Coragem
Joanna de Ângelis
A coragem real é o esforço moral desenvolvido pelo ser humano para libertar-se da autoimagem que se credita superior à das demais pessoas do seu círculo social. Quase sempre a coragem está associada à intemperança e à agressividade nos atos, por cujos meios o indivíduo resvala na precipitação, incapaz de conter os ímpetos de violência que o aturdem.
Toda vez em que se atira no torvelinho ameaçador ou nas lutas tirânicas com ambições desmedidas, ameaçando a estabilidade vigente, parece demonstrar uma grande colagem, no entanto, irresponsável, o gesto não passa de desequilíbrio de comportamento e de desarmonia da emoção.
A coragem dá forças para que sejam suportadas as provações mediante a conduta de misericórdia, munindo-se de cautela, a fim de que o tormento íntimo não se exteriorize de maneira destrutiva...
A coragem atua com serena confiança nas próprias resistências, não se expondo indevidamente, nem se permitindo os sentimentos inferiores da raiva, do ressentimento, do ódio, no momento da ação.
Muitos impulsos de violência respondem por desequilíbrios na
área da emoção, indevidamente considerados como manifestações de coragem ante as ameaças que nem sempre se convertem em realidade.
A autodisciplina consegue desenvolver os tesouros morais que enriquecem o ser durante a sua vilegiatura terrestre, ampliando-lhe a capacidade para resolver os problemas existenciais em clima de paz.
O Espírito possui, na sua estrutura moral, os recursos que exterioriza através da maquinaria orgânica.
A coragem é conquista conseguida na sucessão das experiências evolutivas, após o trânsito entre dificuldades e sofrimentos inevitáveis, mediante os quais se adquirem resistência para os enfrentamentos e confiança nos resultados superiores que constituem a meta existencial.
Não são poucos aqueles que se detêm diante dos obstáculos que testam a capacidade do empreendimento moral e da lucidez intelectual, que surgem para ser vencidos.
Cada vitória que se logra faculta novo passo mais audacioso na direção de outros níveis a serem conquistados.
A coragem é a força moral dos pobres de haveres transitórios e o instrumento de perseverança, quando as circunstâncias apresentam-se desfavoráveis.
O mártir da fé, o sacrificado na investigação cultural ou científica, o lutador do idealismo, o entusiasmo do apóstolo e a perseverança do artista ou do sábio, são expressões da coragem que os anima na permanência da busca dos objetivos que os emulam ao avanço.
As perseguições de qualquer tipo não os atemorizam, as calúnias não os molestam, as adversidades não os enfraquecem…
Robustecem-se com o alimento da convicção íntima de que se encontram possuídos, e, por tal razão, não desfalecem, não alteram o rumo, não diminuem a intensidade do esforço.
A coragem moral é-lhes o sustento de todas as horas.
Expressa-se, de início, em autoavaliação de possibilidades de que dispõem, despindo-se dos adornos insensatos que escondem as debilidades espirituais e os desconsertos morais.
A coragem irradia força especial de tranquilidade que impulsiona sempre para o avanço sem detença.
É necessário coragem para ser autêntico.
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A coragem, para alcançar os objetivos edificantes, enfrenta inimigos próximos e distantes, disfarçados em atitudes incorretas, que parecem compatíveis, tornando-se mecanismos conflitivos e perturbadores.
Quando ama, por exemplo, na sua desenvoltura emocional e na
necessidade de intercâmbio afetivo, pode resvalar para o apego, que se transforma em paixão asselvajada.
Têm origem, então, os sentimentos controvertidos de posse e de desejo, que asfixiam os belos ideais de convivência e de fraternidade.
O apego transforma-se em tormento, abrindo espaço para a instalação do ciúme e do ressentimento na afeição, em razão do medo da perda que é inevitável, considerando-se a transitoriedade de todos os fenômenos físicos.
O inimigo distante pode tomar a aparência de indiferença, opondo-se ao apego, que tem a possibilidade de converter-se em morbidez, em distanciamento, em desinteresse pelo próximo e suas lutas.
Em consequência das contínuas dificuldades e dos tenazes sofrimentos naturais que decorrem da altivez moral, mediante mecanismo de autodefesa, o indivíduo assume uma postura emocional fria que se pode converter em expressão de crueldade. A dor de outrem já não o sensibiliza, a necessidade percebida não lhe chama a atenção, o auxílio fraterno tampouco lhe desperta o entusiasmo.
O hábito de conviver com a dor alheia e a própria, o enfrentamento contínuo com situações aflitivas, produzem-lhe uma aceitação destituída de compaixão, que imuniza a coragem e a torna insensível, retirando-lhe o sentimento de coparticipação, de solidariedade, de compaixão...
A crueldade nasce na ausência da misericórdia dinâmica e, por efeito, na anestesia da emoção.
É necessário coragem para que o indivíduo mantenha-se humano, comporte-se de maneira adequada, sofra com dignidade, chore e sorria, sem escamoteamentos, sem a máscara de uma virilidade destituída de significado psicológico, mais tormentosa que saudável.
A coragem de amar sem possuir e servir sem esperar retribuição são características da sua estrutura emocional.
O Espírito estoico demonstra sua coragem, porfiando no bem quando os outros desistem, auxiliando indiscriminadamente quando campeia o desencanto, obstinadamente fiel aos seus objetivos.
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A coragem é honorável. Não se jacta, nem se assoberba, mantendo-se discreta até o momento em que, convocada à ação, demonstra a sua força e valor.
Jamais se entibia, porque o móvel principal das suas realizações tem caráter interior de transformação moral para melhor.
Quando se preocupa com o exterior, torna-se vítima de outro inimigo que a ronda - a impulsividade.
Nada igual à coragem de Jesus!
Ninguém que se Lhe compare!
Nela inspiraram-se os mártires e os santos, ainda hoje apoiando-se todos aqueles que aspiram.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Iluminação Interior
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