terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Escândalos

Escândalos

Joanna de Ângelis



A palavra escândalo significa todo e qualquer ato que atenta contra os bons costumes, as ações que desrespeitam as leis estabelecidas e os comportamentos que ferem os padrões da ética.

Pode-se dizer que é uma violência contra o equilíbrio que deve viger no grupo social, em que os direitos e deveres de cada cidadão são respeitados e lhe definem o caráter moral.

O escândalo tem várias causas endógenas e exógenas. As primeiras decorrem do passado espiritual de cada qual, que resultam do desequilíbrio em forma de agressividade e poder investidos contra os demais, dando lugar a situações deploráveis. As exógenas são decorrência da educação doméstica, do meio social em que se desenvolveu e estruturou a personalidade, ou dos vícios que levam à alucinação, como o álcool e as substâncias aditivas.

Jesus referiu-se à sordidez dessas atitudes e ao atrevimento das agressões aos costumes éticos.

Informou que era necessário o acontecimento escandaloso para poder-se aquilatar e manter-se o respeito por tudo quanto estimula o progresso e mantém a ordem.

Também considerou a atitude daqueles que se ocupam de desvelar essas feridas morais da alma humana, como se não fossem portadores de males igualmente reprocháveis.

Certamente não insinuou a conivência ou o silêncio culposo, tampouco a atitude cínica de ocultação do ato indigno, de modo que se transforme em atitude de escândalo.

Vive-se, na Terra, um período de agressividade, de despautério, de morbidez, que não tem como ser silenciado. De tal maneira se repetem os fatos censuráveis que, de alguma forma, alguns deles quase adquiriram cidadania social, gerando aceitação com certa naturalidade.

Na linguagem, as palavras chulas tornaram-se comuns e expressam vulgaridades que se permitem as pessoas que se deveriam comportar corretamente.

O mesmo tem sucedido nos relacionamentos, nos negócios, na interpretação das leis, chegando-se ao caos, no que diz respeito à correção moral.

De igual modo, condutas degradantes se fizeram tão comuns que parecem não merecer a menor censura.

A família se encontra quase totalmente desestruturada, impossibilitada de conduzir com equilíbrio os seus membros, assim como educar os filhos.

Valores morais cedem lugar aos subornos quase legais, e as grandes responsabilidades ficam à margem para se transformarem em infrações e alucinados conciliábulos de desonestidade, furto, dissimulações...

Não seja, pois, de estranhar-se que a própria sociedade cambaleie por falta de alicerces de segurança moral e espiritual.

Em toda parte se verificam situações equivocadas quanto vergonhosas, que ensejam desânimo e tristeza.

Proceder-se bem é quase uma atitude repreensível...

Quando esses escândalos ocorrem com pessoas aparentemente
respeitáveis e socialmente saudáveis, a ressonância em outras existências é perturbadora, de consequências imprevisíveis. No coletivo humano estimulam a criminalidade e a desintegração da dignidade.

Felizmente as Divinas Leis aguardam aqueles que as defraudam para aplicar os corretivos severos que se fazem necessários.

*

Toda criatura humana é portadora de fragilidade moral que deve ser corrigida no transcurso da existência, razão pela qual a reencarnação é de alto significado para todos os Espíritos.

A conduta correta não é mais uma virtude, mas um dever que se faz necessário ser exercido conscientemente e sem possibilidade de defecção.

Para que assim ocorra, o Evangelho de Jesus oferece a mais eficiente proposta moral e espiritual para o processo de rápida evolução.

O seu conhecimento e prática proporcionam responsabilidades
irrecusáveis que se transformam em compromisso de imediata aplicação.

Os Espíritos do Senhor vêm à Terra a fim de ampliar o conhecimento dos postulados evangélicos, e aqueles que os abraçam comprometem-se a vivenciá-los de maneira integral.

Nada obstante, a sagacidade de alguns indivíduos leva-os a ações hediondas que mascaram com cinismo e aparente ingenuidade.

Qual ocorre em todos os grupos sociais, os médiuns são convidados a assentar o seu trabalho em nobres responsabilidades com respeito ao próximo quanto a si mesmos.

A fraternidade que se faz necessária entre todos não pode ultrapassar os limites do respeito e da consideração moral, indispensáveis ao exercício da faculdade, assim como à assistência dos bons Espíritos, que somente se comunicam através daqueles que são humildes e honestos. A princípio, enquanto se depuram, os servidores da mediunidade recebem as orientações dos seus guias, imprescindíveis à conduta grave, de modo a estabelecerem com naturalidade o comportamento cristão, que deve ser mantido com todas pessoas.

Nada obstante, a sagacidade de alguns exibicionistas e exploradores leva-os à prática de ações hediondas, que disfarçam para a própria infelicidade.

Se o escândalo é de efeito danoso entre os seres encarnados, quando ele ocorre nos santuários da fé de qualquer doutrina religiosa ou não, nos educandários, nas oficinas de trabalho, são ainda mais degradantes e perversos.

As vítimas que forem ludibriadas e abusadas passam a carregar
pesados fardos de amargura, de desespero, de desconfiança, de cepticismo em relação ao seu próximo, onde estiverem.

Todas as consequências infelizes dessas ações nefandas decorrentes são de responsabilidade do infrator, que não tem ideia do gravame cometido.

Às vezes, séculos se sucedem até que se dê a reparação dos males praticados.

*

Não te permitas nunca leviandades na existência, especialmente em razão dos compromissos assumidos na Espiritualidade, assim como aqueles que dizem respeito à convivência com o próximo.

Envolve-te na lã do Cordeiro de Deus e sê simples, dedicado e puro de coração.

Não te iludas com os transitórios prazeres que enlouquecem, nem com os tesouros da ilusão que se desfazem facilmente.

Sê fiel em todos os teus atos, gentil e correto em teus compromissos e nobre em tuas afeições.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Vidas vazias

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Diariamente

Diariamente

Maria Dolores



Quando te ergues, de manhã,
Para o trabalho que te espera,
É qual se começasses novamente
A jornada no mundo para a frente...

Anota: cada dia é um trecho da viagem,
Reclamando bagagem
Que expresse provisão
De tudo o que precises
Para seguir no culto à própria obrigação.

Decerto, cogitaste do alimento
Que te garanta as energias,
Do calçado da fé que a firmeza te ateste,
Da roupa de esperança que te enfeita e te veste
Da palavra que tens, por centro de atração,
Dessa ou daquela minudência
Que te mostrem o brilho da existência
Em nobre formação...

Sabes, porém, que essa romagem
Que todos nós chamados dia a dia,
Se nos oferta lances de alegria,
Muitas vezes se faz em pedras de tropeços,
Problemas, desencantos, recomeços,
Inquietação e prova
Por entre os quais a vida se renova...

Por isto, eis que te rogo:
Por mais que te prepares com razão,
Pede a Deus te conceda
No preciso momento de sair,
A coragem de amar e de servir,
De ser bênção de paz, seja onde for,
Recordando que Deus, a todo instante,
É sempre o Eterno Amor,
Que tudo nos concede ao coração,
A fim de que venhamos a vencer
As lutas do trabalho e as farpas do dever
Sem exigir qualquer compensação.

Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Caminhos do Amor

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Processo de evolução

Processo de evolução

Joanna de Ângelis


330 a) - Então, a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida corpórea? "Certamente; assim é." (Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos)
A reencarnação é Lei da Vida assim como o são a gravitação universal e a eletricidade.

Incursa nas Leis morais que regem o Cosmo, constitui o processo de crescimento dos valores que jazem adormecidos no ser, qual ocorre com a glande que guarda o carvalho imponente, aguardando os fatores próprios para o seu surgimento.

A Magnanimidade Divina a todos cria iguais, portadores de simplicidade e ignorância das verdades transcendentes, facultando-lhes, a esforço pessoal, arrebentar a couraça do desconhecimento em que se ergástulam para lograr a sabedoria que lhes está destinada.

Esse formoso processo é áspero, tornando-se, não poucas vezes, semelhante ao parto que faculta a libertação de uma vida pulsante e prisioneira através do sofrimento de quem a encarcera.

Essa dor, no entanto, é relativa à maior ou menor materialidade moral em que permanece o ser. Quando atrasado, somente portador de instintos e de impulsos, as suas resistências são muito tenazes, exigindo a ruptura da couraça a fortes golpes de dilaceração das suas estruturas. À medida que a razão lhe faculta o entendimento da necessidade do progresso, a vontade contribui de maneira vigorosa para a ocorrência, diminuindo a força inevitável da ruptura, ocorrendo a dissociação paulatina dos envoltórios que a limitam. Por fim, no período mais avançado, tudo se dá suave e prazerosamente, superados os mecanismos de obstrução da percepção divina.

Uma existência física é período muitíssimo breve para a aquisição dos tesouros inimagináveis da sabedoria que promana de Deus.

Comparando-se os seres que compõem o tecido social da Terra, veremos as diferentes faixas em que transitam, desde o primarismo, que é peculiar a povos muito atrasados, mas que também remanescem na denominada sociedade de consumo, passando pelos indivíduos educados e cultos e alcançando o patamar do espiritualizado e livre.

Do bruto ao apóstolo, do agressivo ao pacífico-pacificador, do complexado e de comportamento mórbido ao cordato e gentil permanece um grande pego, que não pode ser vencido em uma etapa carnal apenas.

O salto em direção ao sublime não ocorre pelo impulso de um momento, senão mediante a lenta construção de valores morais e espirituais que são específicos para cada criatura.

Assim, a reencarnação representa o inefável amor de Deus, auxiliando Suas criaturas na aquisição dos tesouros eternos de beleza, sabedoria e amor.

O desenvolvimento intelecto-moral do ser é lento e contínuo, resultando das aquisições que são realizadas nas diversas experiências carnais, abrindo espaços para outras mais profundas quão significativas.

Em cada etapa o Espírito desenvolve uma ou mais aptidões no campo do conhecimento, da inteligência, do sentimento, da arte, da beleza, da fé, inevitavelmente crescendo para Deus.

Quando se equivoca e faz uso indevido de alguma das experiências, retorna ao mesmo proscênio para refazer o episódio, aprendendo a não errar, semeando luz pelo caminho e liberando- se as algemas retentivas da retaguarda.

O avanço dá-se sem qualquer retrocesso, às vezes paulatino, graças às leis que regem a vida, ensejando provações iluminativas e expiações redentoras.

Quando o seu é um delito de pequeno porte, volve ao campo de batalha com as marcas do dano causado, de maneira a reabilitar-se, envolvendo aqueles que se lhe tornaram vítimas em vibrações de compreensão e de fraternidade, conseguindo o perdão necessário ao equilíbrio da consciência. Experimenta, então, enfermidades que induzem à reflexão, dificuldades que se fazem problemas exigindo soluções, impedimentos no processo de aquisição de valores de vária ordem, carência afetiva e financeira, enfrentamentos sociais e inquietações íntimas, constituindo-se recursos de refazimento pessoal e emocional.

Quando reincidente inveterado no desar, insensível ao apelo do Bem, recomeça a jornada sob injunções dolorosas de que se não pode evadir, sofrendo enfermidades dilaceradoras ou situações vexatórias, inibições e limitações orgânicas, tais a cegueira, a surdez, a mudez, a idiotia, a paralisia, impossibilitado de volver aos mesmos descalabros que lhe assinalaram as atividades pretéritas.

No primeiro caso, dispõe de recursos e lucidez para novas conquistas, somando valores que contribuem para a diminuição dos gravames morais e facultam o desenvolvimento moral que proporciona iluminação e paz.

Na segunda situação, os graves limites impostos exigem, pelo sofrimento, a reflexão em torno dos objetivos essenciais da existência e de como recuperá-los através da senda dos espinhos que ficaram aguardando para ser recolhidos.

O amor, no entanto, será sempre o benfeitor eficaz para o mecanismo de crescimento espiritual.

Graças à sua vivência, o percurso poderá reduzir-se em extensão e em tempo, em face dos prodígios que faculta, anulando etapas amargas e oferecendo campos férteis para a sementeira da felicidade.

A reencarnação, portanto, é indispensável para o Espírito no formoso processo de busca interior, onde se encontra a fonte inexaurível da felicidade plena.

Sem ela, a vida humana se reduziria ao caos das circunstâncias propiciadas pelo acaso, que geraria uns seres ditosos com todas as possibilidades ao alcance, enquanto que outros talados desde o princípio sem a mínima chance de plenitude.

Jesus, conhecendo esse incomparável instrumento evolutivo constituído pelo ir e vir, acentuou no Seu formoso diálogo com Nicodemos, o célebre doutor da Lei e mestre do Sinédrio:

- Em verdade, em verdade, te digo que é necessário nascer de novo, para poder entrar no reino dos Céus.

E noutra ocasião muito própria, afirmou:

- O reino dos Céus está dentro de vós - convidando-nos todos a tomarem-no com decisão, arrebentando os impedimentos no avanço realizado com invulgar coragem e decisão irrefragável.

Reencarnar-se, pois, é preciso, para o Espírito que ruma para
Deus.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Lições para a Felicidade

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Perfeição versus perfeccionismo

Perfeição versus perfeccionismo

Hammed


“... E se vós não saudardes senão vossos irmãos, que fazeis nisso mais que os outros? Os pagãos não o fazem também? Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito...” ( O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 17 / item 1.)
As tendências ao perfeccionismo têm raízes profundas e escondidas revelando, às vezes, um grande medo indefinido e oculto. A diferença principal entre um indivíduo saudável e o perfeccionista é que o primeiro controla sua própria vida, enquanto o segundo é controlado sistematicamente por sua compulsão pertinaz.

Trazemos como somatório de múltiplas existências crenças negativas de que nosso valor é medido por nossos desempenhos bem-sucedidos e que os erros nos rebaixariam o merecimento como pessoa. Daí as emoções desconexas de medo, de desagrado e de punição. Como exemplo, pensamos inconscientemente que, se formos imperfeitos e falhos, as pessoas não vão mais confiar em nós, ou jamais teremos sucesso na vida. O transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição, tentando assim agradar a todos e lhes corresponder às expectativas.

Às vezes os perfeccionistas podem até pensar, mas não admitem: “se eu fracassar, vão me criticar”; em outras ocasiões, insistem em dizer que “não pensam assim”, demonstrando, porém, o contrário, pois ficam profundamente descontrolados quando cometem algum erro.

Certas fixações pelo desempenho perfeito são necessidades de aprovação e carinho que nasceram durante a infância: “Se você não fizer tudo certinho, a mamãe e o papai não vão gostar mais de você”. São vozes do passado que ecoam até hoje nas mentes perfeccionistas.

Esses distúrbios de comportamento levam, em muitas situações, os indivíduos a uma lentidão superlativa para fazer as coisas. Querem fazer tudo com tantos detalhes e precisão que nunca acabam o que estão fazendo.

Outros são conhecidos pelo nome de proteladores, ou seja, adiam sistematicamente a ação, por temer um desempenho imperfeito. Por exemplo, se começam a apontar um lápis, levam o objeto à destruição em alguns minutos, pela busca milimétrica da perfeição. Outros sintomas ou sinais mais comuns: certas pessoas são obcecadas em dispor as coisas simetricamente, de modo que não fiquem um centímetro fora do lugar. Quanto mais verificam, mais querem checar e mais têm dúvidas.

Os perfeccionistas necessitam ser impecáveis, respondem a todas as perguntas, mesmo àquelas que não sabem corretamente. Por possuírem desordens psíquicas, buscam incessantemente controlar a ordem exterior, vigiando os comportamentos alheios como verdadeiros juízes da moral e dos costumes.

Por não admitirmos o erro e por não percebermos que o único fracasso legítimo é aquele com o qual nada aprendemos, é que os conceitos de perfeição doentia perturbam constantemente nossa zona mental. Por isso, o erro não deve ser considerado como perda definitiva, mas apenas uma experiência de aprendizagem.

“Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito” - disse-nos Jesus Cristo. Entretanto, não nos conclama com essa assertiva para que tomemos “ares” de perfeição presunçosa, e sim que nos esforcemos para um crescimento gradual no processo da vida, que nos dará oportunamente habilidades cada vez maiores e melhores.

Somos todos convocados pelo Mestre ao exercício do aperfeiçoamento, mas contemos com o tempo e a prática como fatores essenciais, esquecendo a perfeição doentia, atrelada a uma “determinação martirizante e desgastante”, que nos faz despender enorme carga energética para manter uma aparência irrepreensível.

Repensemos o texto cristão, refletindo se estamos buscando o crescimento rumo à perfeição, ou se estamos simulando possuir uma santidade que não suporta sequer o toque da menor contrariedade.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Renovando Atitudes

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