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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Os passes

Os passes

Manoel Philomeno de Miranda


Apesar de conhecidos desde as civilizações da Antiguidade oriental e utilizados pela cultura clássica ocidental o poder do pensamento e a ação do toque terapêutico, foi Jesus, no entanto, quem melhor os aplicou a benefício da criatura humana.

Antes d'Ele, utilizando-se de processos complexos e sugestivos, os sacerdotes e os gurus de diversas doutrinas esotéricas contribuíam para a recuperação da saúde dos enfermos que os buscavam, mediante gestual bem elaborado e mantrans que ensejavam a captação das energias que exteriorizavam, facultando-lhes reestruturarem a organização física e harmonizarem a emocional, avançando para o equilíbrio fisiopsicológico.

As cerimônias religiosas com objetivos terapêuticos misturavam a fitoterapia com as artes mágicas, enquanto os iniciados dispensavam as energias salutares que eram assimiladas pelos necessitados que se lhes entregavam.

A introspecção, a meditação, os cilícios e sacrifícios outros que eram impostos aos candidatos, tinham por finalidade facilitar o autodescobrimento, propiciando-lhes o conhecimento dos recursos psíquicos e magnéticos que lhes jaziam adormecidos e aos quais podiam recorrer para modificar as paisagens humanas infelizes e os corações sofridos.

Jesus, porém, conhecendo o processo pelo qual se manifestavam as Suas energias superiores, demitizou as velhas fórmulas sacramentais e aplicou-as de maneira variada, e sem alarde, conforme a patologia de cada um que O procurava.

Estabelecendo na fé dos pacientes um paradigma para os resultados eficazes, estimulava-os à perfeita sintonia com o Seu pensamento, a fim de bem assimilarem os recursos curativos que lhes ministrava.

Sem violentar o livre arbítrio de cada qual, aguardava que Lhe fosse solicitada a ajuda, e, não raro, por Sua vez, indagava se a pessoa acreditava que Ele a poderia curar, despertando-lhe as adormecidas possibilidades de captação das vibrações favoráveis ao seu restabelecimento.

Graças à aquiescência, Ele infundia valor moral ao enfermo e direcionava-lhe as energias restauradoras da saúde, assim como aquelas que induziam os parasitas espirituais que se lhes mantinham em conúbios obsessivos a se afastarem das suas vítimas.

Recorreu ao toque suave e doce, à voz altissonante e lúcida, à vontade imbatível, assim como aos meios materiais, quais o realizado com o nado cego, ou apenas ao Seu pensamento sempre com resultados perfeitos...

...E desfilaram diante d'Ele as misérias morais e espirituais humanas, que bondosamente atendeu, tomado de infinita compaixão...

Depois d'Ele, inúmeros missionários recorreram aos mesmos recursos, conscientes de que, mediante a fé, poderiam fazer muito do que Ele realizara, reconhecendo, porém, as parcas possibilidades de que dispunham, aplicavam as fórmulas que O antecederam, tanto quanto as técnicas que Ele utilizara, reunindo em tratados para estudos os métodos de direcionamento da energia curativa.

Graças, no entanto, à Doutrina Espírita com a revelação da lei dos fluidos, se alargou a compreensão em torno dos inimagináveis tesouros fluidoterapêuticos ao alcance de todos quantos se ofereçam ao ministério da caridade para com o seu próximo, na condição de terapista espiritual.

Os passes ou a aplicação da bioenergia são valiosos procedimentos de socorro aos enfermos de todo matiz que enxameiam no mundo.

Compreendendo a gravidade do ministério e instrumentalizando-se moral e espiritualmente, o passista deve alterar completamente a conduta mental e comportamental anterior, a fim de enriquecer-se de forças psíquicas e bioenergéticas para melhor transmiti-las.

A superação dos hábitos viciosos, o desencharcamento dos tóxicos fluídicos inferiores, dos pensamentos vulgares e insanos, do tabaco, do álcool e de outras drogas químicas aditivas, energizam o devotado obreiro da saúde física e espiritual que, munido dos tesouros do amor e da oração, se coloca a serviço dos Espíritos superiores para tornar a vida humana melhor e mais rica de saúde e de paz.

Concomitantemente, cabe-lhe instruir o paciente com informações claras e enérgicas, que o auxiliem a não retornar aos comprometimentos anteriores a que se entregava, para que não lhe aconteça nada pior, conforme advertia Jesus.

A terapia pelos passes, destituída de gestual cabalístico ou de propostas sugestivas, supersticiosas, deve infundir ânimo e despertar reflexão naqueles que lhe recorrem ao processo de recuperação.

Por meio de uma sintonia harmônica com as Esferas espirituais elevadas, agente e paciente da terapia pelos passes conseguirão harmonia interior, saúde e paz, mesmo quando por ocasião dos momentos difíceis do testemunho e das provações.

Ao alcance de todos quantos desejem renovação, os passes deverão servir de procedimento de emergência antes de serem tomadas outras providências, assim constituindo notável contributo de sustentação para as atitudes posteriores a serem utilizadas.

Através dos passes, da transmissão de forças vivas, canalizadas para os enfermos de ambos os planos da Vida, os Espíritos perversos e alucinados igualmente se beneficiam e podem ser deslocados dos seus hospedeiros, ensejando a recuperação moral da vítima e o esclarecimento do algoz.

Nos transtornos, portanto, obsessivos, os passes são de salutar resultado, propiciando a renovação do campo vibratório do enfermo e alterando a indução perturbadora que é imposta pelo hóspede indesejado, mas portador de grande energia deletéria.

Face aos problemas perturbadores nas áreas da saúde e da conduta, os passes constituem precioso recurso terapêutico que deve ser buscado, a fim de que ocorra a instalação do bem e da alegria de viver em todas as criaturas.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco
Revista Reformador Fev. 2003.

Mensagem recebida na sessão mediúnica do dia 29 de agosto de 2001, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Revista Reformador Fev. 2003.



quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Treino para a morte

Treino para a morte

Manoel Philomeno de Miranda


Durante o Seminário no G-19 — Fundação para a Melhoria da Consciência Global — em Zurique, Suíça, no dia 29 de maio (1.994), foi proposta, como exercício de preparação, uma experiência de morte.

Nessa noite, terminadas as atividades, o Benfeitor Espiritual ditou os presentes comentários a respeito do assunto.

A cessação dos fenômenos biológicos é inevitável.

Máquina sofisticada e completa, que se vem aprimorando através dos séculos, gasta-se o corpo à medida que funciona, emperrando sob ações e condições variadas, desajustando-se por interferência de agentes perturbadores e enfermiços, por fim, transformando-se pela morte.

Essa é uma fatalidade irrecorrível, por mais se pretenda escapar-lhe.

Como a vida, porém, não são apenas os implementos admiráveis da constituição celular, e o ser que a vitaliza seja-lhe preexistente, compreende-se que, morrer, não é extinguir-se, antes é liberar-se da temporária prisão onde se esteve, sobrevivendo-lhe à argamassa material.

Em razão da impregnação da energia espiritual pelas vibrações do campo físico, o ser apega-se ao corpo e teme perdê-lo. O adormecimento da consciência profunda, na maquinaria cerebral, faz que ele esqueça, nesse período, da sua procedência, iludindo-se mais com as sensações a que se encontra acostumado do que com as emoções transcendentes do seu estado real.

A morte assemelha-se-lhe, então, a uma interrupção definitiva da vida, ao seu aniquilamento, o que se lhe toma terrível e devastador.

Surgem, em razão disso, reações de rebeldia, de pavor ou de desinteresse, de desprezo pelo fenômeno transformador.

A expressiva massa humana, todavia, apegada às experiências fisiológicas, não se dispõe a meditar a respeito da morte, a preparar-se para ela, a entender-lhe a ocorrência. Vivendo em uma espécie de sonho, não se propõe a despertar, transferindo mentalmente essa reflexão para um momento que, talvez, não alcance.

Vive-se no corpo, acompanhando-se-lhe a incessante, a automática transformação molecular. Morrem células aos bilhões com frequência, que são substituídas por outras; os órgãos sofrem alterações contínuas, que não são percebidas imediatamente, e somente quando o desgaste se acentua é que se notam as mudanças, a insuficiência de forças, o enfraquecimento da visão, da audição, da memória, da bomba cardíaca e de outros equipamentos vitais...

A inexorabilidade da morte está, portanto, presente na vida, e toma-se medida saudável e racional pensar-se sempre nela, no momento terminal, equipando-se de energias morais para o enfrentamento, a libertação.

A morte não produz dor, por ser um suave deslindamento de vínculos, quando o fenômeno é natural.

Cada morte é decorrência de cada experiência de vida, sendo, então, especial e particular, para cada indivíduo.

No processo biológico final, normal, morrer é uma forma de adormecer, para um consequente despertar com as mesmas características e disposições anteriores ao processo terminal fisiológico.

Ao acordar, nem coro de anjos, nem presenças satânicas aguardando, exceto para aqueles que abominaram a vida, tomando-a insuportável para si como para os outros, vinculados que viveram, aqueles que assim se comportaram, com os Espíritos perversos e obsessores. Aqueloutros, que se iluminaram pelo bem e ascenderam aos parámos do amor, defrontam os seus amigos diletos, que os precederam e ali estão para recebê-los de volta ao lar.

Cada qual desperta com a posse da bagagem que acumulou na Terra e conduziu na mente como no sentimento. Ela dispensa os objetos, os recursos amoedados e títulos, os valores materiais que ficaram e agora se tornam motivos de lutas da usura, de animosidades e rixas cruéis.

A verdadeira posse permanece com o seu cultivador, que deixa de ser aquele que tem para tomar-se o que é. Nesse momento, dá-se conta do que é verdadeiro ao lado daquilo que é falso; do que tem permanência e do que sofre transitoriedade; do que se transforma em asas de libertação, em detrimento do que sucumbe ao peso das paixões primitivas...

Essa avaliação é automática, rápida ou prolongada, conforme os comprometimentos morais de cada ser.

A consciência, sem anestesia, passa a comandar a razão com vigor, não mais podendo ser camuflada a verdade, ou postergado o momento de autoanálise, de autodescobrimento.

Muitas vezes, a memória, desatrelando-se dos neurônios cerebrais, recorda toda a existência, em forma regressiva, desde a desencarnação ao nascimento, fixando as lembranças infelizes, que se fazem acompanhar de dolorosos arrependimentos e mágoas, ou alegrias inefáveis, quando são ditosas essas recordações. Nesse instante, o que está feito não pode ser alterado até que se renovem os compromissos de reparação, quando negativos, ou prolongando as emoções de felicidade, quando ditosos.

A reencarnação tem como objetivo imediato facultar o desenvolvimento intelecto-moral do Espírito, e, ao ser ela concluída, a imediata avaliação de resultados estabelecerá os futuros empreendimentos, ficando esse período intermediário, entre o túmulo atual e o futuro berço, como preparatório, em esfera de paz ou campo de luta.

É necessário pensar-se na morte enquanto se está no corpo; fazer-se uma análise de como se encontra e qual seria o seu estado emocional ao despertar, caso a mesma lhe chegasse nesse momento.

Valeriam a pena os apegos exorbitantes a pessoas e a coisas; as disputas por heranças perturbadoras e complicadas que ficarão, por terras e propriedades que passarão de mãos? E o cultivo do amor-próprio ferido, das vaidades enganosas, dos ódios angustiantes, dos caprichos pessoais, das exigências extravagantes, das dores desnecessárias que o egoísmo e o orgulho ocasionam?

Ver-se-á, com essas reflexões, que há muito acúmulo de entulho a que se dá valor descabido nos depósitos dos interesses pessoais da existência terrestre.

Quanto maior for a soma das paixões, das fixações fortes, dos jogos dominadores nos painéis mentais e nas emoções, mais largo será o período de aflição ante a morte e de perturbação íntima, que leva a estados infelizes de obsessão os que ficaram no corpo como legatários, os adversários, os amores desequilibrados, os disputadores das coisas e posses.

É necessário um treino moral para libertar-se do que não se pode conduzir, doando-se, transferindo-se com alegria para outrem, ou deixando-se sem saudades nem amarguras todas as coisas.

Uma reflexão diária sobre a morte ajuda a partida de todos que, inevitavelmente, viajarão para o país de sua origem, de onde volverão de retomo ao mundo, no futuro, em algemas ou inteiramente livres para a preparação da sua plenitude.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco
do livro: Sob a Proteção de Deus

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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O Passe

O Passe

Manoel Philomeno de Miranda


Terminada a conferência em Basel, Suíça, sobre o tema Experiências pessoais mediúnicas e o Espiritismo, no PSI-Centrum, no dia 1 de junho, foi solicitado que se explicasse a técnica de aplicação da bioenergia, logo seguida de uma demonstração. Na manhã seguinte, o devotado Mentor Espiritual escreveu a mensagem que intitulou:

Todo ser vivo irradia a energia que lhe mantém os equipamentos constitutivos e, no caso especial das criaturas humanas, através do perispírito essa exteriorização forma a aura, que revela os estados de saúde física, emocional e psíquica, ao mesmo tempo caracterizando o nível evolutivo de cada um.

Esse campo de irradiação tanto recebe como transmite a bioenergia, que procede do espírito nos seus elementos essenciais.

É o perispírito o grande mediador, graças ao qual se expande, e por cujo intermédio é captado.

Pela sua natureza, o perispírito é constituído do mesmo tipo de fluido espiritual. Ao assimilá-lo, transmite-o ao organismo, que passa a sofrer-lhe a ação positiva ou negativa.

Todos possuem essa energia, que transmitem e captam, conscientemente ou não.

Quem deseje dedicar-se à doação bioenergética, com objetivos curadores, pode e deverá fazê-lo, observando, no entanto, alguns requisitos que se lhe tomam essenciais. Primeiro: cumpre preservar a saúde física mediante o equilíbrio das forças psicofísicas, que procedem de uma vida mental correta, com a consequente conduta moral equilibrada. Segundo: são necessários disciplinas espartanas em relação aos alcoólicos, fumo, drogas adictivas, comportamento sexual, alimentação tóxica... Terceiro: o esforço para o exercício da bondade, da abnegação e, sobretudo, do sentimento de amor, especialmente dirigido aos pacientes. Esses, por sua vez, têm como dever, o interesse por transformar-se interiormente para melhor, manter receptividade mental e emocional ao auxílio que lhe é dirigido; buscar a autoiluminação.

As enfermidades, os sofrimentos, a morte são fenômenos naturais do processo biológico, inevitáveis, por constituírem os equipamentos orgânicos apenas recursos temporários para a evolução do ser espiritual. Portanto, a terapia bioenergética não tem por objetivo impedir que os processos da existência física tenham o seu curso; no entanto, podem alterar a forma como esse programa se expressa.

A lei do mérito funciona em decorrência da conduta renovada de qualquer indivíduo, e, nesse momento, os recursos da bioenergia conseguem alterar o quadro dos resgates humanos.

Não obstante sejam conhecidas várias técnicas para a sua aplicação, nunca se deve deixar de observar a simplicidade do ato com a predominância do amor, a fim de que a preocupação exagerada com a forma não resulte em prejuízo do conteúdo.

Jesus tocava os Seus enfermos, pensava neles, usava recursos incomuns e curava-os, restituindo-lhes o equilíbrio, a sanidade, os valiosos sentidos, quando bloqueados ou afetados pelas doenças degenerativas. Todos, no entanto, no momento próprio desencarnaram, pois que a vida plena é a do espírito e não a do corpo.

O passe, igualmente, é vigorosa terapia nos estados obsessivos, por fortalecer o paciente, ensejando-lhe recursos fluídicos para a competente mudança de atitude mental e moral em relação ao seu perseguidor. Absorvendo essa vitalidade como se fora uma esponja a embeber-se de líquido, o perispírito adquire resistência para enfrentar as descargas perniciosas que lhe são transmitidas pelo adversário desencarnado, suportando-as sem prejuízo para a sua estabilidade, e, por efeito, não sendo afetados a mente ou o corpo.

A repetição da terapia e a renovação interior do enfermo são os primeiros passos para a sua recuperação, seguida da doutrinação do perseguidor ou da sua voluntária desistência ao plano de desforço a que se fixava.

Não se faz necessário que o passista seja médium ostensivo para que possa dedicar-se ao ministério fraternal da caridade. A medida que se aplique ao bem desenvolver-se-lhe-ão as faculdades curativas, permitindo-lhe, concomitantemente, receber com nitidez e consciência a influência dos Bons Espíritos, que sempre estão ao lado de todo obreiro que se afeiçoa ao serviço do Bem.

Esse auxílio, que é magnético, derivado da própria natureza humana, toma-se fluídico ante a contribuição dos Espíritos que interferem na ação socorrista.

A mente, portanto, do doador, tem papel de alta importância para os resultados do passe. Conduzida para os objetivos superiores da vida, toma-se o dínamo gerador da energia salutar que deve ser canalizada para auxílio aos enfermos.

Os fluídos são veículos seguros dos pensamentos, conforme acentuou Allan Kardec, agindo sobre os mesmos como o som age sobre o ar, assim conduzindo-os como o ar nos traz o som. Pode-se dizer, pois, com toda a verdade, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamento, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros (e visuais).

Desse modo, o pensamento, seja dos encarnados como dos desencarnados, age sobre os fluídos, sendo transmitido com facilidade.

A aplicação da bioenergia em forma de passe, sob a. inspiração do Bem, é terapia de fácil alcance e contribui admiravelmente para o equilíbrio, a saúde e o bem-estar de todas as criaturas.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco
do livro: Sob a Proteção de Deus

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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sintomas de Mediunidade

Sintomas de Mediunidade

Manoel Philomeno de Miranda

Durante os trabalhos de socorro aos irmãos desencarnados em sofrimento, através de médiuns iniciantes, no Centro Espírita na cidade de Paramirim, BA., no dia l0 de Julho de 2000, o Instrutor dirigiu-nos a seguinte mensagem:
A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.

Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.

Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.

Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.

Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas.

Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. 

No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.

Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.

Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.

Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.

Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.

Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.

O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.

Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.

A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.

A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.

Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.

A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.

É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranquila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.

Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.

Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Franco, em 10/07/ de 2000, em Paramirim, Bahia).

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco
Jornal Mundo Espírita de Março de 2001, posteriormente publicada no livro:
Reencontro com a Vida

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terça-feira, 11 de julho de 2023

Terapia da Desobsessão

Terapia da Desobsessão

Manoel Philomeno de Miranda


... E Jesus vendo a multidão (tomado de compaixão) abriu a Sua boca e disse: — “Bem-aventurados os que choram...” conforme anotou Mateus, no capítulo cinco, versículo quatro do seu Evangelho.

As multidões têm-se apresentado sempre dominadas pelas aflições geradoras de lágrimas, sem saberem os rumos a seguir, naufragando, frequentemente, nas águas encapeladas do desespero, sem experimentarem consolação.

Não basta encontrar-se alguém aflito para ser amado e socorrido, tornando-se um bem-aventurado.

A aflição que induz o ser à renovação, ao autodescobrimento, à valorização da vida, aprimora-o, libertando-o da carga constritora do sofrimento. Conhecê-la para superá-la, é o grande desafio.

Há aflições de várias gêneses e reações múltiplas, dos aflitos, que lhes impedem a consolação.

Cada ser é uma experiência particular e cada aflição representa um recurso próprio utilizado pela Vida para o seu crescimento.

Assim, multiplicam-se cada dia os fenômenos geradores de desgraça.

Entre as muitas aflições que grassam na atualidade e não estão consoladas, destacamos a epidemia obsessiva, que arrebanha multidões de desenfreadas personagens na tragédia do cotidiano.

Enfileirando-se entre os enfermos de patologias múltiplas, entregam-se aos descalabros de toda ordem, sofrendo injunções complexas de amargura e revolta, em decomposição moral, psíquica e física, sem saberem que roteiro seguir.

Mesmo quando se lhes acena a possibilidade de refazimento a contributo do esforço pessoal e da transformação íntima, recusam-se, preferindo, às vezes, a continuação do desalinho, por caprichos infantis e paixões egoistas, à aquisição da saúde.

Saúde representa-lhes responsabilidade, e equilíbrio significa-lhes investimento da vida que impõe cuidados graves e não querem administrar.

Como efeito, enquanto a insensatez e o despautério preservam o primarismo do ser, o discernimento e o bem-estar ampliam a área da consciência lúcida, que a muitos se apresenta como carga de difícil condução, de antemão recusando-se carregá-la.

A desobsessão é técnica espírita especializada para libertar as mentes que se interdependem, no comércio infeliz da submissão espiritual. Especialmente aplicada nos fenômenos que caracterizam a dominação de um espírito sobre um ser encarnado, ela se apoia em dois elementos essenciais: o esclarecimento do vingador — que cobra, por ignorância ou perversidade os delitos do passado — e a renovação moral do devedor, a vitima atual — que se transferiu da situação de algoz de ontem para a de dependente pagador de hoje.

Apesar de outros fatores importantes, tais: a compaixão de ambos os comparsas ou litigantes; o interesse de ajuda recíproca; o anelo pela felicidade; os requisitos essenciais do arrependimento do endividado e do perdão do credor, são fundamentais para que ocorra a recuperação de ambos, por se encontrarem enfermos, mesmo que ignorando a doença mental de que se faz objeto o verdugo e os distúrbios que ocorrem no paciente.

Pela sua variedade de síndromes, a obsessão permanece ainda pouco identificada entre os homens, e, graças à complexidade da psicoterapia desobsessiva, o recurso salvador se demora desconhecido, sem a conveniente e rápida aplicação.

No processo desobsessivo, o terapeuta, ou doutrinador, é o elemento-chave para o mister, por exigirem-se-lhe valores morais legítimos, conhecimento da alienação, trato psicológico para lidar com os elementos envolvidos na pugna, espírito de serviço e abnegação caridosa, que são hauridos no estudo do Espiritismo aplicado à vivência diária.

À medida que se desenvolvem as conquistas da inteligência e do sentimento, na Terra, com o correspondente aprofundamento das causas dos males humanos se descobrirá a procedência deles, e a obsessão sairá das sombras em que se homizia para receber as clarinadas de luz do Evangelho, e os homens, conscientes das suas responsabilidades perante a vida, transitarão para o comportamento saudável, no qual o amor, o dever e o respeito a Deus, ao próximo e a si mesmo, constituirão a psicoterapia preventiva às obsessões, enquanto que, diante das multidões de enfermos, a técnica da desobsessão constituirá o recurso terapêutico para que sejam liberados, portanto, consolados, conforme prometeu Jesus.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco do livro:
Antologia Espiritual

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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Obsessões intermitentes

Obsessões intermitentes

Manoel Philomeno de Miranda

Lei de Causa e Efeito

Na gênese das enfermidades físicas e psíquicas, temos como fator preponderante a lei de causa e efeito. Particularmente, nas patologias de largo porte são inevitáveis as ocorrências dessa lei, que remontam às experiências malogradas em reencarnações transatas.

O homem e a mulher reencarnam-se sob os condicionamentos e consequências dos próprios atos, que se tornam responsáveis pelo patrimônio de que se fazem portadores.

A incidência dos distúrbios no comportamento, como nas expressões psíquicas, resulta da interferência dos equívocos graves que o ser se permitiu, gerando os profundos desajustes e enarmonias dos equipamentos nervosos e cerebrais.

Da mesma forma, as energias dissolventes que fazem parte da realidade espiritual, mediante o perispírito, facultam receptividade às vidas microbianas degenerativas, que permitem a instalação de doenças graves, ou assinalam fortemente o corpo, produzindo deformações que se expressam como anomalias da mais variada catalogação.

Os indivíduos são, por conseguinte, o suceder do seu pretérito, assinalando a vilegiatura carnal com as conquistas positivas ou perniciosas de cada reencarnação.

Nesse contexto, surgem as interferências de natureza espiritual perturbadora que, por vários motivos sob os quais se ocultam, produzem lamentáveis processos obsessivos, que estiolam milhões de vidas, aturdem os sentimentos, desarticulam a razão, levando a estados de alucinação e suicídio aqueles que lhes experimentam as injunções.

Os processos obsessivos respondem por cobranças morais, nas quais os litigantes desencarnados, fixados na própria inferioridade, dão campo aos sentimentos mórbidos, ensejando oportunidade aos processos degenerativos de interferência psíquica ou física, colocando plugs vibratórios nas tomadas dos hospedeiros humanos, que lhes são as culpas fixadas no ádito do ser.

As obsessões são enfermidades graves e quase desconhecidas, mesmo por aqueles que se dedicam ao seu estudo e terapia.

Variando em caráter, tipo e profundidade, conforme as razões que as estabelecem, exigem cuidados muito especiais e pacientes, de todos quantos se dedicam à sua erradicação.

Tarefa complexa essa, exige perseverança e humildade, especialmente de quem lhes sofre a intercorrência.

A recuperação não libera, porém, as vítimas, de responsabilidades em relação aos seus algozes e ao seu próximo, antes, pelo contrário, amplia-lhes a compreensão em torno da vida e do comportamento, que devem alterar-se para melhor, assim gerando novos fatores de saúde, que irão agir nas fontes celulares, produzindo futuros resultados ou harmonizando os implementos neuroniais, os sistemas nervosos, respiratório, circulatório e tornando-se equilíbrio que produz harmonia.

Dentre as várias manifestações obsessivas, uma passa quase despercebida, sendo, por isso mesmo, de alta gravidade, pela razão de raramente chamar a atenção, graças às suas sutilezas e características especiais.

Referimo-nos às obsessões intermitentes.

Elas são frequentemente variantes, isto é, apresentam-se voluptuosas e destruidoras em determinados períodos, para desaparecerem quase completamente em outros.

Suas vítimas experimentam injunções crueis, vivendo sob verdadeiras espadas de Dâmocles, prestes a terem ceifadas a paz, a saúde, a vida...

Aqueles que sofrem as ações dos espíritos perversos — e no caso em tela, muito lúcidos e crueis — passam períodos de otimismo e realizações edificantes para, subitamente, derraparem em paixões sórdidas, depressões sem causa aparente ou exaltação de violência...

Durante a incidência da perturbação, esses seres chegam às raias da loucura, perdendo o discernimento e a lucidez, permitindo-se comportamentos esdrúxulos, atitudes surpreendentes e estados desequilibrados da alma.

Isto, porque, os seus adversários espirituais, que os conhecem, identificam os seus defeitos e sabem quais as suas imperfeições, graças aos quais têm preferências estranhas, permitindo-se licenças morais que se tornam campo propício à penetração e assimilação pelo paciente da energia obsessiva.

Esse fenômeno perturbador ocorre, como é natural, porque o enfermo cultiva os hábitos viciosos que procedem de outras existências, ou que são adquiridos mais recentemente, a cujo exercício de prazer se entregam inermes. Têm a mente enriquecida de extravagâncias e comportamentos defeituosos, não se esforçando por liberar-se em definitivo dos instintos primários nem das paixões selvagens.

As pessoas que sofrem obsessões intermitentes marcham sob sombras que necessitam ser desbastadas com a luz da conduta nobre, da ação edificante e da prece inspirativa...

Mantendo-se vigilantes, preservando o equilíbrio no trabalho do bem, conseguem despertar a simpatia dos Mentores Espirituais e libertar-se da psicosfera propiciadora da vinculação com os antigos comparsas, ora tornados inimigos.

Quem, periodicamente, experimente as alternâncias de humor, de estados emocionais e físicos, sem causas imediatas, certamente está sob a pressão de obsessões intermitentes, necessitando de coragem para o autoexame, o enfrentamento das inferioridades e a elevação moral, entregando-se ao bem que possa fazer e fruir, no qual a saúde se torna o estado ideal que todos aspiram.

No memorável diálogo entre Jesus e Pedro, a que se refere o evangelista Mateus (*), o discípulo tornou-se médium inspirado de Deus, no momento de responder ao Senhor, para logo depois, vítima de perturbação espiritual, tentar amedrontá-lO, a fim de que Ele não descesse a Jerusalém, onde seria maltratado e levado à Cruz... Posteriormente, acovardado e pusilânime, voltou a sintonizar com as mentes perversas do Além-Túmulo e negou o Amigo por três vezes...

Pedro, não obstante a sua dedicação ao Mestre, sofria de obsessões intermitentes, liberando-se, completamente, quando se resolveu abraçar a Mensagem e entregar-lhe a vida, tornando-se, desse modo, um modelo para outros pacientes semelhantes que viessem a surgir no futuro.

(*) Mateus : 16 - 14 e seguintes. Nota do Autor espiritual.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco do livro:
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