quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Aflições e livre-arbítrio

Aflições e livre-arbítrio

Joanna de Ângelis


Ao simples prenúncio do sofrimento logo te insurgiste contra Deus, assumindo uma posição rebelde e tomando uma atitude derrotista. Quando foste, então, colhido pelos problemas, comezinhos, aliás, e a todas as criaturas comuns, blateraste: "Deus me esqueceu!"

Convidado a uma mudança de comportamento sob o impositivo da dor, exteriorizaste a irritação, gritando: "Deus me abandonou!"

Instado ao crescimento espiritual e ao valor moral mediante a complexa engrenagem das provações redentoras, estertoraste com violência: "Deus está de mal comigo!"

Açodado pelas injunções do pretérito espiritual e pela aflição impelido à meditação, estrugiste: "Estou de mal com Deus!"

Surpreendido pela lei natural das condições humanas, que se estribam nas ações passadas de cada espírito em crescimento, a expressar-se em dificuldade e luta contínua, arrazoaste, finalista: "Deus morreu para mim!"

As tuas são reações emocionais infantis, que denotam a necessidade premente que tens de mais dores e mais aflições, a fim de organizares o mapa de crescimento e de burilamento interior.

Todas as criaturas ascendem ao bem mediante os contributos da experiência, na incessante luta a travar dentro de si mesmas.

Ninguém que transite na Terra aquinhoado por um regime de exceção. A ganga, a impureza das gemas preciosas é retirada a golpes de escopros rudes e resistentes. As arestas são sempre arrancadas através de hábeis esforços e de técnicas apuradas.

Imprescindível preservar o interior, de modo a preencher a finalidade a que se destina.

As aflições têm suas causas atuais no mau uso do livre-arbítrio, por impositivo do egoísmo individual.

A escolha errônea de comportamento gera as conseqiiéncias lamentáveis para a retificação.

Entre uma e outra atitude a tomar, a livre opção traçará o destino feliz ou desventurado de quem a elege.

As causas anteriores das aflições se fixam nas experiências malogradas, nas reencarnações anteriores, decorrência, ainda, do livre-arbítrio utilizado erroneamente.

Em ti, portanto, os fatores causais das dores que te cumpre vencer a qualquer esforço.

Sem te deteres na rebeldia contumaz ou na dureza dos sentimentos apaixonados, aplica-te a produzir causas novas impeditivas de aflições. Assim, à medida em que resgatares as passadas, encontrarás os abençoados frutos da nova sementeira aguardando por ti, um pouco mais à frente.

Não procrastines os deveres nobres.

Um minuto de atenção a alguém angustiado poderá evitar-lhe o inditoso autocídio.

Uma observação gentil, quando convidado a opinar, certamente se fará valiosa junto aos que esperam ajuda.

Um gesto de simpatia, esquecendo o mal estar íntimo, criará solidariedade e interesse em tua volta.

Quantas coisas poderás fazer e de quantos recursos poderás dispor, se quiseres!

Muitas vezes tens dificuldade em discernir para acertar.

Não te olvides, porém, que as leis de Deus estão escritas na consciência de cada ser. Consulta-a, honestamente, e esta te responderá com segurança.

Se perdurar a dificuldade para que logres a opção feliz, ergue-te pela oração ao Senhor, suplicando-Lhe claridade mental. Ele te inspirará a gerares hoje as causas ditosas, a fim de não seres surpreendido por novas e futuras aflições.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Boa vontade

Boa vontade

Meimei


Imagem gerada por IA.

Finalizando as nossas tarefas da noite de 20 de janeiro de 1955, foi Meimei quem nos trouxe o reconforto de sua palavra. Expressando-se com o carinho que lhe assinala as manifestações, falou-nos sobre os méritos da boa vontade.

O Sol é a força que nutre a vida na Terra.

A boa vontade é a luz que alimenta a harmonia entre as criaturas.

Acendamo-la no coração para caminhar com segurança e valor.

No lar, é chama atraente e doce.

Em sociedade, é fonte de concórdia e alegria. Onde falha o dinheiro e onde o poder humano é insignificante, realiza milagres.

Ao alcance de todos, não a desprezemos.

Em todos os lugares, há chagas que pedem bálsamo, complicações que rogam silêncio, desventuras que esperam socorro e obstáculos que imploram concurso amigo.

Muitos aguardam lances públicos de notabilidade e inteligência, no cultivo da caridade, acabando vencidos pelo tempo, entre a insatisfação e o desencanto.

Sejamos nós soldados diligentes no exército do bem, anônimos e humildes, atravessando os dias no culto fiel à fraternidade.

O ódio e a ignorância guerreiam com ímpeto, conquistando no mundo o salário da miséria e da morte.

O amor e o serviço lutam sem alarde, construindo o progresso e enaltecendo a vida.

Com a boa vontade, aprendemos a encontrar o irmão que chora, o companheiro em dificuldade, o doente infeliz, a criança desamparada, o animal ferido, a árvore sem proteção e a terra seca, prestando-lhes cooperação desinteressada, e é por ela que podemos exercitar o dom de servir, através das pequeninas obrigações de cada dia, estendendo mãos fraternas, silenciando a acusação descabida, sofreando a agressividade e calando a palavra imprudente.

Situemo-la no princípio de todas as nossas atividades, a fim de que as nossas iniciativas e anseios, conversações e entendimentos não se desviem da luz.

Lembremo-nos de que a paz e a boa vontade devem brilhar em nossos triunfos maiores ou menores com o nosso Divino Mestre.

É por isso que o Evangelho no berço de Jesus começa com a exaltação inesquecível das milícias celestiais:

"— Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens."

Meimei por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Estrada Solitária

Estrada Solitária

Eros


Imagem gerada por IA.

Porque não te testemunhem gratidão,
Os que se fazem beneficiários dos teus sacrifícios; 
Porque não te retribuam com carinhos 
Ao teu devotamento pelo bem;
Porque experimentes soledade na marcha,
Não te deixes sucumbir nos empreendimentos abraçados...

Ninguém saberá identificar-te a grandeza
Quando transite pela via asfaltada
Que as tuas mãos trabalharam.
Ou avance pela rota que clareaste,
Vencendo as sombras.
Dificilmente, quando se contempla um jardim que esplende beleza.
Alguém procure saber das mãos que sulcaram o solo.
Transformando a gleba rude
Em poema de cor e de perfume.

Poucos se darão conta, no edifício luxuoso,
Do operário que fixou os alicerces nas pedras fortes
Para que a segurança proporcionasse paz...
Todavia, o obreiro da ação operante sabe,
Tem consciência do que fez e do que faz
Sem importar-se com nada mais.
Sementeira é dever
Que todos assumem
Com espontânea vontade cada dia, a toda hora.
Pelo caminho do tempo.
Colheita é resultado que aguarda, que se enflora.

Mesmo os construtores da Humanidade,
Gênios, santos, cientistas.
Artistas de nomeada
Não obstante requestados, sofrendo invejas, em contínuas solicitações
Viveram e vivem a sós.
A gratidão, no mundo.
Normalmente ruidosa
É de curta duração.

Estrada afora trabalhador do bem
Não te desalentes.
Bem-aventurado desconhecido!
Operário do amor!
Não cesses de produzir Semeia e semeia alegrias.
Acende esperança na noite do desânimo.
Distribui pão na escassez.
Doa paz nos conflitos.
Esparze coragem onde medre o medo.
Faze o bem pelo prazer de o fazer.

Certamente, na tua estrada solitária.
Sob a ardência dos sofrimentos.
Diante das perturbações e anseios.
Cravado de angústias,
Mas perseverando.
Sob o açodar de todos os padecimentos teus,
Não te detenhas no mal nem te abatas.
Estarás apoiado, seguindo no rumo certo, sob o carinhoso amparo de Deus.

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Os complementos da palavra

Os complementos da palavra

Alberto Seabra


Imagem gerada por IA.

Não raro imaginamos que somente se incrimina alguém na conversação, quando pormenorizamos referências descaridosas e gritantes. Mas a realidade é bem outra.

O cáustico da maledicência, o fogo da calúnia, o miasma do pessimismo e o visco do desânimo, nem sempre exigem verbo sonoro para se darem a conhecer, envenenando a vida.

Quantos crimes são consumados "lavando-se as mãos", usando-se o desprezo mudo, arruinando-se o bem através de ademanes sutis, quando a língua dormita no leito da boca?

Dependendo das circunstâncias e dos lances da frase, os acessórios da palavra dizem, vezes e vezes, muito mais e com maiores efeitos do que toda uma acusação bem urdida.

Analisa os complementos da linguagem falada que te envolvem
e te acompanham:

O silêncio intencional, após a alusão alheia ao valor de outrem.

A mímica irônica de breves segundos a expressar descortesia.

O sorriso de cepticismo com respeito aos préstimos dessa ou daquela instituição.

O rápido muxoxo nos apontamentos em torno de um livro.

O menear de cabeça, aparentemente inofensivo, a valer por sorrateira condenação.

O gesto de enfado ou de crítica, relativo à tarefa em pauta.

A expressão facial interrogativa, mostrando pretendida inocência na consideração de um problema.

O olhar reticencioso de descrença, quanto à veracidade de um
fato.

O movimento espontâneo de negação, traindo intentes secundários na prestação de informes, supostamente sinceros.

O simples ar de dúvida depreciativa, no comentário acerca do
companheiro.

Enquanto aí estamos, imersos nos fluidos da matéria densa, relacionamos tais atitudes por bagatelas. Entretanto, quando transpomos os portais da morte para renascer no clima da vida verdadeira, reconsiderando os passos vividos, é que atilamos com a extensão de sua importância, em nossos destinos.

Observando os sentimentos que porejam do corpo espiritual, através da aura, reconhecemos que, a rigor, ninguém consegue ocultar intenções, sejam as mais profundas.
Fluidos e vibrações, a dimanarem do ser, falam mais alto que discursos e votos articulados pela língua.

Disciplinemos os complementos de nossa palavra, aplicando-os, quanto possível, em favor do bem de todos.

Vigilância e severidade para nós mesmos, bondade e tolerância
para com os outros.

A percuciência da Lei Divina é superior à mais subida perspicácia da mente humana.

Exagerando os erros e os defeitos de alguém, agravamos consequentemente as nossas próprias faltas e imperfeições, pois seremos julgados conforme houvermos julgado o próximo.

Clareemos as manifestações com a luz da indulgência, guardando dentro e fora de nossas almas a lição sempre viva:

— "Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia."

Alberto Seabra por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de Volta

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