sábado, 8 de agosto de 2026

Cirurgia espiritual

Cirurgia espiritual

Richard Simonetti


Imagem criada por IA.

Gedeão, dedicado médico desencarnado, prometera a Cândida que seu problema seria resolvido mediante uma cirurgia espiritual. Ela fazia por merecê-lo. Médium vidente, doava-se inteiramente aos serviços assistenciais e mediúnicos num centro espírita.

Tratava-se de uma ruptura de ligamentos numa das pernas, que lhe impunha intermináveis dores, além de dificultar-lhe a movimentação.

Temia submeter-se aos médicos da Terra, porquanto fora alertada de que se tratava de intervenção delicada que, se mal sucedida, poderia prendê-la irremediavelmente ao leito. Preferia o concurso dos Espíritos. Neles confiava plenamente.

Atendendo recomendações do orientador espiritual, eram realizadas reuniões semanais em sua modesta residência, onde vivia só, viúva humilde, amparada por filha casada que residia ao lado.

Grupo reduzido, apenas cinco confrades habituados a esse tipo de serviço. Cândida observava, pela vidência mediúnica, a mobilização de recursos da Espiritualidade: aplicação de magnetismo, exames e testes, utilização de estranhos aparelhos.

Após três meses de preparativos o mentor marcou a data. Recomendou que, no horário habitual, após a prece fosse procedida a leitura de pequeno trecho de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Permaneceriam depois vibrando em benefício da paciente, enquanto a equipe espiritual estivesse operando.

No dia aprazado surgiram dificuldades logo pela manhã: dois participantes comunicaram que não poderiam comparecer. Os outros simplesmente não apareceram, sem justificativa. Cândida, apreensiva, viu Gedeão junto de si.

- Minha filha, nossos irmãos encarnados são muito vulneráveis em seus propósitos de colaboração. Cedem facilmente aos contratempos. Não virá ninguém. Não obstante, a programação será cumprida. Deite-se e ore. Confiemos na Providência Divina.

A médium obedeceu. Já em seu leito, concentrada, pensamento em Jesus, viu o quarto singelo transformar-se, como num passe de mágica, em requintada sala cirúrgica, profusamente iluminada, com a presença de médicos e enfermeiros. Brando sono a envolveu.

Acordou depois de duas horas, sentindo leve dor na região abdominal. Gedeão a assistia, informando sorridente:

- Correu tudo muito bem. Faça repouso por alguns dias, evitando esforço físico. Em breve estará plenamente recuperada.

O prognóstico do mentor cumpriu-se fielmente. Em três semanas, Cândida, feliz, voltava a participar das atividades espíritas.

* * *

É importante a colaboração dos homens nos processos de ajuda espiritual.

Servidores de boa vontade oferecem preciosa sustentação fluídica...

Doadores de magnetismo promovem revigorantes reações orgânicas...

Grandes médiuns efetuam cirurgias espetaculares...

No entanto, a Espiritualidade pode mobilizar recursos inimagináveis, sem o concurso humano, sempre que necessário, desde que os beneficiários detenham o necessário merecimento.

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A Água da Paz

A Água da Paz

Ramiro Gama


Imagem gerada por IA.

Em torno da mediunidade, improvisam-se, ao redor do Chico, acesas discussões.

É, não é. Viu, não viu.

E o médium sofria, por vezes, longas irritações, a fim de explicar sem ser compreendido.

Por isso, à hora da prece, achava-se quase sempre, desanimado e aflito.

Certa feita, o Espírito de Dona Maria João de Deus compareceu e aconselhou-lhe:

— Meu filho, para curar essas inquietações você deve usar a Água da Paz.

O Médium, satisfeito, procurou o medicamento em todas as farmácias de Pedro Leopoldo.

Não o encontrou. Recorreu a Belo Horizonte. Nada. Ao fim de duas semanas, comunicou à progenitora desencarnada o fracasso da busca.

Dona Maria sorriu e informou:

— Não precisa viajar em semelhante procura. Você poderá obter o remédio em casa mesmo. A Água da Paz pode ser a água do pote. Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora, nem a engula.

Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz, banhando a língua.

O Médium baixou, então, os olhos, desapontado. Compreendera que a mãezinha lhe chamava o espírito à lição da humildade e do silêncio.


Ramiro Gama do livro:
Lindos casos de Chico Xavier

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Aflições e livre-arbítrio

Aflições e livre-arbítrio

Joanna de Ângelis


Ao simples prenúncio do sofrimento logo te insurgiste contra Deus, assumindo uma posição rebelde e tomando uma atitude derrotista. Quando foste, então, colhido pelos problemas, comezinhos, aliás, e a todas as criaturas comuns, blateraste: "Deus me esqueceu!"

Convidado a uma mudança de comportamento sob o impositivo da dor, exteriorizaste a irritação, gritando: "Deus me abandonou!"

Instado ao crescimento espiritual e ao valor moral mediante a complexa engrenagem das provações redentoras, estertoraste com violência: "Deus está de mal comigo!"

Açodado pelas injunções do pretérito espiritual e pela aflição impelido à meditação, estrugiste: "Estou de mal com Deus!"

Surpreendido pela lei natural das condições humanas, que se estribam nas ações passadas de cada espírito em crescimento, a expressar-se em dificuldade e luta contínua, arrazoaste, finalista: "Deus morreu para mim!"

As tuas são reações emocionais infantis, que denotam a necessidade premente que tens de mais dores e mais aflições, a fim de organizares o mapa de crescimento e de burilamento interior.

Todas as criaturas ascendem ao bem mediante os contributos da experiência, na incessante luta a travar dentro de si mesmas.

Ninguém que transite na Terra aquinhoado por um regime de exceção. A ganga, a impureza das gemas preciosas é retirada a golpes de escopros rudes e resistentes. As arestas são sempre arrancadas através de hábeis esforços e de técnicas apuradas.

Imprescindível preservar o interior, de modo a preencher a finalidade a que se destina.

As aflições têm suas causas atuais no mau uso do livre-arbítrio, por impositivo do egoísmo individual.

A escolha errônea de comportamento gera as conseqiiéncias lamentáveis para a retificação.

Entre uma e outra atitude a tomar, a livre opção traçará o destino feliz ou desventurado de quem a elege.

As causas anteriores das aflições se fixam nas experiências malogradas, nas reencarnações anteriores, decorrência, ainda, do livre-arbítrio utilizado erroneamente.

Em ti, portanto, os fatores causais das dores que te cumpre vencer a qualquer esforço.

Sem te deteres na rebeldia contumaz ou na dureza dos sentimentos apaixonados, aplica-te a produzir causas novas impeditivas de aflições. Assim, à medida em que resgatares as passadas, encontrarás os abençoados frutos da nova sementeira aguardando por ti, um pouco mais à frente.

Não procrastines os deveres nobres.

Um minuto de atenção a alguém angustiado poderá evitar-lhe o inditoso autocídio.

Uma observação gentil, quando convidado a opinar, certamente se fará valiosa junto aos que esperam ajuda.

Um gesto de simpatia, esquecendo o mal estar íntimo, criará solidariedade e interesse em tua volta.

Quantas coisas poderás fazer e de quantos recursos poderás dispor, se quiseres!

Muitas vezes tens dificuldade em discernir para acertar.

Não te olvides, porém, que as leis de Deus estão escritas na consciência de cada ser. Consulta-a, honestamente, e esta te responderá com segurança.

Se perdurar a dificuldade para que logres a opção feliz, ergue-te pela oração ao Senhor, suplicando-Lhe claridade mental. Ele te inspirará a gerares hoje as causas ditosas, a fim de não seres surpreendido por novas e futuras aflições.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Boa vontade

Boa vontade

Meimei


Imagem gerada por IA.

Finalizando as nossas tarefas da noite de 20 de janeiro de 1955, foi Meimei quem nos trouxe o reconforto de sua palavra. Expressando-se com o carinho que lhe assinala as manifestações, falou-nos sobre os méritos da boa vontade.

O Sol é a força que nutre a vida na Terra.

A boa vontade é a luz que alimenta a harmonia entre as criaturas.

Acendamo-la no coração para caminhar com segurança e valor.

No lar, é chama atraente e doce.

Em sociedade, é fonte de concórdia e alegria. Onde falha o dinheiro e onde o poder humano é insignificante, realiza milagres.

Ao alcance de todos, não a desprezemos.

Em todos os lugares, há chagas que pedem bálsamo, complicações que rogam silêncio, desventuras que esperam socorro e obstáculos que imploram concurso amigo.

Muitos aguardam lances públicos de notabilidade e inteligência, no cultivo da caridade, acabando vencidos pelo tempo, entre a insatisfação e o desencanto.

Sejamos nós soldados diligentes no exército do bem, anônimos e humildes, atravessando os dias no culto fiel à fraternidade.

O ódio e a ignorância guerreiam com ímpeto, conquistando no mundo o salário da miséria e da morte.

O amor e o serviço lutam sem alarde, construindo o progresso e enaltecendo a vida.

Com a boa vontade, aprendemos a encontrar o irmão que chora, o companheiro em dificuldade, o doente infeliz, a criança desamparada, o animal ferido, a árvore sem proteção e a terra seca, prestando-lhes cooperação desinteressada, e é por ela que podemos exercitar o dom de servir, através das pequeninas obrigações de cada dia, estendendo mãos fraternas, silenciando a acusação descabida, sofreando a agressividade e calando a palavra imprudente.

Situemo-la no princípio de todas as nossas atividades, a fim de que as nossas iniciativas e anseios, conversações e entendimentos não se desviem da luz.

Lembremo-nos de que a paz e a boa vontade devem brilhar em nossos triunfos maiores ou menores com o nosso Divino Mestre.

É por isso que o Evangelho no berço de Jesus começa com a exaltação inesquecível das milícias celestiais:

"— Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens."

Meimei por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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