Desânimo
Joanna de Ângelis
“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap.5 — Item 18)
Insidioso, de fácil propagação, tem caráter pandêmico.
Grassa com celeridade, entorpecendo sentimentos com força que aniquila a vida.
Inimigo desconsiderado fere em profundidade e se agasalha dominador em todas as criaturas a todo instante, sendo difícil de ser erradicado.
Com poder semelhante às viroses contagia mais do que a grande maioria das enfermidades comuns.
Conduz às dissipações, à loucura, ao crime.
Aqueles que lhe caem nas malhas, invariavelmente derrapam para os vales desesperadores dos estupefacientes, do suicídio.
Suas vítimas apresentam-no refletido no “fácies” característico, deprimente.
São mórbidas, indiferentes, perigosas.
Grande facção da humanidade sofre-lhe a ação deletéria.
Esse adversário soez e destruidor de multidões é o desânimo.
Companheiros da fé valorosos, desencorajados de prosseguirem, recuam.
Trabalhadores devotados, assinalados pelo sofrimento, estacionam.
Serventuários da esperança, desiludidos, fogem.
Mantenedores de tarefas socorristas, desajustados, param... sob o império do desânimo.
Prossegue tu!
Todos falam que recolheram, do labor a que se devotaram, espinhos rudes e rudes ingratidões.
Explicam, com argumentos injustificáveis, que a moral evangélica para o momento em que se vive não mais tem aplicação: está ultrapassada.
Creem que perderam o tempo, aplicado anteriormente na execução do programa divino, apresentado pelo Espiritismo.
São vítimas inertes do desânimo.
Sem explicações para se justificarem a si mesmos a fuga espetacular para com os deveres assumidos espontaneamente, acusam e acusam.
Não lhes dês ouvidos.
Amigos falam que não conseguem perseverar nos ideais fascinantes e severos da Doutrina dos Imortais.
Também tu.
Alguns reconhecem os erros e a inutilidade de lutarem contra as próprias deficiências.
Dá-lhes razão, pois que não é diferente o que ocorre contigo.
Outros esclarecem que tentaram seguir os postulados espiritistas, mas o tributo a oferecer é grande demais, em considerando as incertezas de que se encontram possuídos.
Concordas com eles ao auscultares o imo em tormentos múltiplos.
Eleva o padrão mental de tuas meditações.
Expulsa o tóxico letal que se infiltra sutilmente na tua organização espiritual.
Faze um exame dos que debandaram das fileiras do dever...
O desanimado é alguém que tombou antes do termo da jornada.
Reage com todas as forças e não possibilites “horas vazias” para se encherem de desesperanças nas províncias do teu pensamento.
Homens e mulheres, que lutaram em todos os tempos para construírem o ideal de felicidade humana, experimentaram o miasma pestilento desse sicário do espírito.
Reagindo, porém, e perseverando abrasados pelos empreendimentos começados, laboraram o clima de esperança que muitos respiram, abençoados pelo sol de amor que os aquece.
Estuda o Evangelho e vive-o, embora não consigas avançar incorruptível.
Se tombares no afã da verdade, recomeça. Se despertares ao peso de irrefreável fadiga, recomeça.
Se experimentares desespero porque demora a materialização dos teus anseios, recomeça.
O trabalho de valorização do bem é de recomeço e recomeço, porquanto cada passo dado na direção do objetivo é vitória alcançada sobre o terreno a vencer...
Quando o desânimo, investindo contra os teus propósitos superiores, situar o seu quartel na rotina das tuas atividades nobres, modifica o “modus operandi” e prossegue, renovado, combatendo nos painéis da mente essa vibração desagregadora transmitida por outras mentes que perseguem o Evangelho Redentor, desde há muito, e, exaltando a alegria do serviço em cada minuto de ação superior, destroça as armadilhas bem urdidas desse revel inimigo, alcançando a plataforma superior da glória de ajudar com desinteresse e amor.
Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Espírito e Vida
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