segunda-feira, 15 de junho de 2026

Na esfera íntima

Na esfera íntima

Emmanuel


"Cada um administra aos outros o dom como o recebeu, como bons dispersadores de multiforme graça de Deus. (I Pedro 4:10)

A vida é máquina divina da qual todos os seres são peças importantes e a cooperação é o fator essencial na produção da harmonia e do bem para todos.

Nada existe sem significação.

Ninguém é inútil.

Cada criatura recebeu determinado talento da Providência Divina para servir no mundo e para receber do mundo o salário da elevação.

Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda que é necessário movimentar o dom que recebeste do Senhor para avançar na direção da Grande Luz.

Ninguém é tão pobre que nada possa dar de si mesmo.

O próprio paralítico, atado ao catre da enfermidade, pode fornecer aos outros a paciência e a calma, em forma de paz e resignação.

Não olvides, pois, o trabalho que o Céu te conferiu e foge à preocupação de interferir na tarefa do próximo, a pretexto de ajudar.

Quem cumpre o dever que lhe é próprio, age naturalmente a benefício de equilíbrio geral.

Muitas vezes, acreditando fazer mais corretamente que os outros, o serviço que lhes compete, não somos senão agentes de desarmonia e perturbação.

Onde estivermos, atendamos com diligência e nobreza a missão que a vida nos oferece.

Lembra-te de que as horas são as mesmas para todos e de que o tempo é o nosso silencioso e inflexível julgador.

Ontem, hoje e amanhã são três fases do caminho único.

Todo dia é ocasião de semear e colher.

Observemos, assim, a tarefa que nos cabe e recordemos a palavra do Evangelho - "cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus", para que a graça de Deus nos enriqueça de novas graças.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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domingo, 14 de junho de 2026

Sexo - Manifestação Divina

Sexo - Manifestação Divina

Hammed


“Eu sei e estou convencido no Senhor Jesus que nada é impuro em si. Alguma coisa só é impura para quem a considera impura”. (Romanos, 14:14.)
Afirmamos acertadamente que tudo provém do Criador e a Ele retorna.

O sexo – cujas energias servem de alimento divino para a inteligência e para o sentimento humano – é uma das mais belas criações da Sabedoria de Deus para com suas criaturas.

Força criadora não somente para gerar filhos carnais, a sexualidade envolve as vitalidades psíquicas como um todo, atua nas áreas da estética, da arte, da cultura, de obras e realizações espirituais, da sensibilidade, das alegrias enobrecedoras do afeto e outros tantos vigores criativos da alma humana.

É preciso ampliar nossa concepção do sexo, deixando de fixá-la unicamente nas atividades de certos órgãos do veículo físico.

Por que então condená-lo com tanta veemência? Por que relegá-lo ao desprezo como algo negativo, uma vez que tudo que há em nós é sagrado?

Nosso conceito ético-moral está fundamentado na noção adquirida em nossas experiências familiares, sociais e religiosas, das quais nos servimos para sedimentar juízos, opiniões ou pontos de vista.

Concepções, símbolos, tendências e ideias estão arquivados em nossa memória profunda; são subprodutos de uma série de conhecimentos que assimilamos na vida atual e nas vivências pregressas.

Normas, costumes, informações, observações, admoestações e censuras, inclusive influências de instituições diversas, formaram em nós um tipo de “observatório moral” – coleção de regras a ser impreterivelmente cumpridas –, do qual nos valemos para visualizar, investigar e catalogar a sexualidade como boa ou má.

Se convivermos com familiares problemáticos e que trazem consigo desajustes e prejulgamentos embrutecidos no setor da afetividade, ficaremos profundamente marcados por essas relações desarmônicas. Se vivenciarmos durante a infância experiências negativas na área sexual, esses mesmos fatos e acontecimentos estarão dificultando nossas relações interpessoais.

Adotamos comportamento angelical ou de criaturas sublimadas, no entanto ainda somos seres humanos. Não podemos nos esconder atrás do poder religioso ou da postura clerical de nenhuma religião para camuflar anseios de caráter afetivo e sexual – isso é escapismo.

Nutrimos conceitos moralistas e preconceituosos como mecanismo de proteção ou de fuga.

Ao renovarmos a nossa “visão ilusória” para uma “visão de imortalidade”, mudamos a “concepção de sexo” simplista e obtusa.

Deixamos de analisá-lo por caracteres absolutos, rigorosos e metódicos, alterando assim as conclusões equivocadas a respeito das pessoas e da vida.

Iludimo-nos com fantasias de castração e repressão, que nos parecem livrar a consciência de culpa e que nos dão falsa impressão de segurança íntima.

Tomemos o versículo paulino, que despertava à época sérias discussões quanto à “forma de comer”, e o estendamos ao campo da sexualidade.

Paulo de Tarso afirmava aos romanos: “Eu sei e estou convencido no Senhor Jesus que nada é impuro em si. Alguma coisa só é impura para quem a considera impura”, ou seja, é nossa maneira de ver e de sentir que determina as coisas como puras ou impuras.

Admitir as necessidades sexuais e carências afetivas não nos torna impuros, mas facilita que vejamos a normalidade da realidade humana existente nesta vida que Deus nos reservou.

Deus criou através do sexo os nomes paternidade e maternidade, no entanto eles não se revelam como as únicas tarefas que dignificam os indivíduos na Terra.

Foi o Poder Inteligente do Universo que criou o instinto sexual nas criaturas, porém muitos creem que a sexualidade esteja vinculada ao “mundo demoníaco”. Assim também pensavam as pessoas na Idade Média. Ainda hoje, muitos de nós perpetuamos essas noções como se estivéssemos vivendo séculos atrás.

Nesta troca incessante em que vivemos, o que de fato vale a pena é nos darmos de alma inteira, sem medo de amar e de ser amado, sem esperar favores e reconhecimento, sem receio de que as pessoas não nos aceitem ou não gostem de nós, se souberem quem somos intimamente. A propósito, eis o que somos realmente: “deuses em potencial”, o “sal da terra”, “filhos de Deus” em evolução.

Lembremo-nos de que em nós não existe nada de errado, nada a corrigir, somente é preciso que mudemos a nossa maneira de sentir e de interpretar tudo e todos.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Um Modo de Entender - Uma Nova Forma de Viver

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sábado, 13 de junho de 2026

Operação despertamento

Operação despertamento

Richard Simonetti


Olegário, nobre mentor espiritual, desenvolvia, há muito, abençoadas tarefas em favor de seus irmãos encarnados.

Dentre eles, Flávio e Ernestina, velhos tutelados seus, que compunham um lar razoavelmente ajustado, em companhia de dois filhos adolescentes.

Preocupava-se com eles. Ambos, já perto dos quatro decênios de existência, permaneciam alheios às tarefas que lhes competiam desenvolver junto a crianças carentes, conforme compromissos assumidos no Plano Espiritual.

Religiosos de tradição, prendiam-se muito mais às fantasias da Terra, desligados das inspirações do Céu. Simplesmente flutuavam ao sabor das futilidades humanas, envolvidos com lazeres e prazeres, sem nenhum interesse em adquirir lastros de virtude e sabedoria.

Não eram inconsequentes. Cumpriam seus deveres profissionais e familiares, mas perdiam precioso tempo em relação aos objetivos de aprendizado e renovação da jornada terrestre, estagiando voluntariamente na aridez das convenções mundanas.

Fazia-se imperioso ajudá-los de forma mais efetiva. Olegário estudou demoradamente o assunto e planejou a “Operação Despertamento”, contando com a autorização e o apoio de seus superiores na organização espiritual onde servia.

Passados alguns meses, Ernestina dava à luz um filho, após inesperada gravidez que driblara os anticoncepcionais que usava com rigorosa disciplina, desde que ela e o marido decidiram evitar que mais filhos perturbassem sua festiva programação existencial.

O aborrecimento pela frustração de seus propósitos não ultrapassou os limites da gestação, porquanto, tão logo nasceu, o menino tornou-se centro das atenções e alegrias da casa. Fazia por merecê-lo, bebê lindo, forte, calmo, sorridente - um santinho!

Nos anos que se seguiram, Lucas revelou-se um garoto especial. Difícil definir o que o distinguia mais: se a precocidade, incrivelmente ativo e inteligente, ou o carinho envolvente que dispensava aos familiares, alegre, comunicativo, humilde, obediente - um anjo do Céu a iluminar a escuridão da Terra!

Flávio e Ernestina já não se empolgavam com os programas vazios a que estavam habituados. Havia um bem mais atraente: “curtir" o filho, acompanhando seus passos seguros nos ensaios de vida. Anotavam, orgulhosos, seus progressos nas primeiras letras: contagiavam-se com sua exuberante vivacidade; edificavam-se com sua vocação para a fraternidade, sensível aos sofrimentos alheios, nunca permitindo que necessitado algum batesse à porta sem algo receber.

Foram tempos inesquecíveis, de plena ventura, até que se deu a tragédia. Lucas adoeceu subitamente, febre alta, fortes dores de cabeça, manchas escuras pelo corpo. O socorro médico foi providenciado rápido! Internação urgente, exames variados e... o diagnóstico terrível: meningite meningocócica do tipo B, a mais grave! Em poucas horas o menino faleceu!...

Angústia, perplexidade, desespero, inconformação, revolta, estabeleceram sequência naqueles corações despreparados para as grandes dores. Depois, o desencanto, a tristeza insuperável!...

Nada os animava. Flávio e Ernestina comportavam-se como sonâmbulos: falavam, alimentavam-se, trabalhavam, mas incapazes de retornar à normalidade, vinculados ao passado, como se vivessem interminável pesadelo.

Os dias seguiram seu curso. Sucederam-se os meses e o tempo repetiu o eterno milagre, recompondo neles a vontade de viver. No entanto, nunca mais seriam os mesmos. Haviam perdido as ilusões! Festas, bailes, viagens, passeios, jogos, vida social - tudo o que os motivava tanto, perdera inteiramente o sabor.

Manifestou-se neles uma insuspeitada vocação religiosa e, como ocorre com frequência em situações semelhantes, encontraram consolo na Doutrina Espírita, emocionando-se com as informações sobre a vida no Além e a perpetuidade das ligações afetivas.

Uma nova alegria felicitou aquelas almas combalidas quando começaram a participar de serviços assistenciais, devotando-se particularmente a crianças carentes. Parecia-lhes, então, que Lucas estava junto deles.

Não se equivocavam. Olegário prestava-lhes carinhosa assistência, rejubilando-se com o sucesso da “Operação Despertamento”, que o levara a breve mergulho na carne, com a missão de arrebatar seus tutelados do perigoso sorvedouro dos enganos humanos.

Aqueles que se debruçam sobre o esquife de uma criança, junto da qual sepultam suas alegrias e esperanças, precisam saber que nada acontece por acaso.

Há razões ponderáveis a determinar que Espíritos retornem à Espiritualidade mais cedo, nos verdes anos da infância, envolvendo provações e resgates.

E o fazem, também, como parte de um processo de iniciação dos pais em programas de despertamento, com vestibulares de sofrimento e saudade, como se Deus houvesse instituído a morte de crianças para ensinar os adultos a viver.

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Trabalhos e ocupações dos Espíritos

Trabalhos e ocupações dos Espíritos

Cairbar Schutel



O Universo não é um campo infinito, sem movimento e sem ação, um deserto onde se brada e ninguém responde, um abismo que traga almas, um sorvedouro onde tudo desaparece e se extingue. Ao contrário, o Universo é uma oficina eterna, onde o martelo do progresso não cessa de fazer-se ouvir, é uma arena infinita e eterna de labor, de estudos, de elevadas diversões, de amenos recreios, onde nascem, crescem, se educam e progridem todos os filhos de Deus.

O Universo é semelhante a uma nação, a um país bem dirigido, onde a ordem, a harmonia, o trabalho, a alegria, a abundância são mananciais de bem-estar e de felicidade para todos.

Todos os seres e todas as coisas são aproveitadas para o aformoseamento dos mundos terrestres e extraterrestres, que flutuam nos espaços e constituem as múltiplas moradas da Casa de Deus.

Todos os Espíritos, desde os menores até os maiores, desempenham trabalho de utilidade no Mundo Invisível. Assim como, aqui na Terra, desde o arquiteto até o servente, concorrem para a construção de um edifício, utilizando nela o barro, madeira, o ferro, o metal, assim também no Mundo Invisível, tudo é aproveitado, todos agem, tudo está em movimento. E nesse trabalho, nessas lutas, nessas diversões educativas, os Espíritos estudam, pesquisam e progridem para se elevarem a um posto superior, para se aproximarem da felicidade. Cada qual no seu mundo, na sul esfera, manipula a matéria à sua disposição, dedica-se à Arte, à Ciência, cultivando a sabedoria, estudando, por múltiplas formas, o Bem e o Belo, aproximando-se, finalmente, de Deus.

Não há ociosidade, não há desocupados no Além, e, aqueles que persistem na indolência, o acicate da dor logo os fustiga e faz que tomem posição nas lutas da Vida. Há Espíritos, em número muito grande, que trabalham, exercem missões inconscientemente, obedecendo a ordens e a planos superiores.

Uns percorrem os mundos, instruem-se e se preparam para nova encarnação, ou para se elevarem a uma região mais propícia. Outros tratam do progresso, dirigem os acontecimentos, sugerem ideias. Outros tomam, sob sua tutela, indivíduos, famílias inteiras, e se constituem os seus anjos tutelares. Outros, ainda, presidem os fenômenos da Natureza, de que se fazem agentes diretos. Muitos intervêm nos mundos materiais, inspirando e protegendo os encarnados. Outros, os mais atrasados, perturbam os homens, influindo sobre os acontecimentos da vida; muitas vezes, assistem aos combates durante as guerras, e até os dirigem.

A mitologia considerava os Espíritos como divindades; representava-os como deuses, cada qual com sua atribuição especial. Uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir os fenômenos da vegetação. Hoje sabemos que essas concepções têm sua razão de ser; em certa sentido, até os fenômenos geológicos são presididos por Espíritos Superiores. Mas os Espíritos não se limitam a esses afazeres, pode-se dizer materiais. Nos mundos em que habitam, mundos de maravilhas da Arte, de instituições científicas, de princípios religiosos altamente nobres, o seu principal escopo é adquirirem conhecimentos e trabalharem para a coletividade, para o aformoseamento ainda maior dessas regiões em que se acham, e para mais acentuado progresso moral dos seus semelhantes. É assim que organizam reuniões de estudos teóricos e práticos sobre tudo o que concerne à aquisição de conhecimentos; prodigalizam benefícios aos que sofrem; zelam pelos Espíritos que passam desta vida para o Além, iniciando-os nessa outra existência, concorrendo para o seu progresso, velando o seu crescimento, protegendo-os contra a investida de outros seres inferiores, aos quais também corrigem.

O trabalho no Mundo Espiritual está de acordo com a elevação e aptidão de cada um. Aqui na Terra não se daria o serviço de carpinteiro a um sapateiro, ou vice-versa, assim como não se confiaria um posto elevado a um analfabeto; assim também é no Além.

Em suma: os Espíritos, sejam eles da categoria que forem, todos são obrigados a trabalhar pelo seu próprio aperfeiçoamento, a concorrerem para o bem-estar geral, a cooperar para a evolução da região onde residem.

O Universo, pois, é um extraordinário concerto em que a evolução é a nota principal.

Cairbar Schutel do livro:
A Vida no Outro Mundo

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