quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A Esfinge, as Pirâmides e as Estrelas

A Esfinge, as Pirâmides e as Estrelas

A Mensagem de Pedra e Luz

Herminio C. Miranda


É grande o fascínio que o Antigo Egito exerce sobre a imaginação de tanta gente, a minha inclusive. Encantam-me seus mistérios, as histórias dos seus deuses e faraós, a magia do Rio Nilo, os ciclópicos monumentos, o traço leve, preciso e elegante das figuras humanas e dos hieróglifos, o papiro, os segredos da mumificação, a beleza das joias que desenharam e com as quais abarrotaram os túmulos, a profundeza do conhecimento dos grandes iniciados. Eles sabiam de coisas como astronomia, matemática e geografia e outras mais que somente agora a cultura contemporânea começa timidamente a recuperar, como sobrevivência do ser, comunicabilidade com os mortos, reencarnação, regressão de memória, terapias alternativas.

Em 1977, após quarenta anos ininterruptos de trabalho, juntei dois períodos de férias e uns tantos dólares e fomos - minha mulher e eu - perambular pelo mundo. O Egito não poderia faltar nesse roteiro. Eis por que numa ensolarada manhã acordei num hotel do Cairo, corri as cortinas do apartamento, localizado no último andar, e me coloquei à janela panorâmica para absorver o impacto da visão das pirâmides ao longe, iluminadas pelas primeiras luzes do dia. Pouco depois, desci para o encontro com o Nilo, que passava ali mesmo, ao lado do hotel. Queria vê-lo de perto. Não era fácil o acesso, por causa das construções que o margeiam, mas acabei dando com as instalações de um clube, onde me atendeu um simpático jovem, bem falante em bom inglês britânico. Expliquei-lhe meu desejo de ver o rio.

Mandou-me entrar, com um gesto generoso e disse: "It's all yours!" (E todo seu!).

Os dias ali passados foram um encantamento só. Num deles, visitamos as pirâmides e a esfinge pela manhã, almoçamos ao pé do vulto gigantesco da pirâmide maior - eu não fazia idéia (ou não me lembrava?) de como era grande! Voltamos à noite, paradoxalmente gelada do deserto, para assistir ao espetáculo "Son et lumière", ao ar livre, enrolados em cobertores, tremendo de frio (ou seria emoção? ou ambos?)

Concluíra de pouco meu livro A Memória e o Tempo, que começa com uma regressão de memória, na qual Aiksa, uma remota vestal reencarnada no Brasil, fala do processo da iniciação. Queria ver tudo. Subimos pelos estreitos corredores internos da pirâmide de Quéops, até a chamada Câmara do Rei. Lá estava o despojado "sarcófago" de granito, aberto e solitário. Dissera-nos Aiksa que ali o candidato aprovado nos testes iniciais era submetido ao sono mágico da regressão para saber "tudo que já fora"

Aquilo não era, pois, uma câmara mortuária e sim um recinto sagrado que se incorporava ao sistema de aprendizado e de reverência perante a vida. Por isso, ao entrar no longo e escuro corredor, lá em baixo, pedira licença aos "donos da casa", pois aqueles locais continuam imantados pela vibração e pela presença de entidades que velam pela mensagem dos milênios.

Aliás, essa presença pode ser assustadora ou acolhedora. Paul Brunton, escritor e místico britânico, testemunhou ambos os aspectos, quando resolveu passar uma noite lá dentro. Você pode ler sua narrativa e suas experiências no livro O Egito Secreto.

O espantoso conjunto arquitetônico constitui um documento matemático, astronômico, profético, científico e iniciático; não são meros túmulos faraônicos, como a gente leu nos livros didáticos.

Foi, pois, com mente e alma em expectativa que apanhei para ler o livro de Hancock e Bauval. Eles questionam velhos e estratificados conceitos históricos e enfrentam desafios com uma ousada releitura daqueles tempos. Sentem-se impelidos - confessadamente, às vezes, por mecanismos intuitivos - a prestar mais atenção a aspectos da civilização egípcia que ainda não foram devidamente analisados ou adequadamente interpretados. Um deles é dominante: a cultura que produziu a fantástica era dos faraós não resulta de um processo evolutivo detectável, que se tenha construído passo a passo ao longo de séculos ou milênios. Ao contrário, a civilização que criou as pirâmides e a esfinge, salta de repente, das sombras pré-históricas para uma tecnologia capaz de conceber e construir a enigmática e admirável mensagem de pedra.

Ali estão quinze milhões de toneladas em blocos de até 200 toneladas, aparelhados e colocados com precisão milimétrica no exato local projetado para cada um deles. Exemplo: a Grande Pirâmide foi situada de tal forma, que seu eixo norte-sul, equador-polo norte, tem uma variação de apenas 3/16 de um grau em relação ao Norte verdadeiro. Mais preciso - informam os autores - do que o meridiano de Greenwich, em Londres, onde o afastamento é de 9/16 de um grau!

Consultados a respeito, experimentados profissionais da construção civil, servidos pela poderosa parafernália da tecnologia moderna, não conseguem imaginar como é que os blocos de pedra foram levados às suas posições.

Há quem proponha a hipótese de que tenham sido arrastados rampa acima. Feitos os cálculos, os autores entendem ser isso impossível, dado que o número de homens necessários para arrastar pedras daquele tamanho e peso precisaria de espaços tecnicamente impraticáveis nas rampas. Discorrendo, em transe, sobre o assunto, o sensitivo americano Edgar Cayce disse que os construtores das pirâmides conheciam processos pelos quais as gigantescas pedras "flutuavam" no ar. Teriam tecnologia capaz de neutralizar, sob controle, o empuxo da gravidade?

Hancock e Bauval revelam coisas ainda mais espantosas. Trabalhando com modernos programas de computador, descobriram que o conjunto pirâmides-esfinge-constelações zodiacais é, em si mesmo, uma espécie de computador que traz nas sua "memórias" informações antes impensáveis.

As pirâmides e a esfinge reproduzem no solo egípcio uma configuração cósmica que se reporta a cerca de 10.500 anos antes do Cristo, embora os autores estejam de acordo, em princípio, com que as pirâmides tenham sido de fato construídas aí por volta do ano 2.500 a.C.

Outro achado curioso: as três pirâmides maiores reproduzem a posição das estrelas que formam o cinturão da constelação do Orion. Não deve ser mera coincidência o fato de que essa constelação é a que mais se assemelha a uma figura humana, vestida com uma espécie de toga curta.

Os estranhos canais entalhados, com óbvia competência, através da massa de pedra, a partir da Câmara do Rei e da Câmara da Rainha, não seriam, no entender dos autores, aberturas destinadas à ventilação, como até agora se pensou, e sim "lunetas" telescópicas, dirigidas com impressionante precisão, a determinadas constelações em momentos cósmicos também calculados com idêntica exatidão.

O problema é que tais especulações, no mínimo instigantes, levantam mais perguntas do que respondem às que têm desafiado a argúcia dos pesquisadores há milhares de anos.

Por que se teria construído uma obra tão difícil, durável, complexa e enigmática como aquela? Por certo, não foi somente para guardar restos mortais dos faraós, suas esposas, filhos, ministros e áulicos. O conjunto arquitetônico revela sutis implicações cósmicas e contém uma dramática mensagem dirigida a um futuro que se mede em milênios. Os autores do livro não descartam a probabilidade de que o recado de pedra tenha também muito a ver com o período de transição que estamos vivendo, ao passar, no círculo zodiacal, de uma era para outra.

Quem teria planejado tudo isso? Qual o verdadeiro sentido dessa mensagem? "Será - pergunta o texto da quarta capa do livro - que a humanidade tem um encontro marcado com o destino, não no futuro, mas no passado distante, em tempo e local determinados com precisão?" Em suma, o que querem dizer as pirâmides e a esfinge de Gizé?

Ao que suspeitam os pesquisadores - que prometeram um novo livro, em prosseguimento às suas especulações - a mensagem codificada nos enigmáticos monumentos egípcios tem um inesperado conteúdo espiritual.

Teria chegado a hora de revelar os segredos que uma desconhecida civilização escreveu na pedra e nas estrelas, aparentemente, para ser decifrada somente a partir do momento em que a tecnologia do futuro distante - que ora estamos vivendo - dispusesse de computadores suficientemente preparados para "ler" a memória do imenso e sofisticado computador instalado no deserto de Gizé.

Hancock e Bauval estão convencidos de que a mensagem tem algo de dramática importância a dizer sobre "a vida eterna, envolvida em um completo sistema religioso e espiritual que os antigos egípcios herdaram de desconhecidos predecessores". (p.269) Em outras palavras, trata-se de uma mensagem sobre a imortalidade do ser, sobrevivência, reencarnação, comunicabilidade entre "vivos" e "mortos". Sobre a realidade espiritual, enfim.

Ao que tudo indica, os conhecimentos que permitiram a elaboração desse grandioso projeto podem ter sido transmitidos por uma civilização avançadíssima que antecedeu a era dos faraós ou - preferencialmente, a meu ver, diante do que os autores informam - recebidos mediunicamente, de elevados seres espirituais profundamente interessados nos destinos do nosso planeta e de seus habitantes. Isto, porque antigos textos, ora reconsultados, mencionam instruções preservadas em livros que "desceram dos céus" e referem-se a seus autores como seres iluminados, dotados de imprescrutável sabedoria. Não é à toa que Toth, lendário deus egípcio, também seja conhecido como o escriba dos deuses.

É inegável que o livro contém aspectos especulativos, como qualquer estudo que proponha ousadas hipóteses ou renovadoras teorias interpretativas, mas não se detectam nele as tonalidades do misticismo fantasista, nem do profetismo desvairado. Pelo contrário, os autores consideram com reservas certas informações colhidas nos pronunciamentos mediúnicos de Edgar Cayce, bem como a interferência das organizações Cayce, de Virginia Beach, nas investigações em torno das pirâmides e da esfinge.

Bauval é engenheiro civil, com longos anos de estudo de astronomia e dos enigmas das pirâmides. Hancock é experimentado jornalista, ex-correspondente do prestigioso The Economist, de Londres. É autor de vários livros de sucesso, como Fingerprints of the Gods, The Sign and the Seal e Lords of Poverty. Em parceria com Bauval escreveu outro livro bem recebido - The Orion Mystery. O exemplar de The Message of the Sphinx, que me serviu à elaboração deste texto, é da 5ª edição.

Portanto, se é que Hancock e Bauval estão certos, o computador cósmico constituído pelas pirâmides, a esfinge e certas constelações, está "falando" de Espiritismo. E, neste caso, estaria igualmente certa a opinião de John Anthony West, citada pelos autores (p. 211), segundo a qual, a civilização egípcia é um legado, entregue pronto e acabado e não a resultante de um processo evolutivo liderado pelos faraós. Ou seja, uma desconhecida geração de sábios ou um grupo de entidades de elevada condição evolutiva teria concebido e deixado de herança toda a sabedoria que se transcreveu nos fantásticos monumentos de pedra em Gizé.

Prometo voltar ao assunto, tão logo consiga um exemplar do livro que dará sequência ao estudo. Estou sabendo pela Internet que a obra ainda não foi publicada.

Hermínio C. Miranda do livro:
Visão Espírita para o Terceiro Milênio / Autores diversos
Bibliografia:

HANCOCK, Graham e BAUVAL, Robert: The Mensage of the Sphinx - A quest for the hidden legacy of mankind. Three Rivers Press, 1996, New York.
Curta nossa página no Facebook:

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário, sugestão, etc...