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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Viver com alegria

Viver com alegria

Joanna de Ângelis



Saúda o dia nascente com alegria de viver aureolada pela gratidão a Deus. 

Cada novo dia é abençoada oportunidade de crescimento espiritual e de iluminação interior. 

Atravessar o rio dos problemas de uma para a outra margem, onde se encontram as formosas atividades de engrandecimento moral, é a tarefa inteligente da pessoa que anela pela conquista da felicidade. 

Quando se abrem a mente e o coração à alegria, é possível descobri-la em toda parte, bastando olhar-se para a vida, e ei-la jubilosa! 

Quando se adquire a consciência da responsabilidade, de imediato sente-se que se é livre, mas essa liberdade é sempre conquistada pela ação que se converte em bênção de amor. 

Somente através do amor perfeito é que o ser humano pode considerar-se realmente livre de todas as amarras, mesmo que essa aquisição seja lograda, de alguma forma, através do sofrimento. 

O sofrimento faz mal, no entanto, não é um mal, porque oferece os recursos valiosos para a aquisição do bem Permanente. 

Eis por que o trabalho de qualquer natureza deve ser realizado com o sentimento de amor, o que equivale a uma postura de liberdade em ação. 

Quando o amor não está presente no sentimento, a alegria não se enfloresce, porque permanece sombreada pelas dúvidas e suspeitas, porquanto somente pelo amor é que se adquire a perfeição, em face dos mecanismos de ação que movimenta. 

Pessoas existem que afirmam não poder amar porque não compreendem o seu próximo, tendo dificuldade em aceitá-lo conforme é. A questão, no entanto, é mais sutil e deve ser formulada nos seguintes termos: porque não ama, torna-se difícil compreender, em razão dos caprichos egoísticos que dificultam a bondade em relação aos outros. 

Quando o amor se instala, a alegria de viver esplende como resultado da própria alegria de ser consciente. 

A alegria não é encontrada em mercados ou farmácias, mas nos recônditos do coração que sente e ama, favorecendo-lhe o surgimento como um contínuo amanhecer. Basta que se lhe ausculte a intimidade, e ei-la triunfante sobre a noite das preocupações. 

Em realidade, viver com alegria não impede a presença dos sofrimentos que fazem parte do processo da evolução. Pelo contrário, é exatamente por serem compreendidos como indispensáveis que proporcionam satisfações e bem-estar.

Sempre que possível expressa a tua alegria de viver.

*
Os sentimentos cultivados transformam-se em estímulos para as ações que se materializarão mais tarde. 

Se permites que a tristeza torne-se companheira frequente das tuas emoções, a melancolia em breve estará instalada nos teus sentimentos, tirando-te a beleza da existência. 

Se te apoias à queixa contumaz, a tua será uma conduta amargurada, fazendo-te indisposto e desagradável. 

Se optas pelo cultivo de ideais enobrecedores de qualquer natureza, o entusiasmo pela sua preservação fará dos teus dias um contínuo encantamento. 

Se tens o hábito de encontrar sempre o melhor, quase invisível ou imperceptível nos acontecimentos menos felizes, desfrutarás de esperança e de júbilos permanentes. 

A existência física não é uma viagem miraculosa ao país da fantasia, mas uma experiência de evolução assinalada por processos de refazimento, uns e outros de conquistas inevitáveis, que geram sofrimento porque têm a finalidade de desbastar os duros metais da ignorância e aquecer o inverno do primarismo... 

É natural, pois, que a dor seja companheira do viajante carnal. 

Quando jovem, tudo são expectativas, ansiedades, incertezas... 

Quando na idade madura, a colheita de reflexos da juventude propicia, quase sempre, insatisfações e desencantos. 

Quando na velhice, em face do desgaste, manifesta-se o aborrecimento pela perda da agilidade, da memória, da audição, da visão, da facilidade que era verdadeira bênção...

Sempre haverá motivo para reclamação, porque cada dia tem a sua própria quota de aflição, que deve ser aceita com bonomia e naturalidade. 

Com a alegria de viver instalada no imo, sempre haverá uma forma de encarar os acontecimentos, concedendo-lhes validade, e deles retirando a melhor parte, como afirmou Jesus, aquela que não lhe será tirada, porque represem conquista inalienável para a mente e para o coração. 

Adapta-te, desse modo, às ocorrências existenciais alegrando-te por estares no corpo, fruindo a oportunidade de corrigir equívocos, de realizar novos tentames, de manter convivências saudáveis, de enriquecimento incessante... 

A vida com alegria é, em si mesma, um hino de louvor a Deus. 

Não te permitas, portanto, a convivência emocional com as manifestações negativas do caminho por onde transitas.

Observa as margens do teu caminho e rega-as, mesmo que seja com suor e lágrimas, a fim de que as sementes do divino Amor que se encontram nelas sepultadas, germinem e transformem-se nas flores que adornarão a tua marcha ascensional. 

Liberta-te, mesmo que te seja exigido um grande esforço, das heranças primárias, filhas da agressividade, do inconformismo, dos impositivos egoístas que te elegem como especial no mundo, e considera que fazes parte da grande família terrestre, sujeito, como todos os demais, às injunções dos mecanismos da evolução. 

Alguém que cultiva a alegria de viver já possui um tesouro. Esparze-o onde te encontres e oferta-o a quem se te acerque, tornando mais belo o dia a dia de todos os seres com o sol do teu júbilo. 

Se já encontraste Jesus, melhor razão tens para a alegria, porque envolto na Luz do mundo, nenhuma sombra te ameaça, nem sequer qualquer transtorno de comportamento especialmente o depressivo... 

Serás, ao longo da vilegiatura carnal, o que te faças instante, conforme o és, resultado do que te fizeste. 

Alegra-te com a vida que desfrutas e agradece sempre a Deus a glória de saber e de amar para agir com acerco. 

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Vitória sobre a depressão

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 9 de abril de 2019

O trabalhador espírita

O trabalhador espírita

Joanna de Ângelis



Após o contato lúcido e consciente com o Espiritismo, o indivíduo compreende o sentido e o significado da sua existência na Terra. 

De imediato, começa a romper a carapaça do ego, descobrindo as formosas oportunidades de crescimento moral e espiritual, saindo das paisagens limítrofes das paixões inferiores e do seu cárcere, às vezes dourado, onde fixou domicílio. 

Os interesses anteriormente mantidos, aos quais dava uma relevância exagerada, lentamente passam a ceder lugar a outros mais profundos e libertadores, que o encantam, proporcionando-lhe entendimento a respeito da vida e do processo de evolução no qual se encontra situado. 

As ilusões e os campeonatos da fantasia deixam de ter prioridade na sua agenda de aspirações diárias, em face da compreensão de que é imortal, e todo o projeto orgânico tem por finalidade a superação dos vícios e das más inclinações, essas atávicas reminiscências do período primário por onde transitou. 

Uma alegria natural, feita de expectativas felizes, passa a dominar-lhe a casa mental, enriquecendo-a de aspirações em torno do belo, do nobre e do edificante. 

Nesse momento, descobre a arte e a ciência de servir, a que não se encontrava habituado, em razão das heranças passadas que o colocavam na postura enferma de querer sempre ser servido. 

Contempla com outros olhos a mole humana e descobre sofrimento onde antes via poder e prazer, identificando a imensa procissão das almas enfermas espiritualmente com todo tipo de carências: afetivas, morais, espirituais, que as levam ao desespero e à agressividade. 

Quanto mais se deixa penetrar pelo conhecimento da Doutrina renovadora, mais acentuados se fazem os sentimentos de amor e de solidariedade, estimulando-o a participar do banquete especial de cooperação em favor de melhores condições de vida e de diminuição das aflições vigentes. 

Descobre que no Centro Espírita encontra-se a sociedade miniaturizada, uma célula de relevante significado, e tudo quanto ali seja realizado estará contribuindo em favor do conjunto humano fora das paredes em que se hospeda. 

O Centro Espírita, na sua condição de escola de educação de almas, de hospital, de oficina e de santuário, no qual o amor se expande, passa a constituir-lhe o lugar ideal para aprender a servir, cooperando em favor da iluminação das consciências e da expansão do bem em toda a Terra. 

Esse treinamento beneficia-o no comportamento doméstico, tornando-o mais tolerante e afável, comunicativo e jovial, autorresponsável, descobrindo na família a excelente ocasião de crescimento íntimo, porque está informado que ali estão reencarnados Espíritos de que necessita para avançar e não seres angélicos para o seu banquete da felicidade. 

Lentamente, nesse indivíduo, nasce o trabalhador espírita. 

Compreendendo que a instituição que frequenta necessita de apoio e de atendimento, passa a ajudar em pequenas tarefas, aquelas que nem sempre são percebidas, treinando humildade e renúncia. 

Não aspira aos cargos de destaque, mas aos encargos indispensáveis à manutenção dos edificantes labores. 

Uma real transformação interior nele se opera. 

Conhecendo a Doutrina, mais facilmente informa-a aos novatos, àqueles que se apresentam por primeira vez na Casa buscando amparo e orientação, proporcionando-lhes um saudável entendimento dos postulados que a constituem. 

Transforma-se em servidor, procurando ser membro ativo e nunca, apenas observador passivo, que se serve sempre, sem o espírito de cooperação que dignifica o ser humano. 

Espiritizando-se, equipa-se dos instrumentos de amor e de compreensão, a fim de contribuir eficazmente em favor da sociedade melhor e mais feliz do futuro. 

No período em que o Cristianismo primitivo mantinha a pulcritude dos ensinamentos de Jesus, os núcleos onde se reuniam os discípulos do Senhor eram constituídos por esses trabalhadores dedicados e fiéis que se davam ao serviço da lídima fraternidade, ensinando pelo exemplo os insuperáveis conteúdos da Mensagem libertadora. 

O Espiritismo é a revivescência do Cristianismo na sua mais pura expressão, e assim sendo, não dispensa a contribuição valiosa do cooperador atento e dedicado, que se torna piloti humano de sustentação dos ensinamentos sublimes. Desse modo, candidata-te, onde te encontres, ao serviço do bem, na condição de trabalhador voluntário, esquecido das compensações terrestres e lembrado dos deveres que deves assumir em relação ao teu despertar de consciência espírita. 

Tudo quanto faças, que o faças com alegria, sem queixas, sempre feliz, de modo que todos aqueles que te recebam a presença levem algo de bom que lhes ofertes e jamais se olvidem do bem que lhes fizeste. 

Se fores convocado a posturas administrativas, aos serviços humildes de limpeza ou outros quaisquer, executa-os com o mesmo entusiasmo, sem selecionar quais aqueles que são importantes em relação aos secundários. Todos os labores têm alta relevância, porque o conjunto é sempre o resultado das diversas partes que proporcionam a harmonia. 

Convidado ao ministério da mediunidade, na condição de instrumento dos Espíritos, na área da consolação dos desencarnados, na aplicação de passes, na magnetização ou fluidificação da água, na condição de seu psicoterapeuta, na oratória, na elaboração de cursos e de programas, seja em que mister encontres lugar, trabalha com simplicidade e dedicação, tornando-te útil, de tal forma que, enquanto estejas reencarnado não seja notado o teu valor, mas depois da tua desencarnação sejas recordado com carinho pelo que fizeste, pelo que deixaste de ternura e de caridade... 

Toda essa sementeira de serviço irá converter-se numa ceifa de luz que te transformará em vitorioso sobre as tendências negativas e os atavismos infelizes.

*
Jesus é o exemplo do mais extraordinário servidor de que se tem notícia. 

Não bastasse toda a Sua vida de dedicação e renúncia, de ação afetiva contínua, antes de oferecer a vida na cruz, no momento da última refeição com os discípulos, lavou-lhes os pés, a fim de que tivessem algo com Ele, ensinando como se devem portar todos aqueles que se Lhe vinculam pelos fortes laços do amor. 

Servir, portanto, é a grande meta da existência de todo aquele que haure o calor e a luminosidade do Espiritismo. Mantém-te vigilante e serve sempre! 

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Vitória sobre a depressão

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sábado, 6 de abril de 2019

Necessidade da Autoiluminação

Necessidade da Autoiluminação

Joanna de Ângelis



Depois que o ser humano desenvolveu o intelecto e a razão deu-se conta que essas conquistas não lhe bastam à existência, porque não o preenchem interiormente.

No vazio existencial que o aturde, desenha-se-lhe a necessidade da autoiluminação, isto é, do autoencontro, da autorrealização.

Esse fenômeno é compreensível, porque a iluminação é o vir-a-ser, o encontro com a realidade, a plenificação íntima.

Confundida com manifestações extrafísicas, tem sido postergada por muitos candidatos, que receiam o envolvimento com a paranormalidade, com obrigações mediúnicas e outras que exigem esforços mentais e morais.

Certamente que a iluminação é um tentame de natureza espiritual convidando à conscientização em tomo da imortalidade.

Ela ocorre quando há uma predisposição psíquica, às vezes, também inesperadamente, qual sucedeu a Buda, a São Francisco e a milhares de outros, acontecendo, de igual maneira, quando o ser se encontra sob imensa emoção, conforme sucedeu com Saulo, ao ver Jesus às portas da cidade de Damasco, ou discretamente, no silêncio da mente e do coração.

Aquele que se ilumina, descobre a vida na sua grandiosidade e experimenta um ilimitado sentimento de compaixão acompanhado de gratidão a todos quantos o precederam, aos contemporâneos e àqueles que virão depois…

Essa fascinante experiência transcende as conquistas do intelecto, caracterizando o despertar do sonho convencional e monótono da vida física e das suas exigências, abrindo espaço íntimo rico de paz e de bem-estar.

Com ela rompe-se a dualidade do ser, na qual o ego e o self lutam pela primazia, conseguindo harmonizá-los em uma suave identificação de objetivos, em que não mais se combatem, porém se unem na mesma finalidade existencial.

É o exemplo das células que estão sempre ativas, mas que não trabalham exclusivamente para elas mesmas, senão para o conjunto orgânico, perpetuando-se na mitose até o momento da consumpção pela morte biológica.

Esse é o instante significativo da expansão do amor, que passa a movimentar-se além do estreito círculo do ego e do si mesmo, para servir à sociedade no seu conjunto, contribuindo com harmonia e bênçãos outras de solidariedade e bem-estar.

Com a iluminação adquire-se sabedoria, esse estágio que vai além do conhecer, alcançando o altiplano moral do ser, do encontrar-se no mundo com todos e não estar amordaçado nem aprisionado a ninguém.

Torna-se, aquele que se ilumina, mesmo que o não deseje, observador da própria consciência, dilatando-a e utilizando-a para a compaixão e o amor.

Transformando-se em conhecedor do que lhe sucede e acontece em volta, supera as paixões emocionais, os interesses egoístas e equilibra-se, qual se estivesse detendo a atenção em uma flor, na magia da sua realidade e do seu perfume, procurando entendê-la…

* * *

De alguma forma, a fim de que a iluminação ocorra, é necessário que seja alcançado o estado de inocência, a superação das suspeitas e dos vícios, a modificação de estruturas e de conceitos morais.

Não se trata da conquista de uma inocência qual a que existe nas crianças, que é ignorância a respeito das coisas, mas a anulação da malícia, das intenções dúbias e invejosas.

O sábio é inocente, bem diferente, no entanto, de uma criança, que ignora quem é, o que deverá fazer, por que se encontra na Terra…

À medida que cresce, perde essa inocência, enquanto que o sábio, quanto mais transcorre o tempo mais inocente, mais feliz, mais confiante se apresenta.

O ego torna-se diluído no ser profundo, e não existe nele tormento nem ansiedade.

Nesse estágio não teme o futuro, não sofre as recordações do passado, não se aflige com a chegada da velhice e muito menos com a perspectiva da morte.

A autoiluminação é também a mais eficaz maneira de compreender os outros, porque o indivíduo se conhece a si mesmo, após haver descoberto de onde veio, para onde vai e como alcançar o novo patamar da felicidade.

Quando a inteligência se torna capaz de alcançar um conhecimento mais elevado e poderoso do que aquele que é fruto da reflexão, o campo está preparado para a autoiluminação, que pode surgir como um relâmpago ou ser alcançada suave e delicadamente…

É imprescindível que se aplique todo o empenho para a conquista da autoiluminação, que se transforma na identificação da Verdade, na compreensão sobre Deus, em que o raciocínio cede lugar à intuição, à captação plena do Pensamento Cósmico.

O ser iluminado compreende que não se pertence e que todo o esforço em favor do próximo e do mundo no qual se encontra, faz parte da sua vida.

Quando Jesus disse que o reino dos Céus está dentro de nós, acenou com a possibilidade de que, a partir da autoiluminação, o indivíduo já penetrou nele e passa a fruí-lo.

A iluminação não tem limites, porque o seu campo de expansão é o infinito.

Graças a essa conquista, alcança-se um estágio mais elevado de compreensão que traduz de maneira incomum a beleza do existir e do evoluir.

Pode-se afirmar que a finalidade precípua da existência corporal é a conquista dessa admirável experiência.

Não se suponha tratar-se de algo inalcançável, que somente assim o é para quem se contenta com a existência sensualista, trabalhada nas paixões servis e nos prazeres entorpecentes dos órgãos sensoriais.

A autoiluminação rompe essa barreira impeditiva.

* * *

Desperto para a realidade da vida imortal, o candidato à iluminação interior avança trabalhando os sentimentos, desenvolvendo a compaixão pela vida e por todos os seres sencientes de forma que o amor domine as paisagens do coração.

Centraliza o teu pensamento em Jesus, e mesmo sem afastar-te dos deveres que te dizem respeito junto à família, à sociedade e ao próximo, trabalha-te na expectativa da autoiluminação.

Após experimentá-la, nada mais te perturbará, facultando-te entender o estado numinoso, de graça, de samadi, de reino dos Céus. 
Página psicografada na noite de  3 de junho de 2009, em Assis, Itália, em 15.09.2009.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Vitória sobre a depressão

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Vitória sobre a depressão

Vitória sobre a depressão 

Joanna de Ângelis



Vive a sociedade terrestre grave momento na área da saúde emocional e comportamental. 

Apresentando-se em caráter pandêmico, a depressão avassala os mais variados segmentos sociais, arrastando verdadeiras multidões ao terrível distúrbio de conduta. As grandiosas conquistas da inteligência ainda não lograram impedir a irrupção, em forma devastadora, desse transtorno que dizima incontáveis belas florações da cultura, da arte, da ciência, do pensamento, da inteligência e do sentimento. 

Contam-se, por milhões, nos países superpopulosos, aqueles que lhe padecem a injunção perversa. No entanto, nos redutos de pequena monta, igualmente se encontra insinuante e insensível, paralisando pessoas válidas que, de um para outro momento, são dominadas pelo terrível morbo, que lentamente as vence, empurrando-as para o desespero interior, o vazio existencial, e, não poucas vezes, para o suicídio. 

Apresentando-se como decorrência de problemas fisiológicos — hereditariedade, enfermidades infectocontagiosas e suas sequelas, golpes que produzem lesões cerebrais — como também de natureza psicológica — ansiedade, medo, solidão, angústias por perdas de diversas expressões — vem recebendo o melhor contributo da ciência e da tecnologia, sendo de difícil erradicação, pela facilidade com que se apresenta em recidiva constante, quando tudo parece harmônico e saudável. 

Desde o transtorno depressivo infantil ao juvenil, ao adulto e ao senil, manifesta-se, também, nas fases pré-parto, pós-parto, como igualmente psicoafetiva, sazonal, unipolar, bipolar, com as alternâncias de humor, não, poucas vezes, avançando para transtornos psicóticos mais graves com aflitivas alucinações... 

Pode-se afirmar que a depressão é ocorrência que se manifesta como um distúrbio do todo orgânico e resulta de problemas do quimismo neuronal, com a falta de alguns dos neuropeptídios ou neurocomunicadores responsáveis pela alegria, o bem-estar, o afeto, tais como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina... 

Aprofundando-se, porém, a sonda investigadora a respeito desse cruel distúrbio comportamental da área da afetividade, a doença se exterioriza em razão do doente, que é sempre o Espírito reencarnado em processo de reequilíbrio dos delitos anteriormente praticados. Desse modo, quase todas as terapêuticas da atualidade, contribuindo para o reajustamento das neurocomunicações, através dos medicamentos eficientes, assim como de incontáveis propostas de libertação do paciente, devem ter em vista a recomposição moral e espiritual do mesmo. Identificada, desde priscas épocas, com denominações variadas, como melancolia, psicose maníaco-depressiva, e mais recentemente como transtorno depressivo, no ocidente foi estudada mediante os recursos da época pelo eminente pai da Medicina, Hipócrates, sendo discutida por Galeno e muitos outros até a atualidade, permanecendo, no entanto, agressiva e dominadora, desafiando as conquistas da inteligência e do sentimento. 

A depressão é doença da alma, que se sente culpada, e, não poucas vezes, carrega esse sentimento no inconsciente, em decorrência de comportamentos infelizes praticados na esteira das reencarnações, devendo, em consequência, ser tratada no cerne da sua origem. 

Além de todos os fatores que a desencadeiam, ao Espiritismo coube a nobre tarefa de demonstrar que também existem outras causas, as de natureza espiritual, contribuindo para o surgimento e manutenção da problemática na área da saúde, que se traduzem como transtornos obsessivos de grave incidência. O Espírito é um viajor incansável da imensa estrada das reencarnações, avançando da treva para a luz, do instinto para a inteligência, e dessa para a razão, logo mais para a intuição, o seu comportamento esteve adstrito aos impositivos do primarismo por onde jornadeou longamente. 

Nessa trajetória, em que lhe faltava o real discernimento a respeito do Bem e do Mal, ou mesmo deles tomando conhecimento, os automatismos fisiológicos e psicológicos levaram-no ao comportamento egoístico e insensível, gerando situações de profundas perturbações, porque aos outros infelicitando, agora sente-se no dever de ressarcir os erros, de retificar condutas, de resgatar os males praticados, e o sofrimento é um dos admiráveis mecanismos oferecidos pela vida para esse fim. 

Porque, situando-se na mesma faixa de desenvolvimento afetivo, suas vitimas, que o não perdoaram, permanecendo na erraticidade e reencontrando-o, investem com fúria contra a sua paz, na desenfreada loucura da perseguição insana, em que também se comprometem, dando lugar aos lamentáveis processos de depressão por interferência obsessiva. 

Podemos mesmo asseverar que, na maioria dos trastornos depressivos, a causa apresenta-se como de natureza espiritual, ou após desencadeada pelos fenômenos orgânicos — psicológicos ou fisiológicos — torna-se mais complexa em razão da influência perniciosa dessas personalidades desencarnadas. 

Havendo constatado essa psicogênese respeitável, que facilita o diagnóstico da problemática, o Espiritismo também oferece o grande contributo terapêutico para a sua solução, tendo como base os ensinamentos de Jesus Cristo, o Médico por excelência, cuja vida é o mais belo poema de amor e sabedoria que a História conhece. 

Nesse particular, o Espiritismo apresenta o seu arsenal de socorros, como, de início, o esclarecimento do paciente, a fim de que adquira a consciência de responsabilidade, dispondo-se à recuperação a esforço pessoal, sem o mecanismo passadista de transferir para outrem o que ele deve realizar. 

Logo depois, o empenho para conseguir a própria transformação moral para melhor, no que irá contribuir para amainar o ódio, o ressentimento da(s) sua(s) vitima(s) de ontem que, sensibilizada(s) pela sua mudança de comportamento, resolverá(ão) por deixá-lo entregue à própria sorte... Em seguida, o hábito saudável da oração, dos bons pensamentos através de leituras edificantes, dos diálogos que enriquecem o ser interior, da fluidoterapia — passes, água fluidificada, desobsessão sem a sua presença...

O Senhor da vida não é insensível cobrador de crimes, mas Pai Generoso que sempre oferece oportunidade ao calceta, a fim de que se reabilite e seja feliz.

A saúde é, portanto, o estado ideal do espírito que se descobriu a si mesmo e se identifica com o Cosmo, nele inserido em clima de harmonia.

Mansão do Caminho, Salvador, 05 de janeiro de 20.10. 
Prefácio do livro: Vitória sobre a depressão de Joanna de Ângelis por Divaldo Franco.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Vitória sobre a depressão

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Provações Abençoadas

Provações Abençoadas

Joanna de Ângelis



Excluindo-se as expiações pungitivas e indispensáveis ao reequilíbrio espiritual, as provações constituem abençoado elenco de experiências iluminativas, graças às quais é possível uma existência digna, avançando no rumo da felicidade.

Normalmente, durante o seu transcurso ocorrem fenômenos de dor e de sombra ajustados ao programa de recuperação moral do ser equivocado ou rebelde.

A dor sempre acerca-se-lhe benfazeja e opera-lhe as transformações interiores que o capacitam a melhor discernir para agir entre o bem e o mal, o correto e o danoso, amadurecendo-o psicologicamente para novos e oportunos empreendimentos libertadores.

O curso existencial é rico de alegrias e de descobrimentos dos tesouros da vida, que proporcionam beleza e motivações múltiplas para os contínuos tentames.

Vez que outra apresentam-se as provações que podem ser consideradas como testes de avaliação do desenvolvimento intelecto-moral, como técnica pedagógica para fixar a aprendizagem, como recurso de promoção para estágio superior.

Bem recebidos esses contributos da evolução, o Espírito enrijece-se nas lutas, adquirindo resistência para os enfrentamentos com as tendências inferiores que periodicamente ressumam do inconsciente, herança poderosa que são do passado, e que necessitam ser liberadas sem qualquer prejuízo.

O hábito, porém, do bem-estar e o natural anelo pelo prazer, assinalam esses momentos de aflição de maneira tão profunda, que passam a ser evocados com maior facilidade do que todo aquele arsenal de alegrias e preciosas conquistas.

Muitos indivíduos desassisados vivem a remoer mentalmente os acontecimentos afligentes, a comentá-los com tanta frequência que dão a impressão de haver sido a sua caminhada uma via crucis sem trégua.

Detêm-se em relatórios amargos dos momentos difíceis, como se fossem anjos perseguidos em sua imácula pureza, num atestado de rebeldia e ingratidão para com o Pai Soberano que os favoreceu com preciosos recursos capazes de anular aqueles pequenos incidentes, aliás, necessários ao processo de autoidentificação e de vinculação de segurança com a Vida.

São tantas as concessões de paz e de saúde, de inteligência e de arte, de pensamento e de trabalho, de convivência agradável com as demais pessoas, que praticamente desaparecem as ocorrências que foram penosas enquanto duraram, deixando benefícios incalculáveis.

Essa postura raia, às vezes, à condição patológica de masoquismo, em face do prazer mórbido de privilegiá-las em detrimento das ocorrências felizes e favorecedoras de alegria.

Esse, sem dúvida, é um comportamento injustificável quando se trata de um cristão em particular ou de um espiritista em especial, por conhecerem ambos as razões morais que desencadeiam tais acontecimentos.

Uma atitude lúcida deve oferecer ao indivíduo o sentimento de gratidão pela ocorrência do sofrimento, chegando até mesmo a amá-lo, em razão dos benefícios que proporciona.

* * *

A admirável senhora Helen Keler, embora cega, surda e muda, viveu em constante alegria, tomando-se uma semeadora de esperança e de bom humor para milhões de outros seres atormentados nas suas expiações retificadoras, havendo dedicado a existência a encorajar o próximo através de memoráveis discursos e livros formosos.

Louis Braille, igualmente padecendo de cegueira, transformou os seus limites em bênção para os companheiros invidentes, criando o alfabeto para o tato, de resultados surpreendentes, que hoje lhe guarda o nome.

Beethoven, em surdez total, utilizou-se do silêncio profundo para compor as últimas sinfonias da sua existência e, particularmente, a 9ª, a coral, considerada como um verdadeiro coroamento da sua obra.

Vicente Van Gogh atormentado pela esquizofrenia, cuja existência foi um fracasso, conseguiu, no entanto, pintar com esmero e realismo, refletindo o seu estado interior. . .

O Aleijadinho, apesar da injunção perversa da hanseníase, transformou pedras em estátuas deslumbrantes, pintando com maestria e tomando-se um artista incomum...

Apesar da tuberculose que o consumia, Louis Pasteur prosseguiu nas suas investigações em tomo dos micróbios, oferecendo incalculáveis benefícios à saúde da humanidade...

Ninguém atravessa os caminhos humanos isento dos sofrimentos que fazem parte da própria constituição orgânica em face do desgaste a que está sujeita, dos conflitos psicológicos, resultados das vivências passadas, das contaminações que produzem enfermidades, das injunções defluentes da vida na Terra, planeta de provas e de expiações e não paraíso por enquanto...

Mulheres e homens valorosos que foram enviados à Terra com limitações e impedimentos quase superlativos, demonstraram a grandeza de que eram portadores, transformando a existência em um hino de alegria, tomando-se missionários do amor e da ciência, da tecnologia, da arte, da fé religiosa, estimulando o progresso e trabalhando em seu beneficio.

Possuidor de mil recursos preciosos, o indivíduo não tem porque queixar-se das dificuldades que o promovem quando enfrentadas com sabedoria e superadas, dando-lhe dignidade e elevação moral.

As provações devem ser abençoadas por aqueles que as experimentam, porque nada acontece que não tenha razões poderosas para a sua ocorrência, e, naquilo que se refere ao sofrimento, é claro que tem ele o papel de educador rigoroso, porém, gentil, indispensável ao crescimento espiritual dos seres humanos.

* * *

Reflexiona, quando nas tuas dores, as ocorrências da vida de Jesus, e compreenderás que Ele, sem culpa, lição viva de amor e de abnegação, experimentou agressões e escárnio, apedrejamento e coroa de espinhos, calúnias e perseguições, culminando na cruz da desonra, sem qualquer reclamação...

Naturalmente que Ele não padeceu enfermidades, conflitos e ansiedades porque era puro, jamais havendo-se comprometido com o erro e com o crime, o que é diferente dos habitantes do planeta terrestre que procedem das sombras da ignorância e do primarismo, avançando no rumo da luz imarcescível.

Abençoa, pois, as tuas provações, e sê feliz em todos os momentos da tua vida.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco
Página psicografada na manhã do dia 1º de Junho de 2009, em Zurique, Suíça.

Posteriormente publicada no livro:
Vitória sobre a Depressão


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