domingo, 24 de setembro de 2017

Em respeito à caridade

Em respeito à caridade


Joanna da Ângelis




Por mais se aborde o tema referente à virtude por excelência – a caridade! -sempre existem facetas novas e profundas que merecem análise para imediata aplicação.

A caridade é a filha predileta de que a fé se utiliza para expressar a riqueza de que se constitui. Enquanto a fé é qual uma chama flamejante que ilumina interiormente, oferecendo vigor e alegria àquele que a cultiva, a caridade são-lhe as mãos laboriosas que lhe concretizam os sentimentos.

Graças ao combustível que a sustenta – a esperança – é que não se lhe entibia a vitalidade, que lhe faculta mover montanhas, prosseguindo na sublime saga de libertar o ser humano da ignorância em que estorcega.

Anjos protetores que se unem desvelam-se na caridade enriquecida de amor e de paz.

Convencionou-se, entretanto, e vem sendo mantida através dos tempos a conceituação falsa de que a caridade se constitui das ações generosas e compassivas que se oferecem materialmente, sem dúvida valiosas, mas não únicas.

A caridade sempre se apresenta em mil facetas que engrandecem aquele que a oferece, assim como aqueloutro a quem se destina.

Para o desnudo, o vestuário é-lhe de alta importância, tanto quanto, para o esfaimado, o pão é fundamental.

Para o enfermo, o remédio é bênção que o auxilia na recuperação da saúde, assim como para o sedento, o vasilhame com água generosas é salvação da existência física.

Para o enregelado pelo frio, o agasalho é mensageiro de calor e de alegria, da mesma forma como a ajuda monetária, que soluciona a dificuldade de alguém, que recupera a alegria de viver.

Nada obstante, para o desorientado, o oferecimento de diretriz de segurança representa motivo de júbilo, de igual maneira, a palavra oportuna que esclarece e ilumina constitui indiscutível oferta de bem-estar.

Sempre existem maneiras diversas para a ação da caridade expressar-se, ademais daquelas exclusivamente materiais.

Em um estudo mais profundo em torno das necessidades humanas, constatam-se as presenças da fome, das doenças, do abandono social a que são relegados os denominados excluídos, o desvalimento moral, a falta de teto, de trabalho, de educação... No entanto, a mais terrível de todas é o egoísmo que gera tais fenômenos desditosos, mas que a caridade real pode solucionar por influência do amor.

Onde vicejam, portanto, o amor e a caridade, esses sofrimentos decorrentes da miséria não florescem.

Há grande, insofismável carência, portanto, na sociedade terrestre, de valores morais, que a caridade propicia, porquanto, encontrando-se a consciência humana iluminada pela fé no dever e nos bons frutos disso decorrentes, a esperança trabalha pela remoção do egoísmo que domina o coração das criaturas, abrindo espaço para a conquista sublime da felicidade.

Desse modo, à caridade, no seu relevante sentido moral, está reservada a missão de transformar a Terra para melhor, propiciando a conscientização dos seus habitantes, trabalhando em favor do equilíbrio e da harmonia geral.

Isto porque, não somente a miséria socioeconômica é fomentadora do desespero, dos sofrimentos, da violência, mas principalmente responsável é a espiritual, que consideramos a alma dessa e das demais ocorrências infelizes.

Em respeito à caridade, reflexiona em torno de outras desgraças, sutis umas e grosseiras outras, que podem ser evitadas ou saneadas, se essa mensagem da vida chegar a tempo.

* * *

A conduta pessoal é sempre reflexo das construções mentais, porquanto as ocorrências que têm lugar no mundo físico originam-se no pensamento.

Nas comunidades prósperas do mundo, onde não há escassez de recursos para os seus membros, neles permanecem, no entanto, em predominância, os sentimentos de mesquinhez e de inferioridade, que os tornam tão infelizes quanto aqueles que experimentam fome e abandono.

Multiplicam-se, nesses lugares, os sequazes da aflição, em renhidos combates psíquicos e emocionais, sob a governança da inveja, da antipatia, das animosidades mal disfarçadas, criando situações deploráveis.

Ciúmes doentios perturbam incontáveis existências que se estiolam nas suas garras vigorosas; calúnias urdidas pela insensatez e com habilidade desestabilizam pessoas representativas, que se transtornam; agressões verbais e comentários perversos dividem famílias e separam afeições que lhes padecem a felonia; desconsideração social e intrigas sórdidas atingem sentimentos que se desajustam, perdendo o rumo por onde seguiam...

Nos arraiais da fé religiosa, lamentavelmente nas diversas denominações do Cristianismo, os seus adeptos traem-se uns aos outros e reciprocamente, distantes de qualquer compromisso emocional e moral com os postulados ensinados e vividos por Jesus até o momento do holocausto.

Odeiam-se os membros da mesma congregação ou entidade, fraternalmente sorrindo, disputando privilégios que se atribuem mérito, destaques, primazias, embora abraçando uma doutrina que preconiza a humildade, a renúncia, a abnegação, a compaixão... a caridade!

As lutas intestinas entre aqueles que compõem a grei alcançam, normalmente, lamentáveis índices de violência verbal, culminando, muitas vezes, em pugilato físico, quando não em crimes vergonhosos.

As atitudes comportamentais não correspondem às aparentes convicções desposadas, dando lugar a choques constantes de opinião, de realização, de vivência...

A presença da caridade no coração desses indivíduos bastaria para fazer cessar ou pelo menos não acontecer esses infelizes fenômenos, que são frutos espúrios do egoísmo, em todos os comportamentos como roteiro ético em favor dos relacionamentos humanos.

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A caridade alcança um dos seus pontos culminantes e gloriosos quando se converte em perdão ao próximo e proporciona ao indivíduo o autoperdão com a consciência lúcida em favor da necessidade de reparação das faltas, da sua própria recuperação moral.

Caridade, pois, sem cessar.

(...) E, através da oração pelos desencarnados em sofrimento, a caridade se expressa sublime, favorecendo, também, o envolvimento daqueles de quem ninguém se recorda: enfermos ou abandonados, suicidas ou assassinos, que tiveram desencarnação violenta ou que permanecem nos padecimentos inenarráveis no corpo enfermo, tornando-se excelsa como libertadora dos Espíritos que estorcegam nesses e em outros ergástulos morais e espirituais...

Desse modo, a caridade de Jesus prossegue socorrendo-nos, sem que nos demos conta sequer das sublimes mercês que nos oferece. 




Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, do
livro Jesus e vida, cap. 19, ed. LEAL.









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