quarta-feira, 10 de junho de 2026

Juntos aos que sofrem

Juntos aos que sofrem

Benedita Fernandes


Imagem gerada por IA.

O expositor da Doutrina Espírita, em geral, e o médium consciente dos próprios deveres, em particular, no exercício do mandato superior da caridade com Jesus, fazem-se instrumento de graves responsabilidades, em considerando as aflições do próximo, que neles espera encontrar apoio espiritual e consolo moral, a fim de ter diminuídas as provações em que se estertora, em face das excelentes diretrizes que dimanam do Consolador.

Enfermidades do corpo e da mente, desequilíbrios da emoção, dramas do sentimento e da consciência, ansiedades injustificáveis ou não e frustrações amesquinhantes são uma constante à volta deles, em rosários de desesperos, rogando-lhes orientação, socorro, solução, ajuda providencial.

O desconhecimento do Espiritismo, por parte dos que choram e anelam por encontrar respostas simples e equações rápidas para as suas necessidades, mais agrava o relacionamento entre aqueles e o companheiro portador de precárias expressões de equilíbrio, como, também, enseja uma ideai falsíssima da função que estes exercem em relação à vida.

Porque lidam e se identificam com relativa facilidade com o Mundo Espiritual, quando não são vistos na condição de charlatães ou inescrupulosos, passam por criaturas sobrenaturais ou especiais, dotadas de poderes de exceção, com que podem a bel-prazer modificar destinos e corrigir erros, a golpes de interferência caprichosa.

Não desejando a maioria dos consulentes submeter-se a um programa de reeducação, quando desorganizados interiormente, ou de educação diante das imposições superiores que regem a vida, nas quais a dor surge como cadinho purificador, supõem que, através do artifício das lágrimas de momento ou dos compromissos de futuros labores beneficentes com vistas ao próximo, conseguirão modificar as paisagens íntimas sombrias e carrear merecimentos instantâneos com os quais se transformarão os quadros dos valores vigentes.

Arrimados aos pieguismos religiosos com que no passado esperavam subornar e submeter a Divina Consciência, transferem-se de crença com a leviandade de quem muda de traje, iludindo-se com as perspectivas de amealhar maior soma de favores espirituais sem a correspondente doação de sacrifício pessoal.

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Não se lhes negando solidariedade nem concurso fraterno, faz-se, porém, imperioso, aclará-los quanto às próprias responsabilidades, bem assim, quanto ao significado dos sofrimentos que os sobrecarregam, tendo-se em vista a legitimidade das leis que regem os destinos, a fim de que compreendam o impositivo da meditação e da oração, superando dificuldades mediante renúncia e paciência em perfeita sintonia com as Entidades Superiores que lhes supervisionam a existência.

Auxiliá-los com a palavra amiga, inspirada no Evangelho de Jesus, sim, porém, não conivir com as suas defecções e erros, dando margem a conceitos inexatos sobre o ministério da mediunidade e da doutrinação.

Atendê-los com o passe restaurador de forças, todavia, impulsioná-los à mudança de atitude perante a vida, para melhor, com que poderão marchar em confiança e paz.

Socorrê-los na desobsessão, esclarecendo os seus inimigos desencarnados, ao mesmo tempo elucidando-os quanto ao esforço pela transformação interior com que se lhes modificarão os clichês mentais, predispondo-os para novos e superiores tentames.

Em qualquer momento e em toda situação manter a atitude de honesta humildade, não deixando que se exteriorizem as próprias imperfeições, as quais, disfarçadas, procuram angariar projeção nas mentes aturdidas, passando como expressões de falsas posições de privilégio de que gozariam na economia moral terrestre, em que todos nos encontramos na condição de espíritos necessitados de elevação, portanto, ainda cheios de mazelas e problemas... Quando as proposituras dos aflitos parecerem mais difíceis de orientar, evitar-se respostas dúbias, desculpistas ou indiferentes, confessando-se as limitações em que se encontram, e, orando por eles com sincero interesse, conseguirão haurir força e inspiração para prosseguir fiéis a si mesmos e a Jesus, que é, afinal, o Excelso Amigo e Benfeitor, que nunca se escusava a compreender, a amar e a servir a todos quantos O buscavam batidos pelas aflições redentoras.

Benedita Fernandes por Divaldo Franco do livro:
Sementes de Vida Eterna

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