A turma do prefiro
Richard Simonetti
Os dois irmãos habitavam bela residência herdada de seus pais. Construção antiga, mas sólida, confortável, de cômodos amplos e arejados. Ali poderiam permanecer por longos anos, sem problemas.
No entanto, por uma insignificância desentenderam-se, concluindo, após ásperas discussões, que não continuariam juntos. A solução seria vender o imóvel, ideia que nenhum deles admitia. Então resolveram dividi-lo ao meio, providenciando para que fossem erguidas paredes onde existiam portas ligando as duas metades.
Isto feito, instalaram-se, cada qual em sua nova residência, dois arremedos de casa, porquanto, sem recursos para gastos maiores, acomodaram-se ao que existia. Um ficou sem cozinha; o outro, sem banheiro. Situação incômoda, desconfortável.
Um amigo comum passou por ali e, observando a tolice cometida pelos dois irmãos, que apenas lhes complicara a vida, sugeriu:
- Por que vocês não se reconciliam, derrubam as paredes divisórias e voltam a viver confortavelmente?
- Não! - respondeu cada um por si. Prefiro viver assim!
E assim permaneceram por muitos anos, sem jamais conversarem, existência azedada pelo ressentimento, numa casa dividida pela intransigência.
Muitos vivem assim, a levantar barreiras de ressentimento, mágoa e irritação, que impedem uma convivência pacífica com o semelhante.
Quando instados a modificar suas disposições, engrossam as fileiras lamentáveis da “turma do prefiro”.
- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.






