, o sábio mudo.

Não quebres a melodia do silêncio, onde tua frase soaria em desacordo com a Lei de Amor que nos governa o caminho!

Admira cada estrela na luz que lhe é própria...

Aproveita cada ribeiro em seu nível...

Estende os braços a cada criatura dentro da verdade que lhe corresponda à compreensão...

Discute aprendendo, mas, porque desejes aprender, não precisas ferir.

Fala auxiliando, mas não te antecipes ao juízo superior, veiculando o verbo à maneira do azorrague inconsciente e impiedoso.

"Não saiba tua mão esquerda o que deu a direita." — disse-nos o Senhor.

Auxilia sem barulho onde passes.

Recorda a ilimitada paciência do Pai Celestial para com as nossas próprias faltas e ajudemos, sem alarde, ao companheiro da romagem terrestre que, muitas vezes, apenas aguarda o socorro de nosso silêncio, a fim de elevar-se à comunhão com Deus.

Meimei por Chico Xavier do livro:
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Justiça

Justiça

José Augusto


Em nossa reunião da noite de 12 de maio de 1955, conduzido por nossos Benfeitores Espirituais, comunicou-se no Grupo o irmão que ficamos conhecendo por José Augusto.
Médico parricida que foi na Terra, a sua história comovente exalta a justiça e nos convida à reflexão.
Amigos, frequentando-vos o círculo de preces, ofereço-vos meu caso, como elemento de exaltação da justiça.

Inútil dizer que não passo de pobre sofredor desencarnado, procurando a paz consigo mesmo.

Antigamente eu era um médico ocioso e, por isso, infiel ao mandato que o mundo me conferira.

Filho de pais endinheirados, muito cedo perdi minha mãe, que a morte nos furtara ao convívio, passando, assim, a condensar todas as atenções do meu progenitor, que se desvelava por ver-me feliz.

Em razão disso, ainda depois de meu casamento, residíamos juntos. E ele, devotado, embalou-me os três filhinhos no regaço afetuoso.

Vivíamos em paz, entretanto, a preguiça conduziu-me ao hábito do jogo, em noitadas alegres.

E porque me fizera sanguessuga da fortuna paterna, dissipando-a, deixei que a ideia do parricídio me aflorasse à cabeça.

Meu pai era um velho hipertenso e a morte dele investir-me-ia na posse de volumosa herança.

Alimentei, assim, o propósito de assassiná-lo, discretamente.

Sem qualquer escrúpulo moral, tocaiei a oportunidade, como a fera vigia a ocasião de atirar-se sobre a presa.

Certa manhã, o velhinho caiu desamparadamente no chão, quando tentava consertar nosso grande relógio de parede, ferindo-se num dos pulsos.

Por muitos dias, ataduras marcaram-lhe o braço escoriado e, dando pasto à crueldade, considerei que o ensejo havia surgido.

Num momento em que se queixava de vertigens, não titubeei.

Apliquei-lhe um soporífero e, depois de longo entendimento sobre saúde, conduzi-o ao banheiro para a sangria que o seu estado orgânico recomendava.

O doente obedeceu sem qualquer relutância.

Esperei que os seus nervos se amolgassem e, assim que o vi amolentado, abri-lhe as veias.

Meu pai, contudo, lendo-me a perversidade no olhar, embora semivencido pela ação do anestésico, ainda encontrou forças para dizer aos meus ouvidos:

— Não me mates, meu filho!...

Não obstante excitado, na condição de médico preparei-lhe o cadáver, recolocando as ataduras.

O remorso, porém, passou a subjugar-me.

Não inspirei a mínima desconfiança aos que me cercavam, quanto ao meu inqualificável delito, no entanto, minha vida modificou-se.

Reconhecendo que o criminoso vive preso mentalmente ao local do crime, senti me algemado ao banheiro fatídico.

Obsidiado por aquela dependência de nossa casa, à maneira de louco, dias e noites, agarrava-me a ela, ouvindo meu pai, rogando penosamente:

— Não me mates, meu filho!...

Anotando-me a demência, por dois anos consecutivos, minha família recorreu, debalde, a colegas distintos, a orações, a socorros morais e físicos.

E, justamente ao se decidir o inventário, que me entregaria o espólio valioso, eis que, a banhar-me, sofro a ruptura do aneurisma que me impôs a desencarnação.

Qual acontecera a meu pai, também eu me despedia do corpo, num banho sanguinolento.

O remorso, martelando-me o crânio, percutira dolorosamente sobre o coração, abreviando-me a partida, sem que eu pudesse tocar a riqueza obtida por minha insânia perversa.

Concluí que disputara simplesmente o inferno emoldurado de ouro, porque não posso descrever-vos o tormento a que me submeti sem remédio.

Narrar-vos minha desdita é impraticável na palavra humana...

Todas as grandes comoções jazem imanifestas no espírito, porque a palavra na Terra é apenas um símbolo limitado que nunca define os grandes estados do coração.

Emaranhei-me no tempo sem saber calculá-lo.

Continuava eu no banheiro sanguinolento ou ele perseverava dentro de mim?...

Formulando semelhante pergunta a mim mesmo, prosseguia fitando meu pai na água vermelha e ouvindo-lhe a súplica inolvidável:

— Não me mates, meu filho!...

Em vão, procurei fugir de mim mesmo, aniquilar-me, morrer de novo ou asilar-me no inferno idealizado pela teologia católica, porquanto as cinzas inexistentes do nada ou as chamas exteriores seriam bênçãos, confrontadas com o martírio que me vergastava a consciência.

Minha própria imaginação atormentada era meu cárcere.

E, desse ergástulo, meu pensamento extravasava, dando forma às criações de meu remorso em padecimento remissor...

Um momento apareceu em que mãos piedosas me trouxeram a oração.

Há quase três anos partilho-vos as preces e estudos e ouço-vos a palavra de consolação e socorro, junto aos aflitos e desesperados, delinquentes e suicidas, loucos e enfermos, obsidiados e obsessores, que saíram da carne pela porta falsa do desequilíbrio e da ilusão e de cada apontamento regenerador retirei os fios com que teci a minha túnica de apaziguamento e renovação.

Tenho aprendido a humilhar-me e a esperar...

Procuro converter o arrependimento tardio em oração oportuna...

E quando algo pude rogar aos nossos amigos, pedi a felicidade de rever minha vítima, a fim de mendigar-lhe perdão.

Sempre supus que meu progenitor me odiasse e que o pensamento dele me perseguisse, reclamando punição e vingança...

Entretanto, nossos instrutores fizeram-me reconhecer que eu não era castigado senão por mim mesmo, que a imagem de meu pai agonizante no banheiro terrível era a fixação de minh'alma no quadro íntimo que o meu pensamento vitalizava em remorso constante...

Amparado pelos amoráveis benfeitores de nossa vida, fui reconduzido à presença daquele para quem eu fora objeto de imensa adoração!

Oh! mistérios divinos da Sabedoria Celestial!..

Penetramos vasto gabinete de um gerente de indústria e, ali, depois de tantos anos, encontrei meu pai em posição semelhante àquela em que nos despedimos...

Era o mesmo homem na madureza física, aureolada agora pela experiência do trabalho incessante a lhe brilhar os olhos lúcidos! E, acima da fronte encanecida, destacava-se antigo retrato a óleo — o meu retrato.

Meu velho progenitor havia renascido da união conjugal de um dos meus filhos que, sem fortuna material, já que eu fora substituído em casa por um homem tão viciado e devasso quanto eu havia sido, aprendera na rude escola do esforço pessoal a conviver com o trabalho digno...

Na ordem terrena, transferira-se meu pai à condição de meu neto...

Num relance, apreendi-lhe os pensamentos.

Sentia por mim carinhosa atração e inexprimível amor.

Desejaria ter consigo o avô que supunha desconhecer..

Afeiçoara-se-me à efígie e respeitava-me o nome... Orava por minha paz no mundo das almas e envolvia-me a presença com irradiações de infinita ternura...

Ah! o pranto jorrou-me em catadupas de alegria e gratidão!...

Quis atirar-me em seus braços e renascer na fonte consanguínea que lhe fecunda o campo familiar!...

Essa ventura seria, porém, agora, demasiado sublime para quem se fez tão infortunado, mas ser-lhe-ei servo fiel.

Ressurgirei no mundo entre aqueles que lhe obedecem à orientação, poderei engraxar-lhe os sapatos, preparar-lhe a mesa e chamá-lo “meu senhor”...

Isso constituirá, graças a Deus, a minha felicidade maior!...

Amigos, que desfrutais, ainda na carne, o tesouro divino do conhecimento com Jesus, considerai a riqueza que vos felicita o caminho.... E, pelo muito que convosco tenho recebido de nossos benfeitores, peço ao Pai Celestial nos proteja e abençoe.

José Augusto por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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