sexta-feira, 24 de março de 2023

Mostremos o Mestre em nós

Mostremos o Mestre em nós

Bittencourt Sampaio



Segundo a linguagem da estatística, vivem hoje, na Terra, maior número de Espíritos encarnados do que a totalidade da sua população, desde os primórdios da vida planetária até os nossos dias, ou seja: até o primeiro quartel do século XIX, viveu na carne, num dado instante, um bilhão de criaturas humanas; até o primeiro quartel do presente século essa soma atingiu dois bilhões e atualmente passa para a cifra dos três bilhões. (*)

Esse fato assinala a magnitude de vossa época, porque, nos dias correntes, epílogo de um ciclo planetário, vasculham-se os umbrais da Espiritualidade inferior, reformando-se os museus de sofrimentos purgatoriais, forjados através de milênios inumeráveis...

E que notamos, agora, no mundo, comprovando a observação?

Embora o ingente esforço renovador dos arautos das letras do Evangelho, mais da metade da população terrestre ainda não ouviu nenhuma referência a Jesus, o Sublime Governador da Terra.

Esmagadora maioria ainda não pensou sequer no intercâmbio entre os dois mundos.

Grande parte da Humanidade cultua doutrinas clara e confessadamente materialistas.

Os delitos passionais multiplicam-se em todos os continentes.

O quadro da criminalidade amplia-se, de ano para ano.

Alastram-se rebeliões em toda a parte.

Cresce a onda de suicídios.

Agrava-se o terrorismo.

À margem das religiões surgem espetáculos de fanatismo selvagem.

Nunca foram tão aperfeiçoadas e numerosas as organizações policiais e as técnicas belicistas nas guerras de morticínio e destruição.

E a obsessão campeia, infrene, assumindo expressões e graus multiformes de loucura, como a dizer que as regiões espirituais inferiores do Planeta se fazem presentes no campo da vida física.

Tal fato, porém, não é razão para derrotismo, mas de profundo chamamento ao trabalho.

Por isso, notadamente à minoria espírita cristã, dentro do âmbito de sua influência reconstrutiva, cabe a tarefa de prevenir os erros seculares que nos desfiguram a existência e nos consomem o equilíbrio, vacinando as consciências com a fé raciocinada, apoiada em fatos, acendendo no semelhante a luz da certeza na imortalidade, à força da palavra e à custa do exemplo.

A vida humana não é um conjunto de artifícios. É escola da alma para a realidade maior.

De nós depende a escolha entre o bem e o mal.

Fogo não apaga fogo.

Ao ódio ofertemos amor; à pressa, paciência; ao orgulho, humildade; à vingança, perdão; à cólera, brandura; ao egoísmo, caridade.

Espírita, irmão!, Jesus segue conosco!

Mostremos o Mestre em nós!

Bittencourt Sampaio por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de volta

Nota: (*) O prefácio do livro foi assinado em 3 de Outubro de 1965, na ocasião, o autor espiritual cita a população mundial na casa de 2 a 3 bilhões de habitantes, número hoje próximo a 8 bilhões. - RDB.
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quinta-feira, 23 de março de 2023

Nos momentos difíceis

Nos momentos difíceis

Emmanuel



Tema: Inspiração dos pioneiros do bem

Sempre o madeiro da obrigação te pese nos ombros feridos, pensa nos que sofreram antes para que desfrutes os bens de agora.

Descerra os olhos da alma e fita de novo os que te armaram de força e entendimento para o caminho!...

A infância e os benfeitores das horas primeiras!... Medita no tempo em que saíste do aconchego doméstico para as lides maiores da encarnação na Terra, como quem parte de um cais florido para a travessia de mar revolto. Os que viste passar descuidados, nas embarcações do egoísmo, encerrados no reconforto próprio, não te ficaram no painel da lembrança, senão como sombras vagas que o tempo esbateu... Entretanto, por muito se te haja mudado a mente, nada está como que insculpida a fogo os que suaram e choraram para que sejas hoje o que és!...

Não te entregues à doentia ansiedade dos que desejam parar a máquina do tempo,  rebelados contra a renovação necessária ao aprimoramento da vida, mas, de quando em quando, concede um momento às boas recordações... Delas se levantam os alicerces morais em que te equilibras. Reencontrarás com elas, quais flamas inspiradoras, os gestos anônimos dos que te ajudaram em silêncio; o devotamento dos que acreditaram em tuas promessas e esperanças, estendendo-te mãos socorredoras; a confiança dos que não te desdenharam a meninice, conversando contigo acerca da Verdade; e, sobretudo, a abnegação dos que te corrigiram amando, no recinto inesquecível do lar, quantas vezes sufocando as mais belas aspirações da alma, para que não te faltasse o calor de bom exemplo!...

Reflete nos que te ficaram na memória, à feição de luminosos sinais de rumo para a jornada!... Eles nos ensinam que não existe realização sem trabalho e fidelidade sem sacrifício... Eles te conferirão resistência à frente do desânimo, falar-te-ão de novo ao coração sobre a luz que te confiaram para que o porvir não afunde nas trevas... Pensa naqueles que perseveraram no bem para que o mal não te dominasse o caminho, e, abraçando o trabalho que te cabe na edificação da Humanidade Melhor, compreenderás que o mundo não deve coisa alguma aos que passaram por ele cogitando unicamente de si.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Encontro Marcado

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A Busca da Verdade

A Busca da Verdade

Vianna de Carvalho



O século XIX, que se fez caracterizar na historiografia da Humanidade pelas admiráveis conquistas socioculturais e tecnológicas, ensejou, sem dúvida, a sociedade tecnocrata e a revolução do conhecimento, como duas correntes poderosas para a afirmação do homem e da vida na face da Terra.

Enquanto o cepticismo desenvolveu os seus tentáculos em ramificações variadas, levando o pensamento à ufania da libertação dogmática ancestral, rompendo as amarras da intolerância medieval e abrindo as comportas éticas para novas formulações, inesperadamente surgiram movimentos místicos, religiosos e atávicos da mais variada procedência.

Parece que, ao lado da negação religiosa, surge uma necessidade psicológica de afirmação da fé, como se o arquétipo do inconsciente coletivo rompesse os férreos arcabouços, nos quais se encontra adormecido, ressurgindo com vitalidade e predominando no cenário do conhecimento.

Toda época de negativismo faz-se acompanhar por uma irrupção de crenças, que predominam em formidando contraste, no qual as heranças do passado ressumam sob formulações novas e enfrentam a onda demolidora, reconstruindo, nas mentes como nos corações, a esperança e a paz, que se apoiam nos conceitos de Deus, na imortalidade da alma e na justiça divina.

A revolução industrial — que então ampliou as possibilidades da vida e abriu espaços para a dignidade humana, a competitividade, os altos voos da imaginação e do poder — responde, também, por muitas misérias, que se derivam das injustiças sociais, efeito natural da imaturidade humana e da alucinação argentária, geradora do prazer, das arbitrariedades e crimes que passaram desconhecidos.

A grande vaga da negação candidatava-se a afogar todas as aspirações do bom, do bem e do amor espiritual, tentando demonstrar que só o poder econômico e suas expressões políticas e sociais merecem consideração, valendo ser conquistados a qualquer preço.

Os profetas da era nova, pregando o pessimismo e a destruição, a morte dos valores éticos e o suicídio como solução, conclamavam ao gozo imediato, asseverando que na fragilidade do corpo se encontra a derrota da vida, que deve ser fruída até o máximo antes da sua consumpção.

No báratro estabelecido, enquanto predominavam as teorias e comportamentos esdrúxulos, simultaneamente houve um renascimento místico, mediante doutrinas e cultos que vieram competir com os arrazoados destruidores, à época, em predomínio.

Observou-se também que, ancilosadas nos seus dogmas absurdos, as religiões da ortodoxia cristã permaneciam indiferentes ao acontecimento revolucionário, face às suas preocupações com a formalística, os rituais e a dominação política, que as tornaram igualmente expressões materialistas sob mal disfarçadas vestimentas de fé.

Renascendo do estoicismo dos filósofos revolucionários de França, no século anterior, as tradições maçonicas de natureza esotérica transformaram-se na Franco-Maçonaria e ganharam espaço na sociedade tecnológica, albergando os homens nobres, que sonhavam pela liberdade, pela justiça, pela solidariedade e o bem.

Doutrinas místicas da índia tomaram os corações esfacelados pelo sofrimento e penetraram as mentes frias, convidando à busca do Eu profundo, da realidade do ser, renascendo na vida nobre de Swami Vivekananda, que delas se fez o emérito mestre, que sensibilizava e convencia.

O rosacrucianismo ressurgiu, trazendo o esoterismo egípcio à consideração do ocidente, inebriando as vidas com o perfume delicado da Espiritualidade em triunfo.

A senhora Helena Petrovna Blavatsky e o Coronel Olcott estruturaram a Teosofia e orientaram as vidas para o entendimento do esoterismo trans-himalaico e a fraternidade oculta, de forma que o oriente se fundisse no ocidente, conforme os indivíduos inquietos.

Da Pérsia, Baha'u'lláh proclamou-se o Enviado, a manifestação Divina da Nova Era, e escreveu aos monarcas e governantes das nações terrestres sobre a sua missão e o período que veio iniciar.

O Positivismo apresentou-se como a nova religião da humanidade, colocando-se como forte corrente de pensamento capaz de resolver a problemática — materialismo versus espiritualismo — com uma doutrina racional, apesar das suas expressões e fórmulas místicas, cabalísticas.

Rudolf Steiner apresentou a Antroposofia e tentou a união de diferentes tendências espirituais, objetivando a criatura humana...

A busca da Verdade tem sido intérmina, laboriosa, complexa.

Qual Fênix, ressurge a Verdade das cinzas onde parece haver-se consumido, apresentando-se mais vigorosa e brilhante a cada renascimento, no incessante intento de permanecer no mundo.

Foi o que sucedeu com Allan Kardec ao apresentar o Espiritismo, numa síntese de ciência que comprova a imortalidade, a reencarnação, a vida estuante antes do berço e depois do túmulo; na condição de filosofia equacionadora dos enigmas que perturbam as mentes e o comportamento dos seres, e como religião destituída de fórmulas, de mística, de rituais, ensejando a identificação do homem com a sua realidade em permanente ligação com o seu Criador.

No momento das investigações em torno do micro e do macrocosmo, do desdobramento das doutrinas científicas, nelas o Espiritismo se apoia para a confirmação dos seus postulados doutrinários.

Partindo do fato, que a si mesmo se explica, expõe conteúdos de filosofia otimista que dão sentido à existência terrenal, no conjunto harmônico da Vida.

Remontando à Biologia, à Antropologia, à Embriogenia, à Física nuclear e às doutrinas psíquicas, complementa-as com os seus esclarecimentos, que constituem a causalidade dos acontecimentos, contribuindo com valores sociológicos enriquecidos, capazes de modificarem a constituição e a estrutura da coletividade humana.

Baseada na moral do Cristo, assim como dos Seus predecessores, especialmente Sócrates e Platão, torna-se a religião cósmica do Amor, que alberga todos os seres sencientes irmanando-os ante a Paternidade Divina e Única.

Pairando, racional e demonstrável, nos céus tumultuados do século das luzes, alcança a atualidade, cada vez mais clara e vigorosa, face às conquistas crescentes da investigação científica em várias áreas, que a demonstram e lhe confirmam a legitimidade.

Quando o homem alunissa e as suas bólides espaciais buscam estudar os astros do arquipélago estelar que nos cerca, o Espiritismo, confirmando as moradas da Casa do Pai, conforme a lúcida e feliz expressão de Jesus sobre a pluralidade dos mundos habitados, mantém a certeza da transcendentalidade da vida, não apenas nas sombras do abençoado planeta terrestre, mas, também, noutras esferas que gravitam no cosmo, cantando um hino de louvor ao Criador do Universo.

A Verdade, lentamente desvelada através dos séculos, em fragmentos, pelas várias Doutrinas Espiritualistas, no Espiritismo esplende e triunfa, elucidando a imarcescível glória de Deus e convidando o espírito humano ao crescimento, à libertação, à plenitude.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
Antologia Espiritual

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quarta-feira, 22 de março de 2023

Gêneses de suicídios

Gêneses de suicídios

Joanna de Ângelis

A tristeza que agasalhas, levando-te à mortificação interior, de que não te consegues libertar, é fator destrutivo nos alicerces da tua personalidade.

A mágoa, que conservas como ácido que te corrói os tecidos do sentimento, constitui morbo que em breve terminará por vencer as tuas resistências.

A rebeldia sistemática, a que te agrilhoas, transformará as tuas aspirações duramente acalentadas em resíduos de infelicidade e tormento infindável.

Defrontas os problemas que se manifestam no teu dia-a-dia entre a irritação e o desespero, estabelecendo matrizes de aflições que te conduzirão ao autoaniquilamento.

Suicida não é somente aquele que, acionado pelo desconcerto da emotividade se arroja no despenhadeiro da autodestruição física.

*

Esta melancolia que te busca os painéis da mente, tecendo as malhas da depressão, é sinal de alarme que não podes desconsiderar.

Essa aflição que se agiganta, dominando-te o equipamento nervoso, convida-te a uma mudança de atitude, que não deves postergar.

Isto que te consome, desaparecendo e ressurgindo em roupagens de configuração nova, é desafio que deves enfrentar com estoicismo, para saíres da desarmonia.

Mil pequenas injunções contra a tua saúde emocional e mental, que deves rechaçar antes que sejas colhido pelo infortúnio da desencarnação injustificável e precipitada.

*

Sejam quais forem os fatores afligentes ou depressivos que te cheguem, invitando-te ao cultivo do pessimismo ou da irritabilidade, não devem encontrar guarida nos teus painéis mentais.

Dor e saudade aferem a força do valor moral de cada um de nós.

Enfermidade e desencarnação constituem fenômeno natural no processo biológico em que te encontras situado.

Problemas e dificuldades representam prova com que crescemos na direção da vida.

Desse modo, realiza a assepsia mental pela preservação do otimismo e da irrestrita confiança em Deus.

*

Quando a vida te parecer sem objetivo e estiveres a ponto de cair, renova os teus conceitos e ora, buscando a divina inspiração, haurindo, então, a força que te propiciará sair do ocaso emocional e transformará os teus problemas em ação de benemerência para os teus irmãos, descobrindo, por fim, que a linguagem universal do bem é a terapia preventiva e curadora para o suicídio e a loucura.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Alerta

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