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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Reencarnação e Progresso

Reencarnação e Progresso

Aristides Spínola

A vida inteligente, na Terra, se examinada exclusivamente do ponto. de vista da unicidade da existência corporal, isto é, somente através da encarnação do Espírito, torna-se filosófica e cientificamente caótica, destituída de lógica e sem qualquer sentido ético, digno de respeito.

Não bastasse a documentação paleontológica demonstrando a ancianidade do aparecimento do homem, em trânsito espiritual e anatômico-fisiológico, simultaneamente em diversas partes do planeta, até adquirir as características que possui, nos quase dez milênios próximos passados, o conceito teológico de uma criatura apresentada com todos os atributos de que ora se reveste, assim surgida desde o primeiro momento, igualmente é atentatório à razão e à cultura defluente da investigação.

No período fetal, desde a concepção até a vida extrauterina, vemos o repetir-se dos períodos anteriores porque passou o ser, nas diversas formas animais que apresenta, revivendo o atavismo ancestral que nele jaz latente.

A imensa variedade dos vertebrados procede, incontestavelmente, do tronco inicial dos invertebrados primeiros, que são, por sua vez, o resultado natural das transformações dos organismos monocelulares, consequência inevitável das combinações da proteína-vírus com os aminoácidos.

Os fenômenos filogenéticos, mesológicos, como os de adaptação, nos sucessivos milhões de anos que precedem ao surgimento dos hominídeos e destes o homo sapiens, encarregaram-se de produzir as transformações e fixações dos biótipos que ora conhecemos com a aparência e as formas definitivas e que, não obstante, ainda permanecem como ensaios da Criação, elaborando novas conquistas, aperfeiçoando órgãos e funções para futuros cometimentos que a vida propõe. 

Inegavelmente, no terreno da Filosofia, não podemos desconsiderar o conceito da imanência, adotado por Santo Agostinho, que oferece à matéria terrestre os elementos essenciais para o surgimento das primitivas moléculas que favorecem o campo para a contribuição da transcendência, defendida por Santo Tomás de Aquino, quando a Divindade infundiu o sopro de vida, iniciando-se o processo espiritual, que transita pelas múltiplas formas até revelar a inteligência e o sentimento da emoção enobrecida no homem...

Nessa cadeia quase infinita de desenvolvimento, adquirindo órgãos necessários e abandonando aqueles que perderam a finalidade, vemos o psiquismo conquistando experiências e realizando aquisições que incorpora ao patrimônio íntimo, de que jamais se despojará na sucessão dos tempos, cada vez mais crescendo em complexidades, na maquinaria orgânica, e sabedoria, no conteúdo intelectual.

O mesmo hálito divino perpassa em todas as coisas da Natureza, dando-lhe finalidade e sustentando a ordem.

Quando o ser atinge o estágio hominal, passa a usar dos próprios recursos de livre-escolha do caminho a percorrer, no finalismo da determinação a que se encontra Submetido.

Nas faixas mais primárias, tudo nele são automatismos que passam da regularidade inconsciente, à conscientização que decorre da própria lucidez, adquirida a peso de dores, no largo dos milênios.

A partir de então, graças ao uso da razão e da lógica, a fé no futuro aponta-lhe seguras diretrizes de comportamento moral, e mais rápida faz-se-lhe a marcha ascensional para Deus.

Todas as ações produzem equivalentes reações, na ordem inevitável das “leis de causa e efeito”, de que ninguém se consegue eximir.

Na sucessão dos tempos, a fim de auxiliar o crescimento, a evolução da criatura, o Pai Criador permitiu que missionários do amor e da sabedoria mergulhassem nas sombras densas do corpo para viverem as experiências santificantes da fé e do conhecimento, apontando a rota mais segura e o porto final de maior significação para os que se encontravam no mundo.

Encarnando, desencarnando e reencarnando o Espirito elabora o programa que se lhe faz mais pertinente e próprio para a sua felicidade, avançando, detendo-se ou conquistando, na marcha, os componentes e valores que lhe apressam ou retardam o desenvolvimento.

A própria paisagem moral da criatura humana, no planeta, na sua variada gama de expressões e conquistas, demonstra a ancianidade de umas e a juventude de outras, na variação quase inconcebível dós interesses e aspirações.

Por outro lado, os sofrimentos de todos os matizes, que são detectados no ser humano, ao lado dos recursos intelecto-sociais e econômicos que os dessemelham, confirmam a história diferenciada dos comportamentos vividos pelos diversos grupos, embora marchando ao encontro dos mesmos fins.

As aptidões e tendências de que dão mostras os diferentes indivíduos,
constituem, sem dúvida, o resultado atávico das suas vivências anteriores.

As afinidades e as antipatias humanas são outro capítulo das recordações inconscientes do ser, unindo-se aos antigos afetos ou buscando-os, enquanto repelem os anteriores inimigos, embora os códigos das Leis Soberanas estabeleçam o impositivo da fraternidade legítima, perdoando-se o mal e fomentando-se todo o bem que se possa e se deve praticar.

A reencarnação é a chave mestra para a decifração dos mistérios da vida, promovendo e dignificando o Espírito, que evolui com os títulos do esforço pessoal, portanto, das próprias conquistas sob a sublime paternidade de Deus.

Não foi por outra razão que Jesus postulou: “Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá”, para logo completar: “Ninguém entrará no reino de Deus sem pagar a dívida inteira, ceitil por ceitil”, ao que o Espiritismo adiu: “Nascer, viver, morrer e renascer ainda, tal é a lei.”

A reencarnação pode ser considerada como a alma da justiça ínsita na vida, definindo: conforme hoje vive o homem, assim ele estabelece as linhas e os recursos de que necessita para a existência de amanhã.

Aristides Spínola por Divaldo Franco do livro:
Antologia Espiritual

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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Reencarnação e progresso

Reencarnação e progresso

Emmanuel


Reunião pública de 18/9/59
Questão nº 196 (O Livro dos Espíritos)
Comentando as necessidades da reencarnação, anotemos alguns quadros da Natureza.

O celeiro é a casa ideal das sementes.

Aí se congregam todas, em saborosa intimidade, e quando semelhante reunião se delonga em demasia degeneram-se na essência, por ação de agentes químicos, tornando-se imprestáveis.

Conduzidas, porém, ao replantio, embora padeçam solidão e abandono nas vicissitudes do solo, voltam de novo à glória da vida, em forma de verdura e flor, espiga e pão.

A gleba de calcário friável é, comumente, o refúgio de numerosos tratos de argila que aí descansam, às vezes por séculos, através de lentas modificações sem maior proveito; entretanto, se trazidos ao clima esfogueante do forno, materializam nobres sonhos do oleiro, atendendo a largas tarefas de utilidade em planos superiores.

Além da morte física, pode a alma retemperar-se ao calor de afeições caras, condicionada ao campo de afinidades em que se lhe expressam emoções e desejos; todavia, superada a fase de justo refazimento, aparece a ociosidade que, se mantida, faz que o Espírito por muito tempo se mantenha estanque, ante a luz do progresso.

É por isso que a reencarnação se mostra imprescindível e inadiável.

Determinado companheiro terá resolvido os problemas da sexualidade inferior, mas guardará consigo a febre de cupidez. Outro sentir-se-á liberado das tentações da usura, entretanto permanecerá em conflito com o vício da inconformação.

Alguém terá vencido o hábito da rebeldia sistemática, mas sofrerá em si mesmo o estilete magnético do ciúme. Esse e aquele amigo se revelarão livres dessa praga mental, contudo, sustentam-se, ainda, algemados à vaidade infantil ou ao orgulho tirânico.

E para que essas chagas ocultas sejam extirpadas de nossa alma é imperioso nos voltemos para o renascimento na arena física, onde encontraremos a adversidade naqueles que não pensam por nossas medidas, para que aprendamos a respirar nas dimensões da Vida Maior.

Em nosso presente estágio de evolução será preciso renascer, na Terra ou noutros mundos que se lhe assemelhem, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, não somente no resgate dos erros e culpas do pretérito, em louvor da Justiça, mas também no aperfeiçoamento de nós mesmos, em obediência ao Amor.

Toda máquina algo produz vencendo a inércia pela força do movimento e toda fonte que desistisse de caminhar, com receio de pedra e lodo, nada mais seria que água parada na calmaria do charco.

O mundo é, assim, nossa escola.

A família consanguínea é o grupo estudantil a que pertencemos.

O lar é a banca da experiência.

Amigos representam explicadores.

Adversários desempenham o papel de fiscais.

Os parentes difíceis são cadernos de prova.

O trabalho espontâneo no bem é o curso da iluminação interior que podemos aproveitar segundo a nossa vontade.

E sendo Jesus o nosso Divino Mestre, a cada instante da vida a dificuldade ser-nos-á como bênção portadora de preciosas lições.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Religião dos Espíritos

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