Extremismos religiosos
Carlos Imbassahy
De quando em quando, as criaturas recebem fragmentos da revelação divina, por intermédio de Mensageiros Superiores, e estes fragmentos formam, em regra, o conteúdo das religiões. Em breve, muitos dos seus princípios se confundem de tal jeito com os erros, as mistificações, as falsas concepções humanas, que não se lhes descobre o veio originário.
É isso que procuramos esclarecer em parte.
Digamos, de começo, que não nos move qualquer desejo atacar ou menosprezar os sentimentos religiosos de nossos semelhantes; não possuímos a menor animosidade contra as religiões e muito menos contra àquela que foi de nossos pais. Apenas não nos colocamos no ponto de vista dos que seguem, em geral, uma doutrina religiosa, e que se mantêm na intransigência sectária, na aceitação incondicional de princípios, quaisquer que eles sejam, na repulsa imediata a qualquer ideia, desde que ela possa ou pareça ir de encontro aos dogmas e pontos de fé estabelecidos.
Pior ainda que o emperrar, mesmo no absurdo, é a perseguição às crenças alheias, quando não aos próprios crentes. É a maldição, o labéu do herege, energúmeno ou condenado aos que não lhes seguem a trilha. Estas é que são as faltas lamentáveis que não podemos deixar de verberar, não só por infringirem elas os princípios cardeais da fraternidade, como por se tornarem um obstáculo ao progresso espiritual, tão necessário à evolução da criatura.
M. Sage lembra o seguinte caso:
Em suas primeiras sessões, George Pelham, Espírito, pediu para ver o pai. O velho Pelham foi avisado imediatamente e não fez como aquela dama italiana, cuja história lia eu recentemente na excelente Revue des Études Psychiques de Cesar de Vesme.A filha dessa senhora, morta havia pouco, pretendia manifestar-se por um médium e pedia chamassem sua mãe. Esta, quando lhe comunicaram o pedido, em vez de acorrer ao chamamento da filha, foi solicitar permissão do seu confessor. Imagine-se o que respondeu o santo homem: - Estas manifestações provêm do demônio; uma mulher piedosa e submetida à Igreja não se vai entreter com tão perigoso personagem. A grande dama, então, fez saber que ela não podia ir.
Esse ponto de vista do confessor, como a de tantos quantos por aí que existem, é mais ou menos justificável, porque se trata de um ato de defesa. Não pode, porém, ser este o interesse dos espíritos emancipados, que coloca acima dos estreitos limites impostos pela religiosidade sectária, a pesquisa da verdade.
O mesmo autor nos diz, a propósito das excomunhões lançadas pelos religiosos de vários matizes:
Stainton Moses não sabia nada de Espiritismo. Se dele tivesse ouvido falar vagamente, apressar-se-ia sem dúvida a abater essa nova superstição que arrebataria as ovelhas de seu rebanho. Porque há que notar o seguinte: todos os ministros de todas as religiões que separam a nossa pobre humanidade, esmagam com o nome de superstição grosseira tudo o que não participa do seu próprio corpo doutrinário; cada um deles se crê iluminado pelo sol da verdade, enquanto todos os que não professam suas opiniões erram nas trevas da mentira.
Não são as religiões que pecam, mas os extremismos religiosos; o mal nem sempre está na fé, mas na intolerância, na acrimônia, na imposição da fé, com prejuízo do esclarecimento das consciências.
Mantemos essa atitude franca de pesquisa, o direito de opinar, o dever de crítica, a liberdade de refletir, mesmo entre os nossos irmãos em crença. Nem sempre temos sido felizes, que essa nossa independência nos tem custado, além de objurgatórias e censuras, até represálias.
Bem sabemos quanto é precário o entendimento humano, quanto é arraigado o espírito de seita, como é fraco o espírito filosófico, como é persistente a tendência para se firmarem os seres em determinados princípios onde não há firmeza nenhuma. A lógica não é material encontradiço e por isto não está barateada no mercado das inteligências. Tanto que o indivíduo se afasta do currículo das ideias, das proposições de grupo, das convenções, ou de doutrinas pessoais sem qualquer alicerce, é logo mal visto e posto à margem como rês contaminada.
Convém notar, enfim, que nem sempre uma controvérsia ou uma opinião fora dos paradigmas convencionais é isenta de perigos. Há indivíduos que não podem ser contrariados. Qualquer dúvida, por mais justificada que esteja, em referência a qualquer de suas afirmativas, ou se irrita e pode produzir uma rajada de impropérios, senão coisa pior. Eles passam do argumento verbal ao argumento braçal, o que não é nada interessante.
Não é nesta liça que nos empenhamos. É de esperar que o caminho esteja franco para uma explicação cortês, haja vista que a única arma que possuímos é a da razão e o único escopo a que miramos é o esclarecimento do assunto em foco.
Carlos Imbassahy do livro:
A Evolução
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