segunda-feira, 14 de setembro de 2026

No curso da vida

No curso da vida

André Luiz


Imagem gerada por IA.

- Exemplifique o bem desinteressado.

Os nossos atos demonstram a proximidade ou a distância em que vivemos da Lei Divina.

- Viva com alegria.
O presente já faz parte de nossa vida imortal.

- Pondere cada atitude.
Tanto é difícil saber fazer quanto saber não fazer.

- Evite o isolamento sistemático.
Somos peças integrantes do ambiente em que existimos.

- Entenda a função da posse efêmera.
Nem a riqueza e nem a privação expressam virtude.

- Não fuja ao começo.
A caridade corrige qualquer erro.

- Estude incansavelmente.
Alcançar novos conhecimentos é formular novas indagações.

- Cultive confiança.
Com temor não há progresso.

- Seja paciente na dor.
Crise, muitas vezes é o nome que aplicamos à transformação do mal em bem.

- Amolde-se aos padrões do Evangelho.
Na essência, o mundo atual permanece quase o mesmo da época de Jesus.

André Luiz do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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Declaração de Origem

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- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

domingo, 13 de setembro de 2026

Altruísmo

Altruísmo

Joanna de Ângelis


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O altruísmo, que é lição viva de caridade, expressão superior do sentimento de amor enobrecido, abre as portas à ação, sem a qual não teria sentido a sua existência.

Dilatação da solidariedade, alcança o seu mais significativo mister quando reparte bênçãos e comparte aflições, trabalhando por minimizar-lhes os feitos, erradicando-lhes as causas.

É o próprio amor ensinado por Jesus, que esquece de si mesmo para concentrar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se nas aspirações do progresso, da ordem e da felicidade.

Antítese do egoísmo, cicatriza as lesões da alma, que este produz, fomentando a vigência da saúde integral.

Estrela luminar, irradia paz envolvente, que alcança e vence as grandes distâncias emocionais e preconceituosas que separam os homens. Arrasta os corações que se deixam impregnar pela sua irradiação, assinalando, indelevelmente, os períodos das vidas com a sua presença.

O desejo de posse, de gozo, de superioridade, que tipifica o egoísmo, na área libertadora do altruísmo, se converte em anelo de doação, de felicidade, de fraternidade.

O próprio desejo muda de conteúdo, perdendo a face tormentosa de jogo de prazeres, para constituir-se numa aspiração de serviço.

Os impulsos da carne, que buscam satisfazer os instintos e as paixões mais fortes, mais primárias, transformam-se em arrebatamentos de bondade e compreensão humana.

O próximo deixa de ser usado para ser dignificado. Todos os estímulos são conduzidos para o seu crescimento e triunfo sobre as falsas necessidades, trabalhando-lhe as virtudes em despertamento, a fim de que o homem espiritual sobreponha a sua à natureza dominante do homem animal.

A existência do altruísmo revela-se por diversos sentimentos de grandeza moral, que dão dignidade à vida. Entre esses, a generosidade assume papel de destaque, por ser-lhe a primeira manifestação prática, portanto, a sua forma inicial de exteriorizar-se na ação.

Costuma-se afirmar que, aquele que não abre a mão, mantém fechado o coração. E com fundamento, porquanto a generosidade tem início no sentimento que ama e deseja ajudar, a fim de concretizar-se na ação que socorre.

Abrir a mão é o gesto de deixar verter do coração ao mundo exterior o fluxo generoso em forma de doação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação. A generosidade, portanto, doa, de início, coisas, objetos e utensílios, roupas e alimentos, agasalhos e teto, para depois brindar sentimentos, aprimorando a arte de servir até poder doar-se.

Somente quem se exercita na oferta material, predispõe-se às dádivas transcendentes, aquelas que não têm preço, “não enferrujam” nem “os ladrões roubam”.

A generosidade mais se enriquece quanto mais distribui, mais se multiplica quanto mais divide, pois que tudo aquilo que se oferece possui-se, não obstante, qualquer valor que se retenha passa-se a dever. A felicidade, desse modo, resulta da ação de doar, dos benefícios dela decorrentes.

O homem generoso irradia simpatia e gera bem-estar onde se encontra.

Visceral adversária do egoísmo, a generosidade arranca, pela raiz, as tenazes desse responsável pela causalidade dos sofrimentos.

Jesus, na cruz, padecendo a ingratidão dos homens, ainda atendeu o ladrão que lhe rogou socorro, generosamente prometendo-lhe o Reino dos Céus, que já se lhe instalava na mente e no coração, a partir daquele momento.

O altruísmo, no processo de expansão, apresenta-se, também, com uma formulação ética.

Entendamos essa ética, na condição de serenidade que respeita todos os comportamentos, sem impor a sua forma de ser, de encarar a vida, de manifestar-se. Além de uma ética moral, tem um caráter universal, superando os interesses e convenções geográficas, que estabelecem conceitos de conveniência, estribados em preconceitos e limites, estatuídos em leis transitórias, às vezes, necessárias, mas que não objetivam o bem comum.

Assim, observamos éticas que apoiam estados escravocratas, limitam a liberdade de movimento, freiam a procriação, perseguem os que discordam dos seus códigos, punem e dizimam a seu bel-prazer.

A ética da generosidade centraliza suas atenções na Lei Natural ou de Amor, que respeita a vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.

Allan Kardec recebeu dos benfeitores da humanidade as diretrizes éticas perfeitas, oriundas da Lei Natural, porque procedente de Deus, a irradiar-se em várias outras, que fomentam o progresso, preservam a vida e dignificam a todos, promovendo o homem através do trabalho, igual ao seu irmão na origem e diferente nas conquistas intelecto-morais, sem privilégios, porém, ao alcance de todos.

Essa ética faculta discernir o correto do equivocado, impulsionando a criatura à aquisição de uma consciência elevada, resultado da eleição dos valores positivos, que tornam a vida digna de ser fruída.

A sua moral é centrada na generosidade, sem a falácia da anuência ao erro ou qualquer atentado aos códigos da ordem, do dever, da justiça.

Toda a sua estrutura de responsabilidade visa à promoção dos seres e do seu habitat, ao considerar a interdependência que existe entre eles.

Não elege uns seres em detrimento de outros, embora a sua expressão de amor varie de acordo com as respostas afetivas, o que não invalida a necessidade de superar a pertinácia dos maus e tê-los em conta como necessitados também da generosidade, que pode e lhes deve ser dispensada.

Normalmente, sob a ação do desejo, as demais pessoas são classificadas de acordo com o interesse que fomentam, com o lucro que proporcionam, tornando-as afáveis e amigas, antipáticas ou inimigas, insignificantes ou indiferentes. Manifestam-se, então, os sentimentos do amor possessivo, do desamor e do ódio, e de desinteresse ou indiferença. A ética da generosidade propõe a conquista dos valores que permanecem escondidos nos últimos, e a compreensão, quando os primeiros não correspondem ao modelo ao qual foram submetidos.

Não é castradora, por apresentar-se destituída de caráter punitivo; não obstante, o seu senso crítico analisa tudo e todos de modo a produzir o melhor.

A ética da generosidade é tranquila e, nesse conceito, pode ser considerada como a conquista da serenidade, conforme o seu significado profundo em sânscrito.

Como efeito, é paciente, não antecipando apressadamente realizações, nem buscando resultados imediatos.

A paciência é o próximo passo na execução do programa altruístico.

Há um inter-relacionamento entre os vários requisitos para a integral vivência do altruísmo, que erradica as causas dos sofrimentos. Um fator depende do outro, que são conquistas do Espírito na sua busca de perfeição.

Tornando-se saudável exercício de elevação moral, cada um promove a área do sentimento, desenvolvendo o intelecto na arte de compreender para servir, de crescer para libertar-se, de entesourar conhecimentos para os distribuir.

A paciência, em razão disso, é relevante, pelo significado de criar condições no tempo próprio para cada realização. Nem a postergação do labor, tampouco, pressa, irreflexão, que não conduzem aos resultados que se esperam.

Ela harmoniza as aspirações humanas, elucidando sobre o valor da ação contínua, bem elaborada, que atende a cada tarefa no momento oportuno.

Faculta repetir qualquer labor malogrado com o mesmo entusiasmo, ensinando como realizá-lo da maneira mais eficiente, sem o cansaço que induz ao pessimismo, ao abandono da realização. Sabe que tudo quanto hoje não pode ser feito sê-lo-á depois, desde que se persevere no tentame.

A vida se agiganta, molécula a molécula, em clima de harmonia, em paciente e incessante movimentação.

A paciência estimula a coragem, que se esforça para colimar os resultados. Essa coragem é fruto do conhecimento das leis que propiciam a insistência no programa do altruísmo.

A coragem é valor moral para enfrentar a luta e perseverar nela, nunca a abandonando sob qualquer pretexto. O esforço contínuo permite o prosseguimento da ação, que realiza o programa estabelecido.

A erradicação das causas geradoras do sofrimento somente é possível através do esforço com que se empreende a tarefa, a ela dedicando-se com empenho, sem o que se malogra, adiando a oportunidade.

O esforço bem direcionado caracteriza o grau de evolução do ser, porquanto, mais expressivo nuns do que noutros, distingue-os, demonstrando as conquistas já logradas, ao tempo em que faculta a percepção do muito a conseguir.

Insistir, portanto, com seriedade, pela conquista do altruísmo, encetando atividades que devem ser concluídas etapa a etapa, constitui passo de segurança para a libertação do sofrimento.

Mede-se, desse modo, o caráter de um homem, pelo esforço que empreende para crescer, para melhorar-se, a fim de enfrentar as reações que o seu ideal e empreendimento provocam.

Aquele que cede ante o obstáculo, que desiste diante da dificuldade já perdeu a batalha sem a ter enfrentado. Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais aparentes que reais, mais ameaçadores do que impeditivos. Só se pode avaliá-los após o enfrentamento. Ademais, cada vitória conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não se deve tentar a luta. Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso. O objetivo deve ser conquistado, e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.

Muitas vezes será necessário parar para refletir, recuar para renovar forças e avançar sempre. É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois.

O esforço estimula o desenvolvimento dos recursos que dormem no próprio homem, agigantando-se, à medida que realiza. A canalização correta do esforço dinamiza-o, já que o arrastamento para o vício, que quebra as resistências morais, é também uma forma de força arrebatadora, que poderia ser direcionada em sentido superior.

O altruísmo não vige sem o esforço para a sua manifestação, considerando-se que parece haver uma conspiração por parte do egoísmo, a fim de impedir-lhe a presença e o predomínio na área da emoção.

O computador, como outro engenho qualquer que ora fascina o homem, guardando milhões de dados, resulta do esforço daqueles que o engendraram e digitaram as informações, sinal por sinal.

Sem esforço a vida perece. Os membros não movimentados perdem a flexibilidade, entibiam-se e morrem.

Outro fator essencial ao altruísmo é a concentração nele, sem cujo contributo a mente se desvia, abrindo brechas para que se instalem ideias pessimistas, desanimadoras.

Centralizar o pensamento na ação altruística permite o estabelecimento de um programa eficiente, graças ao qual se delineiam técnicas e se logram recursos para executá-la.

A concentração amplia os horizontes enquanto fortalece o íntimo, por facultar o intercâmbio de energias superiores que passam a vitalizar o indivíduo, renovando-lhe as forças quando em exaurimento, especialmente no mister altruístico.

Desacostumados aos gestos de elevação, os homens reagem contra eles, tornando-se agressivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos só posteriormente. Essa atitude não poucas vezes desanima as pessoas abnegadas e menos preparadas, que recuam ou desistem, porque não buscaram o apoio da meditação e deixaram-se intoxicar pelo bafio pestilento em expansão.

Meditando-se, percebe-se a necessidade de maior contribuição altruística sacrificial, compreendendo-se que a imensa carência de amor responde pela dureza dos sentimentos, e a agressividade predominante atesta a gravidade das doenças morais em desenvolvimento nas criaturas.

A meditação amplia a visão a respeito do mal, ao tempo em que equipa o homem de lucidez, fornecendo-lhe os instrumentos próprios para cuidar desse adversário cruel.

A arte da concentração é uma conquista valiosa e demorada, que exige cultivo e exercício, a fim de responder de maneira eficiente às necessidades emocionais do homem.

Habituado a concentrar-se nos fenômenos que decorrem das paixões ou sensações mais fortes, tais como o desejo, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a sensualidade, a gula, os vícios em geral, quando se trata das aspirações mais elevadas e sutis, o indivíduo justifica-se com escusas de que não consegue concentrar-se, que lhe falta capacidade para deter-se no assunto, exclusivamente por comodidade mental ou porque prefere fugir às responsabilidades que advêm da mudança de programa.

Sem o contributo da concentração quaisquer atividades perdem o brilho e são mal executadas. É ela que propicia o enriquecimento dos detalhes, a visão particular e geral do empreendimento, revigorando o indivíduo, concedendo-lhe lucidez e inspiração.

Todos os grandes realizadores devem à concentração, ao esforço e à paciência o êxito que alcançaram.

Esqueciam-se de tudo, quando fixados no propósito de algo realizar.

Certamente, a tenacidade com que se mantinham era resultado da experiência que se alongava no tempo, propiciando-lhes a capacidade crescente de se afastarem mentalmente de quaisquer outros objetivos, fixando-se na ação a que se entregavam.

A concentração ilumina o altruísmo e revigora-o nos momentos difíceis, por facultar compreender as circunstâncias dos acontecimentos e os problemas nos quais as pessoas se emaranham. Capacita-o com energia especial e irradia-se em ondas de bem-estar, que impregnam todos quantos se aproximam da pessoa que a exercita. E quanto mais o faz, tanto maior se lhe torna a capacidade de exteriorização. É, portanto, essencial ao altruísmo, propiciando a anulação das causas do sofrimento, por facultar a vigência dos sentimentos elevados da vida em plena realização do bem.

Por fim, após a vivência desses variados itens, a sabedoria se instala na mente e no coração do homem, libertando-o da ignorância, apontando-lhe o objetivo real da existência corporal, impulsionando-o para novos tentames, cada vez mais sedutores e agradáveis, brilhando à frente.

Confunde-se a sabedoria com o conhecimento intelectual, o burilamento da mente, a fixação da cultura que, apesar de valiosos, são uma conquista horizontal.

Torna-se indispensável que, ao lado dessa importante aquisição, o sentimento lúcido e profundo do amor se torne a grande vertical do processo evolutivo.

Essa conquista vertical é a responsável pelo discernimento de como agir, facultando os recursos lógicos para tal, ao mesmo tempo suavizando pelo afeto a aspereza ocasional do processo de execução.

A sabedoria faz que o amor seja prudente e um sentimento generoso, doador, altruístico, evitando que se entorpeça com as manifestações do pieguismo, que disfarça os esquemas do ego enfermo.

Simultaneamente, proporciona ao intelecto a serena percepção de que à razão se deve unir ao sentimento humano, sereno e afável, responsável pelo arrastamento das pessoas.

O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive mais do que fala, ensina mais pelo exemplo do que pelas palavras.

Quando são desenvolvidos os passos que contribuem para o altruísmo e se adquire sabedoria, ilumina-se o Espírito, e a vida ganha sentido, superando-se os limites do tempo e espaço, em face da grande meta que se deve conquistar.

Os sofrimentos cedem, então, lugar à paz, porque desaparecem os fatores cármicos, vencidos pelas novas ações libertadoras, e, porque não sejam geradas causas atuais negativas, o futuro não se desenha sombrio nem ameaçador. Assim, o altruísmo viceja na mente e no coração, já não sendo mais o homem quem vive, e sim o Cristo que nele passa a viver, conforme acentuou Paulo e o sentiram outros mártires, heróis e sábios de todos os tempos, que se entregaram ao altruísmo em favor da humanidade.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Plenitude
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sábado, 12 de setembro de 2026

Fixação Mental

Fixação Mental

Dias da Cruz


Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.

Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação.

Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada.

Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinquência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão eletromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: 

"Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo." (João 12:35.)

Francisco de Menezes Dias da Cruz por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ante o vício da paixão

Ante o vício da paixão

Hammed


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Jesus, ensina-nos a entender a diferença entre dependência e amor.

Sei, Mestre Querido, que o amor não termina, nós é que nos transformamos; e, por consequência, mudamos nossa visão sobre o mundo e as pessoas.

Senhor Jesus, como pode o amor — o mais nobre dos sentimentos — nos fazer mal? Como alguém pode agir sobre nós tal qual uma droga, um alucinógeno que nos exalta e ao mesmo tempo nos arrasa? Como dosar ou utilizar na proporção certa a inclinação amorosa?

São essas dúvidas cruéis que nos rodeiam a mente e nos fazem às vezes sentir vontade de desistir da busca; tudo nos parece sem importância, não conseguimos avançar, não vemos com otimismo o futuro.

Cristo Amado, estamos cientes de que a paixão termina, o amor não. A paixão vence e refreia o que a razão sugere e pondera; o amor propõe liberdade. Por isso, quando amamos alguém, devemos deixá-lo livre. Se partir, é porque nunca o tivemos; se voltar, é porque o conquistamos.

Hoje sabemos, Mestre, que nosso amor não é maduro, e sim uma dependência psíquica. Somos viciados na “emoção do enamoramento” e na sensação de felicidade que ela nos proporciona; consequentemente, sempre esperamos do “bem-amado” a fonte da alegria de viver, o que nos torna seduzidos e cativos.

Parece, Divino Amigo, que sem “um amor” nos assemelhamos a criaturas que não sabem nadar, buscando freneticamente um tronco flutuante para não se afogarem. A paixão é um prazer que nos causa agonia, mas essa mesma agonia nos dá prazer. Isso é o paradoxo da paixão — é a etiologia dos diversos tipos de dependência.

Jesus, socorre nosso amor!

Na Terra somos muitos os viciados em relacionamentos. Essa condição, que supostamente alivia a dor de uma realidade intolerável — a de não se amar e não sentir capaz de cuidar de si mesmo - perpetua a compulsão afetiva de “ter sempre alguém por perto” e nos desvia da motivação para recuperar e valorizar a própria vida.

O sentimento afetivo pode nos fazer muito mal quando o objeto de nosso amor tem efeito alucinatório sobre nós, anestesiando-nos e, ao mesmo tempo, causando-nos deslumbramento!

Querido Mestre, são diversos os mitos sobre o amor e quase todos nós damos fé ou afirmamos como verdades certas crenças ou construções mentais idealizadas. Temos tendência e inclinação:

• para acreditar que o amor real traz sofrimento e que, se recusarmos sofrer por amor, nunca amaremos corretamente. Amor que significa um contínuo sofrer não é amor, é dor. E dor é um indício de que algo vai mal ou está doente e precisa ser apurado e tratado;

• para afirmar que só se ama verdadeiramente uma vez na vida, alegação notável e romântica, mas completamente equivocada. Podemos amar inúmeras vezes e tão fortemente quanto antes, ou até muito mais. A cada nova existência, cresce o número de nossos amores;

• para crer que sem um parceiro, nossa vida não vale a pena ser vivida. Ora, podemos, sim, alcançar a felicidade, mesmo vivendo a sós e em total abstinência de sexo. Por isso, não devemos atribuir valores absolutos às nossas escolhas de vida, pois corresponderia a dizer que aqueles que não se adaptaram à vida a dois são desnaturados;

• para declarar com firmeza que o amor pode tudo. Ele realmente tudo pode quando é estimulado e compartilhado; mas diante de pessoas que não querem amar ou se deixar amar, a experiência pode ser aniquiladora e humilhante, situação que bem se enquadra no antigo provérbio “querer tirar leite de pedras.”

Por essas razões, Mestre e Senhor, estamos pedindo-te que nos ajudes a sair deste círculo vicioso, para que, tomando posse de nosso valor pessoal, voltemos a acreditar em nós mesmos, e assim, em breve, possamos amar sem medo de ser rejeitados e abandonados.

Jesus, socorre nosso amor!

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Lucidez - A luz que acende na alma

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Atualidade da doutrina espírita

Atualidade da doutrina espírita

José Petitinga


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Rememorando os insólitos fenômenos, que atingiram o clímax a 31 de março de 1848, na residência da família Fox, em Hydesville, e abriram novos horizontes à investigação psíquica, constatamos pela fenomenologia medianímica, a legitimidade da vida espiritual depois da morte.

Do fenômeno incipiente, a princípio, à Doutrina consoladora dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, há um verdadeiro pego. E nesses ensinos, revelados pelos Imortais, reaparecem as velhas doutrinas filosóficas e religiosas, que ampliaram os horizontes do pensamento humano sobre a vida além do túmulo.

Inicialmente, para que se pudessem firmar os valores imortalistas à luz da razão, sensitivos excepcionais e investigadores valorosos foram chamados à experimentação, durante decênios de labor exaustivo.

Controles especiais, engenhos ardilosos, precauções extremadas precediam sempre aos experimentos, procurando por cobro a quaisquer tentativas de fraude, nos processos de investigação.

Em todo lugar, porém, a linguagem dos fatos atestava cientificamente a veracidade do fenômeno que abriu as portas à Doutrina propriamente dita.

Richet, operando com Marta, jovem médium de 19 anos, constata a emissão de ácido carbônico na respiração do espírito materializado de Bien-Boa.

Crookes, experimentando a adolescente Florência Cook, mede as pulsações do fantasma Katie King.

Lombroso, através da médium Eusápia Paladino, embriagada, em Gênova, vê o Espirito materializado de sua genitora.

Aksakof, pesquisando a Sra. D’Espérance, constata que Iolanda materializada se utiliza da energia da médium semidesmaterializada ante os seus olhos e sob controle rigoroso.

Lodge e Hyslop dialogam com o Espírito Phinuit incorporado, nas sessões da Sra. Piper.

Em Barcelona, Marata, investigando Cármen Dominguez, com medidas acauteladoras, verifica a realidade do fantasma Leonora.

O banqueiro Livermore, através de Catarina Fox em dezenas de sessões, na sua residência, conversa com o Espírito materializado de Estela Marta, sua esposa desencarnada...

Vivem os mortos! São identificáveis os fantasmas; apresentando-se ponderáveis, contam-lhes as pulsações, modelam-se-lhes os pés, mãos e face; são extraídos resíduos ectoplásmicos; medem-lhes a força com dinamômetros; fotografam-nos... E em todas as pesquisas a vida triunfa sobre a morte.

Espíritos e médiuns submetem-se a exigências rigorosas de investigadores conscientes da própria responsabilidade e deixam-se controlar por sábios da envergadura de Bozzano, D’Arsonval, Roberto Hare, Bouvier, de Rochas, Edmonds, Du Prel, Broferio, para citar somente alguns, sem nos reportarmos aos já referidos, e empolgam-se com a realidade da vida espírita.

Monografias e relatórios, atas e documentos são apresentados a Sociedades e Academias, e o mundo toma conhecimento da Era do Espírito.

No entanto, embora todo esse material valioso, reunido em anos de cuidadoso e fatigante trabalho, de pouco proveito seria para a humanidade, não fosse Allan Kardec, o eminente missionário que, através da sensibilidade das discretas Senhoritas Japhet, Carlotti e das meninas Baudin, interrogando os imortais, codificou o Espiritismo, oferecendo ao homem abençoado roteiro para sua jornada na Terra.

* * *

Hoje, mais de cem anos decorridos, após os fenômenos de Hydesville, e rememorando os insólitos “raps” que ensejaram uma nova Era para a pesquisa da vida espiritual, encontramos na Doutrina Espírita a fórmula sempre atual para equacionar os complexos problemas da alma humana ainda atribulada e inquieta, no momento em que o homem atravessa a atmosfera em busca de outros portos no Infinito...

E ante as conquistas do pensamento, na atualidade, essa doutrina filosófica de consequências morais e religiosas cresce cada vez mais, superando a clássica fenomenologia para repetir os excertos sublimes de Jesus Cristo, conclamando ao amor e à fraternidade.

“Piedade para com os infelizes...
Esquecimento de todas as ofensas...
Perdão a todos os males...
Doação ampla e farta de luz e amor em forma de pão, agasalho e medicamento...
Renúncia como clima necessário à evolução...
Trabalho infatigável”... eis o apelo do Mundo Maior.

Doutrina Espirita hoje é Evangelho vivo e atuante junto aos corações angustiados e afligidos.

E por essa razão que, acima do fenômeno mediúnico puro e simples, está a Doutrina Espírita como “pedra de toque que desgasta o erro” e permite fulgure a verdade, rasgando clareiras na treva densa da ignorância, apontando céus formosos para o futuro.

E enquanto ruge a tormenta desenfreada, avassalando tudo, cultivemos, no Espiritismo, o diamante sem jaça da verdade, situando-o no íntimo dos corações, vivendo integralmente os ensinos de Jesus, porquanto, se o conhecimento amplia a capacidade de discernimento só o amor nos enseja o ingresso no país da consciência tranquila, conforme o postulou e viveu o Divino Amigo de todos nós.

José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O escriba incrédulo

O escriba incrédulo

Irmão X.


Imagem gerada por IA.

Descansava Jesus em casa de Igorin, o curtidor, no vilarejo de Dalmanuta, quando Joab, escriba em Cesareia, partiu à procura dele, em companhia de Zebedeu, pai de Tiago e João, que lhe devotava imensa estima.

Enquanto caminhava, depois de largada a barca, o amigo da cidade, que jamais contemplara o Doce Nazareno, falava compungido de mágoas que sofrera.

Sentia-se doente, em suprema revolta.

Desejava escutar o verbo do Senhor para certificar-se quanto à própria conduta.

Dizia-se crivado de injustiça e calúnia.

Permutavam, assim, impressões espontâneas e afetuosas quando o lar de Igorin lhes surgiu pela frente, ao longe.

Ao redor do tugúrio, congregavam-se enfermos, avultando, entre eles, um homem maduro e esbelto a gritar, estentórico, e que, guardado à pressa, excluiu-se do quadro, desafiando, assim, a curiosidade de ambos os viajores.

No átrio da casa pobre, indaga Zebedeu de uma velha aleijada quem era aquele mísero, e informa-lhe a anciã que se tratava de um louco infeliz à procura do Mestre.

Nisso, Tiago e Pedro aparecem de chofre e dizem que Jesus pretendia ausentar-se para a prece nos montes.

Joab, ouvindo isto, penetra sozinho pela casa, e encontra em quarto humilde o Cristo generoso, meditando em silêncio.

- Mestre! – clama, chorando, depois de confortado às saudações primeiras – tenho o peito dorido e o pensamento em fogo, humilhado que estou por injúrias atrozes. Feriram-me, Senhor, enodoando-me o nome e furtando-me o pão... Que fazer ante o mal que me ataca, insolente? de que modo portar-me, perante os inimigos que me cobrem de lodo?

- Perdoa, filho meu! – disse o Amigo Celeste.

- Senhor, como esquecer malfeitores e ingratos?

- Anotando-lhes sempre a condição de enfermos.

- Enfermos? como assim, se perseguem matando?

- Não procederiam desse modo se não fossem dementes.

- Mestre – insistiu Joab -, convém esclarecer que os meus adversários são ladrões perigosos...

- São, pois, mais infelizes...

- Infelizes porque? se tem casas faustosas e terras florescentes?

- Todavia, amanhã descerão ao sepulcro, abandonando o furto a mãos que desconhecem...

- Entretanto, Senhor, sem qualquer razão justa, eles querem prender-me.

- Não importa, meu filho, pois todo delinquente está preso em si mesmo às algemas da treva.

- Mestre! Mestre! Ainda assim, espreitam-me igualmente em tocaia sinistra, prelibando-me a morte, todos eles armados de punhais assassinos!...

- Perdoa e ora por eles – disse o Cristo, sereno -, porque é da Eterna Lei que a justiça se faça... Todo aquele que fere será também ferido...

O escriba, em desespero, ajuntou lacrimoso:

- Senhor, estou sozinho, despojado de tudo... Iludiram-me a esposa e roubaram-me os filhos...

Acusado sem culpa, o cárcere me espera; venerei sempre as leis, guardando-lhes os princípios e toda a minha dor nasce da sombra hostil da infâmia que me cerca! Que fazer, Benfeitor, ante as garras da lama?

- Filho, perdoa sempre, olvida todo mal e faze todo o bem, porque somente o bem é luz que não se apaga...

Incapaz de conter o assombro que o traía, Joab esgueirou-se de soslaio, perguntando lá fora aos amigos surpresos:

- Dizei-me, por favor, onde acharei o Mestre Jesus? quero Jesus para ouvir-lhe a palavra!...

O escriba renitente conservava a impressão de ter ouvido o louco que avistara ao chegar àquela casa, e não o próprio Cristo...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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