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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Orientação para a paz

Orientação para a paz

Francisco de Paula Vítor


"Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos." Jesus (Mateus 9:35)

Há muita excitação no mundo por parte dos que anseiam por assumir os primeiros lugares nas diversas posições passageiras da sociedade.

Muitas pessoas se esfalfam para alcançar as primeiras posições nas academias, nos esportes, nas artes multiplicadas, nos leitos eleitorais, em tudo, enfim. O problema não está nesse desejo em si mesmo, não. O que mais pesa é que esses candidatos aos primeiros lugares, nas suas áreas específicas, não anseiam pelos lugares destacados com o fim de se tornarem mais úteis aos semelhantes; mas tão só para cumular honrarias e destaques que duram um momento, porque não passam de latarias e fitas de tecidos que se putrefazem como o corpo carnal, ou de alguma quantia em dinheiro que poderá lhes facilitar condições materiais, durante algum tempo, e nada mais.

A pessoa inteligente no mundo deve saber que lhe cabe a missão de cooperar com o progresso de todos, que, sem contestação, começa com o seu próprio.

O artista sensível precisa saber que lhe cumpre a tarefa de ajudar o Criador a sensibilizar as almas para que elas aprendam a integrar-se à natureza, desenvolvendo emoção e alegria.

Os desportistas carecem perceber que, nas demonstrações de resistência física ou de beleza de forma corporal, o que mais importa é o louvor Àquele que lhes propiciou condições corporais tão favoráveis, permitindo se somassem os méritos individuais à necessidade de prestação de serviço ao coletivo.

O que se lança às posições de proeminência nas estações da política, na Terra, tem necessidade de compreender que a sua condição de administrador dos recursos de todos e de intérprete da vontade geral pesa-lhe como uma coroa de ferro sobre a fronte, devendo corresponder à grandiosidade dessa missão, sem que seja debitada em sua conta moral qualquer ação incompatível com a confiança que lhe foi atribuída, publicamente.

Os equívocos, porém, são enormes no que diz respeito aos primeiros postos.

Cada um quer absorver o máximo de prestígio, de oportunidade, de aplauso, de dinheiro, de bajulações, de poder apenas para si. No máximo, estende esses ganhos aos que o cercam, imediatamente, na esfera da afetividade.

Seria tão importante que os que alcançaram os lugares de honra, no mundo terrestre, se aplicassem a trabalhar em benefício dos menos dotados, dos que não tiveram os mesmos ensejos, dos que são mantidos em posições subalternas em virtude das suas expiações. Em nome da justiça, é bom convir que há os que o fazem; bem poucos, é verdade, mas os encontramos.

Artistas que se valem do seu prestígio popular para despertar o sentimento de cidadania nas massas, que começa com o respeito do indivíduo a si mesmo.

Desportistas que aproveitam a sua fama pública para cantar o valor da saúde da mente e do corpo, mostrando o desvalor do consumo de drogas.

Religiosos que se apoiam na confiança que despertam para incentivar a fraternidade, sem muralhas seitistas, e a aproximação entre as criaturas, decantando o amor a Deus e ao próximo como elemento de saúde espiritual.

Políticos que, alicerçados no poder de que usufruem, se atiram em campanhas de melhorias nos estatutos das leis e dos costumes que venham melhorar a vida das comunidades que dirigem.

Com essas reflexões tão valiosas, e pensando em Jesus, o maior Espírito que o Criador enviou à Terra, para que nos guiasse pelas sendas do progresso, sentimos a seriedade e a importância dos nossos estágios humanos.

Para que a alma alcance os cimos da paz, em seu próprio cerne, não vale só que tenham conquistado as primeiras posições no mundo das aparências. Torna-se fundamental que cada ser, nas funções em que estagia, faça-se um servidor. Um servidor do seu próximo, desinteressado.

É bom aprender a oferecer um minuto de prosa fraterna, sem agastamento; uma hora de atendimento fraternal, sem que se sinta constrangido a fazê-lo; um dia de trabalho, benfazejo para uma causa valorosa, sem receber dinheiro; a leitura, durante alguns minutos, para um deficiente visual; a higiene de um banho ou qualquer outro asseio a um idoso ou a alguém incapaz de o fazer por si mesmo; uma peça de vestir; um caderno para um escolar sem recurso; um remédio para algum necessitado.

É muito bom, dentro de casa, aprender a pedir por favor e a agradecer aos entes queridos pelo serviço e atenção que nos dedicam.

Enfim, qualquer que seja a nossa situação no mundo, somente teremos paz no íntimo quando aprendermos a ser o melhor para os outros, a fazer o melhor para os outros, a vibrar o melhor para os outros, valendo-nos do nível ao qual já tenhamos chegado na vida, seja ele qual for.

Jesus é Quem nos deixa claro tudo isso.

Francisco de Paula Vítor por Raul Teixeira do livro:
Quem é o Cristo?

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

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domingo, 19 de janeiro de 2025

A paz do Cristo

A Paz do Cristo

Francisco de Paula Vítor

É muito comum, entre os humanos, confundir-se a ideia de paz com a de estagnação em vários níveis.

Para muitos, a paz é o não-agir; é a inércia da paralisação, a fim de que isso seja confundido com descanso ou repouso.

Para alguns, a paz é não ter obrigações, não ter que cumprir horários, não conhecer disciplinas de modo a supor que vivem em liberdade.

Para muitos, a paz é ter de tudo: conforto material, facilidades econômicas, prestígio social, para que alimentem a fantasia do poder.

Para outros, a paz é ter a família bem formada sem qualquer mareio nas relações domésticas, com esposos em perfeito entendimento, com filhos sempre solícitos, estudiosos, bem ajustados emocionalmente e cumpridores das suas obrigações, para que admitam que Deus os aquinhoou com bênçãos especiais.

Para muitos, a paz é ter saúde física, é não precisar de cuidados médicos, jamais, sem nunca ter sofrido um resfriado ou uma cefaleia, a fim de se apresentar a seus contemporâneos como modelos de perfeição orgânica, sentindo-se privilegiados pela vida diante das carências corporais, deficiências e mazelas tão comuns aos mortais.

Essa paz que faz presunçosos, que alimenta vaidades, que forja críticos ferrenhos da conduta alheia, que fomenta discórdias e dissensões, que gera dominadores ou espoliadores dos próprios irmãos, que incentiva indevidos privilégios é exatamente aquela que Jesus veio destruir. Mais exatamente, é a paz que Ele não veio trazer.

A verdadeira paz, a do Cristo, é a que propõe trabalho ativo e continuado para o bem; é a que ensina o cumprimento dos deveres como parte da autodisciplina; é a que sabe tirar proveito das dificuldades materiais e sociais sem a elas acomodar-se, lutando com valor para suplantar as provas.

Essa paz que vem do Mestre inconfundível é a que permite enfrentar os testemunhos da família-problema, sem propostas de fuga, mas com o entendimento do acerto da Vontade Divina ao reunir necessidades espirituais diversas num mesmo lar, facultando que cada um seja professor do outro, retirando cada qual o lado bom que lhe cabe da relação familiar.

A paz do Cristo é a que ensina o indivíduo a fazer bom uso do corpo biológico, seja ele saudável, seja achacado por qualquer tipo de problema, em qualquer nível, demonstrando a compreensão de que aquilo que Deus nos permite usufruir na Terra, por meio do corpo enfermo ou são, é o que a alma carece para avançar, para progredir no rumo do aperfeiçoamento esperado pelos Céus.

Paz é ação no bem.

A modorra moral, a pachorra espiritual, a inação da alma são exatamente, as mazelas que usurpam o nome da paz e que o Senhor veio eliminar.

Jesus não é aquele que veio trazer os arremedos de paz, que enganavam e ainda enganam as pessoas de pouca reflexão. Ele é o que veio nos trazer a paz real, desde que consigamos manter a consciência reta, desde que nos mantenhamos agindo sempre no bem, desde que persistamos na condição de operosos servidores da vida.

Francisco de Paula Vítor por Raul Teixeira do livro:
Quem é o Cristo?

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