quinta-feira, 28 de maio de 2026

Palavras aos médiuns

Palavras aos médiuns

Bezerra de Menezes


Reunião mediúnica em cena do filme: Kardec.

Mediunidade com Jesus; é serviço aos semelhantes.

Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados; ali, um companheiro aplica energias curativas; além, um cooperador ensina ao roteiro da verdade; acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.

Entretanto, é o mesmo poder que opera em todos. É a divina inspiração do Cristo, dinamizada através de mil modos para reerguer-nos da condição de inferioridade ou para sanar-nos o sofrimento.

E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama os títulos convencionais do mundo, quaisquer que sejam, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar benefícios na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.

Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações nobres da alma podem ser encontradas.

Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procure a consolação, para encontra-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.

Dar para receber. Auxiliar para ser amparado.

Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a bênção do amor.

Eis a lei, que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida imperecível.

Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxílio mútuo.

Nesse terreno há muito que fazer nos círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as vantagens da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a aplicação respectiva no esforço da sementeira.

A tarefa pede fortaleza no serviço com raciocínio no sentimento.

Sem maturidade para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho, fraterno para socorre-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para frente.

Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e preciso se torna ao instrumento humano da verdade, armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.

Age, assim, com isenção de desânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de esclarecer e de auxiliar.

Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão dos infortunados, na certeza de que o Senhor é o Manancial de todas as Bênçãos.

O lavrador semeia, no entanto, é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o futuro.

Indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpes e espinhos que povoam o chão.

Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralisasse os impulsos mais nobres, tão somente porque a opinião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.

Não importa que o tempo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica de extrema simplicidade.

O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava administrar os dons celestes sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.

Não te apoquentes e segue com serenidade.

Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.

A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvário acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz se transformam em asas de luz para a alma livre na imortalidade.

Não desprezes a oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.

A estância física é uma estrada breve.

Aproveitamo-la sempre que possível na sementeira do Bem.

Em suma, ser médium no roteiro cristão é doar de si mesmo em nome do Mestre.

E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira àqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.

Segue para diante, amando e servindo.

Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão.

Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme o Inesquecível Orientador que nos observou:

- “Amai-vos uns aos outros, tal qual eu vos amei”.

Bezerra de Menezes por Chico Xavier do livro:
Doutrina e Vida / Espíritos diversos.

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Reencarnação e Espiritismo

Reencarnação e Espiritismo

Martins Peralva



Necessário vos é nascer de novo.

Não foram os espíritas que inventaram a Reencarnação — palavra que grafamos com inicial maiúscula, em homenagem de nossa Alma agradecida à lei sábia e misericordiosa que projetou luz sobre o até então incompreendido problema do Ser, do Destino e da Dor.

O ensino reencarnacionista vem de muito longe, de povos antigos e remotíssimas doutrinas.

Ao Espiritismo couberam, apenas, a honra e a glória de estudá-lo, sistematizando-o, para convertê-lo, afinal, num dos principais, senão no principal fundamento de sua granítica estrutura doutrinária.

Grandes vultos do passado, no campo da Religião, da Filosofia e da Ciência, aceitaram e difundiram a Reencarnação.

Orígenes (nascido em 185 e falecido em 254), considerado por São Jerônimo como a maior autoridade da Igreja de Roma, afirma, no livro “Dos Princípios”, em abono da tese básica do Espiritismo: “As causas das variedades de condições humanas são devidas às existências anteriores. São, ainda, do eminente e consagrado teólogo as seguintes palavras: “A maneira por que cada um de nós põe os pés na Terra, quando aqui aportamos, é a consequência fatal de como agiu anteriormente no Universo.”

Ainda de Orígenes: “Elevando-se pouco a pouco, os Espíritos chegaram a este mundo e à ciência dele. Daí subirão a melhor mundo e chegarão a um estado tal que nada mais terão de ajuntar.”

Krishna, no Bhagavad-Guitá (o Evangelho da Índia), predica, com absoluta e inegável clareza: “Eu e vós tivemos vários nascimentos. Os meus, só são conhecidos de mim; vós não conheceis os vossos.”

Os Vedas, milhares de anos antes de Jesus Cristo, difundiam, largamente, a ideia reencarnacionista.

Buda aceitava e pregava a Reencarnação.

Os sacerdotes egípcios ensinavam que “as almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, e que as almas virtuosas sobem, voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas”.

Na Grécia, berço admirável de legítimos condores do Pensamento e da Cultura, encontramos Sócrates, Platão e Pitágoras como fervorosos paladinos das vidas sucessivas.

Sócrates ensinava que “as almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos”.

O ensino pitagórico era, como é notório, essencialmente reencarnacionista, dele advindo, por falsa interpretação de mentes pouco evoluídas, a errônea teoria da metempsicose.

Entre os romanos, Virgílio e Ovídio disseminavam os princípios reencarnacionistas.

Ovídio chegava a dizer: “quando minha alma for pura, irá habitar os astros que povoam o firmamento”, admitindo, assim, semelhantemente aos espíritas, a sucessividade das vidas em outros planetas.

São Jerônimo afirmava, por sua vez, “que a transmigração das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados”.

Deixemos, contudo, esses consagrados vultos, cuja opinião, embora respeitável e acatada, empalidece ante a opinião da figura máxima da Humanidade — Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Sublime Embaixador pregou a Reencarnação. Algumas vezes, de forma velada; outras, com objetividade e clareza.

Falando a respeito de Elias, o profeta falecido alguns séculos antes, diz o Mestre: — “Elias já veio e não o conhecestes”, compreendendo então os discípulos que se referia a João Batista (Elias reencarnado).

No famoso diálogo com Nicodemos, afirma que ninguém alcançará o Reino de Deus “se não nascer de novo. Nascer da água e do Espírito — o que completa a intenção, o pensamento reencarnacionista de Jesus.

Em outra oportunidade, externando por meio de simples alegoria sobre a Lei de Causa e Efeito — ou Carma —, sentencia: — “Ninguém sairá da Terra sem que pague até o último ceitil”, isto é: até a completa remissão das faltas.

Como Se vê, o Espiritismo não criou, não inventou a Reencarnação.

Aceitando-a como herança de eminentes filósofos e de respeitáveis doutrinas, de Jesus e de Seus discípulos, e confirmada, a seu tempo, pelos Espíritos do Senhor, o Espiritismo promoveu o seu estudo, a sua difusão, a sua exegese.

Ela é, contudo, antiquíssima, conhecida e professada antes do Cristo, na época do Cristo e em nossos dias.

Há mais de um século o Espiritismo apresenta-a por único meio de crermos num Pai Justo e Bom, que dá a cada um “segundo as suas obras” e como elemento explicativo da promessa de Jesus, de que “nenhuma de suas ovelhas se perderia”.

A Reencarnação é a chave, a fórmula filosófica que explica, sem fugir ao bom senso nem à lógica, as conhecidas desigualdades humanas — sociais, econômicas, raciais, físicas, morais e intelectuais.

Sem o esclarecimento palingenésico, tais diversidades deixariam um doloroso “ponto de interrogação” em nossa consciência, no que diz respeito à Justiça Divina.

Sem as suas claridades, seria a Justiça de Deus bem inferior à dos homens.

Teríamos um Deus parcial, injusto, caprichoso, cruel, impiedoso mesmo.

Um Deus que beneficiaria a uns e infelicitaria à maioria.

Com a Reencarnação, temos Justiça Incorruptível, equânime, refletindo a ilimitada Bondade do Criador.

Um Deus que perdoa sem tirar ao culpado a glória da remissão de seus próprios erros.

Um Deus que perdoa, concedendo ao culpado tantas oportunidades quantas ele necessite para reparar os males que praticou.

Com a Palingenesia, temos um Deus que se apresenta, no Altar de nossa consciência e no Templo do nosso coração, como Pai Misericordioso e Justo, um Pai carinhoso e Magnânimo, que oferece a todos os Seus filhos os mesmos ensejos de redenção, através das vidas sucessivas — neste e noutros mundos, mundos que são as “outras moradas” a que se refere Jesus no Evangelho.

Tantas vidas quantas forem necessárias, porque o essencial e o justo é que “nenhuma das ovelhas se perca”...

Martins Peralva do livro:
Estudando o Evangelho (FEB)

José Martins Peralva

Nasceu em 1º de abril de 1918, em Buquim (SE). Uma das figuras mais destacadas do Movimento Espírita de Minas Gerais, Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação diretas de seu pai, excepcional médium curador. Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou formação espírita essencialmente baseada em Allan Kardec. Quando chegou a Belo Horizonte, em setembro de 1949, a Mocidade Espírita “O Precursor”, contava apenas 6 meses de existência. Integrou-se ao movimento juvenil, foi um dos mentores da Mocidade, função que corresponde hoje à de coordenador. Escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade, Estudando o Evangelho, O Pensamento de Emmanuel, Mediunidade e Evolução e Mensageiros do Bem. Sempre colaborou em jornais e periódicos espíritas, escreveu durante muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Martins Peralva desencarnou em Belo Horizonte (MG), em 3 de setembro de 2007. (Fonte: Reformador, 2007.)

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Diante das sombras

Diante das sombras

Emmanuel



Se encontraste o Sol do Evangelho para reaquecer as próprias esperanças, de certo compreenderás quanta sombra amortalha o campo imenso da vida.

Sombras da grande ignorância gerando a grande miséria, sombras na inteligência e no coração, sem amor.

Não desesperes, contudo, à frente da névoa espessa.

Se, tu mesmo, o raio de luz que a desintegre.

Raio de luz que se protege sem alarde e sem dor; que avance, tranquilo, sem ferir e sem ofender.

Não exijas a grande transformação de um dia para outro.

Forma-se o rio gota a gota.

Levanta-se a fortificação pedra a pedra.

Ergue-se a sabedoria através do alfabeto.

Consolida-se a virtude, lição por lição.

Se podes ver a noite, que ainda envolve as criaturas, compadece-te delas e ajuda sempre.

Às vezes basta um tênue raio de claridade para que a esperada renovação apareça.

Uma prece que auxilie...

Uma palavra que oriente...

Um bálsamo que reconforte...

Uma página que esclareça...

Cada dia pode ser, na Terra, abençoado serviço de preparação para o Céu.

Se já ouvimos o Senhor, caminhemos com Ele. Jesus foi, por excelência, o Divino Servidor.

Aprendamos, pois, a servir, e a nossa migalha de boa vontade no bem será benção de luz com que o Senhor vencerá, em nosso benefício, sobre o mundo, a dominação transitória das trevas.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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terça-feira, 26 de maio de 2026

Crises e você

Crises e você

Marco Prisco


"Detestai o mal, apegai-vos ao bem." (Paulo - Romanos 12:9)

Justificando as suas problemáticas aflitivas, você relaciona as crises que enxameiam o mundo, sobrecarregando as criaturas de angustias. E anota: 

crise entre as nações, que se entregam a lutas encarniçadas;

crise nas finanças, que sustentam a balança das trocas internacionais;

crise nos negócios, que padecem agios superlativos;

crise na saúde dos homens, que se decompõe sob a inspiração de estupefacientes, agressões e permissividades;

crise de trabalho, em que multidões de cidadãos cruzam os braços, ora superados pela tecnologia, ora vitimados pelas contingências socioeconômicas vigentes nos diversos países;

crise na compreensão dos direitos e deveres humanos, nos quais os Organismos Mundiais se debatem, sem encontrar solução satisfatória;

crise de alimentos, ante a diminução da fertilidade nos solos;

crise ambiental, que a poluição de variada nomenclatura ameaça de extinção a Natureza, conseguintemente, o homem;

crise de natalidade humana, em que as opiniões se dividem e se disputam predominância;

crise de confiança, uma vez que a civilização não logrou uma ética de fraternidade entre os homens;

crise de amor, porque as explosões da sensualidade enxovalham as elevadas expressões da beleza e da alegria... 

Há muita crise, no entanto, você pode modificar a paisagem que lhe parece anárquica, em marcha para a desagregação.

Não acuse o caído, levante-o.

Não exorbite dos seus direitos, cumpra com os seus deveres.

Não exprobe o errado, vença o erro.

Não afira valores por meio de medidas exteriores, conceda a todos a oportunidade de crescer.

Não dissemine o pessimismo, faça claridade onde você esteja.

Não disperse o tempo na inutilidade, produza alguma coisa de positivo.

Cultive a compaixão pelos irmãos combalidos e conceda-lhes um pouco de você.

A Terapêutica eficiente para a crise moral que você constata na Terra: exercício do amor, em que o Cristo viveu.

Quanto às demais crises, as generalizadas, não se preocupe com elas demasiadamente. Realize sua parte.

Saia da crise interior em que você se debate sem rumo, iniciando, agora, um programa dignificante em favor de você mesmo, e perceberá que o mundo está miniaturizado em você, sendo você, em razão disso, uma célula importante do organismo universal que deverá permanecer sadia a benefício geral.

E, conforme asseverou Paulo, "deteste o mal e apegue-se ao bem", sempre e invariavelmente.

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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