segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Quando voltares

Quando voltares

Meimei


Imagem gerada por IA.

Sofres pedindo alívio e inebrias-te na oração, como quem sobe ao Céu pela escada sublime da bênção...

Rogas a presença do Cristo.

Todavia, não encontras o Mestre, diante de quem te prostrarias de rastros.

Sabes porém, que nas Alturas os Braços Eternos te sustentam a vida e, enquanto te enterneces na melodia da confiança, sentes que tua alma se coroa de luz, ao fulgor das estrelas.

Suplicas, em prece, a própria felicidade e a felicidade dos que mais amas, obtendo consolo e refazendo energias...

Contudo, quando voltares da divina excursão que fazes em pensamento, desce teus olhos no vale dos que padecem.

Surpreenderás aqueles para quem leve migalha de teu conforto expressará sempre, de algum modo, a aquisição da perfeita alegria.

Os mutilados em pranto oculto, os enfermos deixados aos pesadelos da noite, os infelizes em desespero e os pequeninos que se amontoam ante o lar de ninguém...

Descobrindo-os, decerto não lhes alongarás apenas o olhar dorido, mas também as próprias mãos, aprendendo a redentora ciência de auxiliar.

Compreenderás então que podes igualmente distribuir na Terra o tesouro de amor que imploras do Céu e, quem sabe?...

Talvez hoje mesmo, penetrando o quarto sem lume de algum doente que o mundo esqueceu no catre da angústia, encontrarás o Senhor, velando-lhe as horas, a dizer-te com ternura inefável:

– “Para que me chamaste? Eu estou aqui.”

(Em referência a O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVIII / Item 7.)

Meimei do livro: O Espírito da Verdade
 de Chico Xavier e Waldo Vieira (Espíritos Diversos)

Curta nossa página no Facebook:

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

domingo, 23 de agosto de 2026

Desapego

Desapego

Hammed


Imagem criada por IA.

A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao "ego" está vazio do "sagrado"; aquele que se liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado".

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?" (Mateus 16:24 a 26)
Quando alguém passa silenciosamente por um desfiladeiro, percebe o sussurrar de sons distintos que repercutem através dos ventos nas pedras e árvores — são manifestações dos "ecos da Natureza" daquele lugar. A criatura que interioriza e aquieta a mente, silenciando sua intimidade, faz com que seu reino interior assemelhe-se a um "sereno desfiladeiro", de onde surgem as mensagens inarticuladas da alma — são manifestações dos "ecos transcendentais" do Universo.
Nesse "estado interior", onde impera a quietude e a tranquilidade, o indivíduo tem um encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência — o Espírito. Na presença da inquietação e dos inúmeros anseios, a mente apegada bloqueia a fonte sapiencial e polui a via de acesso pela qual se ausculta a Fonte da Excelsa Sabedoria. As pessoas do mundo estão distraídas entre os eventos do passado e os do presente, plenas de desejos pessoais que turvam e contagiam sua visão cósmica; isso as impede de expandir e expressar, de forma espontânea e natural, sua religiosidade nata. Uma vez "perdido" o Espírito, as pessoas, embora vivas, estão como mortas.
"De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?"
"Pois aquele que quiser salvar a sua vida (apegar-se ao ego), vai perdê-la (perder de vista o Si-mesmo), mas o que perder a sua vida (desapegar-se do ego) por causa de mim, vai encontrá-la (integrar-se ao Si-mesmo)".
Devemos quebrar todos os grilhões e expulsar as mil vozes que enxameiam nossa casa mental. Assim, ficaremos limpos e desnudos, livres e despojados, libertos de tudo. Então, haverá naturalmente, nesse "desfiladeiro interno", o reverberar de algo essencial, antes oculto mas agora presente, em que se percebem com clara nitidez seus recursos infinitos e sua capacidade de despertar potenciais inatos.
Recolhemos da antiga sabedoria oriental este trecho que bem ilustra a nossa ideia sobre desapego e serenidade interior:
"Quando o vento chega e oscila o bambu, o bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se esvazia quando os acontecimentos terminam".
"(...) a doutrina da reencarnação (...) aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consanguíneos." (*).
Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos, sofremos ao nos separarmos dele. O ciúme é o resultado do apego (medo de perder). É preciso perceber a diferença entre o "amor real" e a "relação simbiótica", ou mesmo o "apego familiar". A realização espiritual não está em nos apegarmos egoisticamente aos entes queridos, e sim nos interagirmos fraternalmente uns com os outros.
"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."
"Negar-se a si mesmo" é ultrapassar a transitoriedade do mundo visível e penetrar na essência oculta das criações e criaturas. É desapegar-se verdadeiramente e viver na integridade da vida; não querer perpetuar o "ego".
"Tomar a sua cruz" é reconhecer que este momento vai se desvanecer e não se perpetuará. É perceber os difíceis dilemas mentais pelos quais passamos, o que nos permitirá transitar íntegos na via de mão dupla por onde se move, de um lado, a busca imediatista do "ego" e, do outro, a inspiração da infinita Sabedoria Divina.
O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em nós mesmos. Nosso calabouço reside em nossos mais íntimos atos e atitudes. Prendemo-nos nos grilhões de nossa própria criação mental, e fazemos o mesmo com aqueles que amamos.
A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao "ego" está vazio do "sagrado"; aquele que se liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado".
A mente serena, tranquila e desapegada é a "porta estreita". O indivíduo desapegado participa com a família e com toda a comunidade de um relacionamento saudável e espontâneo. Não vive atado aos vínculos doentios da "ansiedade de separação", pois crê plenamente que a lei das vidas sucessivas não destrói os laços da afetividade, antes os estende a um número cada vez maior de pessoas e também por toda a humanidade.
Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Os prazeres da alma
(*) Questão 205 (O Livro dos Espíritos) — Na opinião de certas pessoas, a doutrina da reencarnação parece destruir os laços de família fazendo-os remontar às existências anteriores. "Ela os estende, mas não os destrói. A parentela, estando baseada sobre as afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma família são menos precários. Ela aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consanguíneos."

Curta nossa página no Facebook:
https://www.facebook.com/regeneracaodobem/

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sábado, 22 de agosto de 2026

O valor da oração

O valor da oração

Miramez


Imagem gerada por IA.
“Portanto, vós orareis assim: — Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome” (Mateus 6:9). 
Pelo que disse Jesus, a oração não pode ser motivada pela vaidade. Representando uma linguagem do homem ao Criador, a oração deve ser revestida de toda humildade e boa vontade, visando aprender para servir.
No ato de orar, um dos mais sagrados da vida, o Pai espera dos filhos os cuidados correspondentes aos seus valores. “Entra para o teu aposento, fecha a porta e ora a teu Pai, que vê em segredo”. Não em longas e barulhentas orações em praças públicas, para chamar a atenção dos que passam por vaidade. Essa prece não passa dos lábios e, no fundo, trata-se de simples pedidos interesseiros, a exemplo das dádivas estridentes colocadas no gazofilácio, sem nenhuma participação do sentimento. Assim ocorre com as orações por vaidade.
O ato de orar constitui uma permuta de valores, da vida com vidas, de irmão com irmãos, do filho com Deus; mas eis que isso se processa por conta da lei, da justiça e da misericórdia. Todavia, o homem é mais ou menos consciente da bondade do Criador, mormente quando se encontra em estado de graça, em pleno fervor da oração.
Ao nos sentarmos em torno de uma mesa na hora do repasto, alimentamos o corpo; ao entrarmos em nosso aposento, fechando a porta e orando ao Pai em segredo, estamos alimentando a alma. Nem corpo nem alma alcançam a felicidade sem esses indispensáveis atos de alegria e humildade, de reconhecimento a Deus. A oração tem longa e porfiada viagem, começando no trabalho rude de cada dia e terminando no êxtase de fusão da alma com o Senhor.
Alguns dirão que Deus é Pai e onisciente, conhece todas as nossas necessidades e, por isso, nada precisamos pedir-lhe. Estão, em parte, certos, mas a vontade Divina espera, por lei, o espaço de cada um no sentido de suprir suas necessidades. Coloca a água nas fontes, mas os homens, para saciar a sede, terão que buscá-la. Espraia os raios solares com uma temperatura que um ser encarnado não suportaria parado o dia todo em um só lugar; mas este, movendo-se, suporta e se beneficia.
Guardou Deus, no seio da terra, todos os elementos indispensáveis ao bem-estar da humanidade, esperando que esta se movimente e descubra condições para o conforto próprio, obedecendo à lei de esforçar-se para viver melhor. São os rudimentos da verdadeira prece; é o “batei, e abrir-se-vos-á”; é o “pedi, e dar-se-vos-á”; é o “buscai, e achareis”. A lei soberana de Deus rege todos os quadrantes da vida, dando a cada um segundo o seu merecimento. Não há perda das aquisições nem desvios da justiça. As leis nunca foram burladas, mas sim dirigidas por um amor que jamais foi insensível aos corações que sofrem.
A sinfonia da vida universal é uma eterna oração: A vida se esvai sem ter condições de exigir algo em troca do seu sacrifício. Mas a lei não a abandona e lhe dará, no futuro, uma evolução superior. A árvore se desfaz até o pó; o animal é arrastado ao sacrifício pelo sustento dos homens. Mas o amanhã lhe reserva o amparo da justiça.
E o homem, que tem superioridade sobre todas as coisas do mundo, não deve buscar a humildade, a resignação e a esperança? Deve, sim. E, avantajando-se aos outros reinos, passo a passo, há de chegar à plenitude da caridade, que sempre se confunde com a ciência da oração. Portanto vós orareis assim:
— Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome.
Miramez por João Nunes Maia do livro:
Alguns Ângulos dos Ensinamentos do Mestre

Curta nossa página no Facebook:

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O mancebo rico

O mancebo rico

Irmão X.


Imagem gerada por IA.

Diante do assunto, que se referia ao congraçamento de grupos religiosos, o ponderoso Simão, sábio israelita desencarnado, considerou, sorridente:

- Semelhantes problemas já vicejavam em torno do próprio Cristo...

E, à vista da curiosidade geral, o ancião relatou:

- Efraim, filho de Bunan, era um chefe prestigioso dos fariseus, considerado cabeça dos hilelitas(*), que, ao tempo do Senhor, eram francamente mais liberais e mais instruídos que os partidários do Rabi Schammai, fanáticos e formalistas. Judeu profundamente culto, Efraim, aos quarenta de idade, já se fizera autoridade máxima dos herdeiros espirituais de Hilel, o admirável doutor das Sete Regras... Excessivamente rico, dispunha não somente de valiosas terras cultivadas e de formoso palácio residencial em Jericó, onde sustentava largo prestígio, mas também de casas diversas em Jerusalém, vinhedos e campos de cevada, rebanhos e negócios importantes na Síria. Entretanto, não era só isso. Era o depositário dos recursos amoedados de companheiros numerosos. Todo fariseu hilelita que se lhe vinculasse à amizade, hipotecava-lhe confiança e, com isso, os próprios bens. Transformara-se-lhe a fortuna pessoal, desse modo, em extensa formação bancária, recolhendo depósitos vultosos e pagando juros compensadores. No centro da organização, cujos interesses financeiros se expandiam, constantes, era ele, embora relativamente moço, um oráculo e um amigo...

O narrador fez longa pausa, como se nos quisesse monopolizar as atenções, e prosseguiu:

- Devotado leitor da Mischna e apaixonado pelas doutrinas do antigo orientador que tudo fizera por desentranhar o espírito da letra, na interpretação das Escrituras, Efraim ouviu, com imensa simpatia, as notícias do Reino de Deus, de que Jesus se revelava portador. Assinalando o ódio gratuito com que os fariseus rigorosos investiam contra o Mestre, mais se lhe exacerbou o desejo de um contacto direto. O Mestre nazareno falava de amor, concórdia, humildade, tolerância. Operava maravilhas. Trazia sinais do Céu, no alívio ao sofrimento humano. Não seria ele, Jesus, o mensageiro da suprema união? Desde muito jovem, sonhava Efraim com a aliança de todas as crenças do povo de Israel. Mantinha habitualmente conversações pacíficas com saduceus amigos, bem colocados no Sinédrio, buscando a suspirada conciliação, sem resultados. De entendimento seguro com os schammaitas, desistira. Fatigara-se de intrigas e sarcasmos. Diligenciara colher os pontos de vista dos nazarenos e samaritanos, conhecidos por opiniões menos estreitas, ouvira compatrícios mentalmente marcados pelas inovações de credos estrangeiros, quais os que se mostravam em ativa correspondência com a Grécia e com o Egito, mas tudo debalde... Controvérsias entrechocavam-se, quais farpas afogueadas, incentivando perseguições... Demandara retiro deleitoso de essênios, em cuja intimidade repousara, durante alguns dias, anotando, encantado, várias referências, em derredor dos ensinamentos do Cristo; no entanto, mesmo aí, no seio da coletividade consagrada à comunhão de bens, no serviço da agricultura, encontrara antagonistas intransigentes, que não vacilavam no escárnio sobre os profitentes, de outras convicções... A pouco e pouco, amadureceu o projeto de ir em pessoas ao encontro de Jesus, o fascinante condutor de multidões, a fim de expor-lhe o magnífico projeto. Reunir, enfim, os descendentes das doze tribos, eliminar para sempre as discussões e estabelecer a solidariedade real... Assim pensando, ao sabe-lo em atividade, além do Jordão, Efraim arrancou-se do lar, tentando surpreende-lo.

Após algum tempo, achou-o entre homens cansados e tristes e, ao fita-lo, enterneceu-se-lhe o coração... Como que tocado de luz invisível, olhou para si mesmo e envergonhou-se das joias que trazia, conquanto adotasse, naquela hora, a indumentária que lhe era comumente mais simples. Tomando de funda emotividade, receava agora a almejada entrevista. Sentia-se inibido, pequeno de espírito. Sofreava, a custo, as próprias lágrimas... Sim, concluía consigo mesmo, dirigir-se-ia ao Mestre das Boas Novas, na feição de aprendiz, ocultarias a própria grandeza individual... Magnetizado, por fim, pelo sereno olhar de Jesus, dirigiu-se até ele e perguntou:

- Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Fugindo à lisonja, respondeu o Cristo:

- Porque me chamas bom? Não há bom senão um que é Deus. Mas, se queres entrar na vida eterna, guarda os mandamentos.

- Quais? – tornou Efraim, preocupado.

E Jesus enumerou alguns dos antigos preceitos de Moisés:

- Amarás a Deus sobre todas as coisas; não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não pronunciarás falso testemunho; honrarás teus pais; amarás o próximo como a ti mesmo...

Efraim, que não se esquecia da própria condição de príncipe da cultura e da finanças farisaicas, ajuntou, sorrindo:

- Tudo isso tenho observado desde a minha juventude.

O Mestre, no entanto, fixou nele os olhos lúcidos, como a desvendar-lhe o âmago da alma, e considerou:

- Algo te falta, ainda... Se queres aperfeiçoar-te, vai, vende tudo o que tens, tudo entregando aos pobres, e terás um tesouro nos Céus ... Feito isso, vem e segue-me.

O poderoso dirigente dos fariseus, contudo, ao ouvir essas palavras, recordou subitamente as enormes riquezas que possuía e retirou-se muito triste...

Veridiano, um amigo que nos partilhava os estudos, indagou, logo que o relator deu a narrativa por terminada:

- Não será essa a história do mancebo rico, mencionada no Evangelho?

Simão esboçou largo sorriso e informou:

- Sem mais, nem menos...

E assinalando-nos a surpresa, concluiu, sem que nos fosse possível aduzir, depois, qualquer comentário:

- A fusão dos agrupamentos religiosos no mundo é assunto muito velho. É aconselhada com ardor, aqui e ali; entretanto, quando se fala em esvaziar a bolsa, em favor dos necessitados, para que o amor puro garanta a construção do Reino de Deus, nas forças do espírito, quase todos os patronos da apregoada união se afastam muito tristes...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

Curta nossa página no Facebook:
(*) Hilelita: - Escola de pensamento judaico inspirada pelo sábio Hilel.

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.