sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Harmonia na dor

Harmonia na dor

Joanna de Ângelis



Os mitólogos informam que a harmonia é filha de Zeus, o soberano deus do Olimpo e de Electra, nascida para assinalar a beleza existente em todas as coisas, tempos e circunstâncias.

Em tudo existe a harmonia, mesmo no aparente caos, que oculta uma ordem não identificada pelos sentidos humanos, porém, de onde nascem o equilíbrio e o desenvolvimento que se direcionam para a plenitude.

A harmonia favorece a alegria ante a majestade exuberante das formas e das cores, do encantamento e da musicalidade, das aspirações pelo belo e pelo bom, ampliando-se na direção do infinito.

Quando a ordem se expressa em qualquer forma de percepção, logo a harmonia se manifesta.

Não exclusivamente existe a harmonia naquilo que proporciona fascinação e enlevo, mas também no sofrimento, que faz parte do seu conjunto ordeiro.

Não existisse a dor, em contribuição para o equilíbrio do conjunto, o tédio, por certo, tomaria conta dos sentimentos humanos na longa trajetória da sua evolução, sem a experiência das lágrimas, sem os vazios existenciais, sem a mensagem da tristeza, que dá um toque especial ao comportamento psicológico.

Muito fácil deslumbrar-se o ser humano com os painéis, os cromos e as exuberâncias da Natureza no Cosmo inalcançável, assim como nas micropartículas ainda não identificadas...

Jesus, por exemplo, é o mais perfeito exemplo de harmonia que jamais se corporificou na Terra.

Na montanha inolvidável, onde Ele apresentou a sinfonia ímpar das bem-aventuranças, tudo é harmonia, desde a formulação das frases, do seu conceito profundo e inconfundível, estendendo-se pela paisagem iridescente do dia refletido nas águas mansas do mar de Tiberíades até a multidão silenciosa, dominada pela Sua presença incomparável e a musicalidade da Sua voz na partitura lírica de todas as palavras.

Nada obstante, ei-Lo em harmonia, quando no horto das oliveiras aguardava a chegada da malta investida do alucinado poder de aprisioná-Lo.

Harmônico, não se permitiu uma palavra que destoasse de toda a Sua gloriosa existência, durante o julgamento arbitrário e insano.

Traído, abandonado, surrado, levado ao máximo ridículo, sem se permitir afetar pela miséria dos Seus inimigos, prosseguiu em harmonia estoica dantes jamais ocorrida.

Sob o peso da cruz, extenuado, suando sangue e debilitado nas forças como consequência do flagício, o Seu manso olhar dorido inspirava ternura, compaixão e misericórdia em relação aos Seus algozes.

(...) E mesmo na cruz em que outros sofriam vergonhosamente, Ele manteve-se harmônico, em perfeita sintonia com o Pai, a Quem rogou pelos atormentados flageladores.

A harmonia cristã é herança divina do Mestre de Nazaré para todos aqueles que O amam e O seguem.


Se ouviste o chamado de Jesus, que te facultou mudar o rumo da existência e te sensibiliza o coração, iluminando a tua mente, não te permitas, em momento algum, perder a harmonia interna, ou deixar-te arrastar aos tormentos gritantes do desequilíbrio de qualquer forma ou a inarmonia íntima da desconfiança, do arrependimento pela autodoação, da necessidade de libertar-te da situação afligente.

Escuta-lhe a musicalidade das bem-aventuranças, abraça a tua cruz e segue adiante, certo de que a plantarás com êxito no topo do calvário de libertação.

Nenhuma caminhada evolutiva ocorre sem as variações naturais do processo iluminativo.

De igual maneira, à primavera ridente sucede o verão com ardência, que se abranda com o outono e se entorpece na quadra hibernal.

A harmonia do tempo deflui exatamente das diversas quadras que se unem, a fim de que a vida expresse toda a sua variedade de formas e de manifestações de acordo com cada estação.

Assim também no cotidiano viverás, não poucas vezes, as variadas mudanças climáticas da emoção, sem que devas perder a linha direcional de conduta, e mantém-te harmônico e confiante.

Vens de um passado de desaires e de graves comportamentos, que se manifestam em consequências correspondentes ao significado e à intensidade de que se revestiram.

É natural, pois, que vivencies as experiências da reparação, que elimines os torpes efeitos que permanecem na expectativa da corrigenda para que se mantenha a harmonia do conjunto.

Não esperes, desse modo, que tudo esteja sempre conforme o teu sentimento, os teus interesses imediatos, tudo quanto te proporciona satisfações e gratulações que podem ser consideradas como recompensa.

Experimenta a alegria de testemunhar a tua fidelidade à Doutrina Espírita que te desvela esse Cristo-amor, que te enriquece de júbilos pelo conhecimento da verdade, que te investe do poder de amar e que te mantém durante a trajetória sempre bem disposto e resoluto na construção do bem com harmonia íntima.

Nunca desfaleças na jornada, porque a “Irmã Dor” convidou-te a reflexões mais profundas, antes fortalece-te de modo a possuíres o tesouro da dignidade, para que a tua palavra esteja respaldada pelo exemplo e a tua conduta reflita como o espelho das águas do Genesaré a grandiosa epopeia do sermão do monte.


Canta sempre o Evangelho de Jesus com o selo da sua vivência, e não apenas com a memorização dos seus textos.

Aborda as páginas sublimes do Espiritismo com os sinais de mansidão e de humildade de quem as vive, diferentemente daqueles que as abordam preocupados pela forma, sem o timbre de quem as conhece por experiência pessoal.

A tua fé raciocinada fala-te a respeito da Grande Luz que te aguarda no final do túnel existencial.

Segue, intimorato, mesmo que tenhas os joelhos desconjuntados, as carnes dilaceradas e o coração envolto na melancolia do calvário, para o amanhecer surpreendente da tua ressurreição gloriosa em perfeita harmonia.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Tesouros Libertadores

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