sábado, 4 de julho de 2026

Energia mental e vida saudável

Energia mental e vida saudável

Joanna de Ângelis


Cabe ao ser inteligente descobrir na Terra a razão fundamental da própria existência, a fim de estabelecer os parâmetros propiciadores da felicidade, de forma a desenvolver a capacidade de crescimento interior, razão primacial da sua autorrealização. Enquanto não se resolva por detectar e aplicar os métodos mais compatíveis para o enriquecimento moral e espiritual, tudo se lhe apresentará sem maior sentido ou significado transformador, tornando-se o trânsito carnal um desafio recheado de desencanto e aflição.

Remanescendo no seu inconsciente profundo todos os conflitos do processo de racionalização a que foi submetido no passado, mediante os dolorosos episódios de dor e de sombra experimentados, as castrações impostas pela ignorância, os medos decorrentes dos estágios primevos, mais facilmente se entrega aos fenômenos mórbidos da depressão, da ansiedade, da insegurança, do que ao encantamento das aspirações de enobrecimento, de beleza e de paz, que lhe devem constituir emulações para a vitória nas mais diferentes situações existenciais.

A alegria de viver deve ser uma norma de conduta natural em todos os seres pensantes, mesmo quando as circunstâncias não se exteriorizam conforme desejariam. Isto porque, as ocorrências do dia a dia alteram-se a cada instante, transformando tristezas em júbilos como felicidade em infortúnio.

O fato de alguém encontrar-se usufruindo a bênção do corpo físico, mesmo que assinalado por dificuldades e limitações, representa-lhe uma dádiva com promissoras ocasiões de autossuperação que se lhe apresentam, facultando-lhe alterar a paisagem pessoal, dependendo exclusivamente da própria opção direcionada ao comportamento que se deve permitir.

A mente, nesse mister como noutros, desempenha papel relevante em relação à conduta, porque dela procedem todos os programas a que o corpo se submete. A sua ação eficiente transmite-se através de ondas que alcançam as delicadas engrenagens dos neuropeptídeos que se ramificam pelos diferentes sistemas nervoso central, imunológico, endócrino, que se interdependem, comunicando-se com todos os demais departamentos celulares da organização somática.

Quase sempre, porém, o indivíduo, trazendo marcas profundas de compromissos não solucionados de outras existências, torna-se vítima espontânea das fixações que ressumam, imprimindo na área emocional conflitos depuradores a que se aferra como necessidade psicológica de autopunição, perfeitamente dispensável no mecanismo de sua evolução para uma vida realmente saudável e ditosa.

A teimosa atitude em manter as emoções desordenadas responde pelos inumeráveis sofrimentos a que se submete, passando a viver de maneira masoquista, embora sem dar-se conta do distúrbio que o conduz.

A aspiração do bom e do belo, da paz e da alegria, sinaliza despertamento de consciência para mais altos voos.

O cérebro, sob o comando da mente, responde conforme o gênero de ordens que recebe, contribuindo com enzimas estimuladoras da saúde ou toxinas que irão destruir os sensíveis equipamentos da maquinaria orgânica, emocional ou mental.

A mente, porém, pode ser vítima de hábitos que se arraigam, tornando-se fatores degenerativos para o ser pensante.

Indispensável, portanto, que se renove, cultivando ideias elevadas, que gerem respostas de bem-estar.

É compreensível que periodicamente o organismo se ressinta sob a agressão de vírus e bacilos, de desordens de uma ou de outra natureza, mesmo que o indivíduo se encontre perfeitamente sintonizado com as ideias saudáveis, o que é natural.

A própria constituição material que reveste o ser real é frágil e susceptível de experimentar vários naturais distúrbios e processos degenerativos, já que tende a transformações contínuas, inclusive à dissolução do arquipélago celular que lhe expressa o todo. Do contrário, seria aguardar-se a imortalidade da forma, que sempre se altera e se decompõe. O importante, no entanto, é como se encontra o indivíduo para enfrentar o mecanismo físico de que se reveste, mantendo-se em clima de otimismo e de harmonia.

A doença, não raro, deve desempenhar um papel muito significativo na conduta do ser humano, porque lhe demonstra, em primeiro lugar, a fragilidade de que se constitui o corpo; depois, convida-o a reflexionar em torno das causas desencadeadoras da ocorrência enfermiça; por fim, proporciona-lhe a capacidade de aprender a administrar todos os fenômenos existenciais.

Dessa forma, surge a interrogação a respeito de como fazer-se com o sofrimento, quando se manifesta. Pode-se rejeitá-lo, pura e simplesmente, detestá-lo sob a pressão da revolta ou aceitá-lo com resignação, quase indiferença. Entretanto, é possível enfrentá-lo com um diferente tipo de conformação, aquela que se apresenta dinâmica.

A rejeição, em si mesma, de forma alguma altera-lhe o quadro, antes dificulta-lhe a captação da mensagem de que se reveste, trabalhando em favor da sua ampliação, da complicação do problema. O enfrentamento rebelde destrói as reservas de equilíbrio e de força, aumentando a carga de aflição. 

resignação estática, indiferente, que não trabalha pela erradicação da causa, é morbidez que deve ser combatida, desânimo que se instala no ser... Somente uma aceitação, aquela que compreende o acontecimento afligente e se esforça por modificar-lhe as consequências, superando os limites impostos e dando prosseguimento aos compromissos abraçados, mesmo que a peso de grande esforço, é que contribui para a estruturação do ser inteligente, apreendendo a lição que sempre segue a todo tipo de dor ou provação.

Por isso, é imprescindível o auxílio da esperança, que fomenta a coragem, que se deriva da vibração mental positiva, enriquecedora, de procedência superior, porque dimana da vida.

O Espírito experiência a jornada carnal a fim de desenvolver todos os valores que se lhe encontram em germe, por isso mesmo vinculado às Fontes Superiores de onde procede, que o inspiram e animam em todas as vicissitudes que deve enfrentar e pelas quais passará inevitavelmente. O seu crescimento se dará sempre pelos processos de harmonia, isto é, equilíbrio e alteração de conduta, que não significará certamente desajuste, mas que lhe desenvolverá novas capacidades de enfrentamento das circunstâncias e processos inerentes à evolução.

Todo esse programa se torna factível se o indivíduo se propuser à tarefa do autoconhecimento, descobrindo a própria realidade que ultrapassa o limite da sua corporalidade e avança pela senda da sua imortalidade. Passo contínuo, estabelece as metas existenciais, as finalidades e objetivos da peregrinação humana, empenhando-se por atingir a meta, mesmo que etapa a etapa, sem pressa angustiante nem postergação mortificadora.

A lucidez mental propele o ser ao avanço que não cessa e irradia mensagens que o fortalecem, auxiliando-o a manter o padrão de equilíbrio que deve caracterizar a real saúde, aquela que permanece mesmo quando momentaneamente se instalam doenças, surgem aflições, aparecem distúrbios de qualquer natureza. Predominante no íntimo do ser, esse estado de bem-estar encarrega-se de predispor a novos tentames felizes que o impelem à conquista da felicidade.

A preservação da mente em harmonia com o Cosmo, eis a meta que deve ser conquistada, a fim de ser estabelecido o programa de evolução possível, que aguarda a criatura humana.

Em qualquer situação, pois, em que se encontre o ser pensante, a sua fonte de irradiação psíquica deve estar em perfeita sintonia com as ondas do Psiquismo Divino de onde procedem todos os dons da vida e os meios para serem logrados os objetivos existenciais.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Dias Gloriosos

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Nunca esquecer a gentileza

Nunca esquecer a gentileza

Miramez



A gentileza é o "charme" da educação. Ela mostra o que a alma guarda na reserva dos sentimentos e que pode usar, sem perda para a sua personalidade. Pelo contrário, ganha com esse exercício divino, tecendo, nos caminhos por onde passa, a cortesia que aumenta o celeiro do amor.

Cabe a todos nós, em quaisquer planos da existência, a avaliação dos nossos próprios feitos, anotando o que neles falta em afabilidade e, no decorrer das oportunidades diante dos outros, mostrar a gentileza, porque ela nos faz lembrar a alegria e a esperança da luz.

Mesmo que a vossa natureza rejeite a delicadeza para com as criaturas, tratai de dominá-la, na certeza de que algo de bom
está acendendo no coração de quem se aproxima de vós, algo cuja luz nunca se apagará. Em todos os tempos, a educação sempre se sobrepôs, em qualquer ambiente de hostilidade, ao respeito e à paz.

O espírito bem apessoado é sempre querido em todas as circunstâncias, aliviando pressões e elevando a atmosfera do
desentendimento ao clima da compreensão. É justo que lutemos para estabelecer nas nossas atitudes diárias, a delicadeza. Ela, quando aliada ao trabalho atuante pelo bem da coletividade, é verdadeiramente uma riqueza em nossas mãos, como as mãos dos anjos, laborando com Jesus.

O homem afável fica inesquecível nas lembranças dos companheiros e aquele gesto de amor é como uma semente de luz, a crescer e prosperar em todos os corações. Mas é bom que tenhamos consciência de que a afabilidade, elemento divino e nobre, não se mistura com as escórias do ódio, nem com as impurezas da inveja e da vingança. É incompatível com o orgulho e o egoísmo. Jesus foi a mais alta expressão da gentileza, por fazê-la acompanhar o desprendimento, no grande interesse de servir, sem exigências. Fez tudo em favor das criaturas de Deus, por amor. É correto que sejamos agradáveis no trato com os outros, no entanto, necessário se faz que não nos esqueçamos da vigilância, para que jamais essa atitude valorosa se transforme em apego que prende a alma. E a prisão da inferioridade nos traz aborrecimento e infelicidade.

A vida é uma escola para quem deseja aprender. Os grandes mestres estão à disposição de quem queira se formar na academia da fraternidade universal.

Se já fizestes algum progresso na atenção para com os vossos semelhantes, não deixeis a impaciência e a irritação invadir vossos pensamentos, para não desvalorizar os talentos a caminho da conquista.

A sabedoria nos ensina que a gentileza deve estar mesclada com a tolerância, para que tenhamos meios de mudar os rumos de uma conversação indesejada, sem as armas da violência. Os recursos espirituais chegam sempre às mãos dos que trabalham no aprimoramento interno, para que a vivência fale bem mais alto do que a teoria e ainda convoque novos irmãos para as linhas de frente, onde a maior preocupação é a unidade de todos, no exercício da caridade.

A saúde do corpo exige a harmonia em todas as diretrizes que tomarmos. Curar somente o corpo físico é querer espantar as moscas de um ambiente em putrefação. É norma do raciocínio puro buscar as causas, para que os efeitos desapareçam.

Se existe alguém bem educado e gentil, carregando as marcas da enfermidade no corpo de carne, é justo que devamos buscar no passado a causa da presente provação desses males que refletem erros de longínquas datas, nos dias que se vive.

Existem desequilíbrios orgânicos e psíquicos que obedecem ao empuxo evolutivo de uma etapa para outra. É uma espécie de doença em favor da geração do futuro e os herdeiros da Terra deverão encontrar corpos mais sensíveis, por serem espíritos dotados de maior apuro espiritual. Para que essa depuração se processe sem violência e desequilíbrios, não deve faltar nunca, em nossos contatos com o próximo, a força benfeitora da gentileza.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Saúde

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

O segredo da juventude

O segredo da juventude

Irmão X.


Formoso Anjo da Justiça, na Balança do Tempo, recebia pequena multidão de Espíritos recém-desencarnados na Terra.

Eram todos eles pessoas maduras, em torno das quais o Ministro da Lei deveria emitir um juízo rápido, como introdução a mais ampla análise, assim como um magistrado terreno que, na fase inicial de um processo, pode formular um despacho saneador.

Velhos gotosos e dementados, abatidos e caquéticos, demonstrando evidentes sinais de angústia, congregavam-se ali, guardando os característicos das enfermidades que lhes haviam marcado o corpo.

Muitos choravam à feição de crianças medrosas, outros comprimiam o coração com a destra enrijecida, ao passo que outros muitos se erguiam com imensa dificuldade, arrastando-se, trêmulos...

As sensações da carne ferreteavam-lhes o íntimo, detendo-lhes o ser nas amargas recordações que traziam do mundo.

Conduzidos a exame, sob a custódia de benfeitores abnegados, acusavam essa ou aquela diferença para melhor, recebendo uma folha explicativa para o início das novas tarefas que os aguardavam no plano Espiritual.

Agora, era um psicopata recobrando a lucidez; depois, era um hemiplégico retomando o equilíbrio...

Entretanto, os traços da velhice corpórea perseveravam quase intactos, decerto, longo tempo na vida nova para serem devidamente desintegrados.

Em derradeiro lugar, no entanto, aproximou-se do Anjo pobre velhinha, humilde e triste.

Os cabelos de prata e as rugas que lhe desfiguravam o rosto denunciavam-lhe aproximadamente oitenta anos de luta física.

Trazida, contudo, à grande balança, oh! divina surpresa!... De anotação em anotação, fazia-se mais jovem, até que, abençoada pelo sorriso do Aferidor Angélico, a estranha anciã converteu-se em bela menina e moça, nos vinte anos primaveris.

Toda a assembleia vibrou de felicidade, ante o quadro inesquecível.

Intrigado, abeirei-me de antigo orientador e perguntei pela razão da inesperada metamorfose.

O esclarecido mentor pediu a ficha da celestial criatura, para socorro de minha ignorância, e, na folha branca e leve, pude ler, admirado:

Nome - Leocádia Silva

Profissão – Educadora

Existência Terrestre – 701.280 horas

Aplicação das Horas:

Serviço de autoassistência para a justa garantia no campo da evolução:

1) Mocidade Laboriosa                                                  175.200
2) Magistério digno                                                         65.700
3) Alimentação e higiene                                               43.800
4) Estudo proveitoso e atividades religiosas              41.900
5) Repouso necessário ao refazimento                      109.500
Serviço extra, completamente gratuito, em favor do próximo:
1) Devotamento aos necessitados                                  85.100
2) Movimentação fraterna em missões de auxíli0     32.840
3) Noites de vigília em solidariedade aos enfermos  33.000
4) Conversação sadia no amparo moral genuíno       54.750
5) Variadas tarefas de caridade                                      59.490

Total – Horas                           701.280

- Compreendeu? – disse-me o orientador, sorridente.

E, ante o meu insopitável assombro, concluiu:

- Quem dá o seu próprio tempo, a benefício dos outros, não conta tempo na própria, idade no sentido de envelhecer. Leocádia cedeu todas as suas horas disponíveis no socorro aos irmãos do mundo. Os dias não lhe pesam, assim, sobre os ombros da alma...

Meu interlocutor afastou-se, lépido, para felicitar a heroína, e, contemplando, enlevado, o semblante radioso do Mensageiro Sublime que presidia à Grande reunião, compreendi o motivo pelo qual os Anjos do Amor Divino revelam em si a suprema beleza da juventude eterna.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Enquanto há paz

Enquanto há paz

Eros


 
Enriquece-te de amor.
Sai a semear a luz da esperança,
Onde se adensa A sombra
E se demora o desespero...

Abre valas na terra áspera dos corações
E sulca o leito dos córregos
Para que estes espraiem a vida
Rica de flores, e colorida.
Em luxuriante verdor das margens...

Acompanha com os olhos irisados de luz
As verdes e belas campinas Salpicadas de cores.
Abençoados por miosótis azuis,
Respingadas por amores-perfeitos.
Sem defeitos.
Adornadas de boninas...

Esquece as dores,
Deixa de lado a amargura.
Volve à candura.
Refreia a revolta
Enquanto há paz...

A guerra está de férias;
Os instrumentos de destruição
Permanecem nos museus, no chão.
Longe dos destroços que produzem.

Segue, então, o pássaro ligeiro.
Prossegue alvissareiro.
Dominado pelo amor.
Atende ao cordeiro que pasta ao lado do chacal
E à rebelião que, morrendo, ao bem distende a mão...

Não te afadigues pensando no mal.
Conserva o encanto
Do serviço — o teu fanal —
Junto ao teu irmão.

Está decretado
Que o bem é vida
E a caridade bem vivida
É alma da fé...
Enquanto há paz.

Dilata a ação da bondade Não relaciones desfavores,
Nem engodo,
Nem malogro,
Nem doto,
Nem desamores...

Abre-te em festa
E canta a ligeira lição do serviço
Que renova a erma paisagem
Do continente das almas ressequidas.
Renovando as vidas
Cansadas de esperar...
Enquanto há paz.

Sustenta a confiança.
Promove a abastança.
Transforma pântano em jardim.
Impõe à enfermidade seu fim 
Como tragédia...

Acende estrelas na noite sombria,
Diminui a angústia em cada alma
Todo dia,
E, desdobrando bênçãos e calma.
Evitarás futuras guerras.
Enquanto há paz.

Um dia, o amor
Vestiu-se de homem.
Dignificou singelas sementes.
Honrou as redes do mar,
Cantou o valor de uma dracma,
Entreteceu considerações felizes
Nos rubros entardeceres
E pálidos amanheceres,
E dando-se.
Pereceu numa Cruz
Que se faria sublime ponte de luz...

No entanto, para que permanecesse a paz
Volveu aos homens,
Numa linda madrugada,
A fim de que jamais
Desaparecesse do humano coração
A suave e doce presença da paz.

Em paz,
Esquece a destroçada guerra
No repouso permanente do museu.
Abominada, olvidada,
Para que, abandonada e vencida
Não volva nunca mais.

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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