sábado, 27 de junho de 2026

Doentes

Doentes

Scheilla


Doentes, sim, os há da mais vária espécie, que portam enfermidades pelo prazer de as carregar.

Senão, vejamos:

o invejoso é doente contumaz do coração;

o maledicente é doente pertinaz da língua;

o caluniador é doente do espírito;

o despeitado é doente do sentimento;

o malicioso é doente da virtude;

o negligente é doente do dever;

o avaro é doente da bondade;

o déspota é doente da afeição;

o mentiroso é doente do equilíbrio.

Existem, igualmente, os doentes cujos achaques estão sempre ao alcance a qualquer hora.

Há o achaque do estômago, ante a mesa farta;

há o achaque do coração ante recursos de médicos vários;

há o achaque dos rins, ante trabalhos a executar;

há o achaque das vias respiratórias, ante conforto e casa de campo;

há o achaque da insônia, sobre colchões de suave espuma;

há o achaque das carnes flácidas ante cosméticos e massagens;

há o achaque do fígado ante ociosidade e repouso;

há o achaque da cabeça ante despreocupação e comodidade;

há o achaque das alegrias, ante exames e testes, tratamentos e orientações médicas;

há o achaque do cansaço ante serviçais e comandados...

Muitos carregam doenças por prazer de serem infelizes e outros são infelizes porque se não querem libertar das doenças.

Alguns possuem achaques e dores, porque dispõem de horas vazias e possibilidades mal aplicadas, e todos, reunidos, constituem a grande legião que bate à porta do Evangelho a pedir, mas não abrem a porta do coração para o Evangelho entrar.

Aquele que em Jesus encontrou a porta, penetra-a; quem O encontrou, guarde-O e siga-O, e "nenhum mal lhe acontecerá".

Scheilla  por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A guerra (Em torno da guerra)

A guerra (Em torno da guerra)

Emmanuel


Imagem gerada por IA

A guerra será um desequilíbrio determinado por Deus?

Em hipótese alguma. Deus poderia ser considerado como autor de desequilíbrios, quando constitui para nós outros a Harmonia Suprema?

O flagelo da destruição representa o mais alto desequilíbrio dos homens. Constituem seus instintos ferozes desencadeados, sua criminosa indiferença para com os poderes Eternos, a resultante da tirania de suas leis.

Busquemos figurar a solução para entendimento mais vasto. 

O planeta é uma grande escola onde o espírito humano efetua um curso de aperfeiçoamento. O Senhor do Universo permite que os alunos organizem os regulamentos do enorme educandário, à sombra de Suas Leis inelutáveis. Eis que os discípulos se revoltam, disputam hegemonias injustificáveis, encarceram-se em suas concepções absurdas no capítulo da política, da filosofia, da religião. Surgem os atritos imensos. Depois do império da ambição, é o império da morte.

Quem poderia atribuir a Deus a desarmonia destruidora?

Contra os que ousassem afirmá-lo, teremos a visão permanente das Leis Eternas, junto às quais Deus não permitiu a intervenção dos filhos inquietos. Por mais que as nações se empenhem os embates sangrentos, o sol continuará prestando benefícios a todos, indistintamente; o frio e a chuva chegarão a seu tempo, flores e frutos surgirão ao lado das batalhas. Ainda que todos os milhões de alunos da grande escola marchassem uns contra os outros, ela continuaria equilibrada para todos, oferecendo a sagrada oportunidade que os discípulos ainda não chegaram a compreender. Vede, pois, a grande leviandade dos que ousam atribuir a Deus o movimento de incompreensão e ignorância das criaturas.

Poderíamos saber qual a nação que sairá vencedora do atual conflito europeu?

Nenhum amigo ponderado dos homens, dos círculos de nossa Esfera espiritual, poderia opinar numa interrogação como essa.

Entretanto, como todo ensejo deve ser aproveitado para o bem, perguntamos de nossa parte: Onde encontraríamos o vencedor entre tantas desolações e ruínas?

Terminado o movimento, deveria haver na Terra um grande silêncio. O único triunfador seria Jesus Cristo, sem cujo fundamento de vida e verdade todos os protestos dos homens são inúteis.

O espetáculo é por demais doloroso para que se reflita em cânticos de vitória. Há corações maternos despedaçados, famílias dispersas, crianças que choram de fome, lares que se destroem sob tempestades de fogo. Nas cidades bombardeadas, a dor se sobrepõe às esperanças. O sangue é uma ironia para o despotismo, a morte vagueia sobre a miséria das ruínas fumegantes e pergunta onde se encontra o espaço vital.

Os homens podem invocar o caráter sagrado dos princípios. Mas todos os princípios generosos do mundo vieram do Cristo. A criatura não poderá se gloriar de si própria. Por descuidarem da defesa desses patrimônios que Jesus lhes outorgou, eis que os homens movimentam a carreira das batalhas sangrentas, mobilizam canhões homicidas e semeiam carnificina e destruição.

Quando cair o último soldado, Jesus contemplará o campo ensopado de lágrimas e sangue, e chamando os contendores perguntará, com justiça: 
“Onde se encontra o vencedor?”
Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Brilhantes no Caminho / Revista Reformador Ago. 1978.
Consta do original que a mensagem trata de questões respondidas por Emmanuel, publicadas em 1942 na revista O Revelador, de São Paulo, capital.
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A lição do essencial

A lição do essencial

Neio Lúcio


Imagem gera por IA

Discorriam os discípulos, entre si, quanto às coisas essenciais ao bem-estar, quando o Senhor, assumindo a direção dos pensamentos em dissonância, acrescentou:

— É indispensável que a criatura entenda a própria felicidade para que se não transforme, ao perdê-la, em triste fantasma da lamentação. Longe das verdades mais simples da Natureza, mergulha-se o homem na onda pesada de fantasiosos artifícios, exterminando o tempo e a vida, através de inquietações desnecessárias.

E como quem recordava incidente adequado ao assunto, interrompeu-se por alguns instantes e retomou a palavra, comentando:

— Ilustre dama romana, em companhia dum filhinho de cinco anos, dirigia-se da cidade dos Césares para Esmirna, em luxuosa galera de sua pátria. Ao penetrar na embarcação, fizera-se acompanhar de dois escravos, carregados de volumosa bagagem de joias diferentes: colares e camafeus, braceletes e redes de ouro, adornados com pedrarias, revelavam-lhe a predileção pelos enfeites raros. Todo o pessoal de serviço inclinou-se, com respeito, ao vê-la passar, tão elevada era a expressão do tesouro que trazia para bordo.

Tão logo se fez o barco ao mar alto, a distinta senhora converteu-se no centro das atenções gerais. Nas festas de cordialidade era o objetivo de todos os interesses pelos adornos brilhantes com que se apresentava.

A excursão prosseguia tranquila, quando, em certa manhã ensolarada, apareceu o imprevisto.

O choque em traiçoeiro recife abre extensa brecha na galera e as águas a invadem. Longas horas de luta surgem com a expectativa de refazimento; entretanto, um abalo mais forte leva o navio a posição irremediável e alguns botes descidos são colocados à disposição dos viajantes para os trabalhos de salvamento possível.

A ilustre patrícia é chamada à pressa.

O comandante calcula a chegada a porto próximo em dois dias de viagem arriscada, na hipótese de ventos favoráveis.

A jovem matrona abraça o filhinho, esperançosa e aflita.

Dentro em pouco ela atinge o pequeno barco de socorro, sustentando a criança e pequeno pacote em que os companheiros julgaram trouxesse as joias mais valiosas. Todavia, apresentando o conteúdo aos poucos irmãos de infortúnio que seguiriam junto dela, exclamou:

— “Meu filho é o que possuo de mais precioso e aqui tenho o que considero de mais útil”.

O insignificante volume continha dois pães e dez figos maduros, com os quais se alimentou a reduzida comunidade de náufragos, durante as horas aflitivas que os separavam da terra firme.

O Mestre repousou, por alguns segundos, e acrescentou:

— A felicidade real não se fundamenta em riquezas transitórias, porque, um dia sempre chega em que o homem é constrangido a separar-se dos bens exteriores mais queridos ao coração.

Os loucos se apegam a terras e moinhos, moedas e honras, vinhos e prazeres, como se nunca devessem acertar contas com a morte. O espírito prudente, porém, não desconhece que todos os patrimônios do mundo devem ser usados para nosso enriquecimento na virtude e que as bênçãos mais simples da Natureza são as bases de nossa tranquilidade essencial. Procuremos, pois, o Reino de Deus e sua justiça, tomando à Terra o estritamente necessário à manutenção da vida física e todas as alegrias ser-nos-ão acrescentadas.

Neio Lúcio por Chico Xavier do livro:
Jesus no Lar

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Entrega-te a Deus

Entrega-te a Deus

Joanna de Ângelis


A desenfreada busca pelo prazer entorpece os sentidos das criaturas que se arrojam aos despenhadeiros da aflição. Jamais houve tantas gloriosas conquistas do conhecimento e da razão, como sucede na atualidade, sem que se manifestem correspondentes vitórias sobre as paixões primevas, que permanecem em predomínio, atormentando aqueles que lhes tombam nas armadilhas bem urdidas.

O ser conquistador dos espaços siderais ainda não logrou autoconquistar-se, libertando-se das amarras vigorosas dos vícios e dos instintos agressivos.

Sonhando e viajando no rumo do infinito, aturde-se e perde-se nas mesquinharias do cotidiano a que valoriza excessivamente. Em razão disso, há grandezas no seu comportamento e pequenezes nas aspirações, raramente superando os limites do imediatismo atormentador.

O andarilho das estrelas perde-se no matagal sombrio da convivência familiar, no trabalho, na sociedade, acumulando amarguras e ansiedades que ressumam continuamente, entre receios injustificáveis e fugas espetaculares em direção ao consumismo e às angústias que não tem sabido diluir.

Ambicionando sempre a aquisição da cornucópia da fortuna material para atender às ansiedades que o atormentam, desejando saciedade, não se satisfaz quando a possui, anelando sempre por mais, nem se harmoniza quando em carência do supérfluo, que o libera da carga aflitiva dos valores sem valor, mas aos quais atribui significados.

Dois mil anos de cristianismo, infelizmente deturpado na sua essência, transformado em culto social e em projeção humana, oferecem uma lamentável história de insucessos espirituais e de tragédias defluentes do poder econômico, da situação religiosa, dos destaques comunitários…

Os exemplos de Francisco de Assis, de Teresa D’Ávila, de João da Cruz, ou mais recentes de Madre Teresa de Calcutá e de Francisco Cândido Xavier, dentre outros admiráveis missionários de Jesus, abrilhantam as história da fé, mas não se transformam em motivos para que sejam repetidos com o mesmo sentido de dedicação e de renúncia pelas coisas e opção pela verdade.

As disputas pelas posições transitórias e as intrigas contínuas que distraem os frívolos e perturbam a marcha do progresso espiritual sucedem-se calamitosas, agora ampliadas pelos extraordinários recursos do YouTube, do Orkut, do Twitter e do Facebook, assim como de outros programas que deveriam servir de campo de edificação de vidas, desmoralizando pessoas que desagradam, trabalhadores que são fiéis ao compromisso, transformando-se em técnicas de destruição dos valores nobres.

A onda de materialismo sem disfarce, expressando-se pelo erotismo e pelo deboche, pela nudez que passou a ser recurso para chamar a atenção e exaltar a degradação da criatura, contrapõe-se à ética do bem proceder e da dignidade, que perdem o significado ante o volume de perversão que toma conta da sociedade.

Quanto maior e mais comentado o escândalo, mais promovido se torna aquele que o promove, atingindo culminâncias entre os coetâneos, sendo, logo depois, aplaudido e reconduzido aos postos dos quais é expulso por corrupção e vulgaridade. Nada obstante, todos esses que assim se comportam não conseguem evadir-se dos conflitos internos que os atormentam e disfarçam, consumindo- -lhes as energias e empurrando-os para os anestésicos do alcoolismo, da drogadição, do sexo sem significado…

… E tombam nas depressões profundas, nos suicídios discretos ou espetaculares, na transferência psicológica para os demais, dando lugar à violência, ao terrorismo, ao crime, às guerras no lar, nas ruas, no trabalho, em toda parte…

Fala-se muito sobre Jesus, que permanece o grande desconhecido da cultura e da civilização modernas.

Mito para uns, Deus para outros, homem comum e depravado como alguns o biografam autorretratando-se, é usado para debates e comentários, autopromoções e agressões fanáticas, sem que a sua mensagem tenha lugar nas mentes ou nos corações.

Para diminuir a situação desastrosa em que se encontram as criaturas terrestres, o espiritismo veio iluminar a senda a percorrer, penetrar o cerne dos sentimentos e libertar a razão das heranças perversas do passado, não encontrando ainda o solo fértil para alcançar a meta a que se destina.

Grande número daqueles que o abraçam, vinculados às amarras ancestrais das experiências vivenciadas, em vez de viverem a humildade e o serviço, atiram-se na arena das competições mentirosas do mundo, gerando cismas e exibindo a falsa cultura de que se dizem portadores, apontando erros, impondo seus pontos de vista, distantes do compromisso com a consciência do dever de amar e servir, de edificar o bem em toda a parte mediante os recursos disponíveis.

É compreensível que essa conduta se expresse, porque a evolução é muito lenta, e ninguém consegue de um salto abandonar o primarismo em que estagiou por longo período, a fim de alcançar os patamares da razão e do sentimento nobre. 

Nada, porém, impedirá a vitória d’O Consolador, e todos aqueles que se lhe oponham padecerão o efeito danoso da sua conduta insensata, o que é inevitável.

É necessário amar e compreender a todos, procurando modificar as estruturas do pensamento e do comportamento doentios que vigem na sociedade aflita, oferecendo Jesus e sua doutrina com a pulcritude e beleza com que ele e os seus primeiros discípulos e seguidores nos ofereceram, e de que Allan Kardec se fez o ímpar mensageiro dos novos tempos.

O retorno à simplicidade do coração, à convivência com os infelizes que enxameiam em todos os segmentos da sociedade, à bondade fraternal e à gentileza amorosa para com o próximo, no lar, no trabalho, na rua, faz-se inadiável, e ninguém impedirá que tal aconteça.

Reencarnam-se em massa os missionários da Nova Era, totalmente entregues a Deus, a fim de romperem com a escuridão que domina o mundo e tornarem-se estrelas luminíferas apontando os rumos da plenitude. 

Conhecer o espiritismo é uma honra que nem todos valorizam, porque, alguns, apressados em transformar o mundo sem a correspondente mudança interior, vilipendiam-no, combatem-no por meio dos atos, embora dizendo-se vinculados à doutrina, o que lamentarão mais tarde, quando realmente despertarem para a imortalidade na qual se encontram situados.

Há, sem dúvida, muitas bênçãos e exemplos dignificadores que se transformam em roteiros de vida para os que são sinceros e seguem na retaguarda, confiantes na autossuperação moral e na conquista da paz interior.

Que permaneçam irretocáveis os servidores de Jesus na luta autoiluminativa, esparzindo a doutrina espírita em toda a parte por intermédio do pensamento, das palavras e dos atos!

*

Poder-se-á perguntar: — Mais um livro mediúnico, tendo-se em vista o número de obras respeitáveis que são apresentadas ao público diariamente? Trará alguma novidade ou fornecerá temas relevantes em torno da ciência, da filosofia, da ética, da beleza?

A resposta, à primeira questão, é positiva, porque se torna indispensável repensar, repetir o que já é conhecido, fixar-se o que se ouve e o que se vê no dia a dia das atividades humanas, especialmente no movimento espírita.

Ante a avalanche de obras de degradação humana, de vulgaridade e de banalização da vida e dos valores morais, torna-se necessário que se encontrem obras outras que possam diminuir o efeito pernicioso daquelas que corrompem e ensandecem.

À segunda indagação, diremos que o nosso objetivo não é descortinar os horizontes da ciência e da filosofia, que pertencem aos especialistas, nessa área, que se reencarnam com a missão específica para fazê-lo. Mas certamente tem como fim repetir a ética de Jesus e a sua moral, a beleza da simplicidade e do amor, da caridade e da renúncia, quando prevalecem a soberba, o egotismo e a indiferença pelo ser humano, pela natureza, pela vida.

Elegemos trinta temas para reflexões daqueles que nos concederem a honra de os ler, oferecendo a visão espírita e cristã em torno deles.

Fazem parte do cotidiano de todas as criaturas que, muitas vezes, ficam indecisas entre o que fazer e como conduzir-se, tal a quantidade de desvios comportamentais que se lhes apresentam.

Iniciamos os nossos estudos analisando As bênçãos de Deus, e concluímo-los com uma Carta aos cristãos modernos, numa evocação ao Apóstolo das Gentes, que enfrentou situações equivalentes às que ora vivemos.

Rogando ao Senhor da Vida que nos abençoe e nos ilumine nas decisões existenciais, desejamos aos nossos caros leitores muita paz e alegria de viver. 

Salvador, 14 de julho de 2010.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Entrega-te a Deus (Prefácio)

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