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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A transição da Terra

A transição da Terra

J. Herculano Pires


“Li, em livros, que o eixo magnético da Terra e o eixo geográfico estão se aproximando, para se unificarem, e que em cada cem anos há aproximação de dois graus, entre os dois polos, Norte e Sul. Eu recebi uma explicação, de um professor espírita, de que no momento em que os eixos geográficos e magnéticos da Terra se encontrarem, entraremos no ano 1989, havendo então grandes modificações na estrutura física da Terra, seguidas de terremotos, maremotos, e será o momento em que a Terra iniciará nova evolução, dando fim à era de expiação, passando a Planeta de Regeneração, e quem não conseguir atingir a moralidade e a intelectualidade suficientes, para acompanhar esse novo ritmo de vida, será transmigrado para um planeta inferior e viverá nesse planeta até que consiga superar esta imperfeição, dando fim à era de expiação, passando a Planeta de Regeneração, para dar prosseguimento à sua evolução. Acontecerá como aconteceu com o Planeta Capela, no passado. Essa explicação que recebi é verdadeira, professor?”
A explicação que o senhor recebeu está confusa, misturando elementos que não se ajustam ao Espiritismo. O problema das modificações do eixo da Terra é um problema de ordem astronômica e geológica. É um problema que não pertence ao Espiritismo. 

Espiritismo é a ciência do Espírito. Essa determinação precisa, do ano de 1989, para que se iniciem catástrofes geológicas terríveis, que marcarão indícios do fim do mundo, em nosso planeta, é uma dessas profecias apocalípticas que, através dos tempos, vêm se anunciando e, na verdade, correspondem apenas a processos imaginativos.

É verdade que o planeta vai passar e está passando de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Mas essa transição, como todas as transições importantes que se efetuam na Natureza, processa-se de maneira lenta, através das leis naturais.

O senhor encontrará no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, uma explicação muito interessante sobre esse problema. Quando se falava sobre a transição da Terra, Kardec perguntou aos Espíritos se realmente teríamos que passar por grandes catástrofes geológicas nessa transição. E os Espíritos lhe responderam: Não.

Catástrofes geológicas não, porque elas ocorreram naquelas proporções diluvianas, de que nos fala, por exemplo, a Bíblia.

Elas ocorreram, realmente, até mais intensas, mais profundas, mais terríveis, quando o planeta ainda não estava consolidado, quando o mesmo estava na fase de formação.

Atualmente, a Terra é um mundo consolidado, na sua estrutura.

Um mundo que amadureceu e que está se desenvolvendo, no sentido de prosseguir no caminho do seu aperfeiçoamento. 

Haverá, isto sim – responderam os Espíritos a Kardec –, grandes catástrofes morais, que abalarão os povos, que sacudirão as nações.

Essas catástrofes nós estamos vendo agora mesmo, diante de nossos olhos, no mundo inteiro. Esta profecia, sim, realmente se realizou.

As profecias apocalípticas, referentes a essas catástrofes tremendas, decorrem de processos puramente imaginativos. Basta lembrarmos o seguinte: quando o nosso mundo se aproximava do ano 1000, da Era Cristã, muitas pessoas se suicidaram. Houve verdadeiros processos cármicos entre os povos, não provocados por catástrofes, mas pela ignorância e desespero humanos, porque anunciavam que, do ano 1000 a Terra não passaria. E já passou.

Agora, revocam-se essas lendas. E criam-se novos temores, devido à proximidade da passagem para o ano 2000. Não chegaremos, todos, até ele, mas muitas das pessoas aqui vivas na Terra chegarão. E verão que tudo transcorreu de maneira tranquila, serena, através dos processos naturais da evolução.

Como Kardec ensinou, o mundo evolui através das sucessões das gerações. As gerações que libertarão a Terra dos sistemas errôneos da vida irão desaparecendo, naturalmente. Outras gerações vão surgindo, com novas ideias. Herdeira da cultura adquirida das gerações anteriores, trazem dentro de si mesmas (porque se constituem de Espíritos reencarnados) aptidões bastante desenvolvidas, para renovarem a cultura da Terra e auxiliarem a sua transformação, em todos os sentidos.

Essas gerações, as gerações humanas, construirão na Terra um novo mundo. E, na verdade, já o estão construindo. Nós vemos ao nosso redor que o mundo antigo está em derrocada. A civilização envelhecida está em processo de morte, de agonia, porque uma civilização nova vai surgir. Mas esta civilização nova não surgirá sob o alvorecer das novas gerações, pois estas é que terão a responsabilidade de construir um mundo novo na Terra.

Não se impressione, caro ouvinte, com essas afirmações.

Ninguém na Terra está em condições de fixar data para uma grande catástrofe. É verdade que existe o dom da profecia. Mas existem limites para esse dom. E no tocante ao problema da evolução terrena, de acordo com a Doutrina Espírita, todas essas ameaças são simplesmente imaginárias e absurdas.

Eu quero oferecer ao senhor um exemplar de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Nesse livro, o senhor poderá estudar com firmeza e clareza, o processo da evolução da Terra.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Iniciação espírita

Iniciação espírita

J. Herculano Pires


“Iniciei, há não mais que dois meses, as leituras da Doutrina Espírita e li O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. Também estou terminando de ler O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Já me sinto em condições de participar ativamente dos trabalhos de um centro espírita, apesar de até agora não ter recebido nenhuma manifestação mediúnica. A filosofia e a lógica me convenceram. Gostaria que o senhor, professor, me desse o endereço de um dos dois centros espíritas de que o senhor participa, para que eu, mais um colega de trabalho, os conheça, também.” - (Pergunta de um ouvinte da rádio para J. Herculano Pires)
Eu posso dizer ao nosso ouvinte que é, para nós, uma notícia feliz, a da sua iniciação espontânea no Espiritismo e, principalmente, através da leitura e do estudo, o que de mais necessitamos no movimento espírita. Sabemos que a maioria das pessoas se aproximam do Espiritismo levadas por motivos particulares muitas vezes dolorosos, como a morte de um ente querido, doenças graves na família ou doenças da própria pessoa. Então, ela é levada a procurar, no Espiritismo, uma ajuda, uma cura. Entretanto, não são muitos os que se aproximam do Espiritismo pela leitura das obras, pela lógica da Doutrina, para poderem encontrar nela uma melhor compreensão dos problemas da vida, do homem, do mundo.

Os que fazem assim são, podemos dizer, quase que predestinados, porque já trazem em si essas ideias e alimentam na sua própria alma, no seu inconsciente, esses princípios que encontram na leitura dos livros espíritas. É por isso que eles se convertem sem ver os fantasmas, nas manifestações de materialização, sem ver os fenômenos de efeitos físicos, sem participar nem mesmo de sessões em que os Espíritos se manifestam e dão provas de sua identidade. Esses são os que acreditam, portanto, antes mesmo de tocarem a realidade do fenômeno.

É para nós agradável encontrar os que se aproximam do Espiritismo.

Desejamos ao nosso amigo que continue na sua leitura. Já leu O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo. Não se esqueça, porém, de que estas leituras iniciais são feitas com entusiasmo, que não nos deixa perceber as minúcias, os aspectos, às vezes, muito importantes, os princípios doutrinários que escapam a uma leitura tão rápida.

Volte a ler esses livros lentamente, com paciência. Pode prosseguir até o fim da Codificação, ainda nesse ímpeto de entusiasmo em que está, lendo também O Céu e o Inferno e A Gênese.

Nestes dois livros o nosso amigo completará a leitura total da Codificação, duas das cinco obras fundamentais da Doutrina Espírita. Mas nem assim deve pensar que já leu tudo. Esses livros fundamentais são, por assim dizer, as pedras do alicerce doutrinário.

É preciso prosseguir. Há muito que ler, muito que estudar.

Como exemplo, podemos citar os livros de Léon Denis, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Gabriel Delanne e tantos outros companheiros de Allan Kardec, que trabalharam ao seu lado, ou que vieram, posteriormente, enriquecendo o Espiritismo com suas pesquisas, seus trabalhos, seus estudos.

É necessário lembrar também que existe a Revista Espírita, de Allan Kardec. São nada menos que 12 volumes, com cerca de 400 páginas cada um, mas é uma coleção indispensável ao bom conhecimento da Doutrina Espírita. Isto o nosso ouvinte pode observar na própria leitura das obras básicas, onde constantemente há indicações de Allan Kardec, pedindo ao leitor que procure o esclarecimento ou a continuidade de um determinado assunto nesse ou naquele número da Revista Espírita.

A Revista Espírita, de Allan Kardec, já existe, felizmente, no Brasil, editada em português em 12 volumes. Posteriormente a Kardec, a revista continuou sendo publicada. Mas o que nos interessa, sob o ponto de vista doutrinário, é a coleção referente à época do Codificador (1858 a 1869), porque não traz somente o seu pensamento, mas também os fatos que ele observou, as pesquisas que fez durante cerca de 12 anos, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Constam nesses 12 volumes da revista os relatos das pesquisas, as comunicações importantes por ele recebidas e os seus estudos, desenvolvendo aspectos do Espiritismo que ele, naturalmente, não pôde desenvolver nas Obras Básicas, que tinham o fim de estruturar a doutrina, mas não entrar em minúcias, em pormenores, que viriam depois e que são importantes para o seu conhecimento mais profundo.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Mediunidade e Lei de Causa e Efeito

Mediunidade e Lei de Causa e Efeito

J. Herculano Pires


“No cumprimento da Lei de Causa e Efeito, quem não é médium está numa condição mais satisfatória do que quem o é?”
O seu raciocínio, feito assim, de um ponto de vista puramente terreno, circunstancial, parece certo. Mas, na verdade, não é isso o que acontece. O médium não é apenas submetido a um processo de resgate cármico, através da mediunidade. Os resgates cármicos, assim chamados, são as reparações de nossas faltas, de nossos erros, de nossos abusos, de nossos crimes, cometidos em vidas anteriores, contra outras pessoas. Então, nós temos vários tipos de relacionamento, nesse resgate.

Quanto ao nosso relacionamento pessoal, nesta encarnação, com pessoas a quem prejudicamos em uma encarnação anterior, por exemplo, esse resgate se passa no plano social. Nós nos encontramos com essas pessoas, seja dentro da nossa família, na nossa própria casa, seja nas nossas relações sociais. Elas nos acarretam, naturalmente, várias dificuldades, porque têm, por assim dizer, o que cobrar de nós.

É preciso compreender que esse negócio de cobrar e de pagar é puramente figurativo, simplesmente simbólico. Essas pessoas então nos cobram, por assim dizer, o que fizemos de mal para elas, em vidas passadas. Nós, agora, temos de reparar esse mal. É com essa intenção que viemos aqui, a esta encarnação. Nós pedimos a oportunidade de reparar o mal que fizemos a essas pessoas, por uma questão muito simples: porque a nossa consciência espiritual nos acusa. Ela tem para nós um peso esmagador, enquanto não conseguimos reparar aquilo que fizemos de mal. É, portanto, uma questão de remorso, remorso espiritual.

Além desse relacionamento social, nós temos também o relacionamento espiritual. São Espíritos de pessoas que sofreram conosco, que foram por nós perseguidas, maltratadas, injustiçadas. Esses Espíritos, então, se aproximam, querendo, na atual encarnação, que lhes paguemos aquilo que lhes devemos; pagar, figuradamente, quer dizer repararmos, junto a elas, o mal que lhes cometemos.

Se formos médiuns, o resgate, nesse sentido, pode ser feito através da convivência com Espíritos perturbadores, obsessores, infelizes e, portanto, Espíritos que estão sofrendo na vida espiritual não só pela sua inferioridade própria, mas também porque os lançamos em situações difíceis, despertamos neles sentimentos de revolta e de vingança, com as nossas injustiças, com a nossa arrogância do passado.

Então, se formos médiuns, temos a obrigação, o dever de, através de nossa mediunidade, conduzir esses Espíritos sofredores ao esclarecimento necessário. É nesse caso, nesse ponto, que se diz que a mediunidade é uma provação. Mas, na verdade, a mediunidade não é provação nem prêmio. É simplesmente uma faculdade humana natural.

Todos somos médiuns. Por que? Em que consiste a mediunidade?

Consiste numa faculdade que têm certas pessoas de se relacionarem com os Espíritos e servirem para que estes se comuniquem, possam falar com as pessoas do nosso plano material, encarnadas na Terra. Essa faculdade, como todas as faculdades humanas, é mais acentuada em alguns indivíduos e menos em outros. Acontece, então, que chamamos de médiuns as pessoas que têm essa faculdade bastante aguçada e que, por isso mesmo, estão acentuadamente sujeitas à influenciação dos Espíritos. É um desenvolvimento, para transmissão de comunicações.

Chamamos de médiuns, especificamente, essas pessoas que possuem a mediunidade em alto grau, a sensibilidade mediúnica bem desenvolvida, assim como chamamos de artistas as pessoas que têm o senso estético bem desenvolvido. É uma questão, portanto, individual, de cada um. Não é a mediunidade, em si, que constitui a provação. A provação decorre daquilo que fizemos, daquilo que, em vidas anteriores, praticamos para com as pessoas com as quais nos relacionávamos.

Nesse sentido, quer o indivíduo tenha ou não a sensibilidade mediúnica aguçada, ele estará sujeito a essas condições, estará sujeito à mesma provação. Poderíamos dizer que, em alguns casos, sendo médium, a vida do indivíduo torna-se para ele mais fácil. E mais fácil pode se tornar a solução do seu problema, porque ele pode colocar-se como instrumento de salvação daqueles Espíritos que estão em situação muito difícil, no mundo espiritual. Ele pode contribuir com a sua mediunidade para recuperá-los, para esclarecê-los, elucidá-los.

Nesse caso, essa situação poderia oferecer uma grande oportunidade para a evolução espiritual do médium. Se essa pessoa não for médium, ela pode, entretanto, fazer a mesma coisa, porque a sua conduta, na vida atual, o seu comportamento, a sua maneira de encarar os problemas humanos, vão influenciar os Espíritos que dela se aproximam com instintos vingadores e que, entretanto, observam que a pessoa se modificou, que melhorou, transformando-se moralmente, e isso serve de lição, de exemplo, para que esses Espíritos também procurem melhorar, se esclarecer.

A mediunidade não pode ser encarada, assim, como provação. A provação se dá, tanto através da mediunidade como fora dela. Por exemplo: pessoas que nunca foram médiuns, que não são médiuns, de repente se mostram obsedadas, perturbadas, por influenciação espiritual. Precisam, então, recorrer aos Centros Espíritas, frequentar os tratamentos espirituais, para que aquelas entidades perturbadoras sejam afastadas, não no sentido do exorcismo, expulsas do indivíduo, afastadas para longe dele, por um processo mágico que vem da mais remota Antiguidade, mas afastadas através do esclarecimento, no sentido de reconciliação, de esquecimento das mágoas do passado.

Foi por isso que Jesus disse, no Evangelho: “Acerta o teu passo com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele”. Quando nos encontramos a caminho aqui na Terra, com pessoas que nos são adversárias, que não gostam de nós, que nos prejudicam, que nos perturbam, ou com Espíritos que nos perturbam, o que temos a fazer é acertarmos o passo, enquanto estamos a caminho, porque se estamos protelando a situação, eles virão mais tarde, em outra encarnação, nos perturbar de novo.

A Lei, portanto, é geral e não faz discriminação, não privilegia a ninguém. O fato de o indivíduo ser médium não é um privilégio especial. Mas a mediunidade pode, também, ser uma conquista do indivíduo. Através do estudo perseverante e orientação adequada nos centros espíritas, ele pode desenvolver a sensibilidade mediúnica, a sua capacidade de percepção extra-sensorial, como diz a parapsicologia. E esse desenvolvimento lhe proporciona, como a recompensa de uma conquista por ele realizada, a sua própria evolução, a possibilidade de melhor tratar da solução de seus problemas anteriores.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

O médium Arigó

O médium Arigó

J. Herculano Pires



É possível que um médium possa, com um passe, curar uma doença numa pessoa, mas não possa curar a mesma doença nele próprio, porque se trata de um prova pela qual está passando nesta vida, algo que certamente foi provocado por ele mesmo, pelo seu Espírito, uma experiência decorrente de suas atitudes em vidas anteriores. Nós todos estamos sujeitos a essas doenças cármicas.

Como exemplo, podemos citar o médium José Arigó, um dos maiores médiuns de cura que já passaram pelo mundo, de extraordinária capacidade curadora, não apenas como cirurgião, praticando a cirurgia paranormal, mas também um médium capaz de curar uma pessoa através de um passe. Na verdade, não era ele quem curava. Eram os Espíritos e, particularmente, o Espírito do Dr. Adolfo Fritz. Entretanto, Arigó sofria do coração.

Os cientistas norte-americanos que estiveram no Brasil chegaram a verificar um fenômeno curioso, nas pesquisas sobre Arigó: quando o médium estava submetendo-se ao exame deles, revelava-se o cardíaco em estado perigoso, mas quando Arigó incorporava o Dr. Fritz, isto é, quando ele recebia esse médico do plano espiritual para receitar, os exames médicos através de toda aparelhagem rica e minuciosa que os americanos trouxeram para o Brasil, não acusavam nenhuma deficiência cardíaca em Arigó, porque ele estava sob a influência do Dr. Fritz, que supria suas deficiências cardíacas, naquele instante. Então isso mostra muito bem que o Dr. Fritz tinha a possibilidade de curar Arigó, mas ele não podia curá-lo, porque Arigó tinha aquela doença como uma espécie de prova, a que tinha de submeter-se nesta vida, como realmente se submeteu.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

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domingo, 15 de maio de 2022

Santos e demônios

Santos e demônios

J. Herculano Pires



“Por que o senhor não acredita nos santos e nos demônios?”

Quem disse que eu não acredito nos santos e nos demônios?

Apenas não aceito a interpretação que é dada pelas igrejas.

demônio é um Espírito mau. Lemos no Evangelho que Jesus fala da expulsão dos Espíritos imundos, dos Espíritos maus, que atormentavam pessoas, obsidiavam as criaturas, naquele tempo. Ora, os Espíritos maus foram considerados demônios.

A palavra demônio vem do grego daimon, que significa espírito, gênio, e não diabo, como se pensa atualmente, Demônio quer dizer, simplesmente, espírito. Por exemplo: o filósofo Sócrates era acompanhado por demônios, que ele chamava de demônios bons, e os consultava constantemente. Quando havia qualquer problema grave de filosofia a ser resolvido, Sócrates consultava o seu daimon, o que mostra um episódio mediúnico importante na história da Humanidade.

Para os gregos, os demônios eram bons e maus. Os demônios bons correspondiam aos bons espíritos e os demônios maus a maus espíritos. Assim, portanto, quando se fala em demônio, precisamos nos lembrar disso: a expressão demônio, na Antiguidade, não representava o que se entende hoje, quando se aplica o termo demônio como se fosse o enviado de Satanás. Não é verdade.

Demônio quer dizer, simplesmente, espírito.

Sendo assim, o problema da existência dos Espíritos nos leva à compreensão da existência dos bons e maus Espíritos. Os santos são, para nós, os Espíritos superiores. Realmente, a canonização pela Igreja corresponde à função espiritual daquele Espírito.

Então, se a Igreja considerou santo o Espírito que realmente não seja, para nós não é santo. Mas, no geral, os santos das atuais Igrejas são Espíritos elevados, que progrediram, na Terra, através de suas atividades, atos bons, que os levaram à canonização.

– 0 –

“As obras de Satanás estão aí, no nosso dia-a-dia. Como o senhor diz que ele não existe?”

Nós espíritas, não aceitamos os demônios como Satanás, como uma entidade oposta a Deus, como um adversário de Deus, o que é um absurdo. Aceitamos a existência dos demônios maus, ou seja, dos Espíritos maus, que são simplesmente Espíritos ignorantes, atrasados, perversos, que existem aqui mesmo, na Terra, encarnados e desencarnados.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A força do pensamento

A força do pensamento

J. Herculano Pires


“Gostaria que o caro professor falasse a respeito da força do pensamento.”
O pensamento é a mais poderosa energia no campo da comunicação.

Quando os astronautas vão à Lua e a nave espacial fica atrás do corpo lunar, não é possível nenhuma comunicação da nave com a Terra, nem da Terra com a nave. Por que? Porque o corpo lunar impede a passagem de qualquer energia ou comunicação terrena. Entretanto, lá de trás da lua, é possível ao astronauta enviar o seu pensamento para a Terra e receber a resposta enviada daqui.

Não estou jogando com palavras. Posso lembrar a experiência de um dos astronautas da Apollo 14, que foi à Lua levando a incumbência de fazer transmissões telepáticas para a Terra. As suas comunicações foram recebidas no Centro Espacial de Houston, nos Estados Unidos, demonstrando a possibilidade das comunicações telepáticas, no Cosmos. Sendo assim, as experiências telepáticas, nos Estados Unidos, demonstraram que não há matéria física que bloqueie o pensamento. E nem o espaço, nem o tempo, impedem essa transmissão. A transmissão telepática é precisa e perfeita, em qualquer distância, em qualquer ponto e através de qualquer espécie de matéria física.

Quando o professor Rhine, da Universidade de Houston, confirmou o que estamos dizendo, Ransiliev, da Universidade de Leningrado, contestou suas afirmações, comentando: “vou mostrar, através de pesquisas, que há barreiras físicas capazes de deter a transmissão telepática”. Ele fez uma série de investigações científicas e chegou à conclusão de que a energia do pensamento é uma energia física, mas de tipo ainda desconhecido, porque nenhuma barreira física consegue impedi-la.

O professor Rhine então disse: “o professor Ransiliev chegou a uma conclusão científica, de acordo com a minha, mas não a expôs de maneira científica, porque, quando ele disse que essa energia é de tipo desconhecido, não podia ser da matéria física”.

Para o professor Rhine, a energia mental é extrafísica. Não pertence ao corpo físico, porque supera todos os condicionamentos e todas as barreiras do corpo físico. Isso prova que, apesar da distância que Deus está de nós, no Infinito, ou que um Espírito esteja, podemos enviar a Ele a nossa mensagem mental, porque não há barreiras que impeçam a comunicação do pensamento, às maiores distâncias.

É claro que a resposta de Deus é dada em nossa própria consciência.

Nós a recebemos intuitivamente, ou muitas vezes através dos fatos, para os quais pedimos a sua manifestação. A prece tem, portanto, um sentido puramente racional. Nós nos dirigimos a uma Entidade, que sabemos ser Deus. Sabemos que ela existe, por que? Porque a vimos? Porque a tocamos? Não. Mas porque a vimos e sentimos na natureza que nos cerca, em toda a estrutura ordenada do Universo, onde nada acontece por acaso, pois tudo é determinado por Leis e, portanto, dirigido por uma Inteligência. 

Nada nasceu por acaso, porque o acaso não é inteligente. Se tivéssemos nascido por acaso, deveríamos ser uma monstruosidade. 

Nada existe por acaso. A Terra tem a sua estrutura, suas leis determinadas, perfeitas, que regem a existência de todas as coisas e de todos os seres. Por isso, sabemos que Deus existe. Deus é esse poder, embora não possamos tocá-lo nem vê-lo, porque é absoluto.

Por isso, Deus está presente; sempre, em toda parte, em nossa consciência, em nosso coração.

Falar com Deus não é difícil, como pensam. Não se precisa de alto-falantes nem estações de rádio para transmitir uma mensagem ao espaço. Não! Deus está presente em nós mesmos, na nossa consciência e no nosso coração. Ele está e nos ouve, dentro de nós. Então, basta dirigirmos uma prece a Ele e nós, realmente, conseguimos nos comunicar com o Pai Criador.
J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

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domingo, 5 de março de 2017

A cura pela prece

A cura pela prece

J. Herculano Pires


“A cura espírita por meio de passes não é só uma sugestão?
Por que o médium precisa esfregar a mão numa pessoa doente para curá-la? Os santos não curam, por meio de preces?”
Sim, todos nós podemos curar, por meio de preces. A prece é uma vibração. Essa vibração se dirige ao mundo espiritual e estabelece uma comunicação entre nós e os Espíritos, que nos podem atender. A prece, portanto, é uma maneira de falarmos com o mundo espiritual e ficou claramente explicada agora, com as investigações da Parapsicologia que, estudando o problema da transmissão do pensamento à distância, entre pessoas vivas, confirmou aquilo que o Espiritismo vem dizendo há mais de um século: que quando nós oramos, emitimos pensamentos que podem atravessar as maiores distâncias e podem comunicar-se com Espíritos que estejam nos planos mais elevados da Criação.

Muita gente diz: “Eu não acredito na prece, porque como Deus vai me ouvir? Deus é um Poder Superior, muito mais elevado do que qualquer um de nós. Está numa posição que não podemos nem imaginar; não sabemos a que distância ele se encontra de cada um de nós. Então, não adianta orar, porque a nossa prece não vai atingir a Deus”.

Em primeiro lugar, precisamos saber que Deus não é uma pessoa como nós, é uma Inteligência Suprema, criadora, e essa Inteligência é absoluta e não relativa, como a nossa. Nós nem mesmo podemos defini-la, descrevê-la. É praticamente impossível explicarmos o que seja Deus, a não ser por essa afirmação, que é a única que o Espiritismo admite: “Deus é a Inteligência Suprema do Universo, causa primária de todas as coisas”. Dessa Inteligência Suprema decorrem todas as criações do Universo.

Pode ser absurdo o que fazemos com Deus. Mas Deus não está apenas na distância; ele está também presente em nós. Ele está em nosso coração. Ele está em nossa mente, porque é onipresente, está em toda parte. Mas está em toda parte por que? Porque, sendo absoluto, tudo quanto existe está dentro Dele. Tudo quanto existe está ligado a Deus, está em Deus. É por isso que o apóstolo Paulo dizia, quando escreveu em suas epístolas: “Nós vivemos e nós morremos em Deus”.

Quando falamos a Deus, portanto, falamos dentro de nós mesmos, no nosso coração, na nossa inteligência, na nossa consciência. E Deus nos ouve. Deus nos pode responder. Quando estudamos o problema da prece, à luz do Espiritismo, nós vemos que ela representa uma das forças mais poderosas de que o homem pode dispor, na Terra.

É claro que a prece vale muito pela maneira como é feita; não a forma, mas a maneira. A maneira tem que ser espontânea, tem que ser real; nós temos de sentir aquilo que estamos pedindo. Temos que ter fé, acreditar, realmente, que estamos nos dirigindo a um Ser superior, que possa atender-nos. Essa crença, essa confiança, são importantes, porque estabelecem a ligação necessária entre nós e aquelas entidades espirituais a que nos dirigimos. Assim, a prece pode realmente produzir curas. Quantas pessoas já se curaram através da vibrações de uma prece?

Quanto ao médium dar passes, os mesmos são simplesmente a transmissão de fluidos e de vibrações, portanto de correntes energéticas, a um indivíduo doente. Existem o passe magnético, o passe hipnótico e o passe espírita. Esse último difere do passe hipnótico propriamente dito, porque é um passe em que o médium serve de instrumento para os Espíritos.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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