sábado, 11 de janeiro de 2025

Espiritismo e equilíbrio

Espiritismo e equilíbrio

Vianna de Carvalho


Agora que a Doutrina dos Espíritos visitou seu íntimo, você se demora deslumbrado ante as novas perspectivas da vida na Terra.

Horizontes mais amplos.

Comunhão com a Espiritualidade Superior.

Concepções novas e grandiosas.

Amigos multiplicados ao milagre da fraternidade legítima.

Vastos campos para realizações nobres.

Serviços edificantes em toda parte.

Não se esqueça, entretanto, do equilíbrio no entusiasmo, para que o arrebatamento momentâneo não o conduza às regiões do desânimo.

Convicção espiritista não é passaporte gratuito para a santificação.

Nem significa doação da graça divina a privilegiados, nem traduz presídio para a liberdade dos ideais.

É aumento de responsabilidade para a alma, em relação à própria vida. Expressa renascimento moral, na caminhada física já empreendida.

A crença comum é apenas notificação da imortalidade em informação de aleitamento. A crença espírita é afirmação da vida imperecível para maior realização do Espírito no caminho da evolução.

Por esse motivo, nem precipitação nem retardamento. A moderação na atitude, com trabalho contínuo, é o melhor mecanismo para ajusta execução dos compromissos retos.

Poupe-se às transformações radicais no clima das suas realizações. Mudanças abruptas produzem danos graves. Execute os misteres que o Espiritismo lhe reserva, cautelosamente a princípio, para manter segurança depois.

Não esqueça de construir, no interior da sua alma, os alicerces seguros para os graves embates e as complexas atividades que virão mais tarde.

Examine as próprias possibilidades e, através de um programa de estudo bem conduzido, procure penetrar o âmago da Doutrina.

Não se deixe apaixonar. O ardor emocional altera a face dos fatos e adultera os acontecimentos.

Não tenha a preocupação de fazer muito. Procure fazer bem alguma coisa.

Guarde a ponderação em atos e palavras, não criticando a morosidade dos "velhos" trabalhadores. Respeite, neles, os heróis da fé nos dias do desbravamento, como bandeirantes da mensagem nova.

Confie na Providência Divina e não se julgue indispensável ao movimento que ora o acolhe. Tenha em mente que a Doutrina Espírita não necessita dos homens para atingir os nobres fins a que se destina. É Doutrina dos Espíritos.

Lembre-se de que Espiritismo é Pão Eterno. Receba-o com respeito e alimente-se com cuidado, para que não seja acometido pelo enfartamento gerado no abuso, ou pela insaciabilidade nascida na negligência.

Muitos companheiros receberam, na Doutrina Espírita, a claridade eterna da vida; no entanto, pouco ou quase nada realizaram em favor da libertação íntima, palmilhando lances repetidos da mesma experiência fracassada, entre desesperos e inquietações. Outros perdem-se ainda nos subníveis da vida, embora com roupagens reluzentes e aparências respeitáveis, por não desejarem enfrentar a realidade que você agora encontra.

Uns desejavam acomodar-se na nova fé. Outros pretendiam que a fé se acomodasse neles.

Submeta-se você às diretrizes da fé.

Urge servir à crença, sem tê-la como serviçal dos caprichos pessoais.

A crença não exime da realização.

Êxito ou insucesso são contingências da luta, a seu alcance.

Quando nos demoramos na vala imunda, saímos com os pés lodosos.

A ilusão é inspiração para a delinquência.

Acenda, portanto, luz para a razão, a fim de encontrar a felicidade de servir.

Ouça o chamado do trabalho e receba com o coração a Doutrina Espírita, mas não se esqueça de que o ânimo forte e a esperança robusta devem seguir a seu lado.

Evite os extremos na sua definição espírita: nem fanatismo, nem conivência.

Mantenha, porém, uma convicção que se irradie em serviço positivo para todos.

Espírito tranquilo em atitude imperturbável, avançando com segurança, é maneira feliz para atingir o objetivo colimado.

Alce seus pensamentos, sublimando anseios e aspirações em seus cometimentos.

Em todos os momentos, mantenha a certeza de que o bem pertence ao Senhor e a vitória é sempre dele, cabendo-nos o dever de realizar sempre o melhor ao nosso alcance, procurando libertar-nos do mal e compreendendo que o Sublime Condutor nos aguarda até hoje, sem pressa, numa extraordinária lição de equilíbrio, até o momento em que possamos realizar o Reino Divino em nós próprios.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
À Luz do Espiritismo

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Culpa

Culpa

Hammed


“Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. (João 1: 8,9)

Na culpa, há onipotência, pretensão e orgulho.

Altas expectativas para nós mesmos e para os outros podem nos trazer culpa e decepção. A culpa sempre vem acompanhada de perfeccionismo, que nos faz acreditar que deveríamos saber mais do que sabemos, ou escolher melhor do que escolhemos.

Algumas consequências da culpa são:

• esfacelamento da autoestima;

• forte hesitação em dizer não, sempre desconfiando da decisão tomada;

• servilismo à vontade alheia;

• tendência a enxergar só o lado negativo das pessoas;

• medo inexplicável;

• ocultação de sentimentos, para suportar dificuldades;

• depressão, tristeza contumaz;

• ansiedade sem razão clara;

• fuga para o álcool e as drogas;

• compulsão alimentar e sexual;

• recusa em sentir prazer; além de outras tantas dificuldades emocionais.

Diante das experiências da vida, o mais indicado é avaliarmos o ocorrido e nos responsabilizarmos pela parte que nos compete, sem nunca nos culparmos de modo discriminatório, pois a culpa nos faz permanecer impotentes, no papel de vítima, enquanto a responsabilidade, a consciência, a lucidez e o discernimento fazem exatamente o contrário.

Trabalhemos nossos pontos fracos, abandonemos o ciclo perverso que a culpa nos impõe e renovemos nossa casa íntima; agindo assim, venceremos.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
A Busca do Melhor

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Vícios

Vícios

Richard Simonetti


1 - O que você acha do cigarro?

Como dizia velho confrade, o cigarro é esse enroladinho de fumo que tem uma brasa de um lado e um bobo do outro.

2 - São milhões de bobos no Mundo?

Em relação aos vícios existem em quantidade bem maior do que você imagina. Vastíssima parcela da população insiste em ouvir o canto da sereia, que representa o apelo às delícias da vida, mergulhando em tormentosos abismos. Procuram prazer no cigarro, no álcool, nas drogas, colhendo em breve doenças e sofrimentos.

3 - Por que os coroas ficam cutucando a gente em relação ao assunto? Afinal, também não cultivaram ou cultivam viciações?

Justamente por isso devem ser ouvidos. Sentem na própria pele as consequências do vício.

4 - E dai, não temos o direito de colher nossas próprias experiências?

Sem dúvida. Afinal, um câncer no pulmão, uma cirrose hepática, um distúrbio nervoso e tantos outros males provocados por cigarros, bebidas e drogas talvez não lhe pareçam um preço muito alto a ser pago em futuro próximo pela satisfação efêmera do presente.

5 - Admitindo que você tem razão, como vencer essa dependência? Parece algo obsessivo, quase uma segunda natureza...

Toda pessoa que se inicia no vício é um obsidiado em potencial. Há viciados do Além que transformam os da Terra em instrumentos para satisfação do vício, numa associação psíquica que é uma espécie de transe mediúnico às avessas. Na função normal, o médium capta as impressões do Espírito. Na comunhão obsessiva o Espírito colhe as sensações do viciado.

6 - Tenho, então, parceiros invisíveis, como aproveitadores de uma bituca?

Isso mesmo. Daí falharem frequentemente os tratamentos de desintoxicação do viciado. A pressão espiritual é muito forte.

7 - Os parceiros invisíveis não deixam?

Os Espíritos não têm o poder irresistível de nos induzir ao vício ou alimentá-lo. É que dificilmente o viciado se convence de que é imperioso deixar o vício, em favor de sua saúde. No fundo sempre imagina que não é tão mal assim.

8 - O que deve fazer o indivíduo que quer vencer o cigarro, as drogas, o álcool?

Há vários métodos, mas o que realmente funciona começa a partir de uma firme determinação nesse sentido. É preciso orar muito, ligando-se aos benfeitores espirituais que trabalham por sua recuperação. Frequentar reuniões de assistência espiritual, no Centro Espírita. Submeter-se ao passe magnético.

Confiar em si mesmo e valorizar suas potencialidades como filho de Deus.

Repetir sempre: “Com a proteção divina hei de conseguir”. Como está em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ajuda-te que o Céu te ajudará. Pode parecer careta, mas funciona.

Richard Simonetti do livro:
Não pise na bola

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A transição da Terra

A transição da Terra

J. Herculano Pires


“Li, em livros, que o eixo magnético da Terra e o eixo geográfico estão se aproximando, para se unificarem, e que em cada cem anos há aproximação de dois graus, entre os dois polos, Norte e Sul. Eu recebi uma explicação, de um professor espírita, de que no momento em que os eixos geográficos e magnéticos da Terra se encontrarem, entraremos no ano 1989, havendo então grandes modificações na estrutura física da Terra, seguidas de terremotos, maremotos, e será o momento em que a Terra iniciará nova evolução, dando fim à era de expiação, passando a Planeta de Regeneração, e quem não conseguir atingir a moralidade e a intelectualidade suficientes, para acompanhar esse novo ritmo de vida, será transmigrado para um planeta inferior e viverá nesse planeta até que consiga superar esta imperfeição, dando fim à era de expiação, passando a Planeta de Regeneração, para dar prosseguimento à sua evolução. Acontecerá como aconteceu com o Planeta Capela, no passado. Essa explicação que recebi é verdadeira, professor?”
A explicação que o senhor recebeu está confusa, misturando elementos que não se ajustam ao Espiritismo. O problema das modificações do eixo da Terra é um problema de ordem astronômica e geológica. É um problema que não pertence ao Espiritismo. 

Espiritismo é a ciência do Espírito. Essa determinação precisa, do ano de 1989, para que se iniciem catástrofes geológicas terríveis, que marcarão indícios do fim do mundo, em nosso planeta, é uma dessas profecias apocalípticas que, através dos tempos, vêm se anunciando e, na verdade, correspondem apenas a processos imaginativos.

É verdade que o planeta vai passar e está passando de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Mas essa transição, como todas as transições importantes que se efetuam na Natureza, processa-se de maneira lenta, através das leis naturais.

O senhor encontrará no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, uma explicação muito interessante sobre esse problema. Quando se falava sobre a transição da Terra, Kardec perguntou aos Espíritos se realmente teríamos que passar por grandes catástrofes geológicas nessa transição. E os Espíritos lhe responderam: Não.

Catástrofes geológicas não, porque elas ocorreram naquelas proporções diluvianas, de que nos fala, por exemplo, a Bíblia.

Elas ocorreram, realmente, até mais intensas, mais profundas, mais terríveis, quando o planeta ainda não estava consolidado, quando o mesmo estava na fase de formação.

Atualmente, a Terra é um mundo consolidado, na sua estrutura.

Um mundo que amadureceu e que está se desenvolvendo, no sentido de prosseguir no caminho do seu aperfeiçoamento. 

Haverá, isto sim – responderam os Espíritos a Kardec –, grandes catástrofes morais, que abalarão os povos, que sacudirão as nações.

Essas catástrofes nós estamos vendo agora mesmo, diante de nossos olhos, no mundo inteiro. Esta profecia, sim, realmente se realizou.

As profecias apocalípticas, referentes a essas catástrofes tremendas, decorrem de processos puramente imaginativos. Basta lembrarmos o seguinte: quando o nosso mundo se aproximava do ano 1000, da Era Cristã, muitas pessoas se suicidaram. Houve verdadeiros processos cármicos entre os povos, não provocados por catástrofes, mas pela ignorância e desespero humanos, porque anunciavam que, do ano 1000 a Terra não passaria. E já passou.

Agora, revocam-se essas lendas. E criam-se novos temores, devido à proximidade da passagem para o ano 2000. Não chegaremos, todos, até ele, mas muitas das pessoas aqui vivas na Terra chegarão. E verão que tudo transcorreu de maneira tranquila, serena, através dos processos naturais da evolução.

Como Kardec ensinou, o mundo evolui através das sucessões das gerações. As gerações que libertarão a Terra dos sistemas errôneos da vida irão desaparecendo, naturalmente. Outras gerações vão surgindo, com novas ideias. Herdeira da cultura adquirida das gerações anteriores, trazem dentro de si mesmas (porque se constituem de Espíritos reencarnados) aptidões bastante desenvolvidas, para renovarem a cultura da Terra e auxiliarem a sua transformação, em todos os sentidos.

Essas gerações, as gerações humanas, construirão na Terra um novo mundo. E, na verdade, já o estão construindo. Nós vemos ao nosso redor que o mundo antigo está em derrocada. A civilização envelhecida está em processo de morte, de agonia, porque uma civilização nova vai surgir. Mas esta civilização nova não surgirá sob o alvorecer das novas gerações, pois estas é que terão a responsabilidade de construir um mundo novo na Terra.

Não se impressione, caro ouvinte, com essas afirmações.

Ninguém na Terra está em condições de fixar data para uma grande catástrofe. É verdade que existe o dom da profecia. Mas existem limites para esse dom. E no tocante ao problema da evolução terrena, de acordo com a Doutrina Espírita, todas essas ameaças são simplesmente imaginárias e absurdas.

Eu quero oferecer ao senhor um exemplar de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Nesse livro, o senhor poderá estudar com firmeza e clareza, o processo da evolução da Terra.

J. Herculano Pires do livro:
No Limiar do Amanhã

Trecho da contracapa do livro - No limiar do Amanhã: 
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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