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domingo, 16 de agosto de 2026

Regressão de memória

Regressão de memória

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

O esquecimento do passado constitui verdadeira misericórdia de Deus para com as Suas criaturas, porquanto faculta o recomeço em novo corpo sem a carga das lembranças tormentosas resultantes dos feitos negativos perpetrados em existências passadas. Outrossim, favorece com o olvido das atividades nobilitantes e dos afetos especiais que hão constituído emulação para o próprio progresso. 

A recordação das ocorrências danosas acarretaria, sem dúvida, uma alta carga de sofrimento derivado do remorso, que dificultaria o prosseguimento dos compromissos elevados. Em consequência, poderia tornar-se um motivo de desânimo gerador de estímulos prejudiciais para o abandono dos deveres ou o medo de enfrentamento dos novos desafios. Ademais, a lembrança detalhada de determinados fatos traria à memória a presença de compares igualmente comprometidos, ou pessoas outras vitimadas, ou ainda responsáveis pelo desar, assim aumentando a animosidade em relação a esses últimos.

Por outro lado, a revivescência dos momentos gloriosos, das afeições especiais se, de uma forma, pudesse transformar-se em emulação para a continuidade do esforço, faria correr o risco, de eleições especiais em detrimento de novas vinculações afetuosas, o que diminuiria o círculo de crescimento fraternal na busca da imensa família universal.

Merece ainda considerar-se que a carga das lembranças da existência atual constitui já um grave comprometimento. Caso se adicionassem aquelas que provêm de experiências transatas, por certo perturbariam o mecanismo homeostático ou de equilíbrio do indivíduo, em razão de não ser possível
suportar-se a soma de emoções que ultrapassam a capacidade de resistência fisiopsíquica.

O organismo humano é portador de um limite de energia própria para suportar emoções e sensações até certo ponto que, superado, se transforma em desajuste dos seus sutis equipamentos psíquicos, produzindo lesões irreversíveis. Por essa razão, muitos seres interexistentes, que convivem simultaneamente nas duas esferas da vida - a material e a espiritual - quando não são moralizados ou não conseguem harmonizar o comportamento com a estrutura psíquica, derrapam em alucinações, em distonias nervosas e mentais de difícil recuperação durante a existência.

O ser humano, apesar de ainda deter-se em faixa mais fisiológica do que psicológica, mais na sensação do que na emoção, já vem granjeando valores que lhe facultam liberar-se de algumas das constrições impostas pelos atos infelizes das reencarnações anteriores, que lhe pesam na economia íntima, gerando sofrimentos rudes, distonias afligentes e problemas outros na área dos relacionamentos interpessoais, dos conflitos sexuais, dos desafios econômicos e financeiros, levando-o a maiores descalabros quando não a fracassos muito perturbadores.

Tendo-se em vista que as Divinas Leis são de justiça, mas também de amor, cumpre que sejam restabelecidos os códigos de honra que foram desrespeitados e sejam recuperados os níveis de harmonia que os atos inditosos produziram.

A reparação dos erros é, por isso mesmo, inevitável, não sendo necessário de forma inexorável que essa recuperação se dê exclusivamente através do sofrimento.

Jesus lecionou que o amor cobre a multidão dos pecados, e, diante da mulher equivocada que lhe lavou os pés na casa de Simão, dominada pela ternura e pelo arrependimento da
existência insensata que se permitia, liberou-a de maiores sofrimentos, confortando-a com a sugestão dignificadora: - Por muito amares, teus pecados são-te perdoados!

Certamente não a liberou das consequências dos atos insanos, porque essas viriam naturalmente como resultado do mau uso do livre-arbítrio. Demonstrou-lhe que através do amor pode a criatura reabilitar-se de quaisquer ações nefandas que se haja facultado, desde que se empenhe na reabilitação, que é a grande meta de todo aquele que busca crescer e ser feliz.

Assim, desde os primórdios da fenomenologia mediúnica e parapsicológica os investigadores da psique humana detectaram que nos seus arquivos atuais se encontram os registros dos comportamentos passados que, de certo modo, estão a ditar-lhes novos procedimentos ou repetições de gravames que se insculpiram como agentes de perturbação.

Nos processos de ecmésia ou recordações espontâneas de vidas passadas, ou mesmo pelo concurso da hipnose, é possível reviver-se experiências esquecidas, por cuja contribuição se pode explicar um sem-número de ocorrências atuais.

Por outro lado, firmados nas infinitas possibilidades dos arquivos do inconsciente atual como do profundo, nobres psicanalistas encontraram nas ocorrências da vida perinatal a causalidade de muitos traumas, fobias, complexos de inferioridade e superioridade, narcisismo, perturbando a conduta dos seus pacientes. Através dos recursos hábeis para esse fim, vêm realizando incursões exitosas, graças às quais liberam muitos sofredores dos seus tormentosos estados d'alma, limpando-os das marcas neles gravadas.

Quando não encontrando essas causas de desajustes na fase atual nem na infância dos enfermos, foram estimulados a recuar a sonda da investigação e chegaram aos processos mais profundos dos registros, aos arquétipos coletivos, que nada mais são do que reminiscências de outras reencarnações, encontrando ali os fatores responsáveis pelos distúrbios que ora os inquietam.

Identificando as causas, trabalharam terapeuticamente nos seus efeitos e contribuíram para que muitos outros sofrimentos enigmáticos cedessem lugar à conscientização das mesmas, superando-as, através do repetir dos fatos, sob auxílio e orientação que demonstram já terem tido lugar e não mais deverem prosseguir emitindo ondas devastadoras sobre o psiquismo atual.

É claro que, em tais evocações sob hipnose ou indução mais suave, o paciente não recorda plenamente a reencarnação anterior, senão é orientado a encontrar o fator que detona o
problema e que nele mesmo se encontra ínsito.

A proposta desafiadora o inconsciente responde com as matrizes danosas, facultando a revivescência do mesmo e a
consequente liberação das suas cargas malévolas.

É claro que o assunto apenas está começando nessa área e muito se há de estudá-lo, a fim de bem penetrá-lo, evitando-se que novas recordações aumentem o somatório do que já existe no consciente, correndo-se o risco de produzir-se inarmonia homeostática.

Ademais, nem todos os pacientes que forem objeto de recordações por tal processo se liberarão dos efeitos danosos dos atos infelizes, isto porque se fazem necessárias a mudança de comportamento para melhor, a alteração dos planos mentais identificando deveres esquecidos ou novamente desrespeitados, que constituirão recurso reparador, libertação dos resultantes cármicos.

A conscientização da responsabilidade do ser humano perante a vida é-lhe a valiosíssima terapia para a conquista da saúde física e mental, sobretudo para a realização moral, cujos pródromos de atividade nem sempre feliz se encontram nos painéis da mente profunda, nos alicerces do inconsciente espiritual.

Qualquer incursão, no entanto, nesses domínios, sem orientação competente e especializada, destituída de objetivos nobres, animada por curiosidade ou frivolidade descabida, sempre resulta em desastre, isto é, em imprevisível sucesso muitas vezes de sabor amargo.

O ser humano é a medida de si mesmo. Autoconhecer-se, penetrando-se cada dia com o esforço para a identificação da sua realidade atual como passada, constitui o grande desafio que está aguardando resolução firme e dedicação contínua de cada qual.

Todo o investimento de amor e de interesse pela autoiluminação deve ser aplicado em favor do processo evolutivo, de forma que não cesse o anelo pelo crescimento interior, pela ampliação dos recursos ético-morais e intelectuais, produzindo sem cessar para o bem e para a vida, na qual irrefragavelmente se encontra incurso.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Dias Gloriosos

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.


sábado, 4 de julho de 2026

Energia mental e vida saudável

Energia mental e vida saudável

Joanna de Ângelis


Cabe ao ser inteligente descobrir na Terra a razão fundamental da própria existência, a fim de estabelecer os parâmetros propiciadores da felicidade, de forma a desenvolver a capacidade de crescimento interior, razão primacial da sua autorrealização. Enquanto não se resolva por detectar e aplicar os métodos mais compatíveis para o enriquecimento moral e espiritual, tudo se lhe apresentará sem maior sentido ou significado transformador, tornando-se o trânsito carnal um desafio recheado de desencanto e aflição.

Remanescendo no seu inconsciente profundo todos os conflitos do processo de racionalização a que foi submetido no passado, mediante os dolorosos episódios de dor e de sombra experimentados, as castrações impostas pela ignorância, os medos decorrentes dos estágios primevos, mais facilmente se entrega aos fenômenos mórbidos da depressão, da ansiedade, da insegurança, do que ao encantamento das aspirações de enobrecimento, de beleza e de paz, que lhe devem constituir emulações para a vitória nas mais diferentes situações existenciais.

A alegria de viver deve ser uma norma de conduta natural em todos os seres pensantes, mesmo quando as circunstâncias não se exteriorizam conforme desejariam. Isto porque, as ocorrências do dia a dia alteram-se a cada instante, transformando tristezas em júbilos como felicidade em infortúnio.

O fato de alguém encontrar-se usufruindo a bênção do corpo físico, mesmo que assinalado por dificuldades e limitações, representa-lhe uma dádiva com promissoras ocasiões de autossuperação que se lhe apresentam, facultando-lhe alterar a paisagem pessoal, dependendo exclusivamente da própria opção direcionada ao comportamento que se deve permitir.

A mente, nesse mister como noutros, desempenha papel relevante em relação à conduta, porque dela procedem todos os programas a que o corpo se submete. A sua ação eficiente transmite-se através de ondas que alcançam as delicadas engrenagens dos neuropeptídeos que se ramificam pelos diferentes sistemas nervoso central, imunológico, endócrino, que se interdependem, comunicando-se com todos os demais departamentos celulares da organização somática.

Quase sempre, porém, o indivíduo, trazendo marcas profundas de compromissos não solucionados de outras existências, torna-se vítima espontânea das fixações que ressumam, imprimindo na área emocional conflitos depuradores a que se aferra como necessidade psicológica de autopunição, perfeitamente dispensável no mecanismo de sua evolução para uma vida realmente saudável e ditosa.

A teimosa atitude em manter as emoções desordenadas responde pelos inumeráveis sofrimentos a que se submete, passando a viver de maneira masoquista, embora sem dar-se conta do distúrbio que o conduz.

A aspiração do bom e do belo, da paz e da alegria, sinaliza despertamento de consciência para mais altos voos.

O cérebro, sob o comando da mente, responde conforme o gênero de ordens que recebe, contribuindo com enzimas estimuladoras da saúde ou toxinas que irão destruir os sensíveis equipamentos da maquinaria orgânica, emocional ou mental.

A mente, porém, pode ser vítima de hábitos que se arraigam, tornando-se fatores degenerativos para o ser pensante.

Indispensável, portanto, que se renove, cultivando ideias elevadas, que gerem respostas de bem-estar.

É compreensível que periodicamente o organismo se ressinta sob a agressão de vírus e bacilos, de desordens de uma ou de outra natureza, mesmo que o indivíduo se encontre perfeitamente sintonizado com as ideias saudáveis, o que é natural.

A própria constituição material que reveste o ser real é frágil e susceptível de experimentar vários naturais distúrbios e processos degenerativos, já que tende a transformações contínuas, inclusive à dissolução do arquipélago celular que lhe expressa o todo. Do contrário, seria aguardar-se a imortalidade da forma, que sempre se altera e se decompõe. O importante, no entanto, é como se encontra o indivíduo para enfrentar o mecanismo físico de que se reveste, mantendo-se em clima de otimismo e de harmonia.

A doença, não raro, deve desempenhar um papel muito significativo na conduta do ser humano, porque lhe demonstra, em primeiro lugar, a fragilidade de que se constitui o corpo; depois, convida-o a reflexionar em torno das causas desencadeadoras da ocorrência enfermiça; por fim, proporciona-lhe a capacidade de aprender a administrar todos os fenômenos existenciais.

Dessa forma, surge a interrogação a respeito de como fazer-se com o sofrimento, quando se manifesta. Pode-se rejeitá-lo, pura e simplesmente, detestá-lo sob a pressão da revolta ou aceitá-lo com resignação, quase indiferença. Entretanto, é possível enfrentá-lo com um diferente tipo de conformação, aquela que se apresenta dinâmica.

A rejeição, em si mesma, de forma alguma altera-lhe o quadro, antes dificulta-lhe a captação da mensagem de que se reveste, trabalhando em favor da sua ampliação, da complicação do problema. O enfrentamento rebelde destrói as reservas de equilíbrio e de força, aumentando a carga de aflição. 

A resignação estática, indiferente, que não trabalha pela erradicação da causa, é morbidez que deve ser combatida, desânimo que se instala no ser... Somente uma aceitação, aquela que compreende o acontecimento afligente e se esforça por modificar-lhe as consequências, superando os limites impostos e dando prosseguimento aos compromissos abraçados, mesmo que a peso de grande esforço, é que contribui para a estruturação do ser inteligente, apreendendo a lição que sempre segue a todo tipo de dor ou provação.

Por isso, é imprescindível o auxílio da esperança, que fomenta a coragem, que se deriva da vibração mental positiva, enriquecedora, de procedência superior, porque dimana da vida.

O Espírito experiência a jornada carnal a fim de desenvolver todos os valores que se lhe encontram em germe, por isso mesmo vinculado às Fontes Superiores de onde procede, que o inspiram e animam em todas as vicissitudes que deve enfrentar e pelas quais passará inevitavelmente. O seu crescimento se dará sempre pelos processos de harmonia, isto é, equilíbrio e alteração de conduta, que não significará certamente desajuste, mas que lhe desenvolverá novas capacidades de enfrentamento das circunstâncias e processos inerentes à evolução.

Todo esse programa se torna factível se o indivíduo se propuser à tarefa do autoconhecimento, descobrindo a própria realidade que ultrapassa o limite da sua corporalidade e avança pela senda da sua imortalidade. Passo contínuo, estabelece as metas existenciais, as finalidades e objetivos da peregrinação humana, empenhando-se por atingir a meta, mesmo que etapa a etapa, sem pressa angustiante nem postergação mortificadora.

A lucidez mental propele o ser ao avanço que não cessa e irradia mensagens que o fortalecem, auxiliando-o a manter o padrão de equilíbrio que deve caracterizar a real saúde, aquela que permanece mesmo quando momentaneamente se instalam doenças, surgem aflições, aparecem distúrbios de qualquer natureza. Predominante no íntimo do ser, esse estado de bem-estar encarrega-se de predispor a novos tentames felizes que o impelem à conquista da felicidade.

A preservação da mente em harmonia com o Cosmo, eis a meta que deve ser conquistada, a fim de ser estabelecido o programa de evolução possível, que aguarda a criatura humana.

Em qualquer situação, pois, em que se encontre o ser pensante, a sua fonte de irradiação psíquica deve estar em perfeita sintonia com as ondas do Psiquismo Divino de onde procedem todos os dons da vida e os meios para serem logrados os objetivos existenciais.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Dias Gloriosos

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quinta-feira, 7 de março de 2024

Ligeiro estudo sobre a reencarnação

Ligeiro estudo sobre a reencarnação

Joanna de Ângelis



Desde tempos imemoriais até onde o pensamento possa recuar, as evidências sobre a imortalidade da alma, sua comunicabilidade e a reencarnação se fazem presentes em quase todos os povos e culturas, raças e grupamentos sociais, constituindo um dos mais antigos demonstrativos da realidade do ser, que não se circunscreve apenas ao amontoado de células e de cartilagens na sua constituição molecular.

Caminhando com o desenvolvimento do indivíduo, surgindo no instante do desabrochar do pensamento, esses conhecimentos têm avançado através dos milênios, convidando  à reflexão e ao direcionamento dos seus passos, no rumo de mais elevada conquista que o liberte do primarismo.

Etapa a etapa, o Espírito ascende no rumo da sua destinação gloriosa.

Tal saga - a do conhecimento dos valores eternos - é resultado da inspiração que os imortais sempre proporcionam aos seus companheiros de romagem terrestre.

Através das comunicações espirituais foram ministradas as instruções a respeito da preexistência e da sobrevivência da vida aos fenômenos do nascimento e da morte, insculpindo o mecanismo evolutivo do ir-e-vir ininterrupto, graças ao qual, da ganga bruta da matéria se libera o anjo que nela jaz adormecido pela reencarnação.

Nas culturas mais primitivas, em conceitos de metempsicose, a reencarnação esplende, mesmo que em moldes agressivos, típicos do período em que aquelas se desenvolviam, demonstrando a inexorável Lei de Justiça, que premia e que disciplina a cada um conforme as atitudes que haja mantido em relação a si mesmo e aos Códigos Soberanos da Vida.

Em inumeráveis tribos bárbaras, o conceito da metempsicose apresentava-se como forma inexorável do processo de conquista dos valores de crescimento, libertando-as da agressividade e do primarismo, enquanto insculpia a doçura e a harmonia.

O ser ascende a duras penas, lapidando as arestas e aprimorando os sentimentos no contato com as experiências que nele fixam os valores que lhe devem constituir processos de sublimação no rumo da sua imortalidade.

Criado por Deus e programado para a fatalidade do bem, do bom, do belo e do perfeito, todo o percurso que lhe está destinado terá que ser conseguido mediante a eleição espontânea, o livre-arbítrio de que desfruta, constituindo um mecanismo de justiça equânime para todos, assim evitando os diferencialismos característicos das doutrinas ortodoxas e preconceituosas.

A reencarnação se apresenta como a solução legítima para todos os problemas que surgem no comportamento dos indivíduos como dos grupos sociais, estabelecendo processos de dignificação humana ao alcance de todos.

Esse admirável conceito filosófico - que pode ser demonstrado pela experimentação de laboratório - constitui, por si mesmo, o mais eficiente processo de ascensão dos Espíritos, que jamais estacionam definitivamente, nunca retrocedendo, porquanto as conquistas adquiridas em uma etapa se transferem automaticamente para outra, armazenando na sua memória extrassensorial ou perispiritual os valores adquiridos.

Com muita propriedade afirmava o professor Francis Bowen, eminente filósofo da Universidade de Harvard, que aproximadamente noventa e oito por cento dos átomos do corpo humano são substituídos por outros, como consequência do ar, do alimento e da bebida indispensáveis à sua manutenção durante o período de um ano. No entanto, esse percentual aumenta para cem por cento, após cinquenta e três semanas. Assim sendo, um indivíduo de setenta e cinco anos já transitou por setenta novos corpos incluindo os cérebros. Mesmo se considerando que os neurônios cerebrais não se incluam nesse processo, muito dificilmente se poderia conceber a possibilidade da permanência inalterada da personalidade, da individualidade, tanto quanto das conquistas do caráter, da inteligência, da emoção...

Por sua vez, William James, filósofo e psicólogo americano, pai do pragmatismo, elucidou que se pode "conceber um mundo mental por detrás do véu, em uma forma tão individualista como se queira, sem prejuízo algum para o esquema geral com o que está representado o cérebro como um órgão transmissor..."

Certamente, o nobre estudioso do comportamento humano e do pensamento em geral se liberta do organismo cerebral propondo uma realidade de natureza mental, que se transfere de uma para outra forma carnal, no desempenho da sua função de crescimento, adquirindo maior soma de informações, porquanto uma existência única é insuficiente para tanto.

A visão primária da metempsicose, portanto, própria para a cultura primitiva, a pouco e pouco cedeu lugar ao conceito da reencarnação, que propicia o mecanismo evolucionista sem retrocesso, facultando ampliação de horizontes mentais e morais em contínua ascese espiritual.

Para que o homem primitivo pudesse conceber a Divindade, tendo em vista o nível do seu pensamento, teria que remontar ao esquema antropomórfico, representando-a mediante os padrões do próprio intelecto, dos seus tormentos e necessidades, assim portanto, formulando conceitos punitivos ou gratificadores.

De acordo com a conduta vivida e experienciada, o ser retornaria em expressões vivas da Natureza.

De alguma forma, estava embutido o princípio da realidade evolucionista, mediante o qual o psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, passando a pensar no ser humano, quando os fatores orgânicos lhe permitem a aquisição da inteligência - nele inata - e dos sentimentos que se encontram em latência, conduzindo-o à sublimação.

A crença na reencarnação está tão arraigada na história do pensamento, que alguns arqueólogos acreditam que na Nova Idade da Pedra, aproximadamente 10.000 a 5.000 anos a. C. os cadáveres eram enterrados em posição fetal, a fim de facilitar-se o próximo renascimento dos seres que os habitaram.

Essa crença se firmava na suposição de que aqueles povos, com tais costumes funerários, haviam sido elaborados para facultar os renascimentos em uma outra vida.

Como consequência dessa crença, também se acredita hoje que o asseio e a preparação proporcionados ao cadáver são, de alguma forma, a aceitação de que o ser irá renascer.

Muitas tribos, ainda na fase primitiva da evolução, acreditavam que o renascimento dependeria muito da forma como fora inumado o corpo anterior, no que resultavam cuidados especiais que passaram à posteridade, terminando pelos atuais processos de preservação e embelezamento antes da cremação ou mesmo do sepultamento.

Não obstante, o pensamento egípcio se apresentava díspar: para uns estudiosos, a mumificação tinha por meta preservar a forma e evitar a imediata reencarnação; enquanto que, para outros, tratava-se exatamente do oposto, facultando ao ser no retorno encontrar alimentos, objetos e pertences anteriores, facilitando-lhe o prosseguimento dos compromissos.

Superando a fase mitológica propriamente dita, característica desses povos primitivos, a reencarnação ressurgiu em conteúdos filosófico-religiosos muito bem definidos através do Zoroastrismo - doutrina derivada do pensamento de Zoroastro - nome dado a diversos mestres, havendo sido o último da série aquele que viveu nos anos setecentos a. C. e que ensinou serem as almas humanas Espíritos imortais, que desceram do Alto para atravessar inumeráveis existências terrenas em larga sucessão de corpos materiais, com o objetivo de adquirirem conhecimentos e experiências, para logo retornarem felizes ao seio da Divindade pela qual foram criadas.

Posteriormente, Heródoto, Platão e Plutarco afirmaram que a reencarnação era a crença geral do Egito, não obstante houvesse também a proposta da metempsicose, que se tratava de um método severo e grave para atemorizar os exotéricos, incapazes, segundo a crença geral, de penetrar o sentido oculto da revelação espiritual.

Já aí se percebem as claras informações concernentes ao esquecimento do passado, da existência anterior, quando o processo se dá no renascimento, proporcionando mecanismo
impeditivo de aflições desnecessárias para maior facilidade ascensional.

As Obras Herméticas são um repositório de informações a respeito dos renascimentos terrestres como fundamentais para a autoiluminação, em razão da impossibilidade do Espírito alcançar os degraus elevados da transcendência de uma única vez, bem como o conhecimento profundo em somente uma existência terrena.

O Hinduísmo, por sua vez, na condição de religião mais antiga de que se tem conhecimento em forma organizada, adotou a reencarnação como base para o processo do aperfeiçoamento do ser espiritual, sem o que o mesmo seria impossível.

O Budismo, seguindo a mesma linha de comportamento ancestral do pensamento hindu, fundamenta-se, essencialmente, na reencarnação, que faculta o desdobramento dos valores inatos no ser profundo, propiciando-lhe a libertação do mundo das ilusões e a perfeita integração na plenitude que lhe está reservada desde o momento da sua criação.

A recordação das existências passadas deixa de ter qualquer significado nessa Doutrina, em face do próximo despertar do Espírito após o fenômeno da desencarnação.

A sua meta, que é o encontro com Brahma, constitui o estímulo essencial para o renascimento, sendo de secundária importância saber o que haja ocorrido anteriormente.

O carma, por sua vez, é a causalidade universal, de modo que cada ação traz um efeito inevitável que deve ser reparado — quando negativa a atitude - ou estimulador e progressista - quando se fundamenta em edificações morais, artísticas, intelectuais e tudo quanto promova o indivíduo e a sociedade.

Desde o século IV a. C. o Taoísmo, que é um caminho, complementando o confucionismo e o budismo chinês, afirma que o Tao sempre existiu, antes mesmo que o céu e a terra, e que continuará existindo, sem forma, solitário, sem mudanças, chegando a toda parte sem sofrer danos de qualquer natureza, eterno, como a mãe do universo. Tudo mais é um fluxo contínuo.

Afirmava o eminente Chuang Tzu, aproximadamente 300 anos a.C, um dos seus primeiros filósofos que: Haver alcançado a forma humana deve ser sempre uma maneira de possuir alegria, para depois passar por incontáveis transições, tendo pela frente unicamente o infinito... que bênção tão incomparável!

Algumas escolas muçulmanas admitem a reencarnação e propõem-na como método edificante para alcançar o Paraíso, afirmando o retorno de Mohammed al Muntazar (Maomé), que houvera desaparecido no ano de 878, e que prossegue vivo, devendo retornar para salvar o mundo...

De alguma forma se assemelha ao Consolador prometido por Jesus, que se encontra vivo no Espiritismo.

O Sikismo, de origem mais recente, por volta do aparecimento de Nanak, que nasceu no ano de 1466 — ele próprio afirmava haver renascido antes inúmeras vezes, havendo realizado muitos atos bons e maus — propõe a roda do samsara, da qual se deve desvencilhar o Espírito, a fim de crescer e desenvolver os valores divinos nele jacentes, por meio de ações boas, do respeito às Leis de Deus, mediante a oração, todos eles métodos eficazes para o desiderato libertador.

Na Grécia, Ferécides foi o primeiro pensador a referir-se à reencarnação em sua Teologia conhecida como Sete Adyta, havendo sido o mestre de Pitágoras, que reproduziu essa crença na sua Escola de Crotona.

O próprio Pitágoras acreditava haver sido também Euforbus, ferido por Menelau em Tróia, como também Hermotimo que, estando em um templo de Apolo, reconheceu o escudo de Euforbus, e, mais tarde, Pirro, um pescador da Délia...

Píndaro, e principalmente Platão, não apenas acreditavam na reencarnação como a divulgaram, este último especialmente inspirado no seu mestre Sócrates, deixando clara a sua crença nas memoráveis obras: A República, Fédon, Menón, Timeu e As Leis, nelas ensinando a imortalidade da alma, assim como o seu trânsito em um número ilimitado de renascimentos, para retornar ao mundo das ideias, após conquistadas a beleza, a verdade e a bondade, que se adquirem no transcurso das experiências evolutivas.

Segundo Platão, a eleição de antigos amigos, parentes e afetos resulta da determinação de suas próprias realizações, sabedoria e conquistas morais.

Em Roma, a reencarnação gozou de alto respeito entre os muitos filósofos, dentre os quais Possidônio e Virgílio, este último estabelecendo que as almas depois de peregrinarem pelos abismos sorvem a água do Letes - rio do esquecimento - para retornarem ao corpo. Salústio, por exemplo, ensinava que as aflições atuais congênitas são decorrência natural das experiências passadas...

Mais tarde Fílon, judeu de Alexandria, confirmou a reencarnação, explicando que Deus criou as almas puras e que elas passaram a eleger entre a bondade e a maldade - livre-arbítrio - dando início ao ciclo reencarnacionista.

Com o advento do Cristianismo, a reencarnação encontrou fundamentos admiráveis nos enunciados de Cristo, particularmente no seu encontro com Nicodemos; na revelação a respeito do retorno de Elias como João Batista; nas referências ao resgate das dívidas e suas consequências; no caso do nado cego e noutros exemplos fecundos.

As promessas de Jesus se fundamentam na Justiça Divina, na qual se encontra presente a doutrina dos renascimentos, facultando a reabilitação dos equívocos - autoperdão - e a autopromoção pelas ações nobilitantes, que constituem a grande demonstração do amor de Deus a todas as Suas criaturas.

Em momento algum, nos Seus ensinamentos, se encontra qualquer reproche aos renascimentos orgânicos, nos quais o Espírito assume a oportunidade de crescimento e autoiluminação.

Prosseguindo com os testemunhos favoráveis à reencarnação, o neoplatonismo, que surgiu no ano de 193 d.C., fundado por Amônio Saccas, ofereceu grande número de pensadores e pais da Igreja, que demonstraram teologicamente a sua realidade.

Pode-se citar, por exemplo, Orígenes, que afirmava viverem as almas sem os corpos, que teriam esses últimos uma existência secundária, considerando que a vida verdadeira é aquela de natureza espiritual.

Plotino, por sua vez, igualmente discípulo de Ammônio Saccas, confirmava ser a reencarnação o processo depurador para aqueles que se equivocam e tombam em erros. No entanto, influenciado pela metempsicose, procurava elucidar que os maus retornam em formas inferiores, de plantas e animais, o que não corresponde à legitimidade do processo de evolução. Talvez esse conceito esotérico tivesse como objetivo convidar os exotéricos a temerem a justiça, ante a falta de maturidade psicológica para entenderem as soberanas diretrizes do amor...

Porfírio, consciente da multiplicidade das existências físicas, esclarecia, explícito, que o ser que experimentou as diferentes vidas (existências) melhores e piores, se torna um juiz mais vigoroso do que aquele que somente conheceu uma... Aquele que vive - prossegue informando - de acordo com o intelecto... passou através da vida irracional... Também informava que as almas dos filósofos depois da sua peregrinação estavam libertadas para sempre, porque depuradas pela reencarnação.

Jâmblico, por sua vez, explicava que as aparentes injustiças decorrem da conduta mantida em experiências anteriores, porque os deuses veem tudo e tomam as providências compatíveis para o processo da evolução irrefragável, no qual estão mergulhadas as criaturas.

São Gregório Nazianzeno confirmou a progressão dos Espíritos através da reencarnação, o mesmo ocorrendo com São Jerônimo, na sua Carta a Avitus, afirmando, ademais, que a mesma era praticada e aceita pelos cristãos primitivos.

Macróbio apresentou a alma como um ser puro, ao ser criada, que desce para experimentar a contingência da matéria e retornar ao seio de onde se originou, novamente purificada de qualquer imperfeição.

Próclus, demonstrando esse processo de crescimento espiritual, afirmou que o Espírito pode renascer em um ser bruto, porém nunca na condição de bruto.

Celtas e gauleses deram prosseguimento à crença na reencarnação, através dos ensinamentos druídicos, prosseguindo nos gnósticos, tais os cátaros ou albigenses.

A partir do Concílio de Constantinopla, a reencarnação tornou-se doutrina herética, graças à petulância do imperador Justiniano que convocou a assembleia, abrindo espaço para as perseguições que tiveram lugar mais tarde através da Inquisição e de todos os mecanismos da intolerância medieval, que se prolongaram até a idade Moderna.

No entanto, não existe qualquer condenação promulgada contra a crença na reencarnação na Igreja Católica, em Concílios ou mesmo através de Encíclicas, ou outros documentos oficiais do seu credo, senão por meio de opiniões esparsas e periódicas.

Embora houvesse sempre críticas à reencarnação, por parte de outros pais da Igreja, assim como diferentes filósofos e cépticos, ela permaneceu viva através dos séculos, reaparecendo nas mais diferentes culturas.

A crença na reencarnação ressurgiu, mesmo durante a Idade Média, sem desaparecer de todo durante o período das perseguições, no pensamento e na poesia de Dante, quando, no Paraíso, afirmou o bardo: — Regressou do Inferno aos seus ossos... a gloriosa alma retorna à carne onde morou por algum tempo.

A família Medici, graças às traduções realizadas por Marcílio Ficino - que atualizou o pensamento de Plotino, Jâmblico, Sinésio e outros, abrindo espaço para a sua divulgação - muito estimulou a credibilidade na reencarnação.

Giordano Bruno defendeu-a, passando a aceitá-la.

Erasmo, o cardeal Nicolau de Cusa e incontestáveis pensadores, dentre os quais, o Conde de Saint-Germain, na corte de Luis XIV, Van Helmont, Leibnitz e Voltaire, asseverando este último que não é mais surpreendente nascer duas vezes que uma, foram defensores da reencarnação.

Em a Natureza tudo é ressurreição.

Napoleão afirmava-se a reencarnação de Carlos Magno, enquanto Emanuel Kant comentava que acreditava no processo pelo qual as almas passavam a habitar outros planetas depois de haver concluído o seu ciclo de vidas na Terra.

Contam-se por centenas os escritores, poetas, pensadores e cientistas que declararam sua crença explícita na reencarnação, em face da justiça do processo evolutivo, dentre os quais, para citar-se apenas alguns: Honoré de Balzac, Emerson, Longfellow, Edgar Allan Poe, Tennyson, Thoreau, Walt Whitman, Bulwer Lytton, George Elliot, James Joyce, Walter Scott, Thomas Carlyle, Lowes Dickinson, Jack London, Soren Kierkegaard, Tolstoi, Gustav Mahler, Robert Browning, Rudyard Kipling, Thomas Moore, Thomas Edison, Victor Hugo, Gustave Flaubert, Edouard Schuré, Oscar Wilde, Francis Thompson, Yeats...

Sem a reencarnação, como entender-se a diferença de destinos, os comportamentos, as tendências e inclinações, tendo em vista que todas as almas teriam sido criadas no mesmo momento e estavam destinadas à eleição do seu futuro através de uma conduta que não se coaduna com as suas próprias possibilidades? De que recursos disporão um demente, um esquizoide, uma vítima de ocorrência teratológica ou outra qualquer, cuja capacidade de discernimento esteja bloqueada por insuficiência ou degenerescência? Ademais, como conceber-se que o sangue do Justo resgatou todos aqueles que não puderam ser batizados ou tiveram impossibilidade para filiar-se a este ou àquele culto religioso, no qual encontrariam os elementos salvacionistas?

As terríveis manifestações dos destinos, em suas desigualdades chocantes, não podem ter início na vontade divina para testar as frágeis criaturas incapazes de eleger o quê e o como agir. Ainda aí consideremos que um ser finito, ao errar, não se pode fazer credor de uma punição infinita, qual ocorre com aquele que vai atirado aos infernos sem remissão. 

Na punição eterna vemos, igualmente, que o infinito amor de Deus falhou, porque não pôde poupar o ser que criou à sua imagem e semelhança, do que seria a fragilidade que conduz em si mesmo, o que implica reconhecer que a perfeição também criou a imperfeição, o amor gerou o desamor, o bem produziu o mal...

Deus aspira para a Humanidade a perfeição, que lhe reserva, porém facultando que cada qual a consiga a esforço pessoal, o que dá dignidade ao Espírito que luta e se esforça.

A genialidade precoce, as aspirações do belo e do nobre não podem ter origem igual às expressões degenerativas para o crime, a destruição...

Criado em sua simplicidade, porém portador de todo um potencial que dorme no cerne, o Espírito avança a esforço próprio, erguendo-se, etapa a etapa, até culminar na glória solar mediante a reencarnação.

Diante dos conflitos comportamentais e dos dissabores morais, das angústias e dos complexos perturbadores, dos tormentos emocionais e ansiedades, das enfermidades dilaceradoras, degenerativas, irreversíveis, dos ódios e dos amores profundos, das desconfianças injustificáveis, da arrogância, do orgulho, do exacerbado egotismo, do primitivismo e da sabedoria, da delicadeza e da brutalidade, da nobreza e da vilania, dos gestos de santificação e de bestialidade que vigem simultaneamente, como conceber-se que todos esses seres tiveram uma só e única oportunidade?

A reencarnação é a chave para explicar, não apenas essas, senão todas as ocorrências que diferenciam os indivíduos, mesmo que se buscando a explicação genética para a maioria dos fenômenos orgânicos, mentais e comportamentais, em razão de ser ela um efeito da eleição do Espírito, que molda, através do seu perispírito, o envoltório de que necessita para resgatar, reparar e crescer.

O ser é o responsável pelo próprio destino, elaborando, ele próprio, a indumentária carnal indispensável ao seu processo iluminativo, pelo qual todos passam.

A documentação é vastíssima e enriquecedora, nas recordações espontâneas na infância; mediante os sonhos que evocam as existências passadas; nas obsessões dolorosas e destrutivas; nas comunicações mediúnicas reveladoras; no déja-vu, nas suas várias expressões como entendu, éprouvé, senti e raconté, que podem originar-se em uma vaga reminiscência de algo acontecido, entendido, sentido, ouvido e vivido; nas lembranças lúcidas de fatos que foram legitimamente experienciados... Além deles, a conquista do conhecimento do passado através da meditação - quando de conveniência para a evolução - ou mesmo nas perseguições espirituais que têm suas matrizes nos comportamentos infelizes do passado.

A hipnose tem oferecido admiráveis contribuições para a comprovação das existências passadas, seja ela realizada em estado de transe profundo ou superficial...

Os anúncios da reencarnação constituem verdadeiro desafio a qualquer dúvida, particularmente pelos sinais que são referidos antes da formação fetal e se tornam comprovados posteriormente.

Outrossim, as marcas atuais que confirmam a maneira pela qual desencarnara anteriormente o Espírito, constituem evidencias robustas para a tese da reencarnação.

Certamente apresentam-se várias hipóteses contrárias à reencarnação, que se perdem em complexo emaranhando de teorias sem resistência para a comprovação laboratorial, não passando de possibilidades respeitáveis, sem dúvida, que no entanto se apresentam mais improváveis do que aquela que pretendem negar ou destruir.

Mais exuberante que a personalidade é a individualidade, o próprio ser, que se apresenta em cada renascimento com características próprias, trabalhadas pelas ações transatas, preexistindo e sobrevivendo ao corpo carnal.

Em realidade, a conduta de cada ser está programando o seu futuro, que se transforma em fenômeno cármico individual, grupai ou familiar e coletivo de cidades e nações, como processo de depuração ou de felicidade para quem os engendra.

Em toda essa conduta, o esquecimento do passado constitui bênção que não pode ser desconsiderada. Isto porque, exceção feita à liberação de determinadas aflições ou dos propósitos superiores de crescimento iluminativo, esse olvido ajuda na seleção de valores, na escolha de realizações, porque todos se encontram conduzidos, de certo modo, pelas reminiscências inconscientes, que ressurgem como tendências, aptidões, idiossincrasias, interesses ou indiferenças que induzem à seleção de comportamentos, profissões, realizações...

Se as lembranças permanecessem, particularmente aquelas que assinalam os momentos infelizes - tragédias, prejuízos, crimes, angústias, dissabores - haveria um desequilíbrio homeostásico - psicofísico - no ser, e, portanto, a impossibilidade de dar continuidade ao seu processo de evolução, por tornar-se impróprio o renascimento, senão prejudicial.

Da mesma forma, as recordações das alegrias, da felicidade, dos momentos de júbilo e amor, de encantamento, produziriam uma imensa saudade, senão desespero pela perda daquelas oportunidades ditosas diante das afugentes, que devem ser vividas na atualidade.

As justificativas que pretendem apresentar as lembranças como positivas para melhor seleção de companheiros, de condutas, não procedem, em razão do egoísmo que predomina em a natureza humana, ao mesmo tempo levando aqueles que se lembrassem da existência passada a recordar-se também de todos quantos estiveram ao seu lado, que conviveram e, portanto, evocando-lhes as debilidades, os erros, os gravames...

A mente subconsciente libera as reminiscências úteis ao programa de elevação, tanto no que se refere aos bons como aos maus acontecimentos, auxiliando, sem imposição, na construção de melhores dias para o futuro.

Todos devem experimentar os momentos nobres como os mais primários, a fim de fixar nos refolhos do ser aquilo que edifica e o que perturba, selecionando aqueles que lhe servirão de guia para sempre.

A ignorância, o desconhecimento respondem pelos sofrimentos humanos, gerando as dores que chumbam o ser ao solo do primarismo. A medida que se esclarece, eleva-se e desenvolve todo o potencial de amor que permanece aguardando o instante próprio para revelar-se.

O conhecimento lúcido é o caminho correto para a elevação espiritual, principalmente quando as forças do amor trabalham as asas da angelitude.

Por isso mesmo, no intervalo das reencarnações, de acordo com o estado evolutivo, o Espírito vive outros estágios que o preparam para o renascimento físico, quando participa do mundo ativo da Erraticidade, programando as futuras experiências, acompanhando o processo de desenvolvimento cultural, moral e espiritual, que lá vive e deve ser transferido para a vivência carnal, promovendo o mundo e os seus habitantes...

Esse período pode ser breve ou largo, de acordo com as necessidades de cada qual, constituindo oportunidade de refazimento mental, de depuração preparatória para a próxima etapa carnal.

O conhecimento da reencarnação confere responsabilidade, ao invés de acomodação, proporciona comportamento dinâmico ao revés de estático, por facultar a consciência de que o processo evolutivo se dará conforme a eleição pessoal.

Quando isso não sucede - a seleção de valores do bem - o sofrimento se instala, ocorrendo a necessidade urgente de transformar-se, o que se torna processo doloroso que pode e deve ser evitado.

Esse mecanismo - o da reencarnação - faculta a conquista do amor, porque é elaborado por Deus, Todo Amor, atraindo as Suas criaturas para a plenitude a que lhes destina.

Por sua vez, o processo reencarnatório ocorre quando o espermatozoide fecunda o óvulo, prolongando-se até os albores da adolescência, quando se fixam as características complementares anexas da sexualidade.

A consciência, portanto, de que se está construindo o futuro, é o estímulo adequado ao prosseguimento das lutas de qualquer natureza, ensejando paz e alegria de viver.

Antes, portanto, de qualquer acaso, cumpre ao indivíduo reflexionar cuidadosamente a respeito das suas consequências, mediante as quais elabora as cadeias fortes que o jungirão ao recomeço doloroso ou sublimarão a forma, transformando-a em essência que ascenderá no rumo da libertação.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Dias Gloriosos

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