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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Holocausto pela verdade

Holocausto pela verdade

Vianna de Carvalho


Imagem gerada por IA.

As ideias revolucionárias de John Wyclife eram uma claridade esfuziante na terrível noite medieval. O eminente sacerdote e teólogo inglês havia compreendido que não é necessário qualquer intermediário a fim de a criatura alcançar o seu Criador. A Doutrina crista, que luzia na palavra de Jesus, era muito diferente daquela que se ensinava nos púlpitos das igrejas e que se vivia na intimidade palaciana, onde se homiziavam em luxo e poder aqueles que se diziam representantes do Mestre sem teto, despojado de quase tudo, mas enriquecido de Deus.

Foi o primeiro grande clarão que deveria incendiar o pensamento do futuro, abrindo os espaços para o amanhecer da cultura e da dignidade humana, ao lado das grandes conquistas da ciência, da filosofia e da arte.

A Boêmia então se encontrava sob a governança do imperador Sigismundo que negociava com a Igreja de Roma a segurança do trono. Todo o Império Tcheco-eslovaco obedecia cegamente à religião dominante qual acontecia praticamente com todo o mundo ocidental.

O tribunal da Inquisição levava à fogueira milhares de vidas em toda parte. Era o braço forte da doutrina católica estrangulando todos quantos se lhe opunham, realmente ou não, ameaçando igualmente o poder civil, que se lhe submetia sem qualquer disfarce ante a ameaça da ignominiosa excomunhão.

O terror dominava as mentes e a traição estendia suas malhas por toda parte. Denúncias covardes eram acolhidas como serviços à Fé, embora não ocultassem o interesse nos espólios das suas vítimas. A intriga abraçava a hediondez e o mundo respirava os tóxicos morbíficos do ódio e do temor.

Nesse clima de incomparável desconforto moral, o eminente pregador Jan Huss tomou conhecimento da revolução ideológica wyclifeana e por ela deixou-se tocar. Interiormente, também sentia a decadência da religião e a distância que existia entre os seus teólogos e o conteúdo cristalino do Evangelho, conforme Jesus o pregara às multidões que O buscavam. Ao ler as elucubrações e propostas novas, deixou-se arrebatar, e começou a expô-las abertamente, chocando os corifeus do poder e escandalizando a hipocrisia, enquanto as multidões esfaimadas na busca da verdade, acorriam pressurosas para escutá-lo na igreja que o tornara famoso. A cada domingo, a sua voz harmônica, expressando o seu pensamento inspirado que deveria preparar o futuro, atraía maior número de ouvintes ávidos que acorriam de toda parte, da cidade como do campo, incomodando as autoridades invejosas e prepotentes.

Ademais, explicava Huss, que a Doutrina deveria ser exposta no idioma nacional, a fim de que todos tivessem acesso aos ensinamentos libertadores de Jesus, o que mais preocupava os dominadores religiosos, que se ocultavam na ignorância das verdades evangélicas para intimidar e impor-se.

Desenhava-se a Nova Era pela palavra do missionário que, sem receio, invectivava contra o abuso do comportamento, exigindo o retorno à simplicidade, à fidelidade aos dias messiânicos em que vivera o Senhor.

Como primeira medida, os seus inimigos proibiram-no de pregar na igreja, expulsando-o para pequena paróquia nos arredores de Praga, o que levou as multidões fascinadas a seguirem o seu pastor intimorato.

Não podendo silenciá-lo com a medida arbitrária, fecharam todas as igrejas, impedindo que os fiéis tivessem onde e como se comunicar com Deus, apavorando-os.

As acusações e impropérios dos fracos dominadores não foram suficientes para silenciá-lo, quando a terrível ameaça de excomunhão pairou no ar.

Considerando a gravidade da doutrina que pregava, aquela que trazia Jesus de volta às almas aflitas, o imperador convocou o sínodo de Constança, para permitir ao pregador defender-se das graves acusações de heresia.

Informado da atitude imperial e convidado por Sigismundo, que o conhecia desde a Universidade e lhe admirava os ensinamentos, ofereceu-se para ir a Constança apresentar a defesa e expor que jamais se afastara das Escrituras.

Tratava-se de uma aventura muito arriscada e que poderia culminar em traição e morte inevitável.

O missionário porém, confiante na Verdade, escudado por dois cavaleiros que lhe enviara o Imperador, partiu de Praga entre lágrimas dos seus paroquianos e seguiu na direção do holocausto que o esperava.
Compreendendo a manobra dos inimigos do Bem, houvera recorrido ao auxílio de Sigismundo, que lhe era simpático às ideias, dele conseguindo um salvo-conduto, a fim de não ser molestado, podendo defender-se em liberdade.
A construção da verdade no mundo, porém, sempre se fez a esforço hercúleo e sob o elevado preço do sacrifício.
Todos aqueles que se atreveram a erguer a bandeira do idealismo transformador, experimentaram o escárnio e a perseguição gratuita dos seus coevos, que voejavam como abutres vorazes sobre o cadáver das multidões que se lhes submetiam inermes.
Eles, porém, nunca temeram a ignorância nem a crueldade, a ingratidão nem o holocausto, impostos por aqueles que acreditavam na vitória permanente da sombra e na sua imortalidade orgânica, na suposição falsa de que a enfermidade, a velhice ou a morte nunca os alcançariam, demonstrando-lhes a fragilidade física e a transitoriedade de todas as conquistas terrenas.
Esses hediondos promotores do crime dominaram gerações, que submeteram ao talante da sua perversidade, supondo-se inatingíveis, mas sucumbindo, logo
mais, ao peso dos desenganos, quando não da própria alucinação.
Ingênuos e confiantes, os expoentes do amor e do bem sempre se deixaram conduzir pela astúcia dos maus, salvadas raras exceções, por serem nobres e incapazes de trair ou enganar.
Chegando a Constança, o pregador de Husinec procurou o cardeal Antony para justificar-se, e após diálogo caloroso, que somente aumentou o ódio do adversá
rio, foi atirado ao cárcere infecto sem qualquer acusação formal.

O sínodo reuniu-se e começou a julgar o doutor de Praga, não lhe concedendo o direito de defesa.

Nas poucas vezes em que foi convocado, esteve sob os camartelos do ódio gratuito, não conseguindo expor suas ideias.

Coibido o imperador, ante a ameaça de excomunhão por estar defendendo um herege, esse, covardemente, anulou o documento, traindo o súdito que nele confiara, e deixando-o ao abandono, à própria sorte.

Foram inúteis os seus argumentos contra as artimanhas e soezes sofismas criados apelo cinismo e pelo fanatismo dos hábeis adversários, que o acusavam de ser discípulo do arquicondenado John Wyclife, sendo humilhado, destituído publicamente dos seus títulos, inclusive o de sacerdote, exposto ao ridículo público, e, por fim, condenado à fogueira...

Atado, mais tarde, ao poste infamante e acompanhando serenamente a farsa dos inimigos de Deus e da Humanidade, aguardou as chamas quase em êxtase, por constatar que seriam inúteis os esforços para silencias as vozes da verdade.

As suas obras igualmente seriam queimadas publicamente, a fim de que não ficassem vestígios dos seus ensinamentos para o futuro.

Acreditavam que fazendo arder nas chamas inclementes o idealista, apagariam as suas lembranças e destruiriam as suas ideias, o que jamais acontece, porque o martírio amplia a grandeza dos pensamentos daqueles que o experimentam.

Ao serem ateadas as labaredas, em um momento de percepção do futuro, ante o aturdimento dos tresloucados verdugos e as lagrimas daqueles que o admiravam, mas nada podiam fazer, exclamou:

- Vós hoje assais o pato (Huss, em tcheco). Um dia porém, virá um cisne de luz, que voará acima das vossas labaredas e essas não o alcançarão.

E enquanto enunciava com dificuldade uma Ave-Maria, conforme a fé que abraçava, não conseguiu terminá-la...

Era o triste e sombrio período medieval, na manhã de 7 de julho de 1414.

O seu holocausto, decorrente da sua mensagem, que já houvera tocado outro eminente teólogo, Jerônimo de Praga, que também foi preso ao vir defendê-lo, permaneceria vivo na palavra do extraordinário latinista, professor de grego, que o seguiria também na fogueira no ano imediato.

Nos séculos sucessivos vieram os vendavais da História e o pensamento iluminado de Lutero, de Zuinglio, de João Calvino, abriria as portas do porvir para a vivência do Evangelho livre da soberania romana...

Os seus adversários foram também consumidos pelo túmulo, vencidos pelas paixões a que se entregavam, enquanto ele, após a ressurreição gloriosa, passados quase quatrocentos anos, voltou à Terra, no momento em que outro clarão anunciava Novo Dia - a claridade da ciência que se libertara das masmorras religiosas - na indumentária de Hippolyte Léon Denizard Rivail, a 3 de outubro de 1804.

Mais tarde, adotando o pseudônimo de Allan Kardec, tornou-se o missionário do Consolador, assim restaurando a doutrina de Jesus que pôde ser confirmada pelo bisturi da investigação científica, pela óptica superior do pensamento filosófico e através do seu superior código de ética-moral, que é a do próprio Evangelho, vir a ser a Religião cósmica do amor, fundamentada, na lógica, afirmando que fe verdadeira, somente o é, aquela que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade.

O progresso é inestancável e nada pode impedir-lhe a marcha. Toda tentativa de obstaculizar-lhe o avanço redunda em vá loucura, que cede lugar à realidade.

Apesar disso, ainda hoje se multiplicam os inimigos da Verdade e do Bem que, aferrados a conveniente materialismo, conspiram contra os idealistas que os ameaçam com os seus pensamentos libertários, buscando impedir-lhes o avanço.

O holocausto de todo missionário porém, transforma-se no combustível que irá sustentar as suas ideias e erguer continuadores que conseguirão implanta-las no mundo, ampliando os horizontes do progresso e abençoando o futuro.

Praga (República Tcheca), 03 de junho de 1998.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Democracia

Democracia

Joaquim Nabuco


Imagem gerada por IA.

No célebre tratado Politiká, Aristóteles, estudando as diferentes formas de governo nos Estados gregos, afirma que poderiam ser classificados em três distintos grupos, a saber: Monarquia, Aristocracia e Democracia, sendo que, esta última quando degenera, faculta o surgimento dos fenômenos da tirania, da oligarquia e da demagogia.

A Política, desse modo, é a ciência e a arte através das quais se governam os homens de forma legítima, regulando as relações que se estabelecem entre os mesmos.

O pensamento de Aristóteles foi o mais robusto da História, chegando à Idade Média de maneira preponderante na concepção escolástica. Logo depois, em razão do Renascimento e do surgimento dos novos Estados europeus, Maquiavel passou a exercer uma grande influência no desenvolvimento das atividades políticas.

Posteriormente, homens admiráveis como Hobbes, Espinosa e Locke ampliaram os conceitos a respeito das teorias políticas, facultando a Montesquieu estabelecer relações entre as instituições políticas e o ambiente físico. Com Rousseau e Kant surgiram os pródromos da ética política, encaminhando o pensamento para a razão. Com Hegel se iniciou a filosofia do Estado, que iria estimular Marx e Engels a formularem o conceito do materialismo histórico, que prevê o desenvolvimento da História, no qual há sempre algo que cresce trazendo no seu bojo o germe da própria morte, sendo o fenômeno econômico preponderante em toda a sua edificação. No presente, a política apresenta uma conceituação apriorística e subjetivista, um permanente vir a ser...

Essa ciência e arte, no entanto, ainda não encontrou o devido respeito por grande parte daqueles que se alimentam da sua estrutura - alguns políticos - que se embrenham pelos complexos caminhos da governança de povos e nações que estertoram sob o seu jugo inclemente.

Pode-se então considerar uma política trabalhada pelos valores éticos e culturais da criatura humana e outra que decorre da astúcia e dos interesses subalternos de alguns indivíduos inescrupulosos que a denigrem, utilizando-se de hábil maniqueísmo para defraudar os valores que dignificam a sociedade, ascendendo aos postos de destaque e de mando a que aspiram, e os alcançam pisoteando as vítimas que lhes tombam nas armadilhas bem urdidas.

Organizando partidos, alguns ignóbeis nas suas estruturas, esses indivíduos pretendem alcançar os objetivos eleitorais, quando em regime democrático, utilizando-se de quaisquer meios que lhes sejam factíveis.

Esses grupamentos são criados para defender os interesses dos seus membros em detrimento dos deveres para com os cidadãos e o país, caracterizando-se pela ausência de uma filosofia idealista superior, que se encarregaria de estabelecer direcionamentos éticos de conduta e de ação.

Nesse caso, derrapa-se na politicagem, que responde pela corrupção dos seus membros e pela infelicidade das massas, sempre enganadas e esquecidas.

Desde as cidades-estados na Grécia que os idealistas se propuseram a construir uma política saudável, tendo os seus postulados fincados nos deveres e responsabilidades dos seus membros, para que resultassem direitos equilibrados da sociedade e do cidadão.

Todavia, o absolutismo sempre sobrepairou triunfante em relação ao sentimento democrático e as arbitrariedades consumiram vidas, eliminando os conteúdos elevados da dignificação humana.

Durante estes passados seis mil e quinhentos anos aproximadamente de cultura e civilização, os governantes dos povos mais se apresentaram na condição de sicários do pensamento e das nações, ditadores e imperialistas, que implantaram regimes arbitrários e odientos, argamassados pelos cadáveres insepultos das suas vítimas - todos aqueles que aspiravam pela liberdade e pela fraternidade, sonhando com a igualdade - e que foram afogados em rios de sangue e lágrimas ou que apodreceram em calabouços infectos nos quais as suas vozes foram silenciadas... Os idealistas, por sua vez, foram em número quase insignificante.

Filósofos, poetas, estadistas, com as naturais exceções, tiveram poucas oportunidades no contubérnio da política através dos tempos, que se apoiava na intimidação, na traição, no suborno, quando não através de guerras hediondas e devoradoras que esmagavam com os seus carros de combate os mais fracos que se atreviam a levantar-se em oposição aos seus desmandos.

Apesar da larga história do absolutismo do poder, de que se vêm utilizando muitas religiões que se secularizaram, seguindo os mesmos infelizes mecanismos da politicagem mundana, a Democracia sempre tem ressumado, proclamando os direitos humanos, a liberdade de pensamento, de expressão, de atividades, contribuindo para a valorização do homem, da vida e de todos os elementos que pulsam na Terra.

Despedaçados muitas vezes esses ideais democráticos, sempre parecia que não mais volveriam, ressurgindo depois, embora mediante pálidas expressões responsáveis pelas futuras demarcações históricas que se encarregarão de preparar os porvindouros dias felizes para a Humanidade.

Isso porque, na sua marcha inexorável, a morte consome os abomináveis adversários da sociedade, que deixam rastros de horror para escarmento daqueles que virão depois.

Esse ditadores asfixiam, enquanto governam, a cultura e o progresso, e perseguem a inteligência, inimigos impiedosos dos ideais de engrandecimento moral dos homens, que encarceram e vilipendiam mediante processos inconfessáveis, nos antros morbíficos aos quais são atirados.

Aplicam essas medidas pensando evitar o despertar das consciências das massas - os antigos camponeses de todos os tempos - hoje apresentadas como os favelados, os sem teto, os sem terra, os sem alimentação, os sem educação, os sem dignidade social, os excluídos...

Sucedem-se esses desditosos governantes, hoje substituídos por hábeis portadores de ironia pelos fracos e dependentes, e a sua indiferença pelos pobres e sofredores, os politicamente sem voz, porque os seus representantes são silenciosos a peso de ouro e de projeção na maquinaria do poder, e assim estão por causa da ignorância em que se demoram, já que, incultos, não têm capacidade para discernir quais os verdadeiros cidadãos capazes de os governar, vendendo a alma por ninharias, elegendo os já poderosos que pensam apenas em si mesmos e nos interesses do seu grupo, do seu partido, das suas paixões.

Em todos os tempos houve manipuladores e vítimas das suas hábeis urdiduras mentais, revelando-se notáveis políticos enganadores, que não passaram despercebidos dos filósofos, sociólogos de ontem como dos estetas de hoje, que os imortalizaram, bem como as suas maquinações em obras de superior qualidade literária.

A Idade Média foi rica de famigerados governantes, que substituíram os chefes bárbaros dos períodos anteriores e que a Revolução Francesa tentou impedir que voltassem a dominar a Humanidade.

Os códigos elaborados pelos filósofos revolucionários de 1789, porém, não foram respeitados pelos aderentes apaixonados, que se responsabilizaram pelos dias de terror, que se fizeram piores do que as negligências e degradantes condutas da Casa Bourbon que fora derrubada pouco antes aos gritos harmônicos dos ideais grandiosos.

Em simulacro de democracia de emergência girondinos e jacobinos discutiam na Assembleia digladiando-se e condenando-se reciprocamente, ansiosos pelo po
der que passava de umas para outras mãos mais ambiciosas e autocratas.

O século XIX desenhou uma Era Nova para o mundo submetido ao colonialismo europeu que, desde a Constituição de Filadélfia ensejou a Tiradentes o sonho de liberdade para o Brasil, trucidado, porém, pela alucinação de D. Maria I, de Portugal.

Os ventos da liberdade são inestancáveis e prosseguiram derrubando as fortalezas do absolutismo, substituindo títeres e reizetes, potentados e militares famigerados, esquecidos dos seus valores de defensores do povo, que se perderam no pó dos museus e na memória dos perturbados, ficando os espaços por eles utilizados para outras experiências humanas...

Regimes diversos e filosofias políticas variadas apresentaram-se nas áreas social e econômica, deixando as marcas desditosas dos seus corifeus apaixonados, que assumiram o poder e esqueceram do povo, ao qual prometeram auxílio, defesa e liberdade, olvidando-o depois e sacrificando-o, inexorável, impiedosamente.

Mortos e odiados, os monumentos que ergueram à própria vaidade, e os títulos honoríficos fabulosos com as respectivas medalhas e homenagens que se atribuíram em fascinante e louco narcisismo, foram derrubados, revogados, detestados, como advertência para os futuros dominadores de um dia.

A Democracia paira soberana acima das paixões dos grupelhos e dos partidos, sendo o método de governo através do qual o povo é-lhe a alma. Um povo, porém, esclarecido, que pensa e tem dignidade para eleger, sem a hipnose da multimídia contemporânea, que o poder maneja a serviço da própria promoção e os ricos de um momento elaboram para a ampliação das fortunas que já possuem.

Passo a passo, lento, por certo, o processo de liberdade humana já se apresenta e se podem conhecer os deslizes e as torpezas antes ocultados, por serem praticados pelos poderosos e governantes truculentos, facultando se possa aspirar por momentos menos penosos e por dirigentes mais lúcidos e mais honestos.

A Democracia vencerá, porque foi vivida em toda a sua grandeza, quando Jesus, o Democrata por excelência, instalou na Terra o reino dos céus, concedendo a todos direitos e deveres igualitários.

Convivendo com o povo, que amava, não desprezou os poderosos, os pusilânimes, a todos recebendo com a mesma simpatia e misericórdia, auxiliando-os no crescimento pessoal e na solidariedade de uns para com os outros.

Aos primeiros tempos, após a Sua morte e ressurreição, os Seus seguidores instalaram nos grupos que O reverenciavam, o regime democrático ideal, através do qual todos eram iguais, diferenciando-se apenas pelas conquistas éticas e espirituais, mas sem qualquer superioridade exterior, de casta, de raça, de classe, de fortuna, de privilégio, que somente apareceram com o surgimento da decadência da fé e da arbitrariedade governamental de Constantino, por ocasião do Edito de Milão, apresentado no dia 13 de junho de 313, quando o Cristianismo começou a transformar-se em religião do Estado romano, o que aconteceu com Teodósio I, no ano de 380, por ocasião do Edito de Tessalônica.

A política democrática, que faculta dignidade humana e respeito à Vida, vencerá as barreiras deste milênio em crepúsculo, a fim de que o homem e a sociedade do futuro sejam realmente lúcidos, conscientes e responsáveis, facultando as conquistas libertadoras, nas áreas da cultura, da moral e da civilização.

Salvador, 23 de setembro de 1998. 

Joaquim Nabuco por Divaldo Franco do livro:
Luzes do Alvorecer

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Caridade

Caridade

Cárita


Imagem gerada por IA.

Eu sou o Sol que aquece a vida, em nome da Vida que criou o Sol.

Sou eu quem reverdece o campo em beijos cálidos após a demorada invernia.

Eu sou a força que sustenta as criaturas tombadas, a fim de que se ergam, e as desiludidas, para que recomecem a faina do próprio crescimento.

Eu sou o pão que alimenta os corpos e as almas, impedindo-os de experimentar deperecimento.

Sou eu a música que enternece o revoltado, e sou o poema de esperança que canta alegria onde houve devastação.

Por onde eu passo, um rastro luminoso fica vencendo a sombra que cede lugar à claridade libertadora.

Eu sou o medicamento que restaura as energias combalidas, e sou o bálsamo que suaviza o ardor das chagas purulentas que levam ao estertor e à alucina-ção. Sou a gentileza que ouve pacientemente a narrativa do sofrimento e nunca se cansa de ser solidária, conquanto a aflição que se espraie entre as criaturas.

Eu sou o fermento que leveda a massa e dá-lhe forma para aprimorar-lhe o sabor.

Sou eu a paz que visita a charneca, adornando-lhe a paisagem lúgubre.

Eu sou o perfume carreado pela brisa mansa para aromatizar os seres e o vergel.

Sou eu a consolação que cicia palavras de fé aos ouvidos da amargura e soergue aqueles que já não confiam em ninguém, aturdidos pelas frustrações e feridos pelas dores excruciantes.

Eu sou a madrugada que ressuscita todos aqueles que são tidos como mortos ou que estão adormecidos, a fim de que possam voltar ao convívio dos familiares saudosos e em angústias devastadoras.

Sou eu a água refrescante que sacia a sede de todas as necessidades e limpa as sujidades da alma de-teriorada, preparando-a para os renascimentos felizes.

Eu sou o hálito divino sustentando a criação e penetrando por todas as partículas de que se constitui.

Convido minha irmã, a Fé, para que ofereça resistência ao viajor cansado e o alente em cada passo, concedendo-lhe combustível para nunca desistir.

Eu me apoio na irmã Esperança que possui o encanto de reerguer e amenizar a aspereza das provações.

Quando elas chegam, o prado queimado se renova, porque se me associam, fazendo que arrebentem flores e frutos onde a morte parecia dominar...

As duas, a Fé e a Esperança, constituem os elementos vitais da minha alma, a fim de que permaneça conduzindo todos os seres.

O Senhor enviou-me em Seu nome, com a missão de lembrar a Sua presença no mundo, desde quando me usou para que as criaturas que Lhe desafiaram a Justiça e a Misericórdia, pudessem recomeçar o processo de evolução.

Vinde comigo ao banquete suntuoso da ação contínua do Bem e embriagai-vos de felicidade.

Eu sou a caridade!

Salvador (BA), 06 de Janeiro de 1999.

Cárita por Divaldo Franco do livro:
Luzes do Alvorecer

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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Caridade de Jesus

Caridade de Jesus

Fabiano de Cristo

Muitas pessoas se escusam de praticar a abençoada virtude da caridade, justificando-se ausência ou escassez de recursos materiais, através dos quais somente poderiam auxiliar.

Asseveram encontrar-se em carência econômica e quase em indigência, o que lhes constitui motivo de aflição.

Pensam, ou fazem crer, que a caridade é somente a doação de valores amoedados, de contribuições financeiras, esquecendo-se do sentido e do significado real da celeste virtude.

A caridade transcende à doação de coisas ou de moedas, embora essas expressões tenham grande valor para quem as oferece tanto quanto para aquele que as recebe.

O ideal seria transformá-las em salário digno, que enriquece de honradez o necessitado, que deixa de depender para transformar-se em colaborador.

A caridade é luz mirífica a brilhar sem termo na sombra dos sofrimentos humanos, de todos os sofrimentos, luarizando-os.

É o amor que se expande e se santifica, abençoando o charco, que se veste de flores e o deserto, que se transforma em pomar.

Saulo era rico. No entanto, fiel à Lei Antiga, deixou-se arrastar pela soberba e fez-se revel. Amparado pela caridade de Jesus, transformou-se e, pobre de dinheiro, distribuiu a luz da vida eterna por onde passou, enriquecendo todas as vidas que dele se acercaram.

Francisco Bernardone, esbanjando a fortuna do genitor, era trovador da futilidade. Todavia, convidado pela caridade de Jesus, empobreceu-se para enriquecer a Humanidade com amor e alegria.

Léon Tolstói, possuidor de sólida fortuna, recebeu a caridade de Jesus e repartiu os bens transitórios para melhor servir ao ideal da igualdade humana.

Gandhi, conseguindo amealhar moedas através da sua banca de advocacia, foi bafejado pela caridade de Jesus e tornou-se rico de não violência, libertando centenas de milhões de vidas que estorcegavam sob os camartelos da sujeição escravocrata imposta pelo estrangeiro.

Todos eles, e inumeráveis outros, empobreceram-se para servir à caridade, porquanto, ricos, não tinham o que doar, iluminando as paisagens escuras de vidas incontáveis, que se tornaram livres.

A caridade nunca se cansa e jamais aguarda recompensa. É alegre e simples, contentando-se em amar e erguer os combalidos, ao mesmo tempo irisando os países das almas com a esperança após as tempestades rudes.

Toda vez que o amor se compadece e se dispõe a servir, a caridade desata o perfume da sua presença e modifica o quadro de aflição.

A caridade se apresenta sutil, tornando-se forte e transformadora em razão de estruturar-se no amor de Deus.

Caridade sempre, sem recriminação nem impaciência.

Caridade em todos os momentos, porquanto ela tem cabimento em todas as circunstâncias.

Sem a caridade do Pai a vida pereceria e a esperança murcharia nas almas abrindo espaços para a desolação.

Caridade e vida, portanto, são termos da equação do amor.

Jesus, que é o Governador da Terra, para erguer as criaturas à gloria estelar, tornou-se pobre e viveu sem atavios, como exemplo máximo da caridade, a fim de que todos aqueles que O conhecem, sigam as Suas pegadas ajudando e ajudando-se com a iluminação interior do amor que é a alma da caridade.

Salvador (BA), 12/08/1996.

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domingo, 19 de setembro de 2021

Prerrogativas

Prerrogativas

Joanna de Ângelis



A existência na Terra, em si mesma, é alta concessão da Divindade, para todos que nos encontramos no afã de conseguir a libertação dos atavismos ancestrais, que nos jugulam, ainda, no primarismo da origem orgânica.

Viver, portanto, no corpo somático, dando curso ao impositivo da evolução, é bênção que não pode ser desconsiderada ou malbaratada inutilmente.

O progresso é lei irreversível, e ninguém consegue evadir-se da sua injunção.

Passo a passo, a criatura avança, conquistando o conhecimento que ajuda a discernir e aprimorando o sentimento que facilita a emoção sublimada.

Na inevitável correnteza da reencarnação, o Espírito ascende atraído pela grande luz do amor de Nosso Pai, que lhe constitui a aspiração máxima.

Esse fatalismo resulta da própria origem do ser, que se encontra ínsita no Psiquismo Divino.

Passando pelos diferentes níveis do processus, superou o entorpecimento no mineral, adquiriu a sensibilidade no vegetal, conseguiu o instinto no animal, despertando, por fim, para a razão hominal e continuando futuro afora, galgando patamares mais elevados, que culminarão na plenitude que o aguarda, quando concluídas as etapas indispensáveis que lhe cumpre vencer.

Direcionado por essa compreensão, obstáculo algum pode impedir-lhe o avanço, antes lhe constituindo desafio que o fascina e aguarda pela superação.

*

À medida que o Espírito desenvolve as suas aptidões, mais percebe que as dificuldades são testes de avaliação para sua capacidade solucionadora de problemas, porquanto, convidado a novos embates, mais amplia o discernimento e melhor desenvolve os recursos que lhe dormem latentes, jamais lhe constituindo impedimento à marcha.

Quem se resolve pela lamentação ante a montanha que deve galgar nunca desfruta da paisagem imensa, atraente, que se descortina do alto. Assim também, aquele que se compraz com o vale estreito perde a oportunidade de viajar pelos horizontes infinitos que deslumbram.

O estágio prolongado na planície ou a montanha depende de quem aí se instala. A vida propõe sempre a elevação, a conquista de mais felizes patamares, em intérmina luta de valorização do ser. Quem, portanto, propõe-se à libertação dos vínculos com a retaguarda, com a horizontalidade, facilmente alcança as metas plenificadoras.

O ser humano está fadado à glória estelar. No entanto, cumpre-lhe avançar sem descanso, jamais se entregando ao desânimo ou recuando ante as dificuldades. Se para, tem como objetivo recuperar as forças, a fim de dar continuidade ao programa estabelecido.

Nenhuma prerrogativa, portanto, de exceção, nesse programa iluminativo, que faculte ao indivíduo honestamente dedicado ao crescimento interior permitir-se ascensão sem as experiências nas fases iniciais do desenvolvimento que lhe cumpre conquistar.

As suas prerrogativas, aquelas que lhe dizem respeito, são assinaladas pelas lutas de superação de si mesmo, nas variadas etapas pelas quais deve passar, assinalando o caminho com as vitórias que são conseguidas.

A própria consciência do dever estabelece os limites de repouso e as diretrizes de trabalho para a empresa encetada, que não pode sofrer solução de continuidade.

Quando o Espírito descobre o real significado da existência, empenha-se na conquista de si mesmo e dos valores que proporcionam o desenvolvimento infinito, não mais se submetendo às circunstâncias limitadoras.

*

Certamente existem prerrogativas nem sempre levadas em conta pelo indivíduo, destacando-se a de servir sempre e sem desfalecimento, assim construindo o bem por onde passa, deixando marcas positivas das suas realizações, que equivalem a tesouros que o iluminam por dentro.

Sempre se pensa que, diante de algumas conquistas, credencia-se a merecer prestígio e consideração que, em realidade, são sinais de decadência no cumprimento dos deveres morais abraçados.

Todo aquele que aspira à felicidade labora sem descanso para consegui-la, investindo energia e capacidade intelectual para deslindar-se dos difíceis cipoais da comodidade, do prazer, da ociosidade que espera sempre poder desfrutar privilégios que não merece.

As leis da Evolução funcionam em regime de igualdade para com todos os seres do Universo, abrindo o elenco das possibilidades de triunfo para aqueles que se lhes submetem através do empenho e do interesse por consegui-lo.

Prerrogativas, pois, disputadas pelas criaturas humanas encontram-se fora dos códigos que regem a vida, propondo, em si mesma, a solidariedade que a todos deve unir, o trabalho que não cessa, a alegria de realizar-se, que significa, estímulos para novos avanços.

Uma análise profunda em torno das prerrogativas que devem assinalar o indivíduo no seu processo de crescimento espiritual deve ter em conta a honra de estar consciente das suas responsabilidades e tarefas, o júbilo de encontrar-se desperto para a realidade estrutural, que é transcendente.

Aquele que está consciente do que deve fazer e de como proceder brilha e age em consonância com o grau de entendimento, porque já não crê na sua vitória sobre as paixões dissolventes, mas sabe que o triunfo é inevitável, pois para conquistá-los é que luta.

*

Empenha-te na vivência da prerrogativa de que és filho de Deus, rumando para o Infinito, e segue intimorato, fazendo o melhor ao teu alcance, sem preocupar-te com os problemas do cotidiano.

Quem se não esforça para atingir o cume da subida, reclama na baixada, vencendo pela comodidade perturbadora.

Somente os heróis sobre si mesmos merecem os lauréis da paz e da plenitude – prerrogativas, estas sim, da batalha sem quartel travada nos campos da consciência.

Quarteira, Algarve, (Portugal.) em 12/04/1996.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro: 
Luzes do Alvorecer

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

domingo, 18 de novembro de 2018

Relacionamento afetivo

Relacionamento afetivo

Joanna de Ângelis



Quando se pensa em relacionamento afetivo duradouro, deve-se ter por meta a conquista do ser essencial e dos seus valores, ao invés dos interesses imediatistas do conúbio de natureza sexual.

O receio que preside a muitas buscas é de que a sucessão do tempo proporciona saturação e desinteresse, face à convivência repetitiva, que termina por se fazer monótona e desagradável.

Esse raciocínio falso conduz a um temor injustifica­do e, por consequência, a uma frenética busca por di­versidade, na qual o indivíduo se entrega à luxúria sob a incoerente explicação da necessidade de amor.

O amor tem sua validade, porque realiza interiormente todo aquele que o anela e se lhe entrega, desco­brindo a excelência do relacionamento na sua amplitu­de geral e nunca na particularidade de um tipo exclusivo e compensador, que não mais é do que a satisfação do instinto reprodutor, transformado em elemento de prazer.

Quando isso ocorre, a insatisfação predomina nos parceiros e facilmente desaparecem os sentimentos profundos do respeito recíproco, da necessidade fra­ternal e amiga de estarem juntos, de tudo quanto constitui objetivo básico de urna boa união.

Assim sendo, existindo essa compreensão salutar da finalidade da convivência, nunca se manifestam 0 tédio, a monotonia ou o desinteresse, porque cada dia surge com novas e fascinantes opções de descobertas de valores antes desconhecidos, de vivências não reali­zadas e de desafios enriquecedores.

Cada um dos membros da afetividade sente-se então vinculado ao outro, sem interdependência perniciosa, mas através de uma constante relação plenificadora, que se toma motivo permanente de convivência.

Temas novos são discutidos, aspirações formosas são desenhadas, buscas de horizontes amplos surgem como bênçãos e, quanto mais amadurece a afeição, mais estreitos são os liames de sustentação.

Neste particular, a fidelidade assume papel de suma importância, porquanto, somente por meio da con­fiança tranquila podem ser edificadas as bases do rela­cionamento feliz.

Certamente surgem momentos difíceis, como é nor­mal, no entanto, o amor tem a chave que decifra todas as equações e que elucida todos os problemas.

Nesses casos, ao invés de afastamento dos parcei­ros, mais os aproxima.

*

As pessoas, emocionalmente inseguras, sofrem di­ficuldade para manter um relacionamento afetivo, por­que o seu comportamento é assinalado pela instabilidade e pela desconfiança, características básicas dos seus conflitos.

Incapazes de entregar-se em clima de paz, transferem as insatisfações para o outro, sempre vitimados por incertezas e necessidades de demonstrações ex­teriores profundas para as quais não dispõem de uma escala de valores para bem as aquilatar.

Na sua inarmonia afetiva, todos os sentimentos lhes vivenciam as estruturas da personalidade enferma, in­capazes de sustentar projetos de amor que não este­jam condicionados aos seus estados conflitivos.

Todo um processo de crescimento interior e desen­volvimento da afetividade se faz indispensável para um relacionamento ajustado, portanto, compensador.

Não havendo esse esforço de parte a parte, a união de dois indivíduos portadores de comportamentos estranhos e variáveis, sempre redunda em prejuízo para ambos com dilacerações psicológicas mais graves.

O amor é um sentimento que se deve cultivar, e que cresce graças ao empenho da transformação moral do ser para melhor, quando é possuidor do discernimento que altera a conduta extravagante, harmonizando-a com os princípios éticos e morais vigentes no convívio social.

Ao mesmo tempo, requer a auto-iluminação em quem o anela, oferecendo campo para que se desen­volvam outras expressões de ternura, de compreensão, de tolerância, de doação. 

O amor é sempre generoso doador, que se multi­plica na razão direta em que se reparte.

Espraia-se, fertilizando o campo por onde se expan­de, facultando o surgimento de novos valores emocio­nais que se dignificam a si mesmos e à sociedade em geral.

*

Todos os indivíduos necessitam de um relaciona­mento afetivo seguro, fundamentado nos sentimentos de comunhão e entrega pessoal, de família e de sociedade.

Banido da união o egoísmo doentio, toma-se exequível a vivência da afetividade sem jaça, que suporta todas as agressivas reações do grupo social, no qual se convive, ou as dificuldades normais dos períodos mais difíceis do relacionamento.

Da mesma forma que a saúde resulta de fatores psicobiossociais e espirituais, a felicidade também di­mana do equilíbrio desses instrumentos, que constitu­em o quadro operacional da existência humana na Ter­ra.

Assim sendo, o amor é a alma do relacionamento afetivo equilibrado, tomando-se a ponte de segurança para a auto e a alo-realização (*) espiritual com vistas ao futuro eterno do ser.
(*) Alo-realização: Alo - prefixo de origem grega. Significado: do outro; outro. 
Paramirim (Bahia), 10/07/1999.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
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