terça-feira, 2 de junho de 2026

Flagelo das obsessões

Flagelo das obsessões

Joanna de Ângelis



Ninguém se engane. A morte é instrumento cirúrgico que desveste o Espírito da sua indumentária material, mas não o transforma moralmente.
Morrer, por isso mesmo, é transferir-se de uma para outra vibração, sem que ocorra uma real modificação de estrutura na sua intimidade.
Vícios e virtudes prosseguem ínsitos no ser profundo, sem que sejam erradicados os primeiros ou sublimadas as segundas a golpes de magia.
Impregnado pelos hábitos nele instalados, o Espírito desperta com as características que lhe eram comuns durante a experiência carnal.
Desse modo, pulula, além da esfera orgânica, uma população expressiva de Espíritos em desconserto emocional e moral que, sofrendo, se compraz em afligir e perturbar aqueles que transitam no mundo imantados às paixões inferiores, cultivando vícios e escravizados aos instintos primitivos.
Tornam-se, por isso mesmo, agentes do terrível flagelo das obsessões, que campeiam desenfreadas.
Vinganças absurdas se apresentam em campeonatos de horror, lamentáveis, demonstrando a selvageria da ignorância em predomínio.
Pugnas mentais se desdobram, contínuas, atormentando indivíduos desatentos às questões espirituais.
Cobranças injustificáveis e cruéis transformam-se em fenômenos psicopatológicos de largo curso, afligindo pessoas equivocadas, que se entregam aos estados paroxísticos dolorosos.
Conflitos íntimos arrasadores restituem a consciência de culpa no invigilante, abrindo espaço para a instalação de transtornos psicóticos profundos.
Perseguições sistemáticas, ininterruptas, exaurem criaturas susceptíveis que se entregam a depressões arrasadoras ou a surtos esquizofrênicos com recidivas constantes.
... Larga faixa de obsessões arrasta incautos no seu curso e atira-os aos estados de aparente loucura, de infelicidade interior, que dominam expressivo grupo da sociedade terrestre.
A obsessão é enfermidade perigosa, que grassa, perversa, chibateando o dorso da humanidade, em sevícias contínuas, demonstrando o prosseguimento da vida além do túmulo...
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Os apóstolos, na Igreja primitiva do Cristianismo, aplicavam a psicoterapia do amor e do esclarecimento aos Espíritos enfermos com os quais dialogavam constantemente.
Seguindo a tradição socorrista de Jesus, cuja autoridade moral imprimia respeito e cuja luminescência clareava interiormente os doentes espirituais, eles procediam da mesma forma, em momentosos labores de compaixão e de caridade, modificando-lhes a estrutura íntima e acordando-os para a realidade da situação em que se encontravam.
Restaurando o elevado ministério de reequilíbrio na saúde física e mental dos anatematizados pelas rudes obsessões, os discípulos atuais do Espiritismo estão informados e são portadores de recursos que podem alterar para melhor a paisagem moral e espiritual da sociedade contemporânea.
Indispensável que todos os homens de bem se alistem nas falanges da caridade aos desencarnados em aflição, cuidando de moralizar-se e instruir-se sobre as questões importantes da vida no além-túmulo, alterando a grave situação vigente, assinalada pelas grandezas e misérias, nas quais o ser humano estertora sob o flagício das obsessões.
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A morte, portanto, é portal para a vida, e cada ser desperta após o sono da desencarnação, com os equipamentos morais e espirituais que sempre conduziu.
Visitado pelos obsidiados, Jesus penetrava psiquicamente nas causas de cada perturbação, e, usando de autoridade e amor, libertava os obsessos e os obsessores, facultando-lhes o acordar para a Vida, dispostos à recuperação e à pacificação da consciência.
Diante do flagelo das obsessões em predomínio na comunidade humana, a proposta terapêutica do Evangelho é a única portadora de substância iluminativa para alcançar o objetivo da libertação.
Jesus, portanto, hoje como ontem, é o Psicoterapeuta exemplo a Quem todos devemos recorrer, auxiliando os enfermos da alma que transitam, alucinados, fora do corpo.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No rumo da felicidade

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