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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Atualidade da doutrina espírita

Atualidade da doutrina espírita

José Petitinga


Imagem gerada por IA.

Rememorando os insólitos fenômenos, que atingiram o clímax a 31 de março de 1848, na residência da família Fox, em Hydesville, e abriram novos horizontes à investigação psíquica, constatamos pela fenomenologia medianímica, a legitimidade da vida espiritual depois da morte.

Do fenômeno incipiente, a princípio, à Doutrina consoladora dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, há um verdadeiro pego. E nesses ensinos, revelados pelos Imortais, reaparecem as velhas doutrinas filosóficas e religiosas, que ampliaram os horizontes do pensamento humano sobre a vida além do túmulo.

Inicialmente, para que se pudessem firmar os valores imortalistas à luz da razão, sensitivos excepcionais e investigadores valorosos foram chamados à experimentação, durante decênios de labor exaustivo.

Controles especiais, engenhos ardilosos, precauções extremadas precediam sempre aos experimentos, procurando por cobro a quaisquer tentativas de fraude, nos processos de investigação.

Em todo lugar, porém, a linguagem dos fatos atestava cientificamente a veracidade do fenômeno que abriu as portas à Doutrina propriamente dita.

Richet, operando com Marta, jovem médium de 19 anos, constata a emissão de ácido carbônico na respiração do espírito materializado de Bien-Boa.

Crookes, experimentando a adolescente Florência Cook, mede as pulsações do fantasma Katie King.

Lombroso, através da médium Eusápia Paladino, embriagada, em Gênova, vê o Espirito materializado de sua genitora.

Aksakof, pesquisando a Sra. D’Espérance, constata que Iolanda materializada se utiliza da energia da médium semidesmaterializada ante os seus olhos e sob controle rigoroso.

Lodge e Hyslop dialogam com o Espírito Phinuit incorporado, nas sessões da Sra. Piper.

Em Barcelona, Marata, investigando Cármen Dominguez, com medidas acauteladoras, verifica a realidade do fantasma Leonora.

O banqueiro Livermore, através de Catarina Fox em dezenas de sessões, na sua residência, conversa com o Espírito materializado de Estela Marta, sua esposa desencarnada...

Vivem os mortos! São identificáveis os fantasmas; apresentando-se ponderáveis, contam-lhes as pulsações, modelam-se-lhes os pés, mãos e face; são extraídos resíduos ectoplásmicos; medem-lhes a força com dinamômetros; fotografam-nos... E em todas as pesquisas a vida triunfa sobre a morte.

Espíritos e médiuns submetem-se a exigências rigorosas de investigadores conscientes da própria responsabilidade e deixam-se controlar por sábios da envergadura de Bozzano, D’Arsonval, Roberto Hare, Bouvier, de Rochas, Edmonds, Du Prel, Broferio, para citar somente alguns, sem nos reportarmos aos já referidos, e empolgam-se com a realidade da vida espírita.

Monografias e relatórios, atas e documentos são apresentados a Sociedades e Academias, e o mundo toma conhecimento da Era do Espírito.

No entanto, embora todo esse material valioso, reunido em anos de cuidadoso e fatigante trabalho, de pouco proveito seria para a humanidade, não fosse Allan Kardec, o eminente missionário que, através da sensibilidade das discretas Senhoritas Japhet, Carlotti e das meninas Baudin, interrogando os imortais, codificou o Espiritismo, oferecendo ao homem abençoado roteiro para sua jornada na Terra.

* * *

Hoje, mais de cem anos decorridos, após os fenômenos de Hydesville, e rememorando os insólitos “raps” que ensejaram uma nova Era para a pesquisa da vida espiritual, encontramos na Doutrina Espírita a fórmula sempre atual para equacionar os complexos problemas da alma humana ainda atribulada e inquieta, no momento em que o homem atravessa a atmosfera em busca de outros portos no Infinito...

E ante as conquistas do pensamento, na atualidade, essa doutrina filosófica de consequências morais e religiosas cresce cada vez mais, superando a clássica fenomenologia para repetir os excertos sublimes de Jesus Cristo, conclamando ao amor e à fraternidade.

“Piedade para com os infelizes...
Esquecimento de todas as ofensas...
Perdão a todos os males...
Doação ampla e farta de luz e amor em forma de pão, agasalho e medicamento...
Renúncia como clima necessário à evolução...
Trabalho infatigável”... eis o apelo do Mundo Maior.

Doutrina Espirita hoje é Evangelho vivo e atuante junto aos corações angustiados e afligidos.

E por essa razão que, acima do fenômeno mediúnico puro e simples, está a Doutrina Espírita como “pedra de toque que desgasta o erro” e permite fulgure a verdade, rasgando clareiras na treva densa da ignorância, apontando céus formosos para o futuro.

E enquanto ruge a tormenta desenfreada, avassalando tudo, cultivemos, no Espiritismo, o diamante sem jaça da verdade, situando-o no íntimo dos corações, vivendo integralmente os ensinos de Jesus, porquanto, se o conhecimento amplia a capacidade de discernimento só o amor nos enseja o ingresso no país da consciência tranquila, conforme o postulou e viveu o Divino Amigo de todos nós.

José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

A palavra nova

A palavra nova

José Petitinga


Não penses em te libertares simplesmente dos males que te afligem.

Diligencia também esgotar, até ao fim, o cálice das provas que te marcam os dias.

Não aspires a deixar para depois a experiência que te cabe.

Sê coerente contigo mesmo, aceitando as lições que escolheste.

Não ores solicitando o afastamento da crise. Acolhe a Indicação Divina, pedindo para que se faça o melhor.

Não pretendas expulsar, de qualquer maneira, os Espíritos enfermos que te assediam. Analisa, acima de tudo, a conquista de tua própria tranquilidade com a melhoria de todos eles.

Conserva o ânimo forte e o coração resignado.

À luz do Evangelho Vivo, não vale mais o adiamento sistemático das dores necessárias. Urge suportá-las, sorridentes e confiantes, desde já, onde estivermos, edificando a nossa felicidade real em futuro menos remoto.

Para outros, a compreensão de semelhante imperativo é extremamente difícil e até mesmo absurda, mas nós encontramos dentro dele a verdade mais alta.

A responsabilidade individual é intransferível.

Jesus, testemunhando a realidade imperecedoura há quase dois mil anos, e, ainda agora, retornando-nos ao convívio, através dos arautos do Além, não se propõe a forjar a mediocridade nas almas e sim a criar sentimentos nobilitantes e imarcescíveis.

Rebelar-se velada ou ostensivamente contra as aflições é o lugar comum de todas as existências e de todas as épocas; resignar-se é a palavra nova para ser aplicada com humildade, ante a justiça da Lei.

Fugir da hora difícil é a ânsia ilusória de todos; enfrentá-la com a serenidade de quem lhe reconhece a função e a oportunidade é tarefa de poucos.

Dá-nos o Consolador lenitivo e paz pelas vias do entendimento, por explicar-nos aquilo que nos parecia incompreensível.

A lágrima pacientemente derramada é passaporte para os Planos Superiores.

O Espírito de Verdade não nos veio instituir férias espirituais.

Sofrimento é trabalho purificador.

Cultivemos a conformação sem abraçar a passividade tímida e preguiçosa, mas sim exercendo o acatamento silencioso e operante de quem sente e raciocina com as sábias diretrizes da Vida, por reconhecer, na espontânea sujeição ao dever, o caminho mais curto para a vitória, à luz da imortalidade.

Tenhamos confiança, convictos de que o ensino de Jesus não caducou: — Bem-aventurados os aflitos!

Porque perseguir o brilho fugaz no mundo, se aqui jamais poderemos viver a Eternidade de que somos herdeiros?

Ampliemos a visão, engrandecendo ideais.

Aproveita o instante sublime de maturidade em que a Providência te encontra com forças suficientes para o resgate dos próprios débitos e sofre agradecendo o ensejo de reabilitação e triunfo. Nenhuma dor surge por acaso.

À frente dos transes que nos atingem, a submissão construtiva é a única medida capaz de sustar os prejuízos das atitudes protelatórias.

E, em verdade, toda prova que nos alimpa e aperfeiçoa constitui sempre uma honra conferida pelos Poderes Maiores que, em no-la enviando, nos consideram dignos de vencer hoje, em nós mesmos, a sombra do mal em que falimos ontem.

Envolve a paisagem terrestre em ondas de fraternidade irradiante.

José Petitinga por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de Volta

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terça-feira, 13 de março de 2018

Prisões

Prisões

José Petitinga



Comparemos a oração a uma abençoada chave com requisitos de possibilitar a evasão, pela porta da liberdade, às criaturas que se debatem nas celas estreitas de mil presídios especiais.

Presídios, não os conhecemos apenas como masmorras de pedras ou celas gradeadas.

Há clausuras de sombra e antros de escravidão, sem paredes onde muitos sucumbem lentamente, prisioneiros da treva interior.

Prisões da reminiscência amargurada, cárcere do remorso impiedoso, penitenciária de angústia que agrilhoam o espírito vencido às barras vigorosas de aflições sem nome.

Também há clausuras abarrotadas de ouro imaginário onde a alma se detém, patibular, contemplando notas e moedas inexistentes, infelizes e enlouquecidas; cadeias feitas de paixões violentas, retendo sentimentos e desejos impossíveis de realizar; penedias de solidão ingrata, onde o espírito sucumbe, derrotado, no cruel degredo que impôs a si mesma...

Sim! Prisioneiros somos quase todos, ligados às necessidades imediatas que convertemos em elos escravizantes ou em cubículos terríveis que nos aprisionam.

Utilizemos, por isso mesmo, a oração de misericórdia como chave miraculosa para libertar a nossa mente das províncias de sombra, clareando o coração para que ele possa arrebentar as cadeias do desespero.

E desdobrando o nosso culto oracional, recordemo-nos dos Espíritos desencarnados, aprisionados às lembranças da matéria e aos hábitos carnais em que se compraziam, atirando-se, invigilantes, ao exílio em que se demoram, retidos indefinidamente nas terríveis prisões sem barras de ferro, com a mente perturbada e o coração ultrajado.

José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Na hora do passe

Na hora do passe

Hilário Silva




Dirigia José Petitinga distinta organização espírita na capital baiana, quando um rapaz, interessado em grandes projetos de assistência social, veio procurá-lo.

E entre ambos a conversação se alongou.

- Petitinga, não podemos ficar parados. A hora é de trabalho, trabalho....

- Também penso assim.

- Que acha você levantarmos um orfanato para as criancinhas desamparadas de Salvador?

- Excelente projeto.

- E um sanatório para obsidiados?

- Muito importante.

- E uma vila completa para os nossos irmãos infelizes que moram em casebres misérrimos? Uma vila, Petitinga, em que pudéssemos reunir muitas famílias?

- O plano é uma benção.

- Um lar para velhinhos é uma necessidade... Às vezes volto para a casa, à noite, e vejo anciãos na calçada. Que diria você de um albergue moderno, de amplas proporções?

- Isso seria uma concessão de Deus.

- Noto igualmente que precisamos de um instituto diferente para os alcoolizados. Uma casa-hospital, em que os internados esqueçam o vício... Que opinião é a sua?

- Nem tenho expressões. Uma obra dessas é um monumento de amor.

- É uma escola, em bases espíritas, é caminho do Reino de Deus.

Petitinga não cabia em si de contente.

Afinal – pensava – surpreendera ave rara.

Alguém iria longe, homem disposto a trabalhar e sofrer pela causa.

E como o tempo passava e tinha serviço urgente, convidou:

- Bem, meu amigo, a sua palavra brilha para mim. Continuemos conversando em serviço. Estou justamente na hora do passe a dois irmãos tuberculosos e terei muito prazer em seu concurso...

Mas o moço, incompreensivelmente, alterou o semblante. Fez-se lívido. Repetiu, várias vezes, o gesto de quem expulsa a poeira do paletó, e ele, que sonhava tantas obras de caridade, respondeu, desenxabido:

- Ora, Petitinga, isso não. Você compreende. Não posso buscar moléstias contagiosas.

Tenho família.

E lá se foi...

Hilário Silva do livro: 
A Vida Escreve por Chico Xavier / Waldo Vieira

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