segunda-feira, 27 de abril de 2026

Nosso grupo

Nosso grupo

André Luiz



Nosso Grupo de trabalho espírita-cristão, em verdade, assemelha-se ao campo consagrado à lavoura comum. Almas em pranto que o procuram simbolizam terrenos alagadiços que nos cabe drenar proveitosamente.

Observadores agressivos e rudes são espinheiros magnéticos que devemos remover sem alarde.

Frequentadores enquistados na ociosidade mental constituem gleba seca que nos compete irrigar com carinho.

Criaturas de boa índole, mas vacilantes na fé, expressam erva frágil que nos pede socorro até que o tempo as favoreça.

Confrades irritadiços, padecendo melindres pessoais infindáveis, são os arbustos carcomidos por vermes de feio aspecto.

Irmãos sonhadores, eficientes nas ideias e negativos na ação, representam flores improdutivas.

Pedinchões inveterados, que nunca movem os braços nas boas obras, afiguram-se-nos folhagem estéril que precisamos suportar com paciência.

Amigos dedicados ao mexerico e ao sarcasmo são pássaros arrasadores que prejudicam a sementeira.

O companheiro, porém, que traz consigo o coração para servir, é o semeador que sai com Jesus a semear, ajudando incessantemente a execução do Plano Divino e preparando a seara do Amor e da Sabedoria, em favor da Humanidade, no futuro infinito.

André Luiz por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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Declaração de Origem

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- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.


domingo, 26 de abril de 2026

Entender sempre

Entender sempre

Lancellin


A comunicação entre os homens é a arte da civilização moderna, que aprimorou os meios com clareza singular, para que possas entender as mensagens de uns para com os outros. Não obstante, não é necessária somente a clareza no dizer, nem a facilidade de expressar os pensamentos; acima de tudo, diz-nos o bom senso que a educação há que levar vantagens em todos os tipos de entendimentos e que a disciplina no falar não pode ser esquecida. Compreendemos as dificuldades e as restrições que o encarnado tem para manter o equilíbrio diante das regras do bem viver, pois quando igualmente internado na carne, passamos por essas dificuldades, e ainda pedimos a Deus que nos deixe voltar a ela, para que possamos aparar algumas arestas, pois somente no corpo físico encontramos condições mais favoráveis.

Aqui nós chamamos a volta ao corpo físico como sendo a bênção da carne.

Concitamos a todas as criaturas que movem um corpo no mundo das formas a estudar as próprias necessidades com mais atenção, no que se refere aos deveres para com as leis universais e procurem ombrear seus compromissos para que não faltem, em seus caminhos, as oportunidades de servir aos que sofrem e entender os que estão presos nas malhas do carma.

Deves capacitar a tua inteligência no sentido de maior entendimento das coisas espirituais. A vida na forma é uma ilusão, em se comparando à verdadeira vida do Espírito. É uma fração de segundo olhando e sentindo a imortalidade da alma. Mas esse tempo diminuto nos leva a pensar e nos põe a deduzir o quanto vale essa oportunidade grandiosa de aprender em pouco tempo.

Verdadeiramente, a carne é uma bênção de Deus a todas as criaturas internadas nela. Vale a pena meditar nesta oportunidade e crescer nas obrigações para com Jesus, decifrando parábolas e entendendo chamados que nos possam chegar de todas as direções para o nosso entendimento.

Se fecharmos os ouvidos e contrariarmos a visão dentro das leis naturais, tornamo-nos estátuas de sal, morremos ante a luz que nos glorifica e nos liberta. Somos velhos viajores, cansados de repetir as induções humanas e continuamos mortos. Consultando a razão, percebemos a grandiosa missão de Nosso Senhor Jesus Cristo! E ela é muito maior do que pensamos! De não forçar o nosso entendimento, respeitando todas as condições dos homens e almas livres do fardo, propondo os meios e métodos de cada um se libertar do seu próprio jugo e da carga que se propôs a carregar.

O Cristo bate em nossas portas, quando nos cansamos de procurar a Felicidade no reino das ilusões, quando procuramos a Paz no mundo exterior. Ele surge dentro do coração, acenando-nos para um trabalho excelente, a luta interna, dando-nos condições para vencer as nós mesmos. Aí encontramos os meios de conquistar a tranquilidade de consciência, a eterna paz de espírito. Para tanto, devemos despertar o interesse de entender sempre a verdade, de nunca recusar o caminho certo, sem esquecer o esplendor da vida divina, que palpita dentro da alma.

Se a tua boca fere, ainda dormes. Se os teus sentimentos perturbam a tua mente com o ódio, ainda permaneces morto para a vida. E se não queres enxergar o que tentamos te mostrar por essas letras, fecha esse livro, que mais tarde a dor vai conversar com o teu coração.

Lancellin por João Nunes Maia do livro:
Cirurgia Moral


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sábado, 25 de abril de 2026

Bode expiatório e raízes

Bode expiatório e raízes

Hammed


"(…) Esta convicção, adquirimo-la no exame e análise dos fenômenos da Natureza. Para nós, Deus não está fora do mundo, nem a Sua personalidade se confunde na ordem física das coisas. Ele é o pensamento incognoscível, do qual as leis diretivas do mundo representam uma forma de atividade.(…)" Camille Flamarion

A estratégia psicológica conhecida como bode expiatório é utilizada pela humanidade de tempos em tempos, para não se autorresponsabilizar pelas escolhas nem pelas consequências de seus próprios atos. Os indivíduos não querem ser punidos pelos seus desacertos e, por esse motivo, escolhem uma “vítima simbólica” para eximir-se dos delitos que todos podem cometer.

Transcrevemos, com novas palavras, as ideias centrais de um texto contido em Eu, Primata – Por Que Somos Como Somos, a respeito de uma fêmea chamada Black, tida como alvo para aliviar as tensões entre os chimpanzés de Arnhem. Toda coletividade (2), comenta o cientista de Waal, tem seus bodes expiatórios – pessoas ou coisas sobre as quais recaem as culpas ou quaisquer problemas de outros. Os casos mais radicais vistos por ele pertencem ao grupo dos símios.

Mas não há como negar que a transferência da culpa para o bode expiatório é uma das mais básicas, mais intensas e mais inconscientes atividades involuntárias dos homens e também de muitos outros animais, tanto que se pode considerar, sem correr risco de erro, que se trata de um comportamento instintivo.

Diz o primatologista que aquela fêmea (Black) era agredida com tanta frequência, que chamavam o canto para onde ela costumava fugir de “o canto de Black”. Ela se acocorava e o resto do grupo a rodeava, a maioria apenas grunhindo e ameaçando, mas alguns a mordiam e arrancavam tufos de seu pelo. Entre eles nada mais fácil do que se voltar em massa contra algum indivíduo inferior na escala hierárquica do grupo. Não adiantava querer remover ou acudir o “saco de pancadas”, pois no dia seguinte outro elemento estaria ocupando o seu lugar.

Tudo mudou quando a fêmea Black teve sua primeira cria, pois o macho alfa protegia o filhote. O resto do bando continuava a tratar a família de Black com agressividade, portanto ameaçavam e rugiam também para o recém-nascido. Este, porém, como contava com a proteção do pai dominante, nada tinha a temer, e parecia perplexo diante de tanto ruído e barulho. Black, a mãe, observando a segurança do filho, mantinha-se ao seu lado sempre que surgiam perigos e adversidades, pois, assim, não a hostilizavam também, conclui de Waal.

Existe uma tendência ou compulsão em criar um receptáculo onde se jogam todas as tensões do bando.

Entre os homens, há também muitas “Blacks”, em quem aliviamos nossas ansiedades e/ou angústias, nossos desajustes íntimos e tensões nervosas, agindo como se essas emoções não nos pertencessem. Escolher alguém como “mártir social” tem tudo a ver com a projeção – mecanismo de defesa do ego que reduz a ansiedade por permitir a manifestação de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a casa mental consciente não os reconheça.

Um exemplo comum de tal conduta é culpar determinada criatura por um fracasso próprio. A periodicidade do bode expiatório deve-se à rememoração de compulsões atávicas existentes no ser humano. No grau evolutivo do homem atual, essa prática atende a utilidades primordiais, iguais às que atendem nos primatas não humanos. Uma delas, existente tanto no homem quanto nos chimpanzés, é extravasar agitações mentais e estados tensionais.

Ao investir contra um inocente fraco, o agressor se expõe a menores riscos e perigos do que bater-se corpo a corpo com indivíduo mais forte e poderoso. Outra utilidade – essa existente apenas no homem – é que, enquanto se ameaça e surra a vítima a ser supliciada, supostamente se fortalecem os objetivos patológicos e interesses insanos.

Quando a criatura possui consciência lúcida, ela não mais busca um bode expiatório, ou seja, não projeta em alguém erros ou desejos; antes assume, pois entende que é um ser em evolução. Ela não mais precisa ser impecavelmente correta, nem fazer dos outros alvos de seus infortúnios. Apenas admite seus pontos fracos e deixa de demonizá-los, passa a lidar com eles em termos de experiência evolutiva, e não os arremessa para fora.

Preconceito, bode expiatório e minoria andam de mãos dadas.

São interligados e estruturados por ideias, opiniões ou sentimentos hostis a respeito de determinado grupo humano ou social que esteja em número menor, ou em condição de dependência ou inferioridade socioeconômica, política, física ou cultural, em relação a outro grupo, que é majoritário ou predominante.

Criar vínculos de respeito, de compreensão e de amor à diversidade e formar hábitos de integridade humanística, que as religiões e filosofias recomendam, já fazem parte das raízes de nossa condição humana. Não precisamos coagir ou forçar a conduta do homem, somente estimular aptidões preexistentes. Os mecanismos de defesa do ego são processos subconscientes desenvolvidos pela individualidade, os quais possibilitam à casa mental solucionar tensões, ansiedades, hostilidades, impulsos agressivos, ressentimentos e frustrações não resolvidos na área consciencial.

Transformar alguém em “saco de pancadas” ou em bode expiatório é uma forma de utilizar inconscientemente esses mecanismos. Eis aqui os cinco mais frequentes:
1 - Por intermédio do deslocamento, transferimos sentimentos de um alvo para outro, que é considerado menos ameaçador ou neutro. Arquitetamos um desvio psicológico, uma alternativa para os impulsos que não podemos expressar claramente. Exemplos: a criança que desloca a mágoa pelos pais destruindo seus brinquedos; ou o empregado que não pôde manifestar seu rancor contra seu gerente e, em contrapartida, na família ou na via pública, desloca sua raiva discriminando e destratando pessoas por meio de palavras insultuosas.
2 - Mediante a compensação, encobrimos uma fraqueza real ou sentimentos impróprios, exagerando qualidades e características que consideramos mais aceitáveis socialmente. Também denominada de processo de formação reativa – substituir comportamentos que são diretamente opostos à emoção real –, é uma inversão inconsciente por ignorar a verdadeira emoção ou para escondê-la. Exemplos: procuramos camuflar nossas inseguranças e dúvidas tomando uma postura de “dono da verdade” diante de qualquer situação cotidiana; ou o jovem que “assovia no escuro”, tentando demonstrar segurança e tranquilidade, enquanto atravessa, sozinho, um bairro isolado e distante de sua casa.
3 - Pelo emprego da projeção, livramo-nos de aspectos da personalidade, deslocando-os de dentro de nós para o meio externo. A intimidação é vista como se fosse uma força externa. A pessoa não consegue lidar com sentimentos reais, não admite que a ideia ou o comportamento temido sejam dela mesma. Pesquisas psicológicas relativas aos mecanismos dos preconceitos ou bodes expiatórios mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras revelam diminuta percepção de seus próprios sentimentos. As que negam ter um determinado traço de personalidade são sempre mais críticas em relação a esse mesmo traço, quando o encontram nos outros. Exemplos: alguém que afirma continuadamente que “todo mundo é desonesto” encontra-se, na realidade, projetando nos demais sua própria característica; ou mesmo, quando alguém afirma que “as pessoas só pensam em sexo”, está jogando para fora aquilo que se encontra mal resolvido
dentro de si mesmo. 
4 - Através da introjeção, incorporamos de forma imaginária uma pessoa, interiorizamos características de alguém que admiramos, inserimos o indivíduo com suas boas qualidades e glórias, participando imaginariamente de suas realizações e seguindo a “luz de sua estrela”. Exemplos: o jovem que corta seu cabelo como o de um astro, para se parecer com ele; ou o idoso que veste roupas iguais às de um jovem ator, para voltar à juventude. 
5 - Por meio da racionalização, tentamos achar motivos lógicos e razoáveis para justificar atitudes e ações recriminadas e também para encontrar bons motivos para desculpar o que basicamente sabemos que está errado. Exemplos: o jovem, que foi recusado pela namorada, diz “ela nem era tão boa assim, era até feia; não sei como fui gostar dela”; ou o alcoólatra que afirma “eu bebo para afogar as mágoas do meu casamento fracassado”.
Atos e atitudes não acontecem por acaso. Nossa conduta atual reflete as experiências de ontem, e suas estruturas estão presas na vastidão dos tempos. Em momento algum nos separamos completamente de nossas raízes, estamos junto delas para sempre, e elas nos inserem no presente. Isso não significa, contudo, que os seres humanos devam lançar-se sobre tais pulsões ou deixar-se dominar ou escravizar por elas, pois o objetivo da humanidade é o desenvolvimento e o progresso. E nós não conseguiremos atingir tais objetivos enquanto estivermos dominados por nossas tendências inconscientes, que nos conduzem automaticamente a comportamentos multimilenares.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Estamos Prontos

Bibliografia:

(1) Camille Flammarion, Deus na Natureza, 7ª ed., pág. 394, FEB Editora.

(2) Frans de Waal, Eu, Primata - Por Que Somos Como Somos, Companhia das Letras, pág. 200.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Nas provocações

Nas provocações

Emmanuel


Imagem gerada por IA

Em todas as lutas e dificuldades da senda, suporta sem queixa o sofrimento menor para que o sofrimento maior não te flagele amanhã.

O fogão sem lume pode ser agora látego da carência, induzindo-te ao serviço nobre, mas, explorar a fome dos semelhantes pelo monopólio do pão, será depois o teu grande infortúnio.

A chaga aberta pela calúnia com que te atassalham o nome, em muitas circunstâncias, é a ferida remissora ou o aviso salutar, entretanto, cultivar a maledicência e enlamear o caminho alheio é, sem dúvida, a infelicidade real.

Padecer a ingratidão dos entes mais caros com a desculpa espontânea, quase sempre, é abrir campo à mais bela devoção afetiva, contudo, desertar do carinho que devemos aos corações que nos amam é aprisionar o próprio espírito nos cárceres do remorso.

Sentir que o gládio da expiação e da angústia nos impõe a morte ao santuário doméstico, crestando existências que constituem o nosso refúgio e consolo, é redimir com lágrimas as dívidas que trazemos, habilitando-nos para a liberdade superior, todavia, perseguir aqueles que nos cercam, aniquilando-lhes a vida com frieza e crueldade é descer aos tormentos do crime.

Não te assustem o obstáculo e o pranto, a alfinetada e a úlcera que, por algum tempo, te afligem ao coração.

São eles o ensinamento e o reajuste, o remédio e a bênção que nos aprimoram o ser na direção da Divina Luz, mas livra-te de fazê-los ou provocá-los porque, no solo da vida, a consciência de cada um, conforme semeia, naturalmente ceifará.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Assim Vencerás

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