Atualidade da doutrina espírita
José Petitinga
Rememorando os insólitos fenômenos, que atingiram o clímax a 31 de março de 1848, na residência da família Fox, em Hydesville, e abriram novos horizontes à investigação psíquica, constatamos pela fenomenologia medianímica, a legitimidade da vida espiritual depois da morte.
Do fenômeno incipiente, a princípio, à Doutrina consoladora dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, há um verdadeiro pego. E nesses ensinos, revelados pelos Imortais, reaparecem as velhas doutrinas filosóficas e religiosas, que ampliaram os horizontes do pensamento humano sobre a vida além do túmulo.
Inicialmente, para que se pudessem firmar os valores imortalistas à luz da razão, sensitivos excepcionais e investigadores valorosos foram chamados à experimentação, durante decênios de labor exaustivo.
Controles especiais, engenhos ardilosos, precauções extremadas precediam sempre aos experimentos, procurando por cobro a quaisquer tentativas de fraude, nos processos de investigação.
Em todo lugar, porém, a linguagem dos fatos atestava cientificamente a veracidade do fenômeno que abriu as portas à Doutrina propriamente dita.
Richet, operando com Marta, jovem médium de 19 anos, constata a emissão de ácido carbônico na respiração do espírito materializado de Bien-Boa.
Crookes, experimentando a adolescente Florência Cook, mede as pulsações do fantasma Katie King.
Lombroso, através da médium Eusápia Paladino, embriagada, em Gênova, vê o Espirito materializado de sua genitora.
Aksakof, pesquisando a Sra. D’Espérance, constata que Iolanda materializada se utiliza da energia da médium semidesmaterializada ante os seus olhos e sob controle rigoroso.
Em Barcelona, Marata, investigando Cármen Dominguez, com medidas acauteladoras, verifica a realidade do fantasma Leonora.
O banqueiro Livermore, através de Catarina Fox em dezenas de sessões, na sua residência, conversa com o Espírito materializado de Estela Marta, sua esposa desencarnada...
Vivem os mortos! São identificáveis os fantasmas; apresentando-se ponderáveis, contam-lhes as pulsações, modelam-se-lhes os pés, mãos e face; são extraídos resíduos ectoplásmicos; medem-lhes a força com dinamômetros; fotografam-nos... E em todas as pesquisas a vida triunfa sobre a morte.
Espíritos e médiuns submetem-se a exigências rigorosas de investigadores conscientes da própria responsabilidade e deixam-se controlar por sábios da envergadura de Bozzano, D’Arsonval, Roberto Hare, Bouvier, de Rochas, Edmonds, Du Prel, Broferio, para citar somente alguns, sem nos reportarmos aos já referidos, e empolgam-se com a realidade da vida espírita.
Monografias e relatórios, atas e documentos são apresentados a Sociedades e Academias, e o mundo toma conhecimento da Era do Espírito.
No entanto, embora todo esse material valioso, reunido em anos de cuidadoso e fatigante trabalho, de pouco proveito seria para a humanidade, não fosse Allan Kardec, o eminente missionário que, através da sensibilidade das discretas Senhoritas Japhet, Carlotti e das meninas Baudin, interrogando os imortais, codificou o Espiritismo, oferecendo ao homem abençoado roteiro para sua jornada na Terra.
* * *
Hoje, mais de cem anos decorridos, após os fenômenos de Hydesville, e rememorando os insólitos “raps” que ensejaram uma nova Era para a pesquisa da vida espiritual, encontramos na Doutrina Espírita a fórmula sempre atual para equacionar os complexos problemas da alma humana ainda atribulada e inquieta, no momento em que o homem atravessa a atmosfera em busca de outros portos no Infinito...
E ante as conquistas do pensamento, na atualidade, essa doutrina filosófica de consequências morais e religiosas cresce cada vez mais, superando a clássica fenomenologia para repetir os excertos sublimes de Jesus Cristo, conclamando ao amor e à fraternidade.
“Piedade para com os infelizes...
Esquecimento de todas as ofensas...
Perdão a todos os males...
Doação ampla e farta de luz e amor em forma de pão, agasalho e medicamento...
Renúncia como clima necessário à evolução...
Trabalho infatigável”... eis o apelo do Mundo Maior.
Doutrina Espirita hoje é Evangelho vivo e atuante junto aos corações angustiados e afligidos.
E por essa razão que, acima do fenômeno mediúnico puro e simples, está a Doutrina Espírita como “pedra de toque que desgasta o erro” e permite fulgure a verdade, rasgando clareiras na treva densa da ignorância, apontando céus formosos para o futuro.
E enquanto ruge a tormenta desenfreada, avassalando tudo, cultivemos, no Espiritismo, o diamante sem jaça da verdade, situando-o no íntimo dos corações, vivendo integralmente os ensinos de Jesus, porquanto, se o conhecimento amplia a capacidade de discernimento só o amor nos enseja o ingresso no país da consciência tranquila, conforme o postulou e viveu o Divino Amigo de todos nós.
José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade
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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.
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