sexta-feira, 12 de junho de 2026

Trabalhos e ocupações dos Espíritos

Trabalhos e ocupações dos Espíritos

Cairbar Schutel



O Universo não é um campo infinito, sem movimento e sem ação, um deserto onde se brada e ninguém responde, um abismo que traga almas, um sorvedouro onde tudo desaparece e se extingue. Ao contrário, o Universo é uma oficina eterna, onde o martelo do progresso não cessa de fazer-se ouvir, é uma arena infinita e eterna de labor, de estudos, de elevadas diversões, de amenos recreios, ande nascem, crescem, se educam e progridem todos os filhos de Deus.

O Universo é semelhante a uma nação, a um país bem dirigido, onde a ordem, a harmonia, o trabalho, a alegria, a abundância são mananciais de bem-estar e de felicidade para todos.

Todos os seres e todas as coisas são aproveitadas para o aformoseamento dos mundos terrestres e extraterrestres, que flutuam nos espaços e constituem as múltiplas moradas da Casa de Deus.

Todos os Espíritos, desde os menores até os maiores, desempenham trabalho de utilidade no Mundo Invisível. Assim como, aqui na Terra, desde o arquiteto até o servente, concorrem para a construção de um edifício, utilizando nela o barro, madeira, o ferro, o metal, assim também no Mundo Invisível, tudo é aproveitado, todos agem, tudo está em movimento. E nesse trabalho, nessas lutas, nessas diversões educativas, os Espíritos estudam, pesquisam e progridem para se elevarem a um posto superior, para se aproximarem da felicidade. Cada qual no seu mundo, na sul esfera, manipula a matéria à sua disposição, dedica-se à Arte, à Ciência, cultivando a sabedoria, estudando, por múltiplas formas, o Bem e o Belo, aproximando-se, finalmente, de Deus.

Não há ociosidade, não há desocupados no Além, e, aqueles que persistem na indolência, o acicate da dor logo os fustiga e faz que tomem posição nas lutas da Vida. Há Espíritos, em número muito grande, que trabalham, exercem missões inconscientemente, obedecendo a ordens e a planos superiores.

Uns percorrem os mundos, instruem-se e se preparam para nova encarnação, ou para se elevarem a uma região mais propícia. Outros tratam do progresso, dirigem os acontecimentos, sugerem ideias. Outros tomam, sob sua tutela, indivíduos, famílias inteiras, e se constituem os seus anjos tutelares. Outros, ainda, presidem os fenômenos da Natureza, de que se fazem agentes diretos. Muitos intervêm nos mundos materiais, inspirando e protegendo os encarnados. Outros, os mais atrasados, perturbam os homens, influindo sobre os acontecimentos da vida; muitas vezes, assistem aos combates durante as guerras, e até os dirigem.

A mitologia considerava os Espíritos como divindades; representava-os como deuses, cada qual com sua atribuição especial. Uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir os fenômenos da vegetação. Hoje sabemos que essas concepções têm sua razão de ser; em certa sentido, até os fenômenos geológicos são presididos por Espíritos Superiores. Mas os Espíritos não se limitam a esses afazeres, pode-se dizer materiais. Nos mundos em que habitam, mundos de maravilhas da Arte, de instituições científicas, de princípios religiosos altamente nobres, o seu principal escopo é adquirirem conhecimentos e trabalharem para a coletividade, para o aformoseamento ainda maior dessas regiões em que se acham, e para mais acentuado progresso moral dos seus semelhantes. É assim que organizam reuniões de estudos teóricos e práticos sobre tudo o que concerne à aquisição de conhecimentos; prodigalizam benefícios aos que sofrem; zelam pelos Espíritos que passam desta vida para o Além, iniciando-os nessa outra existência, concorrendo para o seu progresso, velando o seu crescimento, protegendo-os contra a investida de outros seres inferiores, aos quais também corrigem.

O trabalho no Mundo Espiritual está de acordo com a elevação e aptidão de cada um. Aqui na Terra não se daria o serviço de carpinteiro a um sapateiro, ou vice-versa, assim como não se confiaria um posto elevado a um analfabeto; assim também é no Além.

Em suma: os Espíritos, sejam eles da categoria que forem, todos são obrigados a trabalhar pelo seu próprio aperfeiçoamento, a concorrerem para o bem-estar geral, a cooperar para a evolução da região onde residem.

O Universo, pois, é um extraordinário concerto em que a evolução é a nota principal.

Cairbar Schutel do livro:
A Vida no Outro Mundo

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quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Vitória da Vida

A Vitória da Vida

Fernández Colavida


Imagem gerada por IA

Um dos mais intrigantes problemas humanos, tem sido a interpretação do homem sobre a vida, depois do fenômeno da morte biológica.

Saber se a vida se acaba quando sofre a transformação material, tem constituído um grande desafio para a inteligência.

Entre as múltiplas correntes do pensamento, se destacaram duas, ao longo dos séculos, em luta contínua para que uma delas predominasse, explicando qual é a realidade da vida. São teorias muito distintas.

De um lado, numa linha filosófica, se encontram Leucipo, Lucrécio e Demócrito que, com seu conceito atômico, vem tentando explicar que tudo quanto existe no campo da forma resulta do átomo, do movimento e do vazio. Quando algum destes elementos se desagrega ou sofre uma mudança no equilíbrio, se acaba a vida e o ser inteligente retorna ao nada.

Por outro lado, seguindo outra direção, se destacam Sócrates, Platão e Aristóteles, que estabeleceram a corrente idealista ou espiritualista, informando que há no Universo um primeiro-motor ou mundo das ideias de onde o ser procede e ao qual retorna quando ocorre a morte corporal. Quer dizer, que o homem está constituído pelo ser – o Espírito imortal – e pelo não ser – a matéria.

Os dois sistemas têm-se enfrentado através dos séculos, apoiados, em suas informações filosóficas e científicas, por uns e outros estudiosos que os desenvolveram em diversas escolas.

A verdade é que o nada não cria nada, posto que não tem existência real, e o homem, como afirmava Descartes, “penso, logo existo”, é uma realidade.

Por mais que se queira negar a indestrutibilidade do princípio espiritual que dirige a vida, todos os acontecimentos comprovam a precedência do psiquismo ao corpo ou da mente ao cérebro.

Em todos os povos primitivos tem-se encontrado vestígios da crença na imortalidade da alma, sem que esses grupos étnicos jamais mantivessem contato entre si.

Habitando distintos pontos do planeta, desenvolvendo sua própria cultura, neles se apresentam os mesmos cultos, não obstante as conquistas alcançadas, todas baseadas na certeza de um princípio criador, justo e sábio, que recebe, para julgar, aqueles que retornam da Terra depois da morte física.

À medida que desenrolavam o ciclo de civilização, estes povos penetraram nos mistérios do túmulo, tirando, dali, informações comprobatórias da sobrevivência do ser.

Tal documentação religiosa, da qual surgiram a ética e a filosofia, por seus pontos de perfeita identidade, assinala que os informes recebidos em toda a parte procedem da mesma origem, quer dizer, do mundo causal ou espiritual.

Por sua vez, as aparições espirituais que se têm apresentado nas diferentes épocas do processo antropológico e sociocultural, sempre têm afirmado que são as almas dos mortos, narrando, assim, suas venturas ou desgraças, como resultado natural da conduta anterior, quando estavam na Terra e, ao mesmo tempo, buscavam fazer conscientes os homens de seus deveres e responsabilidades morais perante a vida.

A mitologia de cada país é um oceano de feitos espirituais, no qual desembocam os rios do conhecimento que se confundem, por identidade de informações, com respeito à continuação da vida depois do desgaste carnal.

Não querendo nos referir aos conhecidos feitos da Antiguidade oriental, recordamos os celtas, os croatas, os germanos, os escandinavos, os bielo-russos, os eslavos, os itálicos e os gregos, que se comunicavam com as almas dos defuntos, ocorrendo o mesmo com os maias, os astecas, os incas, os tupis e guaranis das Américas, os índios, no geral, da América do Norte, os aborígenes da África, da Ásia, da Oceania, mediante rituais e cultos semelhantes...

Dizem que Marte, deus da guerra, apareceu a Numa Pompílio, que foi o segundo rei de Roma.

As Valquírias sempre surgiam nos campos de batalha para modificar o destino das guerras, ajudando os seus.

Os maias criam que haviam aprendido a conhecer as coisas por meio de seu deus Furacão, que lhes ensinava tudo.

Gilgamesh, que escreveu o primeiro livro conhecido sobre a morte, dizia que adquiriu a sabedoria com as divindades que lhe apareciam frequentemente.

Manú recebeu de Brahma os que seriam, no futuro, os “mandamentos”, tal como ocorreu, mais tarde, a Moisés.

Zarathustra informava que ao se lhe apresentar o deus máximo, Ahura Mazda, ele se inspirou para elaborar o Zend Avesta.

Krishna, Buda, Hermes e Sócrates, em distintos períodos e povos, mantiveram, igualmente, um intercâmbio com seres espirituais que os inspiravam e conduziam, conforme eles mesmos declaravam.

Eliminado das mitologias e lendas, o fantástico e imaginário, que são exaltações dos acontecimentos reais, permanecem os fenômenos mediúnicos indiscutíveis, porque os mesmos seguem ocorrendo na atualidade, demonstrando a continuação da vida depois da vida, como única forma de ter sentido e lógica, a própria realidade intelectual do ser.

Sábios notáveis e céticos, estudando a mediunidade, depois de elaborar teorias diferentes e contínuas para negar a sobrevivência do Espírito, se viram forçados a submeter-se à linguagem dos fatos, crendo na imortalidade, por ser esta a única hipótese que tem resistido a todas as suspeitas e incredulidades.

A documentação é preciosa e muito ampla e é periodicamente reexaminada e aumentada com novos fatos e dados que a enriquecem mais e a melhoram.

Se a vida fosse destruída com a morte, ela não teria sentido em si mesma, nem finalidade, em razão de sua fragilidade e brevidade.

A demonstração mediúnica da imortalidade da alma proporciona valor ao homem, cujos horizontes se fazem mais amplos e distantes, assinalando-lhe possibilidades infinitas e realizações sem fim.

Desde então, os valores éticos se agigantam e o amor adquire uma dimensão ilimitada, unindo todos os seres sob a árvore da fraternidade, que impulsiona a busca da felicidade por meio do trabalho e da luta que sublimam.

A Terra já não é o ponto final, a morada única para o ser, e sim, uma escola para a aprendizagem e para a aquisição da experiência, as quais, juntas, trabalham em favor do aperfeiçoamento do Espírito.

A dor deixa de ser um castigo da Vida para transformar-se em inevitável efeito da opção pessoal de cada um, que escolhe tal ou qual caminho, de paz ou de violência, de esforço ou preguiça para crescer ou progredir.

O homem se faz consciente de que ele é o arquiteto de seu próprio destino e que sua marcha ascendente se fará sempre pelo esforço pessoal, sem privilégio algum, exceto o de ser possuidor do discernimento e da razão para fazer o que deve e lhe corresponde realizar.

Amparado por aqueles que se lhe anteciparam no retorno ao mundo de origem, avança confiante, olhando para a frente e para o Alto com a certeza do triunfo.

Nesse homem, crente e consciente da imortalidade da alma, cantam as melodias divinas do bem no ritmo de esperança por um futuro melhor para ele e para a Humanidade, de que torna parte no organismo social, como membro importante e muito significativo que é.

Fernández Colavida por Divaldo Franco do livro:
Rumo às Estrelas

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Juntos aos que sofrem

Juntos aos que sofrem

Benedita Fernandes


Imagem gerada por IA.

O expositor da Doutrina Espírita, em geral, e o médium consciente dos próprios deveres, em particular, no exercício do mandato superior da caridade com Jesus, fazem-se instrumento de graves responsabilidades, em considerando as aflições do próximo, que neles espera encontrar apoio espiritual e consolo moral, a fim de ter diminuídas as provações em que se estertora, em face das excelentes diretrizes que dimanam do Consolador.

Enfermidades do corpo e da mente, desequilíbrios da emoção, dramas do sentimento e da consciência, ansiedades injustificáveis ou não e frustrações amesquinhantes são uma constante à volta deles, em rosários de desesperos, rogando-lhes orientação, socorro, solução, ajuda providencial.

O desconhecimento do Espiritismo, por parte dos que choram e anelam por encontrar respostas simples e equações rápidas para as suas necessidades, mais agrava o relacionamento entre aqueles e o companheiro portador de precárias expressões de equilíbrio, como, também, enseja uma ideai falsíssima da função que estes exercem em relação à vida.

Porque lidam e se identificam com relativa facilidade com o Mundo Espiritual, quando não são vistos na condição de charlatães ou inescrupulosos, passam por criaturas sobrenaturais ou especiais, dotadas de poderes de exceção, com que podem a bel-prazer modificar destinos e corrigir erros, a golpes de interferência caprichosa.

Não desejando a maioria dos consulentes submeter-se a um programa de reeducação, quando desorganizados interiormente, ou de educação diante das imposições superiores que regem a vida, nas quais a dor surge como cadinho purificador, supõem que, através do artifício das lágrimas de momento ou dos compromissos de futuros labores beneficentes com vistas ao próximo, conseguirão modificar as paisagens íntimas sombrias e carrear merecimentos instantâneos com os quais se transformarão os quadros dos valores vigentes.

Arrimados aos pieguismos religiosos com que no passado esperavam subornar e submeter a Divina Consciência, transferem-se de crença com a leviandade de quem muda de traje, iludindo-se com as perspectivas de amealhar maior soma de favores espirituais sem a correspondente doação de sacrifício pessoal.

*

Não se lhes negando solidariedade nem concurso fraterno, faz-se, porém, imperioso, aclará-los quanto às próprias responsabilidades, bem assim, quanto ao significado dos sofrimentos que os sobrecarregam, tendo-se em vista a legitimidade das leis que regem os destinos, a fim de que compreendam o impositivo da meditação e da oração, superando dificuldades mediante renúncia e paciência em perfeita sintonia com as Entidades Superiores que lhes supervisionam a existência.

Auxiliá-los com a palavra amiga, inspirada no Evangelho de Jesus, sim, porém, não conivir com as suas defecções e erros, dando margem a conceitos inexatos sobre o ministério da mediunidade e da doutrinação.

Atendê-los com o passe restaurador de forças, todavia, impulsioná-los à mudança de atitude perante a vida, para melhor, com que poderão marchar em confiança e paz.

Socorrê-los na desobsessão, esclarecendo os seus inimigos desencarnados, ao mesmo tempo elucidando-os quanto ao esforço pela transformação interior com que se lhes modificarão os clichês mentais, predispondo-os para novos e superiores tentames.

Em qualquer momento e em toda situação manter a atitude de honesta humildade, não deixando que se exteriorizem as próprias imperfeições, as quais, disfarçadas, procuram angariar projeção nas mentes aturdidas, passando como expressões de falsas posições de privilégio de que gozariam na economia moral terrestre, em que todos nos encontramos na condição de espíritos necessitados de elevação, portanto, ainda cheios de mazelas e problemas... Quando as proposituras dos aflitos parecerem mais difíceis de orientar, evitar-se respostas dúbias, desculpistas ou indiferentes, confessando-se as limitações em que se encontram, e, orando por eles com sincero interesse, conseguirão haurir força e inspiração para prosseguir fiéis a si mesmos e a Jesus, que é, afinal, o Excelso Amigo e Benfeitor, que nunca se escusava a compreender, a amar e a servir a todos quantos O buscavam batidos pelas aflições redentoras.

Benedita Fernandes por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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terça-feira, 9 de junho de 2026

Tolerância

Tolerância

Emmanuel



O trabalho edifica.
A solidariedade aperfeiçoa.
A tolerância eleva.

Trabalhando, melhoraremos a nós mesmos.
Solidarizando-nos, enriqueceremos o mundo.
Tolerando-nos engrandeceremos a vida.

Para trabalhar, com êxito, é necessário obedecer à lei.
Para solidarizar-nos, com proveito, é indispensável compreender o bem e cultivá-lo.
Para tolerar-nos, em sentido construtivo, é imprescindível amar.

Em vista disso, o Mestre dos Mestres, há quase dois milênios, afirmou para o mundo:
“Meu Pai trabalha, até hoje, e eu trabalho também.
Estarei convosco até o fim dos séculos.
Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”

Trabalhemos, construindo.
Solidarizemo-nos, beneficiando.
Toleremo-nos, amando sempre.

Vinculada aos fundamentos da Verdade, a sublime trilogia de Allan Kardec é plataforma permanente, em nossos círculos doutrinários, constituindo lema substancial que não pode empalidecer.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Trevo de ideias

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