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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Fragilidade humana

Fragilidade humana

Joanna de Ângelis



Interrogas, surpreso, como foi possível a Judas, que conviveu com o Mestre em doce enternecimento, participando do banquete festivo da Boa-nova, advertido e orientado, traí-lO, entregando-O aos Seus inimigos, seja qual for a justificativa que se apresente?

Certamente, Judas O amava, a seu modo, porquanto renunciara aos compromissos anteriores, a fim de segui-lO, e, apesar disso, não suportou as pressões de Entidades perversas que o assediaram, levando-o à ruína.

Ainda fustigado pela fraqueza de caráter, quando se deu conta da hediondez praticada, ao invés de enfrentar as consequências do ato ignóbil, optou pela fuga covarde do suicídio cruel.

Inquires, com desalento, como Pedro, que havia recebido a responsabilidade de apascentar as Suas ovelhas, que com Ele convivera em intimidade, acompanhando os Seus momentos de sublimação no Tabor e de abnegação em toda parte, embora avisado com clareza, pôde negá-lO três vezes consecutivas?

Nas praias e no mar da Galileia, que lhe eram o berço e a vida social, comercial, humana, participou de todas as Suas elevadas propostas sobre o Reino dos Céus, cujos alicerces estavam sendo construídos no solo dos corações, acompanhou os fenômenos incomparáveis da Sua condição de Filho de Deus, apesar disso, fez-se vítima da fraqueza moral que não pôde superar.

Deu-se conta, logo depois, todavia, que fracassara no momento mais relevante da sua existência.

Indagas, aturdido, como todos aqueles amigos que foram eleitos como membros do Seu colégio de amor e de misericórdia, que ouviram a sinfonia esplêndida das Bem-aventuranças, que foram testemunhas das curas repentinas dos portadores de diferentes enfermidades com a Sua intervenção, que O viram repreender os ventos e as ondas durante a tempestade no mar, puderam abandoná-lO a partir do momento da traição, com exceção, apenas, de João?

Haviam sido convidados com infinito amor, aceitaram o desafio, apresentaram-Lhe todas as dúvidas, solicitaram as orientações necessárias para a entrega das existências, renunciaram às comodidades e convivência no lar, na família, no grupo social, entrementes, no momento máximo, tombaram na pusilanimidade, relegando-O à própria sorte.

Todos estavam esclarecidos e conscientes de que a jornada com Ele era feita de aflições e de soledade. Em momento algum Ele os encorajou à esperança de felicidade no mundo, de glórias terrenas, de júbilos no poder. Foi-lhes sempre sincero e claro, algumas vezes mesmo se fez enérgico e vigoroso, a fim de fortalecê-los para a grande luta; confidenciou-lhes, em intimidade, esperanças e alegrias inefáveis depois da existência corporal, e, apesar de tudo, não tiveram valor moral para segui-lO.

Sucede que o mundo físico é também sinônimo de ilusão, de sonho, de incerteza.

Mesmo eles, que deveriam estar estruturados na coragem imbatível pelo de que se encontravam conhecedores, não tiveram condições de merecer a palma da vitória sobre a inferioridade moral, pelo menos, no momento do grande testemunho.

Mais tarde, sim, todos se entregaram ao amor e à glória de servi-lO, redimindo-se da fraqueza humana.

*

Convidado, como te encontras, para a restauração dos postulados sublimes de Jesus, na atualidade de valores controvertidos e insanos, não esperes entendimento nem fidelidade dos amigos que compartem os ideais que te fascinam.

Provavelmente, todos gostariam de entregar-se ao ministério de iluminação de consciências, oferecendo os seus melhores recursos e mais honesta dedicação para que se tornem realidade os objetivos anelados.

Cada pessoa, no entanto, tem o seu próprio programa de evolução, em razão das conquistas e prejuízos anteriores, que lhe assinalam a trajetória terrestre.

Alguns, embora encantados com o Evangelho desvestido de fantasias e de superstições, conforme o desvela o Espiritismo, ainda se encontram vinculados a interesses imediatistas de prazer, de fama, de poder, e não estão dispostos a renunciar a tudo quanto os fascina.

Diversos, igualmente despertos para o banquete da Era Nova, encontram-se comprometidos com deveres familiares, sem coragem para libertar-se das exigências do lar, refugiando-se nesse mecanismo desculpista para ficarem acomodados.

Muitos, herdeiros de situações lamentáveis de outras existências, sentindo-se fracassados nos setores sociais a que se entregaram, veem na programação libertadora oportunidade de manter o poder, destacar-se a qualquer preço, disputar lugares e privilégios, vencer os demais, que passam a ter em conta de adversários...

Vários, ainda vinculados às paixões dissolventes em que se comprazem, invejam os lutadores, têm mágoa dos trabalhadores dedicados, entregando-se a sistemáticas campanhas de desmoralização das suas existências, assim torpedeando as suas nobres realizações.

São as fraquezas humanas que neles predominam.

Não conseguem superar as tendências inferiores que os mantêm em situação deplorável.

Talvez gostassem de estar ao teu lado, de ser como tu, de lutar com a tua coragem, entretanto, não se esforçam por consegui-lo, optando pela permanência no estágio que os amesquinha.

Se lhes sofres o abandono, o combate sistemático, a perseguição insana, a antipatia gratuita, o ódio devorador, não te perturbes, sintonizando na faixa da sua pusilanimidade.

Mantém-te coerente com a tua crença e fiel ao teu ideal.

Já que eles desejam ficar onde se encontram, não insistas, não os lamentes, não te detenhas.

Segue adiante!

Deves realizar a tarefa que aceitaste do Mestre, sem discussão, e que tem sido fator de alegria na tua atual existência, não constrangendo ninguém a seguir contigo, nem a te auxiliar no desiderato.

*

Se, em algum momento, estiveres para desfalecer ante as difíceis conjunturas, as perseguições e a solidão, envolve-te nas dúlcidas vibrações da prece, recuperando as energias e o desejo de avançar sem detença.

Recorda-te, de imediato, de Jesus com o madeiro sobre o ombro dilacerado, caindo várias vezes e levantando-se, sem os censurar, sem os procurar no meio da multidão que uma semana antes O aplaudiu, quando da entrada em Jerusalém, e agora O malsinava.

Constituído do mesmo material humano das demais pessoas, transforma tuas fraquezas em valor moral e sê fiel Aquele que te ama desde o início dos tempos e prossegue contigo, esperando a tua decisão de entrega total a Ele.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Inimigo insidioso

Inimigo insidioso

Joanna de Ângelis



Foste estigmatizado pela infâmia cavilosa, e porque te refugiaste na oração, conseguiste superá-la sem sequelas. Experimentaste o escárnio daqueles que te subestimam o valor, no entanto, persistindo nos ideais de enobrecimento, venceste o desafio.

Suportaste a enfermidade desgastante, entretanto, mantendo o pensamento otimista e cuidando-te sem cessar, atravessaste o período de debilidade, recuperando a saúde.

Recebeste pedradas morais, promovidas por adversários invejosos que desejavam competir contigo, e porque não ambicionavas destaques no mundo, ficaste incólume às agressões.

Foste visitado, diversas vezes, pela tentação da ira, da mágoa, da revolta, porém, reflexionando a respeito dos elevados objetivos da existência, não te detiveste nos desvios da inferioridade, avançando alegremente.

Proclamaram a tua queda, a tua deserção do bem, alguns companheiros precipitados, todavia, permanecendo imperturbável, eles te odiaram, sem que isso te afetasse.

Fustigaram-te os sentimentos através de variados ardis, mas, como te encontravas com a mente referta de idealismo e o sentimento rico de entusiasmo, não foste alcançado pelo mal que te rondava.

Recebeste a ingratidão de comensais da tua afetividade, no entanto, despido dos interesses de compensação de qualquer tipo, seguiste adiante, sem lamentar-lhes o afastamento que te não fez falta.

Provaste solidão e foste impelido ao silêncio, por circunstâncias penosas, entrementes, sintonizando com as Esferas superiores, ouviste as vozes dos Céus e sentiste a companhia dos benfeitores espirituais, dando prosseguimento ao trabalho.

Tentaram arruinar-te o nome, objetivando dificultar o teu acesso aos corações, apesar disso, os teus testemunhos de dignidade superaram as informações descabidas e falsas, mais ampliando os teus horizontes de edificações morais.

Armaram redes de acusadores fixados em ti, perturbados pela monoideia de impedir-te o avanço, assim mesmo, porque não cessaste de agir e de servir, esses inimigos da tua paz sofrem por ver-te impertérrito na desincumbência do compromisso assumido com Jesus.

Em todas as situações afligentes, lograste manter a inteireza moral, superando-te a ti mesmo.

Porque o teu vínculo é com Jesus e não com as pessoas, tudo quanto te fizerem, certamente não te afetará, se porfiares, porque Ele te defende de todo mal que não esteja estabelecido pela Lei de Causa e Efeito.

Na luta forjam-se os heróis e os santos, os mártires e os abnegados construtores da Humanidade feliz.

Nunca temas, nem te afadigues em defesas injustificáveis quão desnecessárias, porquanto estás fadado à conquista do Infinito...

*

A situação em que te vês agora é bem diversa, mais grave do que todas antes enfrentadas, porque sutil, quase despercebida.

Semelhante a cupim devorador e oculto no âmago da madeira, estás sendo carcomido interiormente, perdendo valiosas energias e vigor.

Insidioso, esse inimigo cruel tem-te rondado os passos, desde há muito tempo, sendo sempre repelido com tenacidade.

Agora, talvez porque te sintas cansado, como é natural, ei-lo tomando as províncias do teu sentimento e apoderando-se do teu entusiasmo.

Trata-se do desânimo, esse inimigo sibilino e torpe.

Tem cuidado e redobra a atenção a seu respeito.

Sob pretexto algum lhe dês oportunidade de alojamento no teu mundo íntimo.

Ele tem sido responsável por muitas defecções de obreiros do progresso, que se sentiram desestimulados e desistiram de lutar.

A princípio, não se lhe percebe a façanha destrutiva, porque se apresenta como tédio, para logo transformar-se em indiferença, por fim converter-se em abatimento e fuga das responsabilidades.

Contrapõe-lhe a vontade férrea, a alegria de viver, o interesse para concluir o trabalho iniciado.

Se te escassearem energias, refaze-te na oração, mergulhando no oceano de forças benfazejas que a tudo envolve.

De imediato, a seguir, busca a meditação, analisando a transitoriedade de todos os fenômenos e remontando-lhes às causas eternas, assim constatando que não vale a pena desperdiçar o tempo em questões de secundária importância.

Tem em mente que estes momentos também passarão, como se diluíram outros de alegrias e de tristezas, aguardando o porvir.

Se, por acaso, persistir o bafio pestilento, considera as aflições do teu próximo a quem podes ajudar, e sai da jaula asfixiante do desânimo para a liberdade de servir.

Respirarás, então, o oxigênio da caridade, logo te sentindo renovado.

Ama, pois, e auxilia em qualquer situação que se te apresente.

Iniciar atividades é muito fácil, mantê-las é mais difícil e concluí-las é o desafio que a reencarnação propõe a todos.

*

Jesus assinalou com muita propriedade e sabedoria que tudo é possível àquele que crê, que se empenha e não cessa de lutar.

Investe mais nos teus objetivos abraçados e insiste durante os bons e os maus períodos.

A vitória somente pode ser celebrada quando concluída a luta, encerrada a tarefa.

Sob a inspiração de Jesus, persevera e crê nos resultados superiores dos investimentos da tua atual existência e conseguirás alcançar a meta.

Desanimar, porém, nunca!

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Libertação pelo amor

Libertação pelo amor

Joanna de Ângelis



(...) Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Mateus, 22:39 / ESE. Cap. XI - Item 8

Toda a essência da vida encontra-se estabelecida no amor, que é de procedência divina. Alcançar esse clímax do processo da evolução é o cometimento mais audacioso que o ser inteligente
encontra pelo caminho ascensional.

Na perspectiva da Psicologia Profunda, o ser vive para amar e ser amado, iluminar a sombra e fazer prevalecer o Self.

Esse processo encerra toda a saga da autoconquista de cada ser, que deve transformar impulsos em sentimentos, atavismos em atividades lúcidas, heranças dominadoras em aquisições plenas, instintos arraigados em emoções harmônicas, hábitos estratificados em realizações edificantes, tendências inferiores em aspirações elevadas sob os impulsos do amor. Tal é o grande compromisso que deve ser atendido por todas as criaturas que anelam pela tranquilidade e pelo bem-estar legítimo.

Invariavelmente o amor surge como desejo inicial de compartir alegrias e repartir realizações. Expressando-se inconscientemente no zelo pela prole, na defesa pelo clã, no interesse pelo progresso pessoal, como o daqueles que lhe dizem respeito pela consanguinidade, inicia o seu mister crescendo ascensionalmente de forma a ampliar-se cada vez mais.

Terapia eficiente para superação da sombra, o amor é o medicamento salutar para o ego enfermo, estímulo eficiente para o Self que desabrocha soberano quando irrigado pelo fluxo desse sentimento superior da vida.

Jesus, o Homem, fez-se o exemplo mais vivido do amor de que o mundo tem notícias. Submetido às injunções por que passam todas as criaturas, a Sua trajetória fez-se assinalada pelas mais vigorosas páginas de compreensão e brandura para com todos, exercendo autoridade e carinho em perfeita harmonia, mesmo nas situações mais chocantes, sem perder o equilíbrio nem a afetividade. Quando austero, educava amorosamente e com energia; quando meigo, orientava com ternura e segurança; ante a hipocrisia insidiosa e perversa, assumia a atitude de enfrentamento sem descer à condição infeliz do seu antagonista, repreendendo-o e desmascarando-o com o objetivo de educá-lo.

A ausência do amor no ser humano e, por consequência, no mundo, demonstra o estágio de primarismo ainda predominante, que dificulta o processo de evolução, gerando conflitos perfeitamente dispensáveis, mas que se demoram perturbadores como ferretes impelindo para frente e para a conquista desse atributo superior do ser.

Amar é abrir o coração sem reservas, encontrar-se desarmado de sentimentos de oposição, sempre favorável ao bem e ao progresso, mesmo quando discordando das colocações que são apresentadas.

É também um mecanismo de compaixão e de misericórdia para consigo e principalmente para com o próximo, sua meta e sua necessidade, que passa a constituir-se fundamental no relacionamento e na conquista da autoconfiança.

O amor é o liame sutil que une o interior ao exterior do ser, o profano ao sagrado, o ego ao Self, que lhe passa a comandar o comportamento, o material ao espiritual.

O amor nunca se ofende e sempre está lúcido para entender que na sua vibração tudo se harmoniza, mesmo quando as leis dos contrários se apresentam, porque não agride nem violenta, tudo aceitando com equilíbrio e canalizando com sabedoria.

Não poderia ser outra a diretriz proposta pelo Revolucionário galileu, que colocava balizas novas nas velhas estruturas do comportamento humano, até então escravo do desamor, das artimanhas da mentira e das arbitrariedades das pessoas e dos governos.

O amor não mente, porque a sua é a estrutura da autenticidade, sempre aberto e claro, possuidor de quase infinita capacidade de paciência e de compreensão.

Jesus, na condição de peregrino do amor, demonstrou como é possível curar as feridas do mundo e dos seres humanos com a exteriorização do amor em forma de compaixão, de bondade, de carinho e de entendimento.

Eram primitivos e cruéis aqueles dias nos quais Ele viveu e, por isso mesmo, a Sua trajetória impressiona pela superior maneira como Se conduziu, enfrentando largos trajetos a vencer entre vicissitudes e impedimentos que nunca Lhe constituíram empeço para alcançar os objetivos traçados.

Quando a mulher era espólio do homem, que dela podia dispor a seu bel-prazer, e cujos sentimentos íntimos não eram levados em consideração, caracterizados como fraqueza digna de punição e chalaça, Ele assumiu a anima e enterneceu-se com as suas demonstrações de doçura e de piedade, de amor e de solidariedade, conclamando-a à autoestima, apesar de todos os
impedimentos, à coragem para os enfrentamentos no lar, no convívio social, nas lutas políticas pelo bem geral. Ergueu-a do vale em que se encontrava, na sombra coletiva, ao planalto de luz resplendente de liberdade e dignidade, conseguindo o seu lugar no concerto da Humanidade.

Quando os pobres eram tidos por desprotegidos de Deus, e os enfermos graves eram expulsos das cidades, porque se encontravam mortos, tendo os seus nomes cancelados do Livro dos vivos, Ele os exaltou em inesquecível bem-aventurança, principalmente, aqueles que foram pobres de espírito de avareza e de paixões inferiores. Nunca se apartou dos doentes e odiados, visitando os samaritanos detestados e oferecendo-lhes os bens eternos da Sua mensagem confortadora e rica de paz.

Jamais temeu os poderosos, os intrigantes, os fariseus odientos e ingratos, os saduceus materialistas e utilitaristas, sem porém os detestar, lamentando o estado em que se encontravam, longe de Deus e de si mesmos, intoxicados pelo orgulho e vencidos pela avareza, infelicitadores, porque infelizes em si mesmos, sem se permitirem lugar propício ao despertamento para a realidade espiritual.

Invariavelmente as pessoas que ainda não aprenderam com o Homem-Jesus a excelência do amor, pensam que são amadas porque se fazem especiais, esquecendo-se de que por amarem tornam-se especiais.

O amor dinamiza os potenciais internos do ser, contribuindo para que os neurônios e as glândulas do sistema endócrino produzam imunoglobulinas que imunizam o ser em relação a diversas infecções, enquanto vitalizam o emocional e o psíquico, afinal de onde dimana essa energia poderosa...

É graças ao amor que os relacionamentos atingem a sua plenitude, porque o egoísmo cede lugar ao altruísmo e o entendimento de respeito como de confiança alicerça mais os sentimentos que se harmonizam, produzindo bem-estar em quem doa, tanto quanto em quem recebe.

Somente o amor permite que se vejam as pessoas como são.

Sem ele, percebem-se os reflexos da personalidade que deseja impressionar e conquistar lugar e afeto, sem a qualidade essencial que é o sentimento profundo de doar para depois receber, ou ofertar sem o escuso interesse de negociar uma recompensa. Por isso, quando não está vitalizado esse desejo pelo hálito do amor real, a frustração e a amargura sempre acompanham os insucessos, que são decorrentes da ausência de pureza do ofertório.

Amando-se, ultrapassa-se a própria humanidade na qual se encontra o ser, para alcançar-se uma forma de angelitude, que o alça do mundo físico ao espiritual mesmo que sem ruptura dos laços materiais.

Todo esse concerto de afetividade inicia-se no respeito por si mesmo, na educação da vontade e no bom direcionamento dos sentimentos, de forma que a autodescoberta trace conduta saudável que irradie harmonia e alegria de viver, tornando a existência física aprazível seja em que forma se apresente, não sofrendo as alterações dos estados apaixonados e dos gostos atrabiliários.

Esse sentido de autoamor que se transmuda em aloamor (amor ao próximo), alcança a etapa mais elevada que é o amor a Deus acima de todas as coisas e condições, por significar a perfeita identificação da criatura com o seu Criador, haurindo sempre mais força e beleza para o autocrescimento.

Moisés foi o instrumento da Lei severa, necessária para a educação de um povo nômade e pastor, que saindo da escravidão necessitava construir uma Nação, fixar-se, estabelecendo as disciplinas de conduta para o equilíbrio da coletividade e o bem-estar geral.

Jesus é o amor humanizado que se entrega ao matadouro em holocausto vivo, demonstrando que a existência terrena, embora merecendo respeito e sendo credora de preservação, quando luz o amor ao próximo, cede lugar pessoal em favor daquele, transferindo-se, por abnegação, de uma condição existencial efêmera para outra espiritual e eterna.

Sua revolução pelo amor suplantou tudo quanto antes fora apresentado pelo pensamento histórico e pela ética, invertendo as propostas sociais e políticas que primavam pela prevalência do ego dominante, exaltando o Eu profundo de caráter eterno e sobranceiro a todas as injunções transitórias do mundo físico.

Iniciando-se esse sentimento como impulso nobre para a renúncia e a dedicação ao próximo, através da esteira das reencarnações, amplia-se, enriquece-se, sublima-se até alcançar as excelsas paragens do Bem Incomum.

Enfrentando os fariseus, discutidores incuráveis e malfazejos, sempre buscando algo para incriminar seja a quem fosse, respondeu-lhes à indagação melíflua, a respeito de qual o mandamento maior da Lei, explicando que acima de tudo se encontra Deus, que deve ser amado com todo o respeito, a abnegação e a vida, mas impôs: - Amarás o teu próximo como a ti mesmo — como reflexo daquele sentimento maior e total.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Lamentável equívoco

Lamentável equívoco

Joanna de Ângelis



Convencionou-se que felicidade é despreocupação, logo seguida de alegrias em paisagens rutilantes de Sol e de bem-estar.

Para fruí-la, até a embriaguez dos sentidos, basta acumular haveres ou recebê-los de outrem, de modo que a despreocupação acompanhe a trajetória do indivíduo fútil e ditoso.

Lamentável equívoco tal conceito, porquanto, esse estado, mais de prazer do que de felicidade, somente existe como alguma forma de utopia.

A existência humana é uma sucessão de desafios, mediante os quais, os valores morais se fortalecem na luta, desenvolvendo as potencialidades íntimas do ser.

Qualquer anseio por comodidade sem ação dignificadora, transforma-se em indolência que trabalha em favor da decomposição moral e emocional do indivíduo.

Aquele que não se vincula a um labor, exercitando a mente, vitalizando a emoção, acionando o corpo, avança para a desorganização da existência e converte-se em parasita social, nutrindo-se do esforço alheio e das concessões da vida, que não deseja retribuir.

A constituição orgânica é suscetível de alterações sutis ou expressivas, sempre manifestando situações que alteram completamente os quadros ilusórios do prazer que é sempre de breve duração.

Como consequência, os estados emocionais estão sujeitos a mudanças de humor, mesmo quando, aparentemente, tudo transcorre bem.

Essa satisfação, disfarçada de felicidade, também oculta situações penosas em que o Espírito se encontra.

Pode indicar leviandade e desinteresse em relação aos acontecimentos morais ou mesmo manifestar-se como síndrome de alguma alienação mental em processo de agravamento.

A criatura responsável não se aquieta no banquete do prazer, nem se amolenta no veículo do comodismo, desfrutando sem produzir, gozando sem favorecer aos demais.

É propelida ao esforço do automelhoramento, e, para tanto, empreende lutas e sacrifícios que lhe exigem tensão emocional, desgaste de energias físicas que, no entanto, renovam-se sem cessar, em face do próprio estímulo a que são propelidas.

O riso, que expressa alegria, quando deslocado no tempo e na oportunidade, demonstra desequilíbrio, falta de sensatez, porque momentos se apresentam que exigem seriedade e reflexão.

Certamente que o sofrimento não representa felicidade, se olhado sob o ponto de vista do imediatismo social.

Pelo contrário, a sua presença no trânsito carnal constitui convite à avaliação de como transcorrem os dias e as experiências, tornando-se uma advertência em torno da maneira de se viver.

O ser humano é um conjunto eletrônico regido pela consciência, que se exterioriza do Espírito imortal.

* * *

Pretendendo alcançar a meta programada para a reencarnação, desperta para a realização do teu processo iluminativo.

Se visitado pelas dores de quaisquer matizes, não te aflijas em demasia, antes considerando que elas são mecanismos expungitivos que a Vida te proporciona, a fim de que redundem como alegrias reais.

Se a escassez de recursos econômicos te constringe ou se problemas se apresentam na área da saúde, de forma alguma consideres o evento como sendo uma desgraça, valorizando a experiência como recurso de aprendizado e renovação de comportamento que trabalha pela tua edificação pessoal.

Se sofres perseguições e te vês a braços com problemas que exigem atenção, mantém-te sereno e encontrarás meios para superá-los todos.

Se a ausência de afeto, de companheirismo, para ajudar-te na escalada evolutiva magoa-te, renova-te na esperança de que amanhã encontrarás a alma querida que, no momento, não pode estar ao teu lado.

Melhor a solidão, não poucas vezes, do que as companhias turbulentas, afligentes e desesperadoras, mediante, as quais, são impostas reparações morais muito complexas.

Em realidade, felizes são todos aqueles que, na Terra, por enquanto experimentam aflição e abandono, enfermidades e dores, porque esses são recursos valiosos de que se utiliza a Divindade para facultar o aprimoramento do Espírito que se aformoseia na luta de crescimento íntimo.

As pessoas que se banqueteiam no conforto e na saúde, na beleza e no prazer, desfrutando de facilidades sem que retribuam de alguma forma, encontram-se em parasitose doentia, explorando os tesouros do amor de Deus, que devem ser multiplicados para o atendimento de todos os Seus filhos.

Com que direito se atribuem, esses indivíduos, o mérito para existências privilegiadas e regimes de exceção, quando as demais pessoas encontram-se em batalhas contínuas para a aquisição do apenas necessário à sobrevivência?

Sucede que, esses que ora sorriem na indiferença das alheias aflições, serão chamados a contas e deverão compreender que, felicidade, na Terra, é lamentável equívoco dos seus sentidos físicos e presunção como vanglória do seu desenvolvimento intelectual.

Riam, portanto, os que sofrem hoje, porque, concluídas as provas em que se encontram, desfrutarão da felicidade, ora escassa, que se lhes instalará no coração, fruindo as bênçãos da paz de consciência.

Pode parecer paradoxal tal colocação. Nada obstante, é a realidade, porquanto, todo aquele que recebe, na contabilidade da Vida é devedor, enquanto que aqueloutro que doa, é credor.

Aqueles que ora desfrutam, encontram-se em provas de avaliação de conduta, a fim de que aprendam a aplicar, conforme a parábola das Virgens loucas e das Virgens prudentes que receberam combustível com finalidade exclusiva, que não podia nem devia ser utilizado inadequadamente.

* * *

Por essas razões, convencionou-se, também, por outro lado, que tais afirmações, essas que fazemos, são apologia ao sofrimento, necessidade masoquista de realização pessoal.

Mais um equívoco esse, que a mínima lógica se encarrega de diluir, tendo-se em vista a brevidade da existência física e a perenidade do existir como Espírito.

Agradece, portanto, a Deus, os teus testemunhos, as tuas lutas ásperas, as tuas ansiedades e carências.

Conforme os administres hoje, poderás revertê-los em júbilos, em paz e em prosperidade para amanhã.

Equívoco é pensar que a existência humana é uma viagem ao país da fantasia e da ilusão, não uma experiência de aformoseamento do caráter e de desenvolvimento do Espírito.

Por isso, Jesus foi muito enfático ao asseverar: O meu reino não é deste mundo, portanto, a felicidade igualmente não o é.

Página recebida na sessão mediúnica da noite de 05/07/2004, no Centro Espírita Caminho da Redenção,  em Salvador, Bahia.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Jesus O Libertador

Jesus O Libertador

Joanna de Ângelis



Havia uma grande expectativa em Israel, que aguardava ansiosamente o Messias anunciado.

A voz dos profetas, que ficara silencio­sa fazia alguns séculos, não alterara as notícias de que Jeová enviaria o libertador do Seu povo no momento adequado. A presunção exagerada, que havia elegido como filhos de Deus somente os judeus, continuava na conduta arrogante daqueles que aguardavam receber o privilégio dos Céus em detrimento de toda a humanidade.

Descrevia-se a Sua chegada como o momento máximo da sua história de nação muitas vezes escravizada por outras mais poderosas, que então se curvariam humilhadas ante a grandeza da raça escolhida pela sua fidelidade e devotamento aos divinos códigos.

Antevia-se o momento da libertação, especialmente naqueles dias em que o Império Romano escarnecia das suas tradições e da sua liberdade, esmagando os seus ideais de independência.

Sentia-se mesmo que aquele era o momento, e que, em qualquer instante, os sinais de identificação apontariam o Escolhido.

Os sofrimentos vividos na Babilônia, no Egito e em outros lugares cruéis, no passado, não haviam sido esquecidos. Embora a coação prosseguisse e a miséria rondasse as suas vidas, estremunhando-­as e dizimando-as, porque lhes retiravam tudo quanto possuíam, inclusive os parcos recursos, em razão dos impostos exorbitantes, não conseguiam, porém, tomar-lhes a esperança que teimava em permanecer nos seus corações.

Aguardava-se, portanto, que Ele chegaria em triunfo mundano, cercado de poder militar e de despotismo, de forma que vingasse as humilhações e dores que os Seus haviam experimentado através dos tempos.

Sentando-se no trono e governando com insolência e perversidade, somente àqueles que Lhe pertenciam concederia compaixão e bondade, ternura e amor, oferecendo-lhes os reinos da Terra, a fim de que pudessem fruir o poder e a glória anelados.

Esqueciam-se, porém, da transitoriedade da vida física e do impositivo da morte, que a todos arrebata, transferindo-os para a dimensão da imortalidade.

Por mais longos e prazenteiros fossem os dias de efusão e de orgulho, que esperavam viver, a fatalidade biológica os conduziria à velhice, ao desgaste, à consumação do corpo e ao enfrentamento com a Vida Eterna.

Mas Israel e seus filhos estavam interessados no mundo, nos negócios da ilusão, nas conquistas terrenas.

A mágoa e o desejo de desforço acalentados por séculos demorados, conseguiram diluir na vacuidade o discernimento em torno dos valores reais da existência humana.

Somente eram considerados o gozo e a supremacia sobre os demais povos, submetendo-os ao talante das suas desordenadas ambições.

A cegueira do orgulho envilecera os sentimentos do povo, não havendo lugar para a reflexão nem para o amor fraternal.

Ele veio e não O aceitaram.

Aguardavam um vingador que esmagasse os inimigos, enquanto Ele chegara para conquistar aqueles que se haviam transformado em adversários.

Esperavam que fosse portador de soberba, arbitrário e superior em crueldade àqueles que se fizeram odiados, mas Ele vivenciou o amor em todas as suas expressões, demonstrando que o Filho de Deus é lição viva de compaixão e misericórdia.

Em face das suas necessidades materiais, não poderiam receber o Embaixador do Reino de Deus, que vinha colocar os Seus alicerces na Terra, para erguer o templo da legítima fraternidade que deve viger entre todas as criaturas.

De início, antes da ira contra a Sua pessoa, desejaram arrastá-lO para as suas tricas farisaicas e para os seus domínios insensatos. E porque não conseguiram, voltaram-se contra Ele e Sua mensagem, perseguindo-O com insistência e ameaçando-O sem clemência.

Ele, porém, permaneceu integérrimo. A Sua tranquilidade desconcertava-os, fazendo que arremetessem furibundos contra os ensinamentos de que se fazia portador e procurando um meio de envolvê-lO em algum conceito que O pudesse criminar, a fim de O matarem.

Encharcados de presunção, o único sentido para a vida centrava-se na busca do poder, do prazer, no vingar-se dos inimigos reais e imaginários.

Não é de estranhar que Jesus não lhes representasse o cumprimento das profecias.

Embora o Seu fosse o maior poder que a Terra jamais conheceu, os ambiciosos que desejavam o mundo não estavam interessados na Sua força incomparável, que se fazia soberana ante os ventos, as ondas do mar durante a tempestade, ou diante dos distúrbios da mente, da emoção e do corpo das criaturas que O buscavam.

Invejosos, não podendo negar-Lhe a grandeza, acusavam-nO de ser emissário do Mal, veículo satânico.

Jesus compadecia-se deles e exortava-os à liberdade espiritual, que é a verdadeira, conclamando-os ao despertamento para a realidade.

Mas os tóxicos do ódio haviam-nos envenenado desde há muito, não havendo espaço mental nem emocional para o refrigério da compreensão nem para a bênção da paz.

Ainda hoje Israel não O entendeu. Prossegue esperando o seu Messias dominador, banhando-se de sangue e sacrificando-se, enquanto os seus filhos estorcegam em reencarnações purificadoras e aflitivas através dos evos.

O amor, que é a solução para todos os problemas humanos e os conflitos que se abatem sobre a Terra, ainda não é reconhecido como o único recurso capaz de gerar felicidade nos corações.

Passaram aqueles dias tormentosos e outros muitos, enquanto Jesus permanece como o libertador de consciências, conduzindo-as no rumo da plenitude.

Neste Natal, recorda-te d'Ele e entrega-te a Ele sem qualquer relutância.

Ele te conduzirá com segurança pelo vale da morte e pela noite escura das paixões, apontando-te o amanhecer luminífero por onde seguirás no rumo da felicidade.
Mensagem recebida e, 06/09/2004 - Centro Espírita Caminho da Redenção, Salvador - Bahia.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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domingo, 1 de novembro de 2020

Dores excessivas

Dores excessivas

Joanna de Ângelis



Reclamas o peso do fardo moral sobre os teus ombros frágeis, olvidando-te de que Deus não sobrecarrega a ninguém em demasia. Sempre confere os sofrimentos necessários de acordo com as resistências de que cada qual dispõe.

Identificas dificuldades onde se manifestam oportunidades de crescimento interior, porque te encontras fatigado pelos testemunhos constantes, esquecendo-te de que a árvore cresce silenciosamente embora tombe com grande ruído.

Acreditas-te vítima de ocorrências desgastantes e contínuas, quando, em realidade, representam condições para o teu avanço espiritual, desde que te candidataste ao empreendimento iluminativo.

Certamente, permanecer fiel ao dever, quando outros o abandonam, ou manter-se confiante nos momentos em que as circunstâncias apresentam-se menos favoráveis, constituem um esforço muito significativo. Entretanto, mede-se o caráter de uma pessoa pelos valores dignificantes que o exornam.

O indivíduo comum, que prefere avançar perdido na massa, na futilidade, desempenhando o papel do imediatista e aproveitador, não enfrenta esse tipo de desafios, nada obstante, experimenta outros conflitos perturbadores, porque ninguém se encontra na Terra em caráter de exceção, como quem realiza uma agradável jornada ao país da fantasia.

Aquele que se ilude com a existência terrena igualmente desperta, cedo ou tarde, sendo convocado aos enfrentamentos do processo da evolução.

Desse modo, acumula experiências libertadoras através dos aparentes insucessos e dos contínuos tributos de luta e de compreensão à existência corporal.

Para onde olhes defrontarás intérminas batalhas pela sobrevivência, pela afirmação dos valores mais nobres, mesmo que nas rudes refregas do instinto em crescimento para a razão.

Nos reinos vegetal e animal, o predador está sempre seguindo sua vítima, que adquire mecanismos de salvação, adaptando-se ao meio ambiente, mudando de forma, ocultando-se.

Embora a vitória da herança atávica para a preservação da vida, sucumbem ante o ser humano, cuja inteligência é aplicada à conquista de instrumentos que lhes superam as habilidades, vencendo-os de contínuo.

Apesar disso, aqueles que sobrevivem mantêm prodigiosamente o milagre da vida em operosidade.

O vendaval ameaça a árvore altaneira, que se dobra para deixá-lo passar, ou sofre-lhe o açoite destruidor, reerguendo-se depois e prosseguindo vitoriosa no mister que lhe foi estabelecido.

O barro submete-se ao oleiro, aceita o aquecimento exagerado e mantém a forma que lhe foi conferida.

O solo é sulcado e sacudido de todos os lados, a fim de proporcionar a germinação das sementes.

Os metais derretem-se, de modo a receberem novas expressões que darão beleza ao mundo.

Tudo é renovação contínua, que decorre dos impositivos da evolução.

*

Se perguntares o que sofre a semente no seio abafado da terra, a fim de que possa libertar a vida que nela jaz adormecida, e se ela pudesse, responderia que o medo, a angústia e a opressão fazem parte de todas as suas horas até o momento em que as vergônteas recebem a luz do Sol e atingem o objetivo a que se destinam.

Se indagares ao triunfador como lhe foi possível alcançar o pódio da vitória, ele te narrará inúmeros sofrimentos que nunca experimentaste, mas que foram superados com alegria, considerando a meta para onde dirige os passos.

Se inquirisses o Sol como pode manter a corte de astros à sua volta, e ele dispusesse de meios de explicar-te, contestaria que transforma a sua massa em energia constante, gastando a média de quatrocentos e vinte milhões de toneladas por segundo.

Em toda parte o esforço enfrenta a luta, que se impõe como necessidade de transformações e de progresso.

Quem se nega ao esforço permanece na paralisia, e aquele que foge à batalha de crescimento, asfixia-se na inutilidade.

Não te aflijas, portanto, pelos enfrentamentos necessários, jamais superestimando as ocorrências que te parecem afligentes.

Sempre existirá alguém mais sobrecarregado do que tu. Porque não se queixa e não lhe conheces o fadário, tens a impressão de que as tuas são dores únicas e mais volumosas do que as de todos.

Há muitos corações crucificados que desfilam pelos teus caminhos e ignoras completamente o que lhes acontece.

Este, no qual te encontras, é um mundo de provas e expiações, portanto, hospital de almas, oficina de reparos, escola de aperfeiçoamento.

É natural que isso ocorra, porquanto será graças a esses fenômenos, nem sempre agradáveis, que alcançarás as estrelas.

Quem poderia imaginar que o Rei Solar tivesse de sofrer tanto, a fim de afirmar o Seu amor por nós?

Se Ele, que é todo amor e misericórdia, pureza e perdão, aceitou de boamente os testemunhos pavorosos para nos demonstrar a Sua grandeza, qual será a quota reservada a cada Espírito que transita na retaguarda a fim de conseguir o seu triunfo durante o seu processo de enriquecimento?

Não reclames, pois, nem te consideres abandonado pela sorte.

Colhes hoje o que semeaste há muito tempo.

Faculta-te agora uma semeadura diferente em relação ao futuro, de maneira que te libertes das dores excruciantes deste momento, auferindo alegrias e bênçãos jamais imaginadas.

Aquieta, desse modo, as objurgações infelizes, o coração intranquilo, superando o pessimismo e a amargura, e poderás enxergar melhor os acontecimentos que te envolvem, graças aos quais alcançarás a plenitude.

Assim, não te permitas autocomiseração, nem conflito perverso de qualquer natureza, entregando-te a Jesus e n'Ele confiando de forma irrestrita e terminante, pois que Ele cuidará de ti.


* * *

A tua atual existência está programada para o êxito. Não mais tombarás nas sombras de onde procedes, se insistires por banhar-te com a clara luminosidade do amor de Deus.

Reflexiona melhor e com mais maturidade, de maneira que constatarás alegrias e bem-estar pelo teu caminho, nada obstante algumas dificuldades naturais que todos devem enfrentar.

Alegra-te por seres incompreendido, por estares no campo de elevação entre dissabores, porque a compensação divina é sempre o resultado do grau de esforço desenvolvido pelo ser humano durante a trajetória de elevação.
Mensagem recebida na noite de 18/05/2004, em Berlim, Alemanha.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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