quarta-feira, 4 de março de 2026

Cantoria do progresso

Cantoria do progresso

Leandro Gomes de Barros



Este improviso de hoje
Nem sei mesmo se começo,
Quando a estrada é de ciência,
Onde não caio, eu tropeço,
Amigos querem que eu faça
A cantiga do progresso.

Só se conserva um criado
Quando mostra serventia,
Se meus patrões é que mandam,
Não fujo da cantoria,
Deus me perdoe se obedeço
Cantando por teimosia.

Sei tanto de evolução
Quanto o burro da carroça,
Ou quanto o pingo de areia
Entende de maré grossa,
Por isso, ninguém critique
A minha lira da roça.

Olhando o mundo de hoje
Com tanta briga e fuá
No povo correndo aqui,
Depois correndo acolá,
Se há plantação de progresso,
Não sei o fruto que dá.

Na casa de antigamente,
Assim que o Sol se escondia,
Enxada e engenho paravam,
A gente se reunia,
A paz marcava a oração
Na hora da Ave-Maria.

Hoje em dia, a barulhada
Não se sabe quando cessa,
Ninguém quer ouvir alguém,
Sossego não interessa,
É quase toda pessoa
Dependurada na pressa.

Existia, em outro tempo,
Serenata à luz da Lua,
Modinhas de violão,
Tranquilidade na rua,
Mas agora, em muita festa
Aparece gente nua.

A pinga sempre foi brasa,
Ninguém nega que isso havia,
Mas hoje é povo demais
Em loucura e fantasia,
Comprimidos e erva brava
Matando a muitos por dia.

Embora a proibição
No regime mais severo,
Em qualquer dor de cabeça
Que passe um pouco de zero,
Muita gente grita logo:
“Bolinha pra que te quero!...”

A gente gastava tempo
Andando a pé nos gerais,
Hoje avião vence em horas
Distâncias descomunais,
Mas se um deles cai no chão,
Mata cem e, às vezes, mais.

Em outro tempo, de noite,
Luz era quase visagem,
Agora, os focos no alto
Clareiam qualquer paisagem
E quanto mais luz brilhando,
Mas força na malandragem.

Arroz e milho pilados
Criavam pratos de monta,
Hoje as máquinas produzem
Primores de mesa pronta,
Mas deixam, por onde servem,
Desastres que ninguém conta.

Hoje em dia, há tanta escola
Quanto a riqueza se expande,
No entanto, por mais polícia
Que nos vigie e comande,
Não há cadeia que chegue
Para os irmãos de mão grande.

De grandeza e evolução
Por muito a Terra se gabe,
O que se anota é capricho
Mesmo que a ordem desabe,
Se agitação é progresso
Só Deus, no Céu, é que sabe.

Leandro Gomes de Barros por Chico Xavier do livro:
Excursão de Paz

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