quarta-feira, 29 de julho de 2026

Atenda ao serviço

Atenda ao serviço

Marco Prisco

Imagem gerada por IA.
"578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão? Sim, se não for um Espírito superior." (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
Embora as dificuldades que obstaculizam a caminhada, confie e coopere com o bem.

Em toda parte você será constrangido à luta, se deseja seguir adiante.

Medite em suas dores e recolha o fruto do sacrifício, continuando o compromisso com o Senhor.

Não deixe, assim, que o desânimo caminhe com você porque o auxílio dos outros não se ofereça a ajudá-lo.
Falam dos seus atos? Renove-se e prossiga.
Duvidam da sua honra? Aprimore-se e avance.
Dilapidam o seu caráter? Trabalhe e continue.
Perturbam a sua paz? Insista no bem e ajude.
Trabalham contra as suas intenções? Silencie e ore.
Combatem os seus esforços superiores? Porfie e siga.
No solo humilde e produtivo, filetes de água, procurando vitalizar a vegetação, muitas vezes embebedam as raízes; vermes encarregados de facilitar a aeração das camadas subterrâneas devoram o sustentáculo das plantas.

Sobre a terra, insetos que conduzem o pólen fecundante, não raro estiolam a flor; a luz solar, que vivifica constantemente, também mata; e a chuva que alimenta é a mesma que aniquila...

No entanto, apesar de tudo, a plantinha débil não se atemoriza. Quanto pode, insiste no seu mister de crescer até se transformar em vigoroso arvoredo, vencedor das tempestades, a fim de oferecer amparo, flor e fruto.

Faça o mesmo, seguindo-lhe o exemplo.

A dificuldade é clima de todo lugar onde o trabalho se desenvolve.

A ignorância é adubo fecundante à espera de assistência e movimentação para o sagrado objetivo da evolução.

Não se detenha quando a maldade dos outros seguir ao seu lado.

Lembre-se do Mestre Incorruptível.

Aproveite o ensejo e deixe brilhar a luz das suas intenções em tarefas de bem servir.

O campo imenso dos corações humanos aguarda as suas mãos para a obra da felicidade geral.

Sirva, passe e, confiando, una-se à caravana dos servidores anônimos que o Céu tem na Terra e a Terra colocou no Céu; alargue os horizontes da alma e renove o mundo com a renovação da sua própria vida.

Estará, assim, atendendo ao serviço que, em última instância, é sempre do Senhor, sem falir, candidatando-se à abençoada posição de "um Espírito superior".

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Legado Kardequiano

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 28 de julho de 2026

A única dádiva

A única dádiva

Irmão X.

Conta-se que Simão Pedro estava cansado, depois de vinte dias junto do povo.

Banhara feridentos, alimentara mulheres e crianças esquálidas, e, em vez de receber a aprovação do povo, recolhia insultos velados, aqui e ali...

Após três semanas consecutivas de luta, fatigara-se e preferira isolar-se entre alcaparreiras amigas.

Por isso mesmo, no crepúsculo anilado, estava ele só, diante das águas a refletir...

Aproxima-se alguém, contudo...

Por mais busque esconder-se, sente-se procurado.

É o próprio Cristo.

- Que fazes Pedro? – diz-lhe o Senhor.

- Penso Mestre.

E o diálogo prolongou-se.

- Estás triste?

- Muito triste.

- Por quê?

- Chamam-me ladrão.

- Mas se a consciência te não acusa, que tem isso?

- Sinto-me desditoso. Em nome do amor que me ensinas, alivio os enfermos e ajudo aos necessitados. Entretanto, injuriam-me. Dizem por aí que furto, que exploro a confiança do povo... Ainda ontem, distribuía os velhos mantos que nos foram cedidos pela casa de Carpo, entre os doentes chegados de Jope... Alegou alguém, inconsideradamente, que surrupiei a maior parte... Estou exausto Mestre. Vinte dias de multidão pesam muito mais que vinte anos de serviços na barca...

- Pedro, que deste aos necessitados nestes últimos vinte dias?

- Moedas, túnicas, mantos, ungüentos, trigo, peixe...

- De onde chegaram as moedas?

- Das mãos de Joana, a mulher de Cusa.

- As túnicas?

- Da casa de Zobalan, o curtidor.

- Os mantos?

- Da residência de Carpo, o romano que decidiu amparar-nos.

- Os unguentos?

- Do lar de Zebedeu, que os fabrica.

- O trigo?

- Da seara de Zaqueu, que se lembra de nós...

- E os peixes?

- Da nossa pesca.

- Então Pedro?

- Que devo entender Senhor?

- Que apenas entregamos aquilo que nos foi ofertado para distribuirmos em favor dos que necessitam. A Divina Bondade conjuga as circunstancias e confia-nos de um modo ou de outro os elementos que devamos movimentar nas obras do bem... Disseste servir em nome do amor...

- Sim Mestre...

- Recorda então, que o amor não relaciona calúnias, nem conta sarcasmos.

O discípulo entremostrando súbita renovação mental não respondeu.

Jesus abraçou-o e disse apenas:

- Pedro, todos os bens da vida podem ser transmitidos de sítio a sitio e de mão em mão...

Ninguém pode dar em essência esse ou aquele patrimônio do mundo senão o próprio Criador, que nos empresta os recursos por Ele gerados na Criação... E se algo, podemos dar de nós, o amor é a única dádiva que podemos fazer, sofrendo e renunciando por amor...

O apostolo compreendeu e beijou as mãos que o tocavam de leve.

Em seguida puseram-se ambos a falar alegremente sobre as tarefas esperadas para o dia seguinte.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Fragilidade humana

Fragilidade humana

Joanna de Ângelis



Interrogas, surpreso, como foi possível a Judas, que conviveu com o Mestre em doce enternecimento, participando do banquete festivo da Boa-nova, advertido e orientado, traí-lO, entregando-O aos Seus inimigos, seja qual for a justificativa que se apresente?

Certamente, Judas O amava, a seu modo, porquanto renunciara aos compromissos anteriores, a fim de segui-lO, e, apesar disso, não suportou as pressões de Entidades perversas que o assediaram, levando-o à ruína.

Ainda fustigado pela fraqueza de caráter, quando se deu conta da hediondez praticada, ao invés de enfrentar as consequências do ato ignóbil, optou pela fuga covarde do suicídio cruel.

Inquires, com desalento, como Pedro, que havia recebido a responsabilidade de apascentar as Suas ovelhas, que com Ele convivera em intimidade, acompanhando os Seus momentos de sublimação no Tabor e de abnegação em toda parte, embora avisado com clareza, pôde negá-lO três vezes consecutivas?

Nas praias e no mar da Galileia, que lhe eram o berço e a vida social, comercial, humana, participou de todas as Suas elevadas propostas sobre o Reino dos Céus, cujos alicerces estavam sendo construídos no solo dos corações, acompanhou os fenômenos incomparáveis da Sua condição de Filho de Deus, apesar disso, fez-se vítima da fraqueza moral que não pôde superar.

Deu-se conta, logo depois, todavia, que fracassara no momento mais relevante da sua existência.

Indagas, aturdido, como todos aqueles amigos que foram eleitos como membros do Seu colégio de amor e de misericórdia, que ouviram a sinfonia esplêndida das Bem-aventuranças, que foram testemunhas das curas repentinas dos portadores de diferentes enfermidades com a Sua intervenção, que O viram repreender os ventos e as ondas durante a tempestade no mar, puderam abandoná-lO a partir do momento da traição, com exceção, apenas, de João?

Haviam sido convidados com infinito amor, aceitaram o desafio, apresentaram-Lhe todas as dúvidas, solicitaram as orientações necessárias para a entrega das existências, renunciaram às comodidades e convivência no lar, na família, no grupo social, entrementes, no momento máximo, tombaram na pusilanimidade, relegando-O à própria sorte.

Todos estavam esclarecidos e conscientes de que a jornada com Ele era feita de aflições e de soledade. Em momento algum Ele os encorajou à esperança de felicidade no mundo, de glórias terrenas, de júbilos no poder. Foi-lhes sempre sincero e claro, algumas vezes mesmo se fez enérgico e vigoroso, a fim de fortalecê-los para a grande luta; confidenciou-lhes, em intimidade, esperanças e alegrias inefáveis depois da existência corporal, e, apesar de tudo, não tiveram valor moral para segui-lO.

Sucede que o mundo físico é também sinônimo de ilusão, de sonho, de incerteza.

Mesmo eles, que deveriam estar estruturados na coragem imbatível pelo de que se encontravam conhecedores, não tiveram condições de merecer a palma da vitória sobre a inferioridade moral, pelo menos, no momento do grande testemunho.

Mais tarde, sim, todos se entregaram ao amor e à glória de servi-lO, redimindo-se da fraqueza humana.

*

Convidado, como te encontras, para a restauração dos postulados sublimes de Jesus, na atualidade de valores controvertidos e insanos, não esperes entendimento nem fidelidade dos amigos que compartem os ideais que te fascinam.

Provavelmente, todos gostariam de entregar-se ao ministério de iluminação de consciências, oferecendo os seus melhores recursos e mais honesta dedicação para que se tornem realidade os objetivos anelados.

Cada pessoa, no entanto, tem o seu próprio programa de evolução, em razão das conquistas e prejuízos anteriores, que lhe assinalam a trajetória terrestre.

Alguns, embora encantados com o Evangelho desvestido de fantasias e de superstições, conforme o desvela o Espiritismo, ainda se encontram vinculados a interesses imediatistas de prazer, de fama, de poder, e não estão dispostos a renunciar a tudo quanto os fascina.

Diversos, igualmente despertos para o banquete da Era Nova, encontram-se comprometidos com deveres familiares, sem coragem para libertar-se das exigências do lar, refugiando-se nesse mecanismo desculpista para ficarem acomodados.

Muitos, herdeiros de situações lamentáveis de outras existências, sentindo-se fracassados nos setores sociais a que se entregaram, veem na programação libertadora oportunidade de manter o poder, destacar-se a qualquer preço, disputar lugares e privilégios, vencer os demais, que passam a ter em conta de adversários...

Vários, ainda vinculados às paixões dissolventes em que se comprazem, invejam os lutadores, têm mágoa dos trabalhadores dedicados, entregando-se a sistemáticas campanhas de desmoralização das suas existências, assim torpedeando as suas nobres realizações.

São as fraquezas humanas que neles predominam.

Não conseguem superar as tendências inferiores que os mantêm em situação deplorável.

Talvez gostassem de estar ao teu lado, de ser como tu, de lutar com a tua coragem, entretanto, não se esforçam por consegui-lo, optando pela permanência no estágio que os amesquinha.

Se lhes sofres o abandono, o combate sistemático, a perseguição insana, a antipatia gratuita, o ódio devorador, não te perturbes, sintonizando na faixa da sua pusilanimidade.

Mantém-te coerente com a tua crença e fiel ao teu ideal.

Já que eles desejam ficar onde se encontram, não insistas, não os lamentes, não te detenhas.

Segue adiante!

Deves realizar a tarefa que aceitaste do Mestre, sem discussão, e que tem sido fator de alegria na tua atual existência, não constrangendo ninguém a seguir contigo, nem a te auxiliar no desiderato.

*

Se, em algum momento, estiveres para desfalecer ante as difíceis conjunturas, as perseguições e a solidão, envolve-te nas dúlcidas vibrações da prece, recuperando as energias e o desejo de avançar sem detença.

Recorda-te, de imediato, de Jesus com o madeiro sobre o ombro dilacerado, caindo várias vezes e levantando-se, sem os censurar, sem os procurar no meio da multidão que uma semana antes O aplaudiu, quando da entrada em Jerusalém, e agora O malsinava.

Constituído do mesmo material humano das demais pessoas, transforma tuas fraquezas em valor moral e sê fiel Aquele que te ama desde o início dos tempos e prossegue contigo, esperando a tua decisão de entrega total a Ele.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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domingo, 26 de julho de 2026

Reformas sociais

Reformas sociais

Richard Simonetti


O assunto surgiu na reunião de estudos. Para a edificação de uma sociedade justa não seria razoável a participação em movimentos que defendem uma mudança nas estruturas sociais?

Várias opiniões foram apresentadas. Houve quem preconizasse um engajamento do Centro, contribuindo até mesmo para a constituição de partido político capaz de pugnar pelos ideais espíritas. Outros defendiam uma mobilização popular, se necessário, pressionando os governantes, a fim de que as legítimas aspirações do povo fossem atendidas.

Terminada a discussão, ofereceu-se a palavra a Josefo, dedicado mentor espiritual que, após saudar os presentes pela psicofonia mediúnica, falou:

- O assunto hoje foi empolgante. É louvável o interesse que demonstraram na procura de soluções para os grandes problemas sociais. Considerem, entretanto, que todas as mudanças envolvendo a sociedade, para serem legítimas e proveitosas, pedem antes a renovação do Homem, o que não pode ser feito à custa de meras reivindicações, de verbalismo ou do exercício da força, porquanto, para tanto, é preciso entrar em seu coração e não há outro caminho senão o Amor. Pode parecer piegas aos doutos, mas é a pura expressão da realidade. Jesus o demonstrou incansavelmente em seu apostolado. O Espiritismo faz a mesma proposta, apresentando a caridade como a base da salvação humana. Com a caridade desenvolveremos a vocação de servir, que é o Amor em ação, atuante, empreendedor, irresistível no apelo à renovação.

- No entanto - retruca Luiz, um dos defensores do engajamento político - o amigo não nega que uma mobilização dos espíritas poderia favorecer as mudanças pretendidas.

- Sim, todos podem participar de tais iniciativas, desde que observem a ordem e a disciplina, com respeito aos poderes constituídos, mas, sem envolver a Doutrina Espírita como movimento, a fim de que não tenhamos a reedição dos perigosos enganos cometidos pelos líderes religiosos no passado, que terminaram por atrelar a religião ao poder, assimilando os males que pretendiam combater.

- Mas o irmão não admite que uma mobilização popular, até com eventual exercício de força, apressaria as mudanças pretendidas? - indaga Gabriel, um dos defensores das medidas revolucionárias.

- Semelhantes iniciativas realmente promovem modificações nas estruturas sociais, mas em nada contribuem para a edificação de um Mundo melhor. Muitos movimentos de força têm sido disparados. Sistemas se sucedem, mas perpetuam-se os males humanos... Países desenvolvidos resolvem transitoriamente os problemas da miséria material, mas caem na miséria moral, que é muito pior, a primeira é provação para coletividades imensas, funciona como cadinho purificador, a segunda é semeadura de dores... Ocioso pretender-se a reforma da sociedade sem a renovação do cidadão. Impossível construir uma casa sólida com tijolos crus.

Josefo fez pequena pausa, como a esperar que seus conceitos fossem assimilados, concluindo, incisivamente:

- Quando Jesus proclamou que o Reino de Deus está dentro de nós, deixou bem claro que ele não se estenderá sobre o planeta antes dessa gloriosa conquista. Por isso, meus amigos, o nosso trabalho é junto ao coração humano, sem pressões e sem pressa, com o exemplo de nosso próprio empenho no Bem, a fim de que o Reino Divino se estenda ao nosso redor.

Qualquer sistema de governo funcionará satisfatoriamente se governados e governantes se ajustarem aos princípios da Justiça e da Verdade, da Fraternidade e da Solidariedade, do Trabalho e da Disciplina, do Respeito e da Compreensão.

Semelhantes realizações, que jamais poderão ser impostas, se concretizarão na medida em que os homens se dispuserem a seguir o Cristo pelos caminhos do Amor.

Richard Simonetti do livro:
Endereço Certo

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