sábado, 1 de agosto de 2026

Maledicência

Maledicência

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

Espinho cruel a ferir indistintamente é a palavra de quem acusa; cáustico e corrosivo é o verbo na boca de quem relaciona defeitos; veneno perigoso é a expressão condenatória a vibrar nos lábios de quem malsina; lama pútrida, trescalando fétido, é a vibração sonora no aparelho vocal de quem censura; borralho escuro, ocultando a verdade, é a maledicência destrutiva.

A maledicência é cultura de inutilidade em solo apodrecido.

Maldizer significa destruir.

A verdade é como claro sol. A maledicência é nuvem escura. No entanto, é invariável a vitória da luz sobre a treva.

O maledicente é atormentado que se debate nas lavas da própria inferioridade. Tem a visão tomada e tudo vê através das pesadas lentes que carrega.

A palavra malsinante nasce discreta, muitas ve. zes, para incendiar-se perigosa, logo mais, culminando na calúnia devastadora.

Não há desejo de ajudar quando se censura. Ninguém ajuda condenando.

Não há socorro se, a pretexto de auxílio, se exibem as feridas alheias à indiferença de quem escuta.

*

Quanto possível, extingue esse monstro da paz alheia e da tua serenidade, que tenta dominar-te a vida.

Caridade é bênção sublime a desdobrar-se em silencioso socorro.

Volta as armas da tua oração e vigilância contra a praga da maledicência aparentemente ingênua, mas que destrói toda a região por onde prolifera.

Recusa a taça venenosa que a observação da impiedade coloca à tua frente.

Desculpa o erro dos outros.

É muito mais fácil informar-se erradamente do que atingir-se o fulcro da observação exata.

As aparências não expressam realidades.

A forma oculta o conteúdo. Ninguém pode julgar pelo exterior.

Quando vier a tentação de acusar e apontar defeitos, lembra-te das próprias necessidades e limitações e, fazendo todo o bem possível ao teu alcance, avança na firme resolução de amar, e despertarás, além das sombras da carne por onde segues, num roteiro abençoado onde os corações felizes e livres buscam a Vida Verdadeira.
NOTA — Tema para estudo: O Livro dos Espíritos - Parte 2º - Cap. IX - Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas.
Leitura complementar: O Evangelho Segundo o Espiritismo — Cap. X - Não julgueis para não serdes julgados. — Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado. - Itens 11/13.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Lampadário Espírita

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Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
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- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

A joia

A joia

Hilário Silva


Imagem gerada por IA.

 I

No grande transatlântico em que cento e oitenta pessoas seguiam da América do Sul para a América do Norte, dentre as quais cento e dez brasileiros, o Sr. Zenóbio de Carvalho era cavalheiro dos mais simpáticos. Prestativo. Cordial. Sempre um sorriso bom, distribuindo coragem.

Acompanhava uma filhinha de quatro anos para tratamento de saúde em Nova York e, com o rosto já coberto de rugas, dava a ideia de sessenta anos de idade, quando ultrapassara apenas as faixas dos quarenta.

Exteriorizava, porém, tamanho encanto na convivência, que se tornara por todos estimado.

Entretanto, Carvalho, conhecido como distinto comerciante no sul brasileiro, estava preso a um hábito forte.

Toda manhã e toda tarde era visto no tombadilho compulsando livros espíritas.

Ninguém dava a isso maior interesse, menos o velho professor Marques Botelho, que não ia com semelhante atitude.

E todas as vezes que o negociante saía da cabina para ler diante do mar, o educador tomava uma das obras de Hemingway, que andava recordando para familiarizar-se com o inglês, e postava-se em outra poltrona, ao lado dele, como em desafio, a baforar fumaça espessa, pelo cachimbo encastoado de prata.

II

Às vésperas do desembarque, reuniram-se todos os viajantes no salão de festas, para o lanche em comum.

Carvalho chegou, como sempre, conduzindo um livro espírita e, porque as circunstâncias o colocassem renteando com o cordial adversário, o professor, em meio à festa, apontou o volume, com antipatia evidente, e falou, em voz alta:

- Sinto ojeriza especial por tudo quanto se relacione com Espiritismo...

- Ora, ora, mas por quê? – indagou Zenóbio, humilde.

- Há precisamente vinte e dois anos – comentou o educador -, estive em Buenos Aires, estudando a instrução na Argentina, e hospedei-me com um amigo na rua de Córdova, onde me roubaram precioso anel de brilhantes, lembrança de minha mãe. Meu amigo viu o vulto do ladrão que desapareceu numa construção próxima, onde se praticavam sessões espíritas. Providenciamos a inquirição policial. O bando espírita esteve detido, mas tudo em vão... Desde essa época, não vou com essa droga...

O negociante ruborizou-se e respondeu:

- Sinto-me realmente numa hora de testemunho. Devo confessar que, em minha mocidade, fui ladrão, mas, há vinte anos, após um roubo por mim praticado, alguém se compadeceu de minha juventude viciada e colocou-me nas mãos uma obra de Allan Kardec. Reformei-me. Compreendi que a vontade cria o destino e sou hoje outro homem...

- Oh! Oh!...

Exclamações explodiam de todas as bocas.

- Sr. Carvalho – aparteou o catedrático -, não tive a intenção de ofendê-lo... Não tenho simpatia pelo Espiritismo, mas não creio que o senhor tenha errado alguma vez. Perdoe-me.

Mas Zenóbio, agora sorrindo sereno, enfiou a mão no bolso interno do paletó e arrancou de lá um anel e entregou-o ao educador, exclamando:

- Fui eu que lhe furtei a joia, em Buenos Aires. Há vinte anos eu a trago no bolso, para devolvê-la ao legítimo dono.

Num rasgo de imenso valor moral, fitou os circunstantes e acentuou:

- Creiam que hoje é um dos mais belos dias de minha vida...

E terminou, ante o emocionado silêncio de todos:

- Graças a Deus!

Hilário Silva do livro:
Almas em Desfile de Chico Xavier / Waldo Vieira
Hilário Silva é o pseudônimo de um estudioso e aplicado Espírito por intermédio do Espírito André Luiz, de quem foi parceiro de trabalho e estudo para assistência aos irmãos habitantes das regiões umbralinas. Desde o início de sua participação na divulgação do ideal espírita, Hilário Silva compreendeu a necessidade de renovação que a popularização da Doutrina demanda, exige novas formas de pensamento para apresentar e ensinar os caminhos para transformação justa da vida. Autor de diversas obras ditadas a partir do mundo espiritual, como Almas em Desfile e A Vida Escreve, editadas pela FEB.
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Tudo renasce (Editorial)

 Tudo renasce (Editorial)

J. Herculano Pires


Imagem gerada por IA.

A natureza oferece-nos a lição permanente da ressurreição.

ida é uma sucessão de ciclos. Nada morre. Nada se acaba. 

Tudo volta na morte aparente e na ressurreição permanente. 

Acontece com os homens, que vão e voltam, na sucessão das gerações.

Os pregoeiros da vida única, condoídos da morte intuitiva, querem separar o homem da natureza, torná-lo criatura marginal na obra de Deus. Mas Deus nos ensina, a cada momento, que nada se acaba, que tudo se renova.

Deus planta-nos os signos das coisas, a ressurreição do dia e da noite; as estações do ano, dos séculos e dos milênios; o ritmo dos vegetais; o ciclo das águas; a rotação da Terra e dos astros.

Tudo nos lembra a renovação constante da vida que jamais perece. A relva rompe-se nas calçadas de pedra e nas lajes dos túmulos. É a vida que renasce triunfante, negando a morte.

A linguagem simbólica de Deus na natureza adverte-nos que nada se acaba, que tudo se transforma, num impulso da evolução.

Uma estrela apaga-se no céu e outra nasce. Mas a visão espiritual, no seio de todas as grandes religiões, proclama em todo o mundo a ressurreição do homem, após a morte, ressuscitando o Espírito, como ensina o apóstolo Paulo, através da reencarnação.

Há duas formas de ressurreição: morremos na Terra para ressuscitarmos na vida espiritual; morremos no mundo dos Espíritos para nascermos no mundo dos homens. Cada nascimento na Terra é uma ressurreição na carne.

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, essa é a lei”, proclamou Kardec. Hoje o problema da reencarnação é um problema da Ciência, da investigação científica, nos maiores centros culturais do mundo. Nas universidades americanas e nas universidades russas, no ocidente e no oriente, os cientistas pesquisam a reencarnação.

Você crê na reencarnação? Não perca tempo, a reencarnação não é mais uma questão restrita. Estude o problema. Pergunte a você mesmo se é lógico, se é admissível, que tudo renasça, menos o homem. Por que motivo o homem, a mais alta conquista da evolução em nosso Planeta, seria o único ser, a única coisa destinada a perecer quando nada perece?

A cada minuto que passa, entramos no amanhã. A cada passo que damos, o passado fica para trás; estamos na grande viagem do tempo sem fim. O momento presente é o encontro entre o passado e o futuro. Quem se agarrar ao passado perderá a sua vida, a vida atual, o momento presente, carregado de oportunidades para o futuro. Não seja um retrógrado. Abandone na estrada o baú das velharias. Olhe para frente e marche para o mundo.

Mas não pense que o passado esteja perdido. Nada se perde, tudo se transforma. É do passado que nasce o presente.

É do presente que nasce o futuro. Pense bem nisso. Ontem construímos o futuro de hoje. Hoje estamos preparando o que seremos amanhã.

Não lamente o passado e não tenha medo do amanhã.

Na verdade, o amanhã está em suas mãos, você pode fazê-lo como quiser. Um amanhã carregado de folhas mortas ou de um verde florido, como a primavera; feche os olhos um pouco e se lembre de ontem. Veja bem: foi no ontem que você preparou o hoje. Tudo de bom que você fez ontem é a alegria e a bondade no hoje que você está vivendo. Tudo de mal que você fez ontem é a maldade do hoje que lhe atormenta.

Tudo o que você fez hoje vai modelar, daqui a pouco, o amanhã, o que você será amanhã, que chega a cada instante.

Nada se perde. Tudo se transforma, em nossas mãos. Não tenha medo de você. Pense no Mestre e Senhor. Porque Ele disse: “Quem se apega à sua vida, perdê-la-á. E quem a perder por amor de mim, encontrá-la-á.”

Guarde no caminho o baú das velharias. O caminho de hoje está cheio de esperanças. Colha no hoje as flores do amanhã. Não alimente as nuvens de desgraça e da maldade, porque elas se acumularão no seu horizonte, ameaçando temporais. Pense no céu azul que lhe espera, além da linha do horizonte. E marche confiante para o amanhã.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã (Editorial)

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Atenda ao serviço

Atenda ao serviço

Marco Prisco

Imagem gerada por IA.
"578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão? Sim, se não for um Espírito superior." (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
Embora as dificuldades que obstaculizam a caminhada, confie e coopere com o bem.

Em toda parte você será constrangido à luta, se deseja seguir adiante.

Medite em suas dores e recolha o fruto do sacrifício, continuando o compromisso com o Senhor.

Não deixe, assim, que o desânimo caminhe com você porque o auxílio dos outros não se ofereça a ajudá-lo.
Falam dos seus atos? Renove-se e prossiga.
Duvidam da sua honra? Aprimore-se e avance.
Dilapidam o seu caráter? Trabalhe e continue.
Perturbam a sua paz? Insista no bem e ajude.
Trabalham contra as suas intenções? Silencie e ore.
Combatem os seus esforços superiores? Porfie e siga.
No solo humilde e produtivo, filetes de água, procurando vitalizar a vegetação, muitas vezes embebedam as raízes; vermes encarregados de facilitar a aeração das camadas subterrâneas devoram o sustentáculo das plantas.

Sobre a terra, insetos que conduzem o pólen fecundante, não raro estiolam a flor; a luz solar, que vivifica constantemente, também mata; e a chuva que alimenta é a mesma que aniquila...

No entanto, apesar de tudo, a plantinha débil não se atemoriza. Quanto pode, insiste no seu mister de crescer até se transformar em vigoroso arvoredo, vencedor das tempestades, a fim de oferecer amparo, flor e fruto.

Faça o mesmo, seguindo-lhe o exemplo.

A dificuldade é clima de todo lugar onde o trabalho se desenvolve.

A ignorância é adubo fecundante à espera de assistência e movimentação para o sagrado objetivo da evolução.

Não se detenha quando a maldade dos outros seguir ao seu lado.

Lembre-se do Mestre Incorruptível.

Aproveite o ensejo e deixe brilhar a luz das suas intenções em tarefas de bem servir.

O campo imenso dos corações humanos aguarda as suas mãos para a obra da felicidade geral.

Sirva, passe e, confiando, una-se à caravana dos servidores anônimos que o Céu tem na Terra e a Terra colocou no Céu; alargue os horizontes da alma e renove o mundo com a renovação da sua própria vida.

Estará, assim, atendendo ao serviço que, em última instância, é sempre do Senhor, sem falir, candidatando-se à abençoada posição de "um Espírito superior".

Marco Prisco por Divaldo Franco do livro:
Legado Kardequiano

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