Ciência bastarda
Cairbar Schutel
Rude no começo, cultivada depois e, por fim esclarecida, vai ela se enaltecendo, crescendo em todos os conhecimentos, até que em alto surto desvende horizontes amplos e se ponha em relação com a natureza das coisas criadas.
Algemada a um amontoado de dogmas, cerceada pelos mistérios, condenada à escravidão, presa aos estreitos círculos do convencionalismo, a inteligência é como um pássaro enclausurado a quem se fura os olhos: canta, trina as suas chorosas melodias, que não são mais que repetir os anseios de liberdade, as reminiscências das alturas, onde em voos altivos expandia seu gênio livre em busca de outras terras e outros céus, outros ares, outras paragens onde admirava as magnificências do Cosmos.
Qual a sábio, o escriba que se julga de posse de todo o poder, de toda a crença, de toda a sabedoria, de toda a verdade?
Qual dos humanos é o mais inteligente, o mais rico de conhecimentos, o mais consciente dos seus dons, da sua tarefa, do seu dever?
É aquele que paira nas alturas, como ilustrou ele a inteligência, como adquiriu conhecimentos, compenetrou-se dos seus dons e obteve a noção do cumprimento do dever?
O que é a ciência de hoje senão é glória adquirida pelos mártires da fé e da sabedoria?
O que será a ciência de amanhã senão os louros que se vão colhendo no meio dos combates do pensamento, sustentado pelos mártires da fé e da sabedoria?
Na história da humanidade e seu progresso incessante para a Luz, salientam-se as grandes perseguições e os repetidos ataques do oficialismo cientifico e religioso, contra as descobertas e contra os missionários que, enfrentando o obscurantismo comodista, embora com sacrifício da própria vida, têm abatido as barreiras da ignorância, fazendo repercutir no mundo o retinir do camartelo do Progresso, abrindo assim, às inteligências, novas veredas promissoras dos altos destinos que nos esperam.
A inteligência não pode estacionar. Tudo caminha, tudo evolui em busca de luzes mais claras, de felicidades mais estáveis e verdadeiras.
- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.

