terça-feira, 21 de dezembro de 2021

A nostalgia do Natal

A nostalgia do Natal

Richard Simonetti



Um amigo dizia:

- Não sei por que, o Natal traz-me indefinível nostalgia, relacionada com algo muito importante, esquecido no passado longínquo... Talvez uma ligação afetiva, uma situação mais feliz ou - quem sabe? - a própria pureza perdida...

Embora estejamos diante de um paradoxo, já que a gloriosa mensagem natalina deveria inspirar sempre alegrias e esperanças, muitas pessoas experimentam esse sentimento, associado a situações do pretérito, na existência atual ou em existências anteriores, mas, basicamente, diríamos tratar-se da melancolia por um ideal nunca realizado.

O magnetismo divino que emana da manjedoura, nas comemorações do celeste nascimento, estabelece o confronto entre as propostas sublimes do Evangelho e a realidade de nossa vida. Do distanciamento entre o que somos e o que Jesus recomenda, sustenta-se a nostalgia.

O simples fato de se comemorar o Natal com festas ruidosas, regadas a álcool, com desperdício de dinheiro e de saúde, pelos excessos cometidos, em detrimento dos que não têm o que comer, demonstra como estamos longe dos valores de fraternidade preconizados pela mensagem cristã.

Curiosa situação essa, em que se festeja um aniversário esquecendo o aniversariante e, sobretudo, o significado de seu natalício.

* * *

Em quase dois mil anos de Cristianismo, os homens não aprenderam sequer a definir com exatidão quem é Jesus.

Para muitos, ele é o cordeiro de Deus que derramou seu sangue na cruz para redimir a Humanidade, lembrando antigas cerimônias judaicas, em que bodes eram sacrificados para depurar a comunidade de seus pecados...

Há os que o confundem com o Criador, não obstante suas reiteradas afirmações de que era um mensageiro divino, um servo do Senhor, um filho de Deus, como todos o somos...

Profitentes de variadas denominações religiosas reverenciam-no em cultos exteriores, julgando cumprir seus deveres com a mera participação em repetitivas cerimônias e rezas...

Outros estão convictos de que pelo simples fato de aderirem à fé cristã garantem passaporte seguro para o paraíso, sem maiores esforços...

E se lembram dele os fiéis nas horas difíceis, esperando por suas providências salvadoras, e até mesmo que opere o prodígio de fazê-los felizes, mesmo sem o merecerem.

É preciso superar semelhantes equívocos e assumir nossas responsabilidades, a partir da compreensão de que Jesus é um irmão mais velho, um Espírito puro e perfeito que mergulhou na carne com o objetivo precípuo de nos ensinar a viver como filhos de Deus.

Como o fazem os professores eficientes, exemplificou suas lições, vivendo-as integralmente, desde a humildade, na manjedoura, ao sacrifício, na cruz.

Entre ambas há todo um roteiro de bênçãos capaz de nos orientar a existência inteira, sustentando-nos o equilíbrio e a serenidade e convocando-nos ao esforço permanente de renovação e trabalho no Bem.

* * *

Usando imagens claras e objetivas, retiradas do cotidiano, Jesus fala-nos com a simplicidade da sabedoria autêntica e a profundidade da verdade revelada.

Aos que condenam, demonstra, na inesquecível passagem da mulher adúltera, que ninguém pode atirar a primeira pedra, porque todos temos mazelas e imperfeições...

Aos que se perturbam com dificuldades do presente e temores do futuro, recomenda que procurem o Reino de Deus, cumprindo a sua justiça com empenho por levar a sério seus deveres, agindo com retidão de consciência e “tudo mais lhes será dado por acréscimo”...

Aos que se apegam aos bens materiais, recorda que não se pode servir a dois senhores - a Deus e às riquezas - e relata a experiência de um homem ambicioso que ergueu muitos celeiros e amealhou muitos bens, mas morreu em seguida, sem poder desfrutá-los, nada levando para o Além senão um comprometedor envolvimento com os enganos do Mundo...

Aos que usam de violência para fazer prevalecer seus interesses, esclarece que “quem com ferro fere, com ferro será ferido”...

Em todos os momentos, diante de qualquer dificuldade ou problema, temos no Evangelho o roteiro precioso capaz de nos ajudar a definir a melhor atitude, o comportamento mais adequado, a iniciativa mais justa.

* * *

Consumimos rios de dinheiro à procura de conforto, prazer, distração, buscando o melhor para nossa casa, nossa aparência, nossa saúde, e deixamos de lado o recurso supremo, que não custa absolutamente nada: as lições de Jesus.

Se o fizéssemos saberíamos que muitas vezes temos procurado a felicidade no lugar errado, à distância do que ensinou e exemplificou o Cristo, colhendo, invariavelmente, desilusões.

Jesus, com sua imensa lucidez, sabia que tudo isso aconteceria; que os homens perderiam o contato com as realidades do Evangelho, tanto que, na última reunião com os discípulos prometeu que mais tarde enviaria um Consolador, o Espírito de Verdade que relembraria o que dissera e ofereceria lições novas que os homens de seu tempo não tinham condições para aprender.

O Espiritismo situa-se como esse aguardado Consolador, dirigindo-se a uma humanidade mais amadurecida, capaz de compreender suas responsabilidades.

Como um farol abençoado que nos oferece novas luzes para um entendimento mais amplo da mensagem cristã, a Doutrina dos Espíritos ressalta que o Mestre Supremo é o Cristo e que nos seus ensinamentos está o roteiro indispensável para que nos habilitemos à felicidade, confirmando que é no esforço do Bem que residem nossas melhores oportunidades de construir um futuro feliz, superando o comprometimento com as ilusões da Terra.

Este é o grande desafio: encararmos a realidade, compreendendo que a jornada terrestre tem dois objetivos específicos de renovação e progresso que não podem ser traídos, sob pena de colhermos frustrações e desenganos, em crônica infelicidade.

Para vencê-lo é indispensável que nos disponhamos a seguir o Cristo, imprimindo suas marcas em nós, a fim de que sejamos marcados pela redenção, como exprime admiravelmente o Espírito Maria Dolores, ao prefaciar o livro “Mãos Marcadas”, psicografia de Francisco Cândido Xavier:
Senhor!
Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo, ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,
Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo: 
Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas... 
*** 
Quanta ilusão quando me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e esperança
Sem que nada fizesse! 
Imitava na Terra o lavrador
A temer a pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milagres de colheita
Sem plantar coisa alguma. 
*** 
Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço. 
Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos... 
Não me dês tempo para lastimar-me,
Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...
No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma rósea de paz... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem. 
E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto a que me enleie,
Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos e fé e preces de perdão! 
Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,
A servir sem perguntar a quem...
Ouve, celeste amigo, 
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas... 
Maria Dolores
Uberaba, 03 de Junho de 1972

***

- Estude regularmente os ensinamentos de Jesus. Nenhum princípio pode ser integralmente vivenciado se não for plenamente compreendido.

- Realize exercícios diários de prática cristã. Perdão, tolerância, fé, compaixão, caridade, bondade, paciência, esperança, são “músculos do Espírito” que, se convenientemente desenvolvidos, sustentam em nós a paz e o equilíbrio.

- Nas situações difíceis, nas contrariedades, nos problemas e tentações da jornada humana, habitue-se a perguntar para si mesmo: “O que faria Jesus em meu lugar?” Se tentarmos o que ele faria sempre faremos o melhor.

Richard Simonetti do livro:
Uma razão para viver

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