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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Construção de Paz

Construção de Paz

Eros


O rei devotado, que se dedicava a construir templos, cada qual mais suntuoso, a fim de homenagear Buda, aproximou-se de um nobre Mestre e indagou-lhe:

- Face à minha devoção ao iluminado, as edificações que realizo para homenageado, contribuirão para a minha felicidade?

Ante o silêncio do sábio, mergulhado em meditação, instou:

- Os monumentos albergam devotos que se comovem e se transformam em círios votivos homenageando o Senhor. Terei merecimento ante ele, em razão de minha abnegação?

Quebrando o recolhimento silencioso, redarguiu-lhe o iniciado:

- As edificações de pedra serão corroídas pelo tempo ou destruídas nas guerras, ou pelos fenômenos sísmicos... Somente aquelas que se estruturam nos insondáveis alicerces da alma, permanecerão inamovíveis para sempre.

Nunca faltarão os discípulos que transformam pães em pedras ante a miséria que domina o mundo. O Mestre, no entanto, está procurando conviver com aqueles que aprenderam a construir santuários de amor, transformando pedras em pães.

Além disso, o Mestre ensinou em contato direto com a Natureza, sem encarcerar-se ou limitar a mensagem a espaços exíguos, porque ela é infinita como o Amor.

*

O rei, entristecido, subitamente conduzido à reflexão profunda, bateu em retirada, e deixou o velho hábito de erguer monumentos de pedras, quando havia tanta miséria em derredor.

Eros por Divaldo Franco do livro:
A busca da perfeição

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- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Sublimes Cantos

Sublimes Cantos

Eros



O dúlcido Rabi preparava os Seus cantores para que levassem a sinfonia excelsa do Amor por onde transitassem.

Os caminhos ásperos do mundo, assinalados pelos vícios e prerrogativas infelizes de alguns parvos, não viam passar andarilhos de alparcas capazes de deixar sinais de luz, mas sempre permaneciam as marcas da destruição pela guerra, os contornos soezes dos dominadores, as manchas do crime e da imundície moral, os obstáculos gerados pela inveja, pela soberba, pela crueldade...

Naqueles dias, novos sinais abririam veredas macias e campos verdejantes. Mas era necessário que os novos semeadores enfrentassem as cruezas existentes, imolando-se, a fim de que o seu sangue e o seu suor fertilizassem o solo sáfaro até então.

Assim, pensando, Ele abriu a Sua boca em mirífica luz e estabeleceu o Estatuto da Nova Era:

- Ide primeiramente às ovelhas tresmalhadas de Israel. Pelo caminho proclamai que o reino de Deus está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, daí de graça. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre em vossos cintos; nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o trabalhador merece o seu sustento...

... Ao entrardes em uma casa saudai-a: Paz a esta casa. Se essa casa for digna, a vossa paz desça sobre ela; se não for digna, volte para vós. Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés...

... O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor...

... Não os temais (aos maus), portanto, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto, que não venha ser conhecido, 0 que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.

Dando prosseguimento, em gloriosa exaltação da verdade, expôs o que deveriam aguardar no futuro:

- Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, também me declararei por ele diante de Meu Pai que está nos Céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, negá-lo-ei também diante de meu Pai que está nos Céus.

E numa frase musical em que se misturavam a elegia e a patética, declarou:

- Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do pai, a filha da sua mãe e a nora da sogra, de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares que não me aceitarem ou criarem impedimentos contra mim.

Em harpejos finais, a melodia alcançou o seu majestoso:

- Quem não tomar a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim. Aquele que tenta conservar para si a vida, perdê-la-á.

Quem vos recebe, a mim me recebe, e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou... E quem der de beber (da fonte inexaurível do amor) a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo com água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.

O silêncio irrompeu nas paisagens mentais dos ouvintes, que se impregnaram da Lei que os deveria acompanhar para todo o sempre. Os ouvidos do futuro aguardá-los-iam, os corações aflitos esperá-los-iam, as esperanças jamais desapareceriam, por piores fossem as circunstâncias e mais cruéis as situações.

O tempo, que transcorreu desde então, as civilizações que se ergueram sobre os pedestais do orgulho e do poder ruíram; os templos faustosos e as bibliotecas soberbas, ricas de informações e sabedoria, não conseguiram, no entanto, ultrapassar a beleza e a profunda lição de renúncia pelo próximo e de amor que aquelas palavras inscreveram na memória da Humanidade para sempre.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O amor

O amor

Eros



A jovem plebeia aguardava o amor e se debruçava no retângulo da janela, olhando os transeuntes passarem e as carruagens que levantavam nuvens de pó. Não possuía nada, exceto a beleza de que era dotada.

- Tenho certeza que o meu príncipe um dia virá buscar-me, libertar-me da pobreza - afirmava, sorrindo, e preparava-se, todos os dias, adornando a cabeleira negra que lhe escorria da cabeça com coroas de flores de laranjeira brancas e perfumadas.

Na aldeia humilde, jovens rapazes sonhadores lhe propunham núpcias, dispensando mesmo qualquer tipo de dote, e ela os recusava sorrindo, informando:

- Casarei com um príncipe, rico e bom, doce como o mel e poderoso como o Sol.

Passaram os anos e as épocas, enquanto ela aguardava, sem mudar de ideia.

As pessoas, na aldeia singela, acreditavam que ela houvesse enlouquecido.

No entanto, continuava lúcida e sonhadora, debruçada ao peitoril da janela, adornada de flores, agora porém, olhando o zimbório estrelado, sem preocupar-se com o pó que se levantava da estrada ou a zombaria dos passantes irônicos.

Numa noite de incomparável beleza, uma carruagem iluminada e decorada com guirlandas de rosas e mirtos, puxada por ginetes alvos e reluzentes, parou à sua porta e, de dentro, saltou um príncipe ajaezado de joias, ostentando na cabeça fulgurante coroa, e, tomando-lhe a mão, convidou-a a entrar no veículo resplandecente, dizendo-lhe com sorriso e musicalidade na voz:

- Eu sou o teu príncipe. Venho buscar-te.

- E como de chamas?

- Amor.

Ao amanhecer, encontraram-na morta, encostada à madeira da janela, fitando o firmamento, e sorridente.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Companhia

Companhia

Eros


- Sempre estive ao teu lado - declarou a Morte ao homem rico - e te negaste a ver-me e ouvir-me. Enquanto respiravas, eu te advertia que estavas morrendo desde o momento do teu berço, porque eu recolhia os fragmentos de ti, que perdiam a vitalidade e sucumbiam. Como eras criança, mais tarde jovem e tinhas forças, renovavam-se as tuas células e a vida substituía tudo aquilo que terminava o seu ciclo.

Tua companheira incessante, pacientemente chamei-te a atenção, vezes sem conta, e não te permitiste um momento para compreender-me.

Algumas vezes, quando as doenças e o infortúnio te acometeram, consegui que me ouvisses por um pouco, mas ficaste transtornado, pedindo-me nova ocasião, que eu cedi, generosa.

Agora, infelizmente, deixarei de te acompanhar.

O homem, tomado de uma grande surpresa e de alegria, sentindo-se livre, inquiriu.

- Queres dizer-me que te irás, deixando-me seguir adiante a sós?

- Não - redarguiu-lhe, sorridente, a Morte - Agora trocaremos de posição. Antes, aonde quer que fosses, eu ia contigo, te acompanhava. A partir deste momento, tu me acompanharás ao país para onde rumaremos...

... E o arrebatou, sem mais delongas.

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Diálogo

Diálogo

Eros



- Este é o maior diamante do mundo - esclarecia, comovido, o rei. - Homens e mulheres de diferentes países morreram e mataram-se através dos milênios, a fim de tê-lo. Hoje ele repousa no meu cetro de conquistador invencível e brilha mais do que uma estrela.

- Nada eu tenho que valha qualquer coisa terrestre - respondeu o Sábio. - Acostumei-me a ser feliz sem ter qualquer coisa, trabalhando apenas para conseguir o essencial, que para mim, é a paz.

- Como podes anelar por algo que dispensa joias, dinheiro e poder? Seguro o meu cetro com mãos de ferro e o vigio com olhos de águia. Os meus servos e subordinados sabem que ninguém pode aproximar-se dele, sem incorrer no risco de perder a própria vida. Todos temem.

- A minha paz, pelo contrário, atrai as pessoas que se acercam de mim, repousam na minha comunhão e experimentam felicidade ao meu lado.

- Pois eu, cioso do meu poder e do valor das minhas gemas, conhecendo a miséria moral das pessoas, não permito que ninguém se acerque desse tesouro valioso para roubá-lo. É meu, e o levarei comigo mesmo na viagem da morte.

O Sábio sorriu triste, meditou, e exclamou, por fim: - Pobre rei! Nada tens, e tudo que pensas possuir, não te pertence, porque fica na Terra, nem sequer o corpo pelo qual transitas é de tua propriedade, porque te escapa ao controle e segurança. E a joia, que pensas ficará na sepultura, é verdade, se demorará ali até que algum ladrão a transfira para outras mãos.

A minha paz, no entanto, seguirá comigo, embora fique também na Terra, sem nunca ser roubada por quem quer que seja.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Oração de entrega

Oração de entrega

Eros


Senhor:

Eu sou o barro humilde em Tuas mãos de Oleiro Sublime, aguardando que modeles a felicidade que devo experienciar;

Eu sou o metal rijo que a Tua chama de amor ardente irá produzir a forma que delineias para mim;

Eu sou a pedra bruta, que o Teu cinzel trabalha, a fim de libertar-me das anfractuosidades que me deformam;

Eu sou a madeira grotesca, que sofre a lâmina do Teu labor, de modo a converter-me em utilidade;

Eu sou a água impura que o Teu filtro de misericórdia restitui a pureza perdida;

Eu sou a ave prisioneira na gaiola estreita das paixões e que Tu libertas para alçar o voo da imortalidade...

Nem sempre tenho sabido entender-Te os desígnios.

Supunha, equivocado, que o meu amor por ti, possuiría o miraculoso condão de poupar-me aos sofrimentos e aos desafios necessários, dando me conta, agora, que esses mecanismos são teus instrumentos para purificar-me, aproximando-me mais de ti.

O verdadeiro amor, faz-me descobrir que o infortúnio e a dor não passam de efeitos da insensatez que os desencadeou, sendo, portanto, justo, experimentá-los, a fim de aprender disciplina e ordem.

Trabalha-me, cada vez mais, para que eu consiga romper a estrutura estreita que me asfixia, permitindo-me ser livre contigo em comunhão profunda.

Senhor!

Toma-me nas Tuas mãos e trabalha-me!

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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Decepção

Decepção

Eros


A. A. jovem discípula, inebriada pela magia do Cantor da Vida, acercou-se-lhe cada vez mais, formulando protestos de fidelidade e abnegação.

Antes que o Sol emergisse das sombras poderosas da Noite, ei-la preparada para a meditação do amanhecer, como se aguardasse a felicidade que lhe parecia tardar.

Sempre quando se aproximava a hora do encontro com o Mestre, irradiando beleza e confiança, esperava-o dominando o corcel veloz das emoções desgovernadas.

A palavra que fluía dos lábios do Missionário eram colhidas na concha do coração e impressas na memória da devota com fogo e encantamento incomum.

Ele permanecia distante, mergulhado no Oceano Divino, enquanto a jovem buscava despertá-lo para sua presença, chamando-lhe a atenção.

Porque fosse totalmente impossível lograr o intento através dos ardis de que se utilizava com invulgar habilidade, a sonhadora instou em ser recebida particularmente, a fim de pedir-lhe orientação.

Quando, por fim, teve acesso ao modesto recinto reservado para as entrevistas, quase tombou de felicidade por sentir-se a sós com o Amado.

Em postura de lótus, semblante de paz, o Mestre apontou-lhe acolhedora almofada sobre um surrado tapete e, embora silencioso, assumiu a postura de quem se coloca em posição de ouvinte.

Não escondendo o deslumbramento, e trêmula, a discípula atormentada explicou:

- Amo-vos, Senhor, com todas as veras dos meus sentimentos. Vós sois a minha Estrela Guia na noite escura e o Carro de Luz solar durante os meus dias. Vossa voz é como a canção do vento da Eternidade embalando-me as esperanças e a vossa presença é força que me toma as fibras mais íntimas, impulsionando-me para a frente...

Silenciou, por um pouco, enquanto concatenava as ideias, para logo prosseguir:

- Vossos olhos, porém, essas estrelas luminosas que emitem chispas de fogo e me fazem arder, esses me perseguem por toda parte, a todos os instantes. Nada mais belo existe no mundo, do que esses dois diamantes engastados no céu da vossa face. Como eu gostaria de possuir, pelo menos, um deles!

Sou vossa escrava submissa. Pedi-me a vida e eu a darei agora mesmo...

O Mestre contemplou-a com profunda compaixão e os olhos imensos nublaram-se de lágrimas de dor sem palavras.

Ele levantou-se. Passaram-se alguns minutos. Quando retornou, conduzia pequena bandeja de prata coberta por delicado tecido de linho.

Distendeu-a à infeliz, e disse-lhe com voz inesquecível:

- Como não necessito dele para ver, eu to ofereço. Observa quanto é feio!

Levantou o lenço transparente e apresentou-lhe o olho, que acabara de arrancar.

Só então ela notou que a cavidade ocular do lado direito da face do Sábio ficara vazia, e o olho com alguns fios de sangue, fitando-a, fê-la dar um grito de horror e sair correndo, deixando-o tombar no chão...

Há quem, no mundo, sob a videira encarregada de produzir para sempre, deseja somente decepar-lhe uma vara para retê-la na sua ambição desmedida e alucinada, perdendo-a toda.

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terça-feira, 18 de junho de 2024

Construção de Paz

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