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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sintomas de Mediunidade

Sintomas de Mediunidade

Manoel Philomeno de Miranda

Durante os trabalhos de socorro aos irmãos desencarnados em sofrimento, através de médiuns iniciantes, no Centro Espírita na cidade de Paramirim, BA., no dia l0 de Julho de 2000, o Instrutor dirigiu-nos a seguinte mensagem:
A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.

Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.

Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.

Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.

Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas.

Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. 

No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.

Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.

Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.

Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.

Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.

Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.

O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.

Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.

A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.

A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.

Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.

A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.

É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranquila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.

Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.

Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Franco, em 10/07/ de 2000, em Paramirim, Bahia).

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco
Jornal Mundo Espírita de Março de 2001, posteriormente publicada no livro:
Reencontro com a Vida

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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Toxicodependência

Toxicodependência

Manoel Philomeno de Miranda



Na noite de 23 de Abril de 2001, na cidade de Quarteira, Algarve, Portugal, realizávamos o Estudo do Evangelho no Lar, encontrando-se presente um casal cujo filho enveredara pela dependência química. Durante os comentários esclarecedores em torno da página lida, o Benfeitor escreveu a seguinte mensagem:
Remanescendo dos hábitos primários com predominância em indivíduos de constituição emocional frágil, o uso de substâncias psicoativas vem conduzindo larga faixa da Humanidade à toxicodependência.

Desfilam como fantasmas truanescos e atormentados os usuários do álcool, do tabaco e das drogas químicas que ameaçam o equilíbrio psicossocial dos grupos terrestres, devorados pela insensatez de traficantes perversos e criminosos que amealham fortunas ignóbeis através do arrebanhamento de multidões de enfermos para as fugas espetaculares da realidade na direção do aniquilamento orgânico em vã expectativa de extinção do corpo.

As grandiosas contribuições do pensamento, exteriorizado nas nobres realizações da Ciência e da Tecnologia, fomentaram também a corrida desenfreada pelo conforto excessivo e pelo poder irresponsável, na louca tentativa de possuir-se em abundância, para bem desfrutar-se com ganância.

Essa aspiração, que poderia ser valiosa se pautada em linhas de equilíbrio moral, normalmente empurra o ser para a competição alucinada, destruindo o sentido ético da existência humana pela volúpia do gozo da glória terrena.

Por consequência, o egoísmo solapa os ideais de fraternidade e de ventura coletiva, trabalhando em favor da individualização, ora muito bem vivenciada nas viagens, visitas e convivências virtuais, que vêm afastando as criaturas umas das outras mediante o relacionamento computadorizado, longe do calor das comunicações interpessoais, ricas de contato sensorial vitalizador.

De outra forma, as famílias mergulhadas no torvelinho dos interesses externos, desestruturam-se e os filhos são entregues a babás humanas ou eletrônicas, quando deveriam conviver com os pais e com eles haurir emoções de segurança propiciadas pelo amor, gerando responsabilidade e dever, que são essenciais para o respeito pela própria existência e a vida em todas as suas variadas expressões.

A ausência da ternura no lar e a permanência dos conflitos nos relacionamentos dos adultos oferecem à criança e ao jovem uma visão deformada da realidade, que passa a representar, no seu interior, um processo que deveria ser de segura formação psicológica, tornando-se um desafio que apavora e gera instabilidade, assim contribuindo para o favorecimento das fugas espetaculares para os vícios de toda natureza, quais a toxicodependência, o alcoolismo, o jogo de azar, conduzindo, não poucas vezes, ao suicídio e a outros comportamentos antissociais aberrantes e criminosos.

Não é, pois, de estranhar, quando crianças e jovens utilizam-se dos instrumentos de destruição para assassinarem colegas e mestres, ou quando adultos e adolescentes se armam para extermínios seriais, mais aumentando as estatísticas de pavor e de degradação humana.

A insegurança, portanto, que se deriva do abandono a que se veem relegadas as gerações novas, o desinteresse com que são toleradas, a irritação que provocam nos adultos imaturos e egotistas, que experienciam momentos de emotividade piegas tentando diminuir o impacto negativo dos seus comportamentos através de doações de coisas e caprichos, tornam difíceis o amadurecimento psicológico das mesmas, que se sentem atiradas ao sorvedouro da insensatez generalizada.

Concomitantemente, a má orientação escolar, pela falta de uma educação baseada em valores humanos e espirituais, apresentada por professores igualmente conflitivos e atormentados, torna-se porta de acesso ao desespero e à consequente queda no abismo da viciação.

É certo que existem incontáveis exceções, nas quais se apresentam pais e educadores, homens e mulheres nobres, mas sem uma conscientização geral que envolva autoridades, famílias e cidadãos na questão momentosa da prevenção das drogas, o problema visto pelo ângulo da repressão inconsequente, que somente pune os pequenos traficantes, ameaçando os usuários em desequilíbrio, sem alcançar os poderosos cartéis espalhados pelo mundo, de maneira alguma poderá modificar a gravidade do desafio, diminuindo-lhe sequer os excessos ou evitando-lhe a dominação.

Todos os indivíduos inseguros e conflituosos são vítimas em potencial do uso e do tráfico de drogas, que se encontram ao alcance de quantos desejem usá-las.

Por outro lado, a facilidade com que se vendem produtos farmacêuticos geradores de dependência química e propiciadores de transes alucinógenos ou de sensações de aparente paz, de relaxamento torna-se também estímulo poderoso para iniciações perigosas que terminam em abuso de substâncias destrutivas dos neurônios cerebrais e responsáveis por outros danos orgânicos irreparáveis e de alta essencialidade para a existência do ser.

Torna-se urgente uma política séria sobre as drogas químicas, a fim de ser corrigida e mesmo evitada a drogadição e criados Centros reeducativos para seus dependentes, através da qual haja seriedade no estudo, análise e aplicação dos esquemas de educação para a infância e a adolescência, ao lado de confiável compromisso familiar no que diz respeito à estruturação psicológica do educando.

A criança e o jovem, não obstante a aparência de fragilidade e a inocência ante as experiências atuais, são Espíritos vividos e portadores de largo patrimônio de conquistas positivas e negativas que lhes exornam a personalidade, facilmente despertáveis de acordo com os estímulos externos que lhes sejam apresentados. Eis porque os valores morais e éticos, quando cultivados, oferecem seguras diretrizes para o equilíbrio e a existência saudável, tornando-se antídoto valioso para o enfrentamento do perigo das drogas.

Somando-se a esses fatores externos os compromissos espirituais de cada criatura, não se pode negar a preponderância da interferência dos Espíritos desencarnados na conduta dos homens terrestres. Conforme as leis de afinidade e de sintonia, ocorrem as vinculações naturais, quando não de caráter recuperador em razão de antigos débitos para com aqueles que se sentem prejudicados ou que foram vitimados pela incúria e perversidade de quem os afligiu e infelicitou.

Nesse comenos, no período da iniciação ou mesmo antes dela, instalam-se as obsessões simples, que se convertem em problemas graves, derrapando para subjugações cruéis, nas quais, hóspedes e hospedeiro interdependem-se na usança das drogas devastadoras.

Quase sempre, após instalada a obsessão desse porte, o Espírito perturbador passa a experimentar o prazer gerador do vício, especialmente se antes da desencarnação esteve sob o jugo da infeliz conduta. Havendo desencarnado, mas não sucumbindo ante o tacape da morte, busca desesperado dar prosseguimento ao hábito doentio, sintonizando com personalidades fragilizadas e inseguras, levando-as à degradante toxicodependência.

A oração, as leituras edificantes, as conversações saudáveis, ao lado da terapêutica especializada, devem ser movimentadas para a recuperação do paciente e a sua entrega a Deus mediante os bons pensamentos e as ações relevantes que constituem recurso precioso para a terapia preventiva, assim como para a curadora.

Manoel Philomeno de Miranda por Divaldo Franco do livro:
Reencontro com a Vida

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