sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ante o vício da paixão

Ante o vício da paixão

Hammed


Imagem gerada por IA.

Jesus, ensina-nos a entender a diferença entre dependência e amor.

Sei, Mestre Querido, que o amor não termina, nós é que nos transformamos; e, por consequência, mudamos nossa visão sobre o mundo e as pessoas.

Senhor Jesus, como pode o amor — o mais nobre dos sentimentos — nos fazer mal? Como alguém pode agir sobre nós tal qual uma droga, um alucinógeno que nos exalta e ao mesmo tempo nos arrasa? Como dosar ou utilizar na proporção certa a inclinação amorosa?

São essas dúvidas cruéis que nos rodeiam a mente e nos fazem às vezes sentir vontade de desistir da busca; tudo nos parece sem importância, não conseguimos avançar, não vemos com otimismo o futuro.

Cristo Amado, estamos cientes de que a paixão termina, o amor não. A paixão vence e refreia o que a razão sugere e pondera; o amor propõe liberdade. Por isso, quando amamos alguém, devemos deixá-lo livre. Se partir, é porque nunca o tivemos; se voltar, é porque o conquistamos.

Hoje sabemos, Mestre, que nosso amor não é maduro, e sim uma dependência psíquica. Somos viciados na “emoção do enamoramento” e na sensação de felicidade que ela nos proporciona; consequentemente, sempre esperamos do “bem-amado” a fonte da alegria de viver, o que nos torna seduzidos e cativos.

Parece, Divino Amigo, que sem “um amor” nos assemelhamos a criaturas que não sabem nadar, buscando freneticamente um tronco flutuante para não se afogarem. A paixão é um prazer que nos causa agonia, mas essa mesma agonia nos dá prazer. Isso é o paradoxo da paixão — é a etiologia dos diversos tipos de dependência.

Jesus, socorre nosso amor!

Na Terra somos muitos os viciados em relacionamentos. Essa condição, que supostamente alivia a dor de uma realidade intolerável — a de não se amar e não sentir capaz de cuidar de si mesmo - perpetua a compulsão afetiva de “ter sempre alguém por perto” e nos desvia da motivação para recuperar e valorizar a própria vida.

O sentimento afetivo pode nos fazer muito mal quando o objeto de nosso amor tem efeito alucinatório sobre nós, anestesiando-nos e, ao mesmo tempo, causando-nos deslumbramento!

Querido Mestre, são diversos os mitos sobre o amor e quase todos nós damos fé ou afirmamos como verdades certas crenças ou construções mentais idealizadas. Temos tendência e inclinação:

• para acreditar que o amor real traz sofrimento e que, se recusarmos sofrer por amor, nunca amaremos corretamente. Amor que significa um contínuo sofrer não é amor, é dor. E dor é um indício de que algo vai mal ou está doente e precisa ser apurado e tratado;

• para afirmar que só se ama verdadeiramente uma vez na vida, alegação notável e romântica, mas completamente equivocada. Podemos amar inúmeras vezes e tão fortemente quanto antes, ou até muito mais. A cada nova existência, cresce o número de nossos amores;

• para crer que sem um parceiro, nossa vida não vale a pena ser vivida. Ora, podemos, sim, alcançar a felicidade, mesmo vivendo a sós e em total abstinência de sexo. Por isso, não devemos atribuir valores absolutos às nossas escolhas de vida, pois corresponderia a dizer que aqueles que não se adaptaram à vida a dois são desnaturados;

• para declarar com firmeza que o amor pode tudo. Ele realmente tudo pode quando é estimulado e compartilhado; mas diante de pessoas que não querem amar ou se deixar amar, a experiência pode ser aniquiladora e humilhante, situação que bem se enquadra no antigo provérbio “querer tirar leite de pedras.”

Por essas razões, Mestre e Senhor, estamos pedindo-te que nos ajudes a sair deste círculo vicioso, para que, tomando posse de nosso valor pessoal, voltemos a acreditar em nós mesmos, e assim, em breve, possamos amar sem medo de ser rejeitados e abandonados.

Jesus, socorre nosso amor!

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Lucidez - A luz que acende na alma

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Atualidade da doutrina espírita

Atualidade da doutrina espírita

José Petitinga


Imagem gerada por IA.

Rememorando os insólitos fenômenos, que atingiram o clímax a 31 de março de 1848, na residência da família Fox, em Hydesville, e abriram novos horizontes à investigação psíquica, constatamos pela fenomenologia medianímica, a legitimidade da vida espiritual depois da morte.

Do fenômeno incipiente, a princípio, à Doutrina consoladora dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, há um verdadeiro pego. E nesses ensinos, revelados pelos Imortais, reaparecem as velhas doutrinas filosóficas e religiosas, que ampliaram os horizontes do pensamento humano sobre a vida além do túmulo.

Inicialmente, para que se pudessem firmar os valores imortalistas à luz da razão, sensitivos excepcionais e investigadores valorosos foram chamados à experimentação, durante decênios de labor exaustivo.

Controles especiais, engenhos ardilosos, precauções extremadas precediam sempre aos experimentos, procurando por cobro a quaisquer tentativas de fraude, nos processos de investigação.

Em todo lugar, porém, a linguagem dos fatos atestava cientificamente a veracidade do fenômeno que abriu as portas à Doutrina propriamente dita.

Richet, operando com Marta, jovem médium de 19 anos, constata a emissão de ácido carbônico na respiração do espírito materializado de Bien-Boa.

Crookes, experimentando a adolescente Florência Cook, mede as pulsações do fantasma Katie King.

Lombroso, através da médium Eusápia Paladino, embriagada, em Gênova, vê o Espirito materializado de sua genitora.

Aksakof, pesquisando a Sra. D’Espérance, constata que Iolanda materializada se utiliza da energia da médium semidesmaterializada ante os seus olhos e sob controle rigoroso.

Lodge e Hyslop dialogam com o Espírito Phinuit incorporado, nas sessões da Sra. Piper.

Em Barcelona, Marata, investigando Cármen Dominguez, com medidas acauteladoras, verifica a realidade do fantasma Leonora.

O banqueiro Livermore, através de Catarina Fox em dezenas de sessões, na sua residência, conversa com o Espírito materializado de Estela Marta, sua esposa desencarnada...

Vivem os mortos! São identificáveis os fantasmas; apresentando-se ponderáveis, contam-lhes as pulsações, modelam-se-lhes os pés, mãos e face; são extraídos resíduos ectoplásmicos; medem-lhes a força com dinamômetros; fotografam-nos... E em todas as pesquisas a vida triunfa sobre a morte.

Espíritos e médiuns submetem-se a exigências rigorosas de investigadores conscientes da própria responsabilidade e deixam-se controlar por sábios da envergadura de Bozzano, D’Arsonval, Roberto Hare, Bouvier, de Rochas, Edmonds, Du Prel, Broferio, para citar somente alguns, sem nos reportarmos aos já referidos, e empolgam-se com a realidade da vida espírita.

Monografias e relatórios, atas e documentos são apresentados a Sociedades e Academias, e o mundo toma conhecimento da Era do Espírito.

No entanto, embora todo esse material valioso, reunido em anos de cuidadoso e fatigante trabalho, de pouco proveito seria para a humanidade, não fosse Allan Kardec, o eminente missionário que, através da sensibilidade das discretas Senhoritas Japhet, Carlotti e das meninas Baudin, interrogando os imortais, codificou o Espiritismo, oferecendo ao homem abençoado roteiro para sua jornada na Terra.

* * *

Hoje, mais de cem anos decorridos, após os fenômenos de Hydesville, e rememorando os insólitos “raps” que ensejaram uma nova Era para a pesquisa da vida espiritual, encontramos na Doutrina Espírita a fórmula sempre atual para equacionar os complexos problemas da alma humana ainda atribulada e inquieta, no momento em que o homem atravessa a atmosfera em busca de outros portos no Infinito...

E ante as conquistas do pensamento, na atualidade, essa doutrina filosófica de consequências morais e religiosas cresce cada vez mais, superando a clássica fenomenologia para repetir os excertos sublimes de Jesus Cristo, conclamando ao amor e à fraternidade.

“Piedade para com os infelizes...
Esquecimento de todas as ofensas...
Perdão a todos os males...
Doação ampla e farta de luz e amor em forma de pão, agasalho e medicamento...
Renúncia como clima necessário à evolução...
Trabalho infatigável”... eis o apelo do Mundo Maior.

Doutrina Espirita hoje é Evangelho vivo e atuante junto aos corações angustiados e afligidos.

E por essa razão que, acima do fenômeno mediúnico puro e simples, está a Doutrina Espírita como “pedra de toque que desgasta o erro” e permite fulgure a verdade, rasgando clareiras na treva densa da ignorância, apontando céus formosos para o futuro.

E enquanto ruge a tormenta desenfreada, avassalando tudo, cultivemos, no Espiritismo, o diamante sem jaça da verdade, situando-o no íntimo dos corações, vivendo integralmente os ensinos de Jesus, porquanto, se o conhecimento amplia a capacidade de discernimento só o amor nos enseja o ingresso no país da consciência tranquila, conforme o postulou e viveu o Divino Amigo de todos nós.

José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O escriba incrédulo

O escriba incrédulo

Irmão X.


Imagem gerada por IA.

Descansava Jesus em casa de Igorin, o curtidor, no vilarejo de Dalmanuta, quando Joab, escriba em Cesareia, partiu à procura dele, em companhia de Zebedeu, pai de Tiago e João, que lhe devotava imensa estima.

Enquanto caminhava, depois de largada a barca, o amigo da cidade, que jamais contemplara o Doce Nazareno, falava compungido de mágoas que sofrera.

Sentia-se doente, em suprema revolta.

Desejava escutar o verbo do Senhor para certificar-se quanto à própria conduta.

Dizia-se crivado de injustiça e calúnia.

Permutavam, assim, impressões espontâneas e afetuosas quando o lar de Igorin lhes surgiu pela frente, ao longe.

Ao redor do tugúrio, congregavam-se enfermos, avultando, entre eles, um homem maduro e esbelto a gritar, estentórico, e que, guardado à pressa, excluiu-se do quadro, desafiando, assim, a curiosidade de ambos os viajores.

No átrio da casa pobre, indaga Zebedeu de uma velha aleijada quem era aquele mísero, e informa-lhe a anciã que se tratava de um louco infeliz à procura do Mestre.

Nisso, Tiago e Pedro aparecem de chofre e dizem que Jesus pretendia ausentar-se para a prece nos montes.

Joab, ouvindo isto, penetra sozinho pela casa, e encontra em quarto humilde o Cristo generoso, meditando em silêncio.

- Mestre! – clama, chorando, depois de confortado às saudações primeiras – tenho o peito dorido e o pensamento em fogo, humilhado que estou por injúrias atrozes. Feriram-me, Senhor, enodoando-me o nome e furtando-me o pão... Que fazer ante o mal que me ataca, insolente? de que modo portar-me, perante os inimigos que me cobrem de lodo?

- Perdoa, filho meu! – disse o Amigo Celeste.

- Senhor, como esquecer malfeitores e ingratos?

- Anotando-lhes sempre a condição de enfermos.

- Enfermos? como assim, se perseguem matando?

- Não procederiam desse modo se não fossem dementes.

- Mestre – insistiu Joab -, convém esclarecer que os meus adversários são ladrões perigosos...

- São, pois, mais infelizes...

- Infelizes porque? se tem casas faustosas e terras florescentes?

- Todavia, amanhã descerão ao sepulcro, abandonando o furto a mãos que desconhecem...

- Entretanto, Senhor, sem qualquer razão justa, eles querem prender-me.

- Não importa, meu filho, pois todo delinquente está preso em si mesmo às algemas da treva.

- Mestre! Mestre! Ainda assim, espreitam-me igualmente em tocaia sinistra, prelibando-me a morte, todos eles armados de punhais assassinos!...

- Perdoa e ora por eles – disse o Cristo, sereno -, porque é da Eterna Lei que a justiça se faça... Todo aquele que fere será também ferido...

O escriba, em desespero, ajuntou lacrimoso:

- Senhor, estou sozinho, despojado de tudo... Iludiram-me a esposa e roubaram-me os filhos...

Acusado sem culpa, o cárcere me espera; venerei sempre as leis, guardando-lhes os princípios e toda a minha dor nasce da sombra hostil da infâmia que me cerca! Que fazer, Benfeitor, ante as garras da lama?

- Filho, perdoa sempre, olvida todo mal e faze todo o bem, porque somente o bem é luz que não se apaga...

Incapaz de conter o assombro que o traía, Joab esgueirou-se de soslaio, perguntando lá fora aos amigos surpresos:

- Dizei-me, por favor, onde acharei o Mestre Jesus? quero Jesus para ouvir-lhe a palavra!...

O escriba renitente conservava a impressão de ter ouvido o louco que avistara ao chegar àquela casa, e não o próprio Cristo...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ascensão espiritual

Ascensão espiritual

Cairbar Schutel


“Partiu, pois Jacó, de Berseba, e foi para Harã; chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o Sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar e a pôs por sua cabeceira e deitou-se naquele lugar. “E sonhou: e eis que uma escada era posta na Terra, cujo topo tocava no Céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e o Senhor estava em cima e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac; essa Terra em que estás deitado ta darei a ti e à tua semente; e a tua semente será como o pó da Terra, e estender-se-á ao Ocidente, ao Oriente, ao Norte e ao Sul, e em ti na tua semente serão benditas todas as famílias da Terra. E eis que estou contigo e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta Terra; porque não te deixarei, até que haja feito o que te tenho dito.

“Acordado Jacó do seu sono, disse; na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não sabia.” 

“Então levantou-se Jacó pela madrugada e tomou a pedra que tinha posto por sua cabeceira, e a pôs por coluna e derramou azeite em cima dela; e chamou o nome daquele lugar — Be-tel (Casa de Deus); o nome, porém, daquela cidade, antes era luz. E Jacó fez um voto dizendo: Se Deus for comigo, me guardar nesta viagem, e me der pão para comer e roupa para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai; o Senhor será o meu Deus; e esta pedra que tenho posto por coluna será a casa de Deus e de tudo quanto me der pagarei o dízimo. (Gênese, XXVIII, 10-22.)

“Jesus vendo a Natanael aproximar-se dele, disse: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo! Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Replicou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel. Disse-lhe Jesus: Por eu te dizer que te vi debaixo da figueira, crês? Maiores coisas do que estas verás. E acrescentou: Em verdade vos digo que vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” (João, I, 47-51.)
A ascensão espiritual é uma escada sublime, que, assentada na Terra, vai ter aos Céus, mas, na sua trajetória, o homem só pode subir esses degraus por meio da Revelação, porque a Revelação é o poderoso motor que movimenta a alma para a realização dos seus destinos imortais!

Dormindo na “cidade da luz”, Jacó vê a escada que lhe é mostrada, por onde sobem e descem anjos sob, a suprema direção do Senhor, que se acha no topo dessa escada. E a Revelação lhe fala: “Eu sou o Senhor, Deus de Abraão e de Isaac; esta Terra em que estás deitado te darei e a teus descendentes, que serão tão numerosos como as areias do mar, e estarei contigo e te guardarei onde quer que estejas e por onde quer que fores, porque não te deixarei.”

Jacó desperta e admira-se de que o senhor ali estivesse. Pela madrugada tomou a pedra sobre a qual inconscientemente reclinara a cabeça, colocou-a como a coluna que deve prevalecer, derramou sobre a pedra simbólica o azeite, que é o símbolo da fé, e chamou aquele lugar de casa de deus em vez de cidade da luz.

Na verdade é preciso que se esteja na luz para ver a casa de Deus, que é a Revelação.

Onde está Deus, está a Revelação, porque a Revelação é a Palavra de Deus convidando o homem à ascensão espiritual.

Comparemos o sonho de Jacó com a parábola do filósofo:
“No meio de uma cadeia de montanhas eleva-se aos ares um pico isolado, sobre o qual se percebe confusamente um antigo edifício.

Um ousado viajante forma o projeto de o escalar.

“As ervazinhas suspensas aos flancos dos precipícios, um tronco carunchoso, uma pedra movediça, tudo lhe serve de ponto de apoio: trepa, salta, arrasta-se e, finalmente, coberto de suor e fatigado, chega ao desejado vértice; e levantando os braços aos Céus, exclama cheio de alegria: Sempre venci!

“Toda a cadeia de montanhas se desenrola a seus pés. Os mais belos horizontes se abrem diante dele. O que só via em parte, agora abrange e domina num lance de vista.

“Em baixo, ao longe, vê obstáculos contra os quais desfaleceram seus primeiros esforços, e ri-se da sua inexperiência; de pé, contempla os que finalmente vencerão, e admira-se da própria audácia.

“Os companheiros, muito fracos para vencerem as dificuldades do caminho, não o puderam seguir senão com a vista, mas nesse dia ficara conhecido um atalho, porque só é visível esse caminho, do alto da montanha. É por aí que desce, então, o viajante que chegou ao alto da montanha, é por aí que ele se coloca à frente dos companheiros que ficaram no sopé do monte e lhes diz: Segui-me! Ele os conduzirá sem perigo e sem fadiga até o cimo, cuja conquista tanto lhe custara.

Graças a ele, a montanha já se tornou acessível!

Todos os viajantes podem, do alto, admirar o famoso edifício, os panoramas sublimes, os magníficos horizontes que dali se descobrem.”
Eis a imagem da nossa ascensão às gloriosas paragens da Imortalidade.

Os homens comuns caminham sem se elevar ao vértice da montanha, porque vão e voltam em delongas por caminhos que não os conduzem às alturas espirituais.

Por vezes elevam-se ao meio do morro, mas voltam atraídos aos planos inclinados, porque não transitam pelo verdadeiro caminho, o atalho que conduzi-los-ia com segurança ao ápice da montanha.

Mas vamos aclarar a parábola.

A cadeia de montanhas constitui as diversas religiões sacerdotais; o edifício antigo é a Revelação sobre a qual Jacó alicerçou toda a sua fé; as ervinhas suspensas aos flancos são as virtudes que nos conduzem ao amor a Deus e ao próximo; o declive, que atira os homens ao precipício, são as más paixões.

O viajante que subiu ao Cume é Jesus, seguido de seus mensageiros, onde se destaca Allan Kardec, que nos ensinou o caminho para também galgarmos o ápice.

Os companheiros que tentaram a ascensão são todos os que atualmente se esforçam por chegar a esse lugar, mas que, outrora, presos à atração da Terra e vencidos pelas dificuldades, pararam na estrada.

Todos os que estudam, pesquisam, analisam, estão caminhando. Os Evangelhos nos aparecem iluminados pelos fulgores do Espírito; a morte perde o seu caráter fúnebre e a Espiritualidade da Vida reflete-se em nossas almas, como as estrelas no espelho das águas.

São dois mundos que se entrelaçam, são dois planos de vida que se mostram solidários, um como complemento do outro; são duas Humanidades que, numa permuta de provas e de afetos, se declaram solidárias, são, finalmente, anjos que descem a auxiliar outros, que, pelo esforço, também se tornarão anjos, porque trabalharão para subir.

A ascensão espiritual é o resultado da mesma lei do progresso material e da evolução intelectual: tudo vibra tudo se harmoniza no amor e na solicitude de Deus para com todos os seus filhos.

Cairbar Schutel do livro:
Parábolas e ensinos de Jesus

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