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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

No campo da mediunidade

No campo da mediunidade

André Luiz


O cérebro físico é aparelho de complicada estrutura. Constitui-se de células emissoras e receptoras, que servem nos mais diversos centros mentais, reguladores da vida orgânica. Imantam-se, dentro dele, poderosas correntes magnéticas, a flutuarem sobre o líquido cérebro-espinhal, como a engrenagem de um motor em óleo adequado, produzindo vibrações elétricas com a frequência de dez a vinte por segundo. Daí parte infinidade de ordens, endereçadas ao sistema nervoso, ao aparelhamento endocrínico e aos órgãos diversos.

O cérebro, porém, tal qual é conhecido na Terra, representa a parte visível do centro perispirital da mente, ainda imponderável à ciência comum, no qual se processa a elaboração do pensamento, que escapa à conceituação humana.

Referimo-nos a semelhante quadro para comentar a necessidade da cooperação do servidor mediúnico, ao intercâmbio entre os dois planos, visível e invisível. A tese do animismo, não obstante respeitável, pelas excelentes intenções que a inspiraram, muita vez desencoraja os companheiros, chamados a testemunhos de serviço, no ministério da verdade e do bem. Os investigadores rigoristas não favorecem o esforço dos médiuns bem intencionados; na maioria da ocasiões destroem-lhes os germes de boa vontade e realização, com as suas exigências particularistas, no capítulo da minudência, da gramática, da adivinhação.

A organização mediúnica, entretanto, como as demais edificações elevadas, não se improvisa, no caminho da vida. E o médium não é uma inteligência ou um consciência anuladas nas exteriorizações fenomênicas da comunicação entre as duas esferas. Ainda no chamado sonambulismo puro, no transe completo e nas hipnoses mais profundas, a colaboração dele será manifesta e indispensável. A energia da usina longínquo precisa do filamento da lâmpada, em que se manifesta, produzindo luz e calor. O artista, para arrancar a melodia perfeita, necessita de cordas afinadas firmes no violino que lhe empresta o concurso na demonstração musical.

A mensagem do cantor ou do político requer o aparelho de recepção para ser ouvida à distância. Exige a lâmpada características especializadas na fabricação, o violino requisita grande experiência e cuidado de manufatura e o receptor radiofônico pede extensa cópia de material elétrico para atender à finalidade que lhe é própria.

Se em semelhantes serviços de transmissão, à base de matéria comum, há imperativos de técnicos e organização, como improvisar um mecanismo mediúnico, no qual a base de matéria viva associada a elementos espirituais, ainda imponderáveis à ciência humana, exige a construção da vontade com os valores da cooperação?

Edificar a mediunidade constitui uma obra digna do esforço aliado à perseverança no espaço e no tempo.

Um habitante de esfera diferente necessita valer-se dos recursos que lhe oferece o cooperador identificado com o círculo, onde pretende fazer-se sentir. Trata-se de imposição vulgar nas próprias relações entre países terrestres, de cultura diversa. O brasileiro que precise conduzir certa mensagem à Inglaterra, desprovido de contato anterior com a vida britânica, de modo algum dispensará o intérprete e esse intermediário para cumprir a tarefa deve preparar-se devidamente.

Adaptar-se uma entidade desencarnada ao cérebro, ao sistema nervoso e aos núcleos glandulares do companheiro encarnado, ajustando peças biológicas e eliminando resistências celulares, sem nos referirmos aos processos mentais, inacessíveis à compreensão atual dos fenômenos, não é operação matemática que se efetue através dos cálculos de alguns instantes. É organização paciente, requisitando muito concurso e devotamento por parte dos amigos em serviço na Crosta Planetária.

E, assim afirmando, convidamos os colaboradores sinceros do Espiritismo Evangélico a dedicarem maior atenção à chamada mediunidade consciente, dentro da qual o intermediário é compelido a guardar suas verdadeiras noções de responsabilidade no dever a cumprir.

Cultive cada trabalhador o seu campo de meditação, educando a mente indisciplinada e enriquecendo os seus próprios valores, nos domínios do conhecimento, multiplicando as afinidades com a esfera superior e observará a extensão dos tesouros de serviço que poderá movimentar a benefício de seus irmãos e de si mesmo. Sobretudo ninguém se engane relativamente ao mecanismo absoluto em matéria de mediunidade. Todo intérprete da espiritualidade, consciente ou não, no decurso dos processos psíquicos, é obrigado a cooperar, fornecendo alguma coisa de si próprio, segundo as características que lhes são peculiares, porquanto se existem faculdades semelhante, não encontramos duas mediunidades absolutamente iguais.

Lembremo-nos de que não nos achamos empenhados em edificações exteriores, onde a forma deva sacrificar a essência e onde a letra asfixie o espírito, e sim na construção de um mundo melhor, nos círculos de experiência para a vida eterna.

Guarde cada colaborador do Espiritismo Cristão a consciência, a responsabilidade e o espírito de serviço, à maneira de riquezas celestes que é necessário valorizar e multiplicar. Não nos esqueçamos de que, segundo a profecia, através dos canais mediúnicos, o Senhor está derramando a sua luz sobre a carne,
mas que é preciso purificar o vaso carnal e enriquecer a mente, a fim de que o homem terrestre seja, de fato, o intérprete fiel da divina luz.

André Luiz por Chico Xavier do livro:
Coletânea do Além / Espíritos Diversos

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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Pátria do Evangelho

Pátria do Evangelho

Emmanuel



Como as individualidades, também as pátrias surgem no vasto cenário das civilizações, com funções definidas, no concerto dos povos e assim como o homem isolado possui uma zona de liberdade de ação, na teia de circunstância da vida coletiva, também às nações é conferido, do Alto, o direito de agir, no caminho das decisões de natureza coletiva, no âmbito de serviços que lhes compete desempenhar na grandiosa oficina da evolução humana.

A história é a bíblia sagrada dessas noções de direitos e deveres isolados dos povos, objetivando-se a construção do progresso universal.

Enquanto os israelitas organizavam as luzes religiosas para o futuro do mundo, os fenícios erguiam as bases econômicas dos fenômenos da troca para a subsistência da vida material. Enquanto os gregos pescavam as pérolas da filosofia, no oceano imenso de suas atividades espirituais, os romanos preparavam os princípios de direito para a vida prática.

Cada pátria é uma colmeia de trabalhadores fabricando o mel de sabedoria da existência, nos esforços purificadores e dolorosos, a caminho da absoluta união de toda a família universal.

Com o advento do Cristo, há dois mil anos, felicitavam-se os horizontes do planeta, com um roteiro novo e definitivo. O Evangelho, com a simplificação de todas as estradas das criaturas humanas, na humildade e no amor, buscou identificar os labores de todos os povos entre si, mas a civilização ocidental não soube guardar as valorosas virtudes de seus antepassados.

Um véu de sombras procurou perpetuar a ignorância no coração da humanidade sofredora.

Novas missões coletivas foram dadas às nacionalidades do globo que, abusando da sua linha de emancipação e liberdade, em considerável maioria, se entregaram à sinistra embriaguez do imperialismo e da ambição, fazendo jus às mais dolorosas expiações, quais as que se verificam, desde muito, na totalidade dos países europeus.

Mas o relógio da evolução universal não pode estacionar, em face da defecção dos homens. A hora do Cristo há de soar, no momento oportuno. É por isso que, multiplicando-se em atividades, o mundo espiritual, sob a determinação augusta do Divino Mestre, transplantou para a América a árvore maravilhosa da fraternidade e da paz, a cuja sombra cariciosa e divina, vamos encontrar o Brasil, sob a luz do Cruzeiro, desempenhando a tarefa significadora de Pátria do Evangelho.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Coletânea do Além / Espíritos Diversos

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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A manjedoura

A manjedoura

Emmanuel



As comemorações do Natal conduzem-nos o entendimento à eterna lição de humildade de Jesus, no momento preciso em que a sua mensagem de amor felicitou o coração das criaturas, fazendo-nos sentir, ainda, o sabor de atualidade dos seus divinos ensinamentos.

A Manjedoura foi o Caminho.

A exemplificação era a Verdade.

O Calvário constituía a Vida.

Sem o Caminho, o homem terrestre não atingirá os tesouros da Verdade e da Vida.

É por isso que, emaranhados no cipoal da ambição menos digna, os povos modernos, perdendo o roteiro da simplicidade cristã, desgarra-se da estrada que os conduziria à evolução definitiva, com o Evangelho do Senhor. Sem ele, que constitui o transunto de todas as ciências espirituais, perderam-se as criaturas humanas, nos desfiladeiros escabrosos da impiedade.

Debalde, invoca-se o prestígio das religiões numerosas, que se afastaram da Religião Única, que é a Verdade ou a Exemplificação com o Cristo.

Com as doutrinas da Índia, mesmo no seio de suas filosofias mais avançadas, vemos os parias miseráveis morrendo de fome, à porta suntuosa dos pagodes de ouro das castas privilegiadas.

Com o Budismo e com o Xintoísmo, temos o Japão e a China mergulhados num oceano de metralha e de sangue.

Com o Alcorão e com o judaísmo, temos as nefandas disputas da Palestina.

Com o catolicismo, que mais de perto deveria representar o pensamento evangélico, na civilização ocidental, vemos basílicas suntuosas e frias, onde já se extinguiram quase todas as luzes da fé. Aí dentro, com os requintes da ciência sem consciência e do raciocínio sem coração, assistimos as guerras absurdas da conquista pela força, identificamos o veneno das doutrinas extremistas e perversoras, verificamos a onda pesada de sangue fratricida, nas revoluções injustificáveis, e anotamos a revivescência das perseguições inquisitórias da Idade Média, com as mais sombrias perspectivas de destruição.

Um sopro de morte atira ao mundo atual supremo cartel de desafio.

Não obstante o progresso material sente a alma humana que sinistros vaticínios lhe pesam sobre a fronte. É que a tempestade de amargura na dolorosa transição do momento significa que o homem se mantém muito distante da Verdade e da Vida.

As lembranças do Natal, porém, na sua simplicidade, indicam à Terra o caminho da Manjedoura... Sem ele, os povos do mundo não alcançarão as fontes regeneradoras da fraternidade e da paz. Sem ele, tudo serão perturbação e sofrimento nas almas, presas no turbilhão das trevas angustiosas, porque essa estrada providencial para os corações humanos é ainda o Caminho esquecido da Humildade.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Mensagem

Mensagem

Veneranda


Cena do filme Nosso Lar com Veneranda, interpretada pela atriz Lu Grimaldi.

Bem-aventurados os que removem espinheiros, os que adubam terrenos ásperos, os que lavram o campo alegremente e semeiam nas leiras férteis partindo para a frente, entregando os resultados ao Senhor da Vinha!

Bem-aventurados os que se alimentam com o pão do espírito de serviço!

Bem-aventurados os que edificam as sendas do próximo, sem que o próximo lhes conheça a generosidade! Inflamemo-nos, ainda e sempre, no ideal de servir com o Senhor.

De muito pouca utilidade seria nossa adoração a Jesus, se não a convertêssemos em atividade laboriosa e fecunda, em benefício de nossos irmãos. Em todos os lugares, muitos ensinam com as palavras, entretanto, raros atendem ao espírito eterno.

Nos mais variados caminhos, a fome de esperança invade as almas sem rumo...

E as nossas experiências seculares representam dias de marcha na divina jornada para Deus! A todo instante, viajores incautos reclamam roteiros. Suplicam socorro os famintos, os sedentos, os imprudentes que gastaram sem propósito edificante os patrimônios sagrados. De quando em quando, surgem aqueles que lhes podem atender as rogativas, mas os donos transitórios do pão humano e os senhores dos roteiros intelectuais cobram a colaboração a dobrados preços de ouro. E, na maioria das vezes, a miragem surpreende os viajantes infelizes. Disfarçam-se misérias, dores e aflições, na convenção de mentirosos trajes.

É necessário que apareçam os semeadores do bem e os Samaritanos da fraternidade corajosos no sacrifício pelo desacordo com o mundo inferior e habilitados à cruz da redenção, suportando, com valor, o peso das responsabilidades tremendas, embora sintam, em torno, a crítica mordente e a ironia venenosa.

Compreendemos, portanto, a tarefa dos que se propõem às verdades divinas. Percorrendo os mesmos caminhos do Mestre, conhecerão imensas lutas, incompreensões ásperas e paisagens dolorosas... Todavia, o que repartem pela cooperação ser-lhes-á restituído em bênçãos, o que fornecem pelo conforto e esperança, receberão em energias, o que espalham pela fé ser-lhes-á devolvido em verdadeira e leal dedicação dos mensageiros da Divindade. Nos círculos mais baixos, trabalhos sacrificais e testemunhos angustiosos, mas, na esfera superior, realizações e forças novas; entre os homens ignorantes, espinhos e pedradas, entre os Espíritos Esclarecidos, a fé, a sabedoria e a experiência; nas ansiedades terrestres, desilusões e renovações, mas, na realidade celeste, edificação e eternidade.

Somos a corrente de trabalhadores d’Aquele que, até hoje, nos ensina constantemente a servir. Necessitamos, nós outros, de ruídos e palavras. Ele, porém, nos ajuda em silêncio. Sofremos e lutamos. Ele aperfeiçoa sempre. Por vezes a perturbação nos assedia o espírito. Ele, porém, é a Paz e a Harmonia Invioláveis.

Irmãos nossos muito amados, Jesus é o nosso Orientador Supremo.

Felizes de vós, toda vez que banhardes o coração nas águas cristalinas do Evangelho da Redenção. Edificante ser-vos-á a experiência humana, proveitosas ser-vos-ão as lutas, santificadoras as alegrias, abençoadas as dores, sublimes as renunciações, benfazeja a mão do tempo o doce ser-vos-á o despertar!

Unamo-nos, pois, em torno do Senhor e, cumprindo-Lhe a divina vontade, louvemos o Seu nome para sempre!

Veneranda por Chico Xavier do livro:
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terça-feira, 10 de maio de 2022

A lição da cancela

A lição da cancela

João de Deus



Enquanto brincava Alberto
Junto aos bancos do portal,
O touro bravio e forte
Avançou para o quintal.

O pequeno quis correr
Tentando defesa incerta,
Mas o touro atravessara
A grande cancela aberta.

Canteiros e vasos lindos,
Floridos e bem cuidados,
No curso de alguns momentos
Jaziam espatifados.

Alberto não resistiu
Ver a sanha do animal.
E, em pranto de desespero,
Busca a saia maternal.

Dona Gertrudes, porem
Que via, aflita, o jardim,
Num gesto de proteção
Toma o filho e diz-lhe assim:

Vês, Alberto, as nossas flores
Tombando, desprotegidas?
Sob os olhos, temos hoje
O quadro de nossas vidas.

Recorda, filho, que o touro,
Em força desesperada,
Penetrou-nos o jardim
Pela porta descuidada.

Notaste, neste desastre,
A lição que é forte e bela?
O touro nunca entraria
Se guardasses a cancela.

E, ao passo que o pequenino
Ouviu com atenção,
A mãezinha concluía
A doce observação.

Quem deseje conservar
As luzes do sentimento
Necessita resguardar
A porta do pensamento.

Em nossa estrada, meu filho..
Há monstros destruidores.
Defendamos a cancela
Que protege nossas flores.

João de Deus por Chico Xavier do livro:
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quinta-feira, 29 de abril de 2021

O tempo

O tempo

André Luiz



Todas as criaturas gozam o tempo – raras aproveitam-no.

Corre a oportunidade – espalhando bênçãos.

Arrasta-se o homem – estragando as dádivas recebidas.

Cada dia é um país – de vinte e quatro províncias.

Cada hora é uma província – de sessenta unidades.

O homem, contudo, é o semeador – que não despertou ainda.

Distraído cultivador, pergunta: "que farei?"

E o tempo silencioso responde, com ensejos benditos:

De servir – ganhando autoridade.

De obedecer – conquistando o mundo.

De lutar – escalando os céus.

O homem, todavia, - voluntariamente cego.

Roga sempre mais tempo – para zombar a vida,

Porque se obedece – revolta-se orgulhoso,

Se sofre – injúria e blasfema,

Se chamado a conta – lavra reclamações descabidas.

Cientistas – fogem da verdadeira ciência.

Filósofos – ausentam-se dos próprios ensinos.

Religiosos – negam a religião.

Administradores – retiram-se da responsabilidade.

Médicos – subtraem-se à medicina.

Literatos – furtam-se à divina verdade.

Estadistas – centralizam a dominação.

Servidores do povo – buscam interesses privados.

Lavradores – abandonam a terra.

Trabalhadores – escapam do serviço.

Gozadores temporários – entronizam ilusões.

Ao invés de suar no trabalho – apanham borboletas da fantasia.

Desfrutam a existência – assassinando-a em si próprios.

Possuem os bens da Terra – acabando possuídos.

Reclamam liberdade – submetendo-se à escravidão.

Mas chega, um dia – porque há sempre um dia mais claro que os outros,

Em que a morte surge – reclamando trapos velhos...

O tempo recolhe, então, apressado – as oportunidades que pareciam sem fim...

E o homem reconhece – tardiamente preocupado,

Que a Eternidade infinita – pede contas do minuto...

André Luiz por Chico Xavier do livro:
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domingo, 11 de outubro de 2020

Provérbios antigos

Provérbios antigos

Casemiro Cunha


Casemiro Cunha e Chico Xavier

Trabalha, atendendo a Deus,
Seja inverno ou primavera,
Recorda que o dia findo
Nunca mais se recupera.

Desconfia da bondade
De todo e qualquer irmão,
Que passa o dia a queixar-se
De espinhos da ingratidão.

Equilibra-te na estrada.
Não guardes excesso algum,
O lobo farto, igualmente,
No outro dia faz jejum.

Entende, primeiramente,
O que diga o companheiro,
Escuta silencioso
E fala por derradeiro.

Entre os servos de Jesus
Que sabem honrar seus brios,
Jamais há necessidade
De lisonjas e elogios.

O excesso de solidão.
Nas lutas da humanidade,
Pode ser muita virtude
Ou muita perversidade.

Não te esqueças que, entre os maus,
Enquanto há passas e figos,
Terás sempre, em derredor,
Bons vinhos e bons amigos.

Não te queixes contra a sorte,
No serviço edificante.
Não existe boa terra
Sem lavrador vigilante.

Enfrenta a luta sem medo...
Há muito pobre mortal
Que foge à fumaça negra
E cai no fogo infernal.

Guarda a língua no caminho
Usando a misericórdia...
O silêncio da humildade
Acende a luz da concórdia.

Aprende a ser venturoso
Com teus préstimos e dons.
Nem todos podem ser grandes
Mas todos podem ser bons.

Procede zelosamente
Na imitação de Jesus.
O demônio, muitas vezes,
Esconde-se atrás da cruz.

Casemiro Cunha por Chico Xavier do livro:
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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Lembrança fraternal aos enfermos

Lembrança fraternal aos enfermos

Emmanuel



Queres o restabelecimento da saúde do corpo e isso é justo.

Mas atende ao que te lembra um amigo que já se vestiu de vários corpos e compreendeu, depois de longas lutas, a necessidade da saúde espiritual.

A tarefa humana já representa, por si, uma oportunidade de reerguimento aos espíritos enfermos. Lembra-te, pois, que tua alma está doente e precisa curar-se sob os cuidados de Jesus, o nosso Grande Médico.

Nunca pensaste que o Evangelho é uma receita geral para a humanidade sofredora?

É muito importante combater as moléstias do corpo; mas, ninguém conseguirá eliminar os efeitos quando as causas permanecem.

Usa os remédios humanos, porém, inclina-te para Jesus e renova-te, espiritualmente, nas lições de Seu amor. Recorda que Lázaro, não obstante voltar do sepulcro, em sua carne, pela poderosa influência do Cristo, teve de entregar seu corpo ao túmulo, mais tarde. O Mestre chamava-o a novo ensejo de iluminação da alma imperecível, mas não ao absurdo privilégio da carne imutável.

Não somos as células orgânicas que se agrupam, a nosso serviço, quando necessitamos da experiência terrestre. Somos espíritos imortais e esses micro-organismos são naturalmente intoxicados, quando os viciamos ou aviltamos, em nossa condição de rebeldia ou de inferioridade.

Os estados mórbidos são reflexos ou resultantes de nossa vibrações mais íntimas.

Não trates a doença com pavor e desequilíbrio das emoções. Cada uma tem sua linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades especiais.

A hepatite, a indigestão, a gastralgia, o resfriado, são ótimos avisos contra o abuso e a indiferença. Por que preferes bebidas excitantes, quando sabes que a água é a boa companheira, que lava os piores detritos humanos? Por que o excesso dos frios no verão e a demasia de calor nos tempos de inverno? Acaso ignoras que o equilíbrio é filho da sobriedade? O próprio irracional tem uma lição de simples impulso, satisfazendo-se com a sombra das árvores na secura do estio e com a benção do sol nas manhãs hibernais. Pela tua inconformação e indisciplina, desordenas o fígado, estraga os órgãos respiratórios, aborreces o estômago. Observamos, assim, que essas doenças avisos se verificam por causas de ordem moral. Quando as advertências não prevalecem, surgem as úlceras, as congestões, as nefrites, os reumatismos, as obstruções, as enxaquecas. Por não se conformar o homem, com os desígnios do Pai que criou as leis da natureza como regulamentos naturais para sua casa terrestre, submete as células que o servem ao desregramento, velha causa de nossas ruínas.

E que dizermos da sífilis e do alcoolismo procurados além do próprio abuso?

Entretanto, no capítulo das enfermidades que buscam a criatura, necessitamos considerar que cada uma tem sua função justa e definida.

As moléstias dificilmente curáveis, como a tuberculose, a lepra, a cegueira, a paralisia, a loucura, o câncer, são escoadouros das imperfeições. A epidemia é uma provação coletiva, sem que essa afirmativa, no entanto, dispense o homem do esforço para o saneamento e higiene de sua habitação. Há dores íntimas, ocultas ao público, que são aguilhões salvadores para a existência inteira. As enfermidades oriundas dos acidentes imprevistos são resgates justos. Os aleijões são parte integrante das tabelas expiatórias. A moléstia hereditária assinala a luta merecida.

Vemos, portanto, que a doença, quando não seja a advertência das células queixosas do tirânico senhor que a domina, é a mensageira amiga convidando a meditações necessárias.

Desejas a cura; é natural; mas precisas tratar-te a ti mesmo pra que possas remediar ao teu corpo. Nos pensamentos ansiosos, recorre ao exemplo de Jesus. Não nos consta que o Mestre estivesse algum dia de cama; todavia, sabemos que ele esteve na cruz. Obedece, pois a Deus e não te rebele contra os aguilhões. Socorre-te do médico do mundo ou de teu irmão do plano espiritual, mas não exijas milagres, que esses benfeitores da Terra e do céu não podem fazer. Só Deus te pode dar acréscimo de misericórdia, quando te esforçares por compreendê-lo.

Não deixes de atender às necessidades de teus órgãos materiais que constituem a tua vestimenta no mundo; mas, lembra-te do problema fundamental que é a posse da saúde para a vida eterna. Cumpre teus deveres, repara como te alimentas, busca prever antes de remediar e, pelas muitas experiências dolorosas que já vivi no mundo terrestre, recorda comigo aquelas sábias palavras do Senhor ao paralítico de Jerusalém:
... - “Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.”

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Coletânea do Além / Espíritos Diversos

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