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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

O vir a ser

O vir a ser

Joanna de Ângelis


O Self atual merece repetido, não é uma página em branco, na qual irão ser escritos os caracteres das necessidades humanas. Herdeiro do psiquismo ínsito no inconsciente coletivo, é portador do seu próprio inconsciente pessoal, que são as experiências do processo evolutivo no curso dos renascimentos carnais.

Desde os primórdios do seu processo antropossociológico, quando se organizaram as moléculas responsáveis pelo cérebro réptil, que se formou ao impacto das ondas emitidas pelo Si profundo — a imagem e semelhança arquetípicas de Deus —, é portador de todos os valores profundos que se devem libertar da argamassa celular para atingirem o esplendor, a individuação, o numinoso.

Nessa fase de primarismo, as necessidades eram iniciais, e o automatismo governava os seres primevos, sem quaisquer complexidades que exigissem equipamentos mais sofisticados. Esse processo se prolongou por algumas centenas de milhares de anos, firmando as características das necessidades nele então vigentes.

Posteriormente, à medida que desabrochavam as faculdades inatas, etapa após etapa, a matéria se foi adensando no períspirito ou modelo organizador biológico, dando surgimento ao cérebro mamífero, no qual se desenvolviam os pródromos do aparelho endocrínico, do cerebelo, da medula espinhal, para que melhor se expressassem as necessidades compatíveis com as formas em progressivo crescimento.

Só então surgiria, dezenas de milhares de anos transcorridos, o neocórtex, encarregado de programar as funções nobres do ser, como a inteligência, o sentimento, a memória, as aptidões elevadas, o discernimento, a consciência...

Desse modo, foi sendo escrita no Self através da longa jornada molecular guiada pelo Psiquismo Superior, nela existente em forma de princípio espiritual, toda a trajetória a percorrer com infinitas possibilidades de crescimento e transcendência.  

Assemelha-se, esse processo, à experiência de alguém saindo de um túnel em sombras, avançando para as claridades do dia exuberante.

É esse princípio inteligente, causal e eterno, que programa as formas físicas e oferece direcionamento aos neurônios cerebrais, às glândulas de secreção endócrina e outros sensíveis equipamentos encarregados da decodificação do psiquismo.

Assim considerando, os argumentos da conceituação antiga da frenologia, que estabelecia a existência de áreas físicas definidas no cérebro para os vários mecanismos da inteligência, do sentimento, do movimento, felizmente ultrapassada desde a valiosa descoberta do centro da fala, por Pierre Paul Broca, em abril de 1864, abrindo espaço para novas e mais intrigantes conquistas. Assim mesmo, o cérebro prossegue desafiador na sua estrutura e contextura profunda, responsável pelas inextricáveis complexidades do ser e da sua vida.

Nada obstante, algumas áreas que correspondem a determinadas funções e finalidades, quais a memória, a inteligência, o sentimento e outras faculdades, não se encontram adstritas exclusivamente a localizações específicas, permanecendo distribuídas por todo o cérebro, que passa a apresentar-se como um verdadeiro holograma, no qual cada parte possui o conjunto, que muito bem o pode expressar...

Indubitavelmente, o passado programou no ser as necessidades da sua evolução, apontando-lhe uma finalidade, um objetivo que deve ser alcançado mediante todo o empenho da sua inteligência e do seu discernimento.

Deixando de lado os impulsos meramente instintivos que o vêm guiando através dos milênios, agora desperta para a razão, descobrindo a essencialidade da vida, que nele próprio se encontra como tendência inapelável - o seu destino - que é a harmonia, a plenitude ambicionada.

E inevitável que, durante essa trajetória, repontem as dificuldades, hoje ameaçadoras, que fizeram parte das conquistas pretéritas, e, no seu momento, foram os mecanismos de sobrevivência e de vitória do ser em relação ao meio hostil e aos semelhantes primitivos que o buscavam dizimar.

Ressumando através de imagens arquetípicas e complexos tormentosos, a psicoterapia constitui instrumento seguro para a recuperação de valores no paciente e a libertação dos traumas profundos que remanescem do pretérito, assim como das injunções penosas da hereditariedade, da vida perinatal, do convívio familial, que se encontram incursos nesses impositivos estabelecidos pela evolução.

Vencendo as impressões que permanecem do ontem, o seu vir a ser desenha-se atraente e enriquecedor, por propiciar-lhe metas idealistas que irão desenvolver os sentimentos e a inteligência, encarregados de selecionar os recursos que o podem impulsionar para a conquista da saúde integral e do equilíbrio social.

Ante as psicopatologias e transtornos da afetividade que aturdem o ser humano, procedentes dele mesmo, o esforço do paciente, dos seus familiares e da sociedade em conjunto deve ser estimulado, a fim de que se inicie um programa de ajuda mútua, de companheirismo fraternal e psicológico, trabalhando-se pelo bem-estar geral.

Quanto possível, a liberação da culpa constitui elemento de harmonização interna, propondo novas diretrizes de trabalho interior para o crescimento pessoal, no que redundará o estabelecimento de novas metas que devem ser vencidas, a passo e passo, sem castração nem ansiedade, sem tormento nem vacilação, o que seria igualmente perturbador se ocorresse em desalinho emocional.

A conquista do amanhã é relevante para o ser, que se sente impulsionado a vencer os desafios atuais, porque então a sua existência dispõe de sentido e de significado real.

Descobrindo-se capaz de amar e percebendo-se amado - o que não ocorre no período do transtorno da afetividade — o paciente fica estimulado a avançar, porque agora, desalgemado dos conflitos que o infelicitavam, encontra razão para prosseguir em paz.

Ninguém vive realmente sem objetivo existencial. Pode-se ser desamado, nunca, porém, perder-se o sentido do amor.

O ser humano suporta qualquer tipo de perda, naturalmente dentro dos seus limites emocionais, não, porém, a perda do objetivo existencial.

Os instrumentos do otimismo, sem abuso ou exagero, da confiança, sem a irresponsabilidade que leva aos desatinos, da alegria, sem as ambições do gozo excessivo ou da inibição, da busca da autorrealização, sem fugas do mundo nem exacerbação dos seus convites, da esperança, sem a resignação estática dos inúteis ou a aflição dos desarvorados, constituem meios eficazes para se trabalhar o próprio vir a ser.

Uma visualização correta dos planos que podem ser antecipados pelo pensamento, gerando imagens ideais para a existência, na saúde, no trabalho, na sociedade, no comportamento, faz-se psicoterapia edificante para ser alcançada a posição que se anela. Isto porque, as imagens construídas no psiquismo terminam por impregnar o superconsciente e alimentá-lo, auxiliando o ego a superar as constrições impostas pelos fenômenos decorrentes do curso existencial.

Se o indivíduo perde a motivação para o crescimento interno e a conquista de valores externos, porque se encontra sob recriminação e culpa incerteza e desinteresse existencial, a sua se torna uma jornada exaustiva e enfermiça, porque destituída de ideais e de realizações.

A existência saudável é dinâmica, referta de ações exitosas e malsucedidas, que se inter-relacionam em um panorama de acertos e de erros, enganos esses que se convertem em aprendizagem para futuras conquistas que enobrecem o ser humano.

A vida sem sentido é uma experiência sem vida.

O vir a ser dá sentido existencial à vida, promovendo-a e dignificando-a, tornando-a saudável e bela.

Estabelecido, portanto, um roteiro psicoterapêutico valioso, ou organizada uma simples proposta de bem-estar pessoal, o vir a ser é essencial na estruturação da saúde do indivíduo, que se trabalha motivado para alcançar o objetivo da existência humana, que é a busca da felicidade.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Triunfo Pessoal

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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Religião e Saúde

Religião e Saúde

Joanna de Ângelis

A adoção de uma conduta religiosa que trabalhe o indivíduo, nele edificando valores de dignificação e de bem-estar, é valioso contributo psicológico para a sua saúde.

Freud informava que a Religião é, por si mesma, uma neurose compulsiva. Certamente a tese não pode ser generalizada, pois Jung, por sua vez, reconheceu a sua necessidade para um bom e saudável equilíbrio psicológico, antineurotizante, desde que constitua estímulo para o prosseguimento das lutas e para o trabalho de renovação interior do indivíduo.

O mesmo ocorre com a Ciência, que algumas personalidades podem utilizar-se de forma dogmática, facultando-se intolerância e fuga compulsiva em torno das incertezas que a existência proporciona.

Há uma necessidade de o indivíduo segurar-se em algo que o poupe da ansiedade, do medo, e a fé na Ciência, em face do seu conteúdo racional, pode tornar-se neurótica e compulsiva. Nem todos, porém, assim procedem, havendo a diferença entre os comportamentos saudáveis e os neuróticos.

É necessário examinar se a Religião mantém o indivíduo infantilizado, dependente dos seus postulados e receoso das lutas que deve travar, a fim de adquirir a sua maturidade psicológica, ou se tem um caráter libertador. Na segunda hipótese, os seus paradigmas e teses devem contribuir para a sua autoaceitação, para o reconhecimento dos próprios limites, contribuindo para que possa desenvolver todos os valores que lhe dormem latentes, especialmente ampliando-lhe a capacidade de amar ao seu próximo, a Natureza, a vida e a si mesmo...

A Religião não pode servir de fuga psicológica para o indivíduo poupar-se ao enfrentamento dos seus conflitos, dos processos de libertação do sofrimento, que pode ser modificado mediante a coragem de defrontá-los e trabalhá-los corajosamente com os instrumentos da realidade.

O amor a Deus deverá ser uma manifestação natural que emerge do Self e vitaliza o ser total, sem a preocupação de ser amado por Deus, o que pareceria um paradoxo, caso não o fosse amado, quer nele se acredite ou não.

Nessa constatação, nesse emergir do inconsciente profundo pessoal, a imagem de Deus todo Amor, porque saudável, elimina a necessidade masoquista do martírio, do sacrifício, do sofrimento, como, às vezes, demonstra-se para os outros, que somente se justificam quando as situações impõem o testemunho de fé, isto é, a perfeita coerência entre aquilo em que crê e expressa, e as defecções que lhe são impostas, tornando-se alguém decidido e sem medo ante essas conjunturas, sendo fiel ao comportamento íntimo e externo que adota.

Quando a Religião liberta do medo e da ansiedade, quando proporciona a coragem natural para o autoenfrentamento, torna-se terapêutica e geradora de saúde.

O homem livre busca Deus exatamente porque se encontra em liberdade, e deve avaliar se pode ser conceituado como um Espírito, Energia Suprema ou como um Fenômeno da Natureza, que se lhe torna uma necessidade compulsiva como ocorre com a dependência do álcool ou de outras substâncias químicas...

- Feita essa avaliação, e constatando-se que não se trata de um epifenômeno de procedência neurótica, mas de uma realidade na qual se acredita sem qualquer conflito, estabelece-se um vínculo emocional, religando-o a Deus e passando a amá-lo com espontaneidade.

A Religião, pelo seu sentido de condução ao infinito das origens, no passado, e pela proposta de incomensurável, em relação ao futuro, proporciona experiências de autoidentificação, que se pode considerar como uma verdadeira graça dessa Divindade.

Obviamente, a vinculação do ser a uma doutrina religiosa não o deve conduzir a qualquer manifestação de fanatismo, que representa o seu conflito projetado para o exterior, em face da insegurança e do medo do enfrentamento do Si-mesmo.

Através da Religião, o homem aprofunda reflexões e mergulha no seu inconsciente, fazendo que ressumem angústias e incertezas, animosidades e tormentos que podem ser enfrentados à luz da proposta da fé, e que são lentamente diluídos, portanto, eliminados, a serviço do bem-estar pessoal, que se instala lentamente, tornando-o cada vez mais livre e, portanto, mais feliz.

A instalação da fé dogmática - seus fundamentos essenciais -, mas racional, porque enfrenta os desafios com tranquilidade, abre espaço ao livre-arbítrio que, do ponto de vista psicológico, nem sempre é realmente livre, em face dos fatores emocionais e orgânicos que influenciam as decisões e as escolhas, os comportamentos e as observações de que se é objeto, variando, portanto, de acordo com as circunstâncias e os níveis de consciência nos quais cada um estagia.

Graças à opção religiosa, sem o abandono dos admiráveis suportes psicológicos e psicoterapêuticos, o binômio saúde-doença modifica-se para uma estrutura unitária, que é a saúde, na qual ocorrências transitórias de mal-estar, de enfermidade de qualquer natureza, não afetam o estado normal de equilíbrio e de harmonia psicológica.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Triunfo Pessoal

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domingo, 12 de setembro de 2021

Esquizofrenia

Esquizofrenia

Joanna de Ângelis




Nos transtornos psicóticos profundos, a esquizofrenia destaca-se aterrorizante, em face da alienação que impõe ao paciente, afastando-o do convívio social e conduzindo-o à vivência da própria incúria, sem a capacidade de discernimento que se encontra embotada.

Denominada, por Freud, como "neurose narcisista", identificada por Kraepelin, que estabeleceu como sintoma frequente a "indiferença ou embotamento afetivo", coube a Bleuler assinalar que o paciente é vítima de uma "desagregação do pensamento", que produz certa rigidez com extrema "dificuldade de exteriorização dos sentimentos", não sendo, portanto, imune à afetividade.

Clinicamente apresenta-se sob três formas, consideradas clássicas: hebefrenia, catatonia e paranoide. Posteriormente foi acrescentada outra, que ficou denominada como esquizofrenia simples.

Muito difícil de ser diagnosticada, em face das suas variedades de sintomas, vem sendo estudada desde há muito tempo, recebendo as mais valiosas contribuições para a sua compreensão, nos dois mais recentes séculos, a partir, dentre outras, das investigações de Kahlbaum e Hecker, na segunda metade do século XIX, já que, até então, pouco se conhecia a seu respeito.

Sem dúvida, fatores hereditários preponderantes impõem o desvio psicótico profundo, graças às impressões vigorosas registradas nos genes desde os primórdios da concepção.

Essa terrível afecção mental responde pela falta da associação de ideias, pelo desleixo e abandono do Si em transtorno grave de conduta.

Enfermidades infectocontagiosas e suas sequelas podem, também, desencadear o processo esquizofrênico, em razão dos prejuízos que impõem aos neurônios cerebrais e às suas sinapses, que se desconectam, tornando-se incapazes de enviar as mensagens corretamente de um ao outro, nessa cadeia complexa de informações que transitam através das suas delicadas conexões. Fenômenos orgânicos que promovem grande tensão, como aqueles considerados críticos, tais a puberdade, o catamênio, a menopausa e a andropausa, são arrolados como responsáveis também pelas manifestações lentas e contínuas do transtorno esquizofrênico.

Por outro lado, traumatismos cranianos atingindo o cérebro produzem efeitos equivalentes, perturbando o raciocínio do paciente e afastando-o do convívio da sociedade.

Outrossim, fatores exógenos, que dizem respeito aos eventos de vida, também respondem pelo transtorno cruel, especialmente nos indivíduos de compleição moral frágil ou marcados por graves distúrbios familiares, sociais, de trabalho, de relacionamento afetivo, que os predispõem às fugas espetaculares para o quase-autismo.

Não obstante, deve-se incluir na psicogênese do transtorno esquizofrênico, a consciência de culpa das ações vivenciadas em existências anteriores, quando a delinquência assinalou o desenvolvimento do Self, hedonista e explorador, que somente se utilizou dos amigos e conhecidos para os explorar, traindo-lhes a confiança ou covardemente destruindo-lhes o corpo em horrorosos crimes que não foram justiçados, porque passaram desconhecidos ou as circunstâncias legais não os alcançaram. Não havendo sido liberados pela reparação através dos cometimentos impostos pela Lei vigilante, insculpiram nas delicadas tecelagens vibratórias do corpo perispiritual a responsabilidade infeliz, que ora ressurge como cobrança, necessidade de reparação, impositivo de reequilíbrio, de recomposição social, familial, humana.

Eis que nessa, como noutras ocorrências psicopatológicas, a interferência de seres desencarnados ou de outra dimensão, se assim for mais acessível ao entendimento, impondo sua vontade dominadora sobre aquele que o infelicitou no curso de existência anterior, produz distonia equivalente àquelas que procedem das psicogêneses internas e externas.

Essa imposição psíquica frequente e insidiosa afeta os neurotransmissores, facultando que moléculas — neuropeptídeos — responsáveis pelo equilíbrio das comunicações, os desconectem produzindo a alienação.

A mente, que não é física, emite ondas especiais que são captadas por outras equivalentes, que sincronizem com as emissões que lhes são direcionadas.

Há, em todo o Universo, intercâmbio de mentes, de pensamentos, de vibrações, de campos de energia...

No que diz respeito às afinidades psíquicas, a sintonia vibratória permite que sejam decodificadas mensagens mentais por outros cérebros que as captam, conforme os admiráveis fenômenos parapsicológicos da telepatia, da clarividência, da precognição, da retrocognição, cujas experiências em laboratório tornaram-nos cientificamente comprovados, reais.

É natural, portanto, que não havendo a destruição do Self quando ocorre a morte ou desencarnação do ser humano, a mente prossiga enviando suas mensagens de acordo com as construções emocionais de amor ou de ira, de felicidade ou de desdita, que se fazem captadas por estações mentais ou campos psi, dando curso às inspirações, às percepções enobrecidas ou perturbadoras, facultando o surgimento das nefastas obsessões de efeitos calamitosos.

É muito mais vasto o campo dessas intercorrências espirituais do que se pode imaginar, sucedendo tão amiúde, que seria de estranhar-se não as encontrar nos transtornos neuróticos ou psicóticos de qualquer natureza...

O Self dessa maneira, desenvolve-se mediante as experiências que o acercam do Arquétipo Primacial, no qual haure vitalidade e força, transferindo todas as aquisições nobres ou infelizes para futuros cometimentos, assim ampliando os primeiros e recuperando-se dos segundos, armazenando todas as experiências que o conduzirão à individuação plena, ao numinoso ou sintonia com Deus.

Mergulhando, a princípio, no Deus interno, desperta o potencial de sabedoria e de amor que nele jaz, a fim de poder crescer em amplitude no rumo do Deus Criador do Universo...
A saúde mental somente é possível quando o Self, estruturado em valores éticos nobres, compreende a finalidade precípua da existência humana, direcionando os seus sentimentos e conhecimentos em favor da ordem, do progresso, do bem-estar de toda a sociedade.

A liberação do ego arbitrário, desvestido dos implementos da aparência que se exterioriza pela persona, permite a integração do ser na vida em caráter de plenitude.

Todas as terapias acadêmicas procedem valiosas e oportunas, considerando-se a imensa variedade de fatores preponderantes e predisponentes, para o atendimento da esquizofrenia, não sendo também de desconsiderar-se a fluidoterapia, o esclarecimento do agente perturbador e o consequente labor de sociabilização do paciente através de grupos de apoio, de atividades espirituais em núcleos próprios onde encontrará compreensão, fraternidade e respeito humano, que o impulsionarão ao encontro com o Si profundo, em clima de paz.

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Depressão

Depressão

Joanna de Ângelis



Na raiz psicológica do transtorno depressivo ou de comportamento afetivo, encontra-se uma insatisfação do ser em relação a si mesmo, que não foi solucionada. Predomina no Self um conflito resultante da frustração de desejos não realizados, nos quais impulsos agressivos se rebelaram ferindo as estruturas do ego que imerge em surda revolta, silenciando os anseios e ignorando a realidade. Os seus anelos e prazeres disso resultantes, porque não atendidos, convertem-se em melancolia, que se expressa em forma de desinteresse pela vida e pelos seus valiosos contributos, experienciando gozos masoquistas, a que se permite em fuga espetacular do mundo que considera hostil, por lhe não haver atendido as exigências.

Sem dúvida, outros conflitos se apresentam, e que podem derivar-se de disfunções reais ou imaginárias da libido, na comunhão sexual, produzindo medos e surdas revoltas que amarguram o paciente, especialmente quando considera como essencial na existência o prazer do sexo, no qual se motiva para as conquistas que lhe parecem fundamentais.

Vivendo em uma sociedade eminentemente erótica, estimulada por um contínuo bombardeio de imagens sonoras e visuais de significado agressivo, trabalhadas especificamente para atender as paixões sensuais até a exaustão, não encontra outro motivo ou significado existencial, exceto quando o hedonismo o toma e o leva aos extremos arriscados e antinaturais do gozo exorbitante.

Ao lado desse fator, que deflui dos eventos da vida, o luto ou perda, como bem analisou Sigmund Freud, faz-se responsável por uma alta cifra de ocorrências depressivas, em episódios esparsos ou contínuos, assim como em surtos que atiram os incautos no fosso do abandono de si mesmos. Esse sentimento de luto ou perda é inevitável, por ferir o Self ante a ocorrência da morte, sempre considerada inusitada ou detestada, arrebatando a presença física de um ser amado, ou geradora de consciência de culpa, quando sucede imprevista, sem chance de apaziguamento de inimizades que se arrastaram por largo período, ou ainda por atos que não foram bem-elaborados e deixaram arrependimento, agora convertidos em conflito punitivo.

Ainda se manifesta como efeito de outras perdas, como a do trabalho profissional, que atira o indivíduo ao abismo da incerteza para atender a família, para atender-se, para viver com segurança no meio social; outras vezes, a perda de algum afeto que preferiu seguir adiante, sem dar prosseguimento à vinculação até então mantida, abrindo espaço para a solidão e a instalação de conflito de inferioridade; sob outro aspecto ainda, a perda de um objeto de valor estimativo ou monetário, produzindo prejuízo de uma ou de outra natureza...

Qualquer tipo de perda produz impacto aflitivo, perturbador, como é natural. Demora-se algum tempo, que não deve exceder a seis ou oito semanas, o que constitui um fenômeno emocional saudável. No entanto, quando se prolonga, agravando-se com o passar do tempo, torna-se patológico, exigindo terapêutica bem-elaborada.

Pode-se, no entanto, evitar as consequências enfermiças da perda, mediante atitudes corretas e preventivas.

Terapia profilática eficaz, imediata, propiciadora de segurança e de bem-estar, é a ação que torna o indivíduo identificado com os seus sentimentos, que deve exteriorizar com frequência e naturalidade em relação a todos aqueles que constituem o clã ou fazem parte da sua afetividade.

Repetem-se as oportunidades desperdiçadas, nas quais se pode dizer aos familiares quanto eles são importantes, quanto são amados, explicitar aos amigos o valor que lhes atribui, aos conhecidos o significado que eles têm em relação à sua vida... Normalmente se adiam esses sentimentos dignificadores e de alta magnitude, que não apenas felicitam aqueles que os exteriorizam, mas também aqueloutros, aos quais são dirigidos, gerando ambiente de simpatia e de cordialidade. Nunca, pois, se devem postergar essas saudáveis e verdadeiras manifestações da afetividade, a fim de serem evitados futuros transtornos de comportamento, quando a culpa pretenda instalar-se em forma de arrependimento pelo não dito, pelo não feito, mas sobretudo pelo mal que foi dito, pela atitude infeliz do momento perturbador... Esse tipo de evento de vida — a agressão externada, o bem não retribuído, a afeição não enunciada - pode ser evitado através dos comportamentos liberativos das emoções superiores.

Muitos outros choques externos como acidentes, agressões perversas, traumatismos cranianos contribuem para o surgimento do transtorno da afetividade, por influenciarem os neurônios localizados no tronco cerebral próximo ao campo onde o cérebro se junta à medula espinal. Nessa área, duas regiões específicas enviam sinais a outras da câmara cerebral: a rafe, encarregada da produção da serotonina e o locus coeruleus, que produz a noradrenalina, sofrendo os efeitos calamitosos dessas ocorrências, assim como de outras, desarmonizam a sua atividade na produção dessas valiosas substâncias que se encarregam de manter a afetividade, propiciando a instalação dos transtornos depressivos.

Procedem, também, dos eventos de natureza perinatal, quando o Self em fixação no conjunto celular, experienciou a amargura da mãe que não desejava o filho, do pai violento, dos familiares irresponsáveis, das pelejas domésticas, da insegurança no processo da gestação, produzindo sulcos profundos que se irão manifestar mais tarde como traumas, conflitos, transtornos de comportamento...

A inevitável transferência de dramas e tragédias de uma para outra existência carnal, insculpidos que se encontram nos refolhos do Eu profundo - o Espírito viajor de multifários renascimentos carnais - ressumam como conflito avassalador, a princípio em manifestação de melancolia, de abandono de si mesmo, de desconsideração pelos próprios valores, de perda da autoestima...

Pode-se viver de alguma forma sem a afeição de outrem, sem alguns relacionamentos mais excitantes, no entanto, quando degenera o intercâmbio entre o Self e o ego o indivíduo perde o direcionamento das suas aspirações e entrega-se às injunções conflitivas, tombando, não poucas vezes, no transtorno depressivo.

Esse ressumar de arquétipos profundos, em forma de imagens arquetípicas punitivas, aguarda os fatores que se apresentam nos eventos de vida para manifestar-se, amargurando o ser, que se sente desprotegido e infeliz.

Incursa a sua consciência em culpa de qualquer natureza, elabora clima psíquico para a sintonia com outras fora do corpo somático, que se sentem dilapidadas, e sendo incapazes de perdoar ou de refazer o próprio caminho, aspiram pelo desforço covarde e insano, atirando-se em litígio feroz no campo de batalha mental, produzindo sórdidos processos de parasitose espiritual, de obsessões perversas.

Quando renasce o assinalado pelas heranças pregressas, no momento em que se dá a fecundação, mediante o mediador plástico ou períspirito, imprimem-se, nas primeiras células, os fatores necessários à evolução do ser, que oportunamente se manifestarão, no caso de culpa e mágoa, de desrespeito por si mesmo, de autocídio e outros desmandos, em forma de depressão. A hereditariedade, portanto, jamais descartada, é resultado do processo de evolução que conduz o infrator ao clima e à paisagem onde é convidado a reparar, a conviver consigo mesmo, a recuperar-se...

Pacientes predispostos por hereditariedade à incursão no fosso da depressão carregam graves procedimentos negativos de experiências remotas ou próximas, que se fixaram no Self, experimentando o impositivo de liberação dos traumas que permanecem desafiadores, aguardando solução que a psicoterapia irá proporcionar.

Uma catarse bem orientada eliminará da consciência a culpa e abrirá espaços para a instalação do otimismo, da autoestima, graças aos quais os valores reais do ser emergem, convidando-o à valorização de si mesmo, na conquista de novos desafios que a saúde emocional lhe irá facultar, emulando-o para a individuação, para a conquista do numinoso.

Em razão do largo processo da evolução, todos os seres conduzem reminiscências que necessitam ser trabalhadas incessantemente, liberando-se daquelas que se apresentam como melancolia, insegurança e receios infundados, desestabilizando-o. Ao mesmo tempo, estimulando-se a novas conquistas, enfrentando as dificuldades que o promovem quando vencidas, descobre todo o potencial de valores de que é portador e que necessitam ser despertados para as vivências enriquecedoras.

O hábito saudável da boa leitura, da oração, em convivência e sintonia com o Psiquismo Divino, dos atos de beneficência e de amor, do relacionamento fraternal e da conversação edificante constitui psicoterapia profilática que deverá fazer parte da agenda diária de todas as pessoas.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Transtorno obsessivo-compulsivo

Transtorno obsessivo-compulsivo

Joanna de Ângelis



A saúde, sob qualquer aspecto considerada: física, mental, emocional, moral, é patrimônio da vida, que constitui meta a ser conquistada pelo homem e pela mulher no processo da sua evolução.

Engrandecendo-se o ser através dos esforços que empreende na conquista dos múltiplos valores nele adormecidos, penetra-os, no mundo íntimo, a fim de exteriorizá-los em hinos de alegria e de bem-estar.

Porque malbarata as oportunidades que deveriam ser utilizadas em favor da autoiluminação, da conscientização da sua realidade, infelizmente envereda pela trilha dos prazeres exorbitantes e deixa-se arrastar pelos vícios perniciosos, estacionando na marcha ascensional e sofrendo as sequelas que a insensatez lhe brinda em forma de consequência dolorosa quase imediata.

É nesse mundo íntimo, no inconsciente pessoal, que se encontram as fixações perversas e desvairadas do primarismo do ser, que permanece durante o período da razão, gerando distúrbios que reaparecem na consciência atual, desestruturando os equipamentos da saúde física, psíquica e, especialmente, da emocional.

Dentre outros, pela sua gravidade, o transtorno neurótico obsessivo-compulsivo se destaca, infelicitando não pequeno número de vítimas em toda a Terra.

Neste capítulo, podemos anotar três diferentes itens, que são: o pensamento compulsivo, a atividade compulsiva e a personalidade ou caráter obsessivo.

Quando se é portador de pensamento compulsivo, a consciência torna-se invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para paciente. Trata-se de ideias desagradáveis umas, repugnantes outras, que infelicitam, e o enfermo não dispõe de meios lúcidos para as enfrentar, superando-as. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções.

Fixam-se-lhe pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não se consegue libertar. Outras vezes, manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o comportamento.

A atividade compulsiva apresenta-se como incoercível necessidade de ações repetidas. 

Desde o simples ato de traçar linhas e desenhos em papel, enquanto conversa ou não, em contar lâmpadas ou cadeiras num auditório, que parecem sem sentido, mas não se consegue ser evitados, incidindo-se sempre na mesma atividade. Podem variar para fórmulas, rituais, cerimônias, como atavismos ancestrais, em imagens arquetípicas perturbadoras que se refletem no comportamento atual.


De alguma sorte é um mecanismo para fazer uma catarse da ansiedade de que se é vítima. 

Nas tentativas para evitar a atividade compulsiva, em razão de circunstâncias poderosas, o paciente sofre, transtorna-se, terminando por entregar-se à ação tormentosa de maneira discreta, simulada que seja...


Historicamente, Pilatos, por exemplo, após deixar assassinar Jesus, em Quem reconhecia a ausência de culpa, fez um quadro neurótico obsessivo-compulsivo, que o celebrizou, em face da situação aflitiva de sempre lavar as mãos, que lhe pareciam sujas pelo sangue do Inocente. A sua desdita se teria encerrado, somente, quando se suicidou, atirando-se na cratera de um vulcão extinto, na Suíça.

Na literatura de Shakespeare, Lady Macbeth, após assassinar o rei, ajudada pelo marido, passou a sofrer o mesmo conflito das mãos sujas de sangue, que deveria lavar sempre, em estado sonambúlico ou não, atirando-se nos resvaladouros da loucura...

À semelhança dessas personagens, o conflito adquire robustez e apresenta-se em inúmeros pacientes, como a necessidade de se banharem continuamente, usando álcool e outras substâncias desinfetantes, a fim de se isentarem da imundície que lhes parece cobrir o corpo. Outras vezes, são os impulsos irresistíveis para se assepsiarem, evitando contrair doenças infecciosas, ou supondo-se portador delas, através da eliminação de bactérias e micróbios outros alojados no corpo, como se isso fosse possível, já que a própria condição celular impede que haja uma ausência absoluta dessas vidas microscópicas.

Odores pútridos, quais os de cadáveres em decomposição, atormentam não pequeno número de enfermos, exigindo deles o uso de substâncias fortes e aromatizadas, que aspiram ou mascam, em desesperada tentativa de se libertarem dessas desagradáveis emanações que, no entanto, encontram-se no inconsciente e são somatizadas, gerando desespero e alucinação.

Aqueles indivíduos que são portadores de caráter obsessivo apresentam-se, invariavelmente, sistemáticos, impressionando pela rigidez do comportamento, inclusive, para com eles próprios. São portadores de sentimentos nobres, confiáveis e dedicados ao trabalho, que exercem até o excesso. No entanto, foram vítimas de ambiente emocional duramente severo, a partir do parto e especialmente na infância, quando sofreram imposições descabidas e tiveram que obedecer sem pensar, única maneira de se livrarem das imposições e castigos dos adultos. Sentindo-se obrigados, desde cedo, a reprimir as emoções e sentimentos outros, tornam-se ambivalentes, escapando-lhes de controle as que se constituem de natureza hostil, apresentando-se mais como intelectuais do que sentimentais, mecanismos escapistas que se impõem inconscientemente.

Essa compulsão obsessiva é cruel e alucinante, porque se encontra ínsita no ser, que não consegue momento algum de paz e de renovação, mergulhando cada vez mais no desespero com piora do próprio quadro, derrapando na loucura ou no suicídio como solução insolvável para o transtorno aflitivo.

São relevantes, neste capítulo, os estudos de Freud a respeito do caráter anal dos portadores de transtornos obsessivos, em razão das exigências da mãe, quando no trato com eles na infância, higienizando-os, exigia-lhes obediência irracional a horários rígidos, incluindo aqueles para as funções intestinais sob controle estabelecido. Através dessas imposições, as mães negavam-lhes afeto e identificação emocional, tornando-as crianças carentes, sob a mentirosa justificativa de que esse era um comportamento para não "porem a perder os filhos".

Na fisiopatologia desses transtornos são detectadas várias anomalias biológicas, dentre as quais a presença de epilepsia do lobo temporal, o aumento expressivo de atividade metabólica no giro orbital esquerdo e até mesmo uma alteração cromossômica na constituição do ser. Sob o ponto de vista neurológico, observa-se a influência não somente da epilepsia do lobo temporal, mas também da Coreia de Sydenhan, da síndrome de Giles de la Tourette etc. Aí também são encontradas perturbações neurobiológicas, como, por exemplo, o aumento do fluxo sanguíneo cerebral no córtex orbitofrontal, neostriatum, globo pálido e tálamo, no hipocampo e córtex posterior do giro cíngulo.

Esses desencadeadores dos transtornos neuróticos obsessivo-compulsivos, do ponto de vista psicológico, encontram-se no inconsciente pessoal, como herança também de atos transatos, sem dúvida, no qual estão inscritos igualmente os códigos das imagens arquetípicas que permitem, por outro lado, vinculação com outras mentes ora desencarnadas. Essas Entidades impõem-se o direito de cobranças esdrúxulas, mediante processos espirituais devastadores. Trata-se de Espíritos que foram vitimados pela urdidura de crimes perversos contra eles perpetrados, e não conseguiram superar os traumas e os ressentimentos que se transferiram do ego para o Self, e agora transformam em instrumentos de vingança através de obsessões vigorosas com que se destorçam daqueles que lhes foram adversários sórdidos.

Porque permanece impressa nos painéis do inconsciente pessoal, nos refolhos do perispírito, a dívida moral, os pacientes assimilam as ondas mentais das suas antigas vítimas, que são convertidas em sensações penosas, em forma de consciência de culpa - lavar as mãos, assepsiar-se em demasia, sentir o corpo sempre sujo — tanto quanto a captação de odores pútridos - ativação da pituitária pelo psiquismo que sente necessidade de reparação - que são exteriorizados pelos cobradores espirituais que padeceram exulcerações prolongadas, apodrecendo em vida antes que a morte viesse liberá-los da pungente situação.

A psicosfera emanada pelo agente perturbador sobre a atual vítima perturbada permite a assimilação das ondas e vibrações viciosas, que se transformam nesses odores de cadáver em decomposição, que nada exterior consegue superar, diminuir ou fazer cessar.

Sob outro aspecto, esses endividados espirituais reencarnam com os fatores neurológicos e orgânicos em geral impressos no corpo perispiritual, em face dos transtornos morais que se permitiram anteriormente, de forma a experimentarem a recuperação moral através do processo depurador a que ora fazem jus.

A psicoterapia cognitiva-comportamental, bem conduzida em relação a esses enfermos, ameniza ou produz a cura dos efeitos danosos e mórbidos; no entanto, a terapêutica bioenergética, por alcançar os fulcros espirituais de onde se exteriorizam os campos vibratórios, interrompe a emissão da energia enfermiça, afastando os agentes que, necessariamente atendidos, orientados e confortados moralmente, terminam por abandonar os propósitos malsãos em que permanecem e libertam os seus inimigos entregando-os à Consciência Cósmica.

Evidentemente, o contributo de alguns barbitúricos e fármacos diversos sob cuidadosa orientação psiquiátrica, portadores de inibidores de reabsorção de serotonina, torna-se de inestimável significado para o reequilíbrio do paciente. Entrementes, a educação, o trabalho junto ao enfermo, auxiliando--o na mudança de atitude perante a vida, de comportamento mental, de sentimento rancoroso e agressivo em relação ao seu próximo, para o qual, não raro, transfere o perigo de trazer-lhe contaminação, resulta em valiosa psicoterapia para o reequilíbrio do Self, e lento, posterior, mas seguro bem-estar.

Ideal, portanto, que sejam tomadas providências para que as referidas terapêuticas, psicológica, espiritual e psiquiátrica sejam utilizadas, a fim de facultar ao paciente a sua recuperação.

Na economia moral de todo ser encontram-se os seus atos próximos ou transatos programando a sua existência, estabelecendo processos de liberdade ou de encarceramento, asas para alá-lo ou grilhões para retê-lo no piso das paixões dissolventes.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Triunfo Pessoal

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terça-feira, 4 de abril de 2017

Terrorismo

Terrorismo

Joanna de Ângelis



Em face da predominância da natureza animal sobre a espiritual e do desbordar das paixões, o ser humano, em determinados estágios da evolução, mantém as heranças primevas, os instintos primários que sobrepujam os valiosos tesouros da inteligência, do discernimento, da razão, da consciência. São eles que dão campo ao desenvolvimento da perversidade que não trepida em matar, de forma que a sua truculência emocional prevaleça.

A ausência dos sentimentos que engrandecem o indivíduo, o desvio para as estruturas esquizofrênicas, liberam as forças hediondas do primitivismo que se impõe pela tirania, abraçando o fanatismo que o caracteriza como primário, possuindo, a partir de então, um objetivo estimulador para dar campo ao que lhe é característica de evolução em nível inferior do processo de cultura e de emoção.

Pode, não poucas vezes, desenvolver a inteligência, adquirir conhecimento tecnológico, abraçando causas que parecem nobres, mas que somente constituem fugas do conflito perturbador para exibir a turbulência interior, a odiosidade que preserva no íntimo em relação aos demais com quem convive ou não e, por extensão, contra toda a sociedade.

Em razão da estrutura psicológica mórbida, possui graves desvios da libido, invariavelmente atormentado nas suas manifestações, com severos distúrbios das funções sexuais, ocultando o vazio existencial na exorbitância dos instintos agressivos nos quais se compraz.

Frio, emocionalmente, perverso, porque insano, não possuindo qualquer amor à vida, faz-se odiar, porque se sente incapaz de despertar qualquer sentimento de amor, desencadeando a erupção da selvageria interna, que o promove a uma situação de destaque, na qual transita rapidamente, porque detesta a vida e todas as suas conquistas.

Exilando-se em antros sórdidos onde se refugia, repetindo o inconsciente pessoal que busca esconder-se por sentir-se inferior, incapaz de despertar qualquer interesse digno dos seus coevos, o terrorista é um psicopata congênito, mesmo que se expresse como portador de equilíbrio que bem disfarça, em razão das peculiaridades de toda uma existência de simulação, na qual esteve assinalado pela covardia e desespero íntimo de saber-se não aceito, que é o ressumar do conflito de inferioridade.

Naturalmente, como decorrência da sua insânia, pode fomentar o surgimento de outros portadores dos mesmos sentimentos de perversidade, trabalhando a infância e a juventude — materiais humanos muito próprios - mediante os processos da lavagem cerebral, induzindo a ódios irracionais e necessidade de destruição, que se iniciam pela perda do sentido existencial, que somente possui significado até o momento de alcançar a sua meta destrutiva.

Incapaz de amar, porque se sente ancestralmente odiado, desenvolve perturbação do discernimento, por meio de cuja óptica os acontecimentos e as demais pessoas são todos adversários que devem desaparecer, quando também ele sucumbirá.

A sua fidelidade tem uma existência precária e veloz, mantendo-se enquanto a serviço da loucura que desenvolve, apresentando-se sempre desconfiada e insegura, porque não possui resposta emocional equivalente, nunca se entregando a outrem, por mais que encontre receptividade e afeição.

O terrorista, qual ocorre com o ditador, o sicário, o vândalo, tem existência tumultuada, que é sempre encerrada por homicídio violento ou mediante o suicídio ominoso, inqualificável.

São também terroristas aqueles indivíduos que, não obstante desconhecidos, espalham o medo, aproveitando-se das situações aflitivas para os demais; aqueloutros que geram a insegurança de qualquer natureza; também os ricos que exorbitam no comércio, submetendo os grupos humanos sem recursos ao seu talante; esses vis caluniadores que promovem o ódio; todos aqueles que permitem extermínios, mediante assassinatos inconcebíveis; os assaltantes inconsequentes e maus, que espalham o pavor; os estupradores perversos, e não poucos indivíduos que, apesar de fazerem parte da sociedade, encontram-se enfermos em estado grave...

Caso se permitisse terapia própria, o terrorista desenvolveria o sentimento do amor nele existente, mas não cuidado, conseguindo ultrapassar o nível de hediondez para o da fraternidade, saindo da consciência de sono para outro patamar de lucidez, de despertamento.

Ainda, nesse caso, defronta-se um Self em manifestação primitiva, com todas as expressões de beleza soterradas no inconsciente pessoal, que se transferem de uma existência física para outra sob ódio incoercível, em razão de alguma injustiça ou calamidade vivenciada e não absorvida pela razão.

O amor que a Humanidade lhe ofereça será a terapia mais segura para diminuir-lhe a angústia. Ao invés do revide pelo ódio, que mais lhe aguça os instintos repressores, o amor alcança-o suavemente e deixa de lhe vitalizar o ressentimento contra a sociedade, que o torna herói de fancaria, insignificante, mas hediondo, atormentado e desditoso.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
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