terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Oração no Lar

Oração no Lar

Joanna de Ângelis



A transformação do lar em célula viva do Cristianismo operante constitui labor impostergável.

Por mais valiosas se façam as conquistas externas na atividade quotidiana, com vistas ao progresso e à felicidade, se tais aquisições não encontrarem fundações de segurança no reduto doméstico far-se-ão edificações em constante perigo.

Isto, porque, o lar é a matriz geradora da comunidade ditosa, sobre o qual repousam os sustentáculos das nacionalidades progressistas.

Os distúrbios internos em qualquer máquina de serviço provocam prejuízo na rentabilidade, quando não se dá a paralisação do trabalho com danos imprevisíveis.

A família é o fulcro da maior importância para o homem.

Não obstante os complexos mecanismos da reencarnação, os fatores criminógenos ou os estímulos honoráveis encontram no núcleo familiar as condições fomentadoras para o eclodir das paixões insanas como o das sublimes. Obviamente, neste capítulo, de quando em quando surgem exceções, como atestando que o diamante valioso, apesar de tombado na lama, fulgura, precioso, ou a pedra bruta embora o engaste nobre e o estojo especial, de forma alguma adquire valor.

Num lar lucilado pela oração em conjunto onde, a par do exemplo salutar dos cônjuges, a palavra do Senhor recebe consideração e apontamentos superiores, ao menos periodicamente, os dramas passionais, as ocorrências infelizes, os temores e as discórdias cedem lugar à compreensão fraternal, à caridade recíproca, à paciência, ao amor.

Ali se caldeiam os complexos fenômenos da evolução e se resolvem em clima de entendimento os problemas urgentes que dizem respeito à recuperação de cada um. Não apenas se ajustam e se sustentam afetivamente os nubentes como se reorganizam os programas iluminativos, retemperando-se ânimo e ideais à inspiração do Cristo sempre presente.

*

Companheiros sinceros queixam-se quanto aos danos promovidos pelos modernos veículos de comunicação de massas.

Diversos expositores do verbo espírita invectivam contra as permissividades hodiernas.

Mentes lúcidas, considerando a áspera colheita de espinhos da atualidade, reagem com emoção através da palavra falada ou escrita.

Muitos oferecem programas complexos de ação, talvez impraticável, debatem, acusam, vociferam. Mas pouco fazem realmente.

O trabalho do bem é paulatino e a reforma moral, para ser autêntica, será sempre individual, bem laborada, sacrificial.

As técnicas ajudam, todavia, só a persuasão honesta, mediante a qual o homem se conscientiza das necessidades reais, consegue lograr libertá-lo dos compromissos inditosos, engajando-o nas disposições restauradoras.

De pouca monta o esforço para ajudar a renovação do próximo, se não ensinar fixado ao exemplo da própria modificação íntima para melhor.

O exercício evangélico na família à pouco e pouco, em clima de cordialidade e simpatia, consegue neutralizar a má propaganda, as investidas violentas do crime de todo porte que se insinuam e irrompem dominadoras.

*

Ao realizares o Culto Evangélico do lar não te excedas em tempo, a fim de serem evitados a monotonia e o desinteresse.

Não o imponhas aos que te não compartem as ideias ou preterem, por enquanto, outros rumos.

Tenta a argumentação honesta e branda, convenente e autêntica.

Insiste junto aos filhinhos para que comunguem contigo do pão do espírito, conforme de ti recebem o pão do corpo.

Faze, porém, a tua parte.

Se sentires a tentação do desânimo, a amargura ia decepção, recorda-te do otimismo dos primeiros cristãos e não desfaleças. Orando em conjunto, recomendavam os invigilantes, os perturbadores e inditosos ao Senhor, haurindo forças na comunhão fraterna para os testemunhos com que ensementaram na Humanidade as excelências da Boa Nova, que ora te alcança o espírito sem as agruras da perseguição externa e das dolorosas injunções da impiedade humana.

Acende o sol do Evangelho em casa, reúne-te com os teus para orar e jamais triunfarão trevas em teu lar, em tua família, em teu coração.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Leis Morais da Vida

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Jesus no lar

Jesus no lar

Emmanuel



O culto do Evangelho no Lar aperfeiçoa o homem.

O homem aperfeiçoado ilumina a família.

A família iluminada melhora a comunidade.

A comunidade melhorada eleva a nação.

O homem evangelizado adquire compreensão e amor.

A família iluminada conquista entendimento e harmonia.

A comunidade melhorada produz trabalho e fraternidade.

A nação elevada orienta-se no direito, na justiça e no bem.

Espiritismo sem Evangelho é fenômeno ou raciocínio.

O fenômeno deslumbra. O raciocínio indaga.

Descobrir novos campos de luta e pensar em torno deles não expressa tudo.

Imprescindível conhecer o próprio destino.

Não basta, pois, a certeza de que a vida continua infinita, além da morte.

É necessário clarear o caminho.

Do Evangelho no lar, depende o aprimoramento do homem.

Do homem edificado em Jesus Cristo depende a melhoria e a redenção do mundo.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Nosso livro

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Declaração de Origem

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domingo, 1 de janeiro de 2023

Fazer do Dever um Prazer

Fazer do Dever um Prazer

Anália Franco

Tesouro inconspurcável que o homem pode trazer por dentro reside na confiança integral depositada por ele na Força Maior que rege a vida.

Quem transporta consigo semelhante riqueza iluminou a vontade, erguendo-se invencível nas vagas ondulantes em que se entrechocam as ilusões terrestres.

Sejam quais sejam os empeços externos, enxameiem-se ciladas por onde caminhe, esculpe a fisionomia da vitória no pedestal da serenidade. Nos vagalhões da luta, tem o raciocínio ereto, à feição do penedo capaz de sustentar o farol que aponta o abismo, e mantém o sentimento qual chama de esperança a fazer-se canção na sombra noturna para saudar o renascimento da alva.

Não conhece tempo pior, nem futuro incerto. Em qualquer eventualidade, convence-se de que executa os desígnios da Providência, para que melhore a si mesmo, melhorando as existências em derredor.

Nada tem a perder, quanto ao mundo, porque, acima de tudo, prestigia os talentos que transcendem os valores do mundo.

Dificuldade ser-lhe-á incentivo na ação meritória; incompreensão alheia atestar-lhe-á o devotamento; sacrifício lhe acenará sempre, qual radioso clarão a desvendar-lhe roteiros para a esfera superior. Arrosta perigos e sofre riscos, baseando-se na importância do esforço a que se expõe na transitoriedade de tudo o que é humano fora de si, para exalçar a perenidade de tudo o que é espiritual, em si.

Olha o íntimo de ti e mede a extensão de "terreno interior" que consegues alcançar na luz da fé renovadora que pensa, analisa e conclui por si própria. Conserva a atitude de quem está pronto a servir. Préstimo espontâneo revela desejo de acertar.

Cada dia, cada experiência e cada circunstância te facultam multiplicadas oportunidades para burilar a fé, de maneira a te certificares, ainda mais entranhadamente, de que ninguém pode aposentar a própria consciência.

É assim que todo espírita viverá feliz, fazendo do dever um prazer.

Anália Franco por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de volta

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sábado, 31 de dezembro de 2022

Anos Novos que se repetem

Anos Novos que se repetem

Divaldo Franco



As festas de fim de ano provocam emoções variadas nas criaturas humanas.

Iniciam-se no Natal, alongam-se com as celebrações de Ano Novo, de Reis e sucessivamente já noutro período.

Todos aqueles que se estimam, que têm interesses de qualquer natureza aproveitam-se da oportunidade para formular votos de felicidades sinceros, aparentes, sociais e até indiferentes, por computador, de maneira informal a toda a rede de amigos, retirando o imenso prazer de que se deveria revestir o ato.

Deseja-se que o futuro seja o ano da realização dos sonhos, da conquista dos ideais, que se apresente diferente daquele que se vai, num automatismo, ora febril, ora convencional e, em alguns casos, até desagradável pelo trabalho que dão.

Sem dúvida, os anos novos são iguais aos anos velhos, não fosse a convenção estabelecida, que se tornou um compromisso social.

Para que o novo ano seja promissor, é necessário que haja no indivíduo reais transformações para melhor, porquanto, passados os dias de sorrisos e libações, de banquetes opíparos ou não, a velha rotina retorna, os antigos hábitos que não foram alterados permanecem e os fenômenos existenciais seguem idêntica marcha.

O indivíduo humano é o autor da sua plenitude ou da sua desdita através do comportamento que se permite.

Cultivando a esperança e buscando a sua concretização mediante o esforço do trabalho, conseguirá o almejado sem dificuldade.

Ao manter, porém, os costumes doentios e os vícios a que se entrega, defronta desafios cada vez mais complexos em forma de problemas, enfermidades e desaires...

Ideal será que, todo dia, que é sempre uma ocasião nova, refaça os seus planos mentais, repasse mentalmente as construções íntimas e proponha-se ações edificantes que podem ser trabalhadas com naturalidade, passo a passo, sem o almejado milagre impossível da conquista sem esforço nem luta.

A avidez para fruir-se prazeres e gozos contínuos, como se a função da existência fosse apenas a frivolidade das sensações, do jogo das ilusões, leva-o aos desatinos da desonestidade, da conduta perniciosa e até da criminalidade para alcançar as metas cultivadas no íntimo, sem consideração real por si mesmo, pela sociedade, pelo futuro.

Cada momento, ante os acontecimentos estarrecedores que são relatados pela imprensa, cabe-nos o dever de melhor reflexionar a respeito da nossa participação no grupo familiar em que nos encontramos, oferecendo melhores contribuições que facultam o progresso intelectual, assim como também de natureza moral.

Ano Novo é oportunidade de reflexão e análise para a construção da real felicidade, mediante os sentimentos harmônicos, as afeições sinceras e o equilíbrio das emoções.

Divaldo Franco
Artigo publicado no Jornal A Tarde, 
coluna Opinião, de 29.12.2016.

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