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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Pedro e Paulo

Pedro e Paulo

Grupo Ismael

A Redação / Bittencourt Sampaio



Reformador (FEB) 16 Setembro 1918

Grupo Ismael

A comunicação mediúnica que abaixo inserimos, dada pelo operoso e lúcido espírito do companheiro que na Terra chamou Bittencourt Sampaio, é daquelas que não deixam dúvidas sobre a sua procedência. Na estrutura rigidamente bela de um estilo inconfundível, sente-se a profundeza dos conceitos emanados como de fonte não toldada das incertezas e dúvidas humanas.

Os prismas da ideia apresentam cambiantes novas e mal entrevistas do mundo, na apreciação de problemas e personagens, que a superstição e o fanatismo de vinte séculos adulteraram de muito, senão inteiramente.
           
Apreciando a missão dos dois vultos mais eminentes do Apostolado Cristão, no dia em que a humanidade os comemora com pompas e galas terrenas, retumbante mas inexpressivamente, o companheiro de lides espirituais, pensador e poeta evangélico por excelência aproveitou o ensejo para dar às letras espíritas uma página de alto relevo filosófico-religioso na qual, estamos certos, e vão desalterar muitos corações e muitas inteligências, ávidas de consolações e verdades. Cedendo, a nossa primeira página a tão emérito hóspede, resta-nos a convicção de que melhor não poderíamos corresponder ao nosso tradicional programa.
            
Eis a comunicação, ou antes o ensinamento que epigrafamos:

Pedro e Paulo 

Bittencourt Sampaio

Bendito seja o meu Senhor!

Meus caros amigos:
             
Reúnem-se corações de homens imensamente gratos pelos benefícios recebidos, para comemorarem esses dois vultos eminentes que a Cristandade aprecia e ama. Chama-se isso comemoração. Se-lo-á? No sentido restrito da palavra sim; mas no sentido lato - não. Pedro e Paulo!

Ainda é bem possível que séculos se passem até que eles possam ser melhor comemorados, porque, espíritos cuja envergadura mal o homem compreende, não podem de modo algum ser apreciados como deveriam ser. De fato, onde estão os seus imitadores?  E, no entanto, são decorridos dois mil anos, quase, que eles deram os exemplos mais eloquentes de fé viva, ardente, que os conduziu ao sacrifício do martírio! Ninguém, nenhum mortal surpreendeu, por um instante sequer, de um daqueles lábios uma palavra de desalento, um instante de desfalecimento! A impulsioná-los sempre para a frente estava a fé, a fé que se patenteava na certeza de que seus espíritos a possuíam e quaisquer que fossem os obstáculos que tivessem de vencer, a figura do seu amado e divino Mestre jamais se deliria nas suas consciências!

Raciocinando assim, raciocinavam também, que tudo se cumpria pela vontade sublime de Deus.

Hoje, os cristãos novos que devem marchar na vanguarda da Era Nova, da Verdade anunciada a todos os instantes e em todos os recantos pelas bocas dos mensageiros celestes, podem tê-los sempre como esteio vivo, procurando na medida das suas forças dar uma demonstração positiva de que são discípulos de Pedro e Paulo.

As velhas religiões assumiram grande responsabilidade na direção da humanidade; sobre elas pesam grandes culpas por não falarem a verdade ao mundo; e o mundo sempre ignorante dessas coisas, sempre propenso a desfrutar todos os proventos materiais, pouco se incomodou com as coisas espirituais.

De degradação em degradação, de decadência em decadência, de erro em erro, de princípio em princípio chegou no abismo insondável da descrença.

Mas, esse estado não pode, não deve continuar a prevalecer.
   
Deus, ouvindo não os clamores do mundo, mas as vozes dos seus mensageiros celestes, ouvindo as súplicas desses espíritos diletos, cuja intervenção na nossa vida é tão grande, tão extraordinária mas que mal percebeis, Deus faz baixar sobre esse mesmo mundo a sua misericórdia e o seu valor, envia o Consolador prometido, e ei-lo a trabalhar, a agir de feição a reunir os homens de boa vontade, a convida-los a vir trabalhar na seara que há de conduzir não só eles, mas todos, à felicidade eterna. Aproxima-se hora das lutas, os espíritos não cessam de lançar a cada canto o seu grito de alarma. Homens adormecidos engolfados nas suas cogitações materiais; uns acumulando o que têm, outro desfrutando os prazeres mundanos na orgia sempre acidentada, a humanidade caminha em erro e os grandes vultos são lembrados na terra uma vez cada ano e isso mesmo ainda como leve passatempo! Oh! Singular maneira de comemorar os grandes benfeitores da humanidade!!

Repito, esse estado de coisas não pode continuar: surge a necessidade palpitante da reforma individual e, por consequência, social.

O mundo está completamente revolucionado, todas as ideias que nele germinam permanecem em conflito latente. As velhas religiões do passado ainda se mantêm de pé a custa de um equilíbrio extraordinário, conseguido unicamente pelos ouropéis (aparência enganosa de luxo), pela astúcia, pela habilidade política posta em jogo pelos seus mais eminentes representantes. Essas instituições seculares, que benefício algum têm trazido à humanidade, pois que a ela só lhe tem trazido dores, desvarios, decepções, lutas as mais encarniçadas e tremendas: essas religiões, todas elas rolarão por terra, para dar lugar ao ressurgimento de uma época nova na qual o amor, a caridade, a fraternidade, começam conjugadas a sua grande obra de confraternização universal, a união de todos os povos, tendo apenas uma só religião e um só entendimento.

Esse efeito não será para a vossa vida terrena, mas que importa isso se haveis de vir em novas etapas para concluir a tarefa da reforma planetária? Porque, sabeis, cada um tem seu papel definido neste grande empreendimento; de sorte que haveis de vir novamente tomar lugar designado nessa grande transformação.

E para que a tarefa seja bem desempenhada e o tarefeiro tenha certeza do papel que está representando, é necessário, é imprescindível que ele desde já se reforme, batalhe consigo mesmo, lute e faça com que o homem velho sucumba para dar lugar ao homem novo; que surja cheio de vigor, cheio de esperança, cheio de fé. E onde deveis buscar esse elemento de força) de vitalidade para, empreender esta campanha extraordinária, a mais extraordinária talvez de que os vossos espíritos tenham tido consciência?

No Evangelho, nesse Evangelho que fez a grandeza dos vultos a que os vossos corações vêm aqui reunidos trazer um preito de estima e admiração. E eu, peregrino, embora libertado da carne, tendo a visão mais nítida e perfeita das coisas de Deus, julgo-me sem merecimento algum sequer para pronunciar os nomes de Pedro e Paulo! Que poderei dizer das suas individualidades?

O que vos posso dizer é que um representa tanto amor, tanta caridade e o outro tanta fé que é cedo, muito cedo para poderdes compreender a extensão de tais predicados neles. Só no dia que a humanidade acordar deste sono em  que está mergulhada, no dia que ela despertar para a realidade das coisas, então, compreendera a grande obra de Pedro e Paulo. Sem medo, sem receio direi: eram precisos esses dois vultos para que o Evangelho de Jesus fosse propagado na Terra; eram precisos esses dois corações aliados, esses dois cérebros extraordinários, para que o homem tivesse certeza de que Jesus viera ao  mundo e legara à humanidade o seu código de amor, de verdade e, sobretudo, de caridade.

Novos Paulos, outros tantos Pedros deverão surgir, não que se precise converter gentios, não que se precise de nova pedra angular para a Igreja de Jesus, mas porque se precisa de novos Paulos e novos Pedros da fé, pelo sentimento e pela razão.

E no dia que assim suceder, e no dia que esses novos arautos surgirem, pode-se perfeitamente dizer que nesse dia começou a felicidade do mundo.

É preciso que se fale com franqueza: espíritas, é preciso que se pregue com amor, sim, mas com energia também; já é tempo de se cuidar melhor das coisas de Deus. Sabeis que muito se pedirá a quem muito se houver dado... E quem mais tem recebido do que os representantes da Boa Nova?

É preciso agir, é preciso trabalhar. Que temos feito?

Eu vos respondo, muito; mas tendes necessidade de fazer mais, muito mais. Fazer com o vosso vizinho, com o vosso próximo em geral? Sim, mas antes fazer convosco mesmos.

Sabeis que a misericórdia de Deus sempre está em contato com as vossas consciências: e no entanto, às vezes, com tristeza vemos os vossos desfalecimentos.

Pergunto: os estudantes do Evangelho devem ou não devem ter fé? Sabem ou não sabem que jamais serão desamparados por seu Mestre?

O divino Mestre tem os olhos voltados para a humanidade inteira e se a humanidade sofre, geme e chora, é porque lhe tem voltado completamente as costas.

Vós outros, porém, desde que abrais vossos corações, desde que a vossa penitência seja verdadeira, eu vos garanto categoricamente a sua misericórdia para que sintais o alívio, o bálsamo consolador que cura todas as feridas, todas as lepras inclusive a lepra da consciência culpada.

Perdoai-me esse arrebatamento, eu falo assim convosco e não poderia ter a mesma linguagem que os demais, porque mo permitis e sobretudo porque me amais.

Unido a vós por um passado tão longo, porque deixaria de falar desta maneira quando se comemora o espírito dos representantes máximos da fé, dessa fé que representa a franqueza, a lealdade?

Aceitai, meus companheiros, o que vos digo neste momento, como penhor máximo da minha estima.

Dia virá no qual todos unidos, cá em cima, continuaremos a trabalhar, preparando a nossa volta e esse mundo que hoje habitais.

Vamos pedir a Deus, vamos rogar a Jesus e sobretudo ao Anjo Tutelar da humanidade, que é Maria, para que, quando tivermos de voltar novamente, as condições dos nossos espíritos sejam outras; para que possamos sem desfalecimento, sem tibieza, sem fraqueza, sem esmorecimento de qualquer espécie, apresentarmo-nos de viseira erguida a luta e dizer: Senhor, cumpra-se em todos nós a tua santa vontade!  

Ainda duas palavras:

Os olhos do mundo estão voltados para a doutrina de Jesus e vós, como seus representantes na Terra deveis vos conduzir com o máximo critério em todos os atos da vossa vida, para que ninguém lance sobre a doutrina de Jesus, em virtude dos vossos desatinos e acertos, o ridículo.

Tende cautela, as perseguições continuam incessantes, todos os meios são lícitos para os nossos inimigos e eles só contam com um único elemento de triunfo: a vossa fraqueza.

Sede firmes, sede fortes, examinai bem as vossas consciências, e por esta forma não deixeis aberta a porta, para que o lobo traiçoeiro não entre no redil.

Sede estudiosos, sede amorosos, notai bem: praticai a caridade da alma, o amor sincero e eu vos garanto mais uma vez que a assistência dos vossos amigos e protetores será um fato.

Nas horas das vossas dores implorai a esse espírito amoroso a sua proteção e eu vos asseguro, meus amigos, ele virá em vosso socorro. Refiro-me a Maria.

Que a misericórdia de Deus baixe sobre vossos espíritos e vos faça compreender que ama-lo é vosso primordial dever.

Bittencourt Sampaio
Revista Reformador Set. 1918
F.E.B.

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Revista Reformador Set. 1918.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Mostremos o Mestre em nós

Mostremos o Mestre em nós

Bittencourt Sampaio



Segundo a linguagem da estatística, vivem hoje, na Terra, maior número de Espíritos encarnados do que a totalidade da sua população, desde os primórdios da vida planetária até os nossos dias, ou seja: até o primeiro quartel do século XIX, viveu na carne, num dado instante, um bilhão de criaturas humanas; até o primeiro quartel do presente século essa soma atingiu dois bilhões e atualmente passa para a cifra dos três bilhões. (*)

Esse fato assinala a magnitude de vossa época, porque, nos dias correntes, epílogo de um ciclo planetário, vasculham-se os umbrais da Espiritualidade inferior, reformando-se os museus de sofrimentos purgatoriais, forjados através de milênios inumeráveis...

E que notamos, agora, no mundo, comprovando a observação?

Embora o ingente esforço renovador dos arautos das letras do Evangelho, mais da metade da população terrestre ainda não ouviu nenhuma referência a Jesus, o Sublime Governador da Terra.

Esmagadora maioria ainda não pensou sequer no intercâmbio entre os dois mundos.

Grande parte da Humanidade cultua doutrinas clara e confessadamente materialistas.

Os delitos passionais multiplicam-se em todos os continentes.

O quadro da criminalidade amplia-se, de ano para ano.

Alastram-se rebeliões em toda a parte.

Cresce a onda de suicídios.

Agrava-se o terrorismo.

À margem das religiões surgem espetáculos de fanatismo selvagem.

Nunca foram tão aperfeiçoadas e numerosas as organizações policiais e as técnicas belicistas nas guerras de morticínio e destruição.

E a obsessão campeia, infrene, assumindo expressões e graus multiformes de loucura, como a dizer que as regiões espirituais inferiores do Planeta se fazem presentes no campo da vida física.

Tal fato, porém, não é razão para derrotismo, mas de profundo chamamento ao trabalho.

Por isso, notadamente à minoria espírita cristã, dentro do âmbito de sua influência reconstrutiva, cabe a tarefa de prevenir os erros seculares que nos desfiguram a existência e nos consomem o equilíbrio, vacinando as consciências com a fé raciocinada, apoiada em fatos, acendendo no semelhante a luz da certeza na imortalidade, à força da palavra e à custa do exemplo.

A vida humana não é um conjunto de artifícios. É escola da alma para a realidade maior.

De nós depende a escolha entre o bem e o mal.

Fogo não apaga fogo.

Ao ódio ofertemos amor; à pressa, paciência; ao orgulho, humildade; à vingança, perdão; à cólera, brandura; ao egoísmo, caridade.

Espírita, irmão!, Jesus segue conosco!

Mostremos o Mestre em nós!

Bittencourt Sampaio por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de volta

Nota: (*) O prefácio do livro foi assinado em 3 de Outubro de 1965, na ocasião, o autor espiritual cita a população mundial na casa de 2 a 3 bilhões de habitantes, número hoje próximo a 8 bilhões. - RDB.
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domingo, 6 de fevereiro de 2022

O Cristo está no leme

O Cristo está no leme

Bittencourt Sampaio



A reunião da noite de 2 de junho de 1955 reservou-nos grande surpresa.

Por ausência do companheiro encarregado do serviço de gravação, ocupamo-nos pessoalmente desse mister. E, enquanto atendíamos a semelhante tarefa, notamos que a organização mediúnica denotava expressiva alteração.

Intuitivamente assinalamos que o nosso Grupo estava sendo visitado por mensageiro espiritual de elevada hierarquia.

E não nos enganávamos.

Colocando-se de pé, o instrutor passou à palavra.

Dicção educada. Voz clara e bela.

Em sucinto estudo, exalça a figura excelsa de Jesus, à frente do Espiritismo.

Na saudação final, identifica-se. Tínhamos conosco a presença de Bittencourt Sampaio, cuja sublime envergadura espiritual escapa à exiguidade de nossa conceituação.

Despede-se o orientador e encerramos a reunião.

Movimentamo-nos para estudar a mensagem, ouvindo-a, de novo; no entanto, com o maior desapontamento, notamos que a gravadora não funcionara.

Perdêramos a palavra do grande Instrutor.

Comentando a alocução ouvida, a maior parte dos companheiros afasta-se do recinto.

Nós, porém, um conjunto de seis amigos, permanecemos na sede do Grupo mais tempo, examinando a máquina e lamentando o acontecido.

Uma hora decorrera sobre o encerramento de nossas tarefas e preparávamos a retirada, quando o médium anunciou estar ouvindo de nosso amigo espiritual José Xavier o seguinte aviso: 

— “Não se preocupem. Meimei e eu gravamos a palavra do benfeitor que esteve entre nós, de passagem.

Reúnam-se em silêncio e o médium poderá ouvi-la de nossa máquina, fixando-a no papel.”

Sentamo-nos ao redor da mesa, com o material de escrita indispensável.

Depois de nossa prece, o Chico esclarece estar vendo uma pequena gravadora junto de nós, manejada pelos amigos espirituais e, dizendo escutar a mensagem, põe-se a escrever moderadamente, evidenciando a audição em curso.

Entretanto, o médium escreve e faz a pontuação, ao mesmo tempo.

Ajudando-o a segurar o papel, conjeturamos mentalmente: 

— “Ora, se o Chico está ouvindo a mensagem gravada, como pode fazer a pontuação?

Estamos diante de um ditado ou de psicografia comum?”

No instante exato em que formulamos a indagação em pensamento, sem externá-la, o médium interrompe a grafia por momentos e explica-nos:

— “Meu amigo, o José (Referência ao nosso amigo espiritual José Xavier. — Nota do organizador.) recomenda-me informar a você que, enquanto Meimei está comandando a gravadora, ele está ditando a pontuação para melhor segurança do nosso serviço.”

Extremamente surpreendido, guardamos o esclarecimento.

Terminada a escrita, o médium leu quanto ouvira.

Notamos com admiração que o papel apresentava a mensagem que ouvíramos de Bittencourt Sampaio.

Relatada a ocorrência que julgamos seja nossa obrigação consignar nos apontamentos sob a nossa responsabilidade, para os estudiosos sinceros de nossa Doutrina, passamos à comunicação do venerável orientador.

Meus amigos, que o amparo de Nossa Mãe Santíssima nos agasalhe e ilumine os corações.

Cristo, no centro da edificação espírita, é o tema básico para quantos esposaram em nossa Doutrina o ideal de uma vida mais pura e mais ampla.

Confrange a quantos já descerraram os olhos para a verdade eterna, além da morte, o culto da irresponsabilidade a que muitos de nossos companheiros se devotam, seja na dúvida sistemática ou na acomodação com os processos inferiores da experiência humana, quando o Espiritismo traduz retorno ao Cristianismo puro e atuante, presidindo à renovação da Terra.

Com todo o nosso respeito à pesquisa enobrecedora, cremos seja agora obsoleta qualquer indagação acerca da sobrevivência da alma por parte daqueles que já receberam o conhecimento doutrinário, porque semelhante conhecimento é precisamente o seio sagrado de nossos compromissos diante do Senhor.

Há mais de dez milênios, nos templos do Alto Egito e da antiga Etiópia, os fenômenos mediúnicos eram simples e correntios; entre assírios e caldeus de épocas remotíssimas, praticava-se a desobsessão com alicerces no esclarecimento dos Espíritos infelizes; precedendo a antiguidade clássica, Zoroastro, na Pérsia, recebia a visitação de mensageiros celestiais e, também antes da era cristã, na velha China, a mediunidade era desenvolvida com a colaboração da música e da prece.

Mas, o intercâmbio com os desencarnados, excetuando-se os elevados ensinamentos nos santuários iniciáticos, guardava a função oracular do magismo, entremeando-se nos problemas corriqueiros da vida material, fosse entre guerreiros e filósofos, mulheres e comerciantes, senhores e escravos, nobres e plebeus.

É que a mente do povo em Tebas e Babilônia, Persépolis e Nanquim, não contava com o esplendor da Estrela Magna — Nosso Senhor Jesus Cristo —, cujo reino de amor vem sendo levantado entre os homens.

Na atualidade, porém, o Evangelho brilha na cultura mundial, ao alcance de todas as consciências, cabendo-nos simplesmente o dever de anexá-lo à própria vida.

Espíritas! Com Allan Kardec, retomastes o facho resplendente da Boa-Nova, que jazia eclipsado nas sombras da Idade Média!

Compreendamos nossa missão de obreiros da luz, cooperando com o Senhor na construção do mundo novo!...

Não ignorais que a civilização de hoje é um grande barco sob a tempestade...

Mas, enquanto mastros tombam oscilantes e estalam vigas mestras, aos gritos da equipagem desarvorada, ante a metralha que incendeia a noite moral do mundo, Cristo está no leme!

Servindo-o, pois, infatigavelmente, repitamos, confortados e felizes:

Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo amanhã!...

Louvado seja o Cristo de Deus!

Bittencourt Sampaio por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

Sobre o vídeo:
Quem sabe

Música do maestro Carlos Gomes e poema do espírita Bittencourt Sampaio na voz de Francisco Petrônio com acompanhamento de Dilermando Reis.

A mensagem acima é a citada no vídeo, é de Bittencourt Sampaio recebida por Chico Xavier, foi publicada no livro: Instruções Psicofônicas e chama-se:

Cristo está no leme 

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Obra do Amor

Obra do Amor

Bittencourt Sampaio


Bittencourt Sampaio e Chico Xavier

A bandeira de luz, desfraldada por Ismael, no Brasil, não convocou em vão os servos de Cristo ao trabalho da concórdia e do amor.

A revivescência do Evangelho abre a porta dos corações aos Espíritos do Senhor; e as realizações cristãs, como sementeiras abençoadas do Celeiro Divino, surgem como elevados tentames dos cooperadores humanos em luta com o joio do mundo velho.

Por vezes, as iniciativas são vacilantes e o esforço dos que se propõem à edificação sofre limitações que circunscrevem os cometimentos no campo material, entretanto, ao influxo de Ismael, compreendemos mais cedo, no Brasil, que a Doutrina Consoladora não se reduz a simples órgão de experimentação científica ou de reajustamento filosófico, nos quartos do conhecimento humano.

Por mercê do Senhor, reconhecemos que a sua mensagem sublime consubstancia o apelo generoso do Céu para que a luz divina resplendeça na Terra, o convite de mais alto para que o planeta se integre no Reino de Deus.

Daí, o característico religioso dos nossos trabalhos, a substância sublime do nosso depósito espiritual.

Com semelhante assertiva, não menosprezamos o racionalismo. Destacamos apenas a prioridade do serviço redentor do sentimento.

No coração permanece a seiva da vida. E é necessário purificar a seiva para que o fruto regenere e alimente.

O objetivo fundamental de Jesus, em seu apostolado terrestre foi sempre o homem.

"―Levanta-te e anda."
"―A tua fé te salvou."
"―Não temas."
"―Segue-me tu."

Seus apelos diretos ao coração ressoam na esteira dos séculos.

Não possuímos outra base para construir o mundo melhor, e as Forças Divinas não se aproximam de nós com o fim de arrebatar-nos a esferas superiores que não merecemos ainda, mas, sim como embaixadas de colaboração excelsa, de modo a concretizarmos o paraíso que nos será próximo.

Solucionemos os problemas exteriores da vida, estudemos os fenômenos da evolução, recorramos à análise no aprimoramento intelectual necessário, mas convertamo-nos, antes de tudo ao bem, fazendo-nos melhores, engrandecendo a vida e o mundo a que fomos chamados. 

Diante da civilização perturbada e empobrecida pelos abusos do poder, pela extensão do egoísmo e pelos desvarios da inteligência materialista, temos nós os cooperadores do Espiritismo Evangélico, gigantesca tarefa de reconstrução, iniciada a; mais de meio século. 

Dádivas sublimes do Mestre constituem nosso crédito na atualidade. E, recebendo excessivamente da Divina Bondade, é lícito sejamos convocados a maiores testemunhos.

Dilatemos, em vista disso, nossa capacidade receptiva e iluminemos o santuário de nossa compreensão para que o Senhor se valha de nós como seus instrumentos.

É razoável que as interpretações se diferenciem na exposição das afirmativas individuais.

Nas terras sagradas, a escada de Jacob não é símbolo inútil.

Cada ser descortinará o horizonte, segundo a posição em que se encontre na jornada ascendente do Espírito. Instalemos, desse modo, o Reinado de Deus em nós mesmos, respondendo aos títulos da confiança que nos foi conferida.

Ainda que estejamos aparentemente distanciados uns dos outros no setor das definições doutrinárias, encontramo-nos substancialmente identificação na mesma realização, porque somos discípulos imperfeitos do mesmo Mestre e humildes servos do mesmo Senhor.

Reunidos em espírito, sob o estandarte, de Ismael, atendamos ao chamado divino, compreendendo que não fomos trazidos ao campo de trabalho para as inutilidades da casuística, mas, para as atividades sublimes de auxílio, fraternidade e entendimento, na obra infinita do amor.

Bittencourt Sampaio por Chico Xavier do livro:
Comandos do Amor

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