quinta-feira, 21 de maio de 2026

Pressentimento

Pressentimento

Joanna de Ângelis



522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor? "É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar, tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna pressentimento." (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformaram em Guias da Humanidade.

São eles que executam a programação estabelecida, emulando aqueles que se encontram incursos no processo de crescimento a alcançarem a meta para a qual se reencarnaram.

Operosos servidores do Bem, estão sempre próximos de todos aqueles que lhes rogam auxílio ou que, através da oração e dos pensamentos elevados, sintonizam com as suas presenças, experimentando o doce enlevo que deles dimana e a condução psíquica que transmitem com carinho e paciência.

Conhecedores de algumas ocorrências que estão delineadas nas existências dos seus pupilos e dos desafios que os mesmos devem vivenciar, inspiram-nos ou guiam-nos pela senda mais apropriada para o sucesso, ou advertem-nos dos perigos iminentes que os espreitam, de forma que possam alterar o passo e alcançar os objetivos salutares.

Através dessa inspiração e presença psíquica é que ocorre o denominado pressentimento, que é uma eficaz maneira para a criatura parar e reflexionar em torno do que deve realizar e de como conduzir-se, a fim de não soçobrar no empreendimento iluminativo, contornando as dificuldades e avançando sem receio pela trilha do progresso.

Caso, no entanto, seja reprochável a conduta do indivíduo ou se faça caracterizada pela rebeldia sistemática, pelos conflitos nos quais se compraz, os pressentimentos se apresentam com manifestação maléfica, propostos pelos acompanhamentos espirituais que se lhe tornam constantes, em razão do tipo de opção mental e comportamental a que se entrega.

Os Espíritos que o assessoram atormentam-no com ideias falsas umas e mirabolantes outras, a fim de mais o iludirem e fixarem-no nas suas redes mentais perversas, de difícil libertação.

Comensais dos seus propósitos íntimos enfermiços, são hábeis na técnica de transmitir ideias deprimentes e portadoras de conteúdos perturbadores que o atormentam e mais pioram o seu humor e estado emocional.

Algumas vezes, quando assistido pelas Entidades veneráveis, pela falta de hábito de assimilar-lhes as ideias, recusa-as, retornando às mesmas paisagens mentais deletérias em que se homizia.

Os pressentimentos, desse modo, merecem análise clara e tranquila, a fim de que se possa avaliar o de que se constituem e qual a mensagem de advertência e socorro de que se fazem portadores.

Ressumam espontaneamente do inconsciente pessoal muitas recordações, que defluem da programação a que o Espírito está vinculado e que assumiu antes da reencarnação, como eficiente maneira de conduzir-se com equilíbrio, evitando situações embaraçosas ou tropeços nos mesmos erros em que tombaram anteriormente.

Alguns desses pressentimentos, que são efeitos de ações já realizadas, informam sobre necessidades que deverão ser experimentadas e compromissos que foram firmados antes do renascimento, que se encontram adormecidos e agora ressurgem com o propósito de alertamento, porque, de alguma forma, encontram-se estabelecidos para novamente acontecerem, auxiliando o equivocado na própria reeducação.

São, portanto, do próprio Espírito reencarnado, algumas ideias que volvem à tela mental como intuição de advertência, proporcionando recordação espontânea do passado, que se torna bênção enriquecedora.

Ainda ocorre que, em face da condição espiritual do ser humano, o seu psiquismo pode adentrar-se pelo futuro e captar ocorrências que se estão aproximando no tempo e logo se manifestarão como realidade.

Esses registros são permitidos porque têm por finalidade contribuir em favor da melhor compreensão humana em torno do que se convencionou denominar fatalidade ou desdita, felicidade ou sucesso adrede estabelecidos...

Sendo uma existência planetária consequência natural da que lhe é anterior, e muitas vezes de outras mais recuadas, os eventos da vida se encontram mais ou menos delineados conforme as estruturas sobre as quais se apoiam, facilitando-lhes a captação antecipada por se encontrarem na pauta do processo da evolução.

Os pressentimentos constituem fenômenos psíquicos, parapsíquicos e mediúnicos que contribuem de forma útil para a existência feliz.

Quando negativos ou ameaçadores, devem predispor à oração e ao envolvimento nos pensamentos superiores, a fim de que as conquistas atuais constituam crédito moral mediante o qual podem ser modificados os planos existenciais.

As Soberanas Leis não executam corretivos punitivos em relação às criaturas, mas se expressam com finalidade educativa ou reeducativa, convidando à reflexão e ao aprendizado em torno dos deveres para com a Vida, e que não podem ser ignorados ou tomados com leviandade.

Desse modo, a toda ação positiva corresponde uma mudança na contabilidade espiritual que diz respeito às atitudes e realizações prejudiciais, perturbadoras, que necessitam ser reparadas.

O amor é possuidor do élan poderoso que anula o mal e, qual a luz, esbate toda a sombra ameaçadora.

Mantendo-se o ser em comunhão com as Fontes Excelsas, delas recebe, por pressentimentos, notícias das ocorrências que terão lugar no amanhã, preparando-se para melhor enfrentá-las e bem conduzi-las.

Quando se trata de desafios pelo sofrimento, mais fáceis esses se apresentam, em razão da disposição de superá-los, prosseguindo no rumo da felicidade.

Quando se expressam beneficiosos, favorecem melhor capacidade para a sua instalação no mundo íntimo, retirando-se os resultados superiores da futura ocorrência.

Apurando-se a capacidade e a autopenetração interior e de sintonia com os Espíritos Guias, mui facilmente os pressentimentos podem ser registrados e direcionados de forma saudável e proveitosa.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Lições para a Felicidade

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Métodos de cura e o Fluido Cósmico Universal entre os Druidas

Métodos de cura e o Fluido Cósmico Universal entre os Druidas

Eduardo Carvalho Monteiro



V - MÉTODOS DE CURA ENTRE OS DRUIDAS

O homem do século vinte pôde viajar rompendo a barreira do som mas esqueceu-se da estrada que leva ao interior de si mesmo. Nossos médicos substituíram a intimidade com o paciente pelas telas do computador. À exceção da homeopatia e de certos ramos orientais, nossa Medicina investiu-se na condição de perseguidora de sintomas buscando a cura da doença, sem procurar compreender suas causas e o significado de seu surgimento.

Sob o ponto de vista da causa e do efeito, os druidas de três mil anos atrás estavam à frente de nossa modernidade.
Eles ocupavam-se da cura das doenças físicas, mas sabiam que elas tinham uma correspondência perispiritual. E os problemas psicossomáticos, só descobertos recentemente com desenvolvimento da medicina e psicologia das patologias mentais, já eram do conhecimento desse povo, testemunhando sua sabedoria e desenvolvimento.

Liaig é como se chamava o druida médico, que tinha por obrigação se dedicar ao bem-estar da comunidade e, especificamente, à área médica, ao restabelecimento do equilíbrio do corpo e da alma.

Com sua cultura oral, não se tem notícia de nenhum tratado sobre cirurgias, mas as lendas célticas são pródigas em relatos de técnicas cirúrgicas e até mesmo de transplante de órgãos. Na narrativa da Morte de Conchobar, a habilidade do druida Fingen em curar Conchobar, que tinha sido ferido mortalmente na cabeça por uma pedra, encontramos um exemplo: "Bem, diz Finger, se a pedra não for tirada da cabeça você morrerá imediatamente. Se ela for tirada, eu te curarei, mas você ficará enfermo. Melhor vale para nós sua enfermidade do que sua morte, dizem os ulates. A cabeça foi curada e a ferida costurada com um fio de ouro, porque esta era a cor dos cabelos de Conchobar. o médico então recomendou a Conchobar para ter cuidado e não se encolerizar, não montar a cavalo, não ter com mulheres relações apaixonadas, não correr."

Muito ilustrativa sob diversos aspectos esta lenda. O Cristo ainda não tinha vindo à Terra nos dizer que as moléstias do corpo têm sua causa no espírito quando os druidas já ensinavam isso. Disse o Cristo ao recém curado paralítico: Vá e não peques mais! O que estava querendo ele alertar ao pobre homem, é que se ele continuasse a incorrer em erro, de nada valeria a cura momentânea. Em outras palavras, a causa de seu mal físico eram os vícios morais que urgia vencer, tal qual o médico preveniu a Conchobar: não se encolerizar, não montar a cavalo (desprezar as coisas materiais), não ter relações com mulheres apaixonadas...

Inúmeros contos e lendas fazem a fama dos Liaig, mas a mais importante terapêutica dos druidas era o herbalismo. O visco tinha o valor de uma panaceia universal para eles, assim como outras plantas: salva, verbena, macieira, azinheira, etc...
A medicina vegetal tem relação com a aplicação da lei natural ao corpo e à psiquê. O desequilíbrio da mente ou de órgãos do corpo leva ao desenvolvimento das patologias. Antes de se estabelecer em nosso corpo elas atingem o perispírito e os druidas sabiam disso. O emprego de remédios naturais, sua colheita segundo aspectos favoráveis dos planetas, os quatro elementos, as conjurações, todos esses métodos eram utilizados pelos ovados(*).

Dizem que os druidas eram recipiendários dos segredos alquímicos. Se não o eram, ao menos deveriam ter a chave da porta dos arcanos do reino herbáceo. Esse arcano é o aumento das vibrações da matéria vegetal em contato com a patologia do corpo físico, visando o reequilíbrio e a harmonização de sua energia. Pelo antigo axioma hermético: Como em cima, tal é embaixo. Como embaixo tal é em cima, ou seja, o microcosmo agindo no macrocosmo. Como tudo que cresce provém de uma semente, o fruto deve estar contido em sua semente. A essência, ou quintessência, ou Mercúrio, como os alquimistas a chamam, é a energia doadora de vida que se manifesta em toda a matéria, ou seja, em todos os reinos. A arte dos alquimistas consistia em extrair o "espírito" do vegetal (a quintessência) para ministrar ao paciente, de maneira a suplementar as forças positivas em falta ou deficientes no corpo humano, que representava a parte negativa, em contraposição à força vital positiva.

Infelizmente o homem moderno ignora sua coexistência com a Natureza e não sabe tirar proveito dela. Já os druidas partiam do princípio que nossa saúde física e mental dependia de nossa comunhão com a natureza.
Cu Chulainn, é curado por Lug, na narrativa da Tain bo Cualnge, por intermédio da medicina vegetal: "Lug cantou o ferdord. Cu Chulainn dormiu com isso... Foi então que o deus do Sid colocou as ervas e as plantas curativas cicatrizantes sobre as feridas, as chagas, as pisaduras, de Cu Chulainn e ele se recuperou durante seu sono sem perceber o que quer fosse.

O espiritismo, embora a distância do tempo, corrobora a tese do druidismo na questão da gênese das patologias psicossomáticas, conforme esclarece Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier:

"... Quantas enfermidades pomposamente batizados pela ciência médica não passam de estados vibratórios da mente em desequilíbrio? A agonia prolongada pode ter afinidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal. A doença sempre constitui fantasma temível no corpo humano, qual se a carne fosse tocada de maldição; entretanto podemos afiançar que o número de enfermidades, essencialmente orgânicas, sem interferências psíquicas é positivamente diminuto..." (Vinha de Luz / Cap. 157 - Emmanuel por Chico Xavier)

Nós, espíritas, vemos com pessimismo o progresso da ciência contra as doenças. Os cientistas, os médicos, os curandeiros, todos esforçam-se para aperfeiçoar os remédios que curarão nossos males físicos, no entanto, eles não percebem que, mesmo usando as mais sofisticadas técnicas da informática até a simplicidade das ervas, produzirão apenas paliativos porque estão atingindo somente os efeitos e não as causas. Então, derrotada esta ou aquela doença, outras surgirão, caso não descubram e combatam na alma humana as verdadeiras causas de nossos males.

Não há registro de que os druidas utilizassem o passe, como é praticado pelo espiritismo, como meio de cura, no entanto, eles tinham conhecimento do fluido cósmico universal, a que chamavam de guivre, como veremos adiante. (Cap. 2 - Item V)
VI - O GUIVRE E O FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL
Arqueu, Misteriuwn Magnum, C'bi, Apeiron, Aitber (grego) ou Éter, Azote, Luz Astral, Princípio Energético, Princípio Vital, Fluido Magnético, Akasha são algumas das denominações do elemento sutil, quintessenciado, imponderável, existente na Natureza e que penetra todo o espaço. Na explicação dos espíritos codificadores, sem esse princípio formado de elementos etéreos e sutis, a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e não adquiriria nunca as qualidades que lhe dá a gravidade."
Conheceriam os druidas os princípios do fluido cósmico universal? Não há dúvida que sim. Aos quatro elementos da cultura clássica, água, fogo, terra e ar, eles acrescentavam um quinto, ao qual denominavam nuyure ou ainda guivre ou wouivre, por deformação de uso. O guivre, expressão que usaremos por facilidade fonética e de grafia, representa o poder criador do mundo material para os druidas. Nada se faz. sem esse quinto elemento e sua união com os outros quatro elementos cria a vida, o movimento e anima o espírito. Numa definição essencialmente druida, "o guivre é menor que os menores e maior que os mundos, porque ele é a própria sutileza e o poder". Para o druida, o guivre se constitui no fio que liga misteriosamente o mundo humano ao mundo divino, a luz que está na origem da Criação e da matéria viva. O guivre é representado pela serpente.

Eu sou uma serpente, eu sou um druida, exclamavam. Estrabão observa que os druidas ocultavam no símbolo da serpente várias das altas concepções de seu misterioso ensinamento. Devido a seus movimentos sinuosos, uma de suas simbologias era ser a "sabedoria das profundezas" ou, em linguagem psicológica, dos conteúdos do inconsciente.

Símbolo universal da energia ou da força, para os druidas ela era a fonte do potencial oculto e de todas as forças da natureza. Adormecida, a serpente representa as potências latentes; acordada, a energia vital que desperta e regenera. A serpente mordendo a própria cauda, denominada ouroboros, significa que "todo o começo contém em si o fim, e todo o fim contém em si o começo", representando a manifestação e a reabsorção cíclica. Símbolo do tempo e da continuidade da vida, a ouroboros é a correspondente ao Chronos grego (Circulo Infinito do Tempo) que engole seus próprios filhos. Autofecundadora, mordendo-se, ela injeta veneno no próprio corpo e torna-se o emblema da dialética da matéria: vida-morte, morte-vida, no ciclo perpetuo que caracteriza toda manifestação do universo.

A serpente também se relaciona simbolicamente com as águas primordiais (criação do mundo) e materialmente com os veios de água subterrânea, os quais constituem a fonte oculta dos chacras da Terra-Mãe, seus centros de energia. Como já estudamos em capitulo anterior, Paul Bouchet, que se intitula "druida do século XX", sustenta que "os druidas primitivos tentavam balizar os cursos de ondas telúricas mediante monumentos capazes de desafiar a passagem dos séculos".

As energias subterrâneas eram representadas pelos druidas através da simbologia dos guivres, correntes sagradas que, como gigantescas serpentes, percorriam o subsolo terrestre.

Mas retomemos o sentido principal de guivre para os druidas, como substância primordial que tudo penetra, a origem do mundo tangível. Outra simbologia muito presente na iconografia celta para representar o guivre era a serpente com cabeça de carneiro ou criocéfala, que simbolizava o poder vivificador, a energia criadora e renovadora que abria um ciclo de vida. O carneiro é o símbolo astrológico da vitalidade; é ele que abre as portas da Primavera, emblema da vitória da vida sobre a morte. Como já vimos, é no equinócio da primavera que as forças de luz se intensificam e chega o tempo do Festival de Alban Eiler, a Luz da Terra, momento em que as flores brotam e a semeadura tem início. Ligados sabiamente aos fenômenos astronômicos e à simbologia da natureza, tudo se entrelaçava com lógica na cultura druida.

Por intermédio do guivre, o fluido sutil que emana da luz de Deus, os druidas acreditavam que a união da "Mãe-Terra" e do Sol dava origem a toda a vida. É a ideia da luz que está presente na base da criação da matéria e encontra-se embutido no espírito do Alban Eire, comemorativo ao início da vida.

A ideia de um fluido cósmico não é exclusividade do druidismo e do espiritismo. Ela é inerente a inúmeras doutrinas iniciáticas antigas, muitas das quais detinham os segredos das subdivisões do átomo e seu aproveitamento energético.

Conquanto algumas diferenças de concepção, todas guardam estreita relação com a conceituação fornecida pelos espíritos da Codificação. A crença nos "fluidos espirituais" é postulado básico da Doutrina Espírita e o fluido cósmico universal, que corresponde ao guivre druídico, apresenta três atributos fundamentais: preenche todo o espaço, tanto no mundo interatômico quanto no cosmos; é a substância primária da qual procede a matéria; e é o veículo de interação entre a Divindade e sua Criação. Dois estados extremos é como o Fluido Cósmico se apresenta, conforme esclarece o Capítulo II de O Livro dos Espíritos. O primeiro é um estado de desintegração máxima, no qual se mostra as diversas formas de energia que conhecemos; e um segundo estado, de total condensação, a nossa matéria tangível. Numerosos estados de intermediários se colocam entre esses dois extremos.  (Cap. 2 - Item VI)

Eduardo Carvalho Monteiro do livro:
Allan Kardec (O Druida reencarnado)

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(*) Ovados: Os ovados eram os detentores da compreensão dos mistérios da morte e do renascimento, por saberem transcender o tempo, prever o futuro e conversar com os mortos. Como xamãs, se é que este termo propriamente lhes caiba, eles possuíam as habilidades da profecia e, no campo material, tinham as tarefas jurídicas, de aconselhamento, ensino e filosóficas dos druidas. Mais abrangentemente, os ovados dedicavam-se à sátira, ao encantamento, à predição, à magia falada e escrita, à justiça, medicina, ensino, música e guerra.

De uma maneira geral, o que se mostra é que, embora cada classe possuísse função definida, isso não impedia que uma mesma função fosse exercida pelas três classes. 
Assim como os hindus, os druidas acreditavam na reencarnação e os ovados eram os destinados a se comunicarem com os ancestrais para receber orientação e inspiração. Essa conexão especial com o Outro Lado da Vida os fazem oficiantes do Rito de Samain, a festa dos mortos realizada em 31 de outubro. Não se trata, porém, de um culto mórbido à morte, porque o interesse real do ovado é pela Vida e pela regeneração. Ele sabe que para nascer é preciso morrer, seja no sentido figurado ou no real.

O ovado possuía dons de cura e conhecimentos da tradição dos animais, árvores e ervas. Além da capacidade já citada de se comunicar com os espíritos, sua condição de penetrar no não-tempo lhe permitia realizar previsões e profecias.

Os ovados podiam "recuperar" os acontecimentos ou "revisitá-los" na mesma terra do não-tempo habitada pelos deuses. Em outras palavras, eram intermediários humanos que, em estado de transe, principalmente durante os rituais realizados nos festivais, podiam prever o futuro ou exercer a retrocognição.

A árvore que representa o ovado é o teixo, árvore da morte e do renascimento. O norte é o lugar do ovado, pois é onde ele toma conhecimento da "inteligência espiritual e da noite". Os tempos associados ao ovado são o outono e o inverno, a tarde, o anoitecer e a meia-noite, períodos em que se assimila a experiência do dia ou do ano e se penetra nas grandes profundezas do inconsciente. (Cap. 1 - Item V - b)
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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Ama sempre

Ama sempre

Auta de Souza



Guarda a missão de paz, risonha e pura,
Da luz celeste que nos ilumina.
Quanto mais treva, tanto mais divina
A derramar-se pela Terra escura.

Não te rebeles contra a desventura
E se o mal te confrange ou desatina,
Recorda a fonte humilde e cristalina,
Que estende ao lodo a bênção da ternura.

Alça tua alma à senda do infinito.
E ampara, sem cessar, ao mundo aflito,
Por mais que a dor te fira ou desagrade.

E subirás cantando, desde agora,
Pela fé que te ajuda e aprimora
Aos impérios do amor na Eternidade.

Auta de Souza por Chico Xavier do livro:
Excursão de Paz

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Os dois alforjes

Os dois alforjes

La Fontaine / Hammed


Imagem gerada por IA

"O QUE ESTÁ POR DENTRO É LANÇADO FORA."

As mentiras que mais nos causam danos e nos impedem o crescimento espiritual não são tanto as que verbalizamos, mas as que contamos inconscientemente para nós, aquelas que projetamos. - Hammed

 

OS DOIS ALFORJES

Um dia, Júpiter convocou todos os animais para comparecerem diante dele, a fim de que, comparando-se com os outros, cada animal reconhecesse o próprio defeito ou a própria limitação. Assim, Júpiter poderia corrigir as imperfeições.

E os animais, um a um, elogiavam a si próprios, gabavam-se de suas qualidades e só relatavam os defeitos alheios. O macaco, ao ser questionado se estava feliz com seu aspecto, respondeu:

- Mas claro que sim! Cabeça, tronco e membros, eu os tenho perfeitos. Em mim, praticamente, não acho defeitos. É pena que nem todo o mundo seja assim... - Os ursos, por exemplo, que deselegantes!

O urso veio em seguida, mas não se queixou de seu aspecto físico, até se gabou de seu porte. Fez críticas aos elefantes: orelhas demasiadamente grandes; caudas insignificantes. Animais grandalhões, sem graça e sem beleza.

Já o elefante pensa o oposto e se acha encantador; porém, a natureza exagerou, para o seu gosto, quanto à gordura da baleia.

A formiga, ao falar da larva, franze o rosto: - Que pequenez mais triste e feia!

Assim são os homens. É como se lhes tivessem colocado dois alforjes (duplo saco, ligado por uma faixa no meio (por onde se dobra), formando duas bolsas iguais; usado ao ombro ou no lombo nos animais, de forma que um lado fique oposto ao outro): no peito, o alforje com os males alheios, e nas costas, o - alforje com os próprios males. De tal modo que eles são cegos quanto aos próprios defeitos, mas enxergam com nitidez os defeitos dos outros.


"O QUE ESTÁ POR DENTRO É LANÇADO FORA"

Uma forma de evitar claramente que sensações, pensamentos, impulsos ou lembranças cheguem ao nosso consciente tem o nome de transferência ou projeção.

Projetar nossas ações e emoções nos outros, agindo como se elas não nos pertencessem, e recusar nosso mundo íntimo, não aceitando as coisas em nós como elas realmente são, pode se tornar um constante "acessório psicológico", um processo preferencial do ego.

O método para projetarmos nossa vida íntima em outra pessoa funciona de certa forma em duas etapas: negação e deslocamento.

Primeiro, um fato ou acontecimento que provoca um sentimento inadequado é negado, bloqueado do consciente e deslocado para o mundo externo. Tomemos por exemplo: um indivíduo que num determinado momento da vida teve um desentendimento com uma pessoa e desenvolve um sentimento de antipatia e aversão por ela pode, posteriormente, julgar que superou as diferenças e que aquele episódio é uma "página virada". No entanto, ele não consegue perceber que sua emoção pode ter sido inconscientemente projetada sob forma de uma suposta antipatia e aversão dessa pessoa por ele. O que estava dentro foi jogado para fora.

Uma vez que é atribuída a outras criaturas, a sensação de aversão é notada como completamente alheia, não nos pertence, não nos diz respeito. É, simplesmente, de outrem; jamais nossa. Nós somos bons e perdoamos, mas os outros são maus, rancorosos e não perdoam.

"Assim são os homens. É como se lhes tivessem colocado dois alforjes: no peito, o alforje com os males alheios, e nas costas, o alforje com os próprios males. De tal modo que eles são cegos quanto aos próprios defeitos, mas enxergam com nitidez os defeitos dos outros."

É comum encontrar no dia a dia indivíduos que apresentam comportamento idêntico. Ao invés de se dedicarem à tarefa de conscientização da própria vida íntima, evidenciam o argueiro no olho do vizinho e, por consequência, potencializam a trave que lhes obscurece a visão do mundo anterior.

As mentiras que mais nos causam danos e nos impedem o crescimento espiritual não são tanto as que verbalizamos, mas as que contamos inconscientemente para nós, aquelas que projetamos.

Vivemos ilusões quando desfiguramos a realidade de nossa experiência ou a verdade de nosso ser e adotamos um "papel" que não corresponde à verdade. Apresentamos aqui o que em linguagem informal denominamos "máscaras": são elas que turvam nossa verdadeira realidade interior; é delas que nos servimos para lançar fora o que está em nossa intimidade.

Projetamos e interpretamos papéis quando nossas reivindicações internas não são admitidas, ou são contrárias àquelas que estão sendo solicitadas pelo mundo externo.

Projetamos e interpretamos "scripts" quando nossas exigências pulsionais (processos psíquicos fortemente emocionais, impulsivos e basicamente irracionais) entram em choque com as regras e normas sociais, passando do campo da consciência para o da inconsciência.

Representamos como se fôssemos verdadeiros atores, interpretando uma personagem no palco ou no cinema, quando nos colocamos diante de alguém como sendo mais do que somos; quando dissimulamos um amor ou um desinteresse que não sentimos; quando nos mostramos alegres, e na realidade estamos tristes; quando aparentamos uma frieza que não experimentamos; quando escondemos e mantemos em segredo tudo aquilo que mais queremos e desejamos; quando aderimos a associações de caráter recreativo, cultural, artístico, religioso, político, social, etc., para obter benesses que não merecemos, recebendo elogios e reconhecimento.

O crescimento pessoal exige, acima de tudo, coerência, o que significa que o si-mesmo (Self em inglês) deve estar numa relação harmônica entre o que se sente e o que se vive; deve haver uma identidade ou semelhança entre as partes de um todo.

Por que falsificamos nossa realidade? Afinal, o que conseguimos com isso? Danificamos nossa própria intimidade e atravessamos toda uma existência com a angustiante sensação de sermos impostores ou farsantes. Além disso, vivemos aprisionados à angústia e ao medo de um dia descobrirem quem realmente somos.

O alvorecer do despertar manifesta-se no ser amadurecido quando a luz da consciência ilumina não apenas as áreas externas, mas, acima de tudo, as internas. Muitos indivíduos se satisfazem apenas por possuírem os olhos físicos, que lhes oferecem uma visão parcial ou incompleta da vida. Mas para vermos as coisas tais como são, é preciso desenvolvermos a acuidade do olho que esclarece, ilumina e guia - aquele voltado para o mundo íntimo. A partir daí, cessamos de projetar de forma contínua.

Como todos os nossos companheiros de viagem transcendental, desejamos preencher ou compensar o vazio existencial que sentimos por não vivermos a essencialidade de nosso ser.

(...) Deus suprirá todas as suas necessidades de acordo com as riquezas de sua glória ..." (Filipenses, 4:19)

Nossos anseios de ser e de possuir alguma coisa são, no fundo, a compensação da falta de não termos quase nenhuma consciência do que somos e nem para que fomos criados.


CONCEITOS-CHAVE

A - NEGAÇÃO

É a recusa de aceitar as coisas como são. Na negação, embora os fatos e as circunstâncias não estejam completamente apagados do consciente, como acontece na repressão, eles estão recolocados de tal forma que distorcem ou encobrem a realidade.


B - DESLOCAMENTO

É o mecanismo psicológico de defesa através do qual a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente menos desastrosa. Durante uma discussão, por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em esmurrar a outra; contudo, acaba deslocando tal ímpeto para uma garrafa, que ela quebra sobre a mesa. Também pode ser qualificado como uma ideia ou vivência que são trazidas simbolicamente na mente por uma outra ideia ou vivência que estejam emocionalmente associadas. Por exemplo: uma criatura que teve uma experiência amorosa desagradável com alguém no passado reage, no presente, com desprezo ou aversão por todos aqueles que se aproximam dela afetivamente.


C - SI-MESMO

Sustenta Carl Jung que trazemos em nosso íntimo um arquétipo principal, que ele denominou si-mesmo.

Segundo as teorias junguianas, "o si-mesmo não é apenas o centro, mas também toda a circunferência que contém em si tanto o consciente quanto o inconsciente". Jung afirmava que o "Self" preside a todo o governo psíquico, é uma autoridade suprema e é considerado a unificação, a reconciliação, o equilíbrio dinâmico, um fator interno de orientação do mais alto valor.


MORAL DA HISTÓRIA:

Sempre que distinguimos alguma coisa fora de nós e a reprovamos em demasia como sendo perniciosa, perigosa, pervertida, imoral, e assim por diante, é provável que ela represente conteúdos existentes em nós mesmos, sem que os reconheçamos como possíveis características nossas. A ameaça é tratada como se fosse uma força externa, e não interna. Se afirmarmos categoricamente "todos são desonestos", estamos, na verdade, tentando projetar nos outros nossas próprias tendências. Ou então, ao dizermos "tudo gira em torno de uma só coisa: sexo", podemos estar direcionando nossa disposição interna nas demais criaturas, por estarmos pessoalmente insatisfeitos. Muitas vezes dizemos "é inexplicável como aquela pessoa não gosta de mim", quando, na realidade, somos nós que não gostamos dela, sem nos darmos conta.


REFLEXÕES SOBRE ESTA FÁBULA E O EVANGELHO

"Um dos defeitos da Humanidade é ver o mal de outrem antes de ver o que está em nós. Para se julgar a si mesmo, seria preciso poder se olhar num espelho, transportar-se, de alguma sorte, para fora de si e se considerar como uma outra pessoa, em se perguntando: Que pensaria eu se visse alguém fazendo o que faço?" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. X, item 10)

"Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão." (Mateus, 7:5.)

"DEPLORAMOS COM FACILIDADE OS DEFEITOS ALHEIOS, MAS RARAMENTE NOS SERVIMOS DELES PARA CORRIGIR OS NOSSOS." LA ROCHEFOUCAULD

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Fábulas de La Fontaine - Um Estudo do Comportamento Humano
Hammed: A partir de uma coletânea de fábulas de La Fontaine, que ilustram sempre um preceito moral, o espírito Hammed fez ponte na direção da Doutrina Espírita com o objetivo de levar a todos uma reflexão dos porquês da diversidade comportamental dos indivíduos.
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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.