quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Vitória da Vida

A Vitória da Vida

Fernández Colavida


Imagem gerada por IA

Um dos mais intrigantes problemas humanos, tem sido a interpretação do homem sobre a vida, depois do fenômeno da morte biológica.

Saber se a vida se acaba quando sofre a transformação material, tem constituído um grande desafio para a inteligência.

Entre as múltiplas correntes do pensamento, se destacaram duas, ao longo dos séculos, em luta contínua para que uma delas predominasse, explicando qual é a realidade da vida. São teorias muito distintas.

De um lado, numa linha filosófica, se encontram Leucipo, Lucrécio e Demócrito que, com seu conceito atômico, vem tentando explicar que tudo quanto existe no campo da forma resulta do átomo, do movimento e do vazio. Quando algum destes elementos se desagrega ou sofre uma mudança no equilíbrio, se acaba a vida e o ser inteligente retorna ao nada.

Por outro lado, seguindo outra direção, se destacam Sócrates, Platão e Aristóteles, que estabeleceram a corrente idealista ou espiritualista, informando que há no Universo um primeiro-motor ou mundo das ideias de onde o ser procede e ao qual retorna quando ocorre a morte corporal. Quer dizer, que o homem está constituído pelo ser – o Espírito imortal – e pelo não ser – a matéria.

Os dois sistemas têm-se enfrentado através dos séculos, apoiados, em suas informações filosóficas e científicas, por uns e outros estudiosos que os desenvolveram em diversas escolas.

A verdade é que o nada não cria nada, posto que não tem existência real, e o homem, como afirmava Descartes, “penso, logo existo”, é uma realidade.

Por mais que se queira negar a indestrutibilidade do princípio espiritual que dirige a vida, todos os acontecimentos comprovam a precedência do psiquismo ao corpo ou da mente ao cérebro.

Em todos os povos primitivos tem-se encontrado vestígios da crença na imortalidade da alma, sem que esses grupos étnicos jamais mantivessem contato entre si.

Habitando distintos pontos do planeta, desenvolvendo sua própria cultura, neles se apresentam os mesmos cultos, não obstante as conquistas alcançadas, todas baseadas na certeza de um princípio criador, justo e sábio, que recebe, para julgar, aqueles que retornam da Terra depois da morte física.

À medida que desenrolavam o ciclo de civilização, estes povos penetraram nos mistérios do túmulo, tirando, dali, informações comprobatórias da sobrevivência do ser.

Tal documentação religiosa, da qual surgiram a ética e a filosofia, por seus pontos de perfeita identidade, assinala que os informes recebidos em toda a parte procedem da mesma origem, quer dizer, do mundo causal ou espiritual.

Por sua vez, as aparições espirituais que se têm apresentado nas diferentes épocas do processo antropológico e sociocultural, sempre têm afirmado que são as almas dos mortos, narrando, assim, suas venturas ou desgraças, como resultado natural da conduta anterior, quando estavam na Terra e, ao mesmo tempo, buscavam fazer conscientes os homens de seus deveres e responsabilidades morais perante a vida.

A mitologia de cada país é um oceano de feitos espirituais, no qual desembocam os rios do conhecimento que se confundem, por identidade de informações, com respeito à continuação da vida depois do desgaste carnal.

Não querendo nos referir aos conhecidos feitos da Antiguidade oriental, recordamos os celtas, os croatas, os germanos, os escandinavos, os bielo-russos, os eslavos, os itálicos e os gregos, que se comunicavam com as almas dos defuntos, ocorrendo o mesmo com os maias, os astecas, os incas, os tupis e guaranis das Américas, os índios, no geral, da América do Norte, os aborígenes da África, da Ásia, da Oceania, mediante rituais e cultos semelhantes...

Dizem que Marte, deus da guerra, apareceu a Numa Pompílio, que foi o segundo rei de Roma.

As Valquírias sempre surgiam nos campos de batalha para modificar o destino das guerras, ajudando os seus.

Os maias criam que haviam aprendido a conhecer as coisas por meio de seu deus Furacão, que lhes ensinava tudo.

Gilgamesh, que escreveu o primeiro livro conhecido sobre a morte, dizia que adquiriu a sabedoria com as divindades que lhe apareciam frequentemente.

Manú recebeu de Brahma os que seriam, no futuro, os “mandamentos”, tal como ocorreu, mais tarde, a Moisés.

Zarathustra informava que ao se lhe apresentar o deus máximo, Ahura Mazda, ele se inspirou para elaborar o Zend Avesta.

Krishna, Buda, Hermes e Sócrates, em distintos períodos e povos, mantiveram, igualmente, um intercâmbio com seres espirituais que os inspiravam e conduziam, conforme eles mesmos declaravam.

Eliminado das mitologias e lendas, o fantástico e imaginário, que são exaltações dos acontecimentos reais, permanecem os fenômenos mediúnicos indiscutíveis, porque os mesmos seguem ocorrendo na atualidade, demonstrando a continuação da vida depois da vida, como única forma de ter sentido e lógica, a própria realidade intelectual do ser.

Sábios notáveis e céticos, estudando a mediunidade, depois de elaborar teorias diferentes e contínuas para negar a sobrevivência do Espírito, se viram forçados a submeter-se à linguagem dos fatos, crendo na imortalidade, por ser esta a única hipótese que tem resistido a todas as suspeitas e incredulidades.

A documentação é preciosa e muito ampla e é periodicamente reexaminada e aumentada com novos fatos e dados que a enriquecem mais e a melhoram.

Se a vida fosse destruída com a morte, ela não teria sentido em si mesma, nem finalidade, em razão de sua fragilidade e brevidade.

A demonstração mediúnica da imortalidade da alma proporciona valor ao homem, cujos horizontes se fazem mais amplos e distantes, assinalando-lhe possibilidades infinitas e realizações sem fim.

Desde então, os valores éticos se agigantam e o amor adquire uma dimensão ilimitada, unindo todos os seres sob a árvore da fraternidade, que impulsiona a busca da felicidade por meio do trabalho e da luta que sublimam.

A Terra já não é o ponto final, a morada única para o ser, e sim, uma escola para a aprendizagem e para a aquisição da experiência, as quais, juntas, trabalham em favor do aperfeiçoamento do Espírito.

A dor deixa de ser um castigo da Vida para transformar-se em inevitável efeito da opção pessoal de cada um, que escolhe tal ou qual caminho, de paz ou de violência, de esforço ou preguiça para crescer ou progredir.

O homem se faz consciente de que ele é o arquiteto de seu próprio destino e que sua marcha ascendente se fará sempre pelo esforço pessoal, sem privilégio algum, exceto o de ser possuidor do discernimento e da razão para fazer o que deve e lhe corresponde realizar.

Amparado por aqueles que se lhe anteciparam no retorno ao mundo de origem, avança confiante, olhando para a frente e para o Alto com a certeza do triunfo.

Nesse homem, crente e consciente da imortalidade da alma, cantam as melodias divinas do bem no ritmo de esperança por um futuro melhor para ele e para a Humanidade, de que torna parte no organismo social, como membro importante e muito significativo que é.

Fernández Colavida por Divaldo Franco do livro:
Rumo às Estrelas

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Juntos aos que sofrem

Juntos aos que sofrem

Benedita Fernandes


Imagem gerada por IA.

O expositor da Doutrina Espírita, em geral, e o médium consciente dos próprios deveres, em particular, no exercício do mandato superior da caridade com Jesus, fazem-se instrumento de graves responsabilidades, em considerando as aflições do próximo, que neles espera encontrar apoio espiritual e consolo moral, a fim de ter diminuídas as provações em que se estertora, em face das excelentes diretrizes que dimanam do Consolador.

Enfermidades do corpo e da mente, desequilíbrios da emoção, dramas do sentimento e da consciência, ansiedades injustificáveis ou não e frustrações amesquinhantes são uma constante à volta deles, em rosários de desesperos, rogando-lhes orientação, socorro, solução, ajuda providencial.

O desconhecimento do Espiritismo, por parte dos que choram e anelam por encontrar respostas simples e equações rápidas para as suas necessidades, mais agrava o relacionamento entre aqueles e o companheiro portador de precárias expressões de equilíbrio, como, também, enseja uma ideai falsíssima da função que estes exercem em relação à vida.

Porque lidam e se identificam com relativa facilidade com o Mundo Espiritual, quando não são vistos na condição de charlatães ou inescrupulosos, passam por criaturas sobrenaturais ou especiais, dotadas de poderes de exceção, com que podem a bel-prazer modificar destinos e corrigir erros, a golpes de interferência caprichosa.

Não desejando a maioria dos consulentes submeter-se a um programa de reeducação, quando desorganizados interiormente, ou de educação diante das imposições superiores que regem a vida, nas quais a dor surge como cadinho purificador, supõem que, através do artifício das lágrimas de momento ou dos compromissos de futuros labores beneficentes com vistas ao próximo, conseguirão modificar as paisagens íntimas sombrias e carrear merecimentos instantâneos com os quais se transformarão os quadros dos valores vigentes.

Arrimados aos pieguismos religiosos com que no passado esperavam subornar e submeter a Divina Consciência, transferem-se de crença com a leviandade de quem muda de traje, iludindo-se com as perspectivas de amealhar maior soma de favores espirituais sem a correspondente doação de sacrifício pessoal.

*

Não se lhes negando solidariedade nem concurso fraterno, faz-se, porém, imperioso, aclará-los quanto às próprias responsabilidades, bem assim, quanto ao significado dos sofrimentos que os sobrecarregam, tendo-se em vista a legitimidade das leis que regem os destinos, a fim de que compreendam o impositivo da meditação e da oração, superando dificuldades mediante renúncia e paciência em perfeita sintonia com as Entidades Superiores que lhes supervisionam a existência.

Auxiliá-los com a palavra amiga, inspirada no Evangelho de Jesus, sim, porém, não conivir com as suas defecções e erros, dando margem a conceitos inexatos sobre o ministério da mediunidade e da doutrinação.

Atendê-los com o passe restaurador de forças, todavia, impulsioná-los à mudança de atitude perante a vida, para melhor, com que poderão marchar em confiança e paz.

Socorrê-los na desobsessão, esclarecendo os seus inimigos desencarnados, ao mesmo tempo elucidando-os quanto ao esforço pela transformação interior com que se lhes modificarão os clichês mentais, predispondo-os para novos e superiores tentames.

Em qualquer momento e em toda situação manter a atitude de honesta humildade, não deixando que se exteriorizem as próprias imperfeições, as quais, disfarçadas, procuram angariar projeção nas mentes aturdidas, passando como expressões de falsas posições de privilégio de que gozariam na economia moral terrestre, em que todos nos encontramos na condição de espíritos necessitados de elevação, portanto, ainda cheios de mazelas e problemas... Quando as proposituras dos aflitos parecerem mais difíceis de orientar, evitar-se respostas dúbias, desculpistas ou indiferentes, confessando-se as limitações em que se encontram, e, orando por eles com sincero interesse, conseguirão haurir força e inspiração para prosseguir fiéis a si mesmos e a Jesus, que é, afinal, o Excelso Amigo e Benfeitor, que nunca se escusava a compreender, a amar e a servir a todos quantos O buscavam batidos pelas aflições redentoras.

Benedita Fernandes por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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terça-feira, 9 de junho de 2026

Tolerância

Tolerância

Emmanuel



O trabalho edifica.
A solidariedade aperfeiçoa.
A tolerância eleva.

Trabalhando, melhoraremos a nós mesmos.
Solidarizando-nos, enriqueceremos o mundo.
Tolerando-nos engrandeceremos a vida.

Para trabalhar, com êxito, é necessário obedecer à lei.
Para solidarizar-nos, com proveito, é indispensável compreender o bem e cultivá-lo.
Para tolerar-nos, em sentido construtivo, é imprescindível amar.

Em vista disso, o Mestre dos Mestres, há quase dois milênios, afirmou para o mundo:
“Meu Pai trabalha, até hoje, e eu trabalho também.
Estarei convosco até o fim dos séculos.
Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”

Trabalhemos, construindo.
Solidarizemo-nos, beneficiando.
Toleremo-nos, amando sempre.

Vinculada aos fundamentos da Verdade, a sublime trilogia de Allan Kardec é plataforma permanente, em nossos círculos doutrinários, constituindo lema substancial que não pode empalidecer.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Trevo de ideias

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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Leme ou âncora

Leme ou âncora

Richard Simonetti



Trabalhador incansável, Justino dedicava-se de corpo e alma ao Espiritismo. Inspirado em nobres ideais, fundara um Centro Espírita. A expressão não define exatamente seu empenho. Muito mais que isso, edificara a sede, organizara os serviços, dirigia as reuniões, cuidava da contabilidade, promovia campanhas, atendia famílias carentes, aplicava passes, doutrinava espíritos e ainda encontrava tempo para cuidar da construção de um abrigo onde seriam amparados cem velhinhos.

Havia poucos colaboradores e reduzida frequência ao Centro, mas isso não importava. Justino sentia-se capaz de dar conta de tudo, como um craque de futebol que, além de jogar em todas as posições, fosse dono e técnico do time.

Preocupado com tantas atividades, que lhe pareciam excessivas para um homem de 63 anos, Alberto, seu irmão mais velho, homem experiente e lúcido, ponderava:

- Justino, você ainda se mata de trabalhar! Distribua as tarefas. Há muita gente que pode e deve ajudar.

- É o que venho fazendo há anos, meu caro, mas está difícil. Raros se habilitam a servir em troca do salário espiritual...

- Talvez seja uma questão de estímulo. Convoque o pessoal. Ressalte a importância dos serviços relacionados com o ideal espírita.

- Também pouco tem adiantado. Nos estudos de “O Livro dos Espíritos”, que desenvolvo em lugar do Armando, desde que se afastou porque não concordei com algumas sugestões, venho demonstrando que o espírita que não serve enquadra-se em vadiagem espiritual. Falo alto, com a força e a veemência dos antigos profetas e sempre tenho a impressão de dirigir-me a uma assembleia de surdos. Ninguém ouve...

- Bem, talvez fosse melhor amenizar um pouco suas perorações. E se convocasse pessoalmente as pessoas? Um envolvimento amigo opera prodígios de boa vontade. Experimente distribuir simpatia antes de oferecer compromissos.

- Qual o quê! Vejo que você não está habituado a lidar com a natureza humana! Rasgar seda pouco resolve. É preciso despertar as consciências. Quando isso acontece surge o servidor.

- Aparentemente tem acontecido com raridade...

- Infelizmente. O pior é que mesmo com os “despertos” não se pode contar. São pouco produtivos e cheios de melindres. Há meses tento passar a tesouraria ao Nunes. Afinal, essa é sua função. Mas não engrena. Além do mais, não confio nele. É muito displicente. O Aurélio, responsável pelo Departamento de Doutrina, não enxerga um palmo adiante do nariz, compelindo-me a organizar e desenvolver todas as atividades. O Bertineli é limitadíssimo na Assistência Espiritual. Sem meu concurso o setor não funciona...

- E nossas irmãs? A alma feminina é muito sensível aos apelos da Caridade. Há inúmeras tarefas que podem desenvolver com proveito.

- E largar sem jeito!... Por sugestão de minha mulher instalamos uma oficina de corte e costura, com promissoras perspectivas, mas ela em breve desistiu, no que foi seguida pelas demais colaboradoras, apenas porque não quiseram se sujeitar à minha coordenação. Cheguei a tentar, eu mesmo, a confecção de roupas para os pobres. Faltou-me tempo e um pouco de experiência.

- E o abrigo, como vai?

- Devagar, mas sempre. No domingo trabalho até como pedreiro, sozinho. Os membros da comissão nomeada para a construção ainda não se decidiram a atuar, discordando de minhas opiniões.

É natural. Não estão habituados a lidar com obras assistenciais.

- Seu empenho é louvável, Justino, mas está na hora de delegar responsabilidades. Você já não tem idade para tantos compromissos.

- Não se preocupe. Vendo saúde. O serviço é meu alimento!

- Cuidado! Não vá se intoxicar...

As ponderações de Alberto eram procedentes. Passados alguns meses, Justino, não suportando a carga de preocupações e serviços, sofreu fulminante enfarte, desencarnando em poucos minutos.

O Centro, com seus serviços variados e precários, certamente soçobraria, qual nave sem rumo.

No entanto, o inesperado aconteceu. Sem a presença do heroico comandante, Nunes assumiu a tesouraria, Aurélio organizou o Departamento de Doutrina, Bertineli dinamizou a Assistência Espiritual, Armando tornou-se notável expositor, a oficina de corte e costura voltou a funcionar com a liderança da esposa e o abrigo, com as iniciativas felizes da comissão e o apoio decidido de uma comunidade espírita florescente, em breve tornou-se feliz realidade.

Na ausência de Justino, que não obstante seus méritos, estava mais para âncora do que leme, a instituição finalmente habilitou-se a singrar os mares abençoados do serviço, com uma tripulação numerosa e operante.

* * *

O Centro Espírita é promissora célula de trabalho, embrião da sociedade futura, onde o empenho da fraternidade será a tônica das ações humanas.

Há dirigentes, entretanto, que conseguem conter a vocação do Centro Espírita com uma liderança autocrática de quem deseja fazer tudo e termina por fazer quase nada.

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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