quinta-feira, 4 de junho de 2026

Definição Espírita

Definição Espírita

Lins de Vasconcellos


Divaldo Franco e Lins de Vasconcellos

Dilatam-se-nos as oportunidades de serviço que nos não compete adiar.

Hoje como ontem chegam-nos os alvitres do Mundo Espiritual, conclamando-nos à inteireza e integridade no labor edificante, através da nossa atuação total e permanente ao lado do Senhor Jesus, que nos rege os destinos.

Não há muito pelejávamos, esgrimindo as armas da razão contra o dogmatismo absconso que dominava em todas as latitudes, impedindo o progresso e o crescimento da verdade na Terra. Em dias primevos, lutávamos ardorosamente pela semeação espírita, investindo contra os códigos arbitrários das leis desonestas e parciais, tentando apresentar a Doutrina como sendo a resposta dos Céus aos veementes apelos da Terra. Nas primeiras horas improvisamos, na praça pública, a tribuna do entusiasmo e reptamos com ardor os adversários gratuitos do Cristo Jesus, oferecendo ensejo para clarificação do mundo através dos postulados que nos foram legados por Allan Kardec. Foi necessário investir contra as paredes da intolerância e abrir brechas nas cidadelas do preconceito para que o Ideal Espiritista pudesse fulgurar glorioso e nobre, iluminando todos os recantos da paisagem humana. Não poucas vezes recebemos a bofetada da zombaria, do escárnio, e a chocarrice dos tíbios chegou até a porta da nossa honra, tentando dilapidar o patrimônio do nosso comportamento e dilacerar, até às entranhas, os painéis sublimes da nossa vida íntima, apresentando-nos, na praça pública dos conceitos, na condição de "miseráveis psicológicos" e de "perturbados da emoção". Noutras ocasiões tivemos os pés feridos pela urze da impiedade e as mãos foram sangradas pela lixa grosseira da intemperança, arregimentadas todas as dificuldades para nos impossibilitarem o avanço, como se diminuindo a força impávida dos idealistas, se pudesse calar a boca do ideal encarregada de disseminar a verdade imortalista.

Em muitas circunstâncias o verbo estrugia em nossos lábios não encontrando acústica nos corações para continuar impoluto, oferecendo a visão longínqua e bela da esplendorosa madrugada da imortalidade. Mas, em momento algum, o desânimo nos tolheu o entusiasmo, o medo nos diminuiu a coragem ou o interesse pessoal nos arrefeceu o espírito de serviço.

Nunca as questões do Cristo ficaram no velador, apagadas, ou sob a nossa comodidade de interesse imediatista para arregimentar paixões que nos levassem à jactância ou que nos conduzissem ao cenário das glórias ilusórias e das emoções de mentira.

Graças a isso, os pioneiros da hora do primeiro século do Espiritismo, que revive o Cristo vivo, conseguiram plasmar em nós, através de nós e para todos nós, no século que se iniciaria logo mais com realizações edificantes, o novo conceito espírita impoluto e granítico, capaz de enfrentar os voos da Ciência e consolar os oceanos das lágrimas dos corações em superlativa aflição.

Chegados ao primeiro século findo de Doutrina Espírita, saímos do gabinete da experimentação mediúnica para o labor da assistência social amplo e largo, fazendo que o Consolador colocasse no seu seio as gerações famélicas, os corpos torturados, as vidas estioladas, as organizações fisiológicas enfermiças, os tombados dos caminhos, Samaritano sublime que se fez, para levar ao albergue da esperança os que caíram entre Jericó e a Jerusalém libertada da Era Nova.

Agora, porém, que se nos alargam as possibilidades de divulgar o espírito do Espiritismo em linguagem condicente com a mentalidade contemporânea, não meçamos esforços para que a unidade doutrinária lobrigue seus fins e para que a obra gigantesca da educação realize o seu profundo desiderato. Jesus foi o mestre por excelência e Kardec o pedagogo por eleição!

*

A Doutrina Espírita é, portanto, a Pedagogia nova para todos nós, desencarnados e encarnados, que saímos das sombras da animalidade para as luzes da inteligência, na direção sublime da intuição libertadora e poderosa da nossa glorificação espiritual.

Pregar pela palavra articulada, pregar pelo exemplo, pregar pela oração silenciosa, pregar pela mensagem escrita são impositivos impostergáveis, intransferíveis, que não podemos adiar, no momento em que o Espiritismo encontra campo preparado para a sua realização histórica, a sua finalidade espiritual.

Transformemos as nossas Casas em Educandários de amor, que sempre devem ter sido, os nossos corações em santuário de misericórdia e porfiemos intimoratos, abrindo os braços a Caridade que desce dos Céus a Terra, e a fraternidade que sai do coração aos corações, num intercambio convidativo e consolador, capaz de nos tornar verdadeiramente espiritas, verdadeiramente irmãos.

Este instante é o de fazer luz, o da nossa definição espírita, o da nossa realização clara e firme, que deixe na historia dos tempos o sulco profundo da nossa integração nas hostes da Doutrina apresentada por Allan Kardec, como sinal inapagável da nossa vitória sobre a morte, sobre o engodo, sobre a inferioridade, sobre nós mesmos, antecipando a nossa ressurreição que já começa, para a nossa penetração na vida estuante que nos espera.

Lins de Vasconcellos por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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