quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Fala com bom humor

Fala com bom humor

Lancellin


A palavra é uma das mais relevantes conquistas do homem.

Quem aprendeu a ciência de falar bem, vive semeando sementes de luz nos corações que estacionam nas trevas. O poder da palavra é ilimitado, alcança qualidades inumeráveis, curando enfermos, levantando tristes caídos, enxugando lágrimas, consolando e alegrando criaturas.

A palavra bem humorada, nascida no Reino de Jesus, é um Sol que ilumina todos os caminhos humanos. Antes das tuas conversações, lembra-te do bom humor e deixa que o teu verbo desentulhe as mentes de quem te ouve do lixo da tristeza e do magnetismo inferior, oriundo de tantas outras invigilâncias, que a vida correrá livre em todo o teu ser, na mais perfeita harmonia, como se fora a presença de Deus na tua própria presença.

A língua que obedece à mente educada nos princípios evangélicos é como um bisturi divino, a operar todas as inconveniências morais da alma, aprumando as ideias para as ideias de Jesus e aperfeiçoando o coração ao mesmo ritmo das qualidades do Mestre.

Exercita o bom humor, pois todos os que te cercam gostam disso. O homem alegre no Bem, vale muito mais do que uma multidão desgostosa e aborrecida. Ao assentar-te em uma mesa para alimentar-te, não deves esquecer a alegria que nasce e cresce em assuntos elevados. Ela purifica o ambiente e harmoniza o corpo, predispondo todo o organismo para uma perfeita assimilação dos alimentos, permitindo que o mesmo carregue um energismo divino na sua estrutura, capaz de restaurar todo o psiquismo, dependendo da disposição de quem se alimenta.

Lembra-te disso na hora de comer: tua refeição poderá ser o teu próprio remédio ou o preventivo para todos os males. No futuro, as boticas de medicamentos irão desaparecer, assim como os laboratórios estruturados na ganância, que colocam sempre à frente os próprios interesses em detrimento da saúde coletiva. A predominância será para o laboratório da natureza. 

O corpo não foi feito para adoecer, sendo divino, ideado pelas mãos de Deus. Os hospitais poderão ficar com as suas portas abertas, mais como escolas ensinando a medicina preventiva, partindo da mais simples assepsia até chegar às mãos sábias da natureza.

No mundo atual, quanto mais se formam economistas, quanto mais a ciência de ganhar e ajuntar floresce, mais existe miséria, fome e peste, sem que a própria justiça possa dar jeito. Os homens de comando dos países não confiam uns nos outros e tudo o que ganham, gastam em guerras fratricidas e em armas assassinas. Os exércitos da Terra consomem toda a economia das nações, sem nenhum objetivo de grandeza para as pátrias e para a evolução de seus filhos. Falta o essencial no coração destes homens: o Amor.

Onde existe o Amor, as armas se transformam em arados, em outros aparelhos e ferramentas de vida, e não de morte. Vamos todos nós falar com bom humor, para que possamos ajudar nesta transformação, que o próprio progresso nos profetiza para breve futuro. Basta as nações aceitarem os dois mandamentos onde Jesus sintetizou todas as leis e os profetas:

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Lancellin por João Nunes Maia do livro:
Cirurgia Moral

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Amor e espiritualidade

Amor e espiritualidade

Joanna de Ângelis


Amor e espiritualidade são termos da mesma equação da vida, convidando a criatura à busca de Deus.

Pode-se medir o grau de espiritualidade de um indivíduo pela sua capacidade de amar.

Quando o seu é um desprendimento que o leva a pensar antes no seu próximo do que em si mesmo, estabelecendo diretrizes de felicidade que cumpre com devotamento, distante dos tormentos do egoísmo e das paixões dissolventes, já é capaz de amar em plenitude. Isso não o impede de agir com prudência, mantendo-se em equilíbrio diante das circunstâncias e dos acontecimentos que envolvem o seu sentimento de doação.

Ao mesmo tempo, proporciona-lhe uma visão realista em torno dos seus deveres de cidadania e de autoburilamento, por entender que a proposta de ascensão espiritual é destituída de qualquer limite.

Igualmente descobre as imperfeições morais que ainda lhe tisnam o caráter, gerando-lhe embaraços que lhe dificultam mais rápida vitória sobre os empeços da marcha.

Não luta, porém, contra esses fatores de perturbação, assumindo antes uma postura de compreensão dos limites que lhe assinalam o ser, buscando amar também a esses atavismos que procedem das experiências pretéritas e que não foram ainda eliminados.

Sempre que acossado por desejos inquietadores, não se rebela, devendo procurar substituí-los por sentimentos opostos, aqueles que edificam e asserenam.

Cônscio do que pode realizar em benefício próprio, sem qualquer prejuízo para as demais pessoas, investe na luta de renovação constante, sem traumas nem ansiedades, insistindo sempre na conquista de mais amplos horizontes emocionais que o afastem das províncias de sombra e de dor por onde deambulou.

Esse esforço pessoal auxilia-o a entender os limites em que as pessoas se debatem, sem possibilidades de autossuperar-se de um para outro momento. A paciência, diante das imperfeições alheias, dá-lhe resistência para suportá-las quando se lhe apresentam em forma de hostilidade, de perseguição, de inveja, de competitividade malsã.

O amor instala-se no sentimento humano, quando se lhe abrem as portas para a entrada, evitando-se os obstáculos torpes dos interesses pessoais e das lutas de dominação, que tipificam a agressividade latente e o egoísmo doentio.

Não tendo fronteiras que o limitem ou o impeçam de avançar sempre, é atuante e compassivo, sempre disposto a servir e a enriquecer as vidas que se lhe acercam e passam a necessitar do seu hálito vital.

Em consequência, o amor não tem passado, reservando-se um intérmino presente, que se manifesta em tempo que já passou e em oportunidade que virá.

Nunca se permite ser discutido, pois que o excesso de palavras entorpece-o, enquanto que a ausência total delas, desvitaliza-o.

Não se assoberba, porque conhece o campo em que moureja, lúcido e jovial, abrindo os braços à solidariedade, passo inicial para alcançar a culminância na caridade e no perdão total.

A vigência do amor no mundo independe de ideologias de natureza política, religiosa, cultural, social. Medra em todos os segmentos em que se movimentam as criaturas humanas, sendo, naturalmente, mais emulado quando um ideal arrebatador domina a mente e o coração do indivíduo. Não obstante, independe de grupo ou de clã, porquanto, se assim não o fora, expressar-se-ia com o sentido de retribuição na facção de qualquer natureza onde se instala.

Por isso mesmo, não dissente em relação àqueles que lhe não compartem o pensamento nem o comportamento, estando atento a essa sutileza, a fim de poder ser totalmente livre, ganhando espaço e intemporalidade, com que avança no rumo da imortalidade, que é sua meta esplendorosa.

O amor é o instrumento para que a sociedade se encontre em patamar avançado de natureza moral, especialmente quando ultrapassa os níveis primários onde tem início o seu processo de fixação.

Sem dúvida, portanto, cada um expressa o amor de conformidade com o estágio de desenvolvimento espiritual em que se encontra.

Eis por que, variante e complexo, encontra-se em toda parte no Universo, particularmente na vida terrena, enlaçando todos os indivíduos no mesmo elã de alegria de viver e de cooperar em benefício geral.

A conquista da espiritualidade é assinalada pelos inúmeros passos do amor.

No primitivismo, em que a defesa do grupo é essencial para a sobrevivência, passando pelos graves combates de destruição, surgem os passos em favor do intercâmbio social, econômico, moral, desenvolvendo-se como método de crescimento tribal para tornar-se uma sociedade mais conforme a fraternidade, na qual o direito substitui a força, superando os impulsos asselvajados para transformar-se em emoções compensadoras.

Dessa forma, à medida que vão ficando na retaguarda do processo de desdobramento ético, mais aprimoradas fazem-se as formas de expressar-se, aproximando o Espírito sedento de plenitude da Fonte Inexaurível de onde procede.

Quando ainda atado ao primarismo, apresenta-se como dedicação e posse, carinho e dominação, bondade e jogo de interesses, devotamento e retribuição, entrega e zelo excessivo.

Possuidor de mil faces, apresenta-se conforme o período moral que tipifica a criatura, que se sente invadida pela sua força, e nem sempre sabe decodificar-lhe a excelência, obrigando-a a submeter-se-lhe quando assume a postura exigente, muitas vezes perversa, em que se compraz.

Inegavelmente estrutura-se nos próprios enganos e caprichos, aprendendo a libertar-se de qualquer constrição, para então espraiar-se sobranceiro e gentil, nada solicitando, nada aguardando, nada impondo.

O amor é humilde, porque reconhece a energia de que se constitui, no entanto, não se permite vangloriar pelo poder de que dispõe, preferindo vencer as resistências suavemente e fixar-se imperceptivelmente, terminando por dominar o ser.

Amor, portanto, e espiritualidade, são termos da mesma equação da vida, convidando a criatura à busca de Deus.

Não deve, porém, o amor ser buscado com aflição, embora a espiritualidade seja desafiadora e necessite ser trabalhada com intensidade.

Quando se corre atrás do amor com ansiedade e sofreguidão, ele provavelmente não será encontrado, porque sempre será encontrado pacientemente aguardando...

Cada passo que dês em direção à autoespiritualização, mais próximo sentirás o amor, que te impulsionará a conquistá-la, não te permitindo deter no que já conseguiste, antes acenando-te com novos desafios evolutivos.

Renunciarás então aos dispositivos egoísticos para cresceres com o grupo social no qual te encontras, enquanto irradiarás as energias da vida em todas as direções, consciente de que a tua será a decorrência da felicidade daqueles que seguem contigo pelo mesmo caminho, e que aguardam a tua cooperação, a fim de superarem os impedimentos que os aturdem.

Na raiz da espiritualidade do ser encontra-se o amor, e no sublime oceano do amor desenvolvem-se os compreensíveis impositivos da espiritualização que liberta e sublima.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Garimpo de Amor

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Atmosfera Mental

Atmosfera Mental

Roque Jacintho



Raramente o homem pensa, junto do ato de falar.

Em geral, as respostas que fornece às mais diversas indagações de seus semelhantes ou às mais diferentes circunstâncias de sua existência, são inteiramente automáticas, já estavam armazenadas em seu mundo íntimo.

Primeiro fala, depois pensa.

Primeiro age, depois reflete.

Seria dispendioso, senão quase impossível, se a todos os acontecimentos tivesse a criatura de organizar uma sequência de pensamentos, raciocinando mais ou menos demoradamente para, após, externar um ponto de vista ou uma opinião. A própria Natureza, por um mecanismo psíquico todo especial e reconhecido parcialmente pela Ciência, dota a criatura da capacidade de armazenar reações e respostas que, quando requisitadas, são fornecidas por reflexos automáticos.

O tipo de reações desse arquivo milenar, contudo, é constantemente alterado, reformado, melhorado ou, algumas vezes, degenerado, atendendo sempre às preferências de cada um. Há, pois, uma progressão infinita  de nossos comportamentos à medida que evoluímos, correspondendo a uma troca de matrizes internas para o fornecimento de outros tipos de respostas a cada estímulo externo.

Exemplifiquemos.

Uma criança educada erroneamente no sistema de supremacia da força física, recebe a seguinte recomendação de seus pais ou tutores:

— Não traga desaforo para casa!

É levada, portanto, a reagir agressivamente a cada ofensa que receba ou toda vez que se julgar ferida em sua sensibilidade ou em seus valores morais, partindo imediatamente à desforra, a fim de não levar ofensas dentro de si.

Essa matriz permanece-lhe no íntimo.

Uma palavra áspera, um mal-entendido funciona sobre o seu mecanismo qual se lhe pressionassem um botão e a raiva se articula dentro de si e se externa com sua característica de violência.

Contudo, à medida que a criança se torna jovem, e de jovem se faz adulto e de adulto marcha para a senilidade, encontra-se com uma série de circunstâncias frente às quais, embora queira, não pode ou não lhe convém reagir agressivamente. É o patrão que lhe garante o pão de cada dia. O amigo a quem ele respeita. Os parentes a quem ele acata... E sua primitiva filosofia de força cede lugar à tolerância.

O clichê infantil, aí, já sofreu modificações.

E pode mudar-se ainda mais.

Se no curso de sua existência essa criatura admitir em si mesma os princípios renovadores do Evangelho e incorporá-los parcial ou integralmente, ao revés de simples mudanças no clichê mental que lhe ditava o comportamento brutal esse será substituído por completo.

Reconhecerá no ofensor um enfermo da alma, necessitado  de amparo e de assistência, e lhe responderá, ante os gestos de loucura súbita, com um envolvente carinho, uma enorme piedade, uma elevada consideração.

Cada comportamento aprendido corresponde a uma sequência de princípios aceitos, permanecendo irradiante à nossa volta, compondo-nos a atmosfera mental, o hálito espiritual que dimanamos, dinamizando a nossa simpatia ou antipatia que nos faz reconhecidos entre encarnados e nos identifica entre os desencarnados.

Esse clima mental nos individualiza.

E reflete as nossas companhias espirituais.

Para que nos alteemos psiquicamente cumpre-nos a renovação integral de nosso mundo íntimo, substituindo o que não convém e corrigindo o que esteja levemente distorcido. Mas, a reforma é lenta e, embora lenta, realizável, desde que utilizemos a nossa vontade para criar outros tipos de reações e comportamentos ajustados às normas do Espiritismo-Cristão e que assegurarão, por sua vez, companhias espirituais sadias e nobres.

Roque Jacintho do livro:
Desenvolvimento mediúnico

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domingo, 5 de janeiro de 2025

Ciência bastarda

Ciência bastarda

Cairbar Schutel



A inteligência foi doada às almas para a conquista de seu progresso e de sua felicidade.

Rude no começo, cultivada depois e, por fim esclarecida, vai ela se enaltecendo, crescendo em todos os conhecimentos, até que em alto surto desvende horizontes amplos e se ponha em relação com a natureza das coisas criadas.

Algemada a um amontoado de dogmas, cerceada pelos mistérios, condenada à escravidão, presa aos estreitos círculos do convencionalismo, a inteligência é como um pássaro enclausurado a quem se fura os olhos: canta, trina as suas chorosas melodias, que não são mais que repetir os anseios de liberdade, as reminiscências das alturas, onde em voos altivos expandia seu gênio livre em busca de outras terras e outros céus, outros ares, outras paragens onde admirava as magnificências do Cosmos.

Querer delimitar a inteligência é paralisar o seu progresso, é condená-la ao desespero, à loucura, à morte!

Qual a sábio, o escriba que se julga de posse de todo o poder, de toda a crença, de toda a sabedoria, de toda a verdade?

Qual dos humanos é o mais inteligente, o mais rico de conhecimentos, o mais consciente dos seus dons, da sua tarefa, do seu dever?

É aquele que paira nas alturas, como ilustrou ele a inteligência, como adquiriu conhecimentos, compenetrou-se dos seus dons e obteve a noção do cumprimento do dever?

Estas qualidades, verdadeiros ornamentos da alma, tê-las-ia ele tirado dos dogmas, aprendido na abstração dos mistérios, encontrado no convencionalismo do sectarismo religioso ou cientifico?

O que é a ciência de hoje senão é glória adquirida pelos mártires da fé e da sabedoria?

O que será a ciência de amanhã senão os louros que se vão colhendo no meio dos combates do pensamento, sustentado pelos mártires da fé e da sabedoria?

Na história da humanidade e seu progresso incessante para a Luz, salientam-se as grandes perseguições e os repetidos ataques do oficialismo cientifico e religioso, contra as descobertas e contra os missionários que, enfrentando o obscurantismo comodista, embora com sacrifício da própria vida, têm abatido as barreiras da ignorância, fazendo repercutir no mundo o retinir do camartelo do Progresso, abrindo assim, às inteligências, novas veredas promissoras dos altos destinos que nos esperam.

A inteligência não pode estacionar. Tudo caminha, tudo evolui em busca de luzes mais claras, de felicidades mais estáveis e verdadeiras.

Cairbar Schutel do livro:
Os fatos Espíritas e as forças X. - Espiritismo e Materialismo

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