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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Criança nosso amor

Criança nosso amor

Irene Souza Pinto


Ei-la Alvorada nascente
Em meio do céu escuro,
Anunciando o futuro,
Entre nuvens, ao surgir!...
É a criança que aparece
Por lírio na tempestade
- Deus buscando a humanidade,
Na construção do porvir.

Aspiração torturada
Nas urzes do sofrimento,
Flor lançada à noite e ao vento,
Ternura em tempo de dor...
Uma criança que chora,
Sozinha e desprotegida,
Com toda a força da vida
É o mundo pedindo amor.

Coração ao desamparo,
Na mágoa em que se consome,
Ave sem ninho e sem nome
É um anjo em penúria atroz;
Um anjo que roga apenas
Proteção em que se guarde,
Para que possa, mais tarde,
Amar e servir por nós.

Companheiros da Bondade,
Ante essa flor que mendiga
Carinho de voz amiga,
Entendei e auxiliai!
Tendes em cada criança
Que em vosso apoio se arrime
Uma esperança sublime
Nascida de nosso Pai.

Bendita a mão que levanta
O socorro, o lar, a escola;
Que afaga, serve e consola
Os filhos da provação;
Quem abraça os pequeninos,
No amparo que lhes descerra,
Está lavando na Terra
O campo da redenção.

(Lembrança aos Tios da Creche do Centro Espírita
Perseverança, em São Paulo, Capital)

Irene de Souza Pinto por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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sábado, 2 de setembro de 2023

Rogativa no túmulo

Rogativa no túmulo

R. de Carvalho



Amados, rogo a Deus vos compense a ternura
Que me ofertais na campa em marmóreo jardim,
A capela de adorno, as cruzes de marfim,
O abrigo de milhões que os restos me enclausura...

Entretanto, atendei!... Levai de sobre mim
A riqueza de pedra e as joias de escultura,
Transformai-as em pão na vereda insegura
Da penúria que vejo agora de onde vim!...

Peço a cova sem luxo, um recanto sem palmas.
Em memória do amor que funde as nossas almas,
Não me façais lembrar o orgulho triste e vão.

Mas aceito, feliz, as flores que me destes
E as preces de saudade, à sombra dos ciprestes,
Que me trazem consolo e vida ao coração,

R. de Carvalho Pinto por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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domingo, 26 de fevereiro de 2023

Ressurreição

Ressurreição

Leôncio Correia



Triste viajante da floresta escura,
Tateando na estrada erma e sombria,
Alcancei a aflição do último dia,
Esmagado na sombra da amargura.,.

Mas, além do favor da sepultura,
Eis que a paz novamente me sorria...
E, ave exalçando a graça da alegria,
Embriaga-me a luz vibrante e pura!

Glória às dores da vida transitória!...
Não traduzo o meu grito de vitória,
Por mais que a minha fé se estenda e brade;

Cego que torna a ver, além do mundo,
Canto somente a luz de que me inundo,
Nos caminhos de sol da eternidade. 
 
Leôncio Correia por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Falando ao coração

Falando ao coração

Cruz e Souza



Coração fatigado, enfermo e aflito
Na noite espessa que te envolve a estrada,
Contempla a imensa abóbada estrelada,
Cintilando na glória do infinito!...

Emudece a amargura de teu grito
E, ante as dores da longa caminhada,
Busca o fulgor distante da alvorada
E sorri para o amor puro e bendito.

Segue olvidando pântanos e espinhos,
Pedras, nuvens e serros escarninhos,
Sem que o fel de teu pranto sobrenade...

E, sobranceiro à treva que te espia,
Chegarás soluçando de alegria
Ao Divino País da Eternidade.

Cruz e Souza por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Inteligência e Amor

Inteligência e Amor

Maria Dolores

 

Maria Dolores e Chico Xavier

Agradeço, alma irmã, a indução à bondade
Com que a tua palavra nos alcança,
Porque falas de amor, sem que se nos degrade
A força da esperança.

Quem se exprime, exaltando o desalento,
Quem somente à amargura se reporta
Vive de raciocínio desatento,
Na sombra que perturba ou desconforta.

Muitos irmãos conhecem lâminas atrozes,
Projéteis e instrumentos de tortura
E a tirania das sinistras vozes
Com que o delito se emoldura.

Mas não sabem que há gestos escarninhos
E discussões lembrando vendavais,
Afirmações que ferem qual espinhos
E frases semelhantes a punhais.

Quanta desolação por fala sem respeito
Esconde-se no mundo, onde a treva desabe!...
Quantas acusações sem base e sem direito?
Quantas chagas ocultas? Ninguém sabe.

Verbo que eleva, ampara, ama e elucida
Em quaisquer circunstâncias a transpor
É um dom de Deus nos caminhos da vida
E a palavra do bem é música de amor.
Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Esperança

Esperança

Casimiro Cunha


 

Repara a luz da esperança
Sempre viva, sempre acesa,
Fulgindo sem descansar
Na bênção da Natureza.

A terra aguarda a semente
E a semente a floração.
Para a vitória do fruto
Em graça, beleza e pão.

O ninho da tempestade,
Ante a fúria que o balança,
Espera, silencioso,
Que o céu retorne à bonança,

Pedras aguardam buril
Para brilharem ditosas,
E o charco espera socorro
Para esmaltar-se de rosas.

O inverno rígido e triste,
Embora a engelhar-se, espera
O sol quente e generoso
Que virá na primavera.

Assim, também no caminho,
Se o pó da mágoa te alcança,
Não te mergulhes na queixa,
Nem percas a confiança.

Há vozes da experiência
Na dor que te dilacera...
Diz a vida: "Ama e confia!"
Diz o tempo: “Espera, espera”.

"Para quem cala Deus fala",
Ensina velho rifão.
Espera com Deus, que o tempo
É o mestre do coração.
Casemiro Cunha por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Transição

Transição

Maria Dolores


O mundo, em múltiplas crises
Por muito apoio arrecade,
É um barco na tempestade
Sob vasta escuridão...
A bordo, somente a fé
Não se alarma e nada teme,
Sabendo Jesus no leme,
Conduzindo a embarcação.

Entre os viajores ansiosos
Surgem cruéis desavenças.
Discutem pessoas tensas
Quanto as rotas por buscar...
Amigos ferem amigos,
Ignoram-se parentes,
Todos parecem doentes
Sem coragem de esperar.

Coriscos - sinistras luzes –
Rasgam a hora sombria,
Ruge, em torno, a ventania,
Fazem-se os homens pigmeus.
Não há quem pense nos outros,
A multidão se atropela,
Clamando por bagatela.
Ninguém pergunta por Deus.

Assim é a Terra de hoje,
Em transição desmedida.
É a vida mudando a vida,
Buscando equilíbrio e paz...
Sofres as farpas da sombra
Em tua própria vivência;
Usa a luz da paciência;
Com essa luz, vencerás.
Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Um certo devoto

Um certo devoto

Maria Dolores



Um homem que se entregara à devoção
Havia muito tempo andava em ansiosa espera,
Queria ver Jesus.
Por isso, quase sempre, em profunda oração,
Vivia em súplica sincera...
Até que, certa noite,
Viu, reverente, o Mestre
Que o abraçava e prometia,
Com palavras de aviso terno e exato,
Visitá-lo no dia imediato.

O devoto acordou... Amanhecia...
Antes que o Sol surgisse, inteiramente,
Apresentando a Terra em novas cores,
O amigo de Jesus, agindo como em festa,
Varre a casa modesta,
Depois, ei-lo a enfeitá-la,
Desde a pequena sala
Ao fogão da cozinha limpa e estreita,
Com dezenas de flores,
Estampando na face a alegria perfeita.

Logo pela manhã,
Bateu-lhe à porta um pobre em roupa esfarrapada,
Mostrando pés e mãos em estranhas feridas,
A rogar-lhe uns minutos de pousada,
Através de expressões enternecidas,
Alegando sofrer tribulações
De comprida jornada.
Mas o devoto respondeu:
- Amigo, segue adiante,
O seu caso é comum,
Espero por alguém muito importante
Não tenho tempo algum.
O mendigo saiu, cambaleante,
Depois de agradecer.

Em seguida apareceu
Triste rapaz errante,
Demonstrando, no todo, traço a traço,
Febre, penúria e dor, indigência e cansaço,
Suplicando socorro ao devoto feliz...
Ele, porém, lhe diz;
- Põe-te à frente, rapaz, não tenho neste mundo,
A obrigação de abrir a porta de meu lar
A qualquer vagabundo...

Logo após, um menino pobre e triste
Surgiu descalço e só,
Corpo todo a encobrir-se sob o pó
Das veredas difíceis que trilhara.,.
Pedia pão e abrigo,
Mas falou o devoto em voz segura e clara:
- Hoje, espero um amigo,
Não posso recolhê-lo,
Peça pão ao vizinho
E segue o teu caminho...
Aliás, para mim, é simples desmazelo
Dos lares sem amor
Que deixam a criança, um garoto qualquer,
Pedir, pedir, pedir e andar como quiser
Para depois fazer-se malfeitor...

Mais tarde, ao fim do dia,
Um velhinho doente, arrimado a um bordão,
Respeitoso, rogava compaixão,
Receava dormir exposto à noite fria
E sair, ao relento,
Aumentando a fadiga e o sofrimento.
O devoto, no entanto, informou da janela:
- Não posso dar-te asilo,
Não bata à minha porta nem te escores nela...
Aguardo alguém; contudo, segue em frente,
Neste mesmo lugar encontrarás mais gente
Que possa agasalhá-lo,
Desculpa-me a recusa,
É um amigo importante esse alguém de quem falo...
Espero que terás leito e pousada
Na primeira pensão, à direita da estrada.

O dia terminou, e a noite veio escura,
O devoto chorou, tomado de amargura,
Mas dormiu e sonhou que reencontrava o Cristo.
Assombrado, gritou: - Por que, por que, Senhor,
Não me queres a fé, nem me aceitas o amor?
Preparei minha casa com cuidado
A fim de demonstrar-te todo o meu carinho,
E não quiseste vir ao meu recanto...

- Como não? - disse o Mestre em doce explicação
- Hoje, por quatro vezes fui
A tua casa, em vão.
Por muito que te achasse, eu me via sozinho..
Finda uma pausa, o Mestre esclareceu:
- Recorda, amigo meu,
O mendigo, o rapaz, o menino e o velhinho...
Sei que teu coração não percebeu,
Mas nos quatro viajores do caminho
Estava eu
A estender-te clarão renovador
E te buscar em meu imenso amor.

Nisso, o devoto em pranto
Voltou ao corpo e veio a despertar...
E, relembrando o ensino, trêmulo de espanto,
Começou a pensar...

Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Reencarnação

Reencarnação

Epiphanio Leite



Recordo-te o perfil e a nobreza do porte:
Empinando o corcel por esquecidas landas,
Incendeias, invades, feres e comandas,
Onde passas é o crime, a dor, o sangue e a morte...

A vocação do horror ninguém há que te corte,
Queres terras mais terras, a fim de que te expandas,
No intuito de arrasar palácios e locandas,
Mas tombas ao punhal de um príncipe mais forte.

Vi-te a gemer no Além, sob o aguilhão das trevas,
E hoje te achei a chorar nas cruzes que ainda levas,
Vivo-morto sofrendo incessante agonia.

No entanto, louva o fel das tuas grandes provas,
Pés sangrando em caminho; nelas te renovas
Para alcançar de novo a luz de Novo Dia!...

Epiphanio Leite por Chico Xavier do livro:
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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Trio da esperança

Trio da esperança

Maria Dolores



Ah! coração fatigado,
Na aflição que te vigia,
Nunca te percas da fé;
Trabalha, espera, confia.

Por mais lutes, mais avanças
Em triste, espinhosa via...
Não esmoreças, contudo;
Trabalha, espera, confia.

Cada hora te parece
Nova dor que se anuncia...
Não te afundes em revolta;
Trabalha, espera, confia.

Já não sabes o tamanho
Da prova que te assedia;
Mesmo assim, prossegue à frente;
Trabalha, espera, confia.

Encontras, a cada passo,
Desprezo, descortesia...
Desculpa, servindo mais;
Trabalha, espera, confia.

Entre os seres mais amados,
Padeces desarmonia;
Não faltes à paciência;
Trabalha, espera, confia.

Sonhaste calma ventura
E sofres em demasia...
No entanto, aguarda o futuro;
Trabalha, espera, confia.

Não temas, nem desesperes,
Toda sombra é fugidia.
O sol brilha, a nuvem passa...
Trabalha, espera, confia.

Para a cura de ansiedade,
Angústia, melancolia,
Usa a receita de sempre:
Trabalha, espera, confia.

Cada manhã, Deus te fala,
Na bênção de novo dia:
- Se queres felicidade,
Trabalha, espera, confia.

Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
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