sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A maratona mediúnica

A maratona mediúnica

Richard Simonetti


Imagem gerada por IA.

Joaquim estava em visita a familiares que residiam em cidade do interior fluminense. Espírita estudioso e idealista, apreciava travar contato com os confrades. Assim, tendo uma sobrinha por cicerone, foi visitar um centro localizado em bairro distante.

Saíram por volta das dezenove horas. Caminhada longa. Sessenta minutos. Quando chegaram a reunião estava no início. Aproximadamente quarenta pessoas num salão de regulares proporções. O dirigente limitou-se a lacônica oração. Em seguida convidou:

- Vamos passar à parte espiritual de nossos trabalhos. Os irmãos que desejarem exercitar a mediunidade queiram, por favor, aproximar-se.

Joaquim estranhou a ausência de estudo antes do intercâmbio com o Além, bem como a oferta indiscriminada. E se todos se julgassem aptos a participar?

Faltou pouco para isso. Pelo menos dois terços dos presentes tomaram assento junto à mesa enorme que dominava o ambiente.

- Meu Deus! - monologou o visitante por dentro. - Nem Kardec reuniu tantos médiuns num grupo tão pequeno! Se todos “funcionarem” a noite será curta!

Não deu outra. Tão desejosos de falar quanto os médiuns em transmitir, os Espíritos não permitiam trégua. Certamente constituíam multidão, a atropelar a disciplina, promovendo manifestações simultâneas sem nenhuma originalidade. Gemiam, choravam, confessavam, tanto quanto orientavam e aconselhavam, numa algaravia, uma confusão de vozes que pouco proveito oferecia.

Contavam com a omissão do dirigente, que raramente intervinha, e a passividade da assistência que parecia ver naquela miscelânea a exorcização de seus males. Somente assim se justificaria que permanecesse horas a fio acompanhando a rotina enfadonha de entidades que repetiam as mesmas banalidades e choravam as mesmas angústias.

Joaquim estava decepcionado. Aquelas manifestações eram numerosas demais, vazias demais, semelhantes demais, repetitivas demais, ressumbrando, vicioso animismo. Sua presença ali pareceu-lhe pura perda de tempo. Aliás, tempo também demais. Já passava das vinte e três horas. Sua sobrinha dormia recostada em seu ombro. Havia a longa caminhada de volta. Sair antes do encerramento pareceu-lhe indelicado. Então, resoluto, começou a orar mentalmente, pedindo o encerramento da reunião.

Aliviado, observou que em breves momentos cessaram as manifestações.

O dirigente ainda esperou alguns minutos. Vendo que nada mais acontecia, pronunciou a prece de agradecimento, dando por encerrados os trabalhos da noite. Em seguida, aproximou-se de Joaquim e lhe perguntou, incisivo, sem preâmbulos:

- O que fez?

-Eu?

- Só pode ter sido o senhor! É o único estranho!...

- Não estou compreendendo...

- A reunião! Terminou muito cedo!

- No meu entendimento prolongou-se bastante.

- Como conseguiu?

- Bem, não sei se tenho a ver com isso. Apenas solicitei providências aos amigos espirituais. É tarde e tenho uma longa caminhada pela frente.

- Mora aqui?

- Fique tranquilo. Sou do Rio. Regressarei amanhã.

- Não estou preocupado nem aborrecido. Ao contrário, gostei de sua atuação. Se morasse em nossa cidade poderia dirigir esta reunião. Certamente conseguiria abreviar nossa maratona.

- Maratona?

- ... Mediúnica. É o grande problema que enfrentamos. Não conseguimos entrar em acordo com os Espíritos. Nossos trabalhos estendem-se madrugada adentro. Não raro passamos a noite aqui. Iniciamos às vinte horas, mas só Deus sabe quando terminamos!

Em qualquer atividade, se pretendemos ser eficientes e produtivos, não podemos olvidar a disciplina, o estudo e o discernimento.

O exercício mediúnico parece situar-se como exceção para desavisados companheiros que desenvolvem o intercâmbio com o Além sem nenhuma noção a respeito do assunto.

Daí existirem agrupamentos mediúnicos onde os mentores espirituais não encontram acesso para um trabalho produtivo e edificante, com manifestações que se multiplicam muito além do razoável e aproveitamento muito aquém do desejável.

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Antes, porém...

Antes, porém...

André Luiz


Você pede melhoras de saúde.

Antes, porém, socorra o enfermo em condições mais graves.

Você pede, em favor do seu filho.

Antes, porém, proteja a criança alheia em necessidade maior.

Você pede providência determinada.

Antes, porém, alivia a preocupação de outra pessoa, em prova mais contundente que a sua.

Você pede concurso fraterno contra a obsessão que o persegue.

Antes, porém, estenda as mãos ao obsidiado que sofre sem os recursos de que você já dispõe.

Você pede perdão pela falta cometida.

Antes, porém, desculpe incondicionalmente aqueles que lhe feriram o coração.

Você pede apoio à existência.

Antes, porem, seja consolo e refúgio para o irmão que chora em seu caminho.

Você pede felicidade.

Antes, porém, semeie nalgum gesto simples de amor a alegria do próximo.

Você pede solução a esse ou àquele problema.

Antes, porém, busque suprimir essa ou aquela pequenina dificuldade dos semelhantes.

Você pede cooperação.

Antes, porém, colabore a benefício dos que suam e gemem na retaguarda.

Você pede a assistência dos bons espíritos.

Antes, porém, seja você mesmo um espírito bom, ajudando aos outros.

Toda solicitação assemelha-se, de algum modo, à ordem de pagamento, que, para ser atendida, reclama crédito.

A casa não se equilibra sem alicerce.

Uma fonte ampara outra.

Se quisermos auxílio, aprendamos a auxiliar.

André Luiz do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Caridade

Caridade

Cárita


Imagem gerada por IA.

Eu sou o Sol que aquece a vida, em nome da Vida que criou o Sol.

Sou eu quem reverdece o campo em beijos cálidos após a demorada invernia.

Eu sou a força que sustenta as criaturas tombadas, a fim de que se ergam, e as desiludidas, para que recomecem a faina do próprio crescimento.

Eu sou o pão que alimenta os corpos e as almas, impedindo-os de experimentar deperecimento.

Sou eu a música que enternece o revoltado, e sou o poema de esperança que canta alegria onde houve devastação.

Por onde eu passo, um rastro luminoso fica vencendo a sombra que cede lugar à claridade libertadora.

Eu sou o medicamento que restaura as energias combalidas, e sou o bálsamo que suaviza o ardor das chagas purulentas que levam ao estertor e à alucina-ção. Sou a gentileza que ouve pacientemente a narrativa do sofrimento e nunca se cansa de ser solidária, conquanto a aflição que se espraie entre as criaturas.

Eu sou o fermento que leveda a massa e dá-lhe forma para aprimorar-lhe o sabor.

Sou eu a paz que visita a charneca, adornando-lhe a paisagem lúgubre.

Eu sou o perfume carreado pela brisa mansa para aromatizar os seres e o vergel.

Sou eu a consolação que cicia palavras de fé aos ouvidos da amargura e soergue aqueles que já não confiam em ninguém, aturdidos pelas frustrações e feridos pelas dores excruciantes.

Eu sou a madrugada que ressuscita todos aqueles que são tidos como mortos ou que estão adormecidos, a fim de que possam voltar ao convívio dos familiares saudosos e em angústias devastadoras.

Sou eu a água refrescante que sacia a sede de todas as necessidades e limpa as sujidades da alma de-teriorada, preparando-a para os renascimentos felizes.

Eu sou o hálito divino sustentando a criação e penetrando por todas as partículas de que se constitui.

Convido minha irmã, a Fé, para que ofereça resistência ao viajor cansado e o alente em cada passo, concedendo-lhe combustível para nunca desistir.

Eu me apoio na irmã Esperança que possui o encanto de reerguer e amenizar a aspereza das provações.

Quando elas chegam, o prado queimado se renova, porque se me associam, fazendo que arrebentem flores e frutos onde a morte parecia dominar...

As duas, a Fé e a Esperança, constituem os elementos vitais da minha alma, a fim de que permaneça conduzindo todos os seres.

O Senhor enviou-me em Seu nome, com a missão de lembrar a Sua presença no mundo, desde quando me usou para que as criaturas que Lhe desafiaram a Justiça e a Misericórdia, pudessem recomeçar o processo de evolução.

Vinde comigo ao banquete suntuoso da ação contínua do Bem e embriagai-vos de felicidade.

Eu sou a caridade!

Salvador (BA), 06 de Janeiro de 1999.

Cárita por Divaldo Franco do livro:
Luzes do Alvorecer

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Influências

Influências

Emmanuel


Todas as regiões da vida terrestre experimentam a influenciação espiritual de variados matizes.

Busquemos o concurso das forças que materializam o bem, associando-nos a ele, em todas as circunstâncias.

Se nada oferecemos de útil, que podemos receber das energias que difundem na Terra o suprimento dos recursos divinos?

Há sempre, no imo de nossa alma, o propósito de recolher as graças do Céu.

Quase todo espírito se julga o mais importante credor das bênçãos divinas.

Entretanto, ninguém consegue “alguma cousa” sem esforçar-se de algum modo.

Semente que germina, vencendo os empecilhos do solo, obtém, mais tarde, o favor do fruto.

A fonte que abandona o poço onde nasceu, arrojando-se para diante, na conjugação do verbo servir, alcança a grandeza do mar.

O homem que se destaca, pelo esforço na própria elevação, dirige-se para vanguarda de luz, convertendo-se em abençoado instrumento dos Celestes desígnios, no progresso humano.

Ajuda aos outros e serás amparado pelos heróis do bem.

Semeia a fraternidade e conquistarás a influência benéfica de milhares de irmãos.

Obteremos sempre, de acordo com as nossas próprias obras.

Se o lodo transforma em lodo a terra que o visita, o fogo converte em fogo o combustível que o procura.

Não olvides que de ti mesmo depende a natureza das forças que te inspiram para o bem ou para o mal.

Se desejas descer aos abismos da sombra, encontrarás o auxílio das potências que ainda se comprazem nas trevas, mas, se anseias pela subida aos montes da sublimação terás, contigo, o socorro de todas as inteligências que já se consagram à luz.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Assim Vencerás

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