quarta-feira, 8 de abril de 2026

Influência Paralisante

Influência Paralisante

Camilo


Sem desconsiderarmos os casos de patologias que agem sobre os centros da motricidade de certos indivíduos, fazendo-os ancilosados, mencionamos um gênero de perturbação, obsessiva, que vem, sem dúvida, dominando companheiros desavisados ou desassisados que, gradualmente, se aprofundam em miasmas infelizes, sem que disso se apercebam.

Referimo-nos ao que poderíamos chamar de obsessão anestesiante.

É válida a consideração pelos anestésicos, quando eles representam conquistas abençoadas do progresso do mundo, objetivando o impedimento das dores torturantes. Entretanto, identificamos outros tipos de "substâncias", trabalhadas por psiquismos cruéis e infelicitadores que, quando assimiladas pela alma, têm o poder de detê-las na caminhada para a frente.

Variados têm sido os que se deixam conduzir pelas influências narcóticas de muitas mentes atreladas ao mal ou ao marasmo, do Mundo Invisível, naturalmente desleixados com relação à vigilância íntima, realizando seus afazeres, quando os realizam, como quem se desincumbe de um fardo pesado e difícil, mas não como quem participa do alevantamento espiritual da Humanidade.

Encontram-se elementos que se acostumaram a deixar tudo para que seja feito amanhã, quando o dia de hoje pede disposição e não adiamento.

Ninguém pode, em sanidade de consciência, afirmar que estará no corpo somático no dia seguinte. Temos aí, então, maior razão para que não retardemos os labores que têm regime de urgência em nossa pauta de tarefas.

Diversos irmãos da Terra, portadores de enorme quota de má vontade ou deixando as próprias mentes mergulhadas na displicência, são envolvidos nos vapores letárgicos, paralísantes, que impedem a continuidade dinâmica da obra sob seus cuidados.

Há sempre uma providência que se pode procrastinar...

Surgem problemas a solucionar na esfera de renovação do Espírito, sempre postergados, sem que os companheiros se deem conta de que poderão estar sendo minados por fluidos anestesiantes da vontade.

Uma vez que não puderam impedir que muitas criaturas aceitassem e desejassem servir na Seara do Cristo, Entidades do Além, inimigas do progresso e da luz, que não se dão por vencidas com a primeira perda, fazem com que esses mesmos indivíduos não se movimentem no bem, que tem caráter de premência e que depende tão somente da boa vontade dos lidadores. Estão no movimento do bem, mas não atuam com o bem, o que é sempre lastimável.

Não fazemos apologia das neuroses da pressa. Não estamos aconselhando desequilíbrios e irreflexão, seriamente comprometedores. Estamos, isto sim, conclamando aos que costumam meditar nas questões da alma, para que não se permitam o amolentamento, a preguiça, a pachorra, em pleno labor de Jesus, quando da Terra inteira se erguem gritos de imensa necessidade de equilíbrio e de paz.

*

É importante cuidar do corpo, repousar, quando os trabalhos imponham desgastes. É da Lei Divina.

Se o problema é de enfermidade física ou estafa orgânica ou mental, é justo se providencie o devido tratamento.

O que não nos cabe fomentar ou aplaudir é a postura dos que estão sempre esgotados, por pouco ou nada que façam, exigindo largos períodos de estacionamento, e, quando se decidem por algo fazer, demoram sem rendimento positivo, complicam a atividade geral, francamente embriagados por energias anestesiantes que, ameaçadoramente, têm tomado em seu bojo a muitos seareiros irrefletidos, preparando-lhes grandes tormentos de remorsos e angústias para logo mais, quando a hora propícia e ideal para o trabalho do bem já houver passado.

Quando sintas que, inobstante o repouso, não tens ânimo para as leituras e quefazeres edificantes, ou quando a sonolência tomar-se presença comum em suas horas de estudo ou de necessária atenção aos chamados do Infinito, ergue a tua oração e roga dos Benfeitores Celestes o socorro, a assistência de que careças, a fim de te desviares desses dardos morbíficos que se destinam a retardar a ação do bem na Terra, produzindo narcose nos combatentes invigilantes, exatamente porque esse bem, em última análise, é a atuação de Jesus Cristo reafirmando o Seu amor a todos nós, ovelhas desgarradas do Seu rebanho, da esperança e da ação.

"Pode-se, com utilidade, orar por outrem?" (1)

"O Espirito de quem ora atua pela sua vontade de praticar o bem. Atrai a si, mediante a prece, os bons Espíritos e estes se associam ao bem que deseje fazer."

(1) - O Livro dos Espíritos, parte 3ª, cap. II, pergunta 662) - Allan Kardec

Camilo por J. Raul Teixeira do livro:
Correnteza de Luz

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Judas Redimido

Judas Redimido

Hermínio C. Miranda


A figura histórica e humana de Judas Iscariotes sempre exerceu grande fascinação sobre meu espírito. Se bem que, aqui e acolá, se encontre na literatura espírita referências ao infeliz Apóstolo, muito pouco se conhece de seu posterior desenvolvimento espiritual.

Sabemos, certamente, por meio de revelações esparsas, que Judas, condicionado como qualquer um de nós à sábia e inflexível lei cármica, aqui voltou muitas vezes para purgar suas falhas no sofrimento redentor. Estamos certos, também, de que o Cristo não o abandonou à sua própria sorte, nem pretendeu deixar que a pobre criatura, vítima de sua fraqueza, ficasse mergulhada na amargura sem remissão do sofrimento eterno.

Neste, como em tantos outros pontos, a Doutrina que os Espíritos nos ensinaram é muito mais humana e racional que as que aí estão, miudamente trabalhadas pelos encarnados. É muito mais reconfortante, e infinitamente mais de acordo com a moral cristã, sabermos que o Espírito do Iscariotes, depurado de suas imperfeições, evoluído moral e espiritualmente, está hoje entre os mais chegados colaboradores do Senhor, do que imaginá-lo como trágica ruína humana, batida pela miséria eterna.

Não seria Jesus, o gênio supremo da bondade e do amor, que deixaria seu antigo discípulo perder-se nas estradas agrestes da eterna agonia. Se nenhuma das ovelhas que o Pai lhe confiou se perderá, como poderia perder-se justamente uma daqueles que o acompanhou pelas rotas poeirentas da Terra Santa, que o ajudou, por algum tempo, a espalhar aos quatro ventos sua mensagem de amor e humildade, que, bem ou mal, sonhou com o Mestre os mesmos sonhos de universal fraternidade? Como poderia Jesus condenar o antigo companheiro que, num momento de fraqueza e invigilância, se deixou levar por enganadoras ilusões?

E, afinal de contas, se Jesus lhe perdoou e o ajudou a recuperar-se para a glória espiritual, quem somos nós, imperfeitíssimas criaturas, para arrastar na lama a figura do pobre irmão que fraquejou? Tal como diria o Mestre: aquele que não tiver culpa atire a primeira pedra.

Por outro lado, é preciso atentar nas circunstâncias daquele impensado gesto. Judas não foi o único, nem mesmo o maior responsável pela dolorosa tragédia da cruz. Foi mero instrumento de forças enceguecidas pelo ódio irracional. Vencido pela miragem do poder, com que lhe acenaram os inimigos do Cristo, ele se prestou ao lamentável e infeliz papel de indicar, à sanha destruidora dos algozes, aquele que o havia acolhido no círculo mais íntimo de seus seguidores.

Seu espírito era fraco e imaturo. Sonhava com uma fatia de poder, e se deixou fascinar. Era tão fraco que, consumado o gesto supremo da traição, não encontrou em si mesmo forças morais para enfrentar as consequências dramáticas do arrependimento. O tremendo remorso que experimentou foi grande demais para as forças do seu espírito, e, ainda uma vez, sucumbiu, escapando pela porta falsa do suicídio, numa tentativa última de fugir de si mesmo.

Mais uma vez se enganou o pobre e desorientado irmão. Libertara-se do envoltório físico, mas não se libertara de suas angústias. Muito pelo contrário: era justamente agora, com a percepção mais aguçada, que de fato sofria as insuportáveis aflições do remorso. E isso era o princípio da redenção. Milhares, milhões de vezes, teria que reviver a cena amarga do beijo portador da morte. Jamais haveria de esquecer o doce olhar do Profeta divino, ao recebê-lo como discípulo amigo e não como mensageiro da dor. Como tudo aquilo continuava vivo nos seus olhos! Sim, porque ainda via, sentia dores e sufocava e gemia e gritava desesperado. Estranho! Então não morrera? Como é que a corda ainda lhe apertava a garganta ressequida e os trinta dinheiros ainda lhe pesavam sobre o coração? Sentia-se oprimido, miserável, perdido, sozinho, num mundo escuro, desconhecido e sem limites. Acima daquela solidão opressiva, pairavam os olhos meigos, puros, sublimes, de Jesus. Só então pudera compreender toda a extensão insondável da sua falta.

Porque tocara a ele o infame papel de entregar o Mestre às mãos dos carrascos? Se Jesus tinha mesmo de ser destruído, como diziam as profecias, que fosse outro o delator, não ele, Judas... Mas, desgraçadamente, estava tudo feito e nem uma vírgula se alteraria.

*

Não nos foi dado ainda acompanhar, nos séculos que se seguiram, a trajetória espiritual do pobre irmão Judas Iscariotes. Não obstante, imaginamos quanto sofreu e lutou para novamente poder fitar, com tranquila humildade e reconhecimento, os olhos daquele que, certa vez, ajudara a crucificar.

Hoje, o antigo Apóstolo retomou seu lugar entre os seguidores mais próximos do Cristo. Nas profundezas de seu coração deve sentir-se amplamente recompensado de todas as dores que sofreu.

Algum dia, talvez permitam as entidades superiores que se revele ao mundo essa história magnífica, para que, por meio de todo o seu poder de sugestão, saibam as criaturas que mesmo a falta mais negra não precipita o Espírito na desgraça eterna, mas apenas retarda sua evolução para a Pátria da Luz. Deus não seria Deus se, pela falta cometida neste átimo a que chamamos vida, fosse preciso viver uma eternidade de angústias e sofrimentos. Já pensou o leitor no que pode ser a eternidade? O escritor Hendrik Van Loon, para dar a ideia das idades que se contam pelos milhões de anos, imaginou uma grande, imensa rocha plantada no mundo. Cada dez mil anos, um pássaro vem e roça o bico contra a rocha. Quando o bico do pássaro tiver consumido a pedra, ter-se-á passado um instante da eternidade. Comparado com isso, que é a vida humana? Ainda ontem éramos crianças; nossos pais eram jovens. Hoje temos filhos, amanhã teremos netos. Como foi mesmo que passou o tempo? Assim, Deus não criaria almas, frágeis na sua ignorância, para depois esmagá-las impiedosamente, com o castigo eterno, pela falta ocasional. Se nos deu o livre-arbítrio, acrescentou também a possibilidade de reparação, sem o que não poderíamos jamais alcançar a glória de poder colaborar em sua obra portentosa.

Já é tempo de trabalhar pela reabilitação da figura do antigo Iscariotes. É necessário remover de sua imagem histórica a superada mancha da traição que pesa sobre sua memória. Ele não foi o primeiro ser humano a errar nem será o último. Também não foi o primeiro a resgatar seu erro, pagando até o último ceitil, como diz a Lei, para retomar a caminhada para o Alto.

Em teu próximo instante de tranquilidade espiritual, leitor amigo, levanta teu coração e oferece a Jesus as vibrações de tua alegria por ter estendido Suas mãos generosas ao antigo apóstolo transviado. E pede ao irmão mais velho, Judas Iscariotes, que nos ajude, por seu turno, a encontrar o caminho da redenção espiritual, que nos libertará da servidão ao errо. Ele muito sofreu para conquistar a sua paz e certamente saberá como ajudar-nos a encontrar a nossa. Também temos pesados débitos a resgatar. Não entregamos Jesus aos seus algozes; vezes sem conta, porém, temos crucificado sua memória, vendido seus princípios, falhado no cumprimento da moral que Ele pregou. Não estamos, pois, em condições de atirar coisa alguma à nobre face de Judas, o redimido.

Hermínio C. Miranda
Rev. Reformador Mar. 1959

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Artigo original na Revista Reformador Mar.1959

terça-feira, 7 de abril de 2026

Avancemos

Avancemos

Carlos Augusto



Correm os dias incessantes... O nosso coração, como um relógio de Deus, vai marcando os acontecimentos e as lutas, as alegrias e as dores, as dificuldades e as recordações; mas a Providência Divina tudo renova para o bem e, com ela, nossas aspirações renascem.

O amor vence a morte. Com a graça de Jesus podemos falar e os nossos podem escutar-nos. A fé ressurge luminosa e sublime. E continuamos juntos. Poderá haver outra alegria maior que essa? A de nos sentirmos plenamente unidos, uns aos outros, acima da própria separação?

Consultamos nossos desejos mais íntimos, nossas ansiedades ocultas e reconhecemos que não poderíamos conseguir, de nossa parte, um tesouro maior. Depressa compreendemos, com o amparo do Alto, que a Vontade de Deus deve imperar sobre a nossa.

Tudo acontece, obedecendo a imperativos do nosso passado espiritual.

Os sonhos de bondade e os anseios de comunhão com a espiritualidade santificante guardam, para nós, uma grande voz.

Tenhamos serenidade e confiança em Deus na travessia do grande mar da existência do mundo. Em torno de nossa embarcação, há náufragos tocados pela aflição e pela dor.

Conservemos a coragem no coração.

Ergamos a Jesus nossos olhos e sentimentos, d’Ele esperando a segurança para nossas realizações.

Todos estamos em processo redentor. Pouco a pouco, penetramos o domínio da verdade e a verdade nos ensina, calmamente, as suas lições.

No serviço aos nossos semelhantes, vamos descobrindo a estrada para os cimos de nossa elevação. Ainda mesmo ao preço de lágrimas e sacrifícios, avancemos.

Há momentos em que nossos pés sangram na marcha; contudo, não desanimar é a condição de nosso triunfo.

A desencarnação não nos confere a isenção da dor, que aperfeiçoa e santifica sempre.

A evolução é nossa. O aprendizado nos pertence. Cabe-nos estudar e servir, lutar e enriquecer-nos de luz, tanto na Terra, como na vida espiritual.

Jesus não nos abandona. E na certeza do Divino Amparo, seguiremos à procura de merecimento espiritual para sermos mais úteis.

Esperemos a passagem dos dias, suplicando o concurso dos nossos Maiores. Um dia, sob a árvore do amor triunfante, louvaremos nossos esforços de agora.

A vida espiritual é novo renascimento. Avancemos, desse modo, aprendendo e servindo sem nunca desanimar.

Carlos Augusto por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Necessidade de evolução

Necessidade de evolução

Joanna de Ângelis


Educação - Fonte de Bênção

As tendências, que promanam do passado em forma de inclinações e desejos, se transformam em hábitos salutares ou prejudiciais quando não encontram a vigilância e os mecanismos da educação pautando os métodos de disciplina e correção. Sob a impulsão do atavismo que se prende nas faixas primevas, das quais a longo esforço o Espírito empreende a marcha da libertação, os impulsos violentos e a comodidade que não se interessa pelos esforços de aprimoramento moral amolentam a individualidade, ressurgindo como falhas graves da personalidade.

As constrições da vida, que se manifestam de vária forma, conduzem o aspirante evolutivo à trilha correta por onde, seguindo-a, mais fácil se lhe torna o acesso aos objetivos a que se destina. Nesse desiderato, a educação exerce um papel preponderante, porque faculta os meios para uma melhor identificação de valores e seleção deles, lapidando as arestas embrutecidas do eu, desenvolvendo as aptidões em germe e guiando com segurança, mediante os processos de fixação e aprendizagem, que formam o caráter, insculpindo-se, por fim, na individualidade e externando-se como ações relevantes.

Remanescente do instinto em que se demorou por longos períodos de experiência e ainda mergulhado nas suas induções, o Espírito cresce, desembaraçando-se das teias de vigorosos impulsos em que se enreda para a conquista das aptidões com que se desenvolve.

Pessoa alguma consegue imunizar-se aos ditames da educação, boa ou má, conforme o meio social em que se encontra. Se não ouve a articulação oral da palavra, dispõe dos órgãos, porém, não fala; se não vê atitudes que facilitam a locomoção, a aquisição dos recursos para a sobrevivência, consegue por instinto a mobilização com dificuldade e o alimento sem a cocção; tende a retornar às experiências primitivas se não é socorrido pelos recursos preciosos da civilização, porque nele predominam, ainda, as imposições da natureza animal. Possui os reflexos, no entanto, não os sabe aplicar; desfruta da inteligência e, por falta de uso, já que se demora nas necessidades imediatas, não a desenvolve; frui das acuidades da razão e do discernimento, entretanto se embrutece por ausência de exercícios que os aprofunde. Nele não passam de lampejos as manifestações espirituais superiores se arrojado ao isolacionismo ou relegado às faixas em que se detêm os principiantes nas aquisições superiores...

Muito importante a missão da educação como ciência e arte da vida.

Encontrando-se ínsitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinaram a superar.

A própria vida facultou ao Espírito, em longos milênios de observação, averiguar o que é de melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranquilidade interior. Trazendo do intervalo que medeia entre uma e outra reencarnação reminiscências, embora inconvenientes, do que lhe haja sucedido, elege os recursos com que se pode realizar melhormente, ao mesmo tempo impedindo-se deslizes e quedas nos subterrâneos da aflição. Outrossim, inspirado pelos Espíritos promotores do progresso no mundo, assimila as ideias envolventes e confortadoras, entregando-se ao labor do autoaprimoramento.

O rio corre e cresce conforme as condições do leito.

A plântula se esgueira e segue a direção da luz.

A obra se levanta consoante o desejo do autor.

Em tudo e toda parte predominam leis sutis e imperiosas que estabelecem o como, o quando e o onde devem ocorrer as determinações divinas. Rebelar-se contra elas, é o mesmo que atrasar-se na dor, espontaneamente, contribuindo duplamente para a realização que conquistaria com um só esforço.

A tarefa da educação deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência, produzindo efeitos poderosos, de profundidade.

Enquanto o homem não pensar com equidade e nobreza os seus atos se assentarão em bases falsas, se deseja estruturá-los nos superiores valores éticos, porquanto se tornam de pequena monta e de fraca duração. Somente pensando com correção pode organizar programas comportamentais superiores aos quais se submete consciente, prazerosamente. Não aspirando à paz e felicidade por ignorar-lhe o de que se constituem, impraticável lecionar-lhe sobre tais valores. Só, então, mediante o paralelismo da luz e da treva, da saúde e da enfermidade, da alegria e da tristeza se poderão ministrar-lhe as vantagens das primeiras em relação às segundas... Longo tempo transcorre para que os serviços de educação se façam visíveis, e difícil trabalho se impõe, particularmente, quando o mister não se restringe ao verniz social, à transmissão de conhecimentos, às atitudes formais, sem a integração nos deveres conscientemente aceitos.

Por educar, entenda-se, também, a técnica de disciplinar o pensamento e a vontade, a fim de o educando penetrar-se de realizações que desdobrem as inatas manifestações da natureza animal, adormecidas, dilatando o campo íntimo para as conquistas mais nobres do sentimento e da psique.

Nas diversas fases etárias da aprendizagem humana, em que o ser aprende, apreende e compreende, a educação produz os seus efeitos especiais, porquanto, através dos processos persuasivos, libera o ser das condições precárias, armando-o de recursos que resultam em benefícios que não pode ignorar.

A reencarnação, sem dúvida, é valioso método educativo de que se utiliza a vida, a fim de propiciar os meios de crescimento, desenvolvimento de aptidões e sabedoria ao Espírito que engatinha no rumo da sua finalidade grandiosa.

Como criatura nenhuma se realiza em isolacionismo, a sociedade se torna, como a própria pessoa, educadora por excelência, em razão de propiciar exemplos que se fazem automaticamente imitados, impregnando aqueles que lhes sofrem a influência imediata ou mediatamente. No contexto da convivência, pelo instinto da imitação, absorvem-se os comportamentos, as atitudes e as reações, aspirando-se a psicosfera ambiente, que produz, também, sua quota importante, no desempenho das realizações individuais e coletivas.

Como se assevera, com reservas, que o homem é fruto do meio onde vive, convém se não esquecer de que o homem é o elemento formador do meio, competindo-lhe modificar as estruturas do ambiente em que vive e elaborar fatores atraentes e favoráveis onde se encontre colocado a viver. Não sendo infenso aos contágios sociais, não é, igualmente, inerme a eles, senão, quando lhe compraz, desde que reage aos fatores dignificantes a que não está acostumado, se não deseja a estes ajustar-se.

Além do ensino puro e simples dos valores pedagógicos, a educação deve esclarecer os benefícios que resultam da aprendizagem, da fixação dos seus implementos culturais, morais e espirituais. Por isso, e sobretudo, a tarefa da educação há que ser moralizadora, a fim de promover o homem não apenas no meio social, antes preparando-o para a sociedade essencial, que é aquela preexistente ao berço donde ele veio e sobrevivente ao túmulo para onde se dirige.

Nesse sentido, o Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional. Não se limitando os seus ensinos a um breve período da vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguismos nem os rigores exagerados que defluem do próprio conteúdo do ensino.

Não raro, os textos evangélicos propõem a conduta e elucidam o porquê da propositura, seus efeitos, suas razões. Em voz imperativa, suas advertências culminam em consolação, conforto, que expressam os objetivos que todos colimam.

— “Vinde a mim”, — assentiu Jesus, — porque eu “Sou o caminho, a Verdade e a Vida”, não delegando a outrem a tarefa de viver o ensino, mas a si mesmo se impondo o impostergável dever de testemunhar a excelência das lições por meio de comprovados feitos.

Sintetizou em todos os passos e ensinamentos a função dupla de Mestre — educador e pedagogo —, aquele que permeia pelo comportamento dando vitalidade à técnica de que se utiliza, na mais eficiente metodologia, que é a da vivência.

Quando os mecanismos da educação falecem, não permanece o aprendiz da vida sem o concurso da evolução, que lhe surge como dispositivo de dor, emulando-o ao crescimento com que se libertará da situação conflitante, afligente, corrigindo-o e facultando-lhe adquirir as experiências mais elevadas.

A dor, em qualquer situação, jamais funciona como punição, porquanto sua finalidade não é punitiva, porém educativa, corretora. Qualquer esforço impõe o contributo do sacrifício, da vontade disciplinada ou não, que se exterioriza em forma de sofrimento, mal-estar, desagrado, porque o aprendiz, simplesmente, se recusa considerar de maneira diversa a contribuição que deve expender a benefício próprio.

Nenhuma conquista pode ser lograda sem o correspondente trabalho que a torna valiosa ou inexpressiva. Quando se recebem títulos ou moedas, rendas ou posição sem a experiência árdua de consegui-los, estes empalidecem, não raro, convertendo-se em algemas pesadas, estímulos à indolência, convites ao prazer exacerbado, situações arbitrárias pelo abuso da fortuna e do poder.

Imprescindível em qualquer cometimento, portanto, o exame da situação e a avaliação das possibilidades pessoais.

Sendo a Terra a abençoada escola das almas, é indispensável que aqui mesmo se lapidem as arestas da personalidade, se corrijam os desajustamentos, se exercitem os dispositivos do dever e se predisponham os Espíritos ao superior crescimento, de modo a serem superadas as paixões perturbadoras que impelem para baixo ao invés daquelas ardentes pelos ideais libertadores, que acionam e conduzem para cima.

Os hábitos que se arraigam no corpo, procedentes do Espírito como lampejos e condicionamentos, retornam e se fixam como necessidades, sejam de qual expressão for, constituindo uma outra natureza nos refolhos do ser, a responder como liberdade ou escravidão, de acordo com a qualidade intrínseca de que se constituem.

A morte, desvestindo a alma das roupas carnais, não lhe produz um expurgo das qualidades íntimas, antes lhe impõe maior necessidade de exteriorizá-las, liberando forças que levam a processos de vinculações com outras que lhes sejam equivalentes. Na Terra isto funciona em forma de complexos mecanismos de simpatia e antipatia, em afinidades que, no além-túmulo, porque sincronizam na mesma faixa de aspiração e se movimentam na esfera de especificidade vibratória, reúnem os que se identificam no clima mental, de hábitos e aptidões que lhes são próprios.

Nunca se deve transferir para mais tarde o mister de educar-se, corrigir-se ou educar e corrigir, 0 que agora não se faça, neste particular, ressurgirá complicado, em posição diversa, com agravantes de mais difícil remoção.

Pedagogos eminentes, os Espíritos Superiores ensinam as regras de bom comportamento aos homens como educadores que exemplificam depois de haverem passado pelas mesmas faixas de sombra, ignorância e dor, de que já se libertaram.

Imperioso, portanto, conforme propôs Jesus, que se faça a paz com o “adversário enquanto se está no caminho com ele”, de vez que, amanhã, talvez seja muito tarde e bem mais difícil alcançá-lo.

O mesmo axioma se pode aplicar à tarefa da educação: agora, enquanto é possível, moldar-se o eu, antes que os hábitos e as acomodações perniciosas impeçam a tomada de posição, que é o passo inicial para o deslanchar sem reversão.

Educação, pois, da mente, do corpo, da alma, como processo de adaptação aos superiores degraus da vida espiritual para onde se segue.

A educação, disciplinando e enriquecendo de preciosos recursos o ser, alça-o à vida, tranquilo e ditoso, sem ligações com as regiões inferiores donde procede. Fascinado pelo tropismo da verdade que é sabedoria e amor, após as injunções iniciais, mais fácil se lhe torna ascender, adquirir a felicidade.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No Limiar do Infinito

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