quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Entre as rotas do mundo

Entre as rotas do mundo

Maria Celeste


Imagem gerada por IA.

Admira o trabalho do vento que desmancha a névoa a perambular no caminho...

Os raios caniculares do sol que alcatifam o horizonte, jorrando reverberações de ouro em chamas...

A leve poeira de pólen das flores que se eleva a dançar pelos ares fertilizando a campina em ondas de encantamento...

A brisa cantora, amansando as vagas espumosas e multicores no escachoar das catadupas, em sons dispersos...

O perfume que habita o seio da rosa ou que denuncia o fruto amadurecido...

As línguas de fogo que lambem o lixo informe, ao rufar das labaredas, em largo cortejo de esplendores...

A poalha de grânulos cintilantes da imensidade recheada de astros...

Em tudo isso, - criações que te não podem passar desapercebidas – há uma ideia básica que plasma, um pendor de bondade que provê, um toque de beleza que ameniza...

Tudo isso fala em amor, amor de Deus, - o Princípio da Caridade em todos os idiomas...

Quanto recebes da vida sem dependeres um só ceitil!

Tais espetáculos a Natureza oferece pelo contentamento maternal de ver-te feliz em seus dons inefáveis.

É o bem pelo próprio bem que Deus nos endereça.

É o bem, que se faz por simples prazer.

O Sol, o vento ou a água nada reclama.

Ensinam-nos a amar sem nada pedir; a amar sempre sem exigir cousa alguma.

Segue assim a Celeste Orientação entre as rotas do mundo.

Atende a todas as escudelas de pedintes, por onde passes, mas não te satisfaças apenas, com isso; o irmão comum é nosso próprio familiar.

Deixa que a emoção te tanja as fibras da alma em mil tonalidades de carinho, diante da eloquência de um sorriso infantil, da aflição de uma lágrima da velhice, da impetuosidade ou da incerteza de um olhar da juventude...

O exemplo é o mais poderoso imã do espírito.

A necessidade marcha em rodízio de vida em vida, de destino em destino.

O dinheiro e as posses do corpo, ao fim da viagem terrestre, são sempre quais punhados de lama e pó que tentamos reter debalde e que nos escapam, inapelavelmente, por entre os próprios dedos.

Aconchega em teu coração, os arroubos de fazer o bem pelo prazer que o bem te proporciona com a única ideia preconcebida; a de criar alegria para as criaturas de Deus e dar aos que te rodeiam pelo menos leve parcela de amor do Amor Infinito que Deus nos dá.

Maria Celeste do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
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- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A vitória das sombras

A vitória das sombras

Richard Simonetti


Imagem gerada por IA.

Altamiro, experiente obsessor, especialista em perturbar instituições espíritas, ouvia as queixas de Perciliano, velho companheiro de estrepolias entre os encarnados:

- Meu caro amigo, estamos em dificuldades. Não encontramos brechas para envolver espíritas impertinentes que invadiram nossa área de atuação. Edificaram um Centro, onde orientam muitas pessoas na reformulação de suas existências, com o que as subtraem à nossa influência.

- Tentaram desestabilizar o grupo com a discórdia?

- Sim, sem resultado. Eles estudam com muito empenho, em reuniões semanais, o detestável “Evangelho Segundo o Espiritismo”. Observam com seriedade sua lenga lenga sobre a compreensão e o perdão.

- Experimentaram conturbar o ambiente com a presença de entidades galhofeiras e desequilibradas?

- Não há a mínima condição! Não temos acesso!... Os trabalhos são regidos pela oração e por vibrações em favor da concórdia e da paz.

- Semearam o tédio?

- Inutilmente! É impossível desmotivar pessoas que se imbuíram da convicção de que estão revivendo o Cristianismo primitivo com infindáveis iniciativas em favor do semelhante.

- E o formalismo religioso? Alimentem neles a velha tendência humana para as exterioridades. Inspirem rituais e rezas que induzam ao acomodamento, distraindo-os da própria renovação. Foi assim que nossos maiores conseguiram desvitalizar o movimento cristão no passado.

- Fizemos isso, também. Alguns servidores mostraram-se receptivos, mas sem grandes resultados. Ocorre que lutamos contra um vigoroso movimento de abomináveis ideias nobres, imune a influências negativas, onde elas são diligentemente apreciadas e observadas.

- Se é assim - comenta Altamiro, sorrindo sinistramente - então ataquem o grupo onde ele parece mais forte: nas suas convicções! Sugiram que o Espiritismo não é religião! Que devem preservar o Centro contra o igrejismo! Nada de Cristianismo redivivo! Que oração pública é herança ritualística de outras crenças! Que passe magnético e água fluidificada revivem práticas de comunhão formal! Que “O Evangelho Segundo o Espiritismo” deve ser substituído, nas reuniões de estudos, por livros mais substanciosos, de cunho científico e filosófico! Faça-os sentir a necessidade de preservar a pureza doutrinária, expurgando a Doutrina de tudo o que rescende a ranço de religiosismo!...

O interlocutor exultou. Não havia pensado nisso! Entusiasmado, providenciou para que a orientação fosse imediatamente implementada.

Em breve o promissor núcleo espírita, que congregava dezenas de colaboradores e oferecia a milhares de pessoas os fundamentos de uma prática religiosa alicerçada no esforço do Bem, portal sublime de comunhão com a Espiritualidade Maior, estava reduzido a pequeno grupo de estudiosos empenhados em negar o caráter religioso do Espiritismo.

Perciliano conseguira, finalmente, o seu intento.

Os gênios das sombras não desprezam nenhuma possibilidade no propósito de conturbar o movimento espírita, a mais séria ameaça ao seu domínio milenar.

Atuando inteligentemente, imiscuem-se atualmente entre os espíritas, veiculando surpreendente “revelação”: O Espiritismo não é religião! E sempre encontram companheiros invigilantes, dispostos a defender acirradamente essa esdrúxula ideia, apoiando-se em extravagante exegese dos textos da Codificação.

Todavia, nenhum sofisma poderá sobrepor-se ao fato irrecusável de que Allan Kardec escreveu “O Evangelho Segundo o Espiritismo” para destacar o aspecto religioso do Espiritismo, tanto quanto em “O Livro dos Médiuns” fala do aspecto científico e em “O Livro dos Espíritos” desenvolve o aspecto filosófico, compondo a tríade redentora: Filosofia, Ciência e Religião!

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Quando voltares

Quando voltares

Meimei


Imagem gerada por IA.

Sofres pedindo alívio e inebrias-te na oração, como quem sobe ao Céu pela escada sublime da bênção...

Rogas a presença do Cristo.

Todavia, não encontras o Mestre, diante de quem te prostrarias de rastros.

Sabes porém, que nas Alturas os Braços Eternos te sustentam a vida e, enquanto te enterneces na melodia da confiança, sentes que tua alma se coroa de luz, ao fulgor das estrelas.

Suplicas, em prece, a própria felicidade e a felicidade dos que mais amas, obtendo consolo e refazendo energias...

Contudo, quando voltares da divina excursão que fazes em pensamento, desce teus olhos no vale dos que padecem.

Surpreenderás aqueles para quem leve migalha de teu conforto expressará sempre, de algum modo, a aquisição da perfeita alegria.

Os mutilados em pranto oculto, os enfermos deixados aos pesadelos da noite, os infelizes em desespero e os pequeninos que se amontoam ante o lar de ninguém...

Descobrindo-os, decerto não lhes alongarás apenas o olhar dorido, mas também as próprias mãos, aprendendo a redentora ciência de auxiliar.

Compreenderás então que podes igualmente distribuir na Terra o tesouro de amor que imploras do Céu e, quem sabe?...

Talvez hoje mesmo, penetrando o quarto sem lume de algum doente que o mundo esqueceu no catre da angústia, encontrarás o Senhor, velando-lhe as horas, a dizer-te com ternura inefável:

– “Para que me chamaste? Eu estou aqui.”

(Em referência a O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVIII / Item 7.)

Meimei do livro: O Espírito da Verdade
 de Chico Xavier e Waldo Vieira (Espíritos Diversos)

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domingo, 23 de agosto de 2026

Desapego

Desapego

Hammed


Imagem criada por IA.

A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao "ego" está vazio do "sagrado"; aquele que se liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado".

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?" (Mateus 16:24 a 26)
Quando alguém passa silenciosamente por um desfiladeiro, percebe o sussurrar de sons distintos que repercutem através dos ventos nas pedras e árvores — são manifestações dos "ecos da Natureza" daquele lugar. A criatura que interioriza e aquieta a mente, silenciando sua intimidade, faz com que seu reino interior assemelhe-se a um "sereno desfiladeiro", de onde surgem as mensagens inarticuladas da alma — são manifestações dos "ecos transcendentais" do Universo.
Nesse "estado interior", onde impera a quietude e a tranquilidade, o indivíduo tem um encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência — o Espírito. Na presença da inquietação e dos inúmeros anseios, a mente apegada bloqueia a fonte sapiencial e polui a via de acesso pela qual se ausculta a Fonte da Excelsa Sabedoria. As pessoas do mundo estão distraídas entre os eventos do passado e os do presente, plenas de desejos pessoais que turvam e contagiam sua visão cósmica; isso as impede de expandir e expressar, de forma espontânea e natural, sua religiosidade nata. Uma vez "perdido" o Espírito, as pessoas, embora vivas, estão como mortas.
"De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?"
"Pois aquele que quiser salvar a sua vida (apegar-se ao ego), vai perdê-la (perder de vista o Si-mesmo), mas o que perder a sua vida (desapegar-se do ego) por causa de mim, vai encontrá-la (integrar-se ao Si-mesmo)".
Devemos quebrar todos os grilhões e expulsar as mil vozes que enxameiam nossa casa mental. Assim, ficaremos limpos e desnudos, livres e despojados, libertos de tudo. Então, haverá naturalmente, nesse "desfiladeiro interno", o reverberar de algo essencial, antes oculto mas agora presente, em que se percebem com clara nitidez seus recursos infinitos e sua capacidade de despertar potenciais inatos.
Recolhemos da antiga sabedoria oriental este trecho que bem ilustra a nossa ideia sobre desapego e serenidade interior:
"Quando o vento chega e oscila o bambu, o bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se esvazia quando os acontecimentos terminam".
"(...) a doutrina da reencarnação (...) aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consanguíneos." (*).
Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos, sofremos ao nos separarmos dele. O ciúme é o resultado do apego (medo de perder). É preciso perceber a diferença entre o "amor real" e a "relação simbiótica", ou mesmo o "apego familiar". A realização espiritual não está em nos apegarmos egoisticamente aos entes queridos, e sim nos interagirmos fraternalmente uns com os outros.
"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."
"Negar-se a si mesmo" é ultrapassar a transitoriedade do mundo visível e penetrar na essência oculta das criações e criaturas. É desapegar-se verdadeiramente e viver na integridade da vida; não querer perpetuar o "ego".
"Tomar a sua cruz" é reconhecer que este momento vai se desvanecer e não se perpetuará. É perceber os difíceis dilemas mentais pelos quais passamos, o que nos permitirá transitar íntegos na via de mão dupla por onde se move, de um lado, a busca imediatista do "ego" e, do outro, a inspiração da infinita Sabedoria Divina.
O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em nós mesmos. Nosso calabouço reside em nossos mais íntimos atos e atitudes. Prendemo-nos nos grilhões de nossa própria criação mental, e fazemos o mesmo com aqueles que amamos.
A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao "ego" está vazio do "sagrado"; aquele que se liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado".
A mente serena, tranquila e desapegada é a "porta estreita". O indivíduo desapegado participa com a família e com toda a comunidade de um relacionamento saudável e espontâneo. Não vive atado aos vínculos doentios da "ansiedade de separação", pois crê plenamente que a lei das vidas sucessivas não destrói os laços da afetividade, antes os estende a um número cada vez maior de pessoas e também por toda a humanidade.
Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Os prazeres da alma
(*) Questão 205 (O Livro dos Espíritos) — Na opinião de certas pessoas, a doutrina da reencarnação parece destruir os laços de família fazendo-os remontar às existências anteriores. "Ela os estende, mas não os destrói. A parentela, estando baseada sobre as afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma família são menos precários. Ela aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consanguíneos."

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