quinta-feira, 30 de julho de 2026

Tudo renasce (Editorial)

 Tudo renasce (Editorial)

J. Herculano Pires


Imagem gerada por IA.

A natureza oferece-nos a lição permanente da ressurreição.

ida é uma sucessão de ciclos. Nada morre. Nada se acaba. 

Tudo volta na morte aparente e na ressurreição permanente. 

Acontece com os homens, que vão e voltam, na sucessão das gerações.

Os pregoeiros da vida única, condoídos da morte intuitiva, querem separar o homem da natureza, torná-lo criatura marginal na obra de Deus. Mas Deus nos ensina, a cada momento, que nada se acaba, que tudo se renova.

Deus planta-nos os signos das coisas, a ressurreição do dia e da noite; as estações do ano, dos séculos e dos milênios; o ritmo dos vegetais; o ciclo das águas; a rotação da Terra e dos astros.

Tudo nos lembra a renovação constante da vida que jamais perece. A relva rompe-se nas calçadas de pedra e nas lajes dos túmulos. É a vida que renasce triunfante, negando a morte.

A linguagem simbólica de Deus na natureza adverte-nos que nada se acaba, que tudo se transforma, num impulso da evolução.

Uma estrela apaga-se no céu e outra nasce. Mas a visão espiritual, no seio de todas as grandes religiões, proclama em todo o mundo a ressurreição do homem, após a morte, ressuscitando o Espírito, como ensina o apóstolo Paulo, através da reencarnação.

Há duas formas de ressurreição: morremos na Terra para ressuscitarmos na vida espiritual; morremos no mundo dos Espíritos para nascermos no mundo dos homens. Cada nascimento na Terra é uma ressurreição na carne.

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, essa é a lei”, proclamou Kardec. Hoje o problema da reencarnação é um problema da Ciência, da investigação científica, nos maiores centros culturais do mundo. Nas universidades americanas e nas universidades russas, no ocidente e no oriente, os cientistas pesquisam a reencarnação.

Você crê na reencarnação? Não perca tempo, a reencarnação não é mais uma questão restrita. Estude o problema. Pergunte a você mesmo se é lógico, se é admissível, que tudo renasça, menos o homem. Por que motivo o homem, a mais alta conquista da evolução em nosso Planeta, seria o único ser, a única coisa destinada a perecer quando nada perece?

A cada minuto que passa, entramos no amanhã. A cada passo que damos, o passado fica para trás; estamos na grande viagem do tempo sem fim. O momento presente é o encontro entre o passado e o futuro. Quem se agarrar ao passado perderá a sua vida, a vida atual, o momento presente, carregado de oportunidades para o futuro. Não seja um retrógrado. Abandone na estrada o baú das velharias. Olhe para frente e marche para o mundo.

Mas não pense que o passado esteja perdido. Nada se perde, tudo se transforma. É do passado que nasce o presente.

É do presente que nasce o futuro. Pense bem nisso. Ontem construímos o futuro de hoje. Hoje estamos preparando o que seremos amanhã.

Não lamente o passado e não tenha medo do amanhã.

Na verdade, o amanhã está em suas mãos, você pode fazê-lo como quiser. Um amanhã carregado de folhas mortas ou de um verde florido, como a primavera; feche os olhos um pouco e se lembre de ontem. Veja bem: foi no ontem que você preparou o hoje. Tudo de bom que você fez ontem é a alegria e a bondade no hoje que você está vivendo. Tudo de mal que você fez ontem é a maldade do hoje que lhe atormenta.

Tudo o que você fez hoje vai modelar, daqui a pouco, o amanhã, o que você será amanhã, que chega a cada instante.

Nada se perde. Tudo se transforma, em nossas mãos. Não tenha medo de você. Pense no Mestre e Senhor. Porque Ele disse: “Quem se apega à sua vida, perdê-la-á. E quem a perder por amor de mim, encontrá-la-á.”

Guarde no caminho o baú das velharias. O caminho de hoje está cheio de esperanças. Colha no hoje as flores do amanhã. Não alimente as nuvens de desgraça e da maldade, porque elas se acumularão no seu horizonte, ameaçando temporais. Pense no céu azul que lhe espera, além da linha do horizonte. E marche confiante para o amanhã.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã (Editorial)

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Atenda ao serviço

Atenda ao serviço

Marco Prisco

Imagem gerada por IA.
"578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão? Sim, se não for um Espírito superior." (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
Embora as dificuldades que obstaculizam a caminhada, confie e coopere com o bem.

Em toda parte você será constrangido à luta, se deseja seguir adiante.

Medite em suas dores e recolha o fruto do sacrifício, continuando o compromisso com o Senhor.

Não deixe, assim, que o desânimo caminhe com você porque o auxílio dos outros não se ofereça a ajudá-lo.
Falam dos seus atos? Renove-se e prossiga.
Duvidam da sua honra? Aprimore-se e avance.
Dilapidam o seu caráter? Trabalhe e continue.
Perturbam a sua paz? Insista no bem e ajude.
Trabalham contra as suas intenções? Silencie e ore.
Combatem os seus esforços superiores? Porfie e siga.
No solo humilde e produtivo, filetes de água, procurando vitalizar a vegetação, muitas vezes embebedam as raízes; vermes encarregados de facilitar a aeração das camadas subterrâneas devoram o sustentáculo das plantas.

Sobre a terra, insetos que conduzem o pólen fecundante, não raro estiolam a flor; a luz solar, que vivifica constantemente, também mata; e a chuva que alimenta é a mesma que aniquila...

No entanto, apesar de tudo, a plantinha débil não se atemoriza. Quanto pode, insiste no seu mister de crescer até se transformar em vigoroso arvoredo, vencedor das tempestades, a fim de oferecer amparo, flor e fruto.

Faça o mesmo, seguindo-lhe o exemplo.

A dificuldade é clima de todo lugar onde o trabalho se desenvolve.

A ignorância é adubo fecundante à espera de assistência e movimentação para o sagrado objetivo da evolução.

Não se detenha quando a maldade dos outros seguir ao seu lado.

Lembre-se do Mestre Incorruptível.

Aproveite o ensejo e deixe brilhar a luz das suas intenções em tarefas de bem servir.

O campo imenso dos corações humanos aguarda as suas mãos para a obra da felicidade geral.

Sirva, passe e, confiando, una-se à caravana dos servidores anônimos que o Céu tem na Terra e a Terra colocou no Céu; alargue os horizontes da alma e renove o mundo com a renovação da sua própria vida.

Estará, assim, atendendo ao serviço que, em última instância, é sempre do Senhor, sem falir, candidatando-se à abençoada posição de "um Espírito superior".

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Legado Kardequiano

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terça-feira, 28 de julho de 2026

A única dádiva

A única dádiva

Irmão X.

Conta-se que Simão Pedro estava cansado, depois de vinte dias junto do povo.

Banhara feridentos, alimentara mulheres e crianças esquálidas, e, em vez de receber a aprovação do povo, recolhia insultos velados, aqui e ali...

Após três semanas consecutivas de luta, fatigara-se e preferira isolar-se entre alcaparreiras amigas.

Por isso mesmo, no crepúsculo anilado, estava ele só, diante das águas a refletir...

Aproxima-se alguém, contudo...

Por mais busque esconder-se, sente-se procurado.

É o próprio Cristo.

- Que fazes Pedro? – diz-lhe o Senhor.

- Penso Mestre.

E o diálogo prolongou-se.

- Estás triste?

- Muito triste.

- Por quê?

- Chamam-me ladrão.

- Mas se a consciência te não acusa, que tem isso?

- Sinto-me desditoso. Em nome do amor que me ensinas, alivio os enfermos e ajudo aos necessitados. Entretanto, injuriam-me. Dizem por aí que furto, que exploro a confiança do povo... Ainda ontem, distribuía os velhos mantos que nos foram cedidos pela casa de Carpo, entre os doentes chegados de Jope... Alegou alguém, inconsideradamente, que surrupiei a maior parte... Estou exausto Mestre. Vinte dias de multidão pesam muito mais que vinte anos de serviços na barca...

- Pedro, que deste aos necessitados nestes últimos vinte dias?

- Moedas, túnicas, mantos, ungüentos, trigo, peixe...

- De onde chegaram as moedas?

- Das mãos de Joana, a mulher de Cusa.

- As túnicas?

- Da casa de Zobalan, o curtidor.

- Os mantos?

- Da residência de Carpo, o romano que decidiu amparar-nos.

- Os unguentos?

- Do lar de Zebedeu, que os fabrica.

- O trigo?

- Da seara de Zaqueu, que se lembra de nós...

- E os peixes?

- Da nossa pesca.

- Então Pedro?

- Que devo entender Senhor?

- Que apenas entregamos aquilo que nos foi ofertado para distribuirmos em favor dos que necessitam. A Divina Bondade conjuga as circunstancias e confia-nos de um modo ou de outro os elementos que devamos movimentar nas obras do bem... Disseste servir em nome do amor...

- Sim Mestre...

- Recorda então, que o amor não relaciona calúnias, nem conta sarcasmos.

O discípulo entremostrando súbita renovação mental não respondeu.

Jesus abraçou-o e disse apenas:

- Pedro, todos os bens da vida podem ser transmitidos de sítio a sitio e de mão em mão...

Ninguém pode dar em essência esse ou aquele patrimônio do mundo senão o próprio Criador, que nos empresta os recursos por Ele gerados na Criação... E se algo, podemos dar de nós, o amor é a única dádiva que podemos fazer, sofrendo e renunciando por amor...

O apostolo compreendeu e beijou as mãos que o tocavam de leve.

Em seguida puseram-se ambos a falar alegremente sobre as tarefas esperadas para o dia seguinte.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Fragilidade humana

Fragilidade humana

Joanna de Ângelis



Interrogas, surpreso, como foi possível a Judas, que conviveu com o Mestre em doce enternecimento, participando do banquete festivo da Boa-nova, advertido e orientado, traí-lO, entregando-O aos Seus inimigos, seja qual for a justificativa que se apresente?

Certamente, Judas O amava, a seu modo, porquanto renunciara aos compromissos anteriores, a fim de segui-lO, e, apesar disso, não suportou as pressões de Entidades perversas que o assediaram, levando-o à ruína.

Ainda fustigado pela fraqueza de caráter, quando se deu conta da hediondez praticada, ao invés de enfrentar as consequências do ato ignóbil, optou pela fuga covarde do suicídio cruel.

Inquires, com desalento, como Pedro, que havia recebido a responsabilidade de apascentar as Suas ovelhas, que com Ele convivera em intimidade, acompanhando os Seus momentos de sublimação no Tabor e de abnegação em toda parte, embora avisado com clareza, pôde negá-lO três vezes consecutivas?

Nas praias e no mar da Galileia, que lhe eram o berço e a vida social, comercial, humana, participou de todas as Suas elevadas propostas sobre o Reino dos Céus, cujos alicerces estavam sendo construídos no solo dos corações, acompanhou os fenômenos incomparáveis da Sua condição de Filho de Deus, apesar disso, fez-se vítima da fraqueza moral que não pôde superar.

Deu-se conta, logo depois, todavia, que fracassara no momento mais relevante da sua existência.

Indagas, aturdido, como todos aqueles amigos que foram eleitos como membros do Seu colégio de amor e de misericórdia, que ouviram a sinfonia esplêndida das Bem-aventuranças, que foram testemunhas das curas repentinas dos portadores de diferentes enfermidades com a Sua intervenção, que O viram repreender os ventos e as ondas durante a tempestade no mar, puderam abandoná-lO a partir do momento da traição, com exceção, apenas, de João?

Haviam sido convidados com infinito amor, aceitaram o desafio, apresentaram-Lhe todas as dúvidas, solicitaram as orientações necessárias para a entrega das existências, renunciaram às comodidades e convivência no lar, na família, no grupo social, entrementes, no momento máximo, tombaram na pusilanimidade, relegando-O à própria sorte.

Todos estavam esclarecidos e conscientes de que a jornada com Ele era feita de aflições e de soledade. Em momento algum Ele os encorajou à esperança de felicidade no mundo, de glórias terrenas, de júbilos no poder. Foi-lhes sempre sincero e claro, algumas vezes mesmo se fez enérgico e vigoroso, a fim de fortalecê-los para a grande luta; confidenciou-lhes, em intimidade, esperanças e alegrias inefáveis depois da existência corporal, e, apesar de tudo, não tiveram valor moral para segui-lO.

Sucede que o mundo físico é também sinônimo de ilusão, de sonho, de incerteza.

Mesmo eles, que deveriam estar estruturados na coragem imbatível pelo de que se encontravam conhecedores, não tiveram condições de merecer a palma da vitória sobre a inferioridade moral, pelo menos, no momento do grande testemunho.

Mais tarde, sim, todos se entregaram ao amor e à glória de servi-lO, redimindo-se da fraqueza humana.

*

Convidado, como te encontras, para a restauração dos postulados sublimes de Jesus, na atualidade de valores controvertidos e insanos, não esperes entendimento nem fidelidade dos amigos que compartem os ideais que te fascinam.

Provavelmente, todos gostariam de entregar-se ao ministério de iluminação de consciências, oferecendo os seus melhores recursos e mais honesta dedicação para que se tornem realidade os objetivos anelados.

Cada pessoa, no entanto, tem o seu próprio programa de evolução, em razão das conquistas e prejuízos anteriores, que lhe assinalam a trajetória terrestre.

Alguns, embora encantados com o Evangelho desvestido de fantasias e de superstições, conforme o desvela o Espiritismo, ainda se encontram vinculados a interesses imediatistas de prazer, de fama, de poder, e não estão dispostos a renunciar a tudo quanto os fascina.

Diversos, igualmente despertos para o banquete da Era Nova, encontram-se comprometidos com deveres familiares, sem coragem para libertar-se das exigências do lar, refugiando-se nesse mecanismo desculpista para ficarem acomodados.

Muitos, herdeiros de situações lamentáveis de outras existências, sentindo-se fracassados nos setores sociais a que se entregaram, veem na programação libertadora oportunidade de manter o poder, destacar-se a qualquer preço, disputar lugares e privilégios, vencer os demais, que passam a ter em conta de adversários...

Vários, ainda vinculados às paixões dissolventes em que se comprazem, invejam os lutadores, têm mágoa dos trabalhadores dedicados, entregando-se a sistemáticas campanhas de desmoralização das suas existências, assim torpedeando as suas nobres realizações.

São as fraquezas humanas que neles predominam.

Não conseguem superar as tendências inferiores que os mantêm em situação deplorável.

Talvez gostassem de estar ao teu lado, de ser como tu, de lutar com a tua coragem, entretanto, não se esforçam por consegui-lo, optando pela permanência no estágio que os amesquinha.

Se lhes sofres o abandono, o combate sistemático, a perseguição insana, a antipatia gratuita, o ódio devorador, não te perturbes, sintonizando na faixa da sua pusilanimidade.

Mantém-te coerente com a tua crença e fiel ao teu ideal.

Já que eles desejam ficar onde se encontram, não insistas, não os lamentes, não te detenhas.

Segue adiante!

Deves realizar a tarefa que aceitaste do Mestre, sem discussão, e que tem sido fator de alegria na tua atual existência, não constrangendo ninguém a seguir contigo, nem a te auxiliar no desiderato.

*

Se, em algum momento, estiveres para desfalecer ante as difíceis conjunturas, as perseguições e a solidão, envolve-te nas dúlcidas vibrações da prece, recuperando as energias e o desejo de avançar sem detença.

Recorda-te, de imediato, de Jesus com o madeiro sobre o ombro dilacerado, caindo várias vezes e levantando-se, sem os censurar, sem os procurar no meio da multidão que uma semana antes O aplaudiu, quando da entrada em Jerusalém, e agora O malsinava.

Constituído do mesmo material humano das demais pessoas, transforma tuas fraquezas em valor moral e sê fiel Aquele que te ama desde o início dos tempos e prossegue contigo, esperando a tua decisão de entrega total a Ele.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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