domingo, 7 de junho de 2026

Nas lides da direção

Nas lides da direção

Batuíra


“... Servindo-os, não quando vigiados para agradar a homens, mas como servos de Cristo, que põem a alma em atender à vontade de Deus.” (Efésios 6:6)
“Quem dirige nunca agrada a todos.”

Na tarefa da direção de qualquer empreendimento, seja na área filantrópica, seja na religiosa, seja na financeira, quem segue à frente quase sempre leva os louros dos elogios justificados ou as críticas maldosas e sem nenhum fundamento.

No entanto, quando temos um propósito inabalável e uma consciência tranquila, podemos nos proporcionar o direito de ignorar aplausos e acusações indébitas.

O dirigente deverá prosseguir, estabelecendo sempre o ritmo de seus empreendimentos e realizações segundo seus próprios passos; e fundir, no exercício desse mister, amor e ponderação, entendimento e determinação, para que a equipe da qual participa e orienta não hesite diante das decisões e metas assumidas em grupo.

Muitas vezes, por falta de confiança em si mesmo, o líder deixa-se envolver por opiniões alheias, perdendo assim a visualização do objetivo maior.

A obra pertence ao Cristo e não a nós. Quem comanda, porém, deve dar conta da importância do trabalho que está em suas mãos.

O condutor não poderá olvidar que não ficará melhor nem pior com as condecorações da aprovação ou com os gestos da censura e reprovação dos outros.

Continuará sendo ele mesmo, com seu modo de atuar e com suas possibilidades naturais de sustentar a obra.

Os que lideram não devem olhar para trás o tempo todo, pois fica quase impossível caminhar com segurança e trabalhar para o engrandecimento da organização com os olhos voltados para antigos desentendimentos e dissabores provocados pela opinião das pessoas.

É muito difícil ser produtivo quando estamos constantemente preocupados com o que os outros estão falando ou julgando de nossa atuação e capacidade. Grandes realizadores ficam acima das maledicências e não permitem que elas prejudiquem suas atividades cristãs.

Se o Mestre Querido não conseguiu agradar a todos, quem somos nós para querer atingir tamanho objetivo? Não será pretensão de nossa parte?

Contudo, não nos esqueçamos de que, quando operamos em equipe e obtemos sucesso, devemos considerar-nos dignos de comemorar a vitória.

Essas comemorações não devem ser suprimidas e proibidas, mesmo quando criaturas inescrupulosas as denominem de atitudes orgulhosas ou de elogios egoísticos. Expressar sentimentos de alegria e união compartilhados por toda a equipe é prática salutar que nunca deve ser abafada.

De acordo com a feliz expressão do apóstolo, “não somos convocados para agradar a homens”, mas sim para atender “à vontade de Deus”. Dessa forma, se adotarmos efetivamente o aprendizado com o Mestre Jesus, penetrando o santuário da alma dentro de nós mesmos, aí encontraremos as noções de ponderação e senso de justiça aplicáveis nas lides de direção que o Senhor nos destinou. Em razão, pois, desse trabalho de liderança, não devemos dar ouvidos às conversações descabidas, que proporcionam desentendimento e balbúrdia.

Evitemos mágoas e ressentimentos para manter o equilíbrio do grupo na força comum. Reduzindo a atmosfera de instabilidade, com nossas preces e obrigações do dia a dia, imediatamente começaremos a aliviar as tensões negativas nas áreas de ação no bem, às quais estamos vinculados no labor de
nossa redenção.

Batuíra 
por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Conviver e melhorar

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sábado, 6 de junho de 2026

A ciência da oração

A ciência da oração

Miramez



A prece é uma ciência divina, que todos podemos compreender. Ela vem de eras remotas, vencendo o tempo e escalando espaços.

Muitas coisas são esquecidas pelos homens, entretanto, a oração permanece. Ela nos ajuda, nas horas difíceis, a suportarmos e superarmos as dificuldades. Ela assiste a nossa chegada à Terra e, também, a nossa partida. Tanto os desencarnados como os que vivem no mundo das formas a usam como súplica ou agradecimento, pois ela atende aos dois planos de vida.

Jesus usou largamente a oração e ensinou aos seus discípulos a orar, dando-lhes um molde que ficou na história de todos os povos cristãos da Terra e que é exercida com todo o respeito nos planos que habitamos. A prece é uma força espiritual que nos capacita para todos os trabalhos e nos ajuda em todas as atividades que nos compete realizar.

Orar é uma ciência sobremaneira divina. Quando aprendermos seus reais valores, estaremos de posse da verdadeira senda da iniciação, como o caminho para os mundos superiores. Alcançamos com a prece a dimensão maior, onde poderemos sorver o elixir da longa vida e a substância que garante a nossa paz.

Quem aprendeu a orar tem sempre em seus lábios o sorriso de contentamento, não reclama dos acontecimentos, aceita o que vier a surgir em seu caminho, lutando para melhorar sem a extravagância da violência. Quem se afeiçoou à oração não fere a ninguém, nem ofende com as injúrias, porque o coração vive em paz, paz esta haurida na prece sob o comando do amor. Quem confia na súplica jamais se esquece do seu dever para com Deus e o próximo, e alimenta todo ânimo que incentiva à fraternidade.

Este livro só poderia terminar suas singelas páginas com algo sobre a oração, pelo respeito que temos a essa virtude, a esse gesto de luz, em cuja difusão todos os grandes espíritos se empenham.

Somos muitos os espíritos que trabalhamos no sentido de anunciar o valor da oração, bem como e, certamente, a sua grande ciência. A prece não é como muitos pensam ser: palavras que saem dos lábios, simples sons articulados. Ela é o veículo por onde chega até nós o energismo divino, desde quando os sentimentos estejam em plena concordância com o amor.

Deveis, no momento de orar, entregar-vos à Divindade e sentir como se estivésseis diante de Jesus, ouvindo e vivendo com Ele os Seus mais altos conceitos de caridade, de perdão e de fraternidade universal. Não existe cura verdadeira sem oração. Eis porque, em todos os métodos de cura, nós a usamos para alcançar o beijo da luz de Deus, que se transforma em nosso peito em magnetismo animal, para curar os nossos semelhantes. Essa composição sobremodo superior é feita pela força do amor. O trabalho também é uma prece, mas não podemos esquecer a prece da gratidão, que sobe em busca do Criador em forma de reconhecimento.

Se todas as ciências do mundo procurassem estudar e compreender a ciência da oração, os caminhos da vida ficariam mais fáceis de serem trilhados e os ajustes científicos mais seguros nas suas diretrizes. Ela pode entrar em tudo no mundo, desde o alvorecer do dia no acervo de lutas do camponês até os altos gabinetes dos dirigentes das nações. A prece sempre nos ajuda a fazermos o melhor; ela é uma lei espiritual e deveria estar presente em todos os labores da vida
física.

Quem ora nos moldes do Evangelho é cheio de esperança e acredita nos altos conceitos do amor, passando a compartilhar a paz com a fraternidade universal. Quem ora acende uma luz e quem conhece a ciência da oração descobre um sol, que é Deus em Jesus e Jesus em nós.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Saúde

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Perdão

Perdão

Hammed


O julgamento precipitado pode vir a ser o "fracasso da compreensão", porque perdoar é, acima de tudo, a habilidade de compreender dificuldades.

O autoperdão consiste em fazer o nosso melhor hoje, abandonar as mágoas do passado e curar as dores do presente e, ao mesmo tempo, legitimar nossos projetos de vida para o futuro.

O passado passou e o único momento que temos é o agora.

Basta utilizarmos o perdão e, imediatamente, começaremos a sentir conforto e alívio, pois descarregamos os pesados fardos de culpa, vergonha e perfeccionismo.

Quando erramos, é necessário primeiramente admitir as nossas fraquezas e, em seguida, pedir aos outros que relevem nossas falhas. Somente a partir desse ponto, é que começamos a desfazer as técnicas defensivas e a facilitar a boa comunicação, evitando, assim, a morte do diálogo reconciliador.

O autoperdão é um estado da alma que emerge de nossa intimidade, fazendo-nos aceitar tudo que somos sem nenhum prejulgamento. É quando passamos a entender que nossos aparentes defeitos são, só e exclusivamente, potenciais a ser desenvolvidos. Por sinal, o julgamento precipitado pode vir a ser o "fracasso da compreensão", porque perdoar é, acima de tudo, a habilidade de compreender dificuldades.

À medida que perdoamos nossos desacertos, começamos também a perdoar as faltas dos outros. Quanto mais compreendermos o outro, avaliando e validando o que ele pensava e como se sentia na hora da indelicadeza, mais facilmente aprenderemos a nos perdoar. O ato do não perdão a nós mesmos nos acarreta a permanência nas sensações desagradáveis e nas energias negativas - resquícios dos dissabores e desencontros da vida.

Perdoar-nos leva ao cultivo do amor a nós mesmos e, por consequência, aos outros; enfim, é a base que mantém a humanidade íntegra e solidária. O autoperdão nos conduz à aceitação plena de nossas potencialidades ainda não desenvolvidas - seja de natureza intelectual, seja de natureza psíquica e emocional - e a uma compreensão maior de que as experiências evolutivas nada mais são que a soma de acertos e erros do passado e do presente.

Os erros acabam-se transformando em lições preciosas e deles podemos retirar as bases seguras para o êxito no futuro.

"Deus não age jamais por capricho e tudo, no Universo, está regido por leis em que se revelam a sua sabedoria e a sua bondade."  (1)

"A sabedoria e a bondade de Deus" se refletem constantemente nos atos e atitudes de Jesus de Nazaré. No episódio ocorrido na casa do fariseu Simão, uma prostituta atira-se aos pés do Mestre, cobrindo-os de beijos, lavando-os com suas lágrimas, enxugando-os com seus cabelos e untando-os com um óleo perfumado. Ela é perdoada incondicionalmente: "(...) seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a quem pouco foi perdoado mostra pouco amor". (Lucas, 7:36-50)

Deus estava com Jesus e Ele com o Pai; por isso amava, perdoava, estimulava e incentivava a todos sem qualquer distinção.

A Bondade e a Sabedoria Providencial está e sempre esteve nos amando e perdoando, não importa o grau da escala evolutiva em que estamos situados ou o que estejamos fazendo. O amor o da Misericórdia Divina é incondicional - não depende de nenhum tipo de restrição ou limitação. Ama, simplesmente por amar.

Uma introspecção a respeito desse amor incondicional que a Divindade tem para conosco é extremamente importante para o autoperdão. Se Deus nos ama e nos aceita como somos hoje, por que haveríamos de tomar uma atitude contrária à postura divina? Entretanto, o autoperdão não significa paralisarmos nossas atividades evolutivas, acomodando-nos em nossas deficiências, fragilidades ou incapacidades, mas, sim, libertar-nos dos fardos pesados da autopunição que carregamos desnecessariamente.

O autoperdão nos traz paz de espírito, habilidade para amar e ser amados e possibilidades para dar e receber serenidade. Ele nos livra do cultivo de uma fixação neurótica em fatos do passado, o qual nos impede o crescimento no presente.

Perdoar-nos elimina a ideia fixa no remorso por algo que aconteceu ontem e a ansiedade do que poderá ser revelado ou vir a acontecer amanhã.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Os prazeres da alma

(1) Questão 1003 - O Livro dos Espíritos - Kardec, Allan

A duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura, é arbitrada ou subordinada a alguma lei?

"Deus não age jamais por capricho e tudo, no Universo, está regido por leis em que se revelam a sua sabedoria e a sua bondade."

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Declaração de Origem

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Definição Espírita

Definição Espírita

Lins de Vasconcellos


Divaldo Franco e Lins de Vasconcellos

Dilatam-se-nos as oportunidades de serviço que nos não compete adiar.

Hoje como ontem chegam-nos os alvitres do Mundo Espiritual, conclamando-nos à inteireza e integridade no labor edificante, através da nossa atuação total e permanente ao lado do Senhor Jesus, que nos rege os destinos.

Não há muito pelejávamos, esgrimindo as armas da razão contra o dogmatismo absconso que dominava em todas as latitudes, impedindo o progresso e o crescimento da verdade na Terra. Em dias primevos, lutávamos ardorosamente pela semeação espírita, investindo contra os códigos arbitrários das leis desonestas e parciais, tentando apresentar a Doutrina como sendo a resposta dos Céus aos veementes apelos da Terra. Nas primeiras horas improvisamos, na praça pública, a tribuna do entusiasmo e reptamos com ardor os adversários gratuitos do Cristo Jesus, oferecendo ensejo para clarificação do mundo através dos postulados que nos foram legados por Allan Kardec. Foi necessário investir contra as paredes da intolerância e abrir brechas nas cidadelas do preconceito para que o Ideal Espiritista pudesse fulgurar glorioso e nobre, iluminando todos os recantos da paisagem humana. Não poucas vezes recebemos a bofetada da zombaria, do escárnio, e a chocarrice dos tíbios chegou até a porta da nossa honra, tentando dilapidar o patrimônio do nosso comportamento e dilacerar, até às entranhas, os painéis sublimes da nossa vida íntima, apresentando-nos, na praça pública dos conceitos, na condição de "miseráveis psicológicos" e de "perturbados da emoção". Noutras ocasiões tivemos os pés feridos pela urze da impiedade e as mãos foram sangradas pela lixa grosseira da intemperança, arregimentadas todas as dificuldades para nos impossibilitarem o avanço, como se diminuindo a força impávida dos idealistas, se pudesse calar a boca do ideal encarregada de disseminar a verdade imortalista.

Em muitas circunstâncias o verbo estrugia em nossos lábios não encontrando acústica nos corações para continuar impoluto, oferecendo a visão longínqua e bela da esplendorosa madrugada da imortalidade. Mas, em momento algum, o desânimo nos tolheu o entusiasmo, o medo nos diminuiu a coragem ou o interesse pessoal nos arrefeceu o espírito de serviço.

Nunca as questões do Cristo ficaram no velador, apagadas, ou sob a nossa comodidade de interesse imediatista para arregimentar paixões que nos levassem à jactância ou que nos conduzissem ao cenário das glórias ilusórias e das emoções de mentira.

Graças a isso, os pioneiros da hora do primeiro século do Espiritismo, que revive o Cristo vivo, conseguiram plasmar em nós, através de nós e para todos nós, no século que se iniciaria logo mais com realizações edificantes, o novo conceito espírita impoluto e granítico, capaz de enfrentar os voos da Ciência e consolar os oceanos das lágrimas dos corações em superlativa aflição.

Chegados ao primeiro século findo de Doutrina Espírita, saímos do gabinete da experimentação mediúnica para o labor da assistência social amplo e largo, fazendo que o Consolador colocasse no seu seio as gerações famélicas, os corpos torturados, as vidas estioladas, as organizações fisiológicas enfermiças, os tombados dos caminhos, Samaritano sublime que se fez, para levar ao albergue da esperança os que caíram entre Jericó e a Jerusalém libertada da Era Nova.

Agora, porém, que se nos alargam as possibilidades de divulgar o espírito do Espiritismo em linguagem condicente com a mentalidade contemporânea, não meçamos esforços para que a unidade doutrinária lobrigue seus fins e para que a obra gigantesca da educação realize o seu profundo desiderato. Jesus foi o mestre por excelência e Kardec o pedagogo por eleição!

*

A Doutrina Espírita é, portanto, a Pedagogia nova para todos nós, desencarnados e encarnados, que saímos das sombras da animalidade para as luzes da inteligência, na direção sublime da intuição libertadora e poderosa da nossa glorificação espiritual.

Pregar pela palavra articulada, pregar pelo exemplo, pregar pela oração silenciosa, pregar pela mensagem escrita são impositivos impostergáveis, intransferíveis, que não podemos adiar, no momento em que o Espiritismo encontra campo preparado para a sua realização histórica, a sua finalidade espiritual.

Transformemos as nossas Casas em Educandários de amor, que sempre devem ter sido, os nossos corações em santuário de misericórdia e porfiemos intimoratos, abrindo os braços a Caridade que desce dos Céus a Terra, e a fraternidade que sai do coração aos corações, num intercambio convidativo e consolador, capaz de nos tornar verdadeiramente espiritas, verdadeiramente irmãos.

Este instante é o de fazer luz, o da nossa definição espírita, o da nossa realização clara e firme, que deixe na historia dos tempos o sulco profundo da nossa integração nas hostes da Doutrina apresentada por Allan Kardec, como sinal inapagável da nossa vitória sobre a morte, sobre o engodo, sobre a inferioridade, sobre nós mesmos, antecipando a nossa ressurreição que já começa, para a nossa penetração na vida estuante que nos espera.

Lins de Vasconcellos por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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