Tudo renasce (Editorial)
J. Herculano Pires
A natureza oferece-nos a lição permanente da ressurreição.
A ida é uma sucessão de ciclos. Nada morre. Nada se acaba.
Tudo volta na morte aparente e na ressurreição permanente.
Acontece com os homens, que vão e voltam, na sucessão das gerações.
Os pregoeiros da vida única, condoídos da morte intuitiva, querem separar o homem da natureza, torná-lo criatura marginal na obra de Deus. Mas Deus nos ensina, a cada momento, que nada se acaba, que tudo se renova.
Deus planta-nos os signos das coisas, a ressurreição do dia e da noite; as estações do ano, dos séculos e dos milênios; o ritmo dos vegetais; o ciclo das águas; a rotação da Terra e dos astros.
Tudo nos lembra a renovação constante da vida que jamais perece. A relva rompe-se nas calçadas de pedra e nas lajes dos túmulos. É a vida que renasce triunfante, negando a morte.
A linguagem simbólica de Deus na natureza adverte-nos que nada se acaba, que tudo se transforma, num impulso da evolução.
Uma estrela apaga-se no céu e outra nasce. Mas a visão espiritual, no seio de todas as grandes religiões, proclama em todo o mundo a ressurreição do homem, após a morte, ressuscitando o Espírito, como ensina o apóstolo Paulo, através da reencarnação.
Há duas formas de ressurreição: morremos na Terra para ressuscitarmos na vida espiritual; morremos no mundo dos Espíritos para nascermos no mundo dos homens. Cada nascimento na Terra é uma ressurreição na carne.
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, essa é a lei”, proclamou Kardec. Hoje o problema da reencarnação é um problema da Ciência, da investigação científica, nos maiores centros culturais do mundo. Nas universidades americanas e nas universidades russas, no ocidente e no oriente, os cientistas pesquisam a reencarnação.
Você crê na reencarnação? Não perca tempo, a reencarnação não é mais uma questão restrita. Estude o problema. Pergunte a você mesmo se é lógico, se é admissível, que tudo renasça, menos o homem. Por que motivo o homem, a mais alta conquista da evolução em nosso Planeta, seria o único ser, a única coisa destinada a perecer quando nada perece?
A cada minuto que passa, entramos no amanhã. A cada passo que damos, o passado fica para trás; estamos na grande viagem do tempo sem fim. O momento presente é o encontro entre o passado e o futuro. Quem se agarrar ao passado perderá a sua vida, a vida atual, o momento presente, carregado de oportunidades para o futuro. Não seja um retrógrado. Abandone na estrada o baú das velharias. Olhe para frente e marche para o mundo.
Mas não pense que o passado esteja perdido. Nada se perde, tudo se transforma. É do passado que nasce o presente.
É do presente que nasce o futuro. Pense bem nisso. Ontem construímos o futuro de hoje. Hoje estamos preparando o que seremos amanhã.
Não lamente o passado e não tenha medo do amanhã.
Na verdade, o amanhã está em suas mãos, você pode fazê-lo como quiser. Um amanhã carregado de folhas mortas ou de um verde florido, como a primavera; feche os olhos um pouco e se lembre de ontem. Veja bem: foi no ontem que você preparou o hoje. Tudo de bom que você fez ontem é a alegria e a bondade no hoje que você está vivendo. Tudo de mal que você fez ontem é a maldade do hoje que lhe atormenta.
Tudo o que você fez hoje vai modelar, daqui a pouco, o amanhã, o que você será amanhã, que chega a cada instante.
Nada se perde. Tudo se transforma, em nossas mãos. Não tenha medo de você. Pense no Mestre e Senhor. Porque Ele disse: “Quem se apega à sua vida, perdê-la-á. E quem a perder por amor de mim, encontrá-la-á.”
Guarde no caminho o baú das velharias. O caminho de hoje está cheio de esperanças. Colha no hoje as flores do amanhã. Não alimente as nuvens de desgraça e da maldade, porque elas se acumularão no seu horizonte, ameaçando temporais. Pense no céu azul que lhe espera, além da linha do horizonte. E marche confiante para o amanhã.
J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã (Editorial)
Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã:
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita.
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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.
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