sábado, 3 de outubro de 2026

Aos espíritas

Aos espíritas

Miramez



O exemplo é a maior divulgação de uma doutrina superior.

A França foi chamada para grandes feitos na face da Terra, principalmente o de servir de berço glorioso ao Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo. As duas primeiras grandes revelações dos Céus para a Terra surgiram no Oriente, e a terceira no Ocidente, mais precisamente, na Cidade-Luz.

Na verdade, a França tinha a grande missão de esparzir claridades espirituais sobre todos os outros povos, bem como sobre seus próprios filhos.

Conta-se que no dia 03 de outubro de 1804, quem pudesse observar os céus com os olhos do Espirito, notaria, se assim podemos nos expressar, a descida das estrelas para a atmosfera francesa, e se fosse observar a cidade de Lion com as faculdades espirituais, não teria outra impressão que não fosse a de um enorme holofote de grande altura, focalizando uma comunidade terrestre que teve a felicidade de receber um dos maiores Espíritos que Cristo enviou à Terra, conforme prometido antes no Seu Evangelho, a fim de dar testemunho de tudo o que Ele havia dito.

Durante a madrugada que precedeu o quatro de outubro, notavam-se estrelas inteligentes sobrevoando Lion; era a falange do Espírito de Verdade, como se fosse uma grande esquadrilha dirigida por hábeis pilotos, festejando os céus de uma pátria em data comemorativa. Tudo era luz... tudo era alegria... tudo era felicidade... E essa falange de Espíritos superiores e luminosos que veio assistir Allan Kardec renascer na França, por ordem de Jesus - que presidiu sua vinculação à carne - arejou o ambiente espiritual da cidade e eles, dando-se as mãos luminosas, formaram um círculo no espaço, cantando um hino de gratidão aos céus, por ter dado início à profecia do Evangelho na Terra, anotada por João no Capítulo 14, versículos 16 e 17 do Evangelho. E quando pronunciaram, em coro, o Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens, ouvia-se um brando choro de criança, que mais parecia um grito de liberdade.

Espíritas de todo o mundo! A chegada de uma grande alma, como a de Allan Kardec, ao planeta não quer dizer que vocês já são Espíritos salvos e livres. Pelo contrário, tornamo-nos com ele, mais carregados de responsabilidades, por reconhecermos a nós mesmos e os nossos deveres para com a vida. A Doutrina Espírita constitui uma dádiva dos Céus, de modo que nos coloca na posição de alunos conhecedores do seu Mestre que nos fornece todos os meios de nos libertarmos por nós mesmos, o que já representa a maior ajuda de Deus para conosco.

Se não fosse a vinda do Consolador prometido por Jesus, grande parte da humanidade estaria prestes a ser fulminada pelo materialismo petrificante; a razão não encontraria soluções para suas interrogações e certamente não ouviria os convites do coração para o amor e a caridade. A Doutrina dos Espíritos, tanto para encarnados quanto para desencarnados, assinalou novos horizontes na vida, e é através dela que os homens estão avivando a certeza mais profunda da continuação da vida além-túmulo.

O Espiritismo tem a sagrada missão de acender nos corações e nas inteligências dos seres a vontade indomável de conhecer Jesus Cristo e segui-Lo; de respirar o mesmo clima do Evangelho nascente, nos difíceis e longos caminhos da Terra. É evidente que o espírita deve se esforçar na sua autotransformação, colocando em função os preceitos adotados pelo Senhor, quando em trânsito pela Terra, isso porque a alma elevada fala mais pelo exemplo propriamente dito, do que pela palavra.

Espiritas, vocês são chamados para uma inestimável missão: a de salvarem a si mesmos, de corrigirem seus próprios defeitos, de estimularem o bem nos seus próprios caminhos e só o poderão fazer com segurança se derem as mãos ao Cristo, que lhes fala através da Doutrina Espírita. Vocês têm a obrigação de serem moralizados, sem impor moralização aos outros. Têm, por dever de consciência, que serem caridosos, sem exigir caridade para com vocês, têm compromissos com a própria evolução, com o tempo e com Deus, de reformar-se todos os dias, naqueles pontos em que a razão e o coração indicarem que estão fracos, em comparação com os conceitos ensinados e vividos por Jesus, nas divinas páginas do Evangelho.

Lembrem-se de que são iguais a quaisquer outros Espíritos criados por Deus, mas que, como espíritas, começam a conhecer a verdade e a si mesmos. Apesar disso, meus irmãos, não pensem e não deixem que a vaidade os estimule a pensar que estão salvos e que todos os outros estão na retaguarda evolutiva.

Espíritas, Espíritos superiores existem em todas as camadas humanas, em todas as religiões, em todas as filosofias, em todas as ciências. Todavia, é nas claridades da doutrina codificada por Allan Kardec que se encontram os meios mais inteligentes, senão as melhores lições, pelas quais entendemos melhor a Deus, a Cristo e a nós mesmos.

Verbo se fez carne, na alta expressão, para anunciar a soberania de Deus, a existência dos anjos e a vida eterna de todos nós, colocando-nos com frequência em comunicação com aqueles que ficaram no mundo, e dando a eles a certeza mais aguda da nossa sobrevivência depois do fenômeno da morte, esse Verbo, nos albores da civilização da Terra, potencializou-se e fez-se papel, que foi usado como veículo divino, no sentido de instruir e consolar a massa humana.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Cinquenta Epístolas

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Resposta da caridade

Resposta da caridade

Meimei


Imagem gerada por IA.

Quis demorar-se contigo, quando me procuraste pedindo luz.

Perdoa-me se não pude mergulhar o pensamento de imediato, em tuas cogitações.

Falavas dos mundos superiores e indagavas pelo destino; exaltavas a Ciência e citavas a História.

Discutias os problemas sociais com tanta beleza que, em verdade, aspirei a sentar-me ao teu lado para ouvir-te todas as confidências.

Entretanto, por mais me detivesse em tua palavra, trazia no coração os gritos reiterados de quantos me chamavam, impaciente.

Não sei se chegaste a ver as mulheres enfermas e as crianças esfarrapadas que choravam, junto de nós, invejando os cães de luxo que passavam de carro...

Decidia-me a comentar os temas que me propunhas, quando notei a dama bem posta, repreendendo o homem cansado que esmolava na rua e corri a vê-lo. Envergonhando, o infeliz debatia-se em pranto. Amparei-o como pude e segui-lhe o passo, encontrando-lhe a companheira a gemer num montão de lixo, aguardando a morte. O menor dos seis pequeninos que a rodeavam, cravava nela o olhar ansioso, esperando o leite que secara no peito. A pobre mãe fitava-me agoniada, como me pedir lhe reavivasse os seios desfalecentes... Nisso, vir-lhe o esposo desesperado intentando morrer... Entreguei-os aos vizinhos, tão desditosos quanto eles mesmos, e depois de acalma-los, no bálsamo da oração, volto a ver-te.

E agora, a ti que me buscaste as mãos rogando conhecimento, estendo igualmente as minhas, a suplicar-lhe migalha de auxílio para aqueles que esmorecem de fome e pranto.

Vem comigo e não te dês a longas indagações! Ajudando aos que sofrem, seguiremos Cristo que dizemos amar e, decerto, que a luz te abençoará em silêncio, porque Ele próprio, como outrora, te repetirá no júbilo do serviço: “Aquele que me segue não anda nas trevas”.

Meimei do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O mestre ensina

O mestre ensina

Eros


Imagem gerada por IA.

E o Mestre, contemplando a multidão que lhe aguardava a palavra iluminada, assim falou:

"- Só Deus é único.

As existências corporais têm como objetivo final a perfeição, que é infinita.

Deus, perfeição e infinito são eternos, termos, portanto, da equação da Vida.

Para que a vida se expresse em harmonia, na Terra, dois fatores são essenciais: Yang e Yin.

O primeiro é positivo; o segundo é negativo.

Da fusão dos dois princípios nasce o equilíbrio.

Tenha-se em mente que, face a este impositivo, surgem os aparentes contrastes como: grandeza e queda, júbilo e melancolia, conquista e prejuízo, conflito e paz, claridade e sombra, começo e fim, bem-estar e sofrimento, poder e escravidão, glória e fracasso, nascimento e morte corporal...

Comportar-se com estabilidade num e noutro polo é resultado da sabedoria, que se conquista através do estudo, da meditação, da ação caridosa em favor do bem.

Por isto, de nada vale conquistar o mundo exterior sem que se haja dominado as más paixões, assim podendo unir yang e yin em perfeita identificação de propósitos, em uma fusão tranquila de amor.

Isto porque, Deus é o Amor Absoluto." 

Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Surpresa

Surpresa

Irmão X.

Imagem gerada por IA.

Se alguém de outra vida pudesse materializar-se aos meus olhos – dizia Germano Parreira, em plena sessão no próprio lar -, decerto que a minha fé seria maior... Um ser de outro planeta que me obrigasse a pensar... Tanta gente se reporta a visões dessa natureza! Entretanto, semelhantes aparições não passam do cérebro doentio que as imagina. Quero algo de evidente e palpável. Creio estarmos no tempo da elucidação positiva...

Ouvindo-o, o Irmão Bernardo, mentor espiritual da reunião, que senhoreava as energias mediúnicas, aventou, sorridente:

- Você deseja, então, espetacular manifestação de Cima... Alguém que caia das nuvens à feição de um paraquedista do Espaço, em trajes fantasmagóricos, usando idioma incompreensível... um itinerante de outras constelações, cuja inopinada presença talvez ocasionasse enorme porção de mal, ao invés do bem que deveria trazer...

- Não, não é tanta a exigência – aduziu Parreira, desapontado. – Bastaria um ser materializado na forma humana, sem a descida visível do firmamento. Não será preciso que essa ou aquela entidade se converta em bólide para acentuar-me a convicção. Poderia surgir em nossa intimidade doméstica, sem qualquer passe de mágica, revelando-se no lar fechado em que antes não existia, a mostrar-se igual a nós outros, sendo, contudo, estranhos ao nosso conhecimento...

- No entanto, sabe você que toda concessão envolve deveres justos. Um Espírito, para materializar-se na Terra, solicita meios e condições. Imaginemos que a iniciativa transformasse o hóspede suspirado numa criatura doente e débil, requisitando cuidado, até que pudesse exprimir-se com segurança. Incumbir-se-ia você de auxiliar o estrangeiro, acalentando-o com tolerância e bondade, até que venha a revelar-se de todo? Estaria disposto a sofrer-lhe as reclamações, e as necessidades, até que se externe, robusto e forte?

- Oh! isso mesmo. Perfeitamente!... – gritou Parreira, maravilhado. – Contemplar um Espírito assim, de modo insofismável, sem que eu lhe explique a existência no mecanismo oculto, consolidaria, sem dúvida, a riqueza de minha fé na imortalidade. Isso é tudo, tudo...

Bernardo sorriu, filosoficamente, e acrescentou:

- Mas, Parreira, isso é acontecimento de todo dia e tal manifestação é recente sob o teto que nos acolhe. Ainda agora, na quinzena passada, você recebeu semelhante bênção, asilando no próprio lar um viajante de outras esferas, com a obrigação de ajudá-lo até que se enuncie sem vacilação de qualquer espécie... Esse gênio bondoso e amigo corporificou-se quase em seus braços. Bateu-lhe à porta, que você abriu generosamente. Entrou. Descansou. Permaneceu. E, ainda agora, ligado a você, espera por seu carinho e devotamento, a fim de atender plenamente à própria tarefa...

-Como assim? Como assim? – irrompeu Germano, incrédulo. – Nada vi, nada sei não pode ser...

Mas o Benfeitor Espiritual, controlando o médium, ergueu-se a passo firme e, desmandando aposento próximo, de lá regressou, trazendo leve fardo.

Ante a surpresa dos circunstantes, Bernardo depositou-o com respeitosa ternura no regaço do amigo que ainda argumentava.

Parreira desenovelou curiosamente o pequenino volume e, entre aflito e espantado, encontrou, em plácido sono de recém nato, corpo miúdo e quente do próprio filho...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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