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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Mensagem

Mensagem

Eurípedes Barsanulfo



Meus amigos, que a paz do Senhor nos fortaleça o coração na grande jornada.

O Espiritismo Cristão é a porta de luz que se abre à humanidade.

Amigos nunca nos cansarão de vos conclamar ao serviço da verdade e do bem. Falando-vos, guardamos a impressão de endereçar a palavra às fileiras da frente, àqueles que sustentam as lutas mais ásperas, que sofrem o mais perigoso assédio das forças das trevas. Conhecemos a dificuldade, a dor, o fel que vos amarga o coração, ante os ataques da sombra; entretanto, somos os felizes depositários da fé viva, lutadores que se rejubilam com as próprias chagas e encontram benditas claridades nas lutas de cada dia, porquanto nos encontramos a serviço d’Aquele que é a Luz dos séculos terrestres. Inúmeras escolas religiosas foram chamadas servi-Lo, entretanto, esquecem-se os expositores respectivos do trabalho universal da paz e do amor com o Cristo, perdendo-se nos desfiladeiros do sectarismo destruidor.

Procuraram Jesus, através das dissensões e da separatividade como se não bastassem quase dois mil anos de ódio e separação entre as criaturas de Deus. Nossa tarefa é mais alta. Propomo-nos a atender ao chamado do Mestre através de nossa própria renovação, para que a nossa existência se constitua em pregação viva do Evangelho da Redenção.

Não alimenteis qualquer dúvida. O triunfo integral ainda permanece à distância. Até lá, é preciso subir o Calvário, negando a nós mesmos e suportando a cruz que nos diz respeito. Pedradas da ignorância, açoites da ingratidão, surpresas inquietantes dos caminhos escuros vos surpreenderão na marcha para o Alto, no entanto, mantende a vossa fé, porque Jesus, o Mestre Divino, socorrerá o discípulo fiel, onde quer que se encontre, estendendo-lhe a mão amiga, poderosa e fiel. Os generais da Terra traçam mapas com o sangue fraterno, enquanto os estadistas costumam desenhá-los com a tinta do ódio e das vinganças, mas Jesus estabelecerá, entre os homens, o prometido Reino de Paz e Amor. Lembrai-vos dos companheiros dos tempos apostólicos. Eles não morreram. Ressurgem das catacumbas distantes para falar-nos da necessidade de servir aos propósitos do Senhor até o fim.

Vigorosas energias fluem para nós outros, de Mais Alto.

É preciso não desanimar. O futuro com a vitória do bem nos pede esforço supremo.

Confiai, trabalhai sempre e esperai na Paz de Jesus.

Que Ele nos fortaleça e revigore o ânimo, concedendo-nos a armadura interior da da confiança e da alegria, são os votos do vosso amigo de sempre.

Eurípedes Barsanulfo por Chico Xavier do livro:
Doutrina e Vida / Espíritos diversos.

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sábado, 1 de novembro de 2025

Transição

Transição

Cornélio Pires



A palavra morrera na garganta.
Alguém me estende o suco de uma pera.
Busco em vão engolir... Anoitecera...
E cresce a angústia imensa que me espanta.

Horas passam... A dor se me agiganta.
Não mais posso agitar as mãos de cera.
Recordo, em pranto, o tempo que perdera,
Arrimando-me à fé serena e santa.

Mas surge doce estrela refulgindo,
E vejo o nosso Eurípedes sorrindo...
Surpresa enorme o coração me invade...

Descansa agora o corpo em paz segura...
E, chorando de dor e de ventura,
Vi-me, de novo, em plena liberdade... 

Cornélio Pires por Chico Xavier do livro:
Senda para Deus 

(Soneto recebido em sessão pública dedicada a Eurípedes Barsanulfo, na noite de 1 de novembro de 1958, na cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais).

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quarta-feira, 18 de junho de 2025

Assim será sempre

Assim será sempre

Eurípedes Barsanulfo


Jesus, por onde andou, tranquilizava as almas e convulsionava os quadros da vida exterior. Representava em si a Verdade, e a Verdade ainda não é aceita no mundo sem ásperos conflitos.

Decerto, não provocou intencionalmente qualquer choque; no íntimo, sabia que as realidades das quais se fazia mensageiro fermentariam as massas. Em razão disso, afirmou: — "Não vim trazer a paz, porém, a divisão"; asseverando de outra feita: — "Vim para trazer fogo à Terra."

Desde o berço, viu-se rodeado de agitações.

O problema começou na família constrangida a fugir para o Egito, em seguida à glorificação da manjedoura.

Para eliminá-lo, Herodes mandou fossem exterminadas numerosas crianças em Belém e arredores.

Deslocavam-se multidões de uma região para outra, a fim de ouvi-lo.

Os gadarenos rogaram a ele para retirar-se das suas terras, amedrontados com o domínio que demonstrava sobre os Espíritos obsessores.

Os fariseus afirmaram que ele restabelecia os enfermos, operando pelo poder do demônio.

Autoridades judaicas representaram publicamente contra ele, acusando-o de injuriar tradições, porque se utilizava dos sábados para fazer o bem.

O povo de Nazaré, onde residia desde a infância, escandalizou-se ante a sua presença, atirando-lhe sarcasmos.

Cobradores de impostos experimentaram-lhe a paciência.

Ele, a seu turno, enfrentou as situações difíceis qual se apresentavam.

Não poupou os fariseus. Fez calar os saduceus. Argumentava com sacerdotes e escribas com tamanha lógica que lhes ocasionava melindre e indignação. Esclareceu os discípulos que seriam odiados por todas as nações, à vista de seu nome.

Anunciou, com antecedência, a conspiração com que lhe tramavam a perda.

De resto, foi preso pela multidão armada de espadas e varapaus e, no Sinédrio onde compareceu, escribas, anciães, sacerdotes e guardas lhe salivaram o rosto, espancaram-no, esbofetearam-no.

No triênio que lhe marcou o apostolado, foi a verdade invariável, fulgurando entre ironias e pedradas, perturbações e dificuldades, atritos e deserções, malícias e tumultos, até que os homens, incapazes de lhe suportarem as lições vivas, o colocaram na cruz, para se livrarem da sua presença.

É que os preceitos do Mestre nos obrigam a reconhecer que não há reforma sem renovação profunda, nem renascença da alma sem que se desatem os laços da rotina comodista.

Eis porque, ainda hoje, na luz da Nova Revelação que lhe revive o ensinamento libertador, para que tenhamos paz íntima é preciso conservar tranquilidade na consciência, cultivando tolerância diante das reações alheias, sem nos acomodarmos com a estagnação e sem nos acumpliciarmos com aqueles que exploram a região dos desentendimentos humanos em proveito de interesses inferiores.

Jesus e o Espiritismo esclarecem que não existe verdadeira paz sem preço. Quem quiser a luz da paz, por dentro do coração, aceite o combate da sombra em derredor. Assim será sempre.

Eurípedes Barsanulfo por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de Volta

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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Museu de cera

Museu de cera

Eurípedes Barsanulfo



Muito embora a exaltação dos mortos seja comumente falaciosa homenagem aos vivos, os filhos de Deus integram, em toda a parte, uma só família.

O corpo físico é apenas envoltório para efeito de trabalho e de escola nos planos da consciência.

Nos piores corpos habitam, por vezes, as melhores almas.

O mesmo perfume é suscetível de ser transportado, tanto no vaso de latão quanto na ânfora de cristal.

Cada túmulo representa um destino, um caminho ou um exemplo que passaram. A sepultura para muitas almas é estrado de repouso, leito hospitalar ou enxerga carcerária.

O cemitério pode ser comparado a museu de cera onde se expõem e se desmancham as formas das criaturas, e não a essência de que se constituem na eternidade. Os corpos que aí se desfazem assinalam simplesmente estágios e tarefas do Espírito.

São as estátuas manchadas daqueles que passaram pela carne e nada fizeram.

Bonecas adornadas e mudas recordando mulheres que viveram exclusivamente para cuidar de si mesmas.

Mantos venerandos de mães que transformaram lágrimas em sementes de luz.

Casulos gastos pelos que lançaram a moda moral de geração para geração.

Macacões singelos dos que se afadigaram, suando e padecendo para amassar o pão de todos.

Escafandros de abnegados mergulhadores do Espírito que trouxeram à Humanidade as pérolas da Ciência.

Uniformes militares dos que sofreram ásperas disciplinas na garantia da ordem.

Modelos de famosos figurinistas que posaram em passarelas de sonho para embelezar a ilusão...

Hábitos missionários largados pelos que, um dia, se consagraram às lides religiosas.

Farrapos de mendigos em que discípulos da virtude ensaiaram paciência e humildade...

Fantasias dos turistas da vida e da morte que se enganaram com a função do dinheiro, envenenando, não raro, a existência e perdendo o tempo.

Fardões de acadêmicos que, em várias circunstâncias, olvidaram o apostolado da cultura, fazendo-se usurários da inteligência.

Casacas de embaixadores que controlaram os interesses e conflitos de povo a povo.

Túnicas de mulheres anônimas que entreteceram devotamento e bondade, à custa do próprio sacrifício, no sustento das nações.

Estamenhas dos desfavorecidos que choraram nas dores expiatórias de resgates supremos.

Pensa nos que ontem estavam na Terra renteando-te os passos e hoje se encontram em paragens diferentes, na certeza de que te encontras na carne para execução de serviço determinado.

Não te ensoberbeças pelo que tens, nem te desesperes acreditando que algo te falte.

Trabalha, fazendo o bem.

Cada homem e cada mulher receberam da vida os instrumentos de amor e de dor para atenderem à missão que lhes cabe na arena do mundo.

O berço é o ninho de entrada.

O sepulcro é o museu da saída.

Eurípedes Barsanulfo por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de Volta

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sábado, 27 de julho de 2024

O Anjo do auxílio

O Anjo do auxílio

Eurípedes Barsanulfo

Maria de Nazaré

Momentos antes que o Mestre Divino visitasse a Santíssima, na noite inesquecível da sua desencarnação, profunda amargura sombreava as recordações da “Rosa Mística de Nazaré”.

Lembrava com emoção os lances que anteciparam a chegada do Filho inolvidável e as circunstâncias em que os fatos ocorreram desde então. Tudo parecia ao acontecido numa atmosfera de felicidade entre anseios e júbilos. Era como se a Terra se demorasse vestida de uma imorredoura primavera, adornada de quadras de luz e cor a suceder-se, uma após outra, em constante festa para o seu coração ditoso.

O nascimento inesperado, em Belém, no leito humilde de palha, a apresentação no Templo, as profecias.

Depois, as visões de José, a fuga para o Egito e o retorno tranquilo ao lar.

Os anos de convivência e as mil nonadas da existência ao lado d'Ele, tudo lhe voltava à mente com nitidez invulgar.

— E chegava ao Capítulo das apreensões. A hora da despedida, quando Ele partira para o Ministério em nome do Seu Pai, retomava ao cérebro, trazendo-lhe as aflições daquele momento.

Às notícias chegavam-lhe aos ouvidos naquele tempo com a celeridade dos ventos: as exposições feitas nas Sinagogas, às curas que se operavam ao contato das suas mãos, as multidões exaltadas, as pregações às margens do lago, as longas caminhadas e todos os acidentes marcantes desde as bodas de Caná até ao terrível momento em que João, transfigurado de dor, veio dar-lhe a notícia cruel da prisão d’Ele.

Tomada pelas lágrimas, voltou a experimentar as agonias desde aquela hora até o momento da Cruz ignominiosa onde Ele expirara.

Retomava em pensamento às notícias desencontradas que correram entre os servidores da Boa Nova.

Parecia escutar o coração acelerado da jovem de Magdala ao narrar-lhe o encontro com o Mestre redivivo...

Evocava a visita ao Cenáculo e a ascensão na Galileia querida onde ele tanto amara Logo depois, as perseguições que caíram implacáveis sobre Aquele cujo único erro era o amor a todos os homens foram motivo de rememoração. Sentia que a sede desses adversários não se aplacava, exigindo novas vítimas e novos mártires. As informações chegadas de Roma eram alarmantes...

Maria não pode conter o pranto. No tumulto das emoções a atormentarem o seu coração sensível, lembrou-se daquelas mães que tinham os filhos atirados às feras em loucas orgias na arena terrível...

E enquanto as lágrimas lhe caíam dos olhos sobre o piso humílimo da casinha de Éfeso, Maria rogou por todas as mães, pedindo a Ele as amparasse, adornando-as de luz e fé no auge das suas aflições.

Foi então que atendendo ao apelo da Mãe Santíssima, o Senhor enviou à Terra o nobre anjo do auxílio para socorrer todas as mulheres no sagrado mister da maternidade...

* * *

Quando você escutar o murmúrio de doces e consoladoras expressões junto aos ouvidos, à hora da aflição, recorde a Mãe de Jesus e, reanimado, volte à luta.

Procure receber a mensagem do anjo do auxílio e dilatando as antenas psíquicas tente comungar com Ela, continuando a sua sublime e áspera missão de Mãe. O anjo do auxílio seguirá com você.

Eurípedes Barsanulfo por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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segunda-feira, 13 de março de 2023

Porta e chave

Porta e chave

Eurípedes Barsanulfo

Mantenhamos a vitalidade da Doutrina no âmago da nossa alma, vivendo-a, integralmente, no dia-a-dia do nosso caminho. Espiritismo é, também, vida, manifestando a ‘Vida Abundante.”

Diante da sombra não imprequemos contra a noite. Acendamos uma luz clarificadora e sigamos adiante.

Ante o obstáculo, não aprovemos o óbiceContornemos a dificuldade e sigamos, resolutos.

Face ao abismo, não maldigamos a tentação da queda. Transponhamos o fosso e continuemos intimoratos.

Jesus é a nossa ponte de ligação entre a terra e o céu.

Jesus é o hálito que nos sustenta e a Sua mensagem de amor é a linfa poderosa que nos nutre, dulcificando-nos, interiormente, a fim de que possamos atingir o ideal colimado, que é o da nossa integração no espírito do bem.

Espíritas, meus irmãos!

Não somos estranhos peregrinos nestas sendas redentoras, mas antigos dilapidadores da palavra da fé.

Não nos encontramos mergulhados na carne por capricho do acaso. Renascemos para consertar, retornando para corrigir, reencentando a jornada para reaprender.

Ontem, açulados pela ilusão, desequilibramo-nos e, em sintonia com os dominadores do Mundo, transitoriamente, implantamos a mensagem da fé sob a chibata da impiedade. Em nome do Evangelho Restaurado, galopamos o corcel da ousadia destruidora, perturbando a conceituação da verdade, e por essa razão, nossos celeiros de esperança e paz, jazem vazios.

Desejando servir naqueles dias idos, mancomunamo-nos com a insensatez e semeamos a desídia e a intransigência para com os outros, ferindo-os fundo nas cogitações superiores. Agora choramos sem consolo e sofremos o acúleo de singulares remorsos.

Que fizemos de Jesus? Por que sepultamos a palavra soberana do Rabi Galileu nos túmulos dourados da mentira?

Retornamos aos sítios antigos para os joeirar.

Não somos outros viandantes, senão aqueles corruptores da verdade.

Não estamos diferentes ainda. Antigos negadores do Evangelho do Cristo, conquanto dizendo servi-Lo, aqui, de mãos dadas, tentamos reacender a lâmpada apagada do ideal, para que, então, ardam, novamente, as flamas da caridade e do amor da pureza e da humildade.

Não regateemos esforços. Não negligenciemos. Se necessário, troquemos a vida perfumada da ilusão pela áspera senda que conduz à Imortalidade Triunfante.

Mudemos a casula brilhante do realce pela cogula modesta da renúncia e do anonimato no bem.

Amemos para ser amados. Semeemos bênçãos para colher alegrias. Plantemos esperanças para que nossos pés jornadeiem pelos caminhos da segurança e, sobretudo, sejamos fieis ao Cristo, a fim de que o Cristo domine na intimidade dos nossos espíritos.

Não amanhã, nem mais tarde. Eis que soa nosso santo momento de ajudar e renovar-nos. Desdobremos esforços, começando cada um, intimamente, a tarefa de burilar-se, lapidando as imperfeições, para que, à semelhança do diamante puro, arrancado da ganga, do cascalho, reflete a luz, possamos refletir o sol da crença na sua pujança de claridade e em ideal de nobreza.

Espíritas, sois o sal da terra!

Espíritas, estais no portal da luz... Vencei-o, penetrando-lhe a aduana.

Jesus é o Caminho, a Doutrina Espírita é o estímulo para a jornada pela rota.

O Evangelho é a porta, a Codificação Kardequiana é a chave.

Jesus é o apelo, a Doutrina é o instrumento que no-Lo traz, outra vez.

Marchemos, amando, vivificados pelo elixir que flui do dever puro e santo, e, fascinados pelo estímulo contínuo da mensagem sublime e consoladora do Evangelho vivo e atuante, não desanimemos nem receemos nunca.

“Segui a paz com todos e aquela santificação sem a qual ninguém verá ao Senhor!” — proclamou Paulo aos Hebreus...

“Reuni os joelhos desconjuntados” e marchai resolutos — prosseguiu, conclamando.

Espíritas, meus irmãos:

Amai, servi, pregai e vivei a Doutrina do Cristo no altar de vossas vidas, para que, em breve, já não sejais vós a viver mas o Cristo vivendo em vós.

Eurípedes Barsanulfo por Divaldo Franco do livro:
Sol de Esperança

(Franca-SP, em 21 de novembro de 1970).

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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Renovação

Renovação

Eurípedes Barsanulfo



A força inexorável do progresso vem alterando em profundidade, nos últimos tempos, a face ultrajada do planeta.

Ruem as muralhas que separavam os povos, sob os camartelos da solidariedade que abre espaço ao entendimento entre os homens.

Bastiões considerados inexpugnáveis tombam vencidos pela força do amor que ilumina as mentes e os corações, fazendo que batam em retirada os arbitrários dominadores de consciências e esmagadores das liberdades democráticas, nas quais estão estatuídos os direitos do homem ao exercício de uma vida saudável, consentânea às suas conquistas intelecto-morais.

Cedem passo, aos ideais da paz, os quarteis de armamentos bélicos, e as autoridades que governam as Nações, ao invés da guerra fria e ameaçadora, marcham ao encontro uns dos outros para firmarem compromissos de respeito às criaturas, estabelecendo a necessidade de abolir a hidra violenta da destruição para que se implantem as admiráveis conquistas do progresso, a benefício dos homens.

Fábricas de assassínio de vidas cerram as suas portas, deixando de produzir a indústria da morte, para que sejam implantados os lares da educação, os núcleos de apoio social e promoção humana, facultando ao futuro realizações libertadoras de consciências e de edificação da paz.

Em todo esforço extraordinário que os missionários do Alto, reencarnados, executam, surpreendendo a sociedade, observa-se o homem, estorcegando-se sob os flagelos que ele desencadeou para si próprio, resgatando compromissos negativos, enquanto se estrutura para os futuros cometimentos da felicidade humana.

São inevitáveis as leis do progresso, e ninguém, força alguma é capaz de detê-lo.

O homem está fadado à Grande Luz e avança com passo seguro no rumo da sua destinação.

Ao Espiritismo, neste momento altamente significativo da História, cabe a tarefa de conduzir a consciência social ao fanal que lhe está reservado.

Momento este de revisionismo, de contestação, de aferição de valores, de análise de estruturas, é também de renovação.

A releitura do Evangelho de Jesus, sob a óptica da Doutrina Espírita, faculta-lhe o entendimento da vida na sua significação profunda e impostergável.

Este é o momento da implantação da Era do Espírito Imortal.

O homem, esfaimado de amor, bate aflito às portas dos Céus buscando respostas, e O Consolador brinda-o com os elementos nutrientes e abençoados, capazes de atender as necessidades que o afligem.

Arrebentando as algemas da ignorância e abrindo os braços ao amor, o homem que encontrou a Mensagem Espírita está habilitado a desempenhar as tarefas de crescimento espiritual e moral para a qual reencarnou.

Indispensável que, ao lado das grandes transformações que se operam em favor da renovação geral, arrebentem-se, também, as barreiras morais que separam os indivíduos, que se derrubem as paredes que impedem, emocionalmente, o entendimento humano e sejam lançadas pontes nos abismos, facultando o trânsito livre de todos em favor da verdadeira fraternidade.

Juventude é um estado de espírito, e é mediante essa atitude interior, rica de esperança e de otimismo, que todos os homens, conscientes das suas responsabilidades, trabalhem em benefício da relevante realização do bem em favor de todos.

A juventude de ontem, hoje amadurecida, que teve a coragem de encetar os primeiros passos em prol dos novos tempos que ora vivemos, propõe aos jovens de agora, apoiados nas preciosas lições de Jesus Cristo, darem prosseguimento ao labor que apenas surge, engrandecendo a Humanidade na qual se encontram como membros atuantes, através do trabalho, da ordem e do amor, para que batam em retirada, em definitivo da Terra, os perversos fantasmas da fome, da miséria, da doença, do abandono, da dor, que se tornarão páginas do período de primitivismo que o planeta passou, quando olhados através das claridades sublimes do futuro.

Renovação com Jesus é reconstrução de vida a benefício de todas as vidas.

Eurípedes Barsanulfo por Divaldo Franco do livro:
Antologia Espiritual

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sábado, 26 de março de 2022

O anjo silencioso

O anjo silencioso

Eurípedes Barsanulfo



No cimo da cruz, reconhecia o Senhor que, em verdade, no mundo, não havia lugar para Ele...

Sem asilo para nascer, fora constrangido a valer-se do ninho dos animais e, sem pouso para morrer, içavam-no ao lenho dos malfeitores.

Agora, porém, que se isolara mentalmente na gritaria em torno, espraiava-se lhe a visão...

Fitava, em espírito, os grandes palácios da Terra, ocupados pelos poderosos que se vestiam de púrpura e ouro, cercados de mulheres escravas e servos infelizes, e notou que dominavam os quatro cantos do globo, prestigiando os verdugos do sangue humano e os falsos profetas que lhes entorpeciam as consciências...

Mas, entre os altos muros que os apartavam, viu também o Senhor os que viviam desajustados quanto Ele mesmo...

Assinalou os mártires da justiça, encarcerados nas prisões; as vítimas da calúnia, açoitadas em praça publica; os heróis da fraternidade, em postes de martírio; os lidadores do bem, cedidos em pasto às feras; os amigos da educação popular, sob o cutelo de carrascos inconscientes; os perseguidos, condenados a ferros em regiões inóspitas; as mães desamparadas, cujo pranto caía como orvalho de fel sobre a terra seca; os velhos sem esperança; os caravaneiros da nudez e da fome; os doentes sem leito e as crianças sem lar...

Entre os homens igualmente não havia lugar para eles.

Como outrora, à frente de Lázaro morto, Jesus chorou...

Chorou e suplicou a Deus a vinda de alguém que o representasse ao pé dos aflitos... Alguém que lenisse chagas sem recompensa, que enxugasse lagrimas sem queixa e servisse sem perguntar...

E o Pai Misericordioso enviou-lhe toda uma coorte de anjos que o louvavam, felizes, transformando o madeiro numa apoteose de luz, com exceção de um deles que, ao invés de adorá-lo, procurou-lhe respeitoso, os lábios trementes, como quem lhe buscava as derradeiras ordenações.

Não percebeu a multidão desvairada o que se passou entre o Cristo agonizante e o mensageiro sublime; no entanto, de imediato, o nume celeste, sereno e compassivo, desceu do monte para os vales humanos, nos quais, desde então, até hoje, converte o ódio em amor, a expiação em ensinamento, a dor em alegria, o desespero em consolo e o gemido em oração...

Esse anjo silencioso é o Anjo da Caridade.

Por isso, toda vez que lhe ouvis a inspiração divina, abraçando os sofredores ou amparando os necessitados, ainda mesmo através da mais leve migalha de pão ou de entendimento, é a Jesus que o fazeis.

Psicografia em Reunião Publica Data – 11/01/1959.

Local – Lar Espírita Bezerra de Menezes, na cidade de Uberaba, Minas.

Eurípedes Barsanulfo por Chico Xavier do livro:
Através do tempo

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