terça-feira, 19 de abril de 2016

Autopiedade

Autopiedade

Joanna de Ângelis



Inevitável consequência da acomodação emocional às circunstâncias que se apresentam aflitivas durante a existência física, assomando irrefragável à consciência do indivíduo, é a autopiedade, essa bengala psicológica de que necessitam aqueles que se recusam ao esforço dos enfrentamentos da evolução.

A existência orgânica é feita de preciosos recursos que se conjugam em harmonia, a fim de proporcionarem o corpo, a emoção e a psique.

Setenta trilhões de células de diferentes estruturas aglutinam-se em torno do modelo organizador biológico - perispírito - a fim de que o ser espiritual possa comandar todos os equipamentos, levando-os a bom termo, isto é, aos objetivos para os quais encontra-se reencarnado.

Essa maquinaria sublime trabalhada pela Divindade ao largo de bilhões de anos para servir de recurso evolutivo para o princípio espiritual, encontra-se em continuo processo de modificações nas suas estruturas intrincadas e complexas, em face do espírito que a utiliza, como decorrência dos comportamentos nas existências anteriores.

Desse modo, cada qual transita no veículo corporal a que faz jus, como efeito da maneira que o utilizou anteriormente.

Co-construtor dos equipamentos delicados, a sua vida mental e moral ajuda-o a manter-se em harmonia ou desorganiza-o através do torpedeamento de ideias agressivas e desequilibradas.

Movimentando campos vibratórios muito sutis, o espírito é convidado a comportamento edificante, de maneira que contribua para a sua preservação e equilíbrio contínuos. Todavia, transferindo hábitos insensatos nos quais se compraz, de uma para outra experiência, assume atitudes piegas e despropositadas, aguardando soluções mágicas para os problemas por ele próprio gerados.

Diante dos inevitáveis insucessos que o assaltam, desacostumado às refregas lapidadoras da personalidade, foge para o mecanismo irresponsável da autopiedade, na desonesta condição de incapaz, esperando gerar compaixão e auxílio dos outros, quando deveria preocupar-se em inspirar amor, cooperando com o programa de evolução pessoal e geral.

A autopiedade expressa insegurança emocional propiciadora de preguiça mental, que prefere sempre receber e nunca ofertar, demonstrando carência, como se se encontrasse em atitude de abandono, relegado pela vida ao sofrimento imerecido e injustificado.

A princípio, o sentimento de compaixão aflora à sua volta até que, desinteressado pelo real crescimento moral, afasta o socorro que solicita, porquanto esse o arrancaria da atitude infantil e agradável a que se entrega.

Essa imaturidade psicológica, mantida por pessoas instáveis emocionalmente, converte-se em grave ameaça ao organismo social, que somente progride graças aos esforços conjuntos dos seus membros. Aquele que se permite a ociosidade, a atitude de infelicidade, esperando sempre pelo esforço alheio, transforma-se em peso morto na economia geral da comunidade, que termina por deixá-lo à margem, de modo a prosseguir na marcha pelo progresso.

Concomitantemente, em razão das emissões de ondas mentais perniciosas, esse paciente atrai espíritos outros, ociosos e zombeteiros, que passam a conviver com as suas energias, dando lugar a obsessões simples, que culminam em estados de subjugação e de vampirização, nutrindo-se à sua custa de imprevidente e inoperante.

A bênção de um corpo, em qualquer condição em que se apresente, significa oportunidade incomum de crescimento espiritual, que deve ser considerada como empréstimo do Divino Amor para a construção do bem generalizado.

Essa maquinaria superior foi-se organizando nos últimos dois bilhões de anos, formando engrenagens complicadas e com finalidades específicas, para servir de domicílio temporário ao espírito viajor da Eternidade sob a orientação divina. Ainda não se encontra concluída, em razão do atraso em que, por enquanto, se apresenta o ser que a comanda, porém segue aprimorando-se, tornando-se mais sutil, de forma que, em breve, estará em condições de melhor captar as ondas sublimes do mundo causal e decodificá-las como valioso recurso de auto-iluminação.

Em decorrência, torna-se indispensável que o Self adquira lucidez e responsabilidade, a fim de bem direcionar o ego, em um comportamento consentâneo com as finalidades superiores da existência terrena, ao invés da situação infantil da dependência da compaixão dos demais membros da sociedade.

O que acontece ao indivíduo constitui-lhe lição de aprimoramento, facultando-lhe melhor entender os objetivos existenciais, trabalhando-se pela conquista do Infinito enriquecedor que o desafia com as suas leis imponderáveis. Não há, portanto, no Cosmo, lugar para a fragilidade psicológica, a dependência afetiva, a comiseração, a autocompaixão...

Quando se opta pela situação enfermiça, o sofrimento se encarrega de trabalhar o imo do ser, despertando-lhe o deus interno, qual ocorre com o diamante que, para refletir a luz, deve ser arrancado da ganga que o reveste a vigorosos golpes da lapidação.

Inimiga vigorosa do indivíduo é a preguiça mental, geradora da física e das outras expressões em que se apresenta.

A vida exige movimentação, e tudo quanto não se renova tende à desagregação, ao desgaste, ao desaparecimento. Assim também a inutilidade, responsável pelos problemas orgânicos, depois dos emocionais lamentáveis, dando lugar aos processos degenerativos de diagnose difícil.

Conscientizar-se, pois, o paciente, de que ele é herdeiro de si mesmo e as conjunturas desafiadoras em que se encontra podem ser modificadas a esforço pessoal, deve ser o primeiro passo para o auto-encontro, para o despertamento da consciência de si, para a futura vitória sobre as dificuldades momentâneas.

É natural que, em determinados momentos de dor e de solidão, a criatura anele por companhia, por solidariedade, por entendimento fraternal. Para tanto, a coragem em perseverar nos esforços desperta nos outros o interesse por contribuir em favor da sua renovação e da sua liberdade.

Autopiedade, desse modo, nunca!

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro: 
Encontro com a Paz e a Saúde


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