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domingo, 25 de setembro de 2022

Dor

Dor

Anthero de Quental



Vi a dor caminhando em negra estrada,
Qual megera da sombra, em noite escura,
E perguntei, rolado de amargura:
"Por que nasceste, bruxa desvairada?"

"Por que ostentas a espada estranha e dura,
Sobre o seio da vida atormentada,
Reduzindo à miséria, cinza e nada
Todo o sonho da paz e da ventura?"

Mas a Dor respondeu: "Cala-te, amigo!
Na torturada senda em que prossigo,
O veneno do mal morre infecundo.

Sem meu gládio que salva, pouco a pouco
O homem padeceria cego e louco
Em tenebrosos cárceres do mundo!"

 Anthero de Quental por Chico Xavier do livro:
Assembleia de Luz

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Romance

Romance

Anthero de Quental


Chico Xavier e Anthero de Quental

Disse a Vaidade ao Homem: - “Goza o dia!
A Morte é cinza e nada, eternamente!...”
Mas disse a Fé: - “Trabalha, humilde e crente!
No sepulcro a Verdade principia...”

O Homem, porém, colado à Fantasia,
Aliou-se à vaidade impenitente.
E oprimiu e gozou, buscando à frente,
A mentira do Orgulho que o seguia.

Mais tarde, veio a Dor e disse: - “Escuta!”
O Homem, contudo, abriu-lhe fogo e luta,
Recusando-lhe a voz serena e forte...

Mas a Dor abraçou-lhe o sonho e a vida.
E o rei da sombra, de alma consumida,
Desceu, chorando, aos cárceres da morte...

Anthero de Quental por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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domingo, 12 de maio de 2019

Mãe

Mãe

Anthero de Quental



Disse o Inferno à alma triste, em sombra densa,
Que no Além pervagava, em noite escura: –
-“Eu sou a grande e eterna desventura
que recebes por dura recompensa ”.

E disse a Dor: - “Em minha treva imensa,
Sorverás o teu cálice de amargura...
Sou chama imperecível de tortura
Que vergasta com fria indiferença!...”.

Mas terna e doce voz clamou da Terra: -
-“Eu sou o Amor Divino que não erra
Vem a mim, alma pobre e desvalida!...”

E o Coração Materno, em riso e pranto,
Abriu-lhe o seio dadivoso e santo
E deu-lhe novamente a luz da vida.
Nota: Importância da maternidade definida pelo Espírito de Anthero de Quental, em reunião pública do Centro Espírita Oriente, em Belo Horizonte, Minas, em soneto psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, na noite de 14 de maio de 1950, depois de significativa conferência, alusiva ao assunto, pronunciada pelo Professor Clóvis Tavares, residente em Campos, Estado do Rio.

Anthero de Quental por Chico Xavier do livro:
Encontros no tempo

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sábado, 16 de setembro de 2017

Frágil rei

Frágil rei

Anthero de Quental



Disse a Vaidade ao Homem: - “Não te dobres!
Reges a Terra e a vastidão divina...”
E o Orgulho ajuntou: - “Vence e domina,
Humilhando os mais fracos e mais pobres.”

Disse o Egoísmo: - “A paz em te encobres
Provém da bolsa que não desatina.
Cerra teu cofre e esquece a vã doutrina
Que elege os bons e os tolos por mais nobres”.

O Homem riu-se e reinou... Mas, veio um dia
Em que a dor invisível, muda e fria,
Mirou-lhe as torres do castelo forte...

E o frágil rei, fugindo ao falso gozo,
Desceu triste, cansado e desditoso
Para o vale de lágrimas da Morte.

Anthero de Quental por Chico Xavier do livro:
Nosso Livro / Espíritos diversos

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