Irmão da natureza (Falando a São Francisco de Assis)
Joanna de Ângelis
- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.

"- Fora da caridade não há salvação." Allan Kardec

A
França foi chamada para grandes feitos na face da Terra, principalmente o de
servir de berço glorioso ao Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo.
As duas primeiras grandes revelações dos Céus para a Terra surgiram no Oriente,
e a terceira no Ocidente, mais precisamente, na Cidade-Luz.
Na
verdade, a França tinha a grande missão de esparzir claridades espirituais
sobre todos os outros povos, bem como sobre seus próprios filhos.
Conta-se
que no dia 03 de outubro de 1804, quem pudesse observar os céus com os olhos do
Espirito, notaria, se assim podemos nos expressar, a descida das estrelas para
a atmosfera francesa, e se fosse observar a cidade de Lion com as faculdades
espirituais, não teria outra impressão que não fosse a de um enorme holofote de
grande altura, focalizando uma comunidade terrestre que teve a felicidade de
receber um dos maiores Espíritos que Cristo enviou à Terra, conforme prometido
antes no Seu Evangelho, a fim de dar testemunho de tudo o que Ele havia dito.
Durante
a madrugada que precedeu o quatro de outubro, notavam-se estrelas inteligentes
sobrevoando Lion; era a falange do Espírito de Verdade, como se fosse uma
grande esquadrilha dirigida por hábeis pilotos, festejando os céus de uma
pátria em data comemorativa. Tudo era luz... tudo era alegria... tudo era
felicidade... E essa falange de Espíritos superiores e luminosos que veio
assistir Allan Kardec renascer na França, por ordem de Jesus - que presidiu sua
vinculação à carne - arejou o ambiente espiritual da cidade e eles, dando-se as
mãos luminosas, formaram um círculo no espaço, cantando um hino de gratidão aos
céus, por ter dado início à profecia do Evangelho na Terra, anotada por João no
Capítulo 14, versículos 16 e 17 do Evangelho. E quando pronunciaram, em coro, o
Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens, ouvia-se um brando choro
de criança, que mais parecia um grito de liberdade.
Espíritas
de todo o mundo! A chegada de uma grande alma, como a de Allan Kardec, ao
planeta não quer dizer que vocês já são Espíritos salvos e livres. Pelo
contrário, tornamo-nos com ele, mais carregados de responsabilidades, por
reconhecermos a nós mesmos e os nossos deveres para com a vida. A Doutrina
Espírita constitui uma dádiva dos Céus, de modo que nos coloca na posição de
alunos conhecedores do seu Mestre que nos fornece todos os meios de nos
libertarmos por nós mesmos, o que já representa a maior ajuda de Deus para
conosco.
Se
não fosse a vinda do Consolador prometido por Jesus, grande parte da humanidade
estaria prestes a ser fulminada pelo materialismo petrificante; a razão não
encontraria soluções para suas interrogações e certamente não ouviria os
convites do coração para o amor e a caridade. A Doutrina dos Espíritos, tanto
para encarnados quanto para desencarnados, assinalou novos horizontes na vida,
e é através dela que os homens estão avivando a certeza mais profunda da
continuação da vida além-túmulo.
O
Espiritismo tem a sagrada missão de acender nos corações e nas inteligências
dos seres a vontade indomável de conhecer Jesus Cristo e segui-Lo; de respirar
o mesmo clima do Evangelho nascente, nos difíceis e longos caminhos da Terra. É
evidente que o espírita deve se esforçar na sua autotransformação, colocando em
função os preceitos adotados pelo Senhor, quando em trânsito pela Terra, isso
porque a alma elevada fala mais pelo exemplo propriamente dito, do que pela
palavra.
Espiritas,
vocês são chamados para uma inestimável missão: a de salvarem a si mesmos, de
corrigirem seus próprios defeitos, de estimularem o bem nos seus próprios
caminhos e só o poderão fazer com segurança se derem as mãos ao Cristo, que
lhes fala através da Doutrina Espírita. Vocês têm a obrigação de serem
moralizados, sem impor moralização aos outros. Têm, por dever de consciência,
que serem caridosos, sem exigir caridade para com vocês, têm compromissos com a
própria evolução, com o tempo e com Deus, de reformar-se todos os dias,
naqueles pontos em que a razão e o coração indicarem que estão fracos, em
comparação com os conceitos ensinados e vividos por Jesus, nas divinas páginas
do Evangelho.
Lembrem-se
de que são iguais a quaisquer outros Espíritos criados por Deus, mas que, como
espíritas, começam a conhecer a verdade e a si mesmos. Apesar disso, meus
irmãos, não pensem e não deixem que a vaidade os estimule a pensar que estão
salvos e que todos os outros estão na retaguarda evolutiva.
Espíritas,
Espíritos superiores existem em todas as camadas humanas, em todas as
religiões, em todas as filosofias, em todas as ciências. Todavia, é nas
claridades da doutrina codificada por Allan Kardec que se encontram os meios
mais inteligentes, senão as melhores lições, pelas quais entendemos melhor a
Deus, a Cristo e a nós mesmos.
Verbo se fez carne, na alta expressão, para anunciar a soberania de Deus, a existência dos anjos e a vida eterna de todos nós, colocando-nos com frequência em comunicação com aqueles que ficaram no mundo, e dando a eles a certeza mais aguda da nossa sobrevivência depois do fenômeno da morte, esse Verbo, nos albores da civilização da Terra, potencializou-se e fez-se papel, que foi usado como veículo divino, no sentido de instruir e consolar a massa humana.
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| Imagem gerada por IA. |
Quis demorar-se contigo, quando me procuraste pedindo luz.
Perdoa-me se não pude mergulhar o pensamento de imediato, em tuas cogitações.
Falavas dos mundos superiores e indagavas pelo destino; exaltavas a Ciência e citavas a História.
Discutias os problemas sociais com tanta beleza que, em verdade, aspirei a sentar-me ao teu lado para ouvir-te todas as confidências.
Entretanto, por mais me detivesse em tua palavra, trazia no coração os gritos reiterados de quantos me chamavam, impaciente.
Não sei se chegaste a ver as mulheres enfermas e as crianças esfarrapadas que choravam, junto de nós, invejando os cães de luxo que passavam de carro...
Decidia-me a comentar os temas que me propunhas, quando notei a dama bem posta, repreendendo o homem cansado que esmolava na rua e corri a vê-lo. Envergonhando, o infeliz debatia-se em pranto. Amparei-o como pude e segui-lhe o passo, encontrando-lhe a companheira a gemer num montão de lixo, aguardando a morte. O menor dos seis pequeninos que a rodeavam, cravava nela o olhar ansioso, esperando o leite que secara no peito. A pobre mãe fitava-me agoniada, como me pedir lhe reavivasse os seios desfalecentes... Nisso, vir-lhe o esposo desesperado intentando morrer... Entreguei-os aos vizinhos, tão desditosos quanto eles mesmos, e depois de acalma-los, no bálsamo da oração, volto a ver-te.
E agora, a ti que me buscaste as mãos rogando conhecimento, estendo igualmente as minhas, a suplicar-lhe migalha de auxílio para aqueles que esmorecem de fome e pranto.
Vem comigo e não te dês a longas indagações! Ajudando aos que sofrem, seguiremos Cristo que dizemos amar e, decerto, que a luz te abençoará em silêncio, porque Ele próprio, como outrora, te repetirá no júbilo do serviço: “Aquele que me segue não anda nas trevas”.