quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

No Evangelho Nascente

 No Evangelho Nascente

Irmão X.


Enquanto o Mestre ouvia alguns doentes na intimidade do lar de Simão Pedro, eis que um cavaleiro e duas damas se adiantam a consultá-lo.

Vinham de pontos diversos. Estranhos entre si. Contudo, partilhando a mesma expectativa, permutavam impressões dando-se a conhecer.

O rude pescador de Cafarnaum observava-os, atento.

As ciciantes palavras que trocavam eram realmente chocantes.

Supunham fosse Jesus um feiticeiro vulgar e buscavam-lhe os dons mágicos.

Eliakim, o recém-chegado, era um mercador de olhos astutos que proletava a obtenção de certa propriedade, pertencente a um dos tios que estava a morrer. Tratava-se de uma vinha fecunda, suscetível de aumentar-lhe os bens. Ambicionava-lhe a posse por baixo preço e não se resignaria a perdê-la. Ouvira tantas alusões a Jesus, que não vacilava em rogar-lhe a interferência. No condição de mago eficiente, o Cristo, decerto, lhe facultaria a realização do negócio, sem maior sacrifício. Dea, a mulher mais idosa, trazia assunto mais grave. Pretendia vingar-se de antiga companheira que lhe transviara o marido. Via-se agoniada, infeliz. Preferia a morte à renúncia. Não perdoaria à impostora que lhe deixara o lar deserto. Vinha ao famoso Mestre, suplicar-lhe a intercessão de modo a matá-la. Recompensá-lo-ia dignamente desde que pudesse ver Efraim, o esposo, humilhado aos seus pés. Ruth, a mais nova, passou a expor o caso que a preocupava. Queria casar-se, mas Salatiel, o noivo, parecia esquivar-se. Mostrava-se desinteressado, frio. Esperava que Jesus lhe auxiliasse, infundindo ao homem amado mais intensa afetividade, de vez que o moço ganhava distância, pouco a pouco.

O apóstolo registrava um ou outro apontamento, agastadiço.

Ciente de que o Mestre atendia em sala próxima, demandou o interior e explicou-lhe a situação.

Os consulentes revelavam o maior desrespeito.

Eliakim era um negociante voraz e ambas as mulheres pareciam subjugadas por apetites inferiores.

Jesus meditou alguns instantes e, fixando o discípulo, solicitou, prestimoso:

- Pedro, as tarefas desta hora não me permitem serviços outros. Vai, porém, aos nossos hóspedes e socorre-os, ajudando-me a encontrar o caminho de melhor auxiliá-los.

O pescador voltou à presença dos forasteiros, dispondo-se a escutá-los, em nome do Salvador.

Quando lhes anotou os propósitos de viva voz, enrubesceu, indignado. Levantou-se, trêmulo, e gritou sob forte crise de cólera:

- Malditos! Fora daqui! O Mestre não aceita ladrões e mulheres relapsas!...

Cravando o olhar no comerciante, sentenciou:

- Vai roubar noutra parte! Que a vinha de teus parentes seja o inferno onde te cures da cupidez!

Aos ouvidos de Dea, brandou:

- Assassina! Não somos teus sequazes... Certamente foste abandonada pelo marido em razão das chagas de ódio que te consomem o coração!... Mata como quiseres e deixa-nos em paz.

Em seguida, concentrando a atenção sobre Ruth, que tremia de medo, o apóstolo ordenou:

- Saia daqui, amaldiçoada! A mulher que concorre à posse dos homens não passa de meretriz...

Amedrontados, os três abandonaram o recinto, precipitadamente.

Impulsivo, Simão cerrou com estrépido a porta sobre eles. Ao se voltar, porém, para trás, na atitude de quem triunfara no serviço que lhe coubera fazer, deu com Jesus, que o contemplava tristemente.

Reparando que os olhos do amigo celeste se represavam de lágrimas que não chegavam a cair, o aprendiz, como criança estouvada que se humilha à frente do amor paterno, tentou afagar-lhe as mãos e falou em voz modificada:

- Senhor, porventura não estarás satisfeito? Poderemos, acaso, usar tratamento diverso para com aqueles que nos desfiguram o serviço? Não percebestes que os três se encontram sob o império de espíritos Satânicos?

Jesus acariciou-lhe os ombros, de leve, e respondeu:

- Pedro, todos podem descobrir feridas, onde as feridas se destacam. Contudo, raros sabem remediá-las. Não te solicitei formulasses acusações. Para isso, o mundo está repleto de críticos e censores. Eliakim, efetivamente, traz consigo o gênio perverso da usura. Dea está sob a influência do monstro da vingança e Ruth sofre o assédio de vampiros da carne.

Entretanto, notei que, ao ouvi-los, deste, por tua vez, guarida ao demônio da intolerância e da crueldade. Sombra por sombra, dá sempre um total de treva.

- Senhor, não me recomendaste, porém, socorrê-los?

- Sim – acentou Jesus, melancólico -, mas não te roguei desiludi-los ou desprezá-los.

Pedi me ajudasse a encontrar o caminho do auxílio e, como sabes. Pedro, eu não vim para curar os sãos...

Pesado silêncio invadiu a sala.

E porque o Mestre regressasse aos enfermos, com paciência e humildade, o discípulo mergulhou a cabeça entre as mãos e, olhando para dentro de si mesmo, começou a enxugar as próprias lágrimas.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Relatos da Vida
 
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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O misterioso poder da fraternidade

O misterioso poder da fraternidade

Richard Simonetti



João dirigia em silêncio.

O automóvel deslizava rápido, na manhã fria, encurtando a distância que o separava da cidade vizinha.

Ao lado Carla, sua esposa, meditava sobre uma contraditória situação, envolvendo a vida e a morte.

Ela e o marido iam em missão fúnebre. Dariam assistência a Lavínia, sua irmã, cujo marido falecera num acidente de trânsito, na noite anterior. Ao mesmo tempo atendia à subsistência de uma criança, levando-lhe algumas latas de leite.

Pouco depois de receber a notícia da tragédia, uma vizinha lhe falara de apelo ouvido no rádio: um menino necessitava, urgentemente, de algumas latas de leite, de tipo especial, em falta no mercado.

Carla tinha o desejado produto. Informara-se do número de telefone indicado. Era na mesma localidade onde residia Lavínia. Feita a ligação, uma senhora atendera:

- Meu nome é Lúcia. O leite é para meu neto. Fico imensamente grata pela sua atenção. Irei até aí buscar as latas. Peço-lhe verificar o preço.

- Teremos prazer em colaborar e nem pense em pagamento. Nosso filho não está mais usando esse leite. E não há necessidade da senhora vir até aqui. Estamos de saída para sua cidade.

Carla despedira-se, após fornecer o endereço da irmã.

Como ocorre com as almas nobres, embora a tristeza pelo drama familiar, ainda encontrava disposição para auxiliar alguém em dificuldade.

Despertando de suas divagações, Carla notou que estavam chegando. Pouco depois abraçava a irmã.

- Que desgraça, Carla. Jamais poderia imaginar que perderia meu marido tão tragicamente.

- Calma, minha querida. Confiemos em Deus... Um problema reclamava providências urgentes. O acidente fora em localidade distante. O corpo do falecido deveria ser transportado por avião. As despesas eram grandes, acima das possibilidades da viúva.

Os familiares presentes foram convocados a contribuir, mas não havia ninguém bem situado financeiramente. O valor arrecadado não chegava à metade do necessário.

Lavínia desesperava-se:

- Oh! Meu Deus! Que faremos?! A irmã procurava tranquilizá-la:

- Não se preocupe. Havemos de encontrar uma solução.

Em meio à desolação, Carla foi informada de que a procuravam à porta.

Era Lúcia, que viera buscar o leite.

- Quero agradecer uma vez mais a gentileza. Essas latas de leite são muito importantes para meu neto.

- Foi um prazer ajudar.

- Verificou o preço?

- Não há necessidade. O leite não tinha mais nenhuma utilidade para nós. Não há o que pagar.

- Por favor, faço questão. Não quero abusar de sua bondade.

- Repito que não é nada. Dou-me por compensada pelo simples fato de ter sido útil.

Vendo que não conseguiria demovê-la, Lúcia mudou de assunto:

- Fui informada, ao chegar, do falecimento de um familiar seu. Sinto muito...

- É meu cunhado. Morreu ontem à noite, em acidente. Foi longe daqui.

- E o corpo?

- Virá de avião.

- Está tudo acertado?

- Sim...

- Noto que a família é modesta. Há dinheiro para pagar o traslado?

- Estamos providenciando.

- Gostaria de contribuir.

- Agradecemos sua atenção, mas não será necessário.

Lúcia insistiu. Todavia, notando que Carla escusava-se, procurou seu marido e perguntou-lhe. Ele informou:

- Arrecadamos metade do valor cobrado pela empresa aérea.

- Pois bem, veja quanto falta.

João emocionou-se com a oferta, mas não lhe parecia justo envolvê-la nos problemas da família.

-Agradeço de coração sua boa-vontade, mas, por favor, não se preocupe...
Lúcia sorriu.

- Faço questão. Afinal, somos “irmãos de leite”... Ato contínuo, preencheu um cheque com o valor que, à custa de sua insistência, João lhe fornecera.

E enquanto Lúcia despedia-se, Carla, comovida, avaliava intimamente o misterioso poder da fraternidade, mesmo quando se trata da simples doação de algumas latas de leite.

Fala-se muito dos rigores da Lei de Causa e Efeito, evidenciando que os males que praticarmos fatalmente desabarão sobre nós, na forma de doenças e dores, problemas e dificuldades.

Mais importante seria destacarmos os valores do Bem que, consoante os mesmos princípios de causa e efeito, resultarão, invariavelmente, em chuva de bênçãos para aqueles que os cultivam.

Richard Simonetti do livro:
Encontros e desencontros

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Amor e progresso

Amor e progresso

Joanna de Ângelis


Mediante o amor, todos despertarão para as responsabilidades que lhes dizem respeito.

O amor é o mais prodigioso fomentador do progresso moral, do qual decorrem todas as demais formas de desenvolvimento.

Quando não viceja no ser humano, as conquistas realizadas, por mais brilhantes, tendem à destruição ou são filhas especiais do egoísmo, que as realiza para atender fins nem sempre respeitáveis.

A atualidade tem-se feito caracterizar por muitas formas de progresso, que têm impulsionado a cultura e a civilização a níveis elevados, não obstante a vigência dos crimes hediondos, da fome estarrecedora, das enfermidades infectocontagiosas, das guerras contínuas, dos abusos do poder, dos preconceitos ainda não erradicados, da intolerância de vário matiz, dos descalabros morais por meio dos vícios destruidores como o alcoolismo, o tabagismo, as drogas químicas...

A Ciência e a Tecnologia têm impulsionado o indivíduo a relevantes realizações, porém esquecidas do amor, e dessa forma as máquinas que ele criou substituem-no, desumanizam-no enquanto o superpovoamento das grandes cidades alucina-o, tornando-o mais agressivo e estressado.

Não obstante as propostas sociológicas que se multiplicam, esse cidadão perde a identidade e confunde-se na massa que detesta, tornando-se violento e sentindo a sua existência quase sem objetivo.

Os veículos de comunicação, com o seu imenso poder de conduzir notícias, invadem os lares em toda parte, especialmente a televisão, e os abarrotam com informações ligeiras, raramente esclarecedoras e profundas quando da abordagem dos temas de alta significação, libertadores de consciência e tranquilizadores da emoção, apresentando, ao invés, muitos fatos escabrosos que ele desconhece e, não poucas vezes, estimulam-no a lutas ferozes, nas quais os demais são-lhe inimigos em potencial.

Infelizmente, esses veículos dão preferência às licenças morais devastadoras, criando uma cultura pessimista e reacionária, na qual o ódio, a frustração, o desespero assumem papel de importância na conduta interior e na maneira de viver na sociedade.

A família, embora o patrimônio multimilenário de que se constitui, sofre os camartelos da agitação e do desconcerto de que se tornou vítima, transtornando-se e esfacelando-se, tornando-se campo de rudes batalhas malsucedidas.

...E o ser humano superconfortado transita sob injunções tormentosas, derrapando em transtornos neuróticos, psicóticos, mergulhando no fosso da desolação.

Sucede que o progresso, sem amor, está sem Deus, portanto, sem o alicerce seguro do equilíbrio e da libertação das vidas dos seus atavismos primitivos, que as escravizam no primarismo de onde procedem.

Torna-se urgente uma revisão de conceitos em torno do progresso e das suas propostas, a fim de que seja realizada uma ação renovadora e saudável, propiciando relacionamentos felizes entre as criaturas.

Esse ministério somente pode ser desempenhado pelo amor.

É inevitável que a máquina robotize muitas atividades, solucionando com razoável perfeição os misteres que lhe estão programados. Entretanto, cumpre ao ser humano encontrar soluções outras e mecanismos sábios para atender aos desempregados, àqueles que foram substituídos nas empresas e fábricas, nos laboratórios e no campo...

Tal compromisso diz respeito ao amor e à compaixão.

O amor fomenta o progresso, nunca eliminando a criatura humana, sua meta e seu destino.

De que adianta um mundo tecnologicamente bem equipado, com criaturas fantasmas de si mesmas, sem objetivos de alta significação, transitando entre aspirações imediatas e prazeres fugidios?

O ser humano é o grande investimento da Divindade, que aplicou centenas de milhões de anos na sua construção, conduzindo-o, passo a passo, na longa travessia das experiências de crescimento.

Mediante o amor, de que se constitui, e na maioria ainda se encontra em latência, conseguirá romper os envoltórios resistentes, para sair à luz e desenvolver as aptidões, aumentando o campo de realizações que lhe dizem respeito.

Por meio da lucidez do amor, a Tecnologia trabalhará em favor da paz, jamais promovendo guerras de extermínio, a soldo das ambições desmedidas de indivíduos e de governos alucinados, egotistas e mercenários.

Os poderosos auxiliarão os fracos, emulando-os à conquista de recursos dignos, mediante os quais adquirirão valores para a existência saudável.

O comércio terá características humanitárias e não apenas de exploração do homem pelo homem, gerando a escravidão monetária, qual vem ocorrendo lastimosamente.

As indústrias respeitarão os direitos do cidadão, mediante horários de trabalho justo e espaços para repouso, espairecimento e estudo, mas também preservarão a Natureza.

O ser humano não foi criado para ter as suas forças exauridas, como se fora uma alimária infeliz, no justo momento em que os amigos dos animais levantam-se para profligar contra o abuso e a impiedade com que muitos os tratam.

A agricultura receberá maior respeito, tornando-se milagroso instrumento de provisão para as multidões, que não mais experimentarão fome ou escassez de alimentos.

O tráfico, em todas as formas como se apresente, será diluído na solidariedade que há de viger entre os seres pensantes da Terra.

Porque, mediante o amor, todos despertarão para as responsabilidades que lhes dizem respeito, e não apenas para os interesses mesquinhos que os submetem às tormentosas lutas de predomínio e de loucura.

Como é possível uma sociedade, na qual alguns poucos detêm o poder financeiro, que todo o restante da população do mundo, somada, não consegue sequer aproximar-se, menos ultrapassar?! Como estabelecer-se uma cultura, em nome do progresso, na qual a miséria total espia com ira a abundância e o desperdício acintoso dos poderosos?!

Como aguardar-se a paz social, estabelecida por tratados internacionais de conveniência, firmados pelas Nações mais desenvolvidas e ricas da Terra, olvidando-se dos estertores agônicos daquelas outras que lhes sofrem as injunções penosas, na condição de escravas, sem direito à palavra, à liberdade, à esperança, encontrando-se na linha abaixo da miséria estabelecida?!...

Tudo isso ocorre somente porque o amor não foi consultado, quando se cuidou de desenvolver o progresso do mundo, longe dos sentimentos da compaixão e da solidariedade para com o próximo, que não é apenas aquele que está mais perto, senão todos os seres existentes.

O amor verdadeiro, portanto, é aquele que se estabelece em todos os segmentos sociais, culturais, científicos, religiosos, artísticos, priorizando sempre a criatura humana, seu objetivo, sua razão de existir...

Com o seu hálito vivificador, comanda as consciências e os sentimentos, nunca permitindo que alguém deseje, ou faça com outrem, aquilo que não gostaria que lhe fosse feito.

Quando essa compreensão abarcar os homens e as mulheres, conduzindo-os pela trilha da evolução, o progresso será real, profundo e plenificador.

Começa, então, desde agora, com esse compromisso de amar, não pensando em resultados, exceto os do próprio amor.

O futuro encarregar-se-á de levá-lo até onde não consigas chegar, e isso, sim, é o que se faz importante.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro
Garimpo de Amor

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domingo, 11 de dezembro de 2022

Equação da Felicidade

Equação da Felicidade

Cairbar Schutel



Encontraste o sentido espírita da vida humana?

A Nova Revelação patenteia-nos a magnitude do Universo, ensinando-nos que somos parte do Todo, motivo pelo qual, ainda que não queiramos, pertencemo-nos uns aos outros, influenciando e sendo influenciados.

Busca, assim, a orientação alheia; contudo, aconselha-te igualmente contigo no recôndito dos próprios pensamentos.

A consciência é um registro da Direção Divina, impelindo-nos a regular os batimentos do coração pelo ritmo da verdadeira fraternidade.

Há criaturas que vivem quase que exclusivamente para o corpo, absorvidas em repouso e devaneio, refeições e divertimentos, sem um minuto para as criaturas irmãs.

Não troques as preocupações de caráter imorredouro, no apoio à solidariedade com todos aqueles que te respiram o mesmo hausto de esperança, pelas preocupações fugazes e personalíssimas com objetos e objetivos puramente materiais.

O Espírito humano é a obra-prima, a suprema criação de Deus.

Sob o critério da lógica natural, um sol gigantesco, a caracterizar-se por trilhões de toneladas, embora respeitável, não vale um só Espírito humano, medíocre e anônimo.

Os nossos semelhantes pensam, sentem, sonham e viverão perenemente conosco, onde estivermos, merecendo, portanto, a aplicação constante de nossas atenções e energias.

Em contraposição com semelhante verdade, urge não esquecer
que a matéria inerte não pensa, não sente, não sonha e, não obstante vibra animada pelo sopro da Sabedoria Excelsa, existe apenas transitoriamente na dinâmica do eterno transformismo. Embora respeitando, sob as medidas do equilíbrio necessário, a tudo e a todos e, conquanto honrando irrepreensivelmente a todos os deveres que o mundo te reserve, certifica-te de que o tempo despendido por ti no auxílio aos irmãos de Humanidade, em silenciosos sacrifícios, é mais importante que a posição social, passaportes de competência, poderes, representações, posses, conhecimentos e mesmo que a própria religião titular que te assinalem a individualidade em trânsito sobre a Terra.

À vista disso, vence, desde agora, desculpas, horários, contratempos, empeços, dificuldades, enxaquecas, indisposições e alergias para cooperar a benefício do próximo.

Mede-se a evolução da alma pelo número de almas que ela influencia beneficamente.

Por essa razão, no decorrer de cada semana, observa quantas horas gastas contigo mesmo e quantas horas consagras ao serviço dos outros.

Nesse problema íntimo, e apenas nele, encontrarás a equação do teu rendimento de valores imortais para o Tesouro da Vida e só desses investimentos sublimes é que receberás da própria vida as recompensas automáticas e intransferíveis que conhecemos na profundeza do espírito por nomes de alegria e felicidade.

 Cairbar Schutel por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de volta

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