segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Sons de ouro

Sons de ouro

Miramez



Sons de ouro são palavras iluminadas pela inteligência e testificadas pelo coração. São ritmos que somente obedecem às notas do amor. Os grandes iniciados tinham a primazia de festejar a boca com ideias puras, e os lábios de cantarem melodias do reino de Deus.

Vejamos o que fala a escola do Cristo, em Atos, no capítulo dez, versículo trinta e seis, neste canto de luz: "Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, comunicando-lhes o Evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo, (este é o Senhor de todos)".

Israel aqui citado corresponde à humanidade, para onde Deus canalizou a Sua fala divina por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os sons de ouro vibrados na Terra, pelo Mestre, eram quais sóis da eternidade a brilharem na eternidade da vida. O Messias de Deus retornou ao lugar de onde veio, e deixou para todos nós a grande herança espiritual, os sons de ouro, que caíram qual chuva de luz nos corações de Seu rebanho, multiplicando dons e favorecendo meios, educando o verbo e estendendo a caridade, facilitando o perdão e consolando os tristes, ajudando na misericórdia e aumentando a compreensão, distribuindo sabedoria e ensejando o amor, por todas as direções da Terra e dos homens. E nós, depois de dois mil anos, o que fizemos? Se fizemos pouco, devemos fazer mais na conjuntura do bem, lado a lado com a verdade que liberta. E se nada fizemos ainda, poderemos começar agora...

Quando arejamos nossa mente, a boca se torna uma lâmpada acesa em policromias indescritíveis. A mente fornece a energia, as cordas vocais são o pavio, e os sons, a chama a escapar pelos lábios, para que possas clarear os teus próprios caminhos, ajudando também a quem te ouve. A interlocução é uma oportunidade valiosa para que possas ser útil onde estiveres, e ainda mais para ti, porque recebes bem mais do que dás aos vossos semelhantes.

Meu companheiro!... Se queres preparar-te para Cristo, os caminhos são cheios de tropeços e de espinhos. As estradas são estreitas e o teu corpo receberá marcas profundas de todas as espécies, no sentido de testemunhar os teus valores. Por vezes, a tua natureza física rejeitará a modificação da mente, apresentando incômodos inesperados, É a luta ensaiando contigo mesmo; não deves esmorecer, porque somos todos imortais, e, quando alcançarmos a vitória, seremos vitoriosos para sempre. Cuidemos, pois, da nossa lavoura interna, para que o Senhor, chegando junto a nós, encontre frutos de vida.

Sabes como começar?... Se os pensamentos não obedecerem à tua vontade, cuida de não falar as ideias formadas que descem para a tua boca, porque palavras dissonantes arruínam mais o teu corpo, como também a tua alma. É preferível permaneceres calado, dando tempo ao tempo, para que este te favoreça. Se tudo piorar no teu caminho, não esmoreças; continua a autoeducação, que Deus é sempre amor e justiça. Todo trabalhador é digno do seu salário, principalmente quem labora na área da mente. Esse gesto provará que estás despertando para a luz espiritual, e a ajuda dos anjos acentuar-se-á com mais clareza para o filho de Deus que tenha boa vontade.

Objetivando os sons de ouro, deves entregar-te totalmente ao Cristo, na luz do Pai Celestial, para que possas receber, na faixa do tempo, a marca luminosa de cidadão universal.
Quando arejamos nossa mente, a boca se torna uma lâmpada acesa em policromias indescritíveis.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Horizontes da Fala

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domingo, 23 de outubro de 2022

Caridade esquecida

Caridade esquecida

Maria Dolores



Compreender!... Atitude
Que se fosse observada
Seria uma luz na estrada
Clareando em derredor...
Infelizmente, no entanto,
Há muita gente esquecida
Dessa luz que ampara a vida,
Fazendo o Mundo Melhor.

O homem que administra
Negou-te certa vantagem;
Não é que perdesse a imagem
Do amigo e do benfeitor;
É que carrega nos ombros
Uma cruz de compromissos,
Deveres, contas, serviços
Que não consegue transpor.

O companheiro que passa
E fugiu à cortesia
Do costumeiro "bom dia"
De modo algum te esqueceu...
Ele segue ao hospital;
Quer ver, na marcha apressada,
A esposa cirurgiada
Que não sabe se morreu.

A dama que vai de carro,
De olhar triste e contrafeito,
Que não te viu, a preceito,
A fraterna saudação,
Vai buscar antigo chefe,
Embora em desassossego...
O esposo precisa emprego,
A fim de ganhar o pão.

Entender!... Silenciar!...
Ante os apuros da vida
É caridade esquecida,
Em muitas áreas do Bem...
Em louvor dos semelhantes,
Não te queixes, alma boa;
Sorri, ampara, perdoa!...
Não busques julgar ninguém.

Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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sábado, 22 de outubro de 2022

O livro - dádiva do Céu

O livro - dádiva do Céu

Irmão X.



Quando o Divino Mestre, nascituro, abria os braços tenros à luz suave da noite, na estrebaria singela, eis que fulgura no alto sublimada estrela...

E quantos velavam na Terra compreenderam que o Divino Rei havia nascido.

Toda a província Romana da Palestina recebeu, de improviso, na claridade silenciosa, do astro solitário, a esperada revelação.

Sacerdotes e oráculos, políticos e príncipes da Judéia tremeram espantados.

Onde estaria o excelso Embaixador? No templo de Jerusalém ou no domicílio aristocrático de algum dos veneráveis doutores do Sinédrio?

Poderosos dignatários imperiais, nas vilas de repouso da Galileia, empalideceram, surpreendidos.

Em que privilegiado ponto do mundo permaneceria o Celeste Redentor? No palácio de Augusto ou no lar patrício de algum legado importante?

Ricos senhores da Samaria confiaram-se, perturbados, à insônia... Em que região venturosa da Terra teria surgido o Salvador? Em algum santuário do monte ou em abastada propriedade particular?

Negociantes de Cesaréa de Felipe, viajores do extenso vale do Jordão, caravaneiros que vinham da Fenícia, peregrinos de Decápole e todos os homens e mulheres acordados, desde o topo nevado do Hermon até as águas imóveis do Mar Morto, estáticos e felizes, viram a estrela descer vagarosamente, assinalando o berço divino, e os pastores e as crianças, almas simples da natureza, foram os primeiros a descobrir que o Rei Celeste brilhava na manjedoura...

Desde então, Jesus permaneceu vivo entre os homens, ensinando, reajustando, curando, redimindo...

Através de sombras e pesadelos, de calamidades e guerras, em quase vinte séculos de luta, a geografia sentimental do Cristianismo estendeu suas linhas da Palestina Ocidental a todos os círculos do Planeta e a estrela da grande Revelação, personificada hoje na ideia santificadora da fraternidade e da paz, continua luzindo no firmamento das nações, anunciando a Era Nova...

Onde encontraremos o Senhor? Prosseguem perguntando os inumeráveis viajores da vida...

Nos castelos primorosos da fé? Nos monumentos que consagram o domínio exclusivista? Nas cerimônias suntuárias do culto exterior? Nos preciosos discursos da convicção dogmática?

Eis, porém, que a claridade cintilante da ideia conduz o coração que se faz simples e sincero ao Evangelho da Vida e o livro, em seu humilde arcabouço de papel, representa a nova manjedoura, em que realizamos o nosso encontro com o Espírito do Senhor...

Veremos no livro o santuário de nossa ascensão espiritual.

Quando o povo missionário se desvairava na idolatria, O Todo Poderoso salvou-o, com o livro dos Dez Mandamentos, por intermédio de Moisés.

Quando o Mestre Divino veio trazer à Terra as justas diretrizes da redenção, determinou o Todo Compassivo que um livro – O Evangelho da Boa Nova – lhe fixasse a luz.

Quando a civilização se desequilibrava com as tempestades morais, luminosas e destruidoras, da Revolução Francesa, o Todo Sábio amparou o mundo, então no declive de tenebrosos despenhadeiros, oferecendo-lhe o livro dos Espíritos, através de Allan Kardec.

Depois da oração, o livro é a única escada pela qual o Céu pode descer a Terra. 

Em verdade, quando um povo abandona o livro, começa a penetrar, sem perceber, o vale da estagnação e da morte.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Relatos da Vida
 
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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Amor a si mesmo

Amor a si mesmo

Joanna de Ângelis



Jesus viveu o amor a si mesmo, à medida que se entregava ao próximo, a Humanidade.

O amor que se deve oferecer ao próximo é consequência natural do amor que se reserva a si mesmo, sem cuja presença muito difícil será a realização plena do objetivo da afetividade.

Somente quando a pessoa se ama é que pode ampliar o sentimento nobre, distribuindo-o com aquelas que a cercam, bem como estendendo-o aos demais seres vivos e à mãe Natureza.

O amor a si mesmo deve ser desenvolvido através da meditação e da autoanálise, porque, ínsito no ser, necessita de estímulos para desdobrar-se, enriquecendo a vida.

Esse autoamor é constituído pelo respeito que cada qual se deve ofertar, trabalhando em favor dos valores éticos que lhe jazem latentes e merecem ser ampliados, de forma que se transformem em luzes libertadoras da ignorância e em paz de espírito que impregne as outras vidas.

Sem esse amor a si mesmo, a pessoa não dispõe de recursos para encorajar o seu próximo no empreendimento da autovalorização e do autocrescimento, detendo-se nas sensações mais grosseiras do imediatismo, longe dos estímulos dignificantes e libertadores.

O amor a si mesmo dá dimensão emocional sobre a responsabilidade que se deve manter pela existência e sobre o esforço para dignificá-la a cada instante, aprofundando conhecimentos e sublimando emoções, direcionadas sempre para as mais elevadas faixas da Espiritualidade.

Dessa forma, é fácil preservar-se as conquistas interiores e desenvolvê-las mediante a aplicação dos códigos da fraternidade e da compaixão, da caridade e do perdão.

A consciência de si mesmo, inspirada pelo autoamor torna-se lúcida quanto aos enganos cometidos, ensejando-se oportunidade de reparação, ao tempo em que faculta ao próximo a compreensão das suas dificuldades na busca da felicidade.

Compreendendo a finalidade da existência terrena, a pessoa desperta para o amor a si mesma, trabalha sem desespero, confia sem inquietação, serve sem humilhação, produz sem servilismo e avança sem tensões perturbadoras no rumo dos objetivos essenciais da vida.

O amor a si mesmo contribui para a valorização das conquistas logradas e torna-se estímulo para novos tentames com vistas à realização de uma existência plena.

Ninguém, que se disponha a amar sem resolver as inquietações internas, que lhe produzem desamor, que conspiram contra a autoestima, conseguirá o desiderato.

Invariavelmente a falta do amor a si mesmo decorre de conflitos que remanescem da infância mal amada, de frustrações acumuladas e de projetos que não se consumaram conforme foram anelados, dando surgimento a complexos de inferioridade, a insegurança e a fugas psicológicas.

Muitas vezes, a pessoa que se não ama, encontra motivos frívolos para justificar o sentimento de vazio existencial, transferindo para o próximo aquilo que gostaria de desfrutar ou de possuir.

São detalhes físicos, que parecem retirar o conforto e a satisfação pessoal, na aparência ou na constituição, dificuldades de inteligência, posição social, problemas na saúde que, sem dúvida, não merecem maior consideração, e deverão ser enfrentados de maneira positiva, diferente, proporcionando estímulos para novos enfrentamentos, vitória a vitória.

Durante muito tempo, a pessoa coleciona o azinhavre da insatisfação consigo mesma, atribuindo-se fracassos que, em realidade, jamais ocorreram, infelicidades que não têm justificação, quando fazem comparações com outras pessoas que acredita ditosas e sem problemas.

Em uma atitude conflitiva, tenta amar-se, em luta feroz por acumular dinheiro, conseguir destaque na sociedade, tornar-se importante, invejada... Entrega-se ao trabalho exaustivo, inconscientemente para fugir à sua realidade, ou supondo-se insubstituível no desempenho da tarefa ou realização a que se entrega.

Ao começar a amar-se, descobre que são as pequenas coisas, aquelas aparentemente sem grande importância, que constituem significados alentadores.

Momentos de solidão para autoanálise e reflexão, instantes de prece silenciosa, refazimento através da música, de caminhadas tranquilas, de carícias a crianças ou animais, de cuidados com plantas, flores e adornos vivos, sentindo a vida fluir de todo lado.

Em outras ocasiões, conversações edificantes, destituídas de objetivos imediatistas, cuidados com a alma, preservando-lhe a lucidez em relação aos deveres e aos compromissos que lhe dizem respeito.

A seguir, torna-se necessária uma avaliação daquilo que é útil em relação ao que é secundário e a que se atribui significado exagerado.

O amor a si mesmo desempenha uma ação autoterapêutica, porque liberta dos conflitos de autopunição, de autocensura e de autocompaixão.

A compreensão dos próprios limites e possibilidades enseja um sentimento de alegria pelo já conseguido e de encorajamento em relação ao que ainda pode ser alcançado.

No cultivo desse propósito, o egoísmo não consegue alojamento, porque não há a ambição de posse ou de domínio, de superioridade ou de vitória, senão sobre as próprias paixões perturbadoras.

*

Jesus viveu o amor a si mesmo, à medida que se entregava ao próximo, à Humanidade.

Nunca se permitiu descurar da tarefa para a qual veio ao mundo.

Jamais se facultou transferir o culto do dever, mesmo quando perseguido, caluniado, vigiado pelos adversários gratuitos.

Não se facultou a tristeza ou a depressão, embora não faltassem motivos e circunstâncias para conduzi-lo ao desânimo.

Impertérrito, manteve-se afável com os enfermos e cansativos companheiros de ministério, dócil ante as misérias morais dos doentes da alma, compadecido da ignorância que vigia em toda parte, confiante em Deus em todos os instantes, até mesmo no Calvário...

...E por conhecer a grandeza de que era constituído não falhou, não temeu, não deixou de amar, embora desamado, injuriado e aparentemente vencido, terminando por vencer todas as injunções perversas e seus sequazes.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Garimpo de Amor

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