quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Felicidade e vida

Felicidade e vida

Eros


Imagem gerada por IA.

Quando o alvoroço cessou e as pessoas se acalmaram, um poente de fogo e ouro ornou as nuvens que fugiam tranquilas, abrindo campo para a noite adornar-se de estrelas cintilantes.

O Mestre alcançou os sentimentos confusos do povo ali presente e sem que nada lhe perguntassem, narrou:

"- Um homem possuía uma família feliz, uma propriedade ampla, arborizada, cabras, camelos e, próximo à montanha, um córrego de águas tranquilas.

Certo dia, um sacerdote eremita passou pela sua casa e falou-lhe da beleza, do valor dos diamantes que eram encontrados em terras distantes no leito dos rios imensos.

A partir desse momento, a felicidade murchou-lhe no coração, e, inquieto, ele vendeu tudo quanto possuía, entregou a família ao cunhado, prometendo retornar quando encontrasse diamantes e fosse rico, desse modo, feliz.

Viajou por terras distantes, vadeou rios, enfermou e morreu sem voltar a ver a familia.

O comprador da herdade, anos depois, hospedou o mesmo sacerdote eremita que, conversando após o jantar, notou estranha e fulgurante gema sobre a lareira.

Examinando-a, deslumbrou-se. Perguntou ao hospedeiro onde a encontrara, ao que este respondeu possuir incontáveis delas no córrego que nascia na rocha, ao fundo da propriedade.

Aturdido e trêmulo, o caminhante correu com o anfitrião ao lugar referido e deparou-se com extraordinária jazida de diamantes, que se tornaria uma das mais famosas do mundo."

*

Muitas vezes, o homem está sentado no trono da felicidade e deixa-o para ir atrás da ilusão que o destruirá.

A ambição o enceguece, entorpecendo-lhe o discernimento e tornando-o inditoso.

O poder de qualquer natureza torna-se, em consequência, um fardo muito pesado, cujo preço é alto para se pagar.

A felicidade é encontrada, porém, mediante a imersão do pensamento no oceano íntimo, a fim de ali encontrar as pérolas da paz, que dão tranquilidade ao coração.

Tudo quanto inquieta, aturde, causa receio de perda opõe-se à felicidade, que não tem preço, não enferruja, não se decompõe, ninguém a rouba.

A felicidade total, por isto mesmo, não está no mundo transitório, enganoso, onde no entanto, se pode começar a estrutura-la.

Uma consciência em paz, um coração tranquilo e uma conduta sadia são os indispensáveis tesouros que propiciam bem-estar ao corpo, à mente e ao Espírito, geradores, portanto, de felicidade.

Felicidade relativa é Vida plena.

Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O salário da abnegação

O salário da abnegação

João Modesto


Imagem gerada por IA.

Qualquer trabalhador exerce as suas atividades profissionais dentro de limites determinados que o fazem credor de salário específico. No entanto, se o profissional, em qualquer setor de atividade humana ultrapassa as fronteiras naturais das próprias obrigações, guarda merecimento superior, à importância do vencimento estabelecido.


Semelhante salário – extra; corresponde à abnegação.

As leis terrestres não recompensam o mérito extraordinário, por falta absoluta dos meios de aferição.

Assim, a abnegação do espírito encarnado, seja qual for o setor em que moureja, é paga pela Lei Divina que define o valor de cada ser no Plano Espiritual.

O trabalho comum, na Terra, é recompensado pela moeda a exprimir-se por honorários; o trabalho extra, no reino do espírito, é pago em recursos de ascensão para a alma.

O trabalho ordinário conduz o servidor ao domínio horizontal do meio em que vive; o trabalho extraordinário eleva-o, em sentido vertical, às Esferas Superiores.

Exemplificando, vemos o professor que apenas procura cumprir determinado plano de aulas, dedicando-se exclusivamente ao mister que lhe é próprio, dentro do limite mínimo de esforço e tempo, a receber a paga integral do serviço nos honorários que percebe. Todavia, aquele que transfigura o magistério em sacerdócio, ajudando aos discípulos, nos horários extraescolares, esmerando-se em estudos contínuos da matéria que leciona para superar o programa rotineiro, habilita-se a crédito extraordinário, de vez que demonstra rendimento superior ao exigido pelos próprios encargos. Semelhante educador receberá naturalmente o salário maior a que fez jus pela abnegação que revelou.

Quem pagará, entre os homens, o devotamento do coração feminino que se decide a recolher no próprio regaço os filhinhos alheios.

Qual instituto humano remunerará o desvelo da criatura generosa que apoia com desinteresse e carinho os companheiros em sofrimento?

Eis porque, contrapondo-se à orientação do esforço mínimo, a abnegação é sempre o esforço máximo, somente compensável pelos cofres da Bondade Divina.

Cumpre as obrigações que te cabem e granjearás vencimento justo na Terra.

Faze mais que o dever, pelo bem de todos, e, conforme as lições de Jesus, amontoarás tesouros nos Céus.

João Modesto do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Agressividade

Agressividade

Joanna de Ângelis



O agressor deve ser examinado como alguém perturbado em si mesmo, em lamentável processo de agravamento. Não obstante merece tratamento a agressividade, que procede do espírito cujos germes o contaminam, em decorrência da predominância dos instintos materiais que o governam e dominam.

Problema sério que exige cuidados especiais, a agressividade vem dominando cada vez maior número de vítimas que lhe caem inermes nas malhas constritoras.

Sem dúvida, fatores externos contribuem para distonias nervosas, promotoras de reações perturbantes, que geram, não raro, agressividade naqueles que, potencialmente, são violentos.

Acostumado à “lei da selva”, o espírito atribulado retorna à carne galvanizado pelas paixões que o laceram e de que não se deseja libertar, favorecendo facilmente que as reminiscências assomem ao consciente e se reincorporem à personalidade atual, degenerando nas trágicas manifestações da barbárie que ora aterram todas as criaturas.

A agressividade reponta desde os primeiros dias da vida infantil e deve ser disciplinada pela educação, na sua nobre finalidade de corrigir e criar hábitos salutares.

A pouco e pouco refreada, termina por ceder lugar às expressões superiores que constituem a natureza espiritual de todo homem.

O espírito é constituído pelos feixes de emoções que lhe cabe sublimar ao império dos renascimentos proveitosos.

O que não corrija agora, transforma-se em rude adversário a tocaiá-lo nas esquinas do futuro.

O temperamento irascível, aqui estimulado, ressurge em violência infeliz adiante.

O egoísmo vencido, o orgulho superado cedem lugar ao otimismo e à alegria de viver para sempre.

*

O agressivo torna-se vítima da própria agressividade, hoje ou posteriormente.

O organismo sobrecarregado pelas toxinas elaboradas arrebenta-se em crise de apoplexia fulminante.

A máquina fisiológica sacudida pelas ondas mentais de cólera, sucumbe, inevitavelmente, quando não desarranja a aparelhagem eletrônica em que se sustenta, dando início aos lances da loucura e das aberrações mentais.

Outrossim, gerando ódio em volta de si, o agressivo atrai outros violentos com os quais entra em choque padecendo, por fim, as consequências das arbitrariedades que se permite.

Não foi por outra razão que Jesus aconselhou a Simão, no momento grave da Sua prisão: “Embainha a tua espada, porque quem com ferro fere, com ferro será ferido.”

Acautela-te, e vence a agressividade, antes que ela te infelicite e
despertes tardiamente. Só o amor vence todo o mal e nunca se deixa vencer.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Leis Morais da Vida

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O anjo, o santo e o pecador

O anjo, o santo e o pecador

Irmão X.


Imagem gerada por IA.

O Pecador escutava a orientação de um Santo, que vivia, genuflexo, à porta de templo antigo, quando, junto aos dois, um Anjo surgiu na forma de homem, travando-se breve conversação entre eles.

O ANJO – Amigos, Deus seja louvado!

O SANTO – Louvado seja Deus!

O PECADOR – Louvado seja!

O ANJO (Dirigindo-se ao Santo) – Vejo que permaneceis em oração e animo-me a solicitar-vos apoio fraternal.

O SANTO – Espero o Altíssimo em adoração, dia e noite.

O ANJO – Em nome d’Ele, rogo o socorro de alguém para uma criança que agoniza num lupanar.

O SANTO – Não posso abeirar-me de lugares impuros...

O PECADOR – Sou um pobre penitente e posso ajudar-vos, senhor.

O ANJO – Igualmente, agora, desencarnou infortunado homicida, entre as paredes do cárcere... Quem me emprestará mãos amigas para dar-lhe sepulcro?

O SANTO – Tenho horror aos criminosos...

O PECADOR – Senhor, disponde de mim.

O ANJO – Infeliz mulher embriagou–se num bar próximo. Precisamos removê-la, antes que a morte prematura lhe arrebate o tesouro da existência.

O SANTO – Altos princípios não me permitem respirar no clima das prostitutas...

O PECADOR – Dai vossas ordens, senhor!

O ANJO – Não longe daqui, triste menina, abandonada pelo companheiro a quem se confiou, pretende afogar-se... É imperioso lhe estenda alguém braços fortes para que se recupere, salvando-se-lhe também o pequenino em vias de nascer.

O SANTO – Não me compete buscar os delinquentes senão para corrigi-los.

O PECADOR – Determinai, senhor, como devo fazer.

O ANJO – Um irmão nosso, viciado no furto, planeja assaltar, na presente semana, o lar de viúva indefesa... Necessitamos do concurso de quem o dissuada de semelhante, propósito aconselhando-o com amor.

O SANTO – Como descer ao nível de um ladrão?

O PECADOR – Ensinai-me como devo falar com ele.

Sem vacilar, o Anjo tomou o braço do Pecador prestativo e ambos se afastaram, deixando o Santo em meditação, chumbado ao solo.

Enovelaram-se anos e anos na roca do tempo, que tudo alterara. O átrio mostrava-se diferente. O santuário perdera o aspecto primitivo e a morte despojara o Santo de seu corpo macerado por cilício e jejum, mas o crente imaculado aí se mantinha em Espírito, na postura de reverência.

Certo dia, sensibilizando mais intensamente as antenas da prece, viu que alguém descia da Altura, a estender-lhe o coração em brando sorriso.

O Santo reconheceu-o.

Era o Pecador, nimbado de luz.

- Que fizeste para adquirir tanta glória? – perguntou-lhe, assombrado.

O ressurgido, afagando-lhe a cabeça, afirmou simplesmente:

- Caminhei.


Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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