sábado, 25 de abril de 2026

Bode expiatório e raízes

Bode expiatório e raízes

Hammed


"(…) Esta convicção, adquirimo-la no exame e análise dos fenômenos da Natureza. Para nós, Deus não está fora do mundo, nem a Sua personalidade se confunde na ordem física das coisas. Ele é o pensamento incognoscível, do qual as leis diretivas do mundo representam uma forma de atividade.(…)" Camille Flamarion

A estratégia psicológica conhecida como bode expiatório é utilizada pela humanidade de tempos em tempos, para não se autorresponsabilizar pelas escolhas nem pelas consequências de seus próprios atos. Os indivíduos não querem ser punidos pelos seus desacertos e, por esse motivo, escolhem uma “vítima simbólica” para eximir-se dos delitos que todos podem cometer.

Transcrevemos, com novas palavras, as ideias centrais de um texto contido em Eu, Primata – Por Que Somos Como Somos, a respeito de uma fêmea chamada Black, tida como alvo para aliviar as tensões entre os chimpanzés de Arnhem. Toda coletividade (2), comenta o cientista de Waal, tem seus bodes expiatórios – pessoas ou coisas sobre as quais recaem as culpas ou quaisquer problemas de outros. Os casos mais radicais vistos por ele pertencem ao grupo dos símios.

Mas não há como negar que a transferência da culpa para o bode expiatório é uma das mais básicas, mais intensas e mais inconscientes atividades involuntárias dos homens e também de muitos outros animais, tanto que se pode considerar, sem correr risco de erro, que se trata de um comportamento instintivo.

Diz o primatologista que aquela fêmea (Black) era agredida com tanta frequência, que chamavam o canto para onde ela costumava fugir de “o canto de Black”. Ela se acocorava e o resto do grupo a rodeava, a maioria apenas grunhindo e ameaçando, mas alguns a mordiam e arrancavam tufos de seu pelo. Entre eles nada mais fácil do que se voltar em massa contra algum indivíduo inferior na escala hierárquica do grupo. Não adiantava querer remover ou acudir o “saco de pancadas”, pois no dia seguinte outro elemento estaria ocupando o seu lugar.

Tudo mudou quando a fêmea Black teve sua primeira cria, pois o macho alfa protegia o filhote. O resto do bando continuava a tratar a família de Black com agressividade, portanto ameaçavam e rugiam também para o recém-nascido. Este, porém, como contava com a proteção do pai dominante, nada tinha a temer, e parecia perplexo diante de tanto ruído e barulho. Black, a mãe, observando a segurança do filho, mantinha-se ao seu lado sempre que surgiam perigos e adversidades, pois, assim, não a hostilizavam também, conclui de Waal.

Existe uma tendência ou compulsão em criar um receptáculo onde se jogam todas as tensões do bando.

Entre os homens, há também muitas “Blacks”, em quem aliviamos nossas ansiedades e/ou angústias, nossos desajustes íntimos e tensões nervosas, agindo como se essas emoções não nos pertencessem. Escolher alguém como “mártir social” tem tudo a ver com a projeção – mecanismo de defesa do ego que reduz a ansiedade por permitir a manifestação de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a casa mental consciente não os reconheça.

Um exemplo comum de tal conduta é culpar determinada criatura por um fracasso próprio. A periodicidade do bode expiatório deve-se à rememoração de compulsões atávicas existentes no ser humano. No grau evolutivo do homem atual, essa prática atende a utilidades primordiais, iguais às que atendem nos primatas não humanos. Uma delas, existente tanto no homem quanto nos chimpanzés, é extravasar agitações mentais e estados tensionais.

Ao investir contra um inocente fraco, o agressor se expõe a menores riscos e perigos do que bater-se corpo a corpo com indivíduo mais forte e poderoso. Outra utilidade – essa existente apenas no homem – é que, enquanto se ameaça e surra a vítima a ser supliciada, supostamente se fortalecem os objetivos patológicos e interesses insanos.

Quando a criatura possui consciência lúcida, ela não mais busca um bode expiatório, ou seja, não projeta em alguém erros ou desejos; antes assume, pois entende que é um ser em evolução. Ela não mais precisa ser impecavelmente correta, nem fazer dos outros alvos de seus infortúnios. Apenas admite seus pontos fracos e deixa de demonizá-los, passa a lidar com eles em termos de experiência evolutiva, e não os arremessa para fora.

Preconceito, bode expiatório e minoria andam de mãos dadas.

São interligados e estruturados por ideias, opiniões ou sentimentos hostis a respeito de determinado grupo humano ou social que esteja em número menor, ou em condição de dependência ou inferioridade socioeconômica, política, física ou cultural, em relação a outro grupo, que é majoritário ou predominante.

Criar vínculos de respeito, de compreensão e de amor à diversidade e formar hábitos de integridade humanística, que as religiões e filosofias recomendam, já fazem parte das raízes de nossa condição humana. Não precisamos coagir ou forçar a conduta do homem, somente estimular aptidões preexistentes. Os mecanismos de defesa do ego são processos subconscientes desenvolvidos pela individualidade, os quais possibilitam à casa mental solucionar tensões, ansiedades, hostilidades, impulsos agressivos, ressentimentos e frustrações não resolvidos na área consciencial.

Transformar alguém em “saco de pancadas” ou em bode expiatório é uma forma de utilizar inconscientemente esses mecanismos. Eis aqui os cinco mais frequentes:
1 - Por intermédio do deslocamento, transferimos sentimentos de um alvo para outro, que é considerado menos ameaçador ou neutro. Arquitetamos um desvio psicológico, uma alternativa para os impulsos que não podemos expressar claramente. Exemplos: a criança que desloca a mágoa pelos pais destruindo seus brinquedos; ou o empregado que não pôde manifestar seu rancor contra seu gerente e, em contrapartida, na família ou na via pública, desloca sua raiva discriminando e destratando pessoas por meio de palavras insultuosas.
2 - Mediante a compensação, encobrimos uma fraqueza real ou sentimentos impróprios, exagerando qualidades e características que consideramos mais aceitáveis socialmente. Também denominada de processo de formação reativa – substituir comportamentos que são diretamente opostos à emoção real –, é uma inversão inconsciente por ignorar a verdadeira emoção ou para escondê-la. Exemplos: procuramos camuflar nossas inseguranças e dúvidas tomando uma postura de “dono da verdade” diante de qualquer situação cotidiana; ou o jovem que “assovia no escuro”, tentando demonstrar segurança e tranquilidade, enquanto atravessa, sozinho, um bairro isolado e distante de sua casa.
3 - Pelo emprego da projeção, livramo-nos de aspectos da personalidade, deslocando-os de dentro de nós para o meio externo. A intimidação é vista como se fosse uma força externa. A pessoa não consegue lidar com sentimentos reais, não admite que a ideia ou o comportamento temido sejam dela mesma. Pesquisas psicológicas relativas aos mecanismos dos preconceitos ou bodes expiatórios mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras revelam diminuta percepção de seus próprios sentimentos. As que negam ter um determinado traço de personalidade são sempre mais críticas em relação a esse mesmo traço, quando o encontram nos outros. Exemplos: alguém que afirma continuadamente que “todo mundo é desonesto” encontra-se, na realidade, projetando nos demais sua própria característica; ou mesmo, quando alguém afirma que “as pessoas só pensam em sexo”, está jogando para fora aquilo que se encontra mal resolvido
dentro de si mesmo. 
4 - Através da introjeção, incorporamos de forma imaginária uma pessoa, interiorizamos características de alguém que admiramos, inserimos o indivíduo com suas boas qualidades e glórias, participando imaginariamente de suas realizações e seguindo a “luz de sua estrela”. Exemplos: o jovem que corta seu cabelo como o de um astro, para se parecer com ele; ou o idoso que veste roupas iguais às de um jovem ator, para voltar à juventude. 
5 - Por meio da racionalização, tentamos achar motivos lógicos e razoáveis para justificar atitudes e ações recriminadas e também para encontrar bons motivos para desculpar o que basicamente sabemos que está errado. Exemplos: o jovem, que foi recusado pela namorada, diz “ela nem era tão boa assim, era até feia; não sei como fui gostar dela”; ou o alcoólatra que afirma “eu bebo para afogar as mágoas do meu casamento fracassado”.
Atos e atitudes não acontecem por acaso. Nossa conduta atual reflete as experiências de ontem, e suas estruturas estão presas na vastidão dos tempos. Em momento algum nos separamos completamente de nossas raízes, estamos junto delas para sempre, e elas nos inserem no presente. Isso não significa, contudo, que os seres humanos devam lançar-se sobre tais pulsões ou deixar-se dominar ou escravizar por elas, pois o objetivo da humanidade é o desenvolvimento e o progresso. E nós não conseguiremos atingir tais objetivos enquanto estivermos dominados por nossas tendências inconscientes, que nos conduzem automaticamente a comportamentos multimilenares.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Estamos Prontos

Bibliografia:

(1) Camille Flammarion, Deus na Natureza, 7ª ed., pág. 394, FEB Editora.

2 Frans de Waal, Eu, Primata - Por Que Somos Como Somos, Companhia das Letras, pág. 200.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Nas provocações

Nas provocações

Emmanuel


Imagem gerada por IA

Em todas as lutas e dificuldades da senda, suporta sem queixa o sofrimento menor para que o sofrimento maior não te flagele amanhã.

O fogão sem lume pode ser agora látego da carência, induzindo-te ao serviço nobre, mas, explorar a fome dos semelhantes pelo monopólio do pão, será depois o teu grande infortúnio.

A chaga aberta pela calúnia com que te atassalham o nome, em muitas circunstâncias, é a ferida remissora ou o aviso salutar, entretanto, cultivar a maledicência e enlamear o caminho alheio é, sem dúvida, a infelicidade real.

Padecer a ingratidão dos entes mais caros com a desculpa espontânea, quase sempre, é abrir campo à mais bela devoção afetiva, contudo, desertar do carinho que devemos aos corações que nos amam é aprisionar o próprio espírito nos cárceres do remorso.

Sentir que o gládio da expiação e da angústia nos impõe a morte ao santuário doméstico, crestando existências que constituem o nosso refúgio e consolo, é redimir com lágrimas as dívidas que trazemos, habilitando-nos para a liberdade superior, todavia, perseguir aqueles que nos cercam, aniquilando-lhes a vida com frieza e crueldade é descer aos tormentos do crime.

Não te assustem o obstáculo e o pranto, a alfinetada e a úlcera que, por algum tempo, te afligem ao coração.

São eles o ensinamento e o reajuste, o remédio e a bênção que nos aprimoram o ser na direção da Divina Luz, mas livra-te de fazê-los ou provocá-los porque, no solo da vida, a consciência de cada um, conforme semeia, naturalmente ceifará.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Assim Vencerás

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Reencarnação

Reencarnação

Joanna de Ângelis


Dádiva de Deus

Punge a alma vê-los no trânsito das aflições superlativas, que carregam como cangas pesadas que os esmagam lentamente.

Dilacera os sentimentos ouvi-los na plangência das agonias, que explodem em violenta erupção de desesperos incontroláveis.

São eles, os irmãos limitados, os atormentados pelas enfermidades orgânicas e mentais que os estiolam, irreversivelmente. Padecem as injunções dos descontroles da emoção e da fragilidade orgânica, jazendo atados a paralisias e demências entre esgares de dor e rudes pavores nos quais se debatem.

Expondo à visão alheia as doenças que os maceram, estertoram e se comovem, condoendo aqueles que os socorrem e os acompanham nas santas redenções a que se atam...

Todavia, há outros que passam despercebidos, mutilados nos recessos íntimos e se rebolcam em duras refregas que os espezinham numa continuada injunção de amargura.

Poucos lhes conhecem as sombrias paisagens interiores, nas quais se movimentam carregados de frustrações e ansiedades que os comburem. Vezes outras, incapazes de sopitar o exacerbar das paixões que os fulminam, ardem em alucinações que disfarçam a esforço insuportável.

Além deles, os irmãos fundamente golpeados em si mesmos, convocam a atenção os vilipendiados pelas dificuldades financeiras e sociais em lares onde a miséria de largo porte fez morada, quando não se apresentam ferreteados pelo ódio e pela impiedade dos que os recebem nos braços da paternidade revoltada ou da maternidade ultrajada...

Inúmeros se movimentam nos jogos da animosidade recíproca ou jungidos às situações humilhantes que os ferem em profundidade, abrindo feridas largas no sentimento e nas aspirações.

Incontáveis iniciam a jornada nas amarras teratológicas, carregando as pungentes chagas congênitas, com que se despedaçam em demorado curso, sem esperança, nem conforto. Portadores de psicoses transtornantes, de alienações que os asselvajam, crivam-se de opróbrios, enquanto agridem e ferem, longe de qualquer condição de recuperarem a normalidade...

Outros, aleijados e retorcidos, experimentam crescente soma de dores que não cessam.

Um número expressivo dá acolhida aos pensamentos subalternos, vitalizando desforços injustificáveis e espalhando miasmas das mazelas que a cada um sobrecarrega de azedume e acidez...

Em contrapartida, desfilam os estetas, quais argonautas deslumbrantes, campeões da beleza e da inteligência, da saúde e da fortuna, desperdiçando forças na inutilidade ou nas batalhas da insensatez, engendrando, alguns, planos inditosos em que se comprazem, fomentando os jogos da usura e os recreios que transformam em algemas de escravidão demorada, colocadas nos próprios pulsos... Outros passam, de vitória em vitória, cavalgando o poder ou esgrimindo os instrumentos que os glorificam: soldados, artistas, literatos que se destacam e enriquecem as galerias de glórias dos povos e das nações.

Milhões que renteiam com a ignorância e que experimentam as tarefas rudes, imediatas, nos campos e cidades, em misteres fortes e exaustivos, enquanto outros tantos se exaurem na ociosidade das praias e balneários refertos, entre inúteis e lúbricos, num festival hediondo de sexo, de tóxicos, de desgastes do corpo e da alma...

Uns nascidos nas imensas megalópoles e outros em furnas primitivas de sombra e barbárie.

Para bilhões, os casebres insalubres das favelas e das palafitas, e para alguns os berços dourados e as rendas de fina tecelagem sob o amparo de criadagem especial...

Centenas de milhões que iniciam a caminhada nos báratros da ignorância e do analfabetismo e reduzido número que frui os benefícios da cultura, das ciências e das artes...

Incontáveis que anelam possuir ou lograr o mínimo do máximo que tantos outros não valorizam, amo- lentados pelos excessos que os vitimam desde as primeiras experiências na abastança...

Como compreender tão extravagantes quadros que ferem a alma com invisíveis punhais ou que erguem o ser em júbilos nas asas das emoções complexas?

Por que o excesso num grupo de homens e a absoluta falta noutro clã?

Estes possuem haveres e não dispõem de paz, enquanto aqueles gozam de saúde e lhes faltam os bens materiais?

Será crível compreender-se que o Supremo Pai nos haja a todos criado no momento da elaboração do corpo para uma única vida humana, sendo tão variadas as circunstâncias e as contingências?

Criação em grupos separados? Alguns para as expressivas venturas na Terra e as excelsas glórias nos Céus, em detrimento de outros que suportam superlativas misérias que os desconsertam no corpo e na mente, projetando-os para as regiões de supremas desditas espirituais depois?

Homens que se exercitam nas primeiras experiências da razão, em regiões inóspitas, transitando da selvageria para a civilização e cidadãos que desfrutam do conúbio da beleza, da inteligência e do saber, criados no mesmo instante? Que se pode esperar dos primeiros, faltos de tudo, desarmados para as conquistas do espírito?

Constituem uns raças e povos privilegiados desde o começo em detrimento de outros que, milenarmente, são porta de acesso aos primeiros lampejos da cultura da mente e dos sentimentos?

Por que tão aquinhoada uma parte da Humanidade, em esquecimento de relevante número de criaturas primitivas?

Predestinação para a felicidade como para a desgraça?

Não, de forma nenhuma.

A vida do homem não é uma estreita e breve experiência entre o berço e o túmulo. Antes, as duas demarcações, entrada e saída do corpo, representam pórticos de trânsito pela infinita estrada da perfeição que a todos aguarda.

A vida é única no seu caráter de que, criado uma vez, o ser espiritual jamais perece.

Os corpos de que se utiliza são indumentárias que lhe facultam a aquisição de labores evolutivos, nos quais adiciona conquistas, retifica erros, sobrepõe-se aos limites das paixões, destrói impedimentos, anula dívidas.

Toda expressão que se reveste de alegria ou de pena se fixa nas raízes que precedem à organização somática.

Toda concessão de felicidade ou desdita se vincula à anterioridade do corpo, facultando ao espírito crescimento e madurez.

Autor do destino, o ser espiritual insculpe, mediante os pensamentos, as palavras e os atos, o que lhe apraz para as conjunturas futuras. Sua meta, através do determinismo das divinas leis, é a perfeição. A dor e a desventura são-lhe o resultado das opções feitas, conseguidas a penates da própria vontade.

A ideia da vida única, de uma existência, apenas, ultraja a suprema magnanimidade do Pai Criador.

Enquanto que a reencarnação desvela Seu amor, Sua justiça, Sua misericórdia de acréscimo...

Fadado à imarcescível luz, sai o espírito das sombras de si mesmo, de reencarnação em reencarnação, para as sublimes claridades.

“Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá”, afirmou, impertérrito, Jesus.

Pastor abnegado, Ele prossegue chamando e amparando quantos lhe buscam o redil.

Nenhuma preferência por este ou aquele, exceção alguma por quem quer que seja.

Amor até a autodoação por todos.

A sua vida imolada no madeiro da humilhação, que Ele exaltou por todas as vidas, é dádiva para todos aqueles que lhe queiram receber o ensino sublime.

A reencarnação é, pois, necessária para o crescimento do espírito, “criado simples e ignorante”, conforme ensinaram os nobres Instrutores da Humanidade a Allan Kardec, neles refletindo-se o amor de Deus em regime de igualdade para com todos os filhos, na irretorquível demonstração de que somos todos irmãos em diferentes estágios de evolução, avançando no grande rumo...

A reencarnação é, portanto, dádiva do amor divino para a felicidade de todos os Espíritos na fatalidade de atingir a glória estelar que nos aguarda.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No Limiar do Infinito

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Necessidade do estudo de Kardec para discernimento doutrinário

Necessidade do estudo de Kardec para discernimento doutrinário

J. Herculano Pires



Confusões intencionais e não intencionais, lançadas nos meios espíritas – O problema umbandista – Mensagens de Ramatís.
Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. Adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas mal orientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações.

Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vêm tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatís. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escrevemos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações.

Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto.

Kardec dizia, como muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, combatendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida e a divulgá-la sofregamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. É por isso que ela de difunde com mais intensidade.

Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não podemos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas.

Quanto às mensagens de Ramatís, também já tivemos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens confusas, dogmáticas, vazadas na linguagem típica dos espíritos pseudossábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas.

Em geral, nossos confrades se entusiasmam com “as novas revelações” aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão.

O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro.

“O Espiritismo”, dizia Cairbar Schutel, “é uma questão de bom senso”.

Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.

J. Herculano Pires do livro:
O Mistério do Bem e do Mal

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