terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Amor e compreensão

Amor e compreensão

Joanna de Ângelis


A compreensão que o amor propicia conduz à solidariedade nos momentos difíceis.

O amor que não compreende expressa interesse pessoal, que se projeta noutrem, não sendo o que pretende.

Quando se ama realmente, a compreensão das dificuldades e falhas do outro apresenta-se como natural, destituída de ambição retributiva. Essa compreensão é rica de doação de afeto espontâneo, que descobre o outro conforme é, não lhe exigindo modificações que ainda não pode operar, nem encontrar-se em níveis de elevação espiritual que faltam ser conseguidos. Como consequência, ninguém pode obrigar que outrem o ame, não obstante seja o seu um grande amor e, por isso, despido da paixão que objetiva alterar o comportamento do ser amado.

Desse modo, em qualquer faixa de amor, a compreensão deve assinalar todos os passos de conquista, em constante ascendência.

O amor ilumina e harmoniza.

É a alma da felicidade que preenche todos os espaços e aspirações do ser humano.

As pessoas esvaziadas e perturbadas pelas posses externas acreditam que a felicidade reside na sucessão das glórias que o poder faculta e nos recursos que amealha.

Ledo equívoco, porque o tormento da posse aflige e impulsiona a sua vítima a logros cada vez mais desmedidos, reduzindo-lhe a existência a uma busca sem fim.

Narra-se que o sábio Sólon, grande magistrado de Atenas, visitando o rei Creso, da Lídia, considerado o homem mais rico do seu tempo, foi convidado a conhecer-lhe o suntuoso palácio, contemplar suas joias e outros tesouros, seus magníficos jardins e participar de um banquete especialmente preparado para o homenagear.

Terminado o repasto incomum, Creso, autodeslumbrado pelo narcisismo que o caracterizava, perguntou ao nobre visitante:

— Qual o homem mais feliz do mundo?

Aguardava ser apontado e prelibava a satisfação, quando ouviu, algo decepcionado, a resposta do erudito visitante:

— Recordo-me de um homem pobre que morava em Atenas, chamado Telus que, na minha opinião, era o homem mais feliz do mundo.

— E por quê? – indagou, frustrado, Creso.

— Bem, porque era honesto, havendo trabalhado por toda a vida, a fim de criar os filhos com dignidade, oferecendo-lhes correta educação. E quando se encontrava mais velho, ao invés de receber a retribuição dos filhos, ofereceu-se ao exército, doando a vida em defesa da sua cidade.

— Haveria outrem – volveu, Creso, à interrogação – que o pudesse seguir como a segunda pessoa mais feliz do mundo?

Houve um silêncio constrangedor em face da expectativa que o rei exteriorizava, de ser apontado pelo sábio, o que não ocorreu.

Logo após, Sólon redarguiu:

— Conheci dois jovens em Atenas que, ficando órfãos na infância, trabalharam com persistência, honorabilidade, e mantiveram o lar pobre com dignidade, incluindo a genitora que era muito doente. Quando ela morreu ofereceram sua vida a Atenas, a fim de a servirem com dedicação e desapego até a própria morte.

Novo desencanto do ambicioso, que indagou, irritado:

— Como é possível ser superado por essa gente pobre, eu que tenho tanto poder e riqueza?

Sem qualquer ressentimento, Sólon encerrou a entrevista, afirmando:

— Ninguém há que possa dizer que sois feliz ou desditoso antes da vossa morte, porquanto ninguém pode imaginar os infortúnios de que se pode ser vítima, de um para outro momento, ou a tristeza que sempre espia os venturosos e os vence.

Anos mais tarde, Creso foi vencido por Ciro, rei dos persas, e por pouco não morreu, tornando-se-lhe vassalo submisso.

A felicidade independe do que se tem momentaneamente, mas sim daquilo que se é, estruturalmente constituído pelo amor.

Essa compreensão que o amor propicia conduz à solidariedade nos momentos difíceis, nas grandes dores, na solidão e na amargura que periodicamente afligem todas as criaturas.

Em ocasiões de sofrimento superlativo, o amor apresenta-se solidário, em várias expressões de compreensão do que ocorre, auxiliando sem exigência, participando da aflição, erguendo o ânimo e sustentando antes que a adversidade alucine a sua vítima.

Sem a necessidade dos gestos grandiosos, manifesta-se nos pequenos acontecimentos e situações que alimentam aquele que se encontra combalido e o erguem de volta ao lugar onde deve encontrar-se, de forma a poder prosseguir e superar o incidente infeliz.

Nas tragédias, aparece gentil, impossibilitando que o outro sucumba ante o peso da amargura e do dissabor excessivo.

Além da compreensão solidária, emerge em todos os momentos como forma de gratidão pela vida e suas manifestações, nas expressivas como nas singelas formas em que se apresenta.

Enquanto a pessoa não experimenta o suave envolvimento do amor, movimenta-se nas heranças dos desejos, nos cipoais dos instintos, sofrendo sempre quando os seus interesses não se encontram atendidos e suas aspirações não são respeitadas.

Lentamente, porém, à medida que as dúlcidas vibrações do amor a tomam, desembaraça-se das penosas injunções do primarismo e liberta-se da escravidão da posse, da fantasia em torno da felicidade pelo que tem.

Um amadurecimento interior se lhe opera lento e prodigioso, facultando-lhe alegria e desprendimento, consciência de dever e respeito por todos e por tudo.

Reconhece que, localizada no contexto universal, a sua tarefa essencial é a de autoiluminação, que logo se desdobra em serviço a favor do progresso, mediante a consideração pela ordem, não a violando, nem a submetendo aos caprichos e desaires que lhe predominam no mundo íntimo.

Alimentada pela seiva nutriente do amor, desenvolvem-se os demais sentimentos da compaixão e da ternura, da caridade e do perdão, que são as partituras que mantêm as melodias da vida feliz.

Envolvida nessa vibração de fraternal compreensão dos acontecimentos, das outras pessoas e suas dificuldades, dos fenômenos que se manifestam na existência, o amor desenvolve-lhe os valores mais elevados e a induz à gloriosa tarefa de servir e passar despercebida, deixando, porém, suas luminosas pegadas pelo caminho transitado...

A vida é um perene convite ao amor e à compreensão dos limites que exornam cada pessoa no seu processo de crescimento para Deus.

Quanto mais se lhe alargam os horizontes do desenvolvimento emocional e moral, mais o amor se lhe apossa do ser, alcançando as demais criaturas e inundando de bênçãos tudo a sua volta.

Ama, pois, sem qualquer tipo de limite ou de interesse passional.

O amor é luz, não a detenhas, evitando que predomine a escuridão...

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Garimpo de Amor

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Tentativa de assassinato do Imperador da Rússia

Tentativa de assassinato do Imperador da Rússia

Allan Kardec

Revista Espírita Junho de 1866



Estudo psicológico

Indépendance Belge de 30 de abril, sob o título de Notícias da Rússia, correspondência de São Petersburgo, dá um relato minucioso das circunstâncias que seguiram ao atentado de que foi vítima o czar. Além disso, fala de certos indícios precursores do crime e contém a respeito esta passagem:

“Conta-se que o governador de São Petersburgo, o príncipe Souwouroff, tinha recebido uma carta anônima assinada N.N.N., na qual se ofereciam, por meio de certas informações, para desvendar um mistério importante, pedindo uma resposta na Gazeta da Polícia. A resposta apareceu e está assim concebida: “A chancelaria do governador geral convida N.N.N. a vir amanhã, entre onze e duas horas, para dar certas explicações”. Mas o anônimo não apareceu; ele enviou uma segunda carta, alegando que era muito tarde e não tinha mais a liberdade de ir.

“O convite foi reiterado dois dias após o atentado, mas sem resultado.

“Enfim, como último indício, algumas pessoas acabam de se lembrar que três semanas antes do atentado, o jornal alemão Die Gartenlaube publicou um relato de uma sessão espírita realizada em Heildelberg, na qual o Espírito de Catarina II anunciava que o imperador Alexandre estava ameaçado de um grande perigo.

“Dificilmente se compreende, depois de tudo isto, como a polícia secreta russa não pôde ser informada a tempo acerca do crime que se preparava. Essa polícia, que custa muito caro, e que inunda de espiões inúteis todos os nossos círculos e assembleias públicas, não soube não só descobrir a tempo o complô, mas até mesmo cercar o soberano com a sua vigilância, o que é elementar e absolutamente necessário, sobretudo com um príncipe que sai quase sempre só, seguido de seu cão enorme; que faz passeios a pé nas horas matinais, sem estar acompanhado por um ajudante de ordens. No próprio dia do atentado eu encontrei o imperador na rua Millonaïa, às nove e meia da manhã. Ele estava completamente só e saudava com afabilidade os que o reconheciam. A rua estava quase deserta e os policiais eram muito raros.”

O que há sobretudo de notável neste artigo é a menção, sem comentário, do aviso dado pelo Espírito de Catarina II numa sessão espírita. Teriam eles posto esse fato entre os indícios precursores, se considerassem as comunicações espíritas como palhaçada ou ilusão? Numa questão tão grave, teriam evitado fazer intervir uma crença considerada ridícula. É uma nova prova da reação que se opera na opinião, a respeito do Espiritismo.

Temos que analisar o fato do atentado sob outro ponto de vista. Sabe-se que o imperador deve sua salvação a um jovem camponês chamado Joseph Kommissaroff que, achando-se à sua passagem, desarmou o assassino. Sabe-se, também, os favores de toda natureza com que este último foi cumulado. Ele foi feito nobre, e as dádivas que recebeu lhe asseguram uma fortuna considerável.

Esse jovem se dirigia para uma capela situada do outro lado do Neva por ocasião de seu aniversário natalício; nesse momento havia começado o degelo e a circulação estava interrompida, por isso ele teve que renunciar ao seu plano. Devido a essa circunstância, ele ficou na outra margem do rio, na passagem do imperador, que saía do jardim de verão. Tendo-se misturado com a multidão, ele percebeu um indivíduo que procurava aproximar-se, e cujas atitudes lhe pareceram suspeitas; seguiu-o e tendo-o visto tirar uma pistola do bolso e apontá-la para o imperador, teve a presença de espírito de lhe bater debaixo do braço, o que fez o tiro partir para o ar.

Que feliz acaso, exclamarão certas pessoas, que justo no momento o degelo tenha impedido a Kommissaroff de atravessar o Neva! Para nós, que não cremos no acaso, mas que tudo está submetido a uma direção inteligente, diremos que estava nas provas do czar correr aquele perigo (Vide O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXV: Prece num perigo iminente)mas que sua hora não tendo ainda chegado, Kommissaroff havia sido escolhido para impedir a realização do crime, e que as coisas que parecem efeito do acaso estavam organizadas para levar ao resultado desejado.

Os homens são os instrumentos inconscientes dos desígnios da Providência. É por intermédio deles que ela os realiza, sem que haja necessidade de recorrer a prodígios. Basta a mão invisível que os dirige, e nada foge da ordem das coisas naturais.

Se assim é, dirão, o homem não passa de uma máquina, e suas ações são fatais. ─ Absolutamente, porque se ele é solicitado a fazer uma coisa, não é constrangido a isso; ele não deixa de conservar o livre-arbítrio, em virtude do qual pode fazê-la ou não, e a mão que o conduz fica invisível, precisamente para lhe deixar mais liberdade. Assim, Kommissaroff podia muito bem não ceder ao impulso oculto que o dirigia para a passagem do imperador; podia ficar indiferente, como tantos outros, à vista do homem e de sua atitude suspeita; enfim, poderia ter olhado para outro lado, no momento em que este último tirava a pistola do bolso. ─ Mas, então, se ele tivesse resistido a esse impulso, o imperador teria sido morto? ─ Também não. Os desígnios da Providência não estão à mercê do capricho de um homem. A vida do imperador devia ser preservada; em falta de Kommissaroff, teria sido por outro meio; uma mosca poderia picar a mão do assassino e obrigá-lo a um movimento involuntário; uma corrente fluídica sobre ele dirigida poderia ter-lhe provocado um ofuscamento. Se Kommissaroff não tivesse escutado a voz íntima que o guiava malgrado seu, ele apenas teria perdido o benefício da ação que estava incumbido de realizar. Eis tudo o que teria resultado. Mas, se tivesse soado a hora fatal para o czar, nada poderia tê-lo preservado. Ora, os perigos iminentes que corremos têm precisamente por objetivo mostrar-nos que nossa vida pende por um fio, que pode romper-se no momento em que menos pensamos nela, e por isso advertir-nos para estarmos sempre prontos para partir.

Mas, por que esse jovem camponês em vez de um outro? Para quem não vê nos acontecimentos um simples jogo do acaso, tudo tem a sua razão de ser. Devia, pois, haver um motivo na escolha daquele moço, e mesmo que esse motivo nos fosse desconhecido, a Providência nos dá muitas provas de sua sabedoria, para não duvidarmos que tal escolha tinha sua utilidade.

Apresentada essa questão como tema de estudo numa reunião espírita em casa de uma família russa residente em Paris, um Espírito deu a seguinte explicação.

(Paris, 1º de maio de 1866 ─ Médium: Sr. Desliens)

Mesmo na existência do mais ínfimo dos seres, nada é deixado ao acaso. Os principais acontecimentos de sua vida são determinados por sua provação: os detalhes são influenciados por seu livre-arbítrio. Mas o conjunto das situações foi previsto e combinado antecipadamente por ele próprio e por aqueles que Deus prepôs à sua guarda.

No presente caso, as coisas se passaram dentro da normalidade. Sendo esse moço já avançado e inteligente, escolheu como provação nascer em condição miserável, depois de ter ocupado uma alta posição social; estando já desenvolvidas a sua inteligência e a sua moralidade, ele pediu uma condição humilde e obscura, para extinguir as últimas sementes do orgulho que nele havia deixado o espírito de casta. Escolheu livremente, mas Deus e os bons Espíritos decidiram recompensá-lo na primeira manifestação de devotamento desinteressado e vedes em que consiste sua recompensa.

Resta-lhe agora, em meio às honrarias e à fortuna, conservar intacto o sentimento de humildade que foi a base de sua nova encarnação. Assim, é ainda uma prova e uma dupla prova, na sua qualidade de homem e na sua qualidade de pai. Como homem, deve resistir à embriaguez de uma alta e súbita fortuna; como pai, deve preservar os filhos da arrogância dos novos ricos. Ele pode criar-lhes uma posição admirável; pode aproveitar sua posição intermediária para fazer deles homens úteis ao seu país. Plebeus de nascimento e nobres pelo mérito de seu pai, eles poderão, como muitos dos que encarnam presentemente na Rússia, trabalhar poderosamente pela fusão de todos os elementos heterogêneos, pela extinção do elemento servil, que durante muito tempo, entretanto, não poderá ser destruído de maneira radical.

Nessa promoção há uma recompensa, sem dúvida, porém, mais do que isso, há uma prova. Sei que na Rússia o mérito recompensado encontra mercê diante dos grandes; mas lá, como alhures, o novo rico orgulhoso e compenetrado de seu valor é vítima das troças; ele se torna joguete de uma sociedade que em vão se esforça por imitar. O ouro e as grandezas não lhe deram a elegância e o espírito do mundo. Desprezado e invejado por aqueles em cujo meio nasceu, é muitas vezes isolado e infeliz em seu fausto.

Como vedes, nem tudo é agradável nessas elevações súbitas e sobretudo quando atingem tais proporções. Para esse moço, esperamos em razão de suas excelentes qualidades, que ele saiba gozar em paz as vantagens que lhe proporcionou sua ação, e evitar as pedras de tropeço que poderiam retardar sua marcha no caminho do progresso.

MOKI


OBSERVAÇÃO: Em falta de provas materiais sobre a exatidão desta explicação, há que convir que ela é eminentemente racional e instrutiva, e como o Espírito que a deu é sempre caracterizado pela gravidade e alto alcance de suas comunicações, consideramos esta como tendo todos os caracteres da probabilidade.

A nova posição de Kommissaroff é um efeito muito escorregadio para ele, e seu futuro depende da maneira pela qual suportará essa prova, cem vezes mais perigosa que as desgraças materiais às quais a gente se resigna à força, ao passo que é bem mais difícil resistir às tentações do orgulho e da opulência. Que força ele não hauriria do conhecimento do Espiritismo e das verdades que ele ensina!

Mas, como pudemos notar, as vistas da Providência não se detêm nesse moço. Submetendo-se a sua prova, e pelo próprio fato da prova, ele pode, pelo encadeamento das circunstâncias, tornar-se um elemento de progresso para o seu país, ajudando na destruição dos preconceitos de casta. Assim, tudo se liga no mundo, pelo concurso das forças inteligentes que o dirigem. Nada é inútil, e as coisas aparentemente menores podem conduzir aos maiores resultados, e isto sem derrogar as leis da Natureza. Se pudéssemos ver o mecanismo que nos ocultam a nossa natureza material e a nossa inferioridade, de que admiração não seríamos tomados! Mas se não podemos vê-lo, o Espiritismo, revelando as suas leis, no-lo faz compreensível pelo pensamento, e é assim que ele nos eleva, aumenta a nossa fé e a nossa confiança em Deus, e que combate vitoriosamente a incredulidade.

Allan Kardec
Revista Espírita Junho de 1866

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Lições ocultas

Lições ocultas

Valérium


Jaqueira centenária do Bosque do Imperador - Petrópolis/RJ.

Fruto podre.

Fora pomo disputado, mas estava podre agora.

Transeuntes, ao darem com ele, torciam o nariz.

Censurava-se, à meia voz, a quem havia deixado ali, na rua, semelhante imundície.

Fruto podre gera podridão — diziam homens prudentes.

Mulheres que passavam referiam-se a desleixo.

Crianças aproximavam-se e tocavam-no, de leve, para atirarem com ele, de novo, ao chão, com desprezo evidente.

Nem os animais se sentiam tentados a incluí-lo na ração.

Mas veio o lavrador e tomou-o com bondade. Cortou-lhe os envoltórios, dissecou-lhe os tecidos e apanhou-lhe as sementes, vivas e puras, internando-as no solo...

E, em pouco tempo, árvores vigorosas, nascidas do fruto menosprezado, erguiam-se da terra, carregadas de flores e frutos nutrientes.

*

Nossos erros são também como frutos podres.

Vezes e vezes, quem passa olha para eles com ar de repugnância.

Quem os analisa, quase sempre amaldiçoa ou reprova.

Mas, se lhes buscarmos as lições ocultas, que existem quais as sementes nos frutos deteriorados, com elas construiremos caminhos outros no rumo da perfeição.

Todos somos lavradores da terra de nós mesmos.

E a cultura perfeita de nossas experiências e destinos pede também que plantemos e replantemos.

Valérium por Waldo Vieira do livro:
Bem-aventurados os simples

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domingo, 12 de janeiro de 2025

Esforço e oração

Esforço e oração

Emmanuel


“E, despedida a multidão, subiu ao monte a fim de orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.” (Mateus, 14:23)

De vez em quando, surgem grupos religiosos que preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração.

Nesse particular, entretanto, o Mestre é sempre a fonte dos ensinamentos vivos. O trabalho e a prece são duas características de sua atividade divina.

Jesus nunca se encerrou a distância das criaturas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração, mas também cultivou a prece em sua altura celestial.

Despedida a multidão, terminado o esforço diário, estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai, na oração solitária e sublime.

Se alguém permanece na Terra, é com o objetivo de alcançar um ponto mais alto, nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer. E, pela oração, o homem recebe de Deus o auxílio indispensável à santificação da tarefa.

Esforço e prece completam-se no todo da atividade espiritual.

A criatura que apenas trabalhasse, sem método e sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura do coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.

A oração ilumina o trabalho, e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada.

Cuida de teus deveres porque para isso permaneces no mundo, mas nunca te esqueças desse monte, localizado em teus sentimentos mais nobres, a fim de orares “à parte”, recordando o Senhor.


Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Caminho, Verdade e Vida

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