sábado, 24 de dezembro de 2022

Oração do Natal

Oração do Natal

Humberto de Campos


Senhor Jesus. Há quase dois milênios, estabelecias o Natal com tua doce humildade na manjedoura, onde te festejaram todas as harmonias da Natureza. Reis e pastores vieram de longe, trazendo-te ao berço pobre o testemunho de sua alegria e de seu reconhecimento. As estrelas brilharam com luz mais intensa nos fulgores do céu e uma delas destacou-se no azul do firmamento, para clarificar o suave momento de tua glória.

Desde então, Senhor, o mundo inteiro, pelos séculos afora, cultivou a lembrança da tua grande noite, extraordinária de luz e de belezas diversas.

Agora, porém, as recordações do Natal são muito diferentes.

Não se ouvem mais os cânticos dos pastores, nem se percebem os aromas agrestes da Natureza.

Um presepe do século XX seria certamente arranjado com eletricidade, sobre uma base de bombas e de metralhadoras, onde aquela legenda suave do "Gloria in excelsis Deo" seria substituída por um apelo revolucionário dos extremismos políticos da atualidade.

As comemorações já não são as mesmas.

Os locutores de rádio falarão da tua humildade, no cume dos arranha-céus, e, depois de um programa armamentista, estranharão, para os seus ouvintes, que a tua voz pudesse abençoar os pacíficos, prometendo-lhes um lugar de bem-aventurados, embora haja isso ocorrido há dois mil anos.

Numerosos escritores falarão, em suas crônicas elegantes, sobre as crianças abandonadas, estampando nos diários um conto triste, onde se exalte a célebre virtude cristã da caridade; mas, daí a momentos, fecharão a porta dos seus palacetes ao primeiro pobrezinho.

Contudo, Senhor, entre os superficialismos desta época de profundas transições, almas existem que te esperam e te amam. Tua palavra sincera e branda, doce e enérgica, lhes magnetiza os corações, na caprichosa e interminável esteira do Tempo. Elas andam ocultas nas planícies da indiferença e nas montanhas de iniquidade deste mundo. Conservam, porém, consigo a mesma esperança na tua inesgotável misericórdia.

É com elas e por elas que, sob as tuas vistas amoráveis, trabalham os que já partiram para o mundo das suaves revelações da Morte. É com a fé admirável de seus corações que semeamos, de novo, as tuas promessas imortais, entre os escombros de uma civilização que está agonizando, à mingua de amor.

É por essa razão que, sem nos esquecermos dos pequeninos que agrupavas em derredor da tua bondade, nos recordamos hoje, em nossa oração, das crianças grandes, que são os povos deste século de pomposas ruínas.

Tu, que és o Príncipe de todas as nações e a base sagrada de todos os surtos evolutivos da vida planetária; que és a Misericórdia infinita, rasgando todas as fronteiras edificadas no mundo pelas misérias humanas, reúne a tua família espiritual, sob as algemas da fraternidade e do bem que nos ensinaste!...

Em todos os recantos do orbe, há bocas que maldizem e mãos que exterminam os seus semelhantes.

Os espíritos das trevas fazem chover o fogo de suas forças apocalípticas sobre as organizações terrestres, ateando o sinistro incêndio das ambições na alma de multidões alucinadas e desvalidas. por toda parte, assomam os falsos ídolos da impenitência do mundo e místicas políticas, saturadas do vírus das mais nefastas paixões, entornam sobre os espíritos o vinho ignominioso da Morte.

Mas, nós sabemos, Senhor, como são falazes e enganadoras as doutrinas que se afastam da seiva sagrada e eterna dos teus ensinos, porque dissipas misericordiosamente a confusão de todas as almas, ainda que os seus arrebatamentos se apoiem nas paixões mais generosas.

Tu, que andavas descalço pelos caminhos agrestes da Galileia, faze florescer, de novo, sobre a Terra, o encanto suave da simplicidade no trabalho, trazendo ao mundo a luz cariciosa de tua oficina de Nazaré!...

Tu, que és a Essência de nossos pensamentos de verdade e de luz, sabes que todas as dores são irmãs umas das outras, bem como as esperanças que desabrocham nos corações dos teus frágeis tutelados, que vibram nos mesmos ideais, aquém ou além das linhas arbitrárias que os homens intitularam de fronteiras!

Todas as expressões da filosofia e da ciência dos séculos terrenos passaram sobre o mundo, enchendo as almas de amargosas desilusões. numerosos políticos te ridiculizaram, desdenhando as tuas lições inesquecíveis; mas, nós sabemos que existe uma verdade que dissimulaste aos inteligentes para a revelares às criancinhas, encontrada, aliás, por todos os homens, filhos de todas as raças, sem distinção de crenças ou de pátrias, de tradições ou de família, que pratiquem, a caridade em teu nome...

Pastor do rebanho de ovelhas tresmalhadas, desde o primeiro dia em que o sopro divino da vontade do Nosso Pai fez brotar a erva tenra, no imenso campo da existência terrestre, pairas acima do movimento vertiginoso dos séculos, acima de todos os povos e de suas transmigrações incessantes, no curso do tempo, ensinando as criaturas humanas a considerar o nada de suas inquietações, em face do dia glorioso e infinito da Eternidade!...

Agora, Senhor, que as línguas da impiedade conclamam as nações para um novo extermínio, manifesta atua bondade, ainda uma vez, aos homens infelizes, para que compreendam, a tempo, a extensão do seu ódio e de sua perversidade.

Afasta o dragão da guerra de sobre o coração dilacerado das mães e das crianças de todos os países, curando as chagas dos que sangram de dor selvagem à beira dos caminhos.

Revela aos homens que não há outra força além da tua e que nenhuma proteção pode existir, além daquela que se constitui da segurança de tua guarda!

Ensina aos sacerdotes de todas as crenças do globo, que falam em teu nome, o desprendimento e a renúncia dos bens efêmeros da vida material, afim de que entendam as virtudes do teu Reino, que ainda não reside nas suntuosas organizações dos Estados deste mundo!

Tu, que ressuscitaste Lázaro das sombras do sepulcro, revigora o homem modesto, no túmulo das vaidades apodrecidas!

Tu, que fizeste com que os cegos vissem, que os mudos falassem, abre de novo os olhos rebeldes de tuas ovelhas ingratas e desenrola as línguas da verdade e do direito, que o medo paralisou, nesta hora torva de penosos testemunhos!

Senhor, desencarnados e encarnados, trabalhamos no esforço abençoado de nossa própria regeneração, para o teu serviço divino!

Nestas lembranças do Natal, recordamos a tua figura simples e suave, quando ias pelas aldeias que bordavam o espelho claro das águas do Tiberíades!... Queremos o teu amparo, Senhor, porque agora o lago de Genesaré é a corrente represada de nossas próprias lágrimas. Pensamos ainda ver-te, quando vinhas de Cesareia de Felipe para abençoar o sorriso doce das criancinhas... De teus olhos misericordiosos e compassivos, corria uma fonte perene de esperanças divinas para todos os corações; de tua túnica humilde e clara, vinha o símbolo da paz para todos os homens do porvir e, de tuas palavras sacrossantas, vinha a luz do céu, que confunde todas as mentiras da Terra!...

Senhor, estamos reunidos em teu Natal e suplicamos a tua bênção!... Somos as tuas crianças, dentro da nossa ignorância e da nossa indigência!... Apiada-te de nós e dize-nos ainda:

- "Meus filhinhos..."

Humberto Campos por Chico Xavier do livro
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Amanhecer de Natal

Amanhecer de Natal

Joanna de Ângelis



Nos períodos cruciais da humanidade a Divina Providência sempre se manifestou, encaminhando ao orbe terrestre apóstolos e sábios, gênios e santos, que ergueram o pensamento e a ética aos seus mais elevados patamares.

Em todas as Nações eles surgiram, conduzindo os povos ao descobrimento e à vivência dos valores elevados quão dignificadores da criatura humana, que vai sendo promovida, de etapa a etapa, no rumo da total libertação a que aspira.

Não obstante esse empenho, as lições desses missionários ao serem vulgarizadas sofrem adulterações que resultam da adaptação dos seus conteúdos às conveniências infelizes dos homens, responsáveis pelo retardamento da marcha do progresso geral.

Nenhuma exceção a esse comportamento nefando.

A história da verdade na Terra pode ser considerada uma viagem difícil, cujos resultados ainda não se fizeram realmente auspiciosos.

De um lado, o absolutismo do poder, o fanatismo da fé, a ignorância sistemática; de outro, a prepotência do orgulho e a ditadura do egoísmo sempre se antepuseram à vitória do bem, perturbando-lhe o avanço.

Apesar dessas dificuldades, a barbárie, a injustiça, a impiedade, o degredo, as matanças arbitrárias — salvo suas exceções periódicas — vão cedendo lugar ã benignidade, à Lei, ao sentido de justiça, aos valores éticos e às conquistas espirituais que ora fascinam e envolvem milhões de indivíduos, os quais afanosamente se entregam ao labor de melhorar as paisagens do mundo.

Nesse extraordinário cometimento destacam-se a presença e a vida de Jesus na Terra.


Pairava, à época, um silêncio espiritual multissecular em relação ao povo hebreu, que parecia esquecido da sua destinação histórica.

Veio, então, Jesus, e trouxe a melodia poderosa da verdade, que cantou para as multidões, vivenciando todos os postulados que o caracterizavam como o Messias.

Profetizou, curou enfermos, enfrentou com elevação a pusilanimidade, escolheu os infelizes, que elegeu como Seus amigos, renunciou aos títulos e posses, conviveu com a dor, aceitou as humilhações, desvelou-se inúmeras vezes, e não foi aceito.

Aqueles que O seguiram e O difundiram pelas terras do Império Romano, passados os dias gloriosos do martírio, tiveram suas vidas e palavras, como ocorreu com as d'Ele, adulteradas, adaptadas aos interesses transitórios, impondo-as desfiguradas à posteridade.

Mesmo assim, o perfume do amor que lhes impregnava as diretrizes conseguiu permanecer; e até hoje a figura ímpar do Mestre galileu impõe-se, afavelmente, como Modelo Incomum para a humanidade.

Do Seu berço à Cruz há toda uma epopeia de amor, ainda não compreendida em sua profundidade legítima, que os tempos se encarregarão de elucidar e estabelecer como necessária à vida.

O Seu Natal, por isso mesmo, tornou-se o amanhecer de uma Era Nova que lentamente se está implantando no mundo.

Embora os atuais rumores e ameaças de guerra, que perduram apavorando as criaturas, enquanto a lembrança do Natal de Jesus permanecer na mente e no coração humano, o amor fluirá em bênçãos, afastando o monstro de extermínio dos horizontes, por ora tumultuados.

Aproveita, desse modo, o amanhecer deste Natal, e imprime o teu amor nos corações que te cercam, nas vidas que fazem parte da tua vida.

Deixa que Jesus, que já trazes nos sentimentos, por teu intermédio afague os sofredores de todos os tipos, diminuindo-lhes as dores e as insatisfações.

E se, por acaso, ainda não O trazes comandando as tuas emoções, abre-te ao amanhecer do Seu nascimento e instala-O no país dos teus anelos, experimentando, a partir de então, a felicidade como jamais esperavas fruí-la algum dia em tão elevado grau de plenitude.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Antologia Espiritual

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Prece de Natal

Prece de Natal

Carmem Cinira


Senhor, desses caminhos cor de neve,
De onde desceste um dia para o mundo,
Numa visão radiosa, linda e breve
De amor terno e profundo,
Das ampliações augustas dos espaços;
Do teu Natal de eternos esplendores,
Abriga nos teus braços
A multidão dos seres sofredores!...

Que em teu nome
Receba um pão o pobre que tem fome
O trapo o nu, o aflito uma esperança,
Que em teu Natal a Terra se transforme
Num caminho sublime, santo e enorme
De alegria e bonança!

Apesar dos exemplos da humildade,
Do teu amor a toda a humanidade,
A Terra é o mundo amargo dos gemidos.
De tortura, de treva e impenitência.

Que a luz do amor de tua providência
Ampare os seres tristes e abatidos
E em teu Natal, reunidos, nós queremos,
Mesmo no mundo dos desencarnados,
Esquecer nossas dores e pecados,
Nos afetos mais doces, mais extremos,
Reviver a efeméride bendita,
Da tua aparição na Terra aflita,
Unir a vossa voz à dos pastores,
Lembrando os milagrosos esplendores
Da estrela de Belém,
Pensando em ti, reunindo-nos no bem,
Na mais pura e divina vibração,
Fazendo da humildade
Nosso caminho de felicidade,
Estrada de ouro para a perfeição!

(recebida em Pedro Leopoldo em dez. de 1935)

Carmem Cinira por Chico Xavier do livro:
Palavras do Infinito

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Momento Histórico

Momento Histórico

Bezerra de Menezes



Meus amigos, meus irmãos, Vivemos um momento histórico de definições de atitudes, que nos levem ao imediato cumprimento dos nossos deveres.

A Doutrina Espírita é a luz que vem do alto abençoar os caminhos difíceis da jornada redentora; a promessa de Jesus torna-se realidade.

Eis que chega no momento previsto, quando as dificuldades se nos fazem cruciais, e a vivência, mais áspera.

Cumpre-nos desvestir-nos dos atavios que nos exornavam a personalidade primitiva, para utilizarmos a túnica da fraternidade que nos aproxima uns dos outros, na condição de ovelhas do mesmo rebanho.

Já ouvimos missionários inflamados que falaram do Sumo Bem, e, não obstante, após a emoção primeira, descemos os resvaladouros do crime para brandir armas contra a vida do próximo.

Voando nas bólides espaciais, ameaçamos a Teria de extinção, vitimados pelo ego esclerosado das nossas ambições desvanecidas...

A Doutrina Espírita é-nos o alerta, o pão e o hálito da vida, que nos chega como oportunidade de libertação de nós mesmos, para alcançarmos a Grande Luz, que dorme latente em nós.

Por isso, espíritas, irmãos e amigos, ide sem temer a cilada dos maus, porque "somente lobos caem em armadilhas de lobos".

Desbravai o continente dos corações e enfrentai os matagais dos interesses pessoais, colocando o selo da mansidão do Cristo em vossa conduta, para que o vosso amor se espraie como um bálsamo que impregna e suaviza a ardência das paixões.

Hoje, meus amigos, aqui e agora, soa o momento da nossa transformação moral.

Não posterguemos a nossa oportunidade de edificar o "Reino de Deus" em nós, mediante a construção do bem em volta de nossos passos.

Vossos amigos de ontem e de hoje, aqui conosco, saúdam-vos, conclamando-vos a esta cruzada do bem contra o mal.

Tornai-vos vanguardeiros do progresso, sob o preço da renúncia e da imolação.

Fazei-vos argonautas do amor, aplicando as moedas da dedicação e do serviço continuado.

Jesus e Kardec, Mestre e discípulo. Caminho e porta diante de nós!

E, quando as dificuldades vos parecerem superlativas, dizei:
Senhor, fazei de nós os obreiros da fé viva, a serviço do Teu Amor.

Abençoai-nos, servos imperfeitos que reconhecemos ser, lutando contra as próprias imperfeições, nesta antemanhã de uma Humanidade ditosa, com vistas a um futuro mais feliz.

Entregando-nos, deixar-nos-emos guiar pelas Vossas sábias mãos, Benfeitor que sois de nossas vidas!
Bezerra de Menezes por Divaldo Franco do livro:
Compromissos Iluminativos

(Mensagem psicofônica recebida no Instituto Espírita Amigo Germano, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na noite de 8 de setembro de 1984.)

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